02 março 2015

BR/2015: tabela detalhada

A CBF divulgou a tabela do Campeonato Brasileiro/2015, mas, como de costume, trata-se da "versão básica", o que significa dizer que não traz ainda o desmembramento de datas e horários - isso acontecerá mais adiante, espera-se que em março ainda, com o anúncio de detalhamento das dez primeiras rodadas e, na sequência, em lotes de três ou quatro jornadas por vez. Isso ocorre basicamente porque, aos poucos, CBF e Rede Globo vão distribuindo os jogos nos dias e horários que forem mais convenientes para os interesses da emissora detentora dos direitos de transmissão.

O documento recém-divulgado é essencial para torcedores que viajamos para ver o time jogar fora de casa, porque já permite algum planejamento na definição de viagens e especialmente na compra de passagens para outros estados. Mas é inconclusivo, à medida que não revela quais jogos acontecerão no sábado ou no domingo, na quarta ou na quinta.

Daí então que, anualmente, este blog faz um exercício para antecipar os futuros desmembramentos da tabela, tendo um índice de acerto superior a 80% - foi assim no ano passado e também nos anteriores.

Desse estudo resulta a tabela detalhada do Palmeiras no BR/2015:


























Observem, por favor, que o material acima não pode ser tomado como oficial, definitivo ou infalível, uma vez que o desmembramento compete às entidades responsáveis. Mas é um bom referencial, em especial porque apoiado nos seguintes elementos:

_interesse da TV (que duelos podem ter mais apelo não apenas na transmissão para SP, mas também na grade para RJ, MG, PR e RS; o que faz mais sentido na TV aberta e no PPV; qual é o histórico recente em relação a cada time);
_concorrência com outros jogos na mesma cidade (em SP, teremos sempre um jogo no sábado e outro no domingo; em havendo um clássico na rodada, é certo que este ocorrerá no domingo); 
_intervalo entre duas rodadas sequenciais (se um time joga na quinta, não pode jogar no sábado, por exemplo);
_datas da Libertadores/Copa do Brasil (em especial para os duelos decisivos ou que envolvam longas viagens);
_histórico de definições de anos anteriores (decisões tomadas por CBF ou Globo em anos anteriores tendem a balizar as definições para este próximo Brasileirão);
_preservação do modelo do ano anterior, com os seguintes dias e horários: quartas e quintas, 19h30, 21h e 22h; sábados, 18h30 e 21h; domingos, 16h e 18h30.

Há um último elemento que pode alterar bastante o cenário apresentado: o desempenho dos times envolvidos. Mas, como isso só pode ser avaliado mais à frente, é o caso de fazer ajustes nas projeções de tempos em tempos.

Em alguns casos, a tarefa é fácil (sendo o Palmeiras mandante em uma rodada com SCCP x SPFW, é inevitável que nosso jogo aconteça no sábado, às 18h30; existindo um duelo entre outro grande daqui e um carioca, a mesmíssima coisa); em outros, no entanto, é preciso cruzar todas as variáveis apresentadas e, não raro, apelar para, digamos, uma conclusão a partir de evidências de anos anteriores. Por isso, além do detalhamento, este blog procura apresentar também o percentual estimado de concretização do dia e horário de cada rodada. Nos casos com probabilidade acima de 80%, dá para comprar a passagem desde agora; nos demais, é melhor esperar o anúncio oficial.

26 fevereiro 2015

Precificação: equívocos e consequências











Cena comum durante os jogos no novo estádio: excluídos por uma política de precificação higienista, centenas de palmeirenses acompanham o clássico contra o SCCP na esquina da Turiassu com a Caraibas; dentro do estádio, os setores centrais (a R$ 350!) ficam vazios.

Precificação. Por mais extenso que fosse, um texto aqui publicado dificilmente daria conta de abranger todos os elementos relevantes para a discussão sobre como estabelecer o preço adequado à relação entre oferta de um produto ou serviço e a demanda por ele. Por isso, vou simplificar a apresentação do assunto: em qualquer lugar minimamente sério, a precificação é uma decisão racional, baseada em estudos de mercado e pautada pela sustentabilidade no relacionamento entre quem vende e quem compra.

No Palmeiras sob o comando de Paulo Nobre, no entanto, a precificação dos ingressos para jogos do clube é um processo impressionista e personalista. Desde o início da gestão, os preços partiram sempre da mente doentia do mandatário, sem qualquer amparo de estudos junto à torcida ou de avaliações sobre a razoabilidade da tabela praticada. Lembrem-se, por exemplo, da arquibancada a R$ 60 na abertura da Série B, em Itu. Ou dos mesmos R$ 60 para jogos do Brasileiro do ano passado, com o time caindo pelas tabelas.

É bem singela a explicação para este descompasso: Paulo Nobre é o menino mimado que vê o novo Palestra como seu brinquedinho e, como tal, quer decidir quem com ele pode ou não pode brincar. Por conta própria e sem dar ouvidos a seus cúmplices (a reclamação é deles), Nobre define os preços vigentes no novo estádio da S.E. Palmeiras. E faz isso não com base em estudos ou em alinhamento com seus pares, mas a partir de sua visão distorcida de mundo.

Se Nobre não tem o devido cuidado quando se trata do relacionamento com o patrimônio maior da S.E. Palmeiras, é o caso então de apontar as inconsistências, os problemas e as obscenidades destes primeiros meses desde o retorno para casa, identificando, sempre que possível, os pontos em que as imposições de Nobre flertam com a insanidade:

_ O “setor popular” não pode custar R$ 80 qualquer que seja a circunstância. Muito menos R$ 100. Não há nada de popular quando se cobra 10% de um salário mínimo para uma arquibancada. Até porque, e isso é o mais grave, o preço cobrado por este setor acaba impactando todos os demais, tornando inviável qualquer relação sustentável entre clube e torcedor.

_ A diferença de preço entre a Cadeira Gol Sul (Turiassu) e a Cadeira Gol Norte (Matarazzo) não pode, em hipótese alguma, superar os 20%. Questão de lógica: em lugar algum do mundo tem-se a curva atrás dos gols como um setor privilegiado. No nosso estádio, no entanto, a diferença entre as duas ‘curvas’ é gritante: entre 75% (R$ 80 x R$ 140) e 212% (R$ 80 x R$ 250). Por sinal, a disparidade nos percentuais em jogos diferentes evidencia o descuido e a falta de planejamento.

_ O ingresso da Cadeira Gol Sul a preços extorsivos implica ainda em uma condição altamente desfavorável para as torcidas visitantes. A conta, como demonstrado anteriormente, será paga pelos palmeirenses que viajamos para ver o alviverde como visitante e também pelos torcedores locais, que terão de pagar preços astronômicos para ver o Palmeiras em suas cidades.

_ Há, ainda, uma distorção que diz respeito à tese de que os setores superiores centrais são tão menos privilegiados que os inferiores (a ponto de justificar diferenças acintosas entre os valores cobrados). Não há nada que justifique isso.

_ O Setor Oeste deveria ter um preço ligeiramente superior ao do Setor Leste. Três são os motivos: (I) o Setor Oeste tem acesso melhor, pela Turiassu; (II) quem fica no Setor Oeste não precisa se preocupar com o sol; e (III) preços menores no Setor Leste estimulariam a ocupação do espaço que é o primeiro a ser filmado pelas câmeras de TV.


Agora, em dois pontos, o problema mais grave:

_ Vivemos agora a transição de um modelo de setorização 80x20 para um modelo de setorização 20x80. Explicando: os estádios mais antigos sempre foram regidos por uma lógica em que a arquibancada respondia por algo em torno de 80% da capacidade, ficando os 20% restantes para as “numeradas” ou “sociais”. Tinha-se, a partir disso, uma clara distinção entre o público presente a cada um dos setores – e tal distinção, frise-se aqui, estava alinhada com a estratificação social de nosso país. Era assim no antigo Palestra (as numeradas coberta e descoberta comportavam não mais do que 5 mil lugares) e também no Pacaembu (com as cadeiras laranjas tendo um preço não tão abusivo na comparação com arquibancada principal e tobogã). As novas arenas, no entanto, acabam por subverter tal lógica, elevando sobremaneira os preços não apenas das áreas mais privilegiadas, mas de todas as demais. O que se tem hoje no Palestra é um único ambiente (a Cadeira Gol Norte) com preços “populares” e todo o restante do estádio com preços obscenos. É um modelo insustentável, até porque os ingressos “populares”, pouquíssimos, se esgotam rapidamente e ficam sempre com os mesmos torcedores – aqueles que estamos melhor colocados no rating do Avanti (o que é justíssimo, diga-se de passagem). Para os demais, impõe-se uma “nota de corte” das mais severas.

