27 janeiro 2010

Futebol é guerra!

Eu bem queria ficar quieto hoje, mas aí a coluna de Tostão, o mais chato dos colunistas dos grandes jornais, me levou a escrever este breve post, que poderia ser na verdade apenas o título e nada mais. É que eu nunca leio o que escreve Tostão. Por pura preguiça e também para evitar cair no sono no meio do dia. Não à toa, ele é o maior ídolo do Cruzeiro, o mais desprezível dos clubes brasileiros.

Lendo a Folha hoje cedo, estava passando batido pela coluna de Tostão quando me deparei com o título acintoso: “Futebol não é guerra”. É o oposto do que defende este blog e aí eu fui obrigado a ler a pataquada toda. Depois de quase dormir algumas vezes, cheguei ao final. Para evitar a sonolência coletiva, reproduzo aqui apenas os dois últimos parágrafos:

“Devem ser os mesmos que não gostam de futebol. Gostam somente de luta, de torcedores e de jogadores guerreiros. O lance mais aplaudido de Roberto Carlos, pela torcida do Corinthians, foi o carrinho, na lateral do campo, contra o Bragantino, atropelando tudo o que estava em sua frente.

Futebol não é guerra. É um espetáculo bonito, lúdico e prazeroso, que tem, obviamente, de ser jogado com garra.”

Esqueçam o Tostão jogador. Pensem no Tostão comentarista. Ele é como 90% dos jornalistas/comentaristas/colunistas que temos por aí: nunca pisou numa arquibancada. Entende de qualquer coisa, menos de futebol, e aí comete um texto absurdo como este.

Futebol é guerra!

***

Para seguir no espírito, mais um pouco de Nick Hornby:

“Febre de bola”, página 131:

“Mas não foi o futebol que fascinou Jonathan. Foi a violência. Por toda a nossa volta havia gente brigando – no Lado Norte, na Ponta do Relógio, na Arquibancada Inferior Leste, na Superior Oeste. A cada poucos minutos um enorme clarão se abria em algum ponto na intrincada tessitura de cabeças sobre as arquibancadas, enquanto a polícia separava facções em guerra, e meu irmãozinho ficava fora de si de empolgação; virava-se a toda hora para olhar para mim, com o rosto brilhando de alegria incrédula. “Isso é incrível”, dizia sem parar.”

***

Atualização:
Por indicação do próprio autor, eis aqui a contriuição de André Falavigna para que as pessoas entendam um pouco melhor o que está sendo dito sobre Tostão.

15 comentários:

Anônimo disse...

É, o Tostão não entende nada de futebol. Quem entende é o Barneschi.

Marco Túlio disse...

Barneschi,

Faz tempo que leio seu blog. Já tivemos divergência de oponião algumas vezes (como o seu conceito de 'torcedor' - que vai ao estádio). Mas isso que é bom, não acha?! Enfim, não concordo com isso:

"[...] [Tostão] Entende de qualquer coisa, menos de futebol[...]"

Cara, ele foi jogador de futebol, não foi?! E dos bons.

Forza Palestra disse...

Eu entendo de futebol a partir da arquibancada. Futebol para o torcedor de estádio (com o perdão do pleonasmo), que é o que verdadeiramente importa. Entendo disso, e é só isso que interessa para mim (e para quem é torcedor de arquibancada).

Porque as babaquices de que entende o Tostão (análise tática, esquema de jogo etc.) não valem de nada para o torcedor.

O torcedor valoriza sim o jogador que tem garra, que dá carrinho, que se mata pelo time. O torcedor valoriza o esforço, a dedicação, o amor à camisa.

Esquema tático é coisa de quem quer transformar o futebol em algo lógico. Não tem o menor valor para quem vive o futebol na sua essência.

Então eu reafirmo que o Tostão não entende porra nenhuma da essência do futebol.

Forza Palestra disse...

Opa, Marco, beleza? Respondi ao anônimo antes sem ler o seu comentário. Mas acho que a minha resposta acima resolve tudo, né?
Abraços

Rafael disse...

anonimo cagalhão

"bonito, lúdico e prazeroso"
tinha que ser maria né?!

abs pilantra

Blog do Meu Saco disse...

