04 agosto 2011

BR/1997, campanha comentada

Já faz um tempo que escrevi um post dedicado à campanha do Palmeiras no Brasileirão/1994. Estavam lá todos os jogos, os comentários e mais alguns vídeos. Chegou a hora agora de destacar a campanha no Brasileirão/1997, o primeiro sob o comando de Felipão. Vice-campeonato à parte, foi uma competição que deixou para a torcida palmeirense um saldo bem positivo. E eu, por motivos particulares, tenho por aquele ano uma predileção toda especial.

Campeonato Brasileiro/1997
 

Talvez seja necessário lembrar que o 12 de junho de 1993 tinha acontecido apenas quatro anos antes. 1996, o ano anterior, teve aquele time inesquecível dos 102 gols e a rivalidade com o Grêmio era latente. O primeiro semestre de 1997 ficou marcado por eliminações traumáticas: em casa para o Santos no Rio-SP, três derrotas na fase final do Paulistão (1-4 para o SPFC, 0-2 para o SCCP e 0-4 para o Santos) e duas derrotas para o Flamengo na semifinal da Copa do Brasil (0-2 lá e 0-1 aqui, depois de Djalminha nos enterrar com uma expulsão cretina). Márcio Araújo caiu, o Palmeiras chegou a ser dirigido por Sebastião Lapola e então veio Felipão. 

Luiz Felipe Scolari estreou na Fonte Nova, na disputa da Taça Cidade de Salvador. O título foi conquistado já como prévia do que viria nos anos seguintes: na semifinal, empate em 2 a 2 com o Bahia e vitória nos pênaltis; na final, empate sem gols com o Flamengo e título nos pênaltis. O goleiro? Marcos. E sim, ele defendeu dois pênaltis! 

O título em Salvador veio em 3 de julho de 1997, uma quinta. A estreia de Felipão no Palestra Italia - e no Campeonato Brasileiro - aconteceu dois dias depois, 5 de julho de 1997, um sábado às 21h30!: 4 a 1 no Fluminense. O regulamento não era dos mais complexos. 26 clubes, jogaram todos contra todos em turno único (25 rodadas, portanto) e se classificaram para a fase final os oito primeiros - que é como deveria acontecer até hoje no futebol brasileiro, se não prevalecesse essa imbecilidade de pontos corridos.

1ª fase


Palmeiras 4 x 1 Fluminense/RJ - 3.306
 
Atlético/MG 0 x 1 Palmeiras - 22.324 
Palmeiras 1 x 1 Guarani/SP - 10.442 
Juventude/RS 2 x 1 Palmeiras - 1.978 
Palmeiras 4 x 0 América/RN - 9.927 
Palmeiras 3 x 1 Botafogo/RJ - 5.325 
Vitória/BA 1 x 2 Palmeiras - 10.567 
Paraná/PR 1 x 1 Palmeiras - 12.921 
Internacional/RS 2 x 1 Palmeiras - 31.477 
Palmeiras 4 x 0 Cruzeiro/MG - 12.212 
Palmeiras 0 x 1 Criciúma/SC - 8.419 
União São João/SP 0 x 0 Palmeiras - 1.834 
SPFC/SP 0 x 2 Palmeiras - 17.343 
Bragantino/SP 2 x 1 Palmeiras - 4.501 
Palmeiras 1 x 1 Bahia/BA - 4.213 
Palmeiras 5 x 0 Santos/SP - 14.849 
SCCP/SP 2 x 2 Palmeiras - 21.833 
Vasco/RJ 2 x 1 Palmeiras - 9.643 
Coritiba/PR 1 x 1 Palmeiras - 11.139 
Palmeiras 0 x 0 Portuguesa/SP - 13.511 
Flamengo/RJ 0 x 0 Palmeiras - 22.399 
Palmeiras 3 x 1 Atlético/PR - 7.194 
Palmeiras 5 x 1 Grêmio/RS - 16.124 
Palmeiras 3 x 3 Goiás/GO - 19.316 
Sport/PE 1 x 1 Palmeiras - 11.702 

Foi uma trajetória marcada pela irregularidade, com altos e baixos. Foram 10 vitórias, 10 empates e 5 derrotas (com 47 gols a favor e 24 contra), campanha que não foi assim tão boa quanto parece, em especial porque um campeonato com 26 clubes permitia a participação de alguns times bem fracos. O time-base: Velloso, Pimentel, Roque Jr., Cléber e Júnior; Rogério, Galeano, Alex e Zinho; Oséas e Viola. tínhamos ainda Nenem, Amaral, Marquinhos e Euller entre os que mais entravam no time. 

O Palmeiras alternou grandes momentos (5 a 0 no Santos, 2 a 0 no SPFC no Morumbi, 4 a 0 no Cruzeiro, 5 a 1 no Grêmio e vitórias fora de casa em Salvador e em BH) com algumas jornadas abaixo da crítica (culminando em uma série de cinco jogos sem vitória, já no sprint final). Resultado disso? Um modesto sétimo lugar: 

1. Vasco/RJ: 54 
2. Internacional/RS: 51 
3. Atlético/MG: 47 
4. Portuguesa/SP: 45 
5. Flamengo/RJ: 42 
6. Santos/SP: 41 
7. Palmeiras: 40 
8. Juventude/RS: 37 

2ª fase 

Oito avançaram para a fase final e se dividiram em dois grupos: 

Grupo A: Vasco/RJ, Portuguesa/RJ, Flamengo/RJ e Juventude/RS 
Grupo B: Internacional/RS, Atlético/MG, Santos/SP e Palmeiras 

No A, Portuguesa e Juventude fizeram figuração para que os cariocas lutassem pela vaga. A disputa teve como auge aquela atuação monstruosa de Edmundo, com três gols no 4 a 1 contra o Flamengo. O Vasco venceu quatro jogos, empatou dois e seguiu em frente. 