_ Ampliando a discussão iniciada no item anterior: é possível (e até necessário) ter um setor muito caro (R$ 200 ou R$ 350, vá lá) desde que ele tenha um tamanho proporcional ao total de pessoas aptas e dispostas a pagar por isso. Algo como a cadeira azul do Pacaembu. Ou como a numerada coberta do Palestra. Mas é insustentável praticar preços assim tão elevados em 40% dos lugares disponíveis no estádio (no caso, os setores centrais Leste e Oeste). Repito: estes dois setores, que têm ficado reiteradamente vazios, respondem por quase 40% dos assentos do estádio.


Da conjunção de todos esses fatores, emerge um cenário dos mais preocupantes. Tendo em vista especialmente o preço mínimo (R$ 80) e o modelo que faz com que os bilhetes populares sejam apenas 20% do total, temos uma “nota de corte” para o público ‘comum’ (leia-se “não Avanti estrelado”) que deseja ir ao estádio: R$ 120 (o indigesto preço do setor superior).

Afinal, os cerca de 6.200 ingressos (bem menos que 20%) da Cadeira Gol Norte se esgotam rapidamente, ficando sempre com os melhores colocados no rating do Avanti. Na sequência disso, um torcedor eventual, daqueles que só pode ir aos jogos de vez em quando, passa a se deparar com um cenário em que somente conseguirá ver o Palmeiras em campo se se dispuser a pagar R$ 120. Se quiser levar os filhos, aí a tarefa se torna inviável.

Em jogos com maior procura, chegam ao fim rapidamente também os setores superiores e a Cadeira Gol Sul. Desta feita, restará a este ‘torcedor eventual’ apenas e tão somente a opção de ser extorquido com o desembolso de R$ 200 (ou R$ 350) cobrados pelos setores Leste e Oeste.


Daí então temos o seguinte paradoxo:

Existe uma enorme demanda de pessoas querendo conhecer o novo estádio, mas ele segue não recebendo público total (com as cadeiras centrais às moscas, mesmo em um clássico contra os gambás) porque não há quem consiga encarar os preços doentios praticados por Nobre.

Não à toa, a esquina da Turiassu com a Caraibas tem ficado repleta de torcedores durante os jogos, todos eles alijados do estádio por essa política de precificação higienista e excludente. Da mesma forma, é forçoso observar que muitos torcedores de outros tempos deixaram de ir ao estádio pela impossibilidade de bancar os valores propostos.


Aos efeitos disso:

_ Em curto prazo, tem-se os setores centrais (aqueles que aparecem na TV) vazios e perde-se uma receita que poderia ser alcançada com valores mais racionais. Perde-se também a pressão de uma torcida mais perto do campo (tanto no centro quanto atrás do gol da piscina);

_ Em médio prazo, cria-se uma relação pouco saudável com o torcedor, que se vê coagido a estabelecer um relacionamento contratual (Avanti) se quiser preservar o seu direito de ir ao estádio. Para muitos, nem isso será o bastante, uma vez que, torno a repetir, a modelo 20x80 limita os preços “populares” a um pequeno contingente da torcida. O resultado é um distanciamento entre clube e torcedor.

_ Em longo prazo, perde-se a conexão com a “massa”. Caso os alienados e os elitistas não saibam, é o vínculo com a “massa” que faz o Palmeiras ser o gigante que é. É o que torna o Palmeiras um clube com torcida em todo o país. É o que garante a nossa representatividade – porque os títulos já não fazem parte da rotina.


Eu escrevi, em post do ano passado, que o Palmeiras não resistiria a mais dois anos de Paulo Nobre. Torno a repetir agora. Porque, imerso em seu mundinho apartado da realidade, Nobre acaba por afastar da arquibancada do Palestra Italia o torcedor com menos recursos – que, não custa dizer, é a imensa maioria. Pior do que isso: os preços abusivos representam também um processo de exclusão das crianças, em especial as mais humildes – porque um pai pode até fazer um esforço eventual para bancar a sua entrada, mas dificilmente conseguirá levar seus filhos ao estádio. E é terrível imaginar os efeitos disso para a nossa próxima geração de torcedores.

***

Crédito da foto: Marco Bressan (Teo)

19 fevereiro 2015

Painel do Promotor

Na semana passada, publiquei um post sobre a emboscada de que fora vítima a torcida do Palmeiras no domingo anterior, antes do clássico contra o SCCP. A Folha de S.Paulo aparece bastante em toda a operação de manipulação midiática, tendo especial destaque Bernardo Itri, responsável pela coluna Painel FC do Promotor.

Eis então que, passado o Carnaval, a Folha retomou assunto.

Primeiro, no dia 18/02, com a capa do caderno de esportes sendo ocupada não pela cobertura do SCCP x SPFW válido pela Libertadores, mas por uma matéria (mal) requentada sobre mortes decorrentes de brigas entre torcidas. A foto principal, completamente inadequada, mostra o massacre de que fomos vítimas no domingo, 8 de fevereiro:


























O conteúdo seria apenas pueril, não fosse pelo artigo (repleto de argumentos débeis) do senhor doutor Paulo Castilho e pela tentativa de insuflar a opinião pública a partir da exaltação de um senso comum rasteiro e sem quaisquer elementos novos.

É meio que assim:

"-Acabou o Carnaval e estamos sem manchete de capa? Então procurem aí aquele promotor das torcidas e vamos enfiar um número impactante sobre mortes envolvendo esses vândalos travestidos de torcedores.
-Qual promotor? Aquele que virou deputado?
-Não, não, aquele mais novo que aparece quase todo dia no Painel FC.

-Ah, vou falar com o Itri..."

Deu nisso aqui:


























Entre moçoilas vestidas de policiais ("Mas é Carnaval! Não me diga mais quem é você! Amanhã tudo volta ao normal/ Deixa a festa acabar/ Deixa o barco correr..."), a crise econômica, os ricaços do HSBC (não, isso não pode!) e os editoriais indignados de cada dia, a falta de notícia foi parar na manchete do principal jornal do país!

Se tiverem coragem, confiram aqui os textos que produziram tal aberração: um abre preguiçoso e sem qualquer contextualização; um artigo abjeto escrito pelo senhor doutor promotor; um contraponto que quase evapora diante da tentativa de instaurar um clima de guerrilha urbana; e um catadão nos arquivos da Barão de Limeira.

Não há, em momento algum, qualquer reflexão sobre quem são as figuras envolvidas. Por que, afinal, este tal Castilho, que diz atuar há uma década na causa, nada conseguiu fazer para mudar o cenário? São, afinal, 10 anos! Por que suas tantas medidas não surtiram qualquer efeito sensível para reduzir essa tal violência? Por que ele aparece sempre no noticiário envolvendo um mesmo clube e um mesmo estádio? Os argumentos que ele apresenta são válidos? E as evidências, procedem? Qual é o histórico de sua atuação nesta última década? Que possíveis interesses particulares poderiam estar por trás de sua investida? Por que o senhor doutor insiste na defesa de suas pretensas ideias sobre o bem coletivo com base na primeira pessoa ("eu acho", "eu acredito", "eu penso que")? Existe, por acaso, alguma inadequação entre o que ele propõe e o que está a seu alcance a partir da legislação vigente? Por que a imprensa não ouve o outro lado (no caso, o torcedor)?

E a pergunta mais importante: vocês já pensaram, caros colegas jornalistas, no quanto a permanência deste assunto no noticiário ajuda a garantir ainda mais visibilidade para Paulo Castilho?

Digo, pois, aos senhores jornalistas que uma breve pesquisa aí nos arquivos da Barão de Limeira (ou no Google mesmo) responderia muitas dessas perguntas.

Mas a coisa piora, senhores. Chegamos ao dia 19/02. Depois de dedicar as notas principais do dia anterior a mais alguns números fantasiosos fornecidos por Fernando Mello, ex-titular desta mesma coluna, Bernardo Itri abre ainda mais espaço para o senhor doutor Paulo Castilho. Vejam, pois, o Painel do Promotor desta quinta-feira:






















Quanta besteira para tão pouco espaço...

"Elaboração de um projeto de lei", "restrição de benefícios" (quais?), "Comissão do Estado para fiscalizar as torcidas", "audiência com a SSP", "aproximação com o governo"...

Eu nem vou comentar a última nota, de uma fragilidade acintosa.

Até porque, pouco adiante, a Folha dispara uma página inteira para entrevistar Marco Aurélio Klein - sobre quem evitarei tecer comentários por ora.


























Tem tanta coisa errada e  tantos absurdos que eu vou evitar entrar nos detalhes. Vou me ater a dois breves parágrafos, logo no início, para ir direto ao ponto:





















Vejamos a situação:

_George Hilton, atual ministro do Esporte, nunca deve ter pisado em uma arquibancada.
_A (in)experiência de Klein, o redivivo, deve ser similar à do ministro.
_Se estão se baseando em um relatório escrito há nove anos, antes mesmo de a Copa do Mundo/2014 ter sido confirmada no Brasil, então não dá para esperar lá grande coisa.
_Pior ainda: se o tal documento é inspirado no Relatório Taylor, estão tomando como paradigma uma fraude sem precedentes:










À época, sob enorme comoção, contou-se uma mentira amparada em um documento formal e em muita manipulação midiática. Ela perdurou durante 23 anos, até que a verdade viesse à tona.

E eu, já de saco cheio de ficar lutando sozinho contra toda essa corja, encerro assim:












13 fevereiro 2015

Sobre números, jornalistas e argumentos

-Jornalista, estes são os números.

-Números, este é o jornalista. 


Apresente números a um jornalista e ele tremerá.

Não à toa, aquele sujeitinho da Pluri Consultoria vive publicando suas pesquisas falaciosas em veículos de grande circulação - ninguém apura nada e toma-se por verdade o que não é. Também por isso, números absurdos vão parar nas manchetes de grandes jornais e dos principais portais do país todos os dias. É que jornalista, um pouco por preguiça e outro tanto por medo, não sabe bem como checar as informações que chegam embaladas em algarismos e percentuais.

Paulo Nobre não é jornalista. E deveria, tomando por base sua ocupação (?), entender de números. Não apenas dos cifrões que vê em todo e qualquer lugar, mas também de números que se utilizam para contar coisas. Cadeiras, por exemplo.

Mas Nobre, a julgar pelos dados desencontrados que andou divulgando nos últimos dias, ou não entende deles ou mentiu descaradamente. Vejamos, pois:

A pedido da PM, não puderam ser vendidos para o clássico do último domingo os lugares do espaço que fica bem acima do setor visitante. Foram assentos "perdidos".

Nobre, ao longo da semana anterior, disparou versões desencontradas para o "prejuízo" que teria o Palmeiras com essa medida. Falou, inicialmente, que 4 mil ingressos não poderiam ser vendidos. Depois, em reiteradas entrevistas, apontou que seriam 6 mil (e fez uma conta esquizofrênica para chegar a uma renda potencial de R$ 1,2 milhão); foram estes os números que chegaram até o Painel FC nem bem havia esfriado o cadáver do futebol. Para Gobbi, Nobre levou versão ainda mais drástica: seriam 12 mil os ingressos "perdidos" - e o presidente do SCCP repetiu isso inúmeras vezes em sua entrevista.

Pois bem, vamos agora desmontar toda a farsa:

- Ainda que fossem "perdidos" 12 mil ingressos, não há argumento que se sustente. O estádio deve receber a torcida visitante em qualquer situação e não é o espaço eventualmente isolado não configura um empecilho para isso. Que se ajuste o estádio às necessidades.

- Ao que consta, o número 'oficial' de Nobre parece ser de 6 mil ingressos. A partir disso, há duas hipóteses: (1) ele está mentindo; ou (2) ele não sabe bem lidar com os números.

Vejamos, pois, que, em função da presença da torcida gambá, foram isolados apenas e tão somente quatro "gomos" (e mais alguns assentos) do setor superior. E só eles, uma vez que os cordões de isolamento dos setores Sul e Leste foram rigorosamente os habituais, não havendo ali qualquer distinção em relação a uma partida comum.

A foto mostra o espaço isolado (no superior) e evidencia que não houve perda de lugares nos setores Sul e Leste:




















No domingo mesmo, tomei a liberdade de fazer uma contagem superficial do número de assentos "perdidos". É fácil, vejam só:

-Cada gomo tem 15 fileiras.
-Cada fileira tem 30 assentos.
-15 vezes 30 é igual a 450.
-Se há quatro gomos, é o caso de multiplicar o número de assentos existentes em cada "gomo" por 4:
-450 vezes 4 é igual a 1.800.

Portanto, senhores, foram "perdidos" algo em torno de 2.000 lugares.

Isso fica mais evidente quando se compara o borderô do clássico com o do jogo anterior, contra a Ponte Preta. Vejamos, pois, quantos ingressos do setor superior foram vendidos em cada uma das partidas:

Borderô de Palmeiras x Ponte Preta (05/02): 13.473
Borderô de Palmeiras x SCCP (08/02): 11.296

Estão aí, portanto, os tais 2.000 lugares apontados na imagem e na minhas contas.

Para além de toda a canalhice de usar o argumento da violência para encobrir suas pretensões financeiras, Nobre precisa se decidir: ou ele mentiu descaradamente sobre os valores ou ele não sabe bem como lidar com números. Seja lá qual for a explicação, é muito grave.

No mais, Nobre precisa entender que os ingressos que deixaram de ser vendidos são exatamente aqueles que ficaram encalhados na bilheteria em função de sua precificação doentia, insana e desconectada da realidade. Estamos falando aí de cerca de 10 mil bilhetes (dos setores Leste e Oeste) que foram colocados à venda por obscenos R$ 350.

11 fevereiro 2015

Cronologia de uma emboscada

Emboscada.

A palavra, utilizada pelas autoridades que vêm cometendo atentados sequenciais contra o interesse público, pode se aplicar à estratégia que deflagrou a "guerra da torcida única", na semana que antecedeu o primeiro dérbi no estádio Palestra Italia em quatro décadas.

De um lado, o "precificador" Paulo Nobre, despreparados, chantagistas e nada desinteressados promotores públicos, a FPF (e seu major/coronel que adorava descer a porrada em torcedores), os bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque e setores reacionários da imprensa esportiva e da sociedade.

De outro, a história quase centenária do dérbi da cidade, o SCCP (circunstancialmente, pois quase viu sua torcida ser alijada do estádio) e, o mais importante, o futebol.

No meio disso tudo, os torcedores.

A guerra em questão, meus caros, é travada toda ela na esfera midiática. De maneira desavergonhada, com muita manipulação, muito jogo de cena, muitos discursos inconsistentes e, desta vez, com autoridades públicas partindo para a chantagem pura e simples. E o pior: só há espaço para um dos lados da história.

Paulo Nobre foi, como eu escrevi anteriormente, um pouco artífice disso tudo e um pouco a peça que faltava na engrenagem ardilosamente montada há tempos pelo senhor doutor promotor público Paulo Castilho. Como em todas as outras situações envolvendo o relacionamento institucional da Sociedade Esportiva Palmeiras com outros entes, Nobre falhou. Fracassou. Foi humilhado. E levou junto com ele toda a torcida alviverde.

Este post cumpre os seguintes objetivos:

-apresentar a sucessão de fatos que nos trouxe até aqui;
-evidenciar o vínculo entre Nobre e Castilho;
-expor os discursos empregados de parte a parte;
-enfatizar o papel nefasto da acéfala imprensa esportiva.

Um outro post, em breve, vai se dedicar a apontar as falácias por trás dos argumentos apresentados.

Vamos, portanto, aos fatos (todos eles notórios e públicos, uma vez que reproduzidos em veículos de comunicação de grande alcance):


25/07/2014

Voltemos alguns meses no tempo.
Em julho/2014, por ocasião do primeiro clássico do Itaquerão, os bravos, valorosos e destemidos homens do Choque deixaram para a última hora a definição sobre a ida da torcida visitante (no caso, do Palmeiras) do centro até o extremo leste. A proposta da PM, absurda e inexequível, foi rechaçada pela principal organizada alviverde, que fez as vezes da autoridade constituída e decidiu qual seria a melhor logística. Confiram aqui um vídeo bem elucidativo.









27/07/2014
Fomos e voltamos em paz. O resumo está aqui. Foi tão bem-sucedida a estratégia idealizada pela Mancha Verde que o esquema foi repetido nos clássicos seguintes, envolvendo outros grandes da capital. A imprensa, no entanto, fingiu que nada havia acontecido. Preferiu fazer um enorme barulho por algumas cadeirinhas que, vejam os senhores, foram retiradas pouquíssimo tempo depois:
















Fiz questão de voltar até tão longe porque este episódio demonstra: a) o despreparo da PM para lidar com questões rotineiras de um clássico; b) a histeria da imprensa esportiva, levantando um argumento que, por falacioso que seja, foi muito utilizado em tempos recentes; c) a subserviência de Paulo Nobre, que vai contra sua torcida a todo momento; e d) o quanto as cadeiras são desnecessárias no setor visitante.


10/11/2014
Em entrevista à TV Gazeta (onde mais?), o presidente da SEP lança a ideia de torcida única antes mesmo de o Palestra ser reinaugurado. O Estadão reproduz:















Esqueçam a parte da segurança; importa outra palavra: "lucrativo".
Nobre entra em êxtase: "Precificar, precificar, precificar".


28/11/2014

Já com o seu moderno estádio reinaugurado, o Palmeiras se prepara para o último jogo de uma temporada esquecível. Ressurge o senhor doutor Paulo Castilho, o promotor público (?) que dedicou todos os seus últimos anos a destratar o nosso estádio:









29/11/2014

Em meio a uma rotina atribulada, o senhor doutor Paulo Castilho já apresenta uma solução para o caso:









O MP, esta tão zelosa instituição pública, está com "medo de confusão"? E como fica o Flavio Prado presente na alma de cada "torcedor comum", de cada "família que quer voltar aos estádios", de cada cidadão sem muita vontade de refletir sobre o que lê?


01/12/2014
A mídia publica o apelo de Castilho quase sem contestações. Vozes dissonantes se manifestam aqui e ali, mas, via de regra, o tom é alarmista: "jogo de risco", "pode acontecer uma tragédia", "temos de proteger as famílias". Não importam tanto os fatos ou os efetivos riscos à segurança pública, mas sim os impressionismos e as percepções de quem deseja construir um cenário pouco convidativo.



02/12/2014
Por ocasião disso tudo, Nobre se aproxima de Castilho. Sabe-se lá o que emergiu da conversa entre os dois. Na FSP, Bernardo Itri, titular da coluna outrora assinada pelo assessor gambá Fernando Mello, começa a despontar na cobertura do caso:

















02/12/2014
O senhor doutor Paulo Castilho não quer ser apenas promotor público; seria pouco diante de suas ambições. Aonde quer chegar o diligente defensor da ordem, da moral e dos bons costumes? Não sei bem, embora tenha lá meus palpites. Sei apenas que o sujeito adora aparecer. Não contente com o escarcéu dos dias anteriores, Castilho convoca uma entrevista coletiva para, extrapolando suas atribuições, confirmar (?) a realização da partida no novo Palestra e disparar toda uma sorte de impropérios contra o nosso estádio. Confiram aqui o pronunciamento presunçoso e aqui a minha resposta ao sujeito.









04/12/2014
Em meio a sua rotina atribulada, Castilho insiste no assunto:






















Atenção, por favor, para o embasamento por trás das justificativas: "Eu particularmente sou contra""Eu prezo por...""Eu entendo que...""Eu acho salutar""A gente tem que acabar...". Tão eloquente quanto sintomático de seus conceitos pessoais sobrepujando o pretenso interesse público.

Dois meses depois, sabemos como agiu a PM diante da 'micareta'.


07/12/2014
O jogo foi jogado, o Palmeiras escapou do rebaixamento, a vida seguiu. Em um precedente perigosíssimo, o Atlético/PR abriu mão de sua cota de ingressos; não houve, portanto, torcida visitante.
Depois disso, o assunto hibernou por quase dois meses.


02/02/2015
Começa a semana do primeiro dérbi do novo Palestra Italia. Em meio à polêmica com o preço dos ingressos para jogos em casa contra times pequenos e com os R$ 200 cobrados de torcedores da Ponte Preta, a diretoria alviverde segura a divulgação de informações sobre venda dos bilhetes para o clássico.


04/02/2015, 15:20
Estreia do SCCP na Libertadores. O clássico se aproxima, mas não há informações sobre venda de ingressos. É hora de colocar em prática a estratégia que tem Nobre como boi de piranha. Ao Lancenet, ele solta a declaração que antecipa a ofensiva do MP:









À noite, o SPFW vai a campo no Pacaembu e o SCCP, no Itaquerão. Duas torcidas rivais separadas por 17 estações de Metrô e duas horas entre os jogos. As autoridades fazem vistas grossas. Nada acontece.


04/02/2015, 18:28
Não daria para esperar pelo jornal de 'amanhã'; parte-se para o blog do Painel FC. Três horas depois de Nobre, é a vez de o MP atacar:









05/02/2015
O dia D começa com providenciais notinhas no Painel FC:



















Apela-se para o discurso furado das "brigas marcadas pela internet". Castilho vocifera: "Minha paciência acabou". Mentiras deslavadas, uma atrás da outra. A mídia faz a sua parte.


05/02/2015, 15:38
A pressão vem de todos os lados. Ainda assim, a FPF veta a recomendação de clássico com torcida única:









05/02/2015, 15:38
O MP perde a compostura e parte para a chantagem:






Vejam só a que ponto chegamos: em claro desrespeito à Constituição, à moral e aos bons costumes, uma instituição pública parte para ameaças e bravatas via imprensa.


05/02/2015, 17:27
Após a chantagem do MP, ocorre nova reunião na sede da FPF. A entidade cede. O primeiro a cravar a notícia é Bernardo Itri, do Painel FC antes e depois tão utilizado para dar vazão às demandas particulares dos senhores promotores públicos:








A notícia se espalha, ganha todos os portais e domina as discussões nas redes sociais. O SCCP diz que vai entrar com recurso, absurdos são proferidos sem o menor pudor, o Palmeiras vai a campo (contra a Ponte Preta) já pensando em um domingo com dérbi sem visitante.


06/02/2015
Mal havia esfriado o cadáver do futebol e lá estava o titular do Painel FC a oferecer seu prestigioso espaço para os números ensandecidos e mentirosos de Paulo Nobre:


















06/02/2015, 11:00
Castilho e Senise dão entrevista, mais uma, na sede do Ministério Público. Não contentes com a vitória parcial, seguem instaurando um clima de insegurança. A versão online da Folha tem apuração do interino do Painel FC:








06/02/2015, 13:23
PM e MP lançam mão de discursos divergentes:










06/02/2015, 16:38
Liminar devolve a responsabilidade para a FPF.










06/02/2015, 17:29
O SCCP age rápido e, bem ao contrário do nosso assessor gambá, solta uma nota oficial que evidencia o respeito do clube pelo seu torcedor. O texto é radical: sem ingressos, o time não entra em campo.









06/02/2015, 18:00
Com a liminar em mãos, Mário Gobbi concede entrevista coletiva. Em seu último dia de mandato, reitera o texto da nota oficial e vai além, pisando nas cabeças de Nobre e Castilho. Exige os ingressos para a torcida visitante, revela a traição de que foi vítima e aponta as inconsistências por trás da pressão do MP: "Fizeram isso na calada da noite, sorrateiramente, nos bastidores do porão". Sim, fizeram mesmo. Foi tudo muito bem articulado, inclusive o momento de entrar em ação, postergando o anúncio sobre a venda dos ingressos e partindo para a ofensiva quase na véspera do clássico, deixando quase nenhum tempo para reação na Justiça.










06/02/2015, 18:40

A entrevista sequer havia terminado, e a FPF recuou, anunciando a liberação de venda de ingressos para os visitantes. O Palmeiras, por sua vez, soltou uma nota oficial vergonhosa e muito reveladora do papel desempenhado por seu presidente. Incensado por tantos aduladores ao longo dos últimos anos, o rentista pensa ser o próprio Palmeiras:




"O clube tem há dois anos a opinião..."

Nobre confunde a sua opinião com a postura da instituição Sociedade Esportiva Palmeiras. Toma por algo institucional o que é apenas sua visão deturpada da realidade. E mente, descaradamente, ao apelar para o senso comum em defesa de sua visão mercantilista do futebol.

A insanidade de seu mandatário faz o Palmeiras ser humilhado.


06/02/2015, 18:56
O MP tenta dissipar o vínculo entre os interesses de Nobre e a recomendação de fazer um clássico com torcida única. Assim bradou o senhor doutor promotor público Paulo Castilho: "Apoio? Que apoio? Ninguém faz gestão sobre isso com a minha pessoa".








Em vão. No dia anterior, na nota oficial publicada no site e em todas as infelizes entrevistas do fim de semana, Nobre explicitou sua preferência, sempre elencando as vexatórias vantagens comerciais decorrentes de um clássico com torcida única.


07/02/2015
Na Turiassu, um bloco carnavalesco da escola de samba Mancha Verde é dispersado pela PM com balas de borracha e bombas de efeito moral disparadas para dentro da sede oficial do clube. Era o cartão de visita dos bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque.


08/02/2015
Poupá-los-ei de ainda mais referências sobre o que parece ser de domínio público: a barbárie do policiamento, a guerra contra torcedores na Turiassu, a repercussão descalibrada na mídia esportiva... Deixo-os com este texto aqui.