Não resisto, vou fazer auto-referência na maior cara-de-pau. Neste link velho aqui:

http://ofalavigna.blog.uol.com.br/arch2007-12-01_2007-12-31.html#2007_12-26_17_31_59-10166177-0

Não é que Tostão não entende de futebol. É que ele entende muitíssimo mais de como se fazer respeitável nesse meio analfabeto. Entende e gosta. É um palhaço.

Conrado disse...

barneschi, nao tenho duvidas que o futebol se tornou o maior esporte deste planeta baseado nos valores que voce tanto defende. alias, eu tambem preferia que continuasse do jeito que sempre foi. sem duvida, era mais legal.

mas nao tem jeito. o dinheiro descobriu o futebol. a televisao mostra e repete todos os detalhes, dentro e fora de campo. e muitos dos lances "vistos da arquibancada" que tanto nos fascinaram em nossas infancias hoje sao ofensivos ao politicamente correto e consequentemente repelem patrocinadores, muito gracas a patrulheiros como tostao e JK.

o futebol mudou por causa do dinheiro, e nao tem volta. gosto demais de ver sua resistencia. recomendo seu blog a todos que me perguntam sobre quem mais poderiam ler sobre o palmeiras e futebol.

mas nao leve essa luta muito a serio. continue com essa linha, proteste sempre que ler imbecilidades modernosas, mas nao sofra. porque é como lutar contra o visa, contra a arena, contra os ingressos mais caros. é dar murro em ponta de faca. infelizmente.

eu defendo que o palmeiras se adeque às tais modernidades nao por acha-las melhores, nao por achar que é a evolucao do futebol e que assim esta melhor. mas simplesmente por entender que nao tem volta, e se insistirmos naquilo que achamos mais legal, ficaremos para tras e deixaremos de ser competitivos.

é tema para longa discussoes.

abs

Forza Palestra disse...

Falavigna
Isso tudo me lembra que o senhor ficou devendo um atualização mais constante do blog em 2010. Brilhante o texto. Vou dar um jeito de colocar aí no post mesmo, em destaque, e depois no twitter. De um jeito muito mais elaborado, era o que eu queria dizer.
Abraços

Conrado
Valeu pela participação. Eu entendo o seu ponto de vista e tal e agradeço pelos elogios e pelas recomendações ao blog. É porque essa do Tostão me tirou do sério mesmo. Como tantas as outras. De certa forma, no entanto, muito do que você coloca aí (de não levar tão a sério) é o que eu venho tentando fazer, conforme dito no post anterior. Mas tá difícil.
Valeu e abraços

Forza Palestra disse...

Ah, bem lembrado: "Bonito, lúdico e prazeroso"

Depois disso, nada mais precisa ser dito...

Anônimo disse...

Caro Barney, esse ex-maria não vale um tostão. É um bestalhão politicamente correto. A propósito, quem descreve o espírito do sujeito com a maestria conhecida é o Falavigna, irmão do Seo Cruz, em post em seu antigo blog. Aliás, foi o primeiro texto que li do André e virei fã.
http://ofalavigna.blog.uol.com.br/arch2007-12-01_2007-12-31.html
Dimar Alves

Anônimo disse...

Por que tanto ódio ao Cruzeiro, de tradições igualmente ítalopalestrinas?

Anônimo disse...

PS1: Injusto. Nick Hornby Vs Tostão. Nick Hornby, claro!
PS2: Eu acabei de descobrir que adoro a palavra pataquada. Quero um dia escrever um texto/post usando essa palavra.
PS3: Eu odeio Roberto Carlos, logo eu acho que o Tostão pegou leve. Ele não só foi violento naquele lance como ele é mau caráter. Esse é o melhor elogio que posso fazer a ele. #prontofalei

Marco Túlio disse...

Agora sim, Barneschi! Agora entendi o seu conceito!
Abraços

Forza Palestra disse...

Anônimo (que perguntou sobre o Cruzeiro),

Confira aqui: http://forzapalestra.blogspot.com/2009/10/bons-tempos.html

Anônimo disse...

EH POR ISSO QUE VCS SERAO EXTERMINADAS, SUAS GAZELAS. ALIAS..JA ESTAO SENDO.