17 julho 2014

Está de volta o futebol


















Escuto, aqui e ali, alienígenas lamentando o encerramento da Copa do Mundo. Falam em luto até. Em saudades. Em crise de abstinência, vejam só vocês. Em desejos de Copa todo ano e coisa e tal.

Sim, foi uma grande Copa, mas ela teria mesmo de chegar ao fim. Daí então que o circo midiático se desfaz, os turistas (de fora e daqui) vão embora e os craques se despedem, até restar apenas e tão somente o futebol. Ah, o futebol...

O futebol volta agora para os que o vivemos intensamente dia após dia. Os alienígenas que tomaram de assalto nossos estádios (e outros espaços, inclusos os virtuais) neste último mês mergulham agora em mais quatro anos de puro ostracismo e desinteresse pelo esporte, com algum 'deslize' oportunista em uma final de campeonato – e conhecemos bem o tipo de sujeito que, ausente durante toda a temporada, nos procura pedindo ingresso para a decisão.

Chega de camarote, de networking, de colunas sociais escrotas. Chega de notícias sobre VIPs tomando o lugar dos torcedores de verdade, chega de múmias na tribuna de honra, chega de gente que só quer aparecer na porra do telão.

Chega de comentaristas de ocasião, de bajuladores, de cambistas de butique (idem para os que financiam a máfia toda). Um até nunca mais para banqueiros, altos executivos e canalhas congêneres que tanto conspurcaram o lugar do povo. Um basta para os colunistas e analistas de outras esferas a escrever absurdos sobre o que desconhecem por completo. Um ponto final para os credenciados, para os convidados e para quem só queria ver e ser visto.

Depois de uma Copa que eu, quase 800 jogos em 60 canchas, só pude ver pela TV, é chegada a hora de retornar aos estádios como eles são. Tem jogo hoje no amontoado de laje, domingo no Pacaembu, quarta em Florianópolis, domingo no Itaquerão, quarta de novo no Pacaembu, domingo no Pacaembu... ah, já deu para entender...

Ingressos garantidos, pois - e não, não havia ninguém desesperado querendo entradas para jogos em horários e locais que não eram exatamente convidativos.

O futebol, livre deste Padrão Fifa vomitado por dez entre dez idiotas, retorna agora aos que o vivemos não como uma festinha privê para reunir a high society, mas sim como o esporte do povo por definição. Não é mais o evento de abastados que vomitam meritocracia sem refletir sobre o real significado da palavra, mas sim a manifestação popular que procura resistir ao elitismo descarado - e, acreditem, nós venceremos, não sem antes eu dedicar uma atenção especial ao excremento humano que cometeu o texto deste último link.

Voltar do exílio logo no amontoado de laje da Baixada Santista tem um significado todo especial. Porque os setoristas de banheiro de estádio (tem um aí reclamando até da qualidade das portas) entrariam em pânico se conhecessem um dia as instalações daquilo que o Santos FC chama de estádio. E horrorizados ficariam, eles todos, ao saber que, esgueirando-se entre degraus que mal chegam a 50 centímetros, não é possível enxergar o gol que fica logo abaixo.

Seja como for, lá estaremos. Porque o futebol prescinde da existência dos que dão a vida por um banheiro de estádio cheiroso - e é de se discutir até a necessidade de tais recintos, ainda que poucos compreendam a pretensa hipérbole aqui contida. O futebol é melhor sem os endinheirados, sem a corja toda que tem medo de tomar uma facada no baço, sem os brasileirinhos "com muito orgulho, com muito amor", sem os que "acreditam" (no que mesmo?), sem essa turminha do "tóis" (???).

O futebol não é para turistas, não é entretenimento, não é balada. Muito menos bizines, como gostariam alguns canalhas graúdos. E ele está de volta, senhores. Está de volta para quem vive por ele, para quem não mede esforços pelo seu time, para quem é da arquibancada - e nunca das malditas cadeiras numeradas.

Alienígenas, consumidores e torcedores de ocasião voltarão dentro de quatro longos anos. Que passem bem.

A arquibancada forma caráter.

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Passei as últimas semanas lendo e ouvindo os maiores absurdos possíveis. De leigos assumidos - e até absolvo a maior parte - até pseudo-especialistas que ocuparam preciosos espaços midiáticos para, de maneira um tanto desavisada, proclamar ignorância e desconhecimento de causa. A imprensa esportiva teve lá seus bons momentos (gostei do papel desempenhado por alguns jornais), mas o que mais impressiona é a indigência de alguns colunistas aqui e ali, e mesmo dos articulistas de outras áreas (política e economia) que pareciam não saber muito o que escrever ao ganharem credenciais e/ou ingressos. Mais do que revolta como torcedor, fiquei constrangido como jornalista. Fui colhendo alguns links aqui e ali e alguns deles eu acabo de compartilhar no texto acima. Segue a vida.

08 julho 2014

Sobre Avanti, rating e burrice

A burrice me incomoda profundamente.
A burrice teimosa, ainda mais.

Antes de tudo, sugiro a leitura de dois posts (este e mais este) que apontam o absurdo por trás da incompreensível, ininteligível e injustificável fórmula de cálculo do rating do programa Avanti. 

Escrevo agora para atualizar o cenário:

No final de maio, por ocasião do último post, meu rating era 96%. Parecia ok, mas, como dito à época, sem a transparência necessária, era um número desprovido de significado. Eis então que, ao acessar novamente agora o sistema do Avanti, me deparo com o seguinte:







Notem o seguinte, senhores: eu fui a todos os jogos em casa desde que começou a contagem do Avanti, em setembro/2013, e meu índice despencou de 96% para 35% mesmo com o Palmeiras não tendo ido a campo em casa desde maio. Como pode isso?

Como pode, pois, o sistema apontar que está com 35% de rating alguém que vai a todos os jogos em SP e que viaja atrás do time mesmo nas situações em que esta gestão inapta resolve que o Palmeiras deve ser mandante bem longe de sua casa?

...

Pouco depois de ter escrito o post anterior, recebi uma ligação de um funcionário (Fábio, se não me engano) do Avanti. De maneira muito educada, ele tentou justificar a adoção da engenhosa fórmula adotada para calcular o rating. Foi um esforço tão hercúleo quanto inócuo. Toda a empolada argumentação sobre estudos e simulações foi desmontada ao ser confrontada com a simplicidade aqui contida: "número de jogos com presença do torcedor x número de jogos em casa". Eficaz, transparente e irrefutável.

Ocorre que a fórmula adotada pelos "matemáticos" do Avanti não é apenas incompreensível. Ela parece mesmo não ser aplicada da maneira correta, uma vez que não há fundamento lógico que faça alguém, de uma hora para a outra, despencar de 96% para 35% sem ter perdido nenhum jogo. É descabido - além de desrespeitoso.

O funcionário do Avanti havia me dito ainda que, em breve (?), o site disponibilizaria um simulador para que o torcedor pudesse entender a lógica (???) por trás dos números, além de acompanhar o aproveitamento jogo após jogo.

Nada disso aconteceu. Presumo eu que seja mesmo impossível colocar em um sistema aquela fórmula abjeta que foi criada. Presumo.

De tal sorte que torno a apresentar a única solução cabível: "número de jogos com presença do torcedor x número de jogos em casa". E eu poderia aqui perder mais alguns minutos da minha vida para apresentar todo o racional que justifica a adoção deste método, mas acredito que nem é necessário.

A verdade é que a Copa vai chegando ao fim e logo retornaremos à nossa rotina de jogos por aqui. Em questão de duas semanas, teremos clássicos contra Santos FC no amontoado de laje da Baixada e contra o SCCP no novo estádio dos caras. Duas oportunidades para colocar em prática o rating - desde que ele funcionasse.

A verdade inesgotável é que o tempo vai passando de maneira avassaladora e, quase um ano depois, os responsáveis pelo programa Avanti Palmeiras mostram-se incapazes de colocar em funcionamento uma simples contagem de presença de torcedores nos jogos do clube. São burros, teimosos e desonestos com o torcedor palmeirense.

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_Aos que não tiveram a oportunidade de conhecer tão intrincada metodologia, deixo aqui o link. Vejam se não é um troço deplorável.