10/02/2015
Na esteira de todos os acontecimentos do fim de semana, o titular do Painel FC, de novo, é o responsável por reproduzir mais uma investida dos promotores públicos:









10/02/2015
O massacre contra palmeirenses na rua Turiassu atingiu em cheio toda a coletividade palestrina. Mensagens de protestos vieram de todos os lados. Grupos políticos rivais se articularam e lançaram o manifesto abaixo. Nobre, é evidente, se calou, em um silêncio constrangedor. Deve ter sentido o baque de ser traído pelo promotor que o usou como boi de piranha.

















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Como apontado no post anterior, estamos diante de uma batalha das mais desiguais. Com raríssimas exceções e com vozes dissonantes despontando aqui e ali, a mídia não dá espaço para o outro lado – no caso, o nosso. Tomam-se como verdadeiras as mais estapafúrdias opiniões, o senso comum rasteiro, covarde e preguiçoso parece ser o refúgio de todo e qualquer comentarista, cria-se todo um discurso de repúdio sem que se busque compreender o que se passa dentro (e fora) de um estádio de futebol.

Há, como demonstrado nos registros jornalísticos utilizados neste post, alguns profissionais que aparecem mais do que outros. Não faço juízo de valor aqui, de verdade. Os jornalistas em questão têm lá suas fontes e seus interesses e publicam aquilo que for mais adequado à linha editorial de cada veículo de comunicação. Mas a discussão que eu gostaria de propor aqui, para além da aproximação interesseira e desavergonhada entre Nobre e um inimigo da Sociedade Esportiva Palmeiras, diz respeito ao papel desempenhado pela imprensa esportiva nessa história toda.

Porque já faz décadas que toda e qualquer notícia envolvendo torcedores em estádios é tratada pela mídia da mesma maneira. É um tal de “cenas lamentáveis” para cá, “vândalos travestidos de torcedores” para lá, “esses bandidos estão afastando o torcedor comum” acolá. O Flavio "não vá aos estádios" Prado dentro de cada um de nós parece querer se alimentar desse discuso fácil e vazio. A meu ver, isso ocorre por preguiça em alguns casos, por desconhecimento de causa em outros tantos e por pura má intenção em poucos.

Caberia, pois, perguntar aos nobres jornalistas:

- Por que vocês seguem dando espaço a gente como este Paulo Castilho que há quase uma década insiste em atacar sempre o mesmo estádio e a mesma torcida? Por que seguem cravando manchetes a partir de fatos manipulados por um cidadão que não conseguiu, em quase uma década, tomar qualquer medida prática no sentido de combater a violência nos estádios?

- Por que não apuram os fatos?

- Por que não analisam a validade dos argumentos apresentados?

- Por que não solicitam as tais evidências apontadas pelo promotor?

- Por que não investigam seu histórico em relação ao Palestra Italia?

- Por que não questionam as motivações por trás de tal obsessão?

- Por que não apontam a inadequação entre o que o promotor pensa ser capaz de fazer e o que a legislação coloca a seu alcance?

- Por que não ouvem o outro lado?

- Por que não vão aos estádios?

- Vocês não se incomodam quando percebem que estão sendo manipulados por promotores e outros dirigentes? Ou não percebem que o jornalismo feito por vocês tem cumprido menos o propósito de informar e mais o de construir uma realidade que atende a certos interesses particulares de figuras públicas? Ou, em percebendo isso, não ficam envergonhados?

- Em havendo uma opção deliberada por essa postura a favor de um lado específico, não se envergonham os senhores ao saberem que estão avalizando o ataque de policiais militares contra crianças, mulheres e idosos? E contra qualquer pessoa que esteja à frente deles em situações como a do último domingo?

Vale a reflexão.

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Quanto a Nobre, o presidente reeleito da Sociedade Esportiva, imagino que ele esteja agora se remoendo por ter empregado tamanho esforço para atuar na causa de Paulo Castilho. Imagino que esteja se sentindo traído - pois não quero crer que seja conivente com o massacre contra palmeirenses bem na frente do estádio que ele vê como sinônimo de tantos e tantos cifrões. Mas então, seja qual for a situação, volto a conclamar o nobre mandatário para que tome vergonha na cara e seja homem ao menos uma vez na vida:

Atue em defesa do patrimônio maior da S.E. Palmeiras, o seu torcedor! Atue em defesa da nossa casa! Trate como inimigos aqueles que nos veem dessa forma. Antes que seja tarde demais!

10 fevereiro 2015

2º BP Choque x sociedade civil

O 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo não sabe conviver em sociedade. Ou, pior, talvez seja instruído para tal.

Quando se trata da Turiassu, das ruas todas da Pompéia e de qualquer outro canto onde se reúna a torcida alviverde, as frases acima - ou apenas uma delas, que castilhos, senises e marinhos decidam - se aplicam com perfeição.

Afinal, os raros momentos de confraternização que vivemos nos últimos anos foram quase sempre interrompidos pela barbárie iniciada ou extravasada pelos bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque.

Aos antecedentes:

2008, final do Paulista
O Palmeiras é campeão estadual depois de 12 anos. O primeiro título em oito anos. Em casa. Com vitória por 5 a 0. Sem atritos com a torcida adversária. Apenas festa, certo? Longe disso: sob a batuta de um certo promotor público Paulo Castilho, o Choque resolve acabar com a comemoração. Primeiro na arquibancada; depois, na Turiassu. Um verdadeiro massacre. Os relatos, se me permitem, estão aqui neste post (acompanhem o complemento e também os comentários). Indo além, vale entender o histórico por trás de tudo o que aprontou a PM em uma tarde que deveria ser apenas de festa: já naquela época, o senhor promotor público Paulo Castilho descarregava suas inverdades a respeito da nossa casa. E a imprensa, claro, aceita sem questionar.

2012, final da Copa do Brasil, jogo de ida, Barueri/SP
O palmeirense viveu dias complicados para chegar até a Arena Barueri nas noites decisivas da Copa do Brasil de 2012. Mas, na última das noites decisivas, superar o transtorno para percorrer os 30 km da nossa casa até a cancha não foi o suficiente; lá chegando, foi preciso enfrentar o despreparo e a má intenção do Choque, que tirou mais uma noite para descer a porrada em gente que, com ingresso na mão, queria apenas e tão somente entrar no estádio. Aqui a versão (preguiçosa) da imprensa e aqui relatos de quem efetivamente viveu o inferno antes da decisão.

2012, final da Copa do Brasil, jogo de volta, Curitiba/PR
Eu estava em Curitiba e não testemunhei o ocorrido, mas os que resolveram comemorar na Turiassu sofreram com a barbárie instaurada pelas autoridades constituídas. Aqui.

2015, primeiro clássico do novo Palestra Italia
Receio não ter de entrar em detalhes agora - até porque vou escrever depois um post sobre a premeditação de tudo o que ocorreu neste domingo (e nos dias anteriores). A verdade é que, se você seguir os relatos midiáticos, vai se deparar com textos abjetos e mal intencionados como este aqui (da finada rádio Jovem Pan) ou com criaturas globais a repetir os mesmos bordões de sempre: "cenas lamentáveis", "bandidos que se passam por torcedores" e "até quando?". As raras vozes dissonantes na mídia esportiva se perdem diante de tanto amadorismo, de tanta preguiça, de tanta falta de caráter. Os raros profissionais de comunicação que tentam ouvir os dois lados para transmitir ao público o que efetivamente aconteceu têm seus relatos soterrados por prados, nogueiras e quesadas.

Temos, pois, uma batalha covarde e desigual:

De um lado, a imprensa esportiva (indigente, acéfala e preguiçosa), o Choque, o MP, as demais autoridades constituídas e uma sociedade que vomita senso comum para palpitar sobre aquilo que desconhece por completo. E, no caso alviverde, a assim chamada diretoria executiva do clube.

De outro, os torcedores.

Até quando?, haverá de perguntar um indignado jornalista que há anos não pisa em uma arquibancada. Até quando?

Bom, até o dia em que a imprensa esportiva deixar de disseminar o discurso mentiroso de autoridades que classificam como "necessária" a conduta de atirar indiscriminadamente contra grupos heterogêneos de torcedores e transeuntes. Até o dia em que a imprensa esportiva entender que sua função é apurar e relatar os fatos, ao invés de distorcê-los em benefício de um senso comum baixo, rasteiro e covarde. Até o dia em que um jornalista engolir o "cenas lamentáveis" para ver com seus próprios olhos o que acontece em um estádio de futebol. Até o dia em que a imprensa esportiva deixar de ser o canal para promoção de promotores públicos (?) e criaturas semelhantes.

Ou, que não seja necessário, até o dia em que um desses tantos panfletários canalhas for vítima do despreparo desta corporação que é paga pela sociedade civil para protegê-la.

