05 março 2012

Agora é tarde

Painel FC (Folha de S.Paulo) de hoje:

“Ele está riscado como interlocutor do governo. Esse cara é um vagabundo”
Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência da República, sobre Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa


Já no final de semana, Aldo Rebelo, ministro do Esporte, também havia rebatido o francês falastrão.

É pouco. E é tarde. Valcke é um vagabundo. Valcke é um pulha. Valcke é um ser desprezível. Isso já era sabido há tempos, e ninguém fez porra nenhuma. Já se sabia também que a Copa do Mundo de 2014 seria o atestado de óbito do futebol brasileiro, e ficaram só olhando. Deixaram a coisa chegar nesse estágio aí. Permitiram que Valcke fizesse tudo o que fez até agora. Fizeram o Brasil abrir mão da soberania nacional. Permitiram que a Fifa fizesse o país gastar ao menos R$ 1 bilhão para que fosse consumado o assassinato do Maracanã; o templo maior do futebol mundial é hoje um cadáver insepulto na zona norte do Rio de Janeiro. Mataram o futebol.

Chamar o cara de vagabundo agora é pouco. Tudo que for dito ou feito contra ele é pouco. Se este fosse um país sério, o pulha já não teria dado as caras por aqui desde a primeira vez em que atacou a soberania nacional.

Parabéns aos responsáveis.

04 março 2012

A Mancha voltou



Depois de seis meses de um afastamento injustificável imposto pelas "autoridades" (ler aqui), a Mancha voltou aos estádios neste domingo. E fez toda a diferença para que a arquibancada tivesse a força que costuma ter quando jogamos em casa. Tarde de sol, 16h, bom público na cancha municipal. 19.437 pagantes - e faço questão de registrar o número, porque ele ficou pouco acima dos 19.161 que os caipiras lá do Pantanal conseguiram colocar no domingo último, em clássico que tinha ainda a torcida do outro lado para atingir a renda de R$ 556.265 - menos que os R$ 603.373 despejados nas bilheterias só pela nossa torcida hoje. Pronto; ficam aí os números para apreciação dos imbecis Tirone e Frizzo.

Isso posto, entendo que a manutenção da invencibilidade não é tão importante quanto o fato de termos empatado o terceiro jogo seguido 'em casa'. Até porque, senhores, vale lembrar que o principal problema para a pífia campanha do ano passado foram os muitos empates, boa parte com mando nosso. E o que levou à igualdade sem gols na tarde de hoje foi exatamente o mesmo problema do(s) ano(s) anterior(es): a deficiência nas finalizações.

Mas acredito também que não é o caso de dar um peso exagerado às falhas do ataque, à primeira má atuação do camisa 29 e mesmo a mais um tropeço em casa. O prejuízo não é assim tão grande até o momento e o foco deve ser outro: o dia 25/03 está aí, palestrinos!

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Campanha no Paulistão/2012:

Total: 12 jogos, 7 vitórias e 5 empates
Em casa: 7 jogos, 3 vitórias e 4 empates
Fora: 5 jogos, 4 vitórias e 1 empate

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Crédito da foto: Henrique Medeiros (Tchack).

03 março 2012

O marketing que virou piada

Os leitores mais antigos e assíduos desta página haverão de recordar o nome utilizado aqui para descrever o tal Casares: marqueteiro do mal. Eram os tempos do batismo tricolor, do marketing predatório, do aliciamento de menores, do apelo à "grife", do estádio que virou academia, buffet infantil etc. e tal.

Acontece que outro clube desta cidade resolveu seguir caminho parecido e vendeu a alma em troca de um estádio com dinheiro público e das benesses de se associar ao que existe de mais putrefato no futebol brasileiro: CBF, Globo, essas merdas todas. Mas, não contentes com o saque aos cofres públicos, eis então que resolveram também apelar para o marketing predatório.

A começar pelo fato de o agora presidente dos caras ter dito em uma entrevista que "Futebol é business". Na sequência, vieram atitudes as mais grotescas possíveis, e reside aqui a principal diferença entre tricolores e alvinegros: enquanto os primeiro até conseguiam disfarçar a fragilidade do discurso (mas só até certo ponto), estes últimos não fazem a menor ideia do que estão fazendo. Ou seja: os da zona sul empacotavam bem o marketing do mal e enganavam por um tempo; os da zona leste fazem mal e aí viram motivo de piada logo de cara.

Como se não bastasse a imbecilidade do tal jogador chinês (é ridículo que um clube tenha se prestado a um papel desses), eis que agora resolveram lançar camisas com, para usar a palavra deles, "homenagens" aos principais rivais. Sim, esta gente sofrida, batalhadora e abnegada resolveu agora que vai tripudiar os rivais. Tem modelo para os santistas e para os tricolores. E o Palmeiras, vocês devem estar se questionando?