_Vejam o exemplo dado pelo site do Avanti para demonstrar a vantagem de estar bem qualificado no ranking de presença:












Aí eu me sinto obrigado a perguntar: se eu, que vou a TODOS os jogos e viajo atrás do Palmeiras, sou "sócio Avanti 1 estrela", quem serão os caras mais assíduos? Como é possível isso?

02 junho 2014

A vida é mata-mata!

Italia 0 x 1 Inglaterra 
Uruguay 0 x 0 Costa Rica
Italia 0 x 0 Costa Rica
Uruguay 0 x 2 Inglaterra
Italia 0 x 0 Uruguay
Costa Rica 0 x 3 Inglaterra

Colômbia 0 (2) x 0 (4) Italia
Brasil 0 (4) x 0 (5) Italia
França 0 (3) x 0 (5) Italia
Espanha 0 (4) x 0 (5) Italia 


Dirão alguns que um cenário como este é por demais improvável, no que eu me sinto impelido a concordar. Não obstante isso, é uma campanha possível – ao menos do ponto de vista das estatísticas. E então, para consagração máxima (com décadas de atraso) do catenaccio, teríamos um (penta)campeão mundial que passaria todos os sete jogos sem marcar um gol sequer, tendo sofrido apenas um - puro requinte de crueldade, para que a campanha tivesse uma derrota em meio aos outros seis empates. 

Seria muito feio um campeão do mundo desse jeito, alguém haverá de dizer. Talvez sim, talvez não. Eu prefiro pontuar que tal façanha mereceria um reconhecimento à altura. E sigo em frente, chegando ao ponto que interessa, para dizer que tudo fica mais bonito quando envolve um mata-mata (ou, neste caso, apenas um “mata”).

Sim, os defensores dos malfadados pontos corridos haverão de apelar para o único – e desgastado – argumento a sustentar a predileção: a tal justiça que, desavisada, os acompanha por todos os cantos. Mas não se desesperem: poupá-los-ei, caros leitores, de toda a retórica furada em defesa dos pontos corridos para, tomando o futebol como uma bem acabada metáfora da nossa existência, dizer que a vida é um eterno mata-mata.

Se não, vejamos:

Fosse a vida um campeonato de pontos corridos, o funcionário assim justificaria um erro de grandes proporções para seu patrão: “Chefe, sei que perdi um contrato milionário por um descuido, mas veja o senhor que sempre tive um rendimento acima da média e, graças a essa regularidade, acumulei uma gordura que compensa esse e outros erros mais”. Ao que o patrão aquiesceria, benevolente e sabedor da justiça por trás dos pontos corridos.

Ou o marido, após um deslize conjugal, se sairia com essa: “Mas, meu amor, foram 25 rodadas de invencibilidade e eu não posso ser desclassificado por uma única derrota fora de casa. Seria injusto depois de tudo o que fiz até agora”. E a esposa, sem sequer se dar conta do linguajar do futebol a invadir o quarto do casal, declamaria Chico Buarque para o amado: “Logo vou esquentar seu prato/ Dou um beijo em seu retrato/ E abro meus braços pra você”.

Como se sairia com essa tese também o imberbe vestibulando, ao fracassar no primeiro mata-mata de sua vida: "Não posso ficar de fora da lista final! Sempre fui o melhor aluno da classe e tive desempenho quase perfeito em todos os simulados no cursinho". Ocorre, caro estudante, que a vida não é assim uma equação de segundo grau e o seu histórico escolar não conta para o vestibular. "Mas foi um erro bobo; só esqueci uma fórmula". Sim, claro; muitos campeonatos foram decididos em pênaltis bobos.

Justo ou injusto, certo ou errado, a vida não é pontos corridos. A vida, torno a dizer, é mata-mata.

A vida é superação dia após dia, é uma constante provação, é o risco iminente e insofismável de um tropeço que pode colocar em xeque toda uma reputação construída ao longo de décadas.

Sim, caros defensores da justiça no futebol, há derrotas que, tão acachapantes quanto conclusivas, podem solapar muitas rodadas de invencibilidade. E pode haver toda uma lógica quando um oitavo colocado bate o primeiro em duas partidas – e aqui eu gostaria de citar o SFC de 2002, que superou o líder SPFW com vitórias contundentes no amontoado de laje (3-1) e no Jd. Leonor (2-1), dali arrancando para um título que foi obtido, novamente, com duas vitórias sobre outro rival, o SCCP. Eu vos pergunto, justiceiros de plantão: como contestar um triunfo como o daquele SFC?

Por sinal, lá se vão 11 anos desde o dia em que resolveram roubar do torcedor deste país o direito às grandes tardes e noites de decisão. Acabaram com as finais inesquecíveis, com os heróis de um jogo só, com os craques que se tornam vilões em 90 minutos, com as grandes viradas, enfim. Acabaram, pois, com um pouco do que fazia o futebol brasileiro mais interessante. Mais imperfeito, é bem verdade, e sujeito a erros imensos, mas inegavelmente mais empolgante. Trocaram isso tudo por 38 rodadas modorrentas, que só prestam mesmo para um canalha qualquer proclamar que “todo jogo é uma decisão”.

Quanta bobagem, senhores. Evocar uma pretensa justiça logo em um esporte tão sujeito às intempéries é de uma pobreza de espírito comovente. Porque se a vida não funciona assim, por que haveria o futebol, esta manifestação popular nascida para a transgressão, de fazer isso? O discurso empolado de que a melhor campanha se mede pela somatória de pontos ao longo de 38 exasperantes e esquecíveis jornadas parece erigido por burocratas de plantão que ignoram o sentimento de uma vitória dramática em uma final.

Tenho para mim que os paladinos da justiça dos pontos corridos jamais tiveram a decência de comemorar uma vitória definitiva no estádio. Tenho para mim que desconhecem a sensação de viajar até o saudoso Olímpico porto-alegrense para lá buscar um triunfo improvável e revigorante. Que nunca antes foram à Ilha do Retiro como visitantes, que desconhecem o Maracanã a partir das finadas cadeiras inferiores azuis, que ignoram a catarse de um gol solitário a determinar o 0-1 do título no placar. Que nunca viveram a emoção de ver o seu time vitorioso em um clássico decisivo contra o maior rival. Tenho para mim que não sabem viver a vida.

A vida, devo dizer, não se mede por um acúmulo de conquistas menores e parciais. A vida não se mensura pela regularidade covarde de quem deseja justiça (e o que é justiça, afinal?) em um esporte tão afeito às surpresas, mas pelas demonstrações de força, pelos momentos de entrega, pela superação. Os tempos bons nem sempre são anteparo contra os maus momentos, e sim, acreditem, um tropeço isolado pode jogar por terra tudo aquilo que foi construído em uma vida inteira – que me perdoem os incomodados, mas o mundo não é justo.

A vida não se vive em uma pequena e esquecível vitória caseira na 31ª rodada; a vida se vive, isto sim, com um gol suado, de carrinho, sob chuva, fora de casa, aos 44 minutos do segundo tempo.

A vida é mata-mata!

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E assim, com um texto atemporal e que revive um pouco do espírito que me faz resistir com isso há mais de década, o blog volta ao seu necessário recesso. Aos novos visitantes, recomendo conhecer o espólio desta página. Obrigado.

30 maio 2014

Carta aos matemáticos do Avanti

Nobres matemáticos do Avanti,

Faz 20 dias que eu escrevi este texto dirigido a vocês. Não tive qualquer retorno até o momento, nem mesmo um protocolar "estamos avaliando seu caso". Imagino que vocês estejam muito ocupados lutando contra a rebelião dos números que vocês criaram - eles podem ser criaturas traiçoeiras, não? -, mas me dei conta que, em sendo sócio Avanti (e também do clube), tenho direito a um esclarecimento.

Notei hoje que houve alteração nos números (voltei ao patamar de 96%), mas sigo sem poder confiar na validade deles. Em especial porque nem mesmo vocês devem entender a fórmula que foi criada para definir o rating, mas também porque há distorções que não se resolvem assim tão facilmente.

Em relação ao cenário apresentado no post anterior, gostaria de atualizar os dados para conferência de vocês:

-10/05, Palmeiras x Goiás, Pacaembu: OK
-14/05, Palmeiras x Sampaio Correa, Pacaembu: OK
-22/05, Palmeiras x Figueirense, Araraquara: OK
-28/05, Palmeiras x Botafogo, Prudente: não pude ir porque meu jatinho estava em manutenção.

