28 novembro 2009

Belluzzo, o futebol e os recalcados

Discuta-se a presença do presidente do clube em um evento de sua maior torcida organizada, a quem competem o direito e o dever da fiscalização. Discuta-se, portanto, um eventual conflito de interesses na visita e mesmo no relacionamento próximo entre as partes. Existe certa lógica no raciocínio dos que pensam assim, entre os quais, ressalte-se, eu não me incluo. Mas é discutível.

O que não cabe discutir é a (in)adequação das palavras proferidas em uma festa de torcida organizada e, mais que isso, em um ambiente que, para usar a expressão do Madureira, "pertence ao futebol". Porque o futebol é paixão e a paixão não mede palavras. Porque o futebol é viril; é assim desde o seu surgimento e ainda hoje, a despeito dos esforços arduamente empreendidos por uma crescente massa de recalcados, em que predominam duas categorias: a dos jornalistas esportivos e a dos promotores/procuradores.

Belluzzo disse - de novo! - nada além do que é dito por qualquer torcedor de futebol e mais um pouco pelos organizados, que, por sinal, eram o público do evento em questão.

"Vamos matar os bambis!"

É possível aí fazer a defesa sinalizada pelo próprio Belluzzo, contextualizando a frase ao vocabulário do futebol, com suas tantas expressões bélicas: guerra, batalha, artilheiro, matador, esquadra etc. No futebol, mata-se a bola - e é curioso que tal expressão faça referência a um lance que é o oposto de matar -, mas mata-se também um jogo e mesmo um adversário.

Porque o futebol, mais que qualquer outro esporte, é uma guerra, e matar o adversário é preciso para se chegar à vitória. Não há meio termo, e o futebol, que me perdoem os puritanos, recalcados e falsos profetas da moral e dos bons costumes, sempre será uma atividade inclinada à brutalidade, algo bem distante da confraternização imaginada por uns e outros.

Feita a análise semântica, cumpre ressaltar o ambiente (privado) em que foi proferida a sentença. A questão, vejam os senhores, é que torcidas organizadas têm todas os seus gritos de guerra (a expressão tem origem ainda nos bancos escolares, o que não significa necessariamente que os moleques da 6ªA possam matar os da 6ªB). É de se esperar, portanto, que as referências aos adversários/inimigos não sejam as mais elogiosas, respeitosas ou carinhosas.

(Por sinal, há, desde a década passada, uma patrulha brutal contra os gritos de guerra das torcidas, o que compreende desde as críticas frágeis e lamuriosas dos jornalistas de estúdio até sanções estabelecidas pela nossa incompetente Polícia Militar.)

Belluzzo falou em "matar os bambis", mas não há registro de que algum mancha tenha deixado a quadra da torcida naquele momento e seguido em direção a algum ponto de encontro dos meigos cervídeos com a intenção de praticar o ato. Ao que parece, nada aconteceu também neste mais de mês subsequente ao evento, de tal modo que a violência entre as torcidas não obedece a tais chamados, se é que a atitude de Belluzzo pode ser assim qualificada.

No entanto, o mundo caiu na cabeça do presidente do Palmeiras, como se ele tivesse cometido um crime. Vozes moralistas se ergueram de todos os cantos, do mais reles jornalista de uma pequena redação ao mais influente dos colunistas, sempre voluntariosos quando se trata de bradar suas indignações.

Só foi assim tão grande a repercussão porque interessa a certos grupos bem articulados desta mídia esportiva que tem o Palmeiras como inimigo. E, convenhamos, não poderia haver melhor momento para atacar o Palmeiras, mais ainda quando o seu presidente, que não é um presidente qualquer, se coloca em posição de destaque.

E então, orquestrados, os inimigos se colocam diante de nós. E é mais do que evidente que Paulo Castilho, o promotor conhecido de tantas causas anteriores, resolve partir para cima de Belluzzo também. Típico; não dava para esperar algo diferente. Para Belluzzo, mais uma vez, é uma honra.

E futebol, cabe destacar, é isso aqui:

PELO FIM DO FAIR PLAY: QUERO PORRADA NOS GRAMADOS

12 comentários:

Daniel disse...

mudou a fonte??? ou foi engano????

MATEUS disse...

Em defesa dos "bambi" diga-se que a diretoria do São Paulo não achou nada demais e não criticou Beluzzo. Beluzzo, aliás, que diz ter relação amigável com JJ, "chamo até o Juvenal de bambi"

Anônimo disse...

Normal, iludido com a liderança de seu time, Belloser apenas externou o sentimento que permeia nossa relação com a de vocês, a de ódio eterno, não que isso impeça de amanhã ou depois tomarmos uma breja juntos

Forza Palestra disse...

