08 junho 2009

Sobre interinos e efetivos

Eu nunca trabalhei no prédio dos Frias e não posso provar, mas parece que os escribas do Painel Leonor têm de passar por um processo de lavagem cerebral antes de assumirem a função, ainda que na condição de interinos. Se o Perrone criou um estilo que foi ‘aprimorado’ pelo Arruda, antes interino e agora efetivo, eis então que hoje o senhor Eduardo Ohata, o interino da vez, supera os outros dois com louvor.

A começar pela fonte comprimida no texto de abertura, destoando do padrão da coluna. Depois, com as oito notas com a mesma temática: torcidas organizadas. Ok, o assunto está em evidência e não poderia ser desprezado, até porque a FSP empreende uma campanha sórdida – e frágil, a se julgar pelo estudo apresentado na edição dominical – contra nós. O problema está no teor do, digamos, noticiário.

Entre as notas todas que temos no Painel de hoje, vou ficar com apenas duas, não sem antes fazer um retrospecto necessário:

Painel Leonor, 07.05.2009: Franchising Leonor
Torto. Cartolas palmeirenses disseram ontem que a entrada da Mancha Alviverde no Palestra Itália foi liberada porque membros da organizada que haviam ingerido bebida alcoólica ameaçavam fazer quebra-quebra na porta do estádio. Ninguém, contudo, assumiu quem deu a ordem para a torcida entrar.
Painel Leonor, 26.05.2009: Sob ataque

Porre. A diretoria do Palmeiras pressiona o promotor Paulo Castilho a notificar a Subprefeitura da Lapa a ser mais rigorosa em relação à venda de bebida alcoólica nas imediações do Parque Antarctica em dias de jogos.

Ressaca. Os palmeirenses dizem que, desde que Castilho proibiu a entrada da Mancha Alviverde no estádio, membros da torcida têm ingerido álcool em quantidades excessivas e arrumado confusão na porta da arena alviverde.

Painel Leonor, 08.06.2009: post de hoje
Contra o feiticeiro. Dirigentes palmeirenses afirmam que a proibição da Mancha nos estádios foi um tiro no pé. Reclamam de que, quando não entram no Parque Antarctica, permanecem fazendo algazarra nas cercanias da entrada. E que a conta sobra para o Palmeiras.

Caso isolado. Autoridades alegam que os palmeirenses não podem se queixar disso, já que é função dos policiais controlar a bagunça.

Como os senhores podem perceber, é tudo bastante orquestrado, semana após semana, em um trabalho sujo de desconstrução de imagem (como se preciso fosse...), sempre contra a mesma torcida. Para escrever sobre o nada, os escribas do Painel Leonor, provavelmente orientados por alguém mais influente, apostam em fontes misteriosas: “Cartolas palmeirenses”, “Diretoria do Palmeiras”, “Dirigentes palmeirenses”, tudo pela ordem.


O termo muda e ninguém é identificado, mas a mensagem é a mesma: torcedores organizados são bêbados arruaceiros e é preciso acabar com eles, com a venda de cerveja nos bares da Turiassu e com aquele processo de socialização que se observa antes e depois de qualquer jogo nas ruas próximas ao estádio Palestra Itália.

Não há, no entanto, qualquer evidência a comprovar as absurdas notinhas do senhor Ohata. É coisa inventada mesmo, e não passa pelo crivo de qualquer pessoa que tenha um conhecimento mínimo sobre estádios de futebol.
Vamos de Houaiss:


Excetuando-se a parte dos mouros e partindo para a derivação, descobrimos que algazarra é o mesmo que “vozearia, barulheira, tagarelada”. São situações normalmente atribuídas a crianças ou, como frisa o Houaiss, a pássaros (no caso, pardais). Não consigo entender o que seria a algazarra de um grupo de torcedores organizados, tidos e havidos pela hipócrita e alienada opinião pública como criaturas perigosas, que representam uma ameaça à nossa harmônica, pacífica e ordeira sociedade civil.

A nota perde o sentido aí. O mais grave, entretanto, é constatar a desinformação do senhor colunista acerca do que é um estádio de futebol e do que é uma torcida organizada. Pois ele, a exemplo do Arruda, insiste com a descabida tese de que alguns de nós não teríamos entrado no campo devido à “proibição da Mancha”.

Vou repetir e insistir, de uma vez por todas:

A proibição não se aplica às pessoas físicas, mas à pessoa jurídica. Não se aplica aos torcedores, mas às faixas, camisas e instrumentos que identificam a torcida como tal. Nenhuma pessoa física é impedida de entrar no estádio, e é por isso que a torcida toda está lá. No mesmo local, com a mesma configuração, com as mesmas músicas, mas sem as, como vamos chamar?, sinalizações visuais características.

Estamos todos lá, e ninguém deixa de entrar por conta da proibição dos materiais. Foi assim, caro jornalista de redação, entre 1995 e 2003. E tem sido assim a cada nova e arbitrária punição à entidade Mancha Verde. Assim é a vida neste tal futebol; bem diferente do cenário ao qual o senhor está acostumado, em disputas frias de tênis e demais esportes olímpicos.

A torcida pode ser punida tantas vezes quantas forem do interesse do promotor desocupado. Faixas, bandeiras, camisas, instrumentos de percussão e demais adereços ficam do lado de fora. Mas os torcedores não. Menos ainda para fazer “algazarra” ou qualquer coisa do tipo.

Aliás, caro jornalista, o que seria isso? Como seria a “algazarra” dos torcedores? Quem estaria reclamando disso? A polícia registrou alguma queixa? E quem seriam as “autoridades” que jogam a responsabilidade (do quê?) nas costas da PM? Aliás, a PM não é uma autoridade? E o que seria a “conta [que] sobra para o Palmeiras”?

Pois é, fiquei com essas dúvidas todas. Seria interessante que você, do alto de todo o seu conhecimento de esportes olímpicos, explicasse isso tudo a alguém que, como eu, já pisou mais de 300 vezes naquele estádio sem nunca ter visto nada parecido com essa tal “algazarra”? Estou curioso. De verdade.

Finalizo com uma pergunta que resume o quanto isso tudo já me encheu o saco: vocês, interinos ou efetivos, são ingênuos, mal intencionados ou filhos da puta mesmo?

18 comentários:

Renato disse...

OPÇÃO C!!!

Ademir Castellari disse...

Opções B e C.

Pedro Pellegrino disse...

O Eduardo Ohata entende é de boxe, boxe e não futebol.

Nicola disse...

Mal intencionados e filhos da puta.

Quanto a Mancha outra vez entrar sem bateria e faixa no estádio, puta que pariu, que se passa? Ô birra com a nossa torcida, impressionante, qual o motivo dessa putaria?

Aí chega a impren$inha e coloca isso como algo normal... E só com o Palmeiras. Mas atirar bomba no Panetone pode, quebra quebra depois do jogo dos gambás na Vila também. Cadê o promotor?

Nicola disse...

E cadê a porra da imprensa falando disso também?

Claudio Yida Jr disse...

Não queira entrar naquele prédio da Barão de Limeira. Fui lá uma única vez e saí direto para procurar uma benzedeira. O clima de velório constante impera e talvez isso explique os textos que saem naquele lixo.

No mais, é cíclico: liberam os panos, tem uma briga, proíbem os panos. Aí tem outra briga e liberam os panos porque fica mais fácil identificar quem brigou. Aí tem outra briga... Ou seja, essa não é a solução para nenhum problema.

Forza Palestra disse...

Nem quero entrar lá, japonês. Já cancelei minha assinatura de novo.
Abraços

Claudio Yida Jr disse...

Cara, podíamos abrir um espaço para todos que cancelarem suas assinaturas desse lixo que gravem o áudio e mandem para nós. Ia ser fantástico.

paulo.cassaro disse...

e a emboscada da gayvio~es como é q ficou cade a promotora ops promotor ??.

Forza Verde disse...

Barneschi e demais ilustres palestrinos, deêm uma olhada nessas matérias e deêm uma atenção especial às palavras do BANDIDO “MOR”, vulgo JJ Wiskey. Reparem no MAU-CARATISMO e na CANALHICE desse cretino filho da puta.

link 1: http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,grandes-clubes-de-sao-paulo-juntam-forcas-em-reuniao,379248,0.htm

link 2: http://www.lance.com.br/corinthians/noticias/09-05-29/553955.stm?futebol-sao-paulo-se-da-bem-em-reuniao-dos-grandes

Palestra1914 disse...