Daí então que vocês me apresentam agora um índice de 96%, mas este número bem poderia ser 93%, 98%, 87% ou 91% (e não haveria como contestar). Há, por exemplo, caso de pessoas que perderam alguns desses jogos e têm 100%. De outra parte, há quem ostente números inferiores ao meu mesmo tendo ido aos mesmos jogos.

Resulta da absoluta falta de transparência, nobres matemáticos, a desconfiança em torno dos números.

Teremos agora dois meses sem jogos, e eu já me antecipo aos problemas: imagino que, em função da inexplicável fórmula que vocês inventaram, o rating de todos os sócios Avanti será prejudicado - e lembro que teremos um Santos/SP x Palmeiras logo no retorno da temporada. O absurdo é palpável: como alguém pode cair no ranking se foi a todos os jogos?

Assim, nobres matemáticos, gostaria de apresentar, para apreciação dos senhores, os seguintes questionamentos:

-O que impede que o rating seja apresentado com o mínimo de transparência? Qual é a dificuldade em manter, no cadastro individual de cada sócio Avanti, uma relação dos jogos contabilizados, com a informação sobre presença ou não do torcedor?

-Justifiquem, por favor, a adoção da incompreensível fórmula apresentada no site. Por que não se pode trabalhar de maneira simples? Por que não considerar a lógica “número de jogos com presença do torcedor x número de jogos em casa"? Por quê?

Obrigado.

29 maio 2014

Compromisso com o erro (de novo!)
















Presidente, prudente, voltou mais cedo de Chapecó/SC*.
Presidente, prudente, chegou ao longínquo vilarejo de Presidente Prudente/MS tranquilamente, como se nada fosse.
Presidente, nada prudente, deu para sair em fotinhos graciosas fazendo as vezes de piloto de rali ao lado de seu assecla, o sorridente CEO do ano e meio sem patrocínio máster.

O leitor mais perspicaz haverá de perguntar: como, afinal, conseguiu o nobre mandatário se aventurar sem sobressaltos pelos nebulosos aeroportos do Sudoeste do país enquanto o elenco alviverde sofria com uma logística desastrada?

Em seu jatinho particular, é óbvio. Talvez seja o único jeito de chegar e sair de Chapecó/SC, cidade que, conhecida nossa desde o ano passado, já deveria estar no radar da administração alviverde como um possível foco de (muitos) contratempos.

Longe disso; comprometidos com o erro, presidente, CEO e demais responsáveis (?) tomaram a decisão mais preguiçosa, covarde e temerária que poderia haver: jogaram no lixo um mando de campo do Palmeiras ao transferir um jogo nosso para o maldito vilarejo que atende pelo nome de Presidente Prudente/MS.

Sobre Prudente/MS, eu já escrevi incontáveis vezes desde 2009, quando começou, em um conluio entre Belluzzo e o areia mijada, esta esquisita obsessão por uma cidade sem qualquer atrativo - a não ser as migalhas pantaneiras continuamente oferecidas por um prefeitinho qualquer. Na sequência, a dupla de ignóbeis Tirone/Frizzo seguiu com a tara, submetendo o Palmeiras a episódios grotescos, como aquela derrota para o pequeno fluminense. Veio então o mandatário atual e a compulsão teve sequência, de maneira ainda mais inaceitável e com públicos decrescentes - culminando com os 5.681 desta vexatória derrota para o minúsculo botafogo.

Sem poder utilizar o Pacaembu nas duas últimas rodadas caseiras antes da Copa, o Palmeiras tinha muitas opções a considerar. O Canindé, por exemplo. Ou a Arena Barueri que nos enfiaram goela abaixo em 2012 - e que foi utilizada agora mesmo pelo Bahia, vejam só. Ou o estádio de São Bernardo. Ou Jundiaí. Até Itu, vá lá.

A decisão dependia de um mínimo de planejamento: estudar os cenários, avaliar os ganhos possíveis, levar em conta o respeito ao torcedor que vai a todos os jogos, privilegiar o sócio Avanti e, claro, pensar na opção menos desgastante para um elenco já diminuto e que enfrentaria alguns dias antes a malfadada viagem para Chapecó/SC.

Mas o Palmeiras da gestão que aí está não permite esse tipo de reflexão - para que pensar em logística quando se tem as migalhas do Pantanal? Este Palmeiras que aí está é comandado por uma figura desconectada da realidade, que toma as decisões a partir de conceitos distorcidos - afinal, por que pensar em dificuldades de deslocamento para o torcedor quando se tem um avião particular?; e por que pensar que tem gente que pode não ter condições de pagar R$ 60 pela arquibancada quando se tem milhões na conta?

Presidente Prudente/MS é um erro em qualquer circunstância. Mas Presidente Prudente/MS é um erro ainda maior em um meio de semana entremeado por deslocamentos tão problemáticos quanto estes que se apresentaram (Chapecó/SC e Caxias do Sul/RS devem ter os aeroportos que ficam mais tempo fechado no país).

O presidente, nada prudente, tomou a decisão mais irresponsável possível. Assumiu o risco que acabou por se consumar. Submeteu o elenco a uma insuportável viagem de ônibus e transformou um mando do Palmeiras em transtorno para o próprio clube. Jogou contra a entidade, contra a torcida, contra a nossa história.

A derrota constrangedora sofrida para o botafogo é responsabilidade dele. Como é culpa dele também a miserável arrecadação de R$ 170 mil, o estádio às moscas, o clima fúnebre que se instalou em um duelo importantíssimo para o alviverde e mesmo o desgaste que vai acompanhar nossos jogadores lá na Serra Gaúcha.

Sim, erros acontecem, e é preciso ter o mínimo de decência para reconhecê-los e buscar os ajustes necessários. O que não se pode aceitar é o compromisso com o erro de um presidente que vive desconectado da realidade que o cerca.

Eles definitivamente não são do ramo...

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*A ideia deste post parte surge desta primeira frase, criada pelo grande amigo Adriano Pessini.

26 maio 2014

Um bandido a menos

Paulo César de Oliveira anunciou sua aposentadoria. É bem verdade que vai continuar vagando pelo submundo do futebol, como um fantasma falastrão em rede nacional, mas o que nos conforta é saber que nunca mais irá trilar seu apito contra o Palmeiras.

Não pude deixar de notar que o referido cidadão soltou algumas palavras ao vento para anunciar a despedida. Segundo ele, “foi uma trajetória vitoriosa”. Há torcidas por aí que devem concordar, tantos foram os dividendos decorrentes de suas atuações, mas é o caso aqui de apresentar um contraponto, relembrando um pouco de tão nociva carreira. A ficha corrida do sujeito é extensa, mas um bom resumo deve obrigatoriamente contemplar os seguintes episódios:

_1997, Paulistão, Palmeiras 2-1 Rio Branco
Os detalhes estão aqui, mas o importante a dizer é que, jogando em casa contra um time pequeno, o Palmeiras teve três jogadores expulsos (incluindo o goleiro) e mais sete cartões amarelos, além de um pênalti claro que deixou de ser anotado em seu favor. Foi a primeira aparição dele contra o Palmeiras; era um bom prenúncio do que enfrentaríamos nos próximos anos.

_1998, Rio-São Paulo
Zinho, nosso camisa 11, é ofendido pelo árbitro em questão pouco antes de ser expulso. Com um a menos, o Palmeiras sofre um gol e é eliminado nos pênaltis.

_1999, Paulistão, Palmeiras 4-3 Portuguesa
Foram anotados três pênaltis para a Portuguesa em jogo disputado no Palestra Itália. Para a Portuguesa!, vejam os senhores.

_1999, Paulistão, Palmeiras 4-4 SPFW
Foram dois jogadores expulsos (Agnaldo e Jackson) e mais um pênalti bastante questionável anotado aos 37 minutos da etapa final. No clássico do segundo turno, mais dois jogadores do alviverde (Roque Jr. e Jackson) receberam cartão vermelho e outros dois pênaltis foram marcados.

_2000, Brasileiro, Palmeiras 2-2 SCCP
Agnaldo é expulso; na sequência, veio o empate do rival.