Bom, não há muito o que possa ser dito em favor do rival nesse embate. Não há conquistas relevantes sobre o, nas palavras deles, "principal adversário". Não há superioridade numérica, não há títulos que se façam representativos de piadas abjetas, não há sequer uma goleada acachapante (melhor nem pensar, porque um certo 8 a 0 nos precede). E aí, sem saber o que fazer, os cretinos resolveram lançar um concurso cultural no site da rede de lojas oficiais:


"Freguesia"? Bom, fica a dica aos responsáveis por esta, digamos, campanha: tal palavra só se aplica a adversários contra os quais o SCCP leva vantagem no confronto histórico ou, na pior das hipóteses, contra os quais acumula vitórias expressivas em duelos decisivos. Têm certeza que querem investir nisso mesmo? Pois eu fico até curioso para saber quais serão as brilhantes ideias dessa gente que se esconde atrás do populismo de fachada.

Não se esqueçam que futebol se ganha dentro de campo! Futebol se ganha com tradição, com alma, com coração. E aí, quando Palmeiras e SCCP vão a campo, a camisa verde prevalece sempre. Sempre.

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Mais sobre o clube que vendeu a alma:
Sofrimento seletivo (16.11.2010)

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Povo, sofrimento, luta... vocês já perceberam que nada disso se sustenta, né? Mas daí para seguir o caminho do deboche e da arrogância vai uma longa distância...

02 março 2012

Festa da gaveta

Palestrinos, temos mais um evento pelas DIRETAS JÁ! Domingo próximo (04/03), 11h, na esquina de sempre: Turiassu x Caraibas. De lá para a cancha municipal.

Quer saber do que se trata? Veja aqui.

28 fevereiro 2012

Amar é...

"Doar é amar" (Roberto Frizzo)

Deixemos de lado a precariedade da argumentação para nos dedicarmos exclusivamente a apresentar uma afirmação inversa àquele que é um dos mais despreparados vices que o Palmeiras já teve (e sim, Tirone é o mais despreparado de todos os presidentes).

Amar, Frizzo, é se submeter a intermináveis e extenuantes seis viagens até Presidente Prudente em um curto espaço de tempo apenas e tão somente para assistir a partidas que, não fosse pelo despreparo dos homens que dirigem o Palmeiras, teriam sido realizadas em São Paulo, aqui no Pacaembu mesmo. Amar é, em virtude disso, gastar uma fortuna para empreender uma das piores viagens possíveis e, pior que isso, sacrificar um domingo inteiro (literalmente) ao lado da família para satisfazer a vontade de um político de um vilarejo perdido.

Já que você vinculou dinheiro a amor, eis que eu me sinto obrigado a dizer que preferia ter investido R$ 1.500 no Palmeiras (comprando camisas, bebendo nos bares do clube, até alugando um armário no vestiário, essas coisas que eu só faria pelo Palestra...), mas tive de direcionar essa considerável quantia para bancar as viagens que vocês me obrigaram a fazer até quase o Pantanal. Ou seja: o dinheiro foi parar nas contas bancárias do Governo do Estado ou de concessionárias (pedágios e mais pedágios, sabe como é?), dos postos Ipiranga (até eles têm um programa de fidelidade, veja só...), do Graal (o Paloma é o melhor), do Frango Assado (experimente o pão de semolina na chapa), da Gol, da Pantanal (sim, ela faliu, mas não por minha causa), da locadora de vans etc. e tal. Você não pode imaginar o meu desgosto por isso.

Amar, Frizzo, é querer as eleições diretas no Palmeiras. Amar é lutar pelo aumento da participação dos sócios (e dos torcedores) nas decisões que afetam a vida de milhões de pessoas. Amar é ser sócio do clube e pagar a mensalidade religiosamente mesmo sem nada em troca neste momento. Amar é querer manter certas figuras bem afastadas do comando do clube. Amar é manter acesa a paixão mesmo depois de tantos e tantos anos de fracassos retumbantes. Amar é ir a mais de 50 jogos todo ano, seja lá onde eles forem realizados. Amar é organizar a agenda pessoal em função dos compromissos do Palmeiras. Amar é fazer para o grande ídolo recente uma procissão com cinco mil pessoas pelas ruas de SP sem qualquer ajuda do clube (e sim, ali houve doação - falo por mim inclusive). Amar é defender o clube contra tudo e contra todos, em especial contra figuras como você e Tirone. Amar é apresentar um programa de fidelidade nunca implantado pela inoperância ou intransigência de gente como você. Amar é querer pagar o fracassado plano atual de sócio-torcedor (aquele que vocês encerraram sem pensar em nada no lugar) apenas e tão somente pelo desejo de ajudar o clube.

Além de despreparado, você não faz ideia do que é ser palmeirense...

Prudente, cidade abandonada

Eu tinha prometido nunca mais escrever nada sobre esta aberração que é a relação entre Presidente Prudente e futebol, mas aí a Folha de S.Paulo de hoje traz uma matéria que não pode ser desprezada. Vou evitar comentários. Apenas compartilho o absurdo da situação com vocês pra não parecer perseguição da minha parte:

27 fevereiro 2012

Migalhas do Pantanal



Atenção, senhores, para a renda de Palmeiras 3-3 SPFC: R$ 556.265. Público pagante: 19.161.

R$ 556.265? Foi por essas migalhas que os imbecis Tirone e Frizzo fizeram o Palmeiras mandar mais um clássico na longínqua, inacessível e insuportável Presidente Prudente. Foi mais um tapa na cara do palmeirense. Mais uma afronta à nossa história. Mais um desrespeito contra os que estamos sempre ao lado do time.

Tanta coisa em jogo por nada em troