02 abril 2014

Insustentável

Derrotas, tanto quanto a arquibancada, formam caráter. As derrotas vividas na arquibancada, um tanto a mais.

Mas há derrotas e derrotas...

Poucas coisas na vida têm efeito tão devastador quanto o estampido que se ouve do outro lado, por ocasiāo do gol de um adversário em partida decisiva. O gol do outro é ofensivo, é chocante, é mesmo aterrorizante. O caráter de um torcedor vai se formar aí, e nāo tanto nas vitórias.

Ocorre, no entanto, que o Palmeiras da última década e meia, um esboço do gigante Campeāo do Século XX, tirou do seu torcedor até o direito de sofrer  com insucessos diante de adversários à altura.

O Palmeiras desses tempos tão sombrios perde tantas e tantas vezes diante de seu torcedor sem que ele possa mais ouvir o estrondo que sucede o gol de um outro grande. Nāo há mais o alarido do lado de lá, nāo há mais uma dor dilacerante, nāo há mais o impacto de um revés para um rival odiado. Não há mais a derrota que forma caráter; em vez disso, sentimos vergonha de um vexame atrás do outro.

Nāo há mais uma metade de arquibancada a nos lembrar do que estamos perdendo, nāo há mais o barulho tenebroso das hordas inimigas, nāo há sequer uma pequena massa de oponentes a comemorar na nossa casa. Há, isto sim, um silêncio ensurdecedor do lado de lá.

Porque este Palmeiras que se esmera ano após ano na arte das derrotas improváveis nāo sucumbe mais ante seus semelhantes. Este Palmeiras do novo século é superado por clubes menores e mais inexpressivos a cada temporada.

Se antes perdíamos e ganhávamos de flamengos, cruzeiros e grêmios ou mesmo de nossos rivais da província, eis que agora nem a isso podemos aspirar. Antes mesmo do embate contra um dos nossos, costuma vir um fracasso contra ninguém. Em casa, é evidente.

Sequer podemos falar em decisão com casa cheia, porque o espaço destinado ao visitante encontra-se constantemente vazio. Temos fracassado, senhores, diante de aberrações como este Ituano, com seu vergonhoso amontoado de algumas dezenas a conspurcar o setor lilás da cancha municipal. Perdemos, uma vez mais, para um time que não tem torcida, tampouco história.

As derrotas agora não mais formam caráter. Quando muito, o que elas devem formar é uma geração envergonhada, que se vai acostumando à rotina de derrotas improváveis e, de tão comuns, até previsíveis.

É insustentável.

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Breves consideraçōes:

_Vou me eximir de uma série de comentários que emergiram ainda no Pacaembu, mesmo antes de se concretizar a tragédia. Mas nāo posso me abster de um, que já é recorrente: o maldito cidadão que veste a camisa 19 não pode entrar em campo para "defender" o Palmeiras.

_De minha parte, eu sinceramente não credito à diretoria atual muita responsabilidade no que diz respeito à derrocada no Paulistāo. Mas a omissão diante disso e outros desarranjos na gestāo do alviverde não podem ser tolerados. São assuntos para outro post.

_Nāo, o blog nāo voltou. Mas, em nome da minha sanidade mental e como uma derrota dessas nāo pode ficar impune, este texto se fez necessário.

08 dezembro 2013

Forza Palestra, o espólio

Antes de tudo, é necessário registrar o devido agradecimento a todos os cento e tantos comentários de leitores do blog no post anterior, o mesmo se aplicando às dezenas centenas de mensagens que chegaram por Twitter, Facebook, e-mail, telefone ou mesmo pessoalmente. É uma enorme satisfação saber que o blog tinha assim tamanha relevância para um público tão expressivo.

Por difícil que seja, chegou o momento de, conforme prometido, entregar a segunda parte da despedida. Igualmente complicado é selecionar, entre quase 1.500 textos, aqueles que melhor traduzem o espírito do “Forza Palestra”. Tentei fazer isso, mas é certo que algumas contribuições relevantes terão escapado. Fica, portanto, aberto o espaço para as sugestões dos senhores. Com base no que vier, posso depois fazer os complementos no post mesmo.

Deixo-os, pois, com o espólio do “Forza Palestra”. Não saberia precisar se o que os senhores encontram a seguir é o que houve de melhor por aqui. Talvez seja, talvez não; certo mesmo é que trata-se, por fim, de um compilado dos princípios e ideias que esta página defendeu ao longo dos últimos anos. A saber:

"O país do futebol?" 
Porque o Brasil pode ser o país de muitas coisas, mas o futebol certamente não está entre elas. Esta série, que perdurou heroicamente durante todo o ano de 2011, teve 40 capítulos, com 287 vídeos (e 12 fotos) de 55 países: Alemanha, Argélia, Argentina, Áustria, Bélgica, Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Chile, Chipre, Colômbia, Coréia do Sul, Costa Rica, Croácia, Dinamarca, Egito, Equador, Escócia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Guatemala, Holanda, Honduras, Hungria, Índia, Inglaterra, Irã, Irlanda, Israel, Italia, Japão, Lituânia, Malásia, Malta, Marrocos, México, País de Gales, Paraguay, Peru, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia, Rússia, Sérvia, Suécia, Suíça, Turquia, Ucrânia e Uruguay. Há algumas indicações que eu reputo como memoráveis, mas são muitas, e seria por demais injusto fazer distinção entre elas. O resumo de tudo, com a respectiva indicação para cada capítulo, pode ser conferido neste link.

"Estadio Palestra Italia" 
Há uma série consolidada, "Turiassu, 1840", que recolheu memórias aqui e ali da nossa casa. Foram 20 capítulos e há pelo menos mais uma meia dúzia no campo das ideias - serão todos aproveitados no livro que está por vir. Há ainda uma infinidade de textos outros sobre a nossa casa, e eu procurei listar eles todos aí na barra lateral, na seção "Palestra Italia". De todas as reminiscências aí contidas, eu destacaria os capítulos 1, o 2, o 3, o 8 e, em especial, o 14.

Campanhas comentadas
Do Paulista/1993 à Copa do Brasil/2012, foram resenhadas algumas das principais campanhas do alviverde nas últimas duas décadas. O jogo a jogo, um pouco da conjuntura de cada período, os destaques, curiosidades, vídeos etc. Eram posts sempre muito trabalhosos, mas que traziam à tona ótimas lembranças. Também aí do lado.

Além das campanhas comentadas, houve posts voltados para um único jogo (ou gol), dos quais eu me permito destacar a vitória sobre o Guarani no Brasileiro/1994, gol mágico de Evair pelo Paulista/1992, as sextas-feiras de 1999, esta pintura de Edmundo e as breves homenagens a um valoroso jogador daqueles anos todos e a Oséas, um herói pouco lembrado.

À luta
Antes de cada jogo decisivo, era comum que este blog convocasse a torcida para a batalha que estava por vir. Das dezenas e dezenas de textos com esse teor, gostaria de colocar este aqui em evidência - e, na sequência, o pós-jogoEste aqui, antes de ir para a minha quarta e última despedida do estádio Olímpico, também vale muito a pena. O mesmo se aplica às convocação para as batalhas redentora de Barueri e do Couto Pereira, em 2012. Também a esta aqui, dias antes de seguir para Recife. E, entre infinitas possibilidades, os posts de antes e depois dos duelos pela Libertadores deste ano: este, para além de convocar a torcida para a batalha contra o Tijuana, tem o mérito de reunir todos os textos da fase de grupos e este outro traz o desfecho da nossa participação.

As grandes derrotas
Mesmo os retumbantes fracassos dos últimos tempos renderam posts que merecem a posteridade: este e mais este sobre o rebaixamento do último ano e três textos (1, 23) sobre a absurda perda da Sul-Americana/2010. O segundo em particular, "Uma torcida que não tem time", resume boa parte de nossas aflições recentes: "Resta saber até quando vamos confiar na grandeza do time e até quando vamos acreditar que seremos capazes novamente de pisar na cabeça dos times pequenos em vez de sofrer humilhações em casa." Via de regra, muitos dos textos anteriores e posteriores encerram a sensação de um Palmeiras habituado à arte das derrotas absurdas. Tipo isso aqui. Se quiserem, dá para buscar outros textos referentes a esses grandes vexames nos dias seguintes a cada jogo.