_2008, Paulistão, Bragança Paulista.
Basta dizer que o sujeito expulsou São Marcos.

_2008, Paulistão, semifinal, jogo de ida.
No Jd. Leonor, o bandido do apito garante a vitória dos bambis com um gol de mão absurdo:





















_2010, Paulistão, Prudente/MS
O Palmeiras enfrentou o Barueri de Prudente de Barueri (ou alguma merda itinerante do tipo) em Prudente/MS. Paulo César de Oliveira, este indivíduo de amarelo aí da foto, validou o lance que aí está, com o jogador do time da casa (?) mais de um metro à frente do nosso último zagueiro:

















_2011, Paulistão, semifinal
O último grande roubo - depois disso, não me lembro mais de ele ter sido escalado para algum jogo do Palmeiras. Fato é que, durante esses 17 anos de tão nociva trajetória, os anúncios de Paulo César de Oliveira como árbitro de uma partida do Palmeiras provocavam reações as mais exacerbadas na torcida. O clima já ficava tenso nos dias que antecediam o jogo - mais ainda se fosse um clássico. Não foi diferente antes daquela semifinal em jogo único. Os ignóbeis Tirone e Frizzo nada fizeram para evitar a tragédia que se consumou no Pacaembu - e nem mesmo a notícia de que o sorteio da FPF foi dirigido teve algum valor. Naquela tarde de domingo, Paulo César de Oliveira subiu ao gramado com uma missão e a cumpriu com maestria: expulsou nosso melhor zagueiro já no início e, com ele, levou também nosso treinador. Um time brioso se superou com um homem a menos e quase venceu o jogo; nos pênaltis, veio a eliminação. Mais uma para a conta do bandido do apito.

Que apodreça no inferno!

22 maio 2014

Bem-vindo, Gareca!




















Abrir um post com a foto de alguém, seja lá quem for, não é muito do feitio deste blog. Mas hoje era necessário. Nem tanto pelo personagem que aí está, mas essencialmente porque o Palmeiras, por intermédio de seus dirigentes, se portou como o gigante que é. Esta página, normalmente tão crítica aos mandatários do alviverde, tem hoje o dever de parabenizar os senhores Nobre, Brunoro e Feitosa pela maneira como se conduziu a negociação para chegada do novo técnico - e, mais do que isso, pela postura de deixar a preguiça de lado, olhar para além do caminho mais fácil e fazer todo o esforço necessário para conduzir o alviverde imponente ao seu lugar.

A chegada de Gareca abre novas perspectivas para o nosso futuro próximo - talvez ainda para o Centenário. Elas dependem, é bem verdade, de se manter essa postura altiva em outras esferas. Dependem de reforços. Dependem de mais boas notícias. Dependem de ousadia para recuperar o que se perdeu. Mas já temos um ponto de partida, talvez um recomeço, um marco para que muita coisa fique para trás e para que se pense apenas no que vem pela frente.

À diretoria, parabéns. Isto é o Palmeiras.

Sim, pode dar tudo errado. Tudo mesmo. Mas aí será mais obra do imponderável, tendo a diretoria feito o que dela se esperava.

Que o novo comandante tenha paz para desenvolver seu trabalho. Estaremos ao lado dele.

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_Crédito da foto: Fábio Menotti/ Agência Palmeiras/ divulgação

11 maio 2014

A incompetência em números

A incompetência da gestão Paulo Nobre se faz revelar também nos pequenos detalhes. Uma vez que falta o tempo necessário para me dedicar a uma análise mais conjuntural das falhas que vêm arruinando o Palmeiras, vou me dedicar ao sistema de rating do Avanti, um pequeno exemplo da incompetência desta gente. Serei breve:

-O sistema de rating, essencial para priorizar os torcedores que mais vão aos jogos, foi implantado com enorme atraso, com seguidas promessas sendo descumpridas desde o ano passado. Não sei se por má vontade ou por inaptidão mesmo, mas fato é que somente em fevereiro deste ano tivemos a divulgação dos números que vinham sendo contabilizados deste setembro/2013.

-Qual seria a forma mais lógica de se definir o ranking de presença ao estádio? Bom, as pessoas inteligentes seguem o caminho mais simples - e fácil de entender, explicar e controlar: número de jogos com presença do torcedor x número de jogos em casa: o sujeito que foi a 31 partidas em 31 possíveis ficaria à frente do cidadão que foi a 28 em 31, por exemplo. Simples, direto e sem erro. Com o tempo, bastaria estabelecer um intervalo de corte (50 jogos, por exemplo) para eliminar os duelos mais antigos e permitir que novos torcedores construam um relacionamento sólido com o clube. É infalível.

-Os imbecis por trás do Avanti, no entanto, preferiram construir uma fórmula incompreensível para definição do rating. Ela já passou por alterações nos últimos meses, o que apenas contribuiu para torná-la mais complicada e sujeita a distorções. Querem tirar a prova? Pois cliquem aqui para desvendar a burra complexidade por trás dos cálculos. Notem, por exemplo, que um torcedor que se associar ao Avanti hoje e comparecer ao jogo de quarta ficará à frente de quem é sócio há anos e vai a todos os jogos. É ou não é estúpido?

-A "fórmula" mais simples e justa pode ser resumida em uma linha: "número de jogos com presença do torcedor x número de jogos em casa". Os imbecis, no entanto, preferiram apostar em um cálculo que, mais de 6 mil caracteres depois, não se faz compreender.

-Isso posto, devo dizer que, desde o início da contagem do rating, em setembro/2013, eu deixei de ir a apenas dois jogos com mando do Palmeiras, justamente dois que aconteceram bem longe de SP, em Londrina/PR (o primeiro) e em Campo Grande/MS. Ainda que a metodologia criada por esses imbecis seja grotesca, eis que eu tinha 88% no ranking em março (meu nome estava naquela tal lista dos 700 que teriam prioridade para comprar ingressos para a Vila Belmiro contra o Santos). Ok. Depois disso, eu marquei presença em todos os jogos seguintes e, vejam só!, meu índice despencou para 63%:







Tal situação ocorreu com todos os torcedores com quem eu conversei, o que evidencia se tratar não de uma falha pontual (o que já seria inaceitável), mas de um erro sistemático (o que é ainda mais grave).

Como explicar isso? Como o índice pode cair se o aproveitamento subsequente foi de 100%? Como pode alguém contrariar os números de maneira assim tão despudorada?

Eu finalizo com a seguinte consideração: se essa corja que aí está se mostra incompetente até mesmo para fazer uma simples operação aritmética, que tipo de absurdo não vai fazer com assuntos mais sérios envolvendo o Palmeiras?

05 maio 2014

À deriva

















Há muito a ser dito nos próximos dias, mas, por ora, é o caso de fazer um breve registro sobre o que passamos neste último domingo no Maracanã. Não sobre o ocorrido dentro de campo - acreditem, é bem melhor assim -, mas sobre o que vivemos os que somos o Palmeiras, os da arquibancada.

Contudo, antes disso e ainda sob efeito do interminável retorno desde o Maracanã até SP, devo esclarecer aos leitores, aos amigos e aos inimigos que o "Forza Palestra" não voltou. A página continua em recesso (pelos mesmos motivos aqui relatados), mas eu não poderia me calar diante de todos os descalabros administrativos da gestão que aí está - porque a coisa extrapolou qualquer limite. De tal forma que os posts mais recentes - e os que virão nos próximos dias - representam não um recomeço, mas sim um esporádico e necessário contraponto a esta corja que vem arruinando o Palmeiras.

Sigo na rotina que me cabe como torcedor (estive no Maracanã, viajo a Salvador daqui a duas semanas, vou a todos os jogos no Pacaembu etc.), mas nada muda no cenário que me levou a suspender o blog. Como este presidente inapto e a corja de bajuladores segue vilipendiando o Palmeiras dia após dia, vou ainda publicar mais alguns posts antes de voltar à programação original. Farei isso na medida do possível, uma vez, torno a repetir, não vivo de renda.

Aguardem, pois.