Quadrangular final - Grupo B 

Palmeiras 1 x 0 Internacional/RS - 26.162 
Santos/SP 3 x 3 Palmeiras - 33.795 
Atlético/MG 0 x 1 Palmeiras - 56.865 
Palmeiras 3 x 1 Atlético/MG - 37.855 
Palmeiras 1 x 0 Santos/SP - 20.770 
Internacional/RS 0 x 1 Palmeiras - 1.186 

Se o Vasco fez 14 pontos, o Palmeiras foi ainda mais perfeito. Largou vencendo o forte Internacional no Morumbi (gol de Viola, de cabeça, aos 5 minutos do segundo tempo). Empatou em três gols com o Santos (dois de Viola e um de Zinho) também no Morumbi. Aí matou a parada nos dois jogos intermediários, contra o Galo de Leão: 1 a 0 no Mineirão (com uma atuação épica de Velloso e gol de Euller) e 3 a 1 em SP (Rogério, Zinho e Euller). A vaga foi assegurada em uma quarta-feira à noite - a mesma em que o Vasco bateu o Flamengo por 4 a 1: o alviverde derrotou o Santos no Morumbi, com gol de Galeano (sim, Galeano!). Para completar, Felipão mandou um time reserva para o Beira-Rio e Wagner se encarregou de fazer o gol da nossa última vitória lá na cancha do Inter. 16 pontos em 18 possíveis! 

Final 

Palmeiras 0 x 0 Vasco/RJ - 54.243 
Vasco/RJ 0 x 0 Palmeiras - 89.900 

 A maioria (mesmo os mais jovens) deve se lembrar dos dois jogos desta final. O Palmeiras de Felipão foi melhor aqui em SP e também no Rio: encurralou o Vasco (que tinha um ataque com Edmundo e Evair), perdeu gols incríveis, Carlos Germano pegou tudo lá no Marcanã, Edmundo forçou a expulsão para depois ser julgado pelo escroto STJD e disputar a finalíssima no Rio (eram tempos negros, mas diferentes dos atuais), Eurico Miranda tripudiou da nossa diretoria, Felipão esbravejou pela primeira vez (foi expulso no primeiro jogo da final e também julgado pelo tribunalzinho). 

Não veio o título. Mas tínhamos Felipão. E saímos do Maracanã (fomos mais de 12 mil os palestrinos lá) com a cabeça erguida. 1998 estava por chegar. Vieram Paulo Nunes e Arce, o time ficou mais forte e anos gloriosos se seguiram. E pensar que tudo começou em uma noite fria de julho de 1997...

Campanha final 
33 jogos 
15 vitórias 
13 empates 
5 derrotas 
57 gols pró 
28 gols contra

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Vídeos daquela campanha: 

Palmeiras 4 x 1 Fluminense/RJ - 3.306 
 

Palmeiras 4 x 0 Cruzeiro/MG - 12.212 
 

Palmeiras 5 x 0 Santos/SP - 14.849
 

Palmeiras 5 x 1 Grêmio/RS - 16.124 
 

Santos/SP 3 x 3 Palmeiras - 33.795
 

Palmeiras 0 x 0 Vasco/RJ - 54.234
 

Vasco/RJ 0 x 0 Palmeiras - 89.900 

03 agosto 2011

Inflação recorde

2005, agosto. Com o Maracanã sendo estuprado em função do Pan/2007, o Fluminense recebe o Palmeiras em Volta Redonda. Por mais apagado que esteja o ingresso abaixo, peço que atentem para o preço da arquibancada do Estádio da Cidadania:



2011, julho. Seis anos depois. Com o Maracanã sendo assassinado em função da Copa/2014, o Fluminense recebe o Palmeiras novamente em Volta Redonda. O ingresso:



2005: R$ 5, arquibancada estudante (ou R$ 10 a inteira)
2011: R$ 20, arquibancada estudante (ou R$ 40 a inteira)

Seis anos e 300% de inflação. No mesmo período, o salário mínimo saltou de R$ 300 para R$ 545 (elevação de "apenas" 81,6%).

Alguém aí arrisca uma explicação?

01 agosto 2011

O país do futebol? (29)

Alemanha. Confesso que nunca dei muita atenção ao futebol de lá; sequer tenho um time pelo qual torcer. Mas aí esta série me permitiu acompanhar algumas das torcidas locais e eu me surpreendi, em especial porque eles conseguem torcer como poucos mesmo depois de uma Copa do Mundo que, sabemos bem, tende a violentar o futebol de quem a recebe. Os ultras locais já apareceram nas edições 2, 14 e 16, mas nunca com o devido destaque. É o caso agora de dedicação um capítulo apenas para os alemães. Vamos lá:

Vídeo 1: Festa da torcida do Borussia Dortmund em Munique:


Vídeo 2: Mais Borussia Dortmund. Pergunto: alguma torcida brasileira seria capaz de empurrar o time desse jeito?


Vídeo 3: Uma praça de Dortmund é tomada à meia-noite de 19 de dezembro de 2009. A torcida festeja o centenário do clube:


Vídeo 4: Ultras do Dortmund na estação de trem:


Vídeo 5: Os ultras do Fortuna Düsseldorf, de Düsseldorf, viajam até Duisburg para confronto contra o time local. Boas imagens da marcha até o estádio e do policiamento na Alemanha. Detalhe: são dois times que disputam a segunda divisão.


Vídeo 6: Mosaico do 1.FC Köln, por aqui conhecido como Colônia:


Vídeo 7: A torcida do Dynamo Dresden vai a Cottbus para um duelo contra o Energie Cottbus. Os ultras visitantes não se intimidam e fazem uma festa impressionante, com destaque para a sincronia na hora de pular. Coisa impensável em se tratando de Brasil:


Vídeo 8: Um recado para os nossos nobres e valorosos coxinhas e para o diligente promotor: deixem os sinalizadores em paz! A torcida do Dynamo Dresden sabe o que fazer com eles, e o vídeo abaixo tem o mérito de mostrar as imagens também de fora do estádio:


Vídeo 9: A torcida do Mainz canta uma música bem conhecida de todos nós (e o final deste vídeo é melhor que o começo):


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_Este capítulo não seria possível sem a contribuição do Felix Lukow, um alemão que viveu uns tempos aqui no Brasil (e escreve melhor que 99% da gente deste país) e me enviou uma série de sugestões sobre a luta dos alemães contra o futebol moderno.

31 julho 2011

Sobre números e imbecis

Ok, eu bem sei que o time alcançou a oitava vitória em oito jogos no Canindé este ano (com 20 gols a favor e 2 contra), mas a cancha da Portuguesa não é compatível com o tamanho do Palmeiras e de sua torcida. Não consigo aceitar que nossa diretoria de merda limite a pouco mais de 10 mil pagantes o nosso público em casa, ainda mais porque o time ocupa a quarta colocação e levou 33 mil pessoas no único jogo que disputou no Pacaembu - em uma quarta-feira de madrugada, diga-se de passagem.

Ao confirmar nossos jogos para o Canindé (incluindo o próximo, contra o Grêmio), a diretoria do Palmeiras assina um atestado de burrice, porque reduz a menos de um terço a capacidade total de público e faz isso baseada em uma mentira. A conta é paga pelo Palmeiras e pelo seu torcedor.

Dependendo do resultado que do próximo meio de semana, daria para esperar pelo menos 20 mil pagantes se o jogo contra o Grêmio fosse disputado no Pacaembu. Daria. Acontece que os imbecis Tirone e Frizzo confirmaram esta partida também para o Canindé, o que limita nosso público a cerca de 13 ou 14 mil pagantes. Um desrespeito contra o palmeirense, mais um.

Lembro ainda que todos os oito adversários que enfrentamos até aqui eram fraquíssimos. O Grêmio será o primeiro com um pouco mais de qualidade. Vamos ver o que acontece.

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_Boa vitória no sábado. O time vacilou duas vezes na defesa, mas teve força para encurralar o Atlético/MG e chegar aos três pontos. São seis vitórias e um empate em casa.

_Fez boa partida o camisa 10. Até que enfim.

_O 18 também teve bom desempenho. E eu não sou um dos maiores críticos do 21. Entendo que ele seria um reserva útil. Mas não aceito a presença do 29 no ataque.

_Tirando alguns imbecis aqui e ali, a torcida jogou junto com o time.

_Jogamos pela nossa honra na próxima quarta-feira.

_A torcida do Galo já foi melhor.

_Até quando vai essa porra de festa junina da Portuguesa?

_Nada do que eu escreva aqui é capaz de traduzir meu ódio pelos malditos que inventaram o horário das 21h de sábado!

29 julho 2011

Sábado, 21h!

Uma busca rápida pelos meus arquivos revelou os seguintes horários para jogos do Palmeiras nas últimas duas décadas:

Dias de semana (segunda a sexta)
14h45
15h30
16h
17h
17h30
18h
19h
19h30
20h
20h30
20h45
21h
21h10
21h30
21h40
21h45
21h50
22h
22h05

Final de semana (sábado e domingo)
11h
11h30
14h30
14h45
15h
15h30
16h
16h10
16h30
17h
17h30
18h
18h10
18h20
18h30
19h
19h15
19h30
20h
20h20
20h30
21h30
21h40
21h45

Difícil dizer qual é a maior aberração. Tem de tudo aí: jogos na madrugada (22h, 22h05), de manhã (11h de domingo), às 14h45 ou 16h em plena quarta-feira, às 19h30 de uma quarta-feira em Barueri, às 21h45 de um sábado, no domingo à noite. Tem pra todos os gostos, mas os vagabundos malditos da CBF e da maldita Rede Globo estão sempre se esforçando para piorar tudo. Eis então que seremos apresentados amanhã a um novo horário: sábado, 21h.

Parabéns a todos os putos responsáveis por isso! Vocês estão acabando com o futebol...

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Para piorar, nossa diretoria insiste em marcar os nossos jogos para o Canindé. Não apenas este, mas também o do outro sábado, contra o Grêmio (em um horário um pequeno menos ingrato, 18h30). É um desrespeito, em especial se levarmos em conta os fatos de o time estar bem classificado e ter levado 33 mil pagantes a seu último jogo em casa. Voltamos agora para um estádio que comporta apenas 14 ou 15 mil torcedores - que vergonha, que vergonha... - porque imbecis como Arnaldo Tirone e Roberto Frizzo são burros e enxergam uma economia mínima que na verdade não se concretiza. Putos!

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Ao Canindé!

27 julho 2011

Consumidores x torcedores

No Brasil e no exterior, empresas de todos os portes e segmentos buscam explorar o futebol atrás de retorno financeiro. A maioria faz isso de maneira predatória, sem considerar que o futebol tem uma cultura própria e sem respeitar o torcedor. Há empresas de fachada que obrigam um clube a mudar de nome ou de cidade. E mesmo grandes empresas, devidamente consolidadas em seus segmentos, acabam por tropeçar em investidas predatórias contra a cultura do esporte – lembro que só existe um esporte.

Tem empresa aí que lançou um clube e se viu obrigada a mudar o nome (que era o mesmo da empresa) devido ao boicote da mídia. Uma aberração que só não é tão grande quanto a tentativa de explicar a mudança, que normalmente caminha para a absurda lógica de comparar “torcedores” e “consumidores”. E aí vem uma argumentação construída à base de conceitos de branding, como se possível fosse conquistar novos torcedores/consumidores para o clube/marca.

Uma empresa busca consumidores. A lógica não se aplica ao futebol, como tantas vezes já demonstrado por este blog. Em sendo assim, deixo-os com um vídeo do grande Racing Club de Avellaneda, uma instituição centenária que, a julgar por alguns elementos de sua história, seria uma marca nada atrativa para seus "consumidores". Seria. Acontece que o Racing Club não é uma empresa e não se relaciona com consumidores; o Racing Club é um gigante com uma torcida apaixonada.



Por favor – e isso vale para todos os marqueteiros e empresários que resolverem um dia se aventurar no mundo do futebol –, não coloquem na mesma frase as palavras “torcedor” e “consumidor”. É um desrespeito. E não pensem os gênios do marketing esportivo que é possível criar novos “torcedores” a partir do nada. Não é. Não se cria nem se conquista um torcedor. É possível criar consumidores, mas não torcedores.

Futebol não é vôlei; futebol é coisa séria.

26 julho 2011

Sobre a MV

O penúltimo post rendeu uma série de manifestações sobre a Mancha Verde e questionamentos sobre o papel da entidade. Deixei para emitir minha opinião em um novo post:

Eu sou da Mancha há 12 anos - e tomo por base aqui a associação à entidade, com a carteirinha 1561, número baixo porque referente ao recadastramento pós-extinção das organizadas paulistanas. Mas sou mancha há mais tempo, pra mais de 15 anos, porque aí considero o período de dedicação à torcida na arquibancada. Já viajei o Brasil quase inteiro nas caravanas da torcida, conheço gente de todas as gerações, desfilo pela escola de samba todos os anos e estou sempre junto na arquibancada.

Até por isso tudo me sinto à vontade para eventualmente discordar de certas posições da MV nos dias de hoje.

Começo por dizer que sou amplamente favorável às torcidas organizadas, todas elas, desde que tenham um mínimo de representatividade numérica.

Sigo com algo que já apontei há poucos meses: tenho discordado da maioria das decisões recentes da entidade e, por vezes, não sinto minhas opiniões representadas por ela (tipo aqui). Vejo na Mancha desses dias - e em boa parte das outras organizadas paulistanas - uma certa crise de identidade, e me sinto agora pouco capacitado para explicar as razões disso. Uma tentativa de avançar em um diagnóstico mais preciso poderia me levar a cometer injustiças.

O tempo passa e às vezes não nos damos conta disso: notem os senhores que o período pós-extinção (1995-2011) já é mais representativo para a entidade Mancha Verde do que todo o período anterior (1983-1995). Não quero entrar em discussões filosóficas sobre isso, mas é algo que certamente deve trazer subsídios para qualquer análise que se pretenda mais embasada.

Não quero também entrar no mérito dos protestos contra alguns jogadores do atual elenco ou de qualquer outra situação que tenha provocado divergências em outros setores da torcida palmeirense. Já disse que discordo da atitude tomada em Volta Redonda, mas entendo como legítimo o direito de a torcida protestar contra o que julga equivocado no time ou no clube. E é legítimo porque se trata a Mancha Verde da voz mais ativa que temos na arquibancada.

Discordo da posição adotada, mas defendo o direito de a Mancha se posicionar. E entendo, como já dito inúmeras outras vezes, ser incontestável a legitimidade alcançada por um grupo que leva 13 onibus para Volta Redonda em um jogo que valia muito pouco. E eu talvez tenha essa visão dos fatos porque tenho pelo Palmeiras a mesma dedicação - e a diferença agora é que, por uma série de circunstâncias, encaro as longas viagens não mais na caravana da torcida, mas de carro e aproveitando mais a viagem.