"On the road" 
Não que tenha sido propriamente uma série, mas foram muitos os textos sobre a experiência de ser um visitante (quase sempre indesejado) em canchas pelo Brasil afora - e por outros países também. De todos, eu destacaria o que deu origem à série, desde Porto Alegre. Mas há ainda um sem número de textos que cumpriram a mesma função ao longo dos anos. A mesma Porto Alegre, por exemplo, rendeu também outros dois grandes post, este e o da vitória por 2-0 na semifinal da Copa do Brasil de 2012. Que nos conduziu a Curitiba, palco de uma conquista inesquecível.
Outras recomendações: La PazSucre, Montevideo, Fortaleza, RomaMadridVerona/Bologna/Napoli/Amsterdam/Paris/Bruxelas, Pacaembu, Recife, Belo Horizonte, Avellaneda... sério, é melhor eu encerrar por aqui. Para quem quiser algo específico, basta procurar os dias seguintes às grandes vitórias (ou derrotas) fora de casa.

Pontos corridos, o refúgio dos covardes 
Sobre esta aberração que aflige o futebol brasileiro nesta última década (não é coincidência que o esporte tenha chegado ao estágio atual), escrevi uma série de posts. Vou aqui indicar estes quatro:
A desmoralização dos pontos corridos
Sobre pontos corridos e distorções
O que nós perdemos
Viva os pontos corridos

Como o assunto é regulamento, vale registrar a oposição à maldita regra do gol fora de casa. Em dois posts, aqui e aqui.

Argentina/Uruguay
Temática recorrente neste blog, o futebol dos países vizinhos rendeu muitos ótimos posts e mesmo matérias em outras publicações. Como estes três, originalmente escritos para o inestimável Impedimento:
Grandeza perdida em Caballito (sobre o Ferrocarril Oeste)
Dois velhos amigos e uma carta (do Centenario para o Maracanã)
O tempo, a história e a glória (sobre Ponte-Lanús)
Ou como a matéria que eu escrevi para a Placar em setembro de 2010 - e que rendeu, na sequência, um guia informal para quem os interessados uma maratona de futebol na capital argentina. Ou como esta outra matéria que a revista VIP publicou em fevereiro de 2013. Também como os 40 capítulos da série "O país do futebol?". E, por fim, um pouco da diferença de conduta das autoridades de cada país a epopeia da hinchada do San Lorenzo para "volver a Boedo".

Livros sobre futebol
Foram 21 indicações. Como este país confere pequeno destaque à literatura sobre futebol, boa parte é de obras internacionais. Gostaria de comentar outras tantas, mas faltou tempo. Para conferir os indicados, o caminho é o mesmo: a barra lateral.

"Geração Winning Eleven"
Esta ficou tão anacrônica quanto o nome, mas ainda diz muita coisa - e traz ótimos (não-)exemplos de como o futebol vai se fragilizando a cada nova investida dos canalhas que o pretendem transformar em "bizines". Foram oito capítulos (aí do lado), com temáticas distintas.

Maldita Rede Globo
Tantos foram os textos contra a maléfica rede de TV, mas, se eu tivesse de escolher apenas um, seria este aqui, um bem acabado retrato do mal que esta emissora causa ao futebol. Mas vocês bem podem ficar com este, este, este e mais este ou então com o clássico tributo a Eurico Miranda, que vai muito além ao explorar outras tantas características que tornam o ex-dirigente do Vasco uma figura tão injustiçada quanto saudosa do nosso futebol.

Princípios
São muitos, e estes posts cumpram um papel essencial no sentido de resumir parte expressiva das ideias e preceitos desta página:
Ruptura
Os princípios da arquibancada
Consciência de classe
Consciência de classe (agora sim!)
Sobre direitos adquiridos
Em pé
Resistência
Questão de caráter
"Basta con el Fair Play"
Missão cumprida

Defesa da arquibancada
Sempre foi a maior bandeira deste blog - e não se defendia apenas o nosso lado, mas o de qualquer torcedor da arquibancada. Muitos são os inimigos, e eu não me refiro necessariamente a gambás, bambis ou criaturas assemelhadas, até porque boa parte das batalhas se travou contra gente que eu me envergonho de qualificar como palmeirense. Se nomes eu tivesse de atribuir aos maiores inimigos desta página, eu colocaria o crápula Marco Polo Del Nero em posição de destaque - e, claro, Marin, Teixeira, Sanchez e demais asseclas e filhos da puta associados. Não muito atrás, os vagabundos todos do STJD e os promotores desocupados que tentam aparecer às custas do esporte. Também todos aqueles que tenham se portado como elitistas, defendendo uma ruptura do futebol com o seu caráter popular. O mesmo se aplica a quase todos os dirigentes que se fazem o Palmeiras se apequenar: da dupla de retardados Tirone/Frizzo aos covardes da austeridade - em comum entre eles todos, o descarado desrespeito ao torcedor. Nem preciso mencionar os velhos calhordas e decrépitos da Fifa e da CBF. Entre as cidades, Barueri/SP e Prudente/MS. Também a indigência da imprensa esportiva, os clubes itinerantes e/ou de empresários safados, o populismo gambá, os malditos árbitros (todos filhos da puta por definição que deveriam apanhar antes, durante e depois de cada jogo) e tudo aquilo que vem junto com o maldito "futebol moderno". São tantos inimigos e são tantas as causas defendidas por este blog que o que vem a seguir é um catadão de textos diversos:

STJD: por um futebol insuportável e Sobre vagabundos em geral
Sobre gestos e idiotas Os verdadeiros bandidos
O promotor e a coluna social e De novo o aprendiz de Capez
Nosso amigo, o promotor (traz um dossiê sobre o desocupado)
P.F.S.ROI*, Artigo 1º e Exército da austeridade e Media Training
A Libertadores terminou cedo e Compromisso com o erro
O inimigo está dentro de casa, partes 1, 2, 3 e 4 
"A burrice agora é pública"
Acomodados F.C., Acomodados F.C. (2) e Sobre a Pluri Consultoria
Pela extinção do palmeirense, A arte da incompetência e Amar é...
Como afastar o seu torcedor e A gestão Tirone em quatro atos
O desrespeito em números, Miopia e Uma torcida abandonada
O assalto em números, Política excludente e Carta aos dirigentes
Sobre desinteresse e omissão e A falta que um Eurico faz
Romário e a guerra perdida e Sobre preço de ingressos
Formalidades, Questão de vergonha na cara e Alma palestrina
O bandido do apito, O especialista e Da 1ª à última (sobre PCO)
O respeito ao torcedor e Diretoria x Torcida
A arquibancada vai resistir e O futebol precisa de Eurico
Repeteco (porque o debate sobre elitização vem de longe...)
Del Nero: fantoche do malsem almacensura, e invencionices
Fábrica de factóides A Copa, os leonores e o Padrão Fifa
Mais um pouco de história e Sem trégua
Avanti: 2009, 2009, 2010, 20102010, 2012, 2013 e 2013
Entrevista com o crápula Rogério Dezembro
O palmeirense exige respeito e Prejuízo e vergonha em números
Passar bem, Barueri, O risco Barueri, Barueri não! e mais Barueri
Prudente/MS, cidade abandonada e Migalhas do Pantanal
Burrice itinerante, Prudente nunca mais e Prudente, maldita seja!
Assassinos do Maracanã e Até a volta, Maracanã
Pobre Maracanã e Os criminosos de 2014
Monopólio do sofrimento e Sofrimento seletivo
Sobre a Fifa: são tantos, tão dispersos e tão variados que eu não teria como recomendar apenas alguns; se interesse tiverem, procurem no Google por "Forza Palestra" Fifa

Textos aleatórios (mas extremamente necessários)
Ao santo
Crônica de um país às avessas
Falência das instituições
Redskins Nation
A mentira azul
O despreparo das autoridades
Estas são as minhas escolhas - tenho plena convicção de que muita coisa ficou para trás, mas não vou conseguir recuperar o conteúdo de todos esses anos. Encerro, pois, por aqui.