Isso posto, me sinto no dever de informar que neste domingo último, com o Palmeiras enfrentando o seu maior rival fora de SP, a diretoria que aí está novamente virou a cara para o palmeirense. Os 1.803 que pagamos ingresso para empurrar este time destroçado pela mesquinharia do senhor Paulo Nobre não tivemos, por parte dos que comandam o clube, qualquer atenção. A torcida visitante (no caso, a nossa) teve direito a cinco mil ingressos, quase todos eles comercializados no Rio de Janeiro. Por que 'quase'? Bom, porque ao menos os que compraram o pacote da Futebol Tour tiveram facilidade para adquirir os seus. Ao palmeirense da arquibancada, tão maltratado por essa e por outras gestões, restou encarar o sufoco para comprar ingressos junto com a torcida inimiga no Maracanã.

O Palmeiras segue à deriva, vítima da reclusão e dos caprichos de um mandatário incompetente e de uma pequena corja de aduladores oportunistas. Malditos sejam!

01 maio 2014

#centenariopopular

Eu bem poderia rememorar um dos tantos textos que já escrevi sobre a elitização ora em curso no futebol brasileiro. Poderia voltar aos idos de 2007, quando proclamei, de maneira um tanto isolada, que a Copa do Mundo deste ano era o "atestado de óbito" do futebol neste país. Poderia. Investiria nisso um tempo de que não disponho e, ainda assim, os elitistas continuariam existindo. Não se acaba com uma praga assim tão facilmente.

Eis então que eu deixo de lado todo esse esforço para brevemente abrir espaço para a campanha #centenariopopular, nascida a partir da visão de quem enxerga o Palmeiras não a partir de um prisma deformado, mas sim como ele é: como um clube de massa e que deve abraçar todos os seus torcedores para continuar sendo gigante.

Em poucas horas, a iniciativa ganhou força e apoio do torcedor. O raciocínio é simples:

O Palmeiras vai a campo pela última vez em casa antes da Copa do Mundo no sábado, 10/05, às 18h30, contra o Goiás. Em tendo sequência a política de preços desta direção (ingresso a R$ 60), é de se esperar um público na casa de 9 a 12 mil pagantes, com renda girando em torno de R$ 380 mil a R$ 500 mil. Nada muito diferente, portanto, do que tivemos no duelo contra o fluminense (11.189 pagantes para uma renda de quase R$ 475 mil).

Os apontamentos acima não são derivados de algum impressionismo, tampouco têm a superficialidade das análises feitas pela gestão atual para precificar os nossos ingressos. Eles se sustentam, isso sim, em uma base de dados de mais de 20 anos - porque se tem uma coisa que importa para mim é o público que vai ao estádio...

Pois bem, podemos ter a mesma renda com o estádio 30% cheio ou com o estádio 100% repleto. Há, de imediato, um benefício lógico, aquele que diz respeito à parte técnica: porque o time evidentemente entraria em campo mais motivado e, por consequência, mais chances de vitória teria. Existe, em conjunto, um segundo fator, o do arrefecimento na animosidade entre torcida e direção. Também, em paralelo, um ganho de imagem para o clube, pois estádio cheio rende melhores imagens na TV, favorece comentários elogiosos na mídia e reforça a auto-estima dos envolvidos. E, por fim, a vantagem mais importante diria respeito ao restabelecimento do vínculo entre o Palmeiras e seus torcedores humildes, aqueles que, de uns tempos para cá, se viram alijados do estádio por uma política de precificação que não se apoia em qualquer tipo de pesquisa, mas sim nos impressionismos e no bolso de um presidente desconectado da realidade - e, vá lá, de uma pequena corja que o bajula.

Basta querer o bem do Palmeiras para se engajar. Foi o que ocorreu com quase todos os que se manifestaram sobre a campanha.

Se houve exceções?

Sim, houve. Pouquíssimos se manifestaram contra a iniciativa.

Se você, por curiosidade mórbida, quiser conhecer a opinião destas pobres criaturas, sugiro fazer uma busca lá no Twitter mesmo. Vá lá. É um exercício antropológico, de conhecimento de tudo de mais podre que pode haver na raça humana.

De minha parte, eu me permito fazer uma divisão bem simplista desta corja. São dois os tipos divergentes:

-1. Os bajuladores
São os indigentes mentais que pensam dar algum tipo de suporte à gestão que aí está. Via Twitter e por outros meios, já apontei essas criaturas (vale conferir este post). Temos lá os deslumbrados, os interesseiros (sempre atrás de um espaço ou de uma carteirinha) e os puramente mal intencionados. Há três formas de reconhecê-los:
(I) pelo raciocínio débil e distorcido, digno de um indigente mental - tem uns aí que adoram falar em "antinobretes" (?); mal percebem o quanto isso revela sobre a condição de, como é mesmo?, "nobretes".
(II) pela fragilidade argumentativa, quase sempre repetindo terminologias como estas aqui.
(III) pela obsessão política - porque, preocupados unicamente com um conchavos baratos, haverão sempre de apontar motivações de ordem política em tudo aquilo que evidenciar a inaptidão da gestão que aí está. Atentem para isso, porque os que apontam "política" em tudo são exatamente os únicos preocupados com isso; a torcida mesmo está preocupada com um alviverde gigante.

-2. Os elitistas sujos
Aí vai muito além da nossa torcida: os elitistas são como os racistas, uma praga que insiste em fazer do mundo um lugar pior. É o tipo de verme que faz distinção social, que qualifica as pessoas pelas posses financeiras, que vive em um mundo muito particular, fora da realidade. É gente que ontem veio falar que "ingresso barato era para levar mendigo ao estádio", entre outros absurdos.

Alguns dirão que os bajuladores também são elitistas. No que eu devo concordar. Um pouco porque eu tenho o desprazer de conhecer alguns deles pessoalmente, outro tanto porque leio as opiniões sobre política e sobre a vida e só consigo sentir pena de tais criaturas.

O Palmeiras, senhores, é um clube de massa. Que seja, portanto, o Palmeiras de todos os torcedores: dos mendigos aos milionários.

Não há meio termo: ou se está a favor do palmeirense ou se está contra o palmeirense!

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Domingo é dia de seguir para o Maracanã. Teremos, os palmeirenses, direito a cinco mil ingressos, todos eles vendidos apenas no Rio. Gostaria de questionar o seguinte: por que cazzo nossa diretoria não fez qualquer solicitação ao Flamengo para que parte da nossa carga fosse vendida aqui em São Paulo?

30 abril 2014

Questão de postura

Lá se vai mais uma nota oficial, dessas tantas a que se acostumou a gestão Nobre em tempos de assessor gambá ("o futuro mostrará a todos nós quem, em um momento crítico, jamais renegou sua própria origem"). Houve quem gostasse. A mim, não diz nada, a não ser mais uma demonstração do ego presidencial. Basicamente porque não manter relações institucionais com um inimigo de longa data é algo que se deveria esperar de qualquer palestrino desde os idos de 1942.

Isso posto, sinto-me impelido a fazer breves considerações:

Notas oficiais, por contundentes, bem escritas ou enfáticas que sejam, não têm valia se não forem acompanhadas de uma prática que corrobore a palavra empenhada. Para quem tem o poder em suas mãos, importa menos o discurso e mais a atitude.

E a postura da gestão que aí está é, desde o início, covarde, mesquinha e incompatível com um gigante como a Sociedade Esportiva Palmeiras. Como já enfatizado por este blog em textos anteriores, decisões recentes desta diretoria sinalizam para um Palmeiras que não mais se enxerga como o gigante que é. Negociações desastrosas, fracassos administrativos e discursos derrotistas ("não temos dinheiro, não temos dinheiro, não temos dinheiro...") apenas contribuem para reforçar junto a rivais ou inimigos e a quem interessar possa a dura constatação de que o Palmeiras de hoje não mais se comporta como protagonista.

É tudo, em suma, questão de postura. Pronunciamentos oficiais, por bélicos e peremptórios que sejam, de nada adiantam se não vierem acompanhados de ações enérgicas, de atitudes grandiosas e, o mais importantes, de medidas práticas.

Há exemplos incontáveis que podem ilustrar tudo isso, mas eu gostaria de me ater a um episódio específico, de tempos recentes, mas não cobertos por este blog:

Vocês haverão de lembrar do que fez um certo Marquinhos Chedid, presidente do minúsculo Bragantino, por ocasião do duelo entre as duas equipes pelo Paulistão deste ano. Se não, eu vos digo que Chedid desafiou nossos dirigentes mais graúdos ao menos três vezes: na reunião do Conselho Arbitral da FPF; depois, de maneira reiterada, via imprensa; e, por fim, no vestiário do Pacaembu.