Observo - e peço que entendam o fato de não estar me dirigindo a ninguém em específico - que algumas críticas contundentes contra a Mancha partem exatamente de setores pouco participativos na vida do clube. Não admito, por exemplo, reclamações de gente que não vai a estádios. Admito contestações de todos os outros, mas é preciso tomar como parâmetro toda a dedicação de gente que sacrifica muito de sua vida para acompanhar o Palmeiras onde ele for.

Não há um lado certo e um lado errado. Há posições divergentes, e isso sempre vai acontecer em se tratando de Palmeiras.

Lembro que a Mancha já adotou longos períodos de cessar-fogo em relação ao time, e tal situação já foi importante para blindar elencos até mais fracos que o atual da pressão exercida por setores, digamos, mais críticos da coletividade palestrino. Não adiantou muito, mas a torcida "fechou" com o time - e é criticada agora exatamente por não fazer isso. Lembro que já cantamos o nome de um monte de vagabundo pior que os atuais, e que já apoiamos o time mesmo quando outros setores expunham contrariedade durante os 90 minutos. E lembro ainda que determinados episódios de pressão ou agressão a jogadores vagabundos se mostraram necessários.

Na minha visão, uma entidade como a Mancha Verde - e qualquer outra organizada representativa - tem o direito (ou seria dever?) de cobrar jogadores, técnicos, dirigentes ou o que quer que seja.

Contesto um pouco da falta de um posicionamento político da entidade. A meu ver, teria a Mancha um papel fundamental para questionar certas excrescências às quais somos submetidos quase que diariamente. Isso acaba por acontecer apenas entre a velha guarda e às vezes de maneira isolada. Não deixa de ser alguma coisa.

Mas, por fim, e reside aqui o mais importante, entendo que não se pode culpar a Mancha pelos maus resultados do time. A culpa é de muita gente, menos da organizada. Não aceito que seja creditada a quem encarou a estrada em um enorme comboio a responsabilidade por uma derrota como a de domingo para o Fluminense. Como não admito qualquer responsabilidade na derrocada de 2009 ou de qualquer outra competição.

E agora, relendo o que escrevi, percebo a confusão em meio a tantas ideias soltas. Vai ficar assim mesmo. O texto acima não pretende ser um editorial em defesa da MV - até porque eu já disse que discordo da maior parte das decisões recentes. O texto acima é apenas a exposição de alguns argumentos que talvez nem façam assim tanto sentido. Enfim, é a minha sincera contribuição para o tema. Respeito as opiniões divergentes.

O país do futebol? (28)

 

Um capítulo ACAB (All Cops are Bastards). Vou evitar comentários detalhados sobre os bravos, valorosos e destemidos homens do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Deixo-os com vídeos de confrontos entre torcidas e coxinhas em lugares como Argentina, Bulgária, Marrocos e Romênia. 

Vídeo 1: Policiais são gentilmente expulsos do espaço destinado à torcida do Boca Juniors no Jose Amalfitani, campo do Vélez.
 

Vídeo 2: Os ultras do CSKA Sofia, da Bulgária, invadem o gramado e partem para cima dos homens da lei:
 

Vídeo 3: Quebra o pau no clássico de Casablanca, Raja Casablanca x Wydad. Boas imagens do alto.  

Vídeo 4: A vez dos ultras do Steaua Bucareste, da Romênia:  

Vídeo 5: Um episódio clássico: Los Borrachos del Tablón vêm ao Brasil para enfrentar o SPFC do Morumbi e partem para cima dos coxinhas na geral. Por mais que não sejam boas as imagens abaixo, vale para relembrar a história toda. Eu fui a este jogo, cheguei apenas depois da confusão, mas o clima continuava muito tenso. O detalhe é que os hinchas entoavam gritos de guerra contra a polícia, que apenas observava à distância.
 

Vídeo 6: Situação semelhante aconteceu no Paraguay. Defensores del Chaco, o adversário era o pequeno e sem torcida Libertad. Derrota do River, e aí estoura a briga no setor visitante.  

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_Peço aos leitores que me enviem mais exemplos de "vídeos ACAB" para pelo menos mais um capítulo com esta temática.

25 julho 2011

Mais do mesmo



A derrota sofrida em Volta Redonda é ainda mais incômoda do que seria em outras circunstâncias, porque revela o cenário contra o qual vínhamos lutando: o BR-2011 será para o Palmeiras igual a todos os outros desta era dos modorrentos pontos corridos. Vamos ganhar a maioria dos jogos em casa, esbarrar em algum pequeno aqui e ali, tropeçar fora à exuastão e ficaremos em uma posição intermediária na tabela, eventualmente brigando por uma vaga na Libertadores, mas sempre longe do título.

Será mais uma longa temporada de sofrimento, talvez eclipsada pelo que viermos a fazer na Copa Sul-Americana, mas teremos novamente de ficar torcendo contra nossos rivais, eles todos brigando pelas primeiras posições.

Peço desculpas pelo pessimismo e pelo texto nada inspirado, mas depois do que vi em Volta Redonda, não consigo esperar mais nada desse time.

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_Foto que mostra a chegada da caravana da Mancha. Contei 13 ônibus lá de dentro do estádio. E era um jogo que nem valia nada. Tinha mais gente da MV do que da Young Flu:


_Foi bom voltar ao Estádio da Cidadania, uma cancha bem agradável para se ver futebol. Depois de uma derrota, a parte boa é estar mais perto de SP e aí a longa viagem de volta fica um pouco menos sofrida.