É justo também entender o que mais despertou o interesse dos leitores do blog ao longo dos últimos sete anos. Abaixo, segue a relação dos posts que mais tiveram visitantes (chegando pela URL de cada post e não pelo endereço do blog):















À arquibancada!

19 novembro 2013

Forza Palestra, a despedida

“Barneschi, quando é que você vai escrever o seu livro?” 

Ouço essa pergunta há mais de década. Nunca pude responder adequadamente. É chegada a hora.

De abril/2006 a novembro/2013: ao longo de 91 meses, foram 1.478 posts, 26.915 comentários (além de, sei lá, uns 5.000 que tiveram de ser excluídos) e aproximadamente 1.650.000 visitas. Com uma audiência mais qualificada e engajada do que grandiosa (média de 22 mil leitores por mês e 9.125 seguidores no Twitter), o “Forza Palestra” (sem vírgula mesmo, questão de estilo) se despede agora.

Não pensem que é uma decisão fácil, mas um tanto mais difícil é manter, sozinho, este espaço durante todo esse tempo. Em especial quando se vê o futebol diante de ataques sucessivos, “endinheirados” e a cada dia mais desavergonhados. Porque não há um único dia em que o torcedor de futebol neste país não seja violentado por notícias mais e mais grotescas, com toda sorte de canalhas atacando o esporte que outrora foi a expressão máxima da cultura popular.

Chega uma hora que enche o saco e eu, feliz ou infelizmente, não sou pago para reagir a isso todo dia – se fosse, garanto que algumas figurinhas tétricas que aí estão teriam suas cabeças ainda mais pisoteadas do que acontece hoje.

A verdade, senhores, é a seguinte: com o passar dos anos, o blog foi se tornando mais um estorvo e menos uma válvula de escape. Virou mais uma obrigação autoimposta e menos uma fonte de realização pessoal. Tornou-se, por fim, mais um segundo trabalho (voluntário) e menos um espaço de desafogo.

Quando a coisa chega a esse ponto, é preciso repensar algumas situações. E é por isso que, depois de muita reflexão, faço uma escolha tão difícil quanto necessária. A bem da verdade, a decisão foi tomada há pelo menos dois meses, mas eu precisava esperar o retorno do Palmeiras para, sem o peso da Série B, dar fim à “operação desembarque” (boa parte dos últimos posts faziam parte de um estoque que eu precisava publicar antes do ponto final).

Este é o post 1/2 da despedida deste blog. O próximo, o 2/2, será, de certo modo, o cartão de visitas do que passa a ser este espaço: um repositório de conteúdo. Vou deixar lá, para os eventuais futuros visitantes e também para os de sempre, um compilado do que houve de mais simbólico e de melhor neste blog. Eu bem pensei em dar início agora a uma retrospectiva que me permitisse seguir com a página por mais um tempo, mas confesso já não ter a menor paciência para tanto. Fica mais fácil elencar em um único post parte do conteúdo que eu reputo como mais relevante.

Não que eu não vá sentir falta de poder escrever aqui, mas já não era saudável (se é que algum dia foi...) sair do estádio de madrugada, chegar em casa tarde e não poder dormir antes de cumprir a obrigação de colocar no ar o post do jogo. Como não era saudável ler o jornal todo santo dia e me sentir no dever de, a cada notícia, perder ainda mais tempo para retrucar a canalha que está matando o futebol. Não se trata apenas do tempo empreendido – que, por si só, já bastaria –, mas também do desgaste decorrente da inglória pretensão de salvar o futebol e das cobranças de todo tipo.

Daí então que era preciso adotar uma medida drástica. De nada resolveria uma resolução moderada, na linha "vou reduzir o número de posts". Porque aí persistiria a tentação de me posicionar contra tudo e contra todos, horas de descanso seriam dedicadas à tarefa de escrever sobre assuntos que deixariam de ser relevantes no dia seguinte e o blog seguiria me consumindo.

Eu bem sei que as ideias vão continuar surgindo a qualquer momento e em qualquer lugar: no Metrô, dirigindo, na academia, durante um jantar, mesmo no estádio, enquanto o Palmeiras joga. A diferença é que agora acaba o compromisso de ter de escrever e publicar esse conteúdo quase que imediatamente; vai tudo para o livro, enfim. Que me perdoem os entusiastas e mesmo os cretinos que infestam esses ambientes digitais, mas não pode haver espaço de maior prestígio.

Como os ataques reiterados ao futebol só devem diminuir depois da Copa/2014, o melhor a fazer de agora em diante é ir ao estádio e só. Chega de ler os cadernos de esporte, as colunas "especializadas", os blogs todos. Chega de ver imbecis falando besteira na TV, de discussões vazias no Twitter, de tudo aquilo que atrapalha o futebol. Não há, afinal, nada que venha daí capaz de sustentar o que sentimos pelo esporte; isso só se alcança na cancha.

Eis aqui o que interessa: estádios, Dissidenti e o livro que virá. É isso o que faz a diferença. Porque torcedor é aquele que gira a catraca.

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Aos inimigos, deixo meu agradecimento aos poucos que se fizeram dignos de tal honraria: os que entraram em debates infindáveis com argumentos sólidos e persistiram nas contestações com certo nível de embasamento. Agradeço mesmo a uns e outros anônimos que fizeram deste blog um lugar mais engraçado em dados momentos – não me refiro, é óbvio, àqueles que já traziam em seus comentários todos os argumentos em contrário. Reservo aos covardes, aos fracos que se escondem atrás de medidas austeras e aos indigentes intelectuais, todo o meu desprezo. Por fim, os elitistas, racistas e reacionários deveriam estar presos há tempos.

Aos visitantes que se fizeram presentes por esse tempo todo (ou em parte), agradeço pelas contribuições, críticas, correções, indicações, ideias e por tudo mais. Registro aqui meu obrigado a todos os que sempre fizeram questão de comentar no blog e também aos que se portaram apenas como leitores. Deixo uma mensagem especial àqueles todos que me encontravam em estádios Brasil afora e sempre apareciam com a pergunta “Você é o Barneschi do Forza Palestra?”.

Um abraço a todos vocês, de Goiânia/GO a Salvador/BA, de Recife/PE a Porto Alegre/RS, de Fortaleza/CE a Curitiba/PR, de Sucre/BOL a Montevideo/URU, de Belo Horizonte/MG a dezenas de cidades do interior paulista, de Londrina/PR às muitas canchas do Rio de Janeiro/RJ, de Presidente Prudente/MS a Varginha/MG, de Niterói/RJ a Volta Redonda/RJ, de São Caetano/SP ao Canindé, do Bruno Daniel ao Jd. Leonor, de 59 estádios pelo Brasil e pelo mundo, enfim. Do Palestra à cancha municipal!

Por fim, aos amigos: obrigado pelas tantas visitas, pelos comentários, por todas as formas de interação nessas tais redes sociais, pelos compartilhamentos, pelos elogios. Só consegui segurar esse projeto por tanto tempo porque vocês fizeram parte dele.

A todos, amigos e inimigos, conhecidos e desconhecidos: vocês sabem que poderão sempre me encontrar no estádio. Em todos os jogos em casa e em boa parte daqueles fora de casa, no Brasil e onde mais houver Palmeiras. Porque é a arquibancada que nos permite lutar pelo Palmeiras, é ela que distingue quem é de quem não é, é ela que forma caráter.

Missão cumprida.

À arquibancada, senhores!

16 novembro 2013

Acabou!

Enfim, o fim.

Alívio: é este o sentimento após outra tarde esquecível na cancha municipal. Não se trata do alívio que tantas vezes já sentimos depois de vitórias sofridas e heroicas, mas o que decorre da certeza de podermos enfim nos despedir deste lugar ao qual não pertencemos.

Acabou a tormenta e, de agora em diante, não mais ficaremos com aquela sensação de vergonha diante da fatídica pergunta: "Contra quem o Palmeiras joga hoje?". Não, não mais pronunciaremos timidamente o nome dos Guaratinguetás, BOAS, ASAS e Américas da vida. O Palmeiras está de volta ao seu lugar, e não mais teremos essas tardes modorrentas, jogando contra ninguém.

O Palmeiras voltou (uma vez mais), cumpriu seu papel e é só. Nada mais, e fizemos bem os que deixamos o Pacaembu em silêncio - respeito os que comemoraram, mas não vejo motivos para tanto.