É tudo orquestrado entre FSP , spfw e PM.

Ou seja , são mal intencionados E filhos da puta.


Bruno D'Angelo.

João Medeiros disse...

O que vocês passam com a Folha aí, nós passamos com o Globo aqui. A famíla Marinho é declaradamente urubu. Do Lance! ("carinhosamente" conhecido como "embrulha Peixe" pela torcida do Vasco) não preciso nem falar. Só sobra o outrora imparcial JB - Jornal do Brasil - que já foi um ótimo jornal. Hoje em dia, me informo muiito mais em blogs confiáveis que em mídia impressa. São todos vendidos. O que mais me deixa puto é que os poucos jornalistas vascaínos ou palmeirenses se esforçam por parecer imparciais, e quando elogiam um pouco mais são logo taxados de puxa-sacos e outros adjetivos do gênero. E o que fazem Juca Kfouri, Ohata, Renato Maurício Prado e outros jornalistas-torcedores que tem por aí? A gente, meu amigo Barnaschi, tem que se virar sozinho. Foi por isso que eu disse ao Júnior uma vez: As nossas conquistas são mais suadas e triunfais. As nossas lutas são contra tudo e contra todos. Abração.

Palestra1914 disse...

João Medeiros , certa vez assisti a uma entrevista com Galvão Bueno (ele sendo entrevistado) falando sobre o Roberto Marinho.O Galvão contou que logo que começou na Globo , narrava jogos de futebol com a maior imparcialidade do mundo , principalmente no momento do gol. Certo dia foi chamado na sala do chefão que depois de elogiá-lo , deu o seguinte recado : filho , a única coisa que você precisa melhorar é quando narra jogos do Flamengo. Nesses você deve elogiar mais o meu time e gritar o gol com mais vontade.

Eu passei a odiar ainda maiso flamengo depois disso.

Abraço.

Bruno D'Angelo.

Claudio Yida Jr disse...

Pois é, João. O Globo aí e a Falha aqui agora querem reivindicar direitos autorais sobre perguntas, só porque a Petrobrás furou a mídia toda e resolveu responder tudo pelo seu blog corporativo...

Pior (ou melhor?) que eles não aprendem.

João Medeiros disse...

Palestra 1914,

Cara, não sabia desse episódio. Vindo do Galvão, um declarado puxa sacos da emissora, deve ser verdade mesmo. Mas isso não é novidade nenhuma. A gente sabe que a imprensa é parcial mesmo. É só ler jornal e você percebe que os queridinhos são os bambis, os gambás e os mulambos. Aliás, uma acadêmica de antropologia fez uma tese de mestrado, lá em Juiz de Fora/MG, sobre a "popularidade" dos mulambos. Ela explica, fundamentada em pesquisas, como surgiu esse "fenomeno" da torcida urubu. Vale a pena ler. Muito interessante. Abração.

Felipe disse...

Poxa , barneschi. Pelo seu vocabulario e facilidade para escrever, pensei q vc soubesse o que eh algazarra.

Alias, eh uma palavra nova para o lulla. Ele a descobriu outro dia, e num mesmo discurso a falou uma duzia de vezes. Parecia um retardado, iniputavel, repetindo a palavra que para ele, deve ter um som engraçado.

Depois q o grande Lider comecou a balbucia-la no palanque, virou uma palavra muito utilizada pela macacada.

Pedro Pellegrino disse...

Barneschi, você ficou sabendo da nova torcida La Forza? Não sei se alguém já comentou por aqui. Saca só essa torcida polonesa http://www.youtube.com/watch?v=YlkJi9rwgi0 Abraços.

Forza Palestra disse...

O seu comentário, Felipe, mostra o seu nível. Fica aí, para que você se exponha ao ridículo.

Você tentou fazer graça e não conseguiu. Nem vou entrar no mérito da sua piadinha idiota, mas o fato é que as pessoas que não consultam dicionários são as mesmas que não vêem guias de ruas e ou se perdem pela cidade ou apelam para o GSP.

***

Pedro,

Tinha visto sim. Mas não teve grande repercussão no jogo de estréia da torcida.