Se o Choque não sabe conviver em sociedade, a crônica esportiva só sabe alimentar mais e mais este comportamento quase assassino da corporação que deveria garantir a segurança de cada um de nós.

E, de nossa parte, o presidente Paulo Nobre e sua diretoria executiva (ou isso seria uma redundância?) deveria tomar vergonha na cara e, ao menos uma vez na vida, agir em defesa do maior patrimônio da Sociedade Esportiva Palmeiras. Do contrário, seguiremos com a nossa casa sendo perseguida por essa gente e com palmeirenses sendo agredidos de maneira covarde bem em frente ao nosso estádio.

Seja homem, Nobre! Tome uma atitude antes que seja tarde!

06 fevereiro 2015

Morreu o futebol

























2015, fevereiro, 5. Morreu o futebol.

Por ora, vou passar ao largo de qualquer análise sobre o estado falimentar de nossas autoridades constituídas. Tampouco vou abordar o recorrente abuso de poder que vem pautando as ações do senhor Paulo Castilho, este funcionário público que age movido por interesses outros. Nem mesmo mencionarei o papel da mídia esportiva nessa história. De imediato, vou me dedicar à vergonhosa participação do senhor Paulo Nobre, presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, neste crime contra o futebol.

Nobre é o menino mimado que vê o estádio Palestra Italia como seu brinquedinho e, como tal, quer decidir quem com ele pode ou não brincar. Nobre é aquele que, em só enxergando dinheiro à sua frente, age com todas as armas disponíveis para assegurar o que ele julga ser um bom negócio - ainda que isso signifique um atentado contra o esporte outrora popular.

Precificar, precificar, precificar!

Extorquir, extorquir, extorquir!


Elitizar, elitizar, elitizar!

O domingo que vem pela frente deveria ser um dia histórico. Deveria ser o dia em que voltaríamos a receber o maior rival em nossa casa depois de longos 39 anos. Deveria ser um capítulo marcante em meio aos quase 400 confrontos entre os dois maiores clubes da maior metrópole do hemisfério. Deveria ser um dia de festa por toda a cidade. De expectativa, de apreensão, de euforia.

Deveria ser tudo isso, e mais ainda. Mas Nobre não quis. Em sendo dele o brinquedinho, só ele pode brincar.

Isolado em seu mundinho apartado da realidade, Nobre segue cometendo desmandos à frente do Campeão do Século XX. Se há dinheiro em jogo, vale tudo - absolutamente tudo. Vale criar discursos fantasiosos, vale manipular a mídia (mas, afinal, o assessor gambá poderá ir ao jogo domingo?), vale até se associar ao inimigo número do nosso estádio, o promotor sobre o qual tanto já se falou por aqui.

Nobre, o menino mimado que arruinou nosso centenário, quer agora acabar também com o pouco que ainda resta deste futebol tão vilipendiado nos últimos anos. Extorquir o torcedor do clube que comanda parece ser pouco para o mandatário reeleito por 2.420 cúmplices, e então ele foi direto na alma do futebol. Foi o artífice de uma operação que, há anos arquitetada por uma corja maldita, encontrou no menino mimado a peça que faltava.

Morreu o futebol. E Nobre, o rentista miserável, só soube falar - em vexatória entrevista coletiva - em mais e mais cifrões. Ele não é do ramo, e disso sabemos todos. Mas é necessário apontar que são culpados por essa situação todos os 2.420 cúmplices que nele votaram. Todos os que nele votaram são responsáveis pelo crime ora cometido. Todos foram coniventes com os mandos e desmandos deste sujeito, com os preceitos elitistas, com os seguidos ataques à nossa torcida.

Domingo seria o dia de um grande Palmeiras x SCCP. O primeiro em nossa casa em 39 anos. Seria. Mas vai passar para a história como o dia de um atentado criminoso contra o maior de todos os clássicos. Um dia para envergonhar todos aqueles que vivemos o futebol. Um dia para envergonhar especialmente a coletividade alviverde, porque partiu de seu mandatário - e de seus 2.420 cúmplices - o tiro de misericórdia contra os que vivemos a arquibancada.

Mataram o futebol.

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_O jogo de ontem foi, possivelmente até o domingo próximo, o mais triste entre mais de 800 em pouco mais de duas décadas. Não pela derrota em si, tampouco pelo sofrimento para cruzar os portões da Matarazzo, mas pela triste constatação de que todas essas criaturas repugnantes venceram a luta contra o futebol. Malditos sejam!

04 fevereiro 2015

Quem paga a conta?

Cinco jogos foram disputados no novo Palestra Italia. Em dois deles, contra Atlético/PR e contra o time chinês, sequer tivemos setor visitante. Conta o Sport/PE, eles não se fizeram notar – e nem seria o caso, tendo em vista a comoção pela reinauguração do estádio. As duas últimas partidas foram disputadas contra clubes (?) desprovidos de torcida. Em resumo: não houve ainda uma experiência com torcidas visitantes no redivivo Palestra Italia. Isso vai acontecer muito em breve, e em dose dupla, com as torcidas de Ponte Preta e SCCP vindo à nossa casa em questão de três dias.

A presença desses visitantes no estádio seria, por si só, digna de registro, mas toda e qualquer análise que se queira fazer a esse respeito pode ser eclipsada pela insanidade do senhor Paulo Nobre e dos comparsas que respondem pela precificação dos ingressos no nosso estádio.

Que se faça aqui tal registro para antecipar, por ora, um ponto crucial da análise pormenorizada sobre o descolamento entre o preço dos ingressos no Palestra e a realidade.

De minha parte, devo dizer que sinto vergonha ao saber que a Sociedade Esportiva Palmeiras cobra R$ 200 de um torcedor visitante em jogos válidos pelas primeiras rodadas do Campeonato Paulista. Vergonha.

 Há três pontos relevantes aqui, ambos relativos à frágil argumentação segundo a qual o preço do ingresso daquele espaço deve ser o mesmo cobrado de quem fica no setor vizinho, no caso o Gol Sul:

# 1. Tal afirmação cai por terra quando se constata que, no sábado último, contra o Audax, cobrou-se R$ 200 pelo Setor Sul e R$ 60 pelo espaço ao lado, do visitante. É, portanto, questão de boa vontade. Mais que isso: de bom senso.

# 2. Ainda que se queira insistir com tal proposição, há que se considerar a inadequação do valor em si. R$ 200 por um setor atrás do gol? Em um jogo do Campeonato Paulista? Em que mundo vivem estes senhores?

# 3. É tão desconectada da realidade a precificação levada a cabo por Nobre que nem ele nem os seus parecem capazes de justificar a disparidade entre os R$ 60 (ou R$ 80) do Gol Norte e os R$ 200 do Gol Sul. Os mais incautos, os deslumbrados e os puramente mal intencionados poderão fazer pouco caso do assunto, como se nada fosse. Poderão fazer piadinhas até, como bem compete a certos defensores desta gestão que arruinou nosso centenário.

A verdade é que, por nunca terem ido a um estádio na condição de visitantes, são incapazes de entender as consequências por trás de tal conduta. Aponto duas delas:

# 1. Ao cobrar preços extorsivos pelos ingressos dos 2.000 torcedores visitantes, a gestão Nobre turbina um pouco mais a renda (ou não, se não houver lotação total), mas faz isso a um custo altíssimo, o da erosão completa do relacionamento institucional com outros clubes – o que, salvo honrosas exceções, não parece ser uma medida inteligente.

# 2. Conduta assim tão mesquinha não vai passar em branco, e a conta será paga não por Nobre nem pelos seus correligionários, mas pelo próprio Palmeiras, à medida que os clubes atingidos por esta decisão haverão de retaliar na mesma moeda: quando voltarmos ao Itaquerão, por exemplo, seremos agraciados por preços igualmente abusivos – no que terá razão o nosso rival. Em curto prazo, impõe-se um enorme sacrifício aos que vamos empurrar o clube pelo Brasil agora; em médio prazo, tem-se cenário ainda pior, com o alijamento de boa parte da torcida alviverde nas ocasiões em que o clube mais precisa dela.

É necessário debater a predatória precificação de ingressos no Palestra Italia. De imediato, Nobre e os seus precisam refletir sobre o mal que causarão à torcida alviverde – e ao clube – se insistirem com tão nefasta política contra as torcidas visitantes. Resolver isso, para além de urgente, é questão de bom senso e de educação.

Domingo está chegando, senhores. Será a primeira visita do SCCP ao nosso estádio em quase 40 anos. O clássico poderia ser a notícia. O embate (saudável e em paz) entre as torcidas, mais ainda. Mas Nobre, por mesquinharia, corre o risco de colocar o preço dos ingressos em primeiro plano. E a conta, vale reforçar, será paga muito em breve por cada um de nós.