Vejam os senhores que cumprimos esta insuportável temporada de 38 rodadas quase que de maneira itinerante - serão, ao final, 12 jogos na capital paulista e 26 fora daqui. Como o nobre e austero presidente resolveu que era o caso de, à la Portuguesa, vender um mando de campo e antecipar o fim da participação alviverde diante de sua torcida, eis que eu me despeço por aqui.

Que não nos envergonhem no ano do centenário!

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Os senhores devem se lembrar que eu publiquei, há não muito tempo, um levantamento sobre a boa performance no Pacaembu neste 2013 que acaba de chegar ao fim. Pois é o caso agora de atualizar os números da melhor campanha do alviverde no seu estádio (antes o Palestra e mais recentemente o Pacaembu) desde 1996:

O Palmeiras no Pacaembu em 2013:
28 jogos
20 vitórias
6 empates
2 derrotas (2-3 Penapolense e 1-2 Tijuana)
53 gols pró
17 gols contra (apenas 0,60 por partida)

Portanto, senhores, se tiveram algum mérito este insuportável 2013 e também a nossa diretoria, este é o fato de termos enfim assumido a cancha municipal como casa.

Em que pesem todas as relativizações já feitas no post com os números todos (este aqui), não se pode negar que o time adotou o Pacaembu como casa e que se impôs como dele se deveria esperar. Considerando apenas os jogos válidos pela Série B na capital paulista, foram nove vitórias e três empates. Além da invencibilidade, há que se ressaltar que a defesa, depois de um início titubeante, se acertou: foram apenas seis gols sofridos em 12 partidas.

Por falar em defesa, se levarmos em conta também a Copa do Brasil, o Verdão levou apenas um gol nas últimas oito vezes que foi a campo diante do seu torcedor. Vejamos:

Palmeiras 1-0 Atlético/PR
Palmeiras 0-0 Chapecoense/SC
Palmeiras 3-0 ASA/AL
Palmeiras 2-1 Ixpót/PE
Palmeiras 0-0 América/RN
Palmeira 0-0 São Caetano/SP
Palmeira 3-0 Joinville/SC
Palmeiras 3-0 BOA/MG

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Até nunca mais, Série B maldita! Acabou!

15 novembro 2013

Projeto A.P.D.*

Primeiro Belluzzo, depois a dupla de retardados Tirone/Frizzo e, por fim, os austeros presidente e CEO. Há, entre os dirigentes recentes da Sociedade Esportiva Palmeiras, um estranho fetiche pelo estado do Mato Grosso do Sul: insistiram por anos e anos com a aberração Presidente Prudente/MS para agora, desferindo um duro golpe em uma torcida já tão maltratada, confirmarem que o gigante Palmeiras vendeu um mando de campo e vai fazer a sua última partida de 2013 como mandante em Campo Grande/MS.

Anotem aí: "venda de mando de campo". O Palmeiras virou um clube itinerante por migalhas do Pantanal e pela covardia inerente aos senhores Nobre, Brunoro e demais asseclas.

A gestão que aí está é uma vergonha para toda a coletividade palestrina. E todos que defendem esta corja de incompetentes, inaptos e despreparados são cúmplices.

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*Porque vender mando de campo (ainda mais por meia dúzia de dinheiros) é o que se espera de um clube como a Associação Portuguesa de Desportos. Com todo o respeito ao time do Canindé.

12 novembro 2013

América, 1998-2001

Foram três anos de uma supremacia continental que se ensaiou, sem se concretizar. Entre o segundo semestre de 1998 e a primeira metade de 2001, o Palmeiras disputou seis competições continentais (três Libertadores e três Copas Mercosul), chegando a cinco finais e parando em uma semifinal exatamente na última delas e por interferência direta da arbitragem – e é curioso notar, anos depois, que foi preciso um roubo duplo (lá e aqui) para que o Palmeiras fosse alijado de sua sexta decisão continental na sequência.

Ainda que tenha ido tão longe assim tantas vezes, é forçoso observar que a hegemonia sul-americana ficou apenas no quase: foram, pois, dois títulos (os dois primeiros), três vices e uma semifinal.

Daí então que este post busca relembrar não necessariamente a conquista da Libertadores/1999 ou, isoladamente, quaisquer das outras campanhas pela América do Sul, mas sim a conjuntura que fez daqueles três anos um período em que o Palmeiras foi até a decisão de (quase) tudo o que disputou no continente.

Foi um período em que a torcida do Palmeiras aprendeu a torcer de maneira completamente distinta. Foi uma era (com o perdão do mau uso da palavra) em que o clube se inseriu no cenário internacional como nunca antes. Foram anos que dificilmente se repetirão... mas deles nunca nos esqueceremos - especialmente para os que vivemos aquilo tudo a partir da arquibancada.


COPA MERCOSUL/1998


A Copa Mercosul (1998-2001) foi o torneio intermediário entre a Copa Conmebol (1992-1999) e a Copa Sul-Americana (2002-2013). Com uma peculiaridade: ao contrário das demais competições, que reuniam os clubes de cada país com bom desempenho no ano anterior, não havia um critério técnico para a definição dos envolvidos na disputa: entravam os 20 principais clubes de Brasil, Argentina, Uruguay, Paraguay e Chile (daí o Mercosul). Os demais países da América do Sul (Colômbia, Peru, Equador, Bolívia e Venezuela) e mais alguns convidados das Américas Central e do Norte (Costa Rica, México e EUA) disputavam a Copa Merconorte.

Naquele 1998, o Brasil foi representado por Palmeiras/SP, SCCP/SP, SPFW/SP, Flamengo/RJ, Vasco/RJ, Cruzeiro/MG e Grêmio/RS. A Argentina se fez presente com os cinco grandes (Boca, River, Racing, Independiente e San Lorenzo) e mais o Vélez. O Chile entrou com três times, e Paraguay e Uruguay, com outros dois cada.

Os 20 gigantes do continente foram divididos em cinco grupos de quatro, com disputa interna em turno e returno. Avançaram os cinco campeões de cada chave e mais os três melhores segundos colocados. O sistema de disputa foi preservado nas quatro solitárias edições da Copa Mercosul - apenas com a alteração de alguns participantes.

1ª fase 
Palmeiras 2-1 Independiente/ARG
Nacional/URU 0-5 Palmeiras
Universidad de Chile/CHI 1-2 Palmeiras
Independiente/ARG 0-3 Palmeiras
Palmeiras 3-1 Nacional/URU
Palmeiras 1-0 Universidad de Chile/CHI

Quartas
Palmeiras 3-1 Boca Juniors/ARG
Boca Juniors/ARG 1-1 Palmeiras

Semifinal 
Palmeiras 2-0 Olimpia/PAR
Olimpia/PAR 0-1 Palmeiras

Final 
Cruzeiro/BRA 2-1 Palmeiras
Palmeiras 3-1 Cruzeiro/BRA
Palmeiras 1-0 Cruzeiro/BRA

Time-base: Velloso; Arce, Júnior Baiano, Cléber e Júnior; Roque Jr., Rogério, Alex e Zinho; Paulo Nunes e Oséas. Luiz Felipe Scolari.

O Verdão passeou na primeira fase (seis vitórias em seis jogos) e depois eliminou Boca e Olimpia em La Bombonera e depois no Defensores del Chaco. A final, contra o Cruzeiro, previa um playoff em três jogos: o alviverde sofreu sua primeira (e única) derrota no Mineirão, mas venceu os dois jogos seguintes no Palestra (nos dias 26 e 30 de dezembro daquele ano) para chegar ao título da Mercosul. Foram sete vitórias em sete duelos como mandante. Desses jogos todos, eu destaco, é claro, o gol de Arce na final - que pode também ser conferida na íntegra:




COPA LIBERTADORES/1999

Foi a última edição com apenas dois clubes de cada país – e, como era usual, eles disputavam o mesmo grupo contra agremiações conterrâneas (no caso, do Paraguay). O Vasco, terceiro brasileiro nesta edição, entrou já nas oitavas-de-final devido ao título de 1998.