Chedid não fez isso porque abusado ou destemido; o cartola do Bragantino fez isso porque nossos dirigentes não têm atitude compatível com o tamanho do Palmeiras. Fez isso porque, no mundo do futebol, nossos dirigentes deixaram de ser respeitados. Fez isso por saber que poderia ir às últimas consequências sem que alguém o colocasse no devido lugar.

Fosse o Palmeiras dirigido por gente do ramo, e o Bragantino teria sido eliminado do Campeonato Paulista ainda na reunião do Arbitral, sem sequer entrar em campo. E Chedid, coitado, aprenderia da pior maneira possível que não se deve mexer com gente grande.

É tudo, afinal, questão de postura, de atitude e de exercer, na prática, o gigantismo do Palmeiras. Isso feito, nem será preciso perder tempo com notas oficiais.

29 abril 2014

Paulo Nobre, o juvenil

Vamos começar por onde terminou o post anterior:

“Se tivesse o mínimo de dignidade e respeito pela instituição, o mandatário desses tempos tão sombrios ou tomaria pé da situação e recolocaria o Palmeiras em seu devido lugar ou, em sendo incapaz disso, tomaria seu rumo, por infeliz que seja, e deixaria o Palmeiras para os que o têm como o gigante que ele é."

Nobre não fez nada disso. Muito pelo contrário. Veio a público para envergonhar ainda mais o palmeirense, em um pronunciamento que faria corar o seu antecessor (isso se ele tivesse domínio de suas faculdades mentais, é evidente) e que provocou um revide humilhante por parte do nosso inimigo.

O mandatário que aí está, entorpecido pelo próprio ego, comprometido com os mesmos erros que vêm pautando sua gestão desde o início e enclausurado entre os seus bajuladores, falhou até mesmo ao se posicionar sobre o assunto – pois o silêncio faria menos estrago. Se o fez de maneira precária e com um discurso fragilíssimo, isso se deve basicamente a um fator: sua gestão é inconsistente.

Como inconsistente é seu discurso sobre a ética dos bambis. Ora, ora, caro Paulo Nobre, quer dizer então é que somente agora, sete décadas depois, você descobriu que a genética dos bichas é podre? E só agora descobriu que jogadores são putas, que empresários são bandidos e que o meio do futebol é sujo?

Igualmente inconsistentes são suas respostas furadas (quando não inverídicas), suas justificativas para negociações mal conduzidas e suas explicações tolas sobre falta de dinheiro (pois desconsideram a incompetência de quem é incapaz de trazer um patrocinador máster ou outras fontes de renda).

Curioso é notar que seus asseclas, os bajuladores que são igualmente responsáveis pela situação em que nos encontramos, tentam agora desviar o foco com infrutíferas declarações de guerra ao nosso inimigo eterno (sério mesmo?) e, claro, apelam para o mesmo expediente rasteiro já utilizado por essa gestão contra dois outros atletas que foram expulsos do clube em tempos bem recentes.

Enquanto isso, senhores, o Palmeiras é humilhado em praça pública. O discurso proferido pelo presidente dos bichas (“Demonstra, infelizmente, o atual tamanho da Sociedade Esportiva Palmeiras, que, ano após ano, se apequena com manifestações dessa natureza”) não enseja propriamente uma declaração de guerra – até porque isto é o que nos define desde 1942 –, mas sim uma reflexão sobre o ponto a que chegamos: a mesquinharia destes pequenos homens que dirigem o Palmeiras nos levou a uma situação em que já nem podemos mais lamber nossas feridas; elas viraram munição para o inimigo.

27 abril 2014

O centenário arruinado

Há, na vida, um sem número de coisas que são tão certas quanto o nascer do sol dia após dia. Três delas:
  • que dirigentes bambis, quaisquer que sejam, vão agir com oportunismo e desprovidos de qualquer senso de decência - sujos que são, carregam a genética podre desta sub-raça (remember 1942, seus putos!)
  • que jogadores de futebol são putas - ou coisa pior;
  • que empresários e/ou agentes de atletas são bandidos.
É tudo elementar. Quem é do ramo sabe.

(...)

Pacaembu, sábado à noite.

O centenário da Sociedade Esportiva Palmeiras está arruinado por obra do senhor Paulo Nobre, dito presidente da instituição. Se sozinho ele toma as decisões que atentam contra a história alviverde, sozinho ele deve assumir a responsabilidade por tratar como pequeno um clube que é gigante pela própria natureza. Se sozinho ele comete os maiores descalabros administrativos, é assim que deve assumir a culpa por fazer chafurdar tão vergonhosamente o projeto a perspectiva (porque projeto nunca houve) de um centenário vitorioso.

A verdade inescapável, senhores, é que Paulo Nobre, esta figura que por tantos anos cultivou uma imagem mais calcada no exotismo do que propriamente em algo concreto, fez desabar, ainda em abril, todo o ano que poder-se-ia desenhar tão promissor. Em tão pouco tempo, jogou no lixo o sonho dos milhões que somos o Palmeiras.

Fez pior: humilhou, em praça pública e com requintes de crueldade, cada um de nós, palmeirenses, por conta de seus caprichos, de seu ego inflado e de sua inaptidão que transparece a olhos vistos.

Não que isso seja assim surpreendente, pois este mesmo e humilde blog já cumpria, quase um ano atrás, o papel de apontar as inconsistências, fragilidades e impropriedades não só do dito presidente, mas também de seus asseclas e de toda a rede de bajuladores - que devem, um a um, ser execrados na mesma medida do mandatário.

O centenário se põe arruinado, peço que me entendam, não por conta de um jogador específico (eles são todos descartáveis), tampouco pela situação em si, mas porque se assume o Palmeiras, por obra de alguns poucos, como um clube de postura pequena e mesquinha. Não é tanto o fato que conta, mas a imagem que se transmite (e o editorial do 3VV foi certeiro ao abordar isso). É a mensagem que se transmite para quem interessar possa: para o "mercado", para os possíveis patrocinadores, para os dirigentes rivais, para os jogadores, para as torcidas - a nossa e as outras.

O time que foi a campo nesta noite de sábado foi o símbolo que se poderia esperar de tão frágil gestão. A derrota é o de menos até, tanto quanto o mau futebol. O que pesa mesmo é a sensação de que, em não havendo gente do ramo à frente do clube, qualquer um pode chegar e fazer o que bem entender com nossos jogadores. Que qualquer um pode botar o dedo na cara dos nossos, que seus dirigentes não se dão ao respeito, que qualquer equipe de merda pode vir à nossa casa para um coletivo de luxo.

A sensação, na cancha municipal, foi de um jogo entre desiguais (com o Palmeiras por baixo). E o nosso adversário, vejam os senhores, era o pequeno fluminense. O fluminense!, este clube de merda. Nunca imaginei que poderia, no estádio, ter algum receio de enfrentar esta aberração chamada fluminense...

Este dia chegou. O gigante Palmeiras é hoje tratado como pequeno por quem o administra. E a imagem, claro, é bem assimilada pelos "co-irmãos". Daí que a sub-raça do Jd. Leonor vem e alicia um jogador nosso quando bem entende, o dirigente de um pequeno do interior faz escândalo e bota o dedo na cara de quem nos deveria comandar, o fluminense faz um coletivo com ingresso a R$ 60...

Paulo Nobre submeteu o Palmeiras ao jugo de seu inimigo mortal e nos colocou em uma situação de inferioridade nunca antes vista - porque mesmo nos piores momentos de nossa história, seguíamos lutando contra a escória. Agora, no entanto, a humilhação é tamanha que o bandido de plantão lá pelos lados do Jd. Leonor vai à imprensa para dizer querer "manter a relação cordial" com o Palmeiras.

É muita humilhação!

Se tivesse o mínimo de dignidade e respeito pela instituição, o mandatário desses tempos tão sombrios ou tomaria pé da situação e recolocaria o Palmeiras em seu devido lugar ou, em sendo incapaz disso, tomaria seu rumo, por infeliz que seja, e deixaria o Palmeiras para os que o têm como o gigante que ele é.