_Não concordo com os protestos da Mancha antes do jogo. Até porque eles aconteceram "antes do jogo".

_Na boa: o problema do Rivaldo não é o fato de ser um péssimo jogador de futebol; o problema é que ele é retardado. Tem sérios problemas mentais.

21 julho 2011

Os princípios da minoria

Foram 33.575 pagantes, sendo mais de 31.000 do nosso lado. A grande maioria comemorou o anúncio da escalação do camisa 30 e ainda mais gente cantou o seu nome já nos minutos finais. Eu não entendo o que se passa na cabeça dessa gente. E, a julgar pelo fato de a maioria ter se pronunciado de maneira tão efusiva, devo ser eu o errado nessa história toda. Porque ao camisa 30 deveria ser dedicado o mesmo tratamento concedido ao 8, ao 6 ou, exceção feita ao 12 e ao comandante à beira do gramado, a qualquer outro atleta que veste a nossa camisa nos dias atuais: indiferença. São profissionais muito bem pagos para jogar futebol. Que joguem futebol, portanto. Sem qualquer vínculo mais próximo, sem idolatria, sem reverências. A camisa do Palmeiras é tão pesada que, sozinha, poderia entrar em campo. O número atrás dela pouco importa. O sujeito que a veste tampouco. Importa o torcedor na arquibancada. Posso ser minoria em meu silêncio consciente diante dos apupos da multidão, mas prefiro seguir com meus princípios.

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_O Flamengo é um time dos mais qualificados, de tal forma que o empate de ontem pode ser considerado um resultado até esperado. O que precisamos é começar a vencer fora de casa.

_Ressalto ainda que o Palmeiras não sofreu gols em casa.

_Dizem que houve dois pênaltis a nosso favor. Um deles, imagino, foi aquele lance do Kleber ainda no primeiro tempo; não sei qual foi o outro. Se foram pênaltis mesmo, não foge muito do padrão de os árbitros sempre apitarem contra o Palmeiras.

_Ao RJ.

18 julho 2011

O país do futebol? (27)

Ainda em ritmo de Copa América (que se foda a seleção brasileira e os brasileirinhos de merda!), este capítulo vai prestar o devido reconhecimento a três países sul-americanos que ainda não tiveram espaço por aqui. São eles o Paraguay, a Bolívia e o Peru. Para completar, vídeos isolados de Honduras e Argentina.

Vídeo 1: Se é para começar pelo Paraguay, fica impossível fugir do clássico Olimpia-Cerro Porteño. Temos abaixo um vídeo muito bem editado, com os melhores momentos de um encontro entre os dois grandes de Asunción. O jogo acontece na cancha que tem o nome mais bonito entre todos os estádios do mundo: Defensores del Chaco. Prestem atenção à divisão mínima entre as duas torcidas lá no meio da arquibancada.


Vídeo 2: Peru. Vou guardar para uma próxima edição todas as grandes torcidas de Lima (Alianza Lima, Sporting Cristal e Universitario) e ficar agora apenas com um vídeo que considera duas importantes cidades peruanas: Cusco, a capital do Império Inca, e Arequipa. Vamos com um belíssimo vídeo do Cienciano, campeão da Copa Sul-Americana de 2003, diante do River Plate (empate em 3 a 3 em Buenos Aires e vitória por 1 a 0 "em casa"). Coloco o "em casa" entre aspas porque o Cienciano não pôde jogar em Cusco (o estádio local é acanhado e não atende ao regulamento da Conmebol) e precisou mandar a finalíssima em Arequipa, distante 500km. Vale observar que o Cienciano não é lá um grande do país, até porque nunca foi campeão nacional. Mas se classificou para a Sul-Americana daquele ano e fez uma campanha brilhante: eliminou os conterrâneos Alianza Lima e Sporting Cristal e depois passou por Universidad Católica, Santos e Nacional de Medellín até a final contra o River. O título foi obtido em circunstâncias dramáticas: com dois jogadores a menos, o Cienciano fez o gol da vitória, de falta, aos 35 minutos do segundo tempo. Explosão da torcida no estádio de Arequipa e nas Plazas de Armas de Cusco e Arequipa.



Vídeo 3: Bolívia. Recebimento da hinchada do Bolivar, um dos grandes da capital. Direto do Hernan Silles, na altitude de 3.600 de La Paz. Belo estádio, e eu tive a oportunidade no ano passado de acompanhar lá o clássico entre Bolivar e The Strongest.


Vídeo 4: Devo advertir que este é provavelmente o pior vídeo que eu já publiquei no blog (um pouco pela qualidade de imagem, mas acima de tudo pela edição). Não importa; a questão toda é que ele me é especial por lembrar do clássico que eu pude assistir em La Paz e que motivou o post "O futebol vive na Bolívia". Recomendo que leiam o texto em questão, e o vídeo abaixo pode talvez servir como complemento: vale pelo tiozinho que puxa a torcida logo no início e pela minha motivação pessoal - lá pelas tantas, aparece uma pesquisa sobre quem venceria o jogo do dia seguinte: Universitário Sucre ou Palmeiras? Pois deixei La Paz no dia seguinte e peguei um voo para Sucre, onde o Palmeiras venceu o time local por 1 a 0 (tem post sobre isso também).