1ª fase 
Palmeiras 1-0 SCCP/BRA
Cerro Porteño/PAR 2-5 Palmeiras
Olimpia/PAR 4-2 Palmeiras
Palmeiras 1-1 Olimpia/PAR
SCCP/BRA 2-1 Palmeiras
Palmeiras 2-1 Cerro Porteño/PAR

Oitavas
Palmeiras 1-1 Vasco/BRA
Vasco/BRA 2-4 Palmeiras

Quartas
Palmeiras 2-0 SCCP/BRA
SCCP/BRA 2(2)-0(4) Palmeiras

Semifinal
River Plate/ARG 1-0 Palmeiras
Palmeiras 3-0 River Plate/ARG

Final 
Deportivo Cali/COL 1-0 Palmeiras
Palmeiras 2(4)-1(3) Deportivo Cali/COL

Time-base: Marcos (Velloso); Arce, Júnior Baiano, Cléber e Júnior; Sampaio (Galeano), Roque Jr. (Rogério), Alex e Zinho; Paulo Nunes e Oséas (Evair). Luiz Felipe Scolari.

Falar sobre esta trajetória é até meio clichê, tamanha é a estima que temos por estes 14 jogos - apesar das cinco derrotas. Da arrancada com gol de Arce contra os gambás até o pênalti de Zapata, o palmeirense sofreu na medida exata, uma vez que as derrotas em solo estrangeiro eram compensadas com vitórias precisas no Palestra (ou no Jd. Leonor). Merecem destaque especial os 4-2 no Vasco em São Januário (depois de um tropeço em casa), com atuações monstruosas de Arce e Alex; os dois confrontos contra os gambás com decisão nos pênaltis, os 3-0 no River e, claro, a partida final. Disso tudo, vou recomendar o vídeo do triunfo contra o River, quando o Palmeiras se impôs como poucas vezes já fizera:




COPA MERCOSUL/1999

A mesma fórmula do ano anterior, mas agora repetindo o esquema que prevaleceu na Libertadores por muito tempo, com duplas de dois países em uma mesma chave.

1ª fase 
River Plate/ARG 3-3 Palmeiras
Palmeiras 7-0 Racing Club/ARG
Palmeiras 2-2 Cruzeiro/BRA
Palmeiras 3-0 River Plate/ARG
Racing Club/ARG 2-4 Palmeiras
Cruzeiro/BRA 3-0 Palmeiras

Quartas
Palmeiras 7-3 Cruzeiro/BRA
Cruzeiro/BRA 2-0 Palmeiras

Semifinal
San Lorenzo/ARG 1-0 Palmeiras
Palmeiras 3-0 San Lorenzo/ARG

Final
Flamengo/BRA 4-3 Palmeiras
Palmeiras 3-3 Flamengo/BRA

Time-base: Marcos; Arce, Júnior Baiano, Cléber e Júnior; Sampaio, Rogério, Alex e Zinho; Paulo Nunes e Oséas (Evair). Luiz Felipe Scolari.

Avançaram para a fase seguinte o Cruzeiro (16) e o Palmeiras (11). O Racing fez a pior campanha de sua história, com seis derrotas e 22 gols sofridos. Quis o destino que enfrentássemos logo o Cruzeiro, e um 7-3 em uma sexta-feira à noite no Palestra definiu a passagem para a semifinal. Diante do San Lorenzo, os dois jogos foram separados exatamente pela viagem até Tóquio, onde o Palmeiras disputou o Mundial de Clubes. Na final, um empate roubado nos minutos finais decretou a impossibilidade de o título ser decidido em um terceiro duelo. Em 12 jogos, foram 35 gols a favor e 23 contra (média de quase cinco por partida).

Eu deveria indicar o vídeo dos 3-0 sobre o San Lorenzo, até pela demonstração de carinho da torcida, mas não consigo deixar de destacar os 7-3 sobre os marias:




COPA LIBERTADORES/2000

Coube ao Palmeiras estrear o formato em que o campeão do ano anterior não tinha qualquer privilégio – e precisava disputar a fase de grupos. Com número variável de clubes por país (o Brasil preencheu suas quatro vagas com Palmeiras, SCCP/SP, Atlético/MG e Juventude/RS), a Libertadores passou a ter um novo regulamento.

1ª fase
Palmeiras 4-0 The Strongest/BOL
El Nacional/EQU 3-1 Palmeiras
Palmeiras 3-1 Juventude/BRA
The Strongest/BOL 4-2 Palmeiras
Palmeiras 4-1 El Nacional/EQU
Juventude/BRA 2-2 Palmeiras

Oitavas 
Peñarol/URU 2-0 Palmeiras
Palmeiras 3(3)-1(2) Peñarol/URU

Quartas 
Atlas/MEX 0-2 Palmeiras
Palmeiras 3-2 Atlas/MEX

Semifinal 
SCCP/BRA 4-3 Palmeiras
Palmeiras 3(5)-2(4) SCCP/BRA

Final 
Boca Juniors/ARG 2-2 Palmeiras
Palmeiras 0(2)-0(4) Boca Juniors/ARG

Time-base: Marcos; Arce, Argel, Roque Jr. e Júnior; Sampaio, Rogério, Galeano e Alex; Euller (Asprilla) e Pena (Marcelo Ramos). Luiz Felipe Scolari.

O Verdão passou pela primeira fase com uma campanha das mais irregulares, vencendo todos os duelos em casa por goleada e penando fora (incluindo uma recepção um tanto inamistosa em La Paz). Nas oitavas, contra o Peñarol, um duelo memorável – o vídeo será destacado a seguir. Depois, duas vitórias contra o mexicano Atlas, a épica batalha contra os gambás, Marcos x Marcelinho e, por fim, o vice contra o Boca diante de 72 mil pessoas no Jd. Leonor.




COPA MERCOSUL/2000

A mesma fórmula, apenas com a alteração de alguns clubes (os piores colocados de cada país foram substituídos por outros times).

1ª fase
Palmeiras 1-1 Universidad Católica/CHI
Independiente/ARG 1-2 Palmeiras
Palmeiras 0-2 Cruzeiro/BRA
Universidad Católica/CHI 1-3 Palmeiras
Palmeiras 2-0 Independiente/ARG
Cruzeiro/BRA 0-0 Palmeiras

Quartas 
Palmeiras 3-2 Cruzeiro/BRA
Cruzeiro/BRA 1-2 Palmeiras

Semifinal 
Palmeiras 4-1 Atlético/MG
Atlético/MG 0-2 Palmeiras

Final 
Vasco/BRA 2-0 Palmeiras
Palmeiras 1-0 Vasco/BRA
Palmeiras 3-4 Vasco/BRA

Time-base: Sérgio; Arce, Paulo Turra, Galeano e Tiago; Fernando, Galeano, Magrão e Juninho; Basílio e Tuta. Marco Aurélio.

Já sem Scolari, com um time horrível e em uma temporada de enorme superação, eis que tivemos o Cruzeiro novamente pela frente. Na fase de grupos, um tropeço em casa contra os mineiros (0-2) nos fez temer pelo pior, mas duas vitórias no returno e mais um empate sem gols no Mineirão bastaram para o Palmeiras avançar e pegar – novamente! – o Cruzeiro. Aí foi ainda mais fácil do que um ano antes: duas vitórias, cá e lá. Na semifinal, um 4-1 contra o Galo no jogo de ida (vídeo abaixo) fez o 2-0 em BH parecer quase um amistoso. Até que a final contra um Vasco que era muito superior colocou aquele time de Marco Aurélio no lugar: depois de uma derrota em São Januário e da reversão do resultado com um gol solitário de Nenem, o Palmeiras conseguiu ser a vítima de uma virada inacreditável – não vou entrar nos detalhes.




LIBERTADORES/2001

Seguimos com o mesmo regulamento do ano anterior. O Brasil foi representado por Palmeiras, Cruzeiro/MG, Vasco/RJ e São Caetano/SP.