Mudei a fonte mesmo. Pelo menos pra mexer alguma coisa no blog. Algumas pessoas reclamavam que era difícil ler em alguns navegadores. Agora fica mais fácil.

João Medeiros disse...

Na copa do mundo de 1998 ocorreu uma cena emblemática: A França vencia por 3x0, quando um de seus jogadores caiu no chão. O francês que tinha a posse da bola naquele momento imediatamente mandou a pelota pela lateral, para permitir o atendimento. Óbvio que era "migué". Em nome dessa porra que se chama "fair play", o brasileiro que ia cobrar o lateral devolveu a bola para a posse dos franceses. Cena seguinte: O Edmundo cobrindo o imbecil de esporro. Não é à toa que o cara é ídolo de PALMEIRAS e VASCO. Ele sintetiza o espírito do futebol tal e qual nós entendemos, Rodrigo. Abraços.

Viva a MANCHA !!!!!
Viva o Belluzzo !!!!!
Morte aos bambis !!!!!

Forza Palestra disse...

Grande João!

Edmundo é o cara! Ídolo eterno!

João Medeiros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nicola disse...

Assino embaixo! Todos esses bandidos filhos de uma puta querendo queimar o Belluzzo, é óbvio que ele está certo! Foi o único que peitou essa merda de STJD e CBF, e agora a impren$a inteira descendo a lenha nele, é pra ficar no mínimo revoltado...

E João, pqp, não tem um jogo que eu não fico puto que essa viadagem de "fair play", se o cara desmaiar até vai, fora isso, FODA-SE! Que faça o gol e depois cuspa em cima do adversário, dependendo do clima do jogo...

João Medeiros disse...

Nicola,

Fair play eu acho que é o seguinte: Seu time está com a posse de bola. Perdendo o jogo. Aí um cara do outro time cai. Você abre mão da posse de bola, mesmo perdendo o jogo, para o adversário ser atendido. O outro time, quando vai repor a bola, devolve. Isso eu entendo. Agora, seu time tá vencendo, aí você manda a bola pela lateral para um cara do seu time ser atendido. Porra, tá vendo que é migué. E mesmo que não seja. Se é um cara do seu time que está caído, e você tem a posse de bola, não é FAVOR mandar a bola pra fora, é OBRIGAÇÃO. O outro time devolve se quiser. São situações bem distintas. É como na guerra - Tá rolando troca de tiro, nem pensa: larga o dedo, é você ou o inimigo. Agora, se o cara já se rendeu, tá desarmado, não precisa mais atirar - Um pescoção resolve. Tá rolando o tiroteio, tu para pra socorrer o parceiro. O inimigo ferido que se foda. O tiroteio acabou, você venceu a batalha, deixa os caras receberem atendimento. É mais ou menos isso. Lógico que tem limite. Mas não precisa dessa viadagem de fair play pra porra toda. Futebol é guerra, amigo. E o estádio, campo de batalha. Portanto, fair play é o caralho.

Zhu Sha Zang disse...

1) Castilho é bambi também.

2) Seremos chacotados um bom tempo se perdermos a vaga para a Libertadores.

3) Somos alvos, e onde isso vai terminar (EMBOSCADA CONTRA JOGADORES POR PARTE DE BANDIDOS???)

4)O MURICY Tà tirando o dele da reta e falando d+ (DEVE SER BAMBI)

5) Alguém vê saída para essa perseguição que o Palmeiras vai sofrer agora?

Armando Milani Bernardi disse...

Ao Matheus, ai de cima...

Não se iluda com a postura hipócrita do SPFW. Aliás, "postura hipócrita do SPFW" é pleonasmo....

O que Gardenal Bebêncio e sua corja fizeram foi apenas chamar o Schimmit e o Castilho para socorrê-los.

E, em relação ao comentário do anômino bambi ai de cima, acho fantástico que vc. pense assim.

Vcs. são eternamente nossos inimigos, mas eu nunca matei um são paulixo na vida.

Fica aqui também o meu pedido ao "ocupado" membro do MP paulista: impetre ação penal contra mim, tb, porque "eu vou matar os bambi"...

Anônimo disse...

Que discussão ridícula. Essas porcarias (deve vir de porco msm) saem na mídia apenas para dar ibope, e por sinal, da certo né. E a parmerada fica agora no ta certo ta errado ao invés de procurar o erro no mal desempenho do time nas últimas rodadas. Futebol é dentro de campo, na arquibancada. Fora dele é a vida social, cheia de seus problemas que estes sim deveríamos estar preocupados e discutindo. Mas futebol, na nossa pátria de chuteira, é que nem religião movido pela ignorância.

Pablo.