Vídeo 5: La Paz é uma das capitais, mas o futebol parece ter mais força em Santa Cruz de la Sierra, a cidade mais populosa e uma das poucas grandes que não fica em altitudes elevadas. O clássico local reúne Oriente Petrolero (belo nome este!) e Blooming. Começando pela pirotencia dos que vestem verde:


Vídeo 6: Ainda em Santa Cruz, a barra do Blooming tem clara inspiração na gente de La Guardia Imperial. Tem a ver com as cores do time, é claro, e aí é inevitável o comparativo quando eles cantam "Vamo la Acadé". Entrada da barra, bem ao estilo portenho:


Vídeo 7: Mais imagens de recebimento, desta vez de Oruro, terra do San Jose:


Vídeo 8:
Das grandes cidades bolivianas, faltam apenas Sucre (mas a torcida do Universitário local é bem fraca) e Cochabamba, terra do Wilstermann e do Aurora. Daí que encontrei um vídeo que apresenta boas imagens de todos os três dérbis do país. Temos aí Wilstermann-Aurora (clássico cochabambino), Bolivar-The Strongest (clássico paceño) e Oriente Petrolero-Blooming (clássico cruceño).


Vídeo 9: Honduras já havia aparecido nesta série lá no capítulo 17 com as hinchadas de Olimpia (Tegucigalpa) e Real España (San Pedro de Sula). Eis que retornamos à América Central para mostrar a espetacular torcida do Motagua, o mais popular clube hondurenho:



Vídeo 10: Correndo o risco de me tornar repetitivo, mais Argentina, desta feita para apresentar um belo duelo entre La Guardia Imperial (Racing Club) e Borrachos del Tablón (River Plate). Porque nada é igual a uma hinchada argentina.


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_Crédito: Gabriel Uchida, do redivivo e imprescindível Foto Torcida.

17 julho 2011

Um post-calhau*

Os senhores deveriam estar lendo agora o post sobre o jogo entre Palmeiras e Flamengo. Deveriam. Acontece que Palmeiras e Flamengo não foram a campo neste domingo. E não foram porque crápulas da CBF e da Rede Globo - eles se merecem na sujeira - decidiram que era o caso de mudar data e horário do encontro entre dois gigantes do futebol brasileiro por causa de um jogo da tal seleção brasileira. Transformaram o clássico em calhau*.

Deu no que deu.

Ao que importa agora: é quarta-feira, 21h50! Que venham o Flamengo, o Madureira, o mercenário gaúcho, quem mais quiser! Porque aqui é Palmeiras!

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_Argentina e Uruguay mostraram neste sábado porque o futebol vive nestes dois países e não no Brasil. Argentina e Uruguay fizeram um duelo monstruoso, épico, digno da história das duas seleções e do clássico entre elas. Argentina e Uruguay deram algum sentido a esta Copa América e mostraram aos brasileirinhos de merda o que é futebol. Parabéns aos dois!

_Eu torci pela Argentina, mas o Uruguay merece igualmente o título. Que siga em frente e que conquiste sua 15ª Copa América a apenas um rio de travessia de Montevideo. Fico a imaginar como vai estar Buenos Aires no próximo domingo...

_Ninguém da nossa diretoria se manifestou sobre os evidentes prejuízos ocasionados pelo adiamento do jogo (pelo fator técnico, pelo público menor, pelo aluguel mais caro). Aliás, vejam o que fizeram conosco: nos roubaram o domingo às 16h e nos deram um jogo de madrugada.

_Aliás, a imprensa, com raríssimas exceções, se cala por completo diante do absurdo consumado com esta mudança de dia e horário do jogo. Não há manifestações sobre o prejuízo ocasionado ao torcedor, sobre o desrespeito ao tal Estatuto que nego adora evocar contra a gente, sobre porra nenhuma. A conivência com a podridão aí instalada explica porque chegamos a este ponto.

_O Estatuto do Torcedor só existe para ser usado CONTRA o torcedor.

*À definição do Houaiss para "calhau": "notícia, artigo etc. utilizado para preencher espaço criado pela falta de material editorial ou por falha no cálculo da diagramação". Filhos da puta como Ricardo Teixeira e Marcelo Campos Pinto transformaram um Palmeiras x Flamengo em um mero calhau, disponível para quando - e se - fosse necessário para a grade de transmissão da maldita Rede Globo. Um crime!

14 julho 2011

Mais um do Galuppo

O meu grande amigo Fernando Galuppo lança mais um livro sobre a história do Palmeiras. O convite segue abaixo, com todos os detalhes:



Até lá!

12 julho 2011

A Globo e o Brasil

O Palmeiras recebe o Flamengo no próximo domingo no Pacaembu. Melhor dizendo: pode receber. Pensando bem: não recebe mais. E será assim porque este país não é sério, que não trata o futebol como deveria tratar. E porque o futebol aqui é controlado como se fosse uma negociata de meia dúzia de criaturas e porque este povo imbecil permite que a Rede Globo tenha o domínio que tem.

Este é o país que fez um Estatuto do Torcedor que só é aplicado CONTRA o torcedor. É o país que permite que promotores de Justiça só apareçam para defender os seus próprios interesses. E pode ser o país de muitas coisas, mas o futebol certamente não está entre elas.