1ª fase
Palmeiras 2-1 Universidad de Chile/CHI
Sport Boys/PER 1-4 Palmeiras
Cerro Porteño/PAR 0-0 Palmeiras
Palmeiras 3-0 Sport Boys/PER
Universidad de Chile/CHI 1-2 Palmeiras
Palmeiras 5-2 Cerro Porteño/PAR

Oitavas
São Caetano/BRA 1-0 Palmeiras
Palmeiras 1(5)-0(3) São Caetano/BRA

Quartas
Palmeiras 3-3 Cruzeiro/BRA
Cruzeiro/BRA 2(3)-2(4) Palmeiras

Semifinal
Boca Juniors/ARG 2-2 Palmeiras
Palmeiras 2(2)-2(3) Boca Juniors/ARG

Time-base: Marcos; Daniel, Alexandre, Leonardo e Felipe; Fernando (Magrão), Galeano, Alex e Lopes; Basilio (Muñoz) e Fábio Jr. (Tuta). Celso Roth.

À exceção do peruano Sport Boys, os adversários não eram assim tão fracos, mas o Palmeiras cravou uma campanha impecável na primeira fase: 16 pontos em 18 possíveis, com 16 gols pró e 5 contra. Em contrapartida, a equipe comandada por Celso Roth tropeçava vergonhosamente no Paulistão. Nas oitavas da Libertadores, um duríssimo duelo contra o São Caetano, com mais de 20 mil pagantes no Anacleto Campanella e uma vitória suada no Palestra: gol de Muñoz já no final e São Marcos nos salvando nas penalidades. Nas quartas, não poderia ser outro adversário: o Cruzeiro tinha muito mais time e decidia em casa. Para piorar, igualdade em 3 gols no Palestra (todos os gols de Lopes, com o alviverde sempre correndo atrás do marcador); em Belo Horizonte, diante de mais de 70 mil pessoas, o Verdão saiu atrás, empatou, tomou o segundo e foi buscar o empate já nos últimos instantes. Nos pênaltis, depois de uma série interminável, São Marcos e a sorte nos carregaram à semifinal. Contra o Boca. E aí, senhores, não havia sorte que pudesse compensar os assaltos de que fomos vítimas em Buenos Aires e depois em SP.

Destes todos, eu não posso deixar de colocar em evidência o post do triunfo nos pênaltis no Mineirão. O vídeo abaixo é mais do que necessário, mas, para quem se interessar, fica aqui a indicação de um post exclusivo sobre este jogo e sobre a Libertadores/2001.



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Isso posto, gostaria apenas de trazer à tona alguns números:

Campanha somada (da Mercosul/1998 à Libertadores/2001)

TOTAL
78 jogos
43 vitórias
17 empates
18 derrotas
168 gols pró
103 gols contra

EM CASA
40 jogos
30 vitórias
8 empates
2 derrotas
102 gols pró
42 gols contra

FORA
38 jogos
13 vitórias
9 empates
16 derrotas
66 gols pró
61 gols contra

Os números gerais são bastante favoráveis (43 vitórias, 17 empates e 18 derrotas e média superior a dois gols por jogo), mas o que impressiona mesmo é o desempenho em casa (quase sempre no Palestra e algumas poucas vezes no Jd. Leonor). Notem que foram 30 vitórias e 8 empates em 40 jogos, sendo que as duas únicas derrotas aconteceram em uma mesma edição, a Mercosul de 2000, para times brasileiros (um inconsequente 0-2 para o Cruzeiro na primeira fase e a incrível virada do Vasco na final).

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Por fim, e ampliando um pouco o olhar, vamos nos concentrar na profusão de mata-matas envolvendo Palmeiras e Cruzeiro entre 1998 e 2001. Vejam os senhores que o Palmeiras eliminou os marias em três edições seguidas da Copa Mercosul (1998-1999-2000) e completou o serviço na Libertadores de 2001 - quase sempre decidindo fora de casa. Como se não bastasse isso, tivemos ainda a Copa do Brasil/1998 e mais a Copa dos Campeões/2000. Foram seis classificações do alviverde contra apenas uma, injusta e bastante questionável, do time mineiro: o Brasileiro/1998. Segue:

Copa do Brasil/1998
Cruzeiro/MG 1-0 Palmeiras
Palmeiras 2-0 Cruzeiro/MG

Campeonato Brasileiro/1998
Cruzeiro/MG 2-1 Palmeiras
Palmeiras 2-1 Cruzeiro/MG
Palmeiras 2-3 Cruzeiro/MG

Copa Mercosul/1998
Cruzeiro/BRA 2-1 Palmeiras
Palmeiras 3-1 Cruzeiro/BRA
Palmeiras 1-0 Cruzeiro/BRA

Copa Mercosul/1999
Palmeiras 7-3 Cruzeiro/BRA
Cruzeiro/BRA 2-0 Palmeiras

Copa dos Campeões/2000
Palmeiras 3-1 Cruzeiro/MG
Cruzeiro/MG 1-1 Palmeiras

Copa Mercosul/2000
Palmeiras 3-2 Cruzeiro/BRA
Cruzeiro/BRA 1-2 Palmeiras

Copa Libertadores/2001
Palmeiras 3-3 Cruzeiro/BRA
Cruzeiro/BRA 2(3)-2(4) Palmeiras

10 novembro 2013

O que fazer com os pontos corridos?

Eu poderia aqui apresentar mais um tratado entre os tantos que já escrevi sobre esta maldição que atende pelo nome de "pontos corridos". Acontece que já não tenho mais paciência para tanto, e então vou apenas recomendar alguns posts: 12 e 3.

E eu bem poderia pisar na cabeça de Juca Kfouri, o ignóbil que produziu um texto indigente esta semana para tentar novamente desfraldar a bandeira da "justiça dos pontos corridos". Não será preciso; deixo, pois, que a pobreza de seus argumentos resolva a parada sem a minha intervenção.

Mas não posso encerrar este sucinto e já pouco interessado post sem fazer a seguinte constatação: o Palmeiras pode assegurar o título da Série B na próxima terça-feira no vestiário, antes mesmo de ir a campo. Não que a conquista em si tenha alguma relevância, mas é forçoso observar que um título pode ser definido não com um gol salvador, com uma falha grotesca ou mesmo por força de uma retranca insuperável; o título pode ser obtido - e é bem provável que seja assim - com o time no vestiário, em pleno aquecimento para ir a campo em um jogo que já não terá qualquer validade.

Parabéns a todos os envolvidos.
Já que vocês lutaram tanto pela "justiça no futebol", façam, pois, o favor de enfiar os pontos corridos no cu!

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Sobre o jogo de ontem à tarde no Pacaembu, não há muito o que dizer, mas eu me sinto meio no dever de fazer uma pergunta a uns e outros que estavam ali no setor verde e que resolveram que era o caso de xingar a principal torcida organizada do clube: o que há de errado no grito "Não é mole não, a Série B não é mais do que obrigação"? Por favor, aguardo uma resposta dos senhores.

08 novembro 2013

"Dança dos deuses"





















Vale aqui o mesmo raciocínio da última indicação de livro: li faz muito tempo e gostei, mas estou sem tempo para a releitura agora. Como a ideia desta série é compartilhar dicas de leitura (e como são tão poucos os bons livros sobre futebol), deixo apenas a indicação e também a sinopse que presumo ser a oficial:

"No Brasil, o futebol é bastante jogado, mas insuficientemente estudado. Esta constatação estimulou o medievalista Hilário Franco Júnior a empreender uma abrangente viagem em torno do tema. Este livro está dividido em duas partes, uma histórica e outra de viés analítico. Do ponto de vista histórico, o autor mostra como o futebol não pode ser dissociado da história geral das civilizações. Exemplo eloquente encontra-se na lógica da sua propagação e rejeição, a partir da Inglaterra, tendo sido bem aceito nos países que sofriam forte influência cultural inglesa, mas nunca devidamente incorporado em países que constituíram o império, como Austrália e Canadá. A própria evolução das regras e das táticas do esporte respondeu, é fato, a necessidades específicas do jogo, mas também só pode ser entendida em contextos de adaptação do futebol às mudanças no mundo. Na segunda parte, o autor procura investigar o esporte como metáfora sociológica, antropológica, religiosa, psicológica e linguística. Os leitores são levados a pensar, por exemplo, sobre os diferentes usos políticos da modalidade, seja por regimes autoritários ou democráticos, tanto uns quanto outros sempre abraçados ao nacionalismo. A obra ainda convida a refletir sobre os sentidos ocultos em toda a ritualização do mundo esportivo, nos nomes dos times, nas cores das camisas, nos escudos, e ainda recorre a Freud para examinar a fascinação que o esporte exerce."

