
Fim da linha: diretoria do Atlético/PR não cumpre acordo feito durante a semana e deixa cinco ônibus e mais 400 torcedores do lado de fora da Arena
Não pretendo transformar o blog em um exaustivo relatório, mas preciso fazer um desabafo no único lugar que me cabe. Vamos lá:
Fazia muito tempo que eu desejava uma vitória como a de ontem. Era incômodo não conseguir vencer na Arena. E foi assim, com a certeza de que o tabu cairia ontem, que seguimos para Curitiba logo às 6h da manhã.
Viagem cansativa, mas chegamos cedo, pouco depois do meio-dia, para nos posicionarmos em frente à rua que dá acesso ao portão da torcida visitante. Há muitos palmeirenses na região e os ingressos, poucos, já estavam esgotados desde sexta. Duas eram as esperanças: 1. os malditos cambistas; e 2. a carga reservada para a Mancha.
Nada disso aconteceu. Foram quatro horas batalhando um ingresso ou um meio de entrar no estádio, mas apenas três de nós conseguiram – éramos sete. E só foi assim por um enorme golpe de sorte.
Acreditem: não apareceu sequer um cambista no entorno de onde fica a torcida visitante. Nenhum. Não houve nem a perspectiva de poder negociar um bilhete a R$ 100. Os vagabundos simplesmente não deram as caras, a não ser do outro lado.
E eu ainda cheguei a dar duas voltas na Arena – e por todos os bastidores do estádio –, caminhando no meio dos caras, para buscar um jeito de entrar no estádio. Lá pelas tantas, eu admitia até entrar pelo lado deles – e depois eu daria um jeito de chegar ao nosso –, mas não houve meio de entrar na Arena.
Eis que chegou a Mancha, já com 20 minutos de jogo, no exato momento em que o Palmeiras abria o marcador. Deu para ouvir só o barulho da pequena torcida que estava lá dentro. Do lado de fora, um grupo de 350 ou 400 torcedores tínhamos a carga reservada à MV como última esperança.
Os despreparados PMS locais se armaram para um confronto, mas nem havia tal possibilidade, já que os cinco ônibus que vieram de SP permaneceram fechados, sem que seus integrantes pudessem sequer abrir a janela. Os líderes da organizada até foram autorizados a passar pela barreira policial para retirar os ingressos ‘reservados’, mas retornaram com a má notícia: a diretoria do C.A.P. descumpriu o trato e não segurou a carga da Mancha.
Desolação total entre os que estavam no ônibus e entre os muitos manchistas que aguardávamos os ingressos que deveriam estar reservados, conforme acordo feito entre as diretorias dos dois clubes. Os ônibus foram embora do mesmo jeito que chegaram: tudo muito rápido, sem tempo nem para descer ou conversar com o pessoal. Um bate-e-volta literal.
Aos que ficamos, restava buscar alternativas para acompanhar o jogo. Eu até queria ficar na porta do estádio, ouvindo a manifestação da nossa torcida, mas a PM local, que já fizera besteira antes do jogo, não parecia muito disposta a segurar o bando da Fanáticos, a organizada do C.A.P., que ficou do lado de fora e pretendia se vingar do prejuízo que tivera duas horas antes do jogo.
(Por sinal, a batalha campal entre o bando dos caras e um pequeno grupo desmobilizado da nossa torcida demonstra o total despreparo da polícia local, que nos deixou isolados até que explodisse a guerra.)
Assim sendo, a única opção foi seguir para o carro e ouvir o jogo pelo rádio. Isso a 30 metros do estádio, o que permitia ouvir as manifestações do público. Foi assim que acompanhamos toda a partida: os erros da arbitragem, o empate do time da casa, o gol de Diego Souza etc. e tal. Melancólico, para dizer o mínimo.
A situação levanta novamente uma discussão que será abordada no próximo post, sobre a necessidade de a diretoria do Palmeiras passar a defender o seu torcedor, algo que não acontece hoje.
Depois disso, mais estrada. Ruim, com aquele insuportável mar de caminhões. Muito cansaço, mas a vitória em Curitiba compensa o sofrimento. Vencemos e seguimos na captura do Grêmio enquanto o adversário desta última partida fica bem perto do lugar que, eu espero, pode ser alcançado até o final do campeonato.
***
Aos que estão por dentro da briga Mancha x TUP, deixo aqui um relato curioso do cenário que se estabeleceu antes do jogo.
O bando da Fanáticos aguarda, lá do final da rua, o momento de atacar. Um dos nossos vai conversar com um pequeno grupo de moleques, um pouco mais próximos. E eis que eles me saem com essa:
“Fica tranqüilo, que não queremos vocês. A gente quer a TUP.”
E depois:
“Mas a Império vai vir até aqui pra pegar vocês...”
Surreal.