A tabela do Campeonato Brasileiro, não sem certo atraso, foi divulgada já há alguns meses. Àquela altura, o senhor Virgilio Elisio já sabia dos possíveis desdobramentos da Copa América. Não deu a mínima; mandou ver alguns jogos acontecendo nos finais de semana da competição de seleções.

E aí estamos agora diante de um impasse absurdo inaceitável, em que Palmeiras e Flamengo ficam sem saber quando vão jogar - e, pior, ficam submetidos ao calendário da seleção brasileira e aos caprichos de dona CBF e da grade de programação da emissora maldita.

É revoltante ler isto aqui. Revoltante!

Para piorar, pode ser alterada também a nossa partida seguinte, contra o Fluminense, no Rio. O prejuízo é enorme para o clube, que certamente perderá renda (e pagará aluguel maior) com o jogo na quarta à noite; para time e comissão técnica, que ficam sem saber como se preparar; e para o torcedor, por motivos óbvios, evidentes e possivelmente irreversíveis.

De nada adianta se programar com antecedência (que, afinal, deveria ser a única coisa boa desta excrescência que é a fórmula de pontos corridos). O torcedor perde a passagem comprada previamente, perde compromissos, perde até o direito de se programar uma semana antes. Deve haver casos piores aqui e ali, mas isso pouco importa para quem manda no futebol brasileiro.

11 julho 2011

O país do futebol? (26)

Quanto esta série começou, lá em fevereiro, eu sequer imaginava que ela seria uma série. Era só para ser um post diferente de tudo o que eu vinha fazendo, mas aí vieram os elogios e as indicações de outros vídeos, eu me empolguei e a coisa ganhou força. Conforme avançava com novos capítulos, estabeleci a meta de chegar pelo menos até o 25º. O objetivo foi alcançado: 163 vídeos e 41 países depois, percebo que ainda para seguir um pouco mais. A ideia é chegar ao capítulo 40, o que deve acontecer no máximo até novembro. Desta vez, uma edição não muito coerente, mas necessária para tratar de um país importante da América do Sul e para desovar algumas sugestões antigas: Argentina, Suíça, Colômbia e Italia. 

Vídeo 1: Tive a honra de participar na última semana (com mais uma exibição nesta terça, 12/07, às 17h) do "Loucos por futebol", da ESPN Brasil. Fui convidado pelo Mauro Cezar Pereira - a quem registro aqui o agradecimento - e, entre outras coisas, levei um cachecol do Club Atletico Nueva Chicago, um dos grandes pequenos de Buenos Aires. Como eu já expliquei algumas vezes, trata-se de um clube do bairro de Mataderos, no limite oeste de Buenos Aires (região dominada pelo Vélez, mas com outras importantes hinchadas). O que temos abaixo é a caminhada dos hinchas do Torito de Mataderos em comemoração ao centenário do clube, no início de julho de 2011.  

  Vídeo 2: Vamos a Stuttgart, na Alemanha, mas para acompanhar uma torcida da Suíça, a do Young Boys, de Berna. Os ultras suíços seguem para o estádio debaixo de neve e continuam apoiando o time mesmo com um frio que deixaria os estádios brasileiros às moscas - tem nego que já evita ir a campo com qualquer garoa.
 

Vídeo 3: A Colômbia só tinha aparecido aqui de maneira tímida, e nenhum dos grandes clubes do país teve ainda a devida atenção. Vamos começar então pela capital, Bogotá, mais precisamente pelo grande Millonarios. Aí vai o recebimento da torcida em um jogo dos Millos contra o SPFC:  

Vídeo 4: O outro lado do clássico de Bogotá: recebimento da torcida do Independiente Santa Fe. Os caras têm uma organizada que se chama La Guardia (como a do Racing) e dizem ter a maior bandeira do mundo (a exemplo do que acontece com Racing e Peñarol). Vale conferir também este vídeo.  

Vídeo 5: Pelo que pesquisei, as melhores hinchadas colombianas estão em Medellin - e isso explica porque é tão complicado jogar no Atanasio Girardot. O vídeo abaixo mostra a torcida do Atletico Nacional de Medellín na final da Copa Sul-Americana de 2002. O time da casa perdeu por 4 a 0 do San Lorenzo, que se sagrou campeão com um empate sem gols em Buenos Aires. Sei que a qualidade da imagem é bem abaixo do aceitável, mas gostei do clima da torcida aí e de toda a ambiente que cercou esta final:
 

Vídeo 6: Mais um pouco do Atletico Nacional, o primeiro clube colombiano a conquistar a Copa Libertadores da América (em 1989). Tem algo de muito familiar nas imagens que seguem agora:  

Vídeo 7: A especialidade dos colombianos parece ser o recebimento dos times (as "salidas"). O outro clube grande de Medellín é o Independiente. Aí vai:  

Vídeo 8: Vamos abrir espaço para o Deportivo Cali, de tão boas lembranças para todos os palestrinos. Temos aí o alento da Frente Radical Verdiblanca.  

Vídeo 9: Italia, Genova. Mosaico dos ultras da Sampdoria, em uma breve homenagem a um clube que acaba de ser rebaixado no Campeonato Italiano.  

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_Créditos: Gabriel Uchida (Foto Torcida) e Gabriel Manetta.