Onde comprar: aqui, aqui, aqui ou aqui.

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Os jornalistas entenderão: este era um "post de gaveta" e, acreditem, já passa da hora de desovar o estoque.

07 novembro 2013

O inimigo está dentro de casa (4)

Antes de tudo, conferir este e mais este post. Na sequência, fiquem com mais um posicionamento oficial do Dissidenti:

No dia 3 de outubro, o Dissidenti publicou uma carta de repúdio ao comportamento do autointitulado diretor de comunicação da Sociedade Esportiva Palmeiras, o gambá Fernando Mello. Questionávamos – e isso ainda persiste – a mentira, a calúnia e a desfaçatez de um profissional remunerado da SEP que ataca quadros importantíssimos do nosso clube e da imprensa e depois se esconde na mais vagabunda das desculpas, nas trevas de um fantasioso perfil falso passando-se pelo próprio. 

Pois regressamos ao tema com pesar: não houve sequer um pedido de desculpas, nem explicações, por parte do funcionário ou do clube. Não houve nenhuma justificativa, nem mesmo a tentativa de manutenção da honra deste profissional de gosto duvidoso, uma vez que se arvorara em uma manobra escusa de “inimigos” para explicar o ocorrido. Tivemos apenas o silêncio como resposta, vez ou outra quebrado por vozes do baixo clero da gestão atual a defendê-lo. Mais: houve quem colocasse à prova a veracidade dos fatos subscritos aqui por mais de 30 Palmeirenses de alma, sangue e doação ao clube. E houve ainda quem levantasse hipóteses das mais absurdas, acusando Palmeirenses de terem criado o perfil falso apenas para abalar o trabalho profissional do sujeito –ou mesmo desestabilizar o clube por razões políticas.

Agora que o Palmeiras já está de volta à Série A e o título é iminente, acreditamos que seja a hora de passar a limpo esta história, de uma vez por todas, sem que os defensores do sujeito utilizem o expediente da nossa condição esportiva para afastar a bola mais uma vez. 

O Dissidenti que, não nos custa lembrar, não é grupo político, muito menos chapa para a eleição, afirma categoricamente que o perfil do Twitter que causou tamanha rebelião em nossas fileiras pertence a Fernando Mello. E que o profissional, posteriormente, mentiu sobre isso, dizendo que não era seu. 

Tanto falam em profissionalismo, como se fosse um mantra que depois de repetido por alguns meses e anos milagrosamente trará taças a galope ao clube, que parecem se esquecer do torcedor. Porque deste parece só interessar o dinheiro, seja nos ingressos com preço de Série A para Série B, seja na contagem do sócio torcedor. O respeito pelo maior patrimônio do clube vai ficando por este tortuoso caminho do planejamento, da austeridade e do profissionalismo. O amor ao Palmeiras, em breve, será vendido em kits festivos nas lojas oficiais do clube e poderemos comprá-lo, assim como fez nosso rei da comunicação, assegurando o direito de ser um torcedor moderno. Até lá, nos resta apenas lamentar que o profissionalismo vociferado não sirva quando é preciso cortar da própria carne. 

Que os Palmeirenses estejam conosco.

05 novembro 2013

8-0, 80

"Remember, remember, the 5th of november..."

Ok, eu sei que o filme e a citação nada têm a ver com o episódio que nos interessa, mas vale mesmo assim. Porque é necessário, 80 anos depois, fazer uma breve homenagem aos heróis palestrinos que impuseram ao SCCP a maior goleada na quase centenária história do maior clássico deste país: 8 a 0.

Deixo-os, pois, com o especial publicado pelo jornal Agora no último domingo e, ao final, com o link para a cobertura mais do que detalhada do site Palestrinos, do mestre Ezequiel.



Tudo sobre o 8-0 de 1933 no site Palestrinos.

03 novembro 2013

Acaba logo, 2013















Neste modorrento final de 2013 em que só o que importa é o planejamento para o centenário, eu me permito já entrar em ritmo de férias no que diz respeito ao futebol. Porque o objetivo principal já foi alcançado e tudo o que vem agora diz respeito apenas à obrigação de estar ao lado do Palmeiras - mas sem o sofrimento inerente a ter de conquistar alguma coisa dentro de campo. E é por isso, senhores, que eu me permito voltar de Curitiba não irritado com o desempenho do time, mas com uma relativa satisfação por buscar um empate nos minutos finais que, se não chega a ser bom, ao menos serviu para atrapalhar a vida de um adversário - ainda que dos menos importantes. Sei que é muito pouco para um gigante como o Palmeiras, mas não estamos em condições de exigir muito mais do time que aí está; as cobranças devem vir mesmo em 2014.

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Falta tempo para uma análise detalhada e então eu vou resumir assim: o Durival Britto e Silva, que eu não conhecia até este sábado, oferece uma das piores condições para a torcida visitante do lado de dentro do estádio - e uma das melhores do lado de fora.

01 novembro 2013

Perda de mandos

Em função do último post, este blog foi punido pelo STJD com a perda de dois mandos de campo. Não vou recorrer (é uma honra ser punido por esta corja de vagabundos) e ainda não decidi onde vou cumprir a pena, mas já rechacei de imediato uma proposta do prefeitinho de Presidente Prudente/MS.

Antes disso, no entanto, sigo para Curitiba/PR, onde o Palmeiras vai a campo uma vez mais. Até a volta.

29 outubro 2013

STJD/2013: por um futebol insuportável

Paulo Schmitt, este notório e deveras ocupado personagem que se apresenta como procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), deve ter sido um daqueles moleques que passou toda a vida escolar denunciando os colegas para os professores. Deve ter sido, desde os tempos idos do ensino fundamental, o dedo-duro, o alcaguete, o dedo de seta ou como quer que queiram chamá-lo – qualquer denominação é válida. Eis que o menino cresceu e, hoje revestido de um poder sem precedentes, virou o delator-mor do futebol brasileiro.

Tanto poder trouxe efeitos colaterais para o procurador-geral. Dizem que logo cedo, ainda antes de acordar, o estimado jurista tem balbuciado palavras que, de início incompreensíveis, foram sendo decodificadas por pessoas próximas como sendo a sua sentença-padrão: “Vou solicitar as imagens para oferecer a denúncia ao Tribunal”. Que imagens? Que denúncia? Que tribunal?

Ora, ora, pouco importa, senhores. Importa, isso sim, que nada mais acontece neste decrépito futebol brasileiro sem que o menino alcaguete Schmitt se apresente como o bastião da moral e dos bons costumes, sem que venha apresentar denúncias descabidas, sem que venha exigir, de antemão, providências contra torcidas, clubes, jogadores, técnicos, dirigentes e demais personagens.

Mas Schmitt não está sozinho. Longe disso. Em sua cruzada destemida em defesa da moral e dos bons costumes, o menino alcaguete tem como parceiro o presidente do órgão: Flávio Zveiter, o jovem sucessor de uma família de tão inestimáveis serviços prestados ao futebol brasileiro (foi seu pai, Luiz, o responsável pelos 11 jogos anulados do Brasileiro/2005). O menino Zveiter, no entanto, é ainda mais repressor que papai Zveiter e titio Zveiter, figuras de notória passagem pelo referido tribunal. Sinal dos tempos, é claro.

Schmitt e Zveiter vem transformando o futebol brasileiro em algo insuportável. Não é de hoje, é bem verdade, mas 2013 tem sido um ano particularmente propício para os arroubos verborrágicos dos doutos expoentes do STJD. Não disponho dos números aqui, mas eles certamente comprovariam a afirmação a seguir: nunca antes foram registradas tantas e tão descompassadas punições contra clubes de futebol. Nunca houve tantas perdas de mando de campo e tantos atletas sendo punidos por atitudes supostamente contrárias à ética esportiva. Nunca houve, enfim, tamanha interferência de um órgão de burocratas boquirrotos no esporte que outrora se praticava apenas dentro das quatro linhas.

Isso tudo para não mencionar a evidente falta de critério em algumas decisões - a depender das agremiações envolvidas.

...