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Voltarei ao tema.

10 dezembro 2014

Carta ao promotor

Sr. Dr. Paulo Castilho,

Assim, de início, um pouco de Chico Buarque para vossa excelência:

“Não é por estar na sua presença 
Meu prezado rapaz 
Mas você vai mal 
Mas vai mal demais” 

Eu bem gostaria de te escrever antes, no calor dos acontecimentos, mas há - eu nem sei bem como te dizer isso - quem precise trabalhar para ganhar a vida. Daí então que me manifesto apenas agora, alguns dias se passando desde o desserviço prestado pelo senhor servidor público na semana anterior.

Escrevo porque não pude deixar de notar os arroubos verborrágicos e os pronunciamentos estapafúrdios da última semana. Ninguém pôde. Se já vem de longa data vossa tendência a atacar o nosso estádio, a verdade é que dessa vez o senhor se superou. Se antes, voltando aos idos de 2006 ou de 2008, vossas imaginárias celeumas tentavam evitar que o Palmeiras pudesse mandar clássicos no seu estádio, eis que agora o senhor foi longe demais em sua obsessão por alguns (muitos) minutos de fama, fazendo ilações, criando cenários hipotéticos e atacando comportamentos inocentes.

Longe de mim fazer suposições sobre vossos interesses acerca da convocação de uma descabida coletiva de imprensa na última semana, mas fato é que o escarcéu foi tão grande (ainda maior que aquele do "barril de pólvora" de 2008) que não há quem seja capaz (não confundir as letras, ok?) de tomar como legítimas as suas proposições.

Primeiro porque, caro promotor, o ataque frontal a um comportamento estabelecido (o de nos reunirmos de maneira um tanto festiva antes de jogos disputados na nossa casa) em nada atenta contra a legislação estabelecida, conforme se pode depreender do parágrafo XVI do artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil: "todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente". Não à toa, sr. dr., o trecho acima consta do capítulo "Dos direitos e deveres individuais e coletivos".

Não resta dúvida, pois, sobre o quão descabido (pois sem amparo legal) foi o ataque feito pelo senhor, pertencendo mais ao terreno das vontades individuais ("Eu particularmente sou contra essa aglomeração", "Eu prezo por um entorno mais saudável", "Eu entendo que...", "Eu acho salutar...") e menos a uma defesa dos interesses públicos.

No mais, vossa proposição resvala em uma incoerência: se antes as críticas versavam sobre a necessidade de o estádio Palestra Italia se modernizar para atender aos requisitos de segurança de grandes eventos, eis que agora a arena que ali se ergueu foi pensada exatamente para se adequar a estes novos tempos. Das duas, uma: ou havia problemas antes, quando a praça esportiva era, sob a sua ótica, ultrapassada, ou há problemas agora, nesta era de arenas multiuso. Decida-se, pois.

À luz desta inadequação, fico aqui a imaginar, sr. dr., o que pensam vossos colegas promotores, procuradores e que tais sobre a performance da semana passada - que, na modestíssima análise deste que te escreve, beirou o ridículo. Fico a pensar comigo mesmo: seria o senhor, ali entre os seus, nos corredores da Riachuelo, motivo de escárnio, de uma quase comiseração? Ouviriam-se murmúrios, entre um café e outro, sobre o ocorrido? A conferir.

Você gosta de Chico Buarque, promotor?

Vai mais um trecho então:

“Eu não queria jogar confete
Mas tenho que dizer
Cê tá de lascar
Cê tá de doer”


Isso posto, devo dizer que, no domingo, nem mesmo a situação dramática dentro de campo impediu que cumpríssemos, fora dele, a nossa rotina. Enchemos a Turiassu. E a Caraibas. E a Diana. E a Tucuna. E todas as ruas adjacentes, paralelas, perpendiculares. Um mar verde. Com muita cerveja. Copos e mais copos foram erguidos em vossa homenagem. Garrafas foram derrubadas - no bom sentido. Amigos de longa data se encontraram, confraternizaram, lembraram de tempos idos. Celebramos, pois, a vida.

Não esperamos que o senhor, recluso em vossa incompreensão da felicidade alheia, vá entender isso. Nem queremos. Mas, para além de qualquer resposta aos absurdos preconceituosos que foram expressos em inexplicável coletiva de imprensa (ah, pobre mídia que ainda dá ouvidos a isso...) na semana passada, temos a dizer, pois, que nossos direitos não serão tomados, nem a partir das catacumbas do poder, nem a partir de qualquer outro âmbito.

Te asseguramos, ainda, que não aceitaremos ataques à nossa casa, à nossa gente, aos nossos espaços de convivência e à nossa cultura de torcedores de futebol. Resistiremos com todas as armas que nos estão disponíveis dentro da esfera legal. Entenda o seguinte, pretenso defensor da moral e dos bons costumes: não assistiremos passivamente à destruição da nossa identidade.

Vai mais um pouco de Chico, sr. dr.?

“Não sei se é pra ficar exultante
Meu querido rapaz
Mas aqui ninguém o aguenta mais”


Sugiro, pois, como se algum interesse tivesse em vê-lo feliz, que vossa excelência vá procurar o que fazer da vida. Até porque nenhum de nós aqui está muito preocupado com o que o senhor "acha que é salutar", com o que o senhor "preza" ou com o que o senhor "entende". Tampouco, senhor promotor público, contra aquilo a que o senhor é "particularmente contra". Inclusive porque, salvo engano de minha parte, vossos vencimentos de servidor público são regiamente pagos para que o senhor, a partir do necessário embasamento legal, defenda o bem público, e não vossos anseios mais particulares.

E fique tranquilo: se um dia resolver marcar uma festa na sua casa para vossos amigos (?), saiba que ninguém vai te incomodar. Nem mesmo os palmeirenses, porque cada um de nós vai estar aproveitando a própria vida sem pensar em como atormentar os outros.

25 novembro 2014

Um voto pelo Palmeiras

Caros associados da S.E. Palmeiras,

Aproxima-se o dia em que, pela primeira vez na história, o presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras será escolhido não mais por um grupelho tão nocivo à instituição, mas sim pelo conjunto de todos os seus associados. Discorrer sobre a importância desta mudança no processo eleitoral me parece desnecessário, mas, em nome do futuro de um Palmeiras gigante como em tempos idos, é o caso de tomar partido na contenda vindoura.

Temos, pois, duas candidaturas postas. Falemos sobre elas.

Comecemos pelo atual ocupante do cargo, aquele que atende por Paulo de Almeida Nobre. O que dizer dele?

Bom, ocorre que Nobre, se dotado de algum traço de decência, jamais teria se candidatado ao segundo mandato, optando por se recolher depois de dois anos de um fracasso retumbante e permitindo ao Palmeiras seguir em frente. Em tendo se decidido por tamanha irresponsabilidade – como efetivamente fez –, bastaria-lhe um resquício de hombridade para, ao se deparar com o cenário desolador a que nos levou, retirar a candidatura.

O fato de ir em frente com projeto tão nocivo ao clube – e de se portar de maneira omissa diante da crise eterna a que ele parece ter condenado o time de futebol profissional – diz muito a seu respeito. Se não, vejamos:

Paulo Nobre será lembrado, para todo o sempre, como aquele que, deliberadamente, arruinou o centenário do Campeão do Século XX. É a criatura que dizimou todas as nossas esperanças em um ano que deveria ser festivo. É o responsável por nos levar à beira do abismo logo no centésimo ano de uma história gloriosa. É aquele que quase impediu a nossa volta para casa e, ao final, fez dela uma noite de mais sofrimento nesta cansativa derrocada alviverde.

Nobre é o presidente dos dois anos sem patrocinador de camisa. É o mandatário que se escondeu atrás da falácia de austeridade para dilapidar as finanças do clube, asfixiando as fontes de receita e contraindo dívidas com um rentista que, no caso, é ele próprio. É o administrador (?) que jogou contra o patrimônio (o do clube, não o dele) ao insistir em um mantra derrotista (“não temos dinheiro, não temos dinheiro, não temos dinheiro”) desde o primeiro dia.

É ele o gestor (?) que se cercou de quadros tão questionáveis quanto possível – não nos esqueçamos, pois, dos bajuladores que ergueram nos braços o “#deusnobre” em mal explicada ida ao Mineirão durante a Copa do Mundo. É o sujeito que se deixou influenciar por uma corja de aduladores, que entregou a imagem do clube ao mais sujo dos inimigos, que assumiu compromisso com todos os erros possíveis e imagináveis. Fez isso não de maneira desavisada, pois alertas e ofertas de ajuda vieram de todas as partes, mas alternando doses cavalares de arrogância e covardia, quando não as duas juntas.