02 abril 2014

Insustentável

Derrotas, tanto quanto a arquibancada, formam caráter. As derrotas vividas na arquibancada, um tanto a mais.

Mas há derrotas e derrotas...

Poucas coisas na vida têm efeito tão devastador quanto o estampido que se ouve do outro lado, por ocasiāo do gol de um adversário em partida decisiva. O gol do outro é ofensivo, é chocante, é mesmo aterrorizante. O caráter de um torcedor vai se formar aí, e nāo tanto nas vitórias.

Ocorre, no entanto, que o Palmeiras da última década e meia, um esboço do gigante Campeāo do Século XX, tirou do seu torcedor até o direito de sofrer  com insucessos diante de adversários à altura.

O Palmeiras desses tempos tão sombrios perde tantas e tantas vezes diante de seu torcedor sem que ele possa mais ouvir o estrondo que sucede o gol de um outro grande. Nāo há mais o alarido do lado de lá, nāo há mais uma dor dilacerante, nāo há mais o impacto de um revés para um rival odiado. Não há mais a derrota que forma caráter; em vez disso, sentimos vergonha de um vexame atrás do outro.

Nāo há mais uma metade de arquibancada a nos lembrar do que estamos perdendo, nāo há mais o barulho tenebroso das hordas inimigas, nāo há sequer uma pequena massa de oponentes a comemorar na nossa casa. Há, isto sim, um silêncio ensurdecedor do lado de lá.

Porque este Palmeiras que se esmera ano após ano na arte das derrotas improváveis nāo sucumbe mais ante seus semelhantes. Este Palmeiras do novo século é superado por clubes menores e mais inexpressivos a cada temporada.

Se antes perdíamos e ganhávamos de flamengos, cruzeiros e grêmios ou mesmo de nossos rivais da província, eis que agora nem a isso podemos aspirar. Antes mesmo do embate contra um dos nossos, costuma vir um fracasso contra ninguém. Em casa, é evidente.

Sequer podemos falar em decisão com casa cheia, porque o espaço destinado ao visitante encontra-se constantemente vazio. Temos fracassado, senhores, diante de aberrações como este Ituano, com seu vergonhoso amontoado de algumas dezenas a conspurcar o setor lilás da cancha municipal. Perdemos, uma vez mais, para um time que não tem torcida, tampouco história.

As derrotas agora não mais formam caráter. Quando muito, o que elas devem formar é uma geração envergonhada, que se vai acostumando à rotina de derrotas improváveis e, de tão comuns, até previsíveis.

É insustentável.

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Breves consideraçōes:

_Vou me eximir de uma série de comentários que emergiram ainda no Pacaembu, mesmo antes de se concretizar a tragédia. Mas nāo posso me abster de um, que já é recorrente: o maldito cidadão que veste a camisa 19 não pode entrar em campo para "defender" o Palmeiras.

_De minha parte, eu sinceramente não credito à diretoria atual muita responsabilidade no que diz respeito à derrocada no Paulistāo. Mas a omissão diante disso e outros desarranjos na gestāo do alviverde não podem ser tolerados. São assuntos para outro post.

_Nāo, o blog nāo voltou. Mas, em nome da minha sanidade mental e como uma derrota dessas nāo pode ficar impune, este texto se fez necessário.

08 dezembro 2013

Forza Palestra, o espólio

Antes de tudo, é necessário registrar o devido agradecimento a todos os cento e tantos comentários de leitores do blog no post anterior, o mesmo se aplicando às dezenas centenas de mensagens que chegaram por Twitter, Facebook, e-mail, telefone ou mesmo pessoalmente. É uma enorme satisfação saber que o blog tinha assim tamanha relevância para um público tão expressivo.

Por difícil que seja, chegou o momento de, conforme prometido, entregar a segunda parte da despedida. Igualmente complicado é selecionar, entre quase 1.500 textos, aqueles que melhor traduzem o espírito do “Forza Palestra”. Tentei fazer isso, mas é certo que algumas contribuições relevantes terão escapado. Fica, portanto, aberto o espaço para as sugestões dos senhores. Com base no que vier, posso depois fazer os complementos no post mesmo.

Deixo-os, pois, com o espólio do “Forza Palestra”. Não saberia precisar se o que os senhores encontram a seguir é o que houve de melhor por aqui. Talvez seja, talvez não; certo mesmo é que trata-se, por fim, de um compilado dos princípios e ideias que esta página defendeu ao longo dos últimos anos. A saber:

"O país do futebol?" 
Porque o Brasil pode ser o país de muitas coisas, mas o futebol certamente não está entre elas. Esta série, que perdurou heroicamente durante todo o ano de 2011, teve 40 capítulos, com 287 vídeos (e 12 fotos) de 55 países: Alemanha, Argélia, Argentina, Áustria, Bélgica, Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Chile, Chipre, Colômbia, Coréia do Sul, Costa Rica, Croácia, Dinamarca, Egito, Equador, Escócia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Guatemala, Holanda, Honduras, Hungria, Índia, Inglaterra, Irã, Irlanda, Israel, Italia, Japão, Lituânia, Malásia, Malta, Marrocos, México, País de Gales, Paraguay, Peru, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia, Rússia, Sérvia, Suécia, Suíça, Turquia, Ucrânia e Uruguay. Há algumas indicações que eu reputo como memoráveis, mas são muitas, e seria por demais injusto fazer distinção entre elas. O resumo de tudo, com a respectiva indicação para cada capítulo, pode ser conferido neste link.

"Estadio Palestra Italia" 
Há uma série consolidada, "Turiassu, 1840", que recolheu memórias aqui e ali da nossa casa. Foram 20 capítulos e há pelo menos mais uma meia dúzia no campo das ideias - serão todos aproveitados no livro que está por vir. Há ainda uma infinidade de textos outros sobre a nossa casa, e eu procurei listar eles todos aí na barra lateral, na seção "Palestra Italia". De todas as reminiscências aí contidas, eu destacaria os capítulos 1, o 2, o 3, o 8 e, em especial, o 14.

Campanhas comentadas
Do Paulista/1993 à Copa do Brasil/2012, foram resenhadas algumas das principais campanhas do alviverde nas últimas duas décadas. O jogo a jogo, um pouco da conjuntura de cada período, os destaques, curiosidades, vídeos etc. Eram posts sempre muito trabalhosos, mas que traziam à tona ótimas lembranças. Também aí do lado.

Além das campanhas comentadas, houve posts voltados para um único jogo (ou gol), dos quais eu me permito destacar a vitória sobre o Guarani no Brasileiro/1994, gol mágico de Evair pelo Paulista/1992, as sextas-feiras de 1999, esta pintura de Edmundo e as breves homenagens a um valoroso jogador daqueles anos todos e a Oséas, um herói pouco lembrado.

À luta
Antes de cada jogo decisivo, era comum que este blog convocasse a torcida para a batalha que estava por vir. Das dezenas e dezenas de textos com esse teor, gostaria de colocar este aqui em evidência - e, na sequência, o pós-jogoEste aqui, antes de ir para a minha quarta e última despedida do estádio Olímpico, também vale muito a pena. O mesmo se aplica às convocação para as batalhas redentora de Barueri e do Couto Pereira, em 2012. Também a esta aqui, dias antes de seguir para Recife. E, entre infinitas possibilidades, os posts de antes e depois dos duelos pela Libertadores deste ano: este, para além de convocar a torcida para a batalha contra o Tijuana, tem o mérito de reunir todos os textos da fase de grupos e este outro traz o desfecho da nossa participação.

As grandes derrotas
Mesmo os retumbantes fracassos dos últimos tempos renderam posts que merecem a posteridade: este e mais este sobre o rebaixamento do último ano e três textos (1, 23) sobre a absurda perda da Sul-Americana/2010. O segundo em particular, "Uma torcida que não tem time", resume boa parte de nossas aflições recentes: "Resta saber até quando vamos confiar na grandeza do time e até quando vamos acreditar que seremos capazes novamente de pisar na cabeça dos times pequenos em vez de sofrer humilhações em casa." Via de regra, muitos dos textos anteriores e posteriores encerram a sensação de um Palmeiras habituado à arte das derrotas absurdas. Tipo isso aqui. Se quiserem, dá para buscar outros textos referentes a esses grandes vexames nos dias seguintes a cada jogo.

"On the road" 
Não que tenha sido propriamente uma série, mas foram muitos os textos sobre a experiência de ser um visitante (quase sempre indesejado) em canchas pelo Brasil afora - e por outros países também. De todos, eu destacaria o que deu origem à série, desde Porto Alegre. Mas há ainda um sem número de textos que cumpriram a mesma função ao longo dos anos. A mesma Porto Alegre, por exemplo, rendeu também outros dois grandes post, este e o da vitória por 2-0 na semifinal da Copa do Brasil de 2012. Que nos conduziu a Curitiba, palco de uma conquista inesquecível.
Outras recomendações: La PazSucre, Montevideo, Fortaleza, RomaMadridVerona/Bologna/Napoli/Amsterdam/Paris/Bruxelas, Pacaembu, Recife, Belo Horizonte, Avellaneda... sério, é melhor eu encerrar por aqui. Para quem quiser algo específico, basta procurar os dias seguintes às grandes vitórias (ou derrotas) fora de casa.

Pontos corridos, o refúgio dos covardes 
Sobre esta aberração que aflige o futebol brasileiro nesta última década (não é coincidência que o esporte tenha chegado ao estágio atual), escrevi uma série de posts. Vou aqui indicar estes quatro:
A desmoralização dos pontos corridos
Sobre pontos corridos e distorções
O que nós perdemos
Viva os pontos corridos

Como o assunto é regulamento, vale registrar a oposição à maldita regra do gol fora de casa. Em dois posts, aqui e aqui.

Argentina/Uruguay
Temática recorrente neste blog, o futebol dos países vizinhos rendeu muitos ótimos posts e mesmo matérias em outras publicações. Como estes três, originalmente escritos para o inestimável Impedimento:
Grandeza perdida em Caballito (sobre o Ferrocarril Oeste)
Dois velhos amigos e uma carta (do Centenario para o Maracanã)
O tempo, a história e a glória (sobre Ponte-Lanús)
Ou como a matéria que eu escrevi para a Placar em setembro de 2010 - e que rendeu, na sequência, um guia informal para quem os interessados uma maratona de futebol na capital argentina. Ou como esta outra matéria que a revista VIP publicou em fevereiro de 2013. Também como os 40 capítulos da série "O país do futebol?". E, por fim, um pouco da diferença de conduta das autoridades de cada país a epopeia da hinchada do San Lorenzo para "volver a Boedo".

Livros sobre futebol
Foram 21 indicações. Como este país confere pequeno destaque à literatura sobre futebol, boa parte é de obras internacionais. Gostaria de comentar outras tantas, mas faltou tempo. Para conferir os indicados, o caminho é o mesmo: a barra lateral.

"Geração Winning Eleven"
Esta ficou tão anacrônica quanto o nome, mas ainda diz muita coisa - e traz ótimos (não-)exemplos de como o futebol vai se fragilizando a cada nova investida dos canalhas que o pretendem transformar em "bizines". Foram oito capítulos (aí do lado), com temáticas distintas.

Maldita Rede Globo
Tantos foram os textos contra a maléfica rede de TV, mas, se eu tivesse de escolher apenas um, seria este aqui, um bem acabado retrato do mal que esta emissora causa ao futebol. Mas vocês bem podem ficar com este, este, este e mais este ou então com o clássico tributo a Eurico Miranda, que vai muito além ao explorar outras tantas características que tornam o ex-dirigente do Vasco uma figura tão injustiçada quanto saudosa do nosso futebol.

Princípios
São muitos, e estes posts cumpram um papel essencial no sentido de resumir parte expressiva das ideias e preceitos desta página:
Ruptura
Os princípios da arquibancada
Consciência de classe
Consciência de classe (agora sim!)
Sobre direitos adquiridos
Em pé
Resistência
Questão de caráter
"Basta con el Fair Play"
Missão cumprida

Defesa da arquibancada
Sempre foi a maior bandeira deste blog - e não se defendia apenas o nosso lado, mas o de qualquer torcedor da arquibancada. Muitos são os inimigos, e eu não me refiro necessariamente a gambás, bambis ou criaturas assemelhadas, até porque boa parte das batalhas se travou contra gente que eu me envergonho de qualificar como palmeirense. Se nomes eu tivesse de atribuir aos maiores inimigos desta página, eu colocaria o crápula Marco Polo Del Nero em posição de destaque - e, claro, Marin, Teixeira, Sanchez e demais asseclas e filhos da puta associados. Não muito atrás, os vagabundos todos do STJD e os promotores desocupados que tentam aparecer às custas do esporte. Também todos aqueles que tenham se portado como elitistas, defendendo uma ruptura do futebol com o seu caráter popular. O mesmo se aplica a quase todos os dirigentes que se fazem o Palmeiras se apequenar: da dupla de retardados Tirone/Frizzo aos covardes da austeridade - em comum entre eles todos, o descarado desrespeito ao torcedor. Nem preciso mencionar os velhos calhordas e decrépitos da Fifa e da CBF. Entre as cidades, Barueri/SP e Prudente/MS. Também a indigência da imprensa esportiva, os clubes itinerantes e/ou de empresários safados, o populismo gambá, os malditos árbitros (todos filhos da puta por definição que deveriam apanhar antes, durante e depois de cada jogo) e tudo aquilo que vem junto com o maldito "futebol moderno". São tantos inimigos e são tantas as causas defendidas por este blog que o que vem a seguir é um catadão de textos diversos:

STJD: por um futebol insuportável e Sobre vagabundos em geral
Sobre gestos e idiotas Os verdadeiros bandidos
O promotor e a coluna social e De novo o aprendiz de Capez
Nosso amigo, o promotor (traz um dossiê sobre o desocupado)
P.F.S.ROI*, Artigo 1º e Exército da austeridade e Media Training
A Libertadores terminou cedo e Compromisso com o erro
O inimigo está dentro de casa, partes 1, 2, 3 e 4 
"A burrice agora é pública"
Acomodados F.C., Acomodados F.C. (2) e Sobre a Pluri Consultoria
Pela extinção do palmeirense, A arte da incompetência e Amar é...
Como afastar o seu torcedor e A gestão Tirone em quatro atos
O desrespeito em números, Miopia e Uma torcida abandonada
O assalto em números, Política excludente e Carta aos dirigentes
Sobre desinteresse e omissão e A falta que um Eurico faz
Romário e a guerra perdida e Sobre preço de ingressos
Formalidades, Questão de vergonha na cara e Alma palestrina
O bandido do apito, O especialista e Da 1ª à última (sobre PCO)
O respeito ao torcedor e Diretoria x Torcida
A arquibancada vai resistir e O futebol precisa de Eurico
Repeteco (porque o debate sobre elitização vem de longe...)
Del Nero: fantoche do malsem almacensura, e invencionices
Fábrica de factóides A Copa, os leonores e o Padrão Fifa
Mais um pouco de história e Sem trégua
Avanti: 2009, 2009, 2010, 20102010, 2012, 2013 e 2013
Entrevista com o crápula Rogério Dezembro
O palmeirense exige respeito e Prejuízo e vergonha em números
Passar bem, Barueri, O risco Barueri, Barueri não! e mais Barueri
Prudente/MS, cidade abandonada e Migalhas do Pantanal
Burrice itinerante, Prudente nunca mais e Prudente, maldita seja!
Assassinos do Maracanã e Até a volta, Maracanã
Pobre Maracanã e Os criminosos de 2014
Monopólio do sofrimento e Sofrimento seletivo
Sobre a Fifa: são tantos, tão dispersos e tão variados que eu não teria como recomendar apenas alguns; se interesse tiverem, procurem no Google por "Forza Palestra" Fifa

Textos aleatórios (mas extremamente necessários)
Ao santo
Crônica de um país às avessas
Falência das instituições
Redskins Nation
A mentira azul
O despreparo das autoridades
Estas são as minhas escolhas - tenho plena convicção de que muita coisa ficou para trás, mas não vou conseguir recuperar o conteúdo de todos esses anos. Encerro, pois, por aqui.

É justo também entender o que mais despertou o interesse dos leitores do blog ao longo dos últimos sete anos. Abaixo, segue a relação dos posts que mais tiveram visitantes (chegando pela URL de cada post e não pelo endereço do blog):















À arquibancada!