O quê? Tacaram um copo de água na cabeça do bandeirinha? Perda de um mando de campo! 

Como é que é? Meia dúzia de torcedores trocaram sopapos na arquibancada? Multa e menos dois jogos como mandante!

Eu escutei direito? Vândalos organizados e baderneiros entraram em confronto com os nobres, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque? Pois que joguem quatro vezes seguidas no interior! 


Ah, não diga isso! Resolveram não separar duas torcidas que se odeiam e os caras brigaram? Que marginais! Portões fechados pra os dois times! Ah, essa punição não está no Código? Bom, então que percam quatro mandos cada e não se fala mais nisso! 

Alô, Rizek? Vou bem, e você? E aí, vai fazer o que hoje à noite? (...) Como é? Ele forçou o terceiro amarelo e admitiu isso na entrevista? Vamos meter gancho nesse vagabundo! 

O que é que ele disse? Sério? Não posso aceitar essa manifestação desrespeitosa a este órgão tão essencial para o futebol! Vou solicitar as imagens para oferecer a denúncia ao Tribunal! 

...

Por obra de Schmitt e de Zveiter, por exemplo, a maior cidade do país quase não vai ter futebol neste final de temporada. Todos os seus times grandes vêm sendo punidos de maneira vazia e inconsequente sem que medidas práticas tenham sido tomadas – e sem que os verdadeiros culpados pelos incidentes tenham sido inquiridos.

Observem, senhores, que nada que vem do STJD tem caráter corretivo e/ou de efetiva punição para os responsáveis pelos atos (quaisquer que sejam eles). As medidas ora tomadas contra os clubes têm o efeito perverso de punir milhões de pessoas enquanto os poucos responsáveis diretos nada sofrem – e, via de regra, são até beneficiados, uma vez que podem encarar as viagens para terras longínquas sem que isso lhes cause grande contratempo.

O próprio Palmeiras passou um terço da Série B sem poder jogar na sua cidade. Foram duas penas por situações distintas, mas fato é que os envolvidos nos tais incidentes que provocaram a punição continuaram indo aos jogos em outras cidades e estados. Situação similar ocorre com o SCCP e com o SPFW – isso para não falar nos tantos clubes punidos Brasil fora. Aliás, não deve haver sequer um participante das divisões principais que tenha escapado da ensandecida cruzada dos senhores juristas.

Agem, o procurador-geral e o presidente do STJD, não com vistas a aplacar eventuais situações indesejadas, mas com foco exclusivo na punição pela punição. Um pouco porque gostam de aparecer (qual dessas proeminentes figuras do direito não gosta?) e outro tanto porque movidos por um irrefreável desejo de denunciar e punir por qualquer besteira. É coisa que vem de berço, sabem como é?

Calma, Schmitt, calma; logo mais você recebe as imagens para denunciar o próximo otário. E tudo segue como antes, rumo a um futebol a cada dia mais e mais insuportável...

28 outubro 2013

O Racing e o Promedio

O grande Racing Club de Avellaneda (conferir aqui) foi a Bahía Blanca nesta segunda-feira e bateu o time da casa, o Olimpo, por 1 a 0. E daí?, vocês haverão de perguntar.

Sei que parece irrelevante, mas fato é que foi a primeira vitória de La Academia na temporada 2013/2014. Até então, o Racing acumulava 2 empates e 10 derrotas no Torneo Inicial (com 3 gols marcados e 20 gols sofridos). Confiram:

Colón 1-1 Racing
Racing 0-3 San Lorenzo
Tigre 3-1 Racing
Racing 0-2 Arsenal
All Boys 1-0 Racing
Racing 1-1 Lanús
Boca Juniors 2-0 Racing
Racing 0-1 Newell´s Old Boys
Belgrano 3-0 Racing
Racing 0-1 Atletico Rafaela
Estudiantes 1-0 Racing
Racing 0-1 Vélez Sarsfield
Olimpo 0-1 Racing

A vitória redentora aconteceu logo contra o vice-lanterna, que segue com 11 pontos. O Racing foi a cinco (em 39 disputados) e terá de se superar para escapar da última posição.

A seguir, o que resta até o fim do Torneo Inicial (o primeiro turno):

Gimnasia-Racing
Racing-Argentinos
Quilmes-Racing
Racing-River Plate
Rosario-Racing
Racing-Godoy Cruz

Se fosse aqui no Brasil - e em qualquer outro lugar do mundo -, uma trajetória assim tão desastrosa significaria um rebaixamento iminente. Na Argentina, no entanto, um grande clube do Racing (e, a rigor, todos os demais) é protegido por um instrumento chamado "Promedio": o descenso de uma equipe só acontece em função de seguidas campanhas ruins. É simples: os pontos obtidos nos últimos três campeonatos (Inicial + Final) são somados e divididos pelo número de jogos disputados.

Como teve boas campanhas em 2011/2012 e 2012/2013, o Racing ocupa uma posição até confortável no Promedio atual. Basta voltar a vencer para evitar um rebaixamento agora. O problema é que um desempenho ruim agora o coloca em risco no próximo ano:

























Aguante, La Acadé!

27 outubro 2013

Enfim, o fim

Não há absolutamente nada que seja digno de comemoração - e foi bom até que a cancha municipal não tenha sido tomada por qualquer festejo depois do apito final. Há, isso sim, a simples constatação de que, 32 longas e extenuantes jornadas depois, estamos enfim livres do martírio da Série B. Com um desfecho um tanto frustrante, é bem verdade, mas estamos. Enfim.

Nem mesmo se pode falar em alívio - ao contrário de 2003 -, porque o acesso agora era questão de tempo e nada mais. Isso posto, tudo o que vier a acontecer nos seis próximos jogos pouco importa, uma vez que foi cumprido o duro dever imposto ao palmeirense neste esquecível 2013. A temporada poderia - e deveria - acabar agora mesmo, para só precisarmos pensar em futebol novamente no próximo ano.

De Norte a Sul, passou (e ainda vai passar) o Palmeiras por todas as regiões do país. Como se não bastassem os longos deslocamentos como visitante, fomos vítimas ainda de um desmoralizado tribunal, de tal forma que, na melhor das hipóteses, o Palmeiras vai encerrar esta Série B tendo disputado 13 jogos "em casa" e 25 (quase o dobro) fora de casa.

Foi longo, foi cansativo, foi desagradável. Foi cruel até. Os jogos desinteressantes às terças-feiras se multiplicavam e pareciam surgir na nossa tabela quase que semanalmente - como se precisássemos de um lembrete de tudo de ruim que fizeram ao Palmeiras nos últimos anos. A estes, se somavam os duelos deslocados nas sextas-feiras à noite, em horários tão infelizes quanto ofensivos, e os finais de semana que pareciam ter fim sempre antes da hora.

O acesso só poderia mesmo vir de um jeito nada inspirado, entre o tortuoso e o meramente irritante. Com torcida dividida, com a bola que insistiu em não entrar e, é evidente, com o filho da puta do apito esfregando em nossa cara a total e completa deficiência da S.E. Palmeiras quando se trata de se posicionar de maneira mais incisiva diante dos roubos que se colecionam por toda uma vida*.

Mas chegou ao fim.

Adeus, Série B. Até nunca mais.

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*Foi este, pois, o papel a que se prestou o filho da puta que atende pelo nome de Seneme. Depois de uma Série B em que o Palmeiras foi roubado a torto e a direito contra rivais inexpressivos e com requintes de crueldade em alguns casos (eu citaria, por exemplo, Ixpót/PE, Guaratinguetá/SP, Avaí/SC e ABC/RN), se fazia necessário um espetáculo como o que tivemos na tarde de ontem no Pacaembu. Foram dois pênaltis não assinalados, um deles marcado e desmarcado apenas para impedir uma conclusão do nosso atacante. Mas, é claro, sempre vai aparecer algum imbecil para dizer que "tem coisas que só acontecem ao Botafogo...". Nós bem sabemos.

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Se teve alguma serventia esta tarde de sábado na cancha municipal, esta foi o providencial empurrão para decretar mais um rebaixamento desta aberração chamada São Caetano.

Façam bom proveito da arquibancada a R$ 80 na Série C, seus putos de merda! Desapareçam para todo o sempre!