Nobre não é do ramo. Definitivamente. Para piorar, colocou como seu segundo um sujeito ultrapassado e que dedicou este último biênio a duas coisas apenas: amealhar uma fortuna mensal às nossas custas e presentear a nação palmeirense com suas risadinhas irônicas em pronunciamentos pós-derrotas.

Sua gestão foi ainda uma hecatombe do ponto de vista diplomático – na falta de termo melhor. Para além da reação bovina e subserviente diante das armações orquestradas por graúdos dirigentes rivais, faltou-lhe capacidade de relacionamento em todas as esferas: com a emissora de TV (no ano de seu centenário, o alviverde foi alijado da grade de transmissão), com a CBF, com a parceira que acaba de devolver o nosso estádio, com todo e qualquer ator envolvido no mundo e no submundo do futebol. 

Não contente com isso, ele foi também o mandatário que mais fez pelos processos de elitização e segregação da torcida alviverde. Se o primeiro ponto se deve a uma política de precificação equivocada e desconectada da realidade, o segundo tem relação direta com seu ego se sobrepondo aos interesses de toda a coletividade palestrina.

O presidente deste biênio perdido (mais um!) passará para a história como o homem que conseguiu desmontar time atrás de time em curtos intervalos de tempo. Será o responsável por fazer o Palmeiras perder quase todos os bons jogadores que teve, de maneiras as mais amadoras possíveis: trocas nunca explicadas, vendas forçadas, renovações contratuais desastrosas – sem que isso servisse para sanar as despesas do clube. Será ainda o gestor que tentou colocar jogadores contra a torcida como forma de justificar negociações tão nebulosas quanto danosas. E será, por mesquinharia e teimosia, aquele que fez o nosso melhor centroavante em anos pular o muro por algumas migalhas.

Sob Nobre, o alviverde imponente virou motivo de piada para torcidas as mais inexpressivas. Derrotas vexatórias se acumulam, jornadas desastrosas empurram o time para o fim da tabela, recordes negativos são quebrados, marcas construídas ao longo de um século vão sendo solapadas, um passado glorioso vai sendo destroçado. Fracassos que antes seriam encarados como eventos catastróficos são agora rotineiros, esquecidos antes mesmo da rodada seguinte. E é então que o palmeirense se pega tendo de torcer para seus grandes rivais contra equipes insignificantes. Neste 2014 interminável, vejam os senhores, perdemos o direito até de torcer contra nossos inimigos.

A verdade, associados palmeirenses, é que Paulo Nobre mostra bem o seu nível ao defender que Paulo Nobre continue à frente do clube por mais dois anos. Se tivesse doses mínimas de vergonha na cara e apreço pela Sociedade Esportiva Palmeiras, não permitiria que a instituição corresse tamanho risco.



Seria agora o momento de escrever sobre Pescarmona, o opositor no pleito do próximo dia 29. Seria. Mas a candidatura de Nobre é tão acintosa, tão irresponsável e tão desrespeitosa ao Palmeiras que nem me parece o caso de entrar nos pormenores da chapa oposicionista.

O Palmeiras, gigante Campeão do Século XX, não aguenta mais dois anos de uma gestão amadora, omissa e comprometida com o erro. O Palmeiras, imponente que ele só, pode vencer todos os seus inimigos. Mas isso deve começar pelos inimigos de dentro.

Vote 200!

Pelo Palmeiras de volta!
Pelo Palmeiras gigante!
Pelo Palmeiras!

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_Contribuição minha para o 3VV.

_Ainda que a ideia deste post estivesse na minha cabeça há tempos, o texto só foi sair mesmo lá no Couto Pereira, nos minutos seguintes à derrota vexatória que sofremos para o pequeno Coritiba - enquanto não podíamos deixar a cancha por determinação da PM. Jogado em um canto qualquer da segunda plateia, as palavras começaram a surgir - como nos velhos tempos deste blog - e eu já fui escrevendo no celular mesmo. Este verme chamado Paulo Nobre vai ter de pagar por todo o sofrimento imposto a cada um de nós.

20 novembro 2014

Para a posteridade

Que fique aqui registrado, para a posteridade, que o senhor Paulo de Almeida Nobre é o responsável por fazer a Sociedade Esportiva Palmeiras ir a campo, logo no retorno para casa, representada pelo mais fraco e incapaz time destes pouco mais de 100 anos de história.

Paulo Nobre, este câncer maldito que se apossou do gigante Campeão do Século XX, é o nome por trás de um Palmeiras que se apequenou na ambição, no planejamento e nos resultados.

Nobre, completo fracassado em tudo o que se aventurou a fazer em sua desprezível existência, é aquele a quem devemos, todos os milhões de palmeirenses, a dor e o sofrimento infindáveis deste centenário arruinado.

Escrevo agora, na madrugada encabulada pela capitulação vexatória do gigante da - e na - Pompéia, porque não me resta nada mais que não seja assegurar que este verme haverá de pagar por tudo isso.

A começar pelo fato, pois, de que será ele para sempre lembrado como a criatura que arruinou o centenário do maior campeão que este país já viu. Que não seja lembrado pela catástrofe que hoje parece tão iminente - porque a camisa haverá de nos redimir -, mas que seu nome fique guardado como o do verme que não permitiu ao palmeirense um dia sequer de paz neste ano que deveria ser de festa. Que seja amaldiçoado por fazer tão mal a tanta gente.

Peço desculpas a cada um de vocês, mas não tenho a menor condição de escrever qualquer coisa sobre o retorno ao nosso estádio. Paulo Nobre tirou tudo o que podia do palmeirense: o direito às vitórias, o direito a sonhar com as vitórias, o direito a se sentir em casa novamente, o direito até mesmo a torcer contra os nossos inimigos. Ao palmeirense não se permite mais um dia sequer de paz. Sequer um dia. Eles se sucedem, dias, semanas, meses, como um pesadelo contínuo, como uma caminhada tortuosa e torturante rumo ao inferno. De novo.

Se é verdade que mesmo os grandes esquadrões podem sucumbir diante de adversários inexpressivos, é ainda mais verdade que a gestão Nobre se encarregou de banalizar tanto esses fracassos que já nem conseguimos mensurar o tamanho deles. E se as derrotas em casa contra times pequenos vinham antes acompanhadas de um tom de lamentação pertinente a um tropeço inesperado, este Palmeiras vergonhoso do centenário já entra em campo derrotado. O que antes eram resultados que passavam para a história como episódios fortuitos em meio a trajetórias vitorias agora são resultados inapeláveis, como se fizessem parte de uma rotina da qual não conseguimos mais escapar.

E, ao contrário de gente que me envergonhou hoje com aplausos à renda do jogo (?!?!?!?!?!?!?!?!), eu não posso compactuar com tudo isso que aí está. Os que fizeram isso são tão culpados quanto o verme que se apossou da Sociedade Esportiva Palmeiras.

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_Peço desculpas novamente, mas realmente não consigo escrever nada sobre o retorno ao Palestra. Ele não merecia nada disso.
Se o centenário já fora arruinado ainda antes de começar, a volta para casa, tão sonhada e merecida, corre o risco de acontecer em meio a mais uma tragédia alviverde. O futuro com o qual temos sonhado desde julho de 2010 parece desmoronar aos poucos, antes mesmo de chegar. 
O palmeirense, atormentado, tenta olhar para o futuro, mas se vê preso a um presente infeliz, insuportável e que insiste em violentar, rodada após rodada, todo um passado vitorioso.

_Domingo, não me perguntem exatamente por que, estarei em Curitiba. Aos interessados (como se isso fosse possível), informo que é possível comprar ingressos para o setor visitante pelo Futebol Card. Sai por R$ 95 a inteira e R$ 47,50 a meia (com Itaucard).

_Os trechos em itálico foram retirados do post "Passado, presente e futuro", o último antes deste aqui. Abaixo, mais dois parágrafos:

O Palmeiras destes dias tão sombrios parece nem mais pertencer ao panteão dos grandes. Sob Nobre, o alviverde imponente virou motivo de piada para torcidas as mais inexpressivas. Derrotas vexatórias se acumulam, jornadas desastrosas jogam o clube para o fim da tabela, recordes negativos são quebrados, marcas construídas ao longo de um século vão sendo solapadas, um passado glorioso vai sendo destroçado. Fracassos que antes eram encarados como eventos catastróficos são agora rotineiros, esquecidos antes mesmo da rodada por vir.

Seja homem uma vez na vida, Paulo de Almeida Nobre: tome vergonha na cara e deixe o Palmeiras em paz! E leve junto toda a corja de aduladores e mais o lixo que você trouxe lá do nosso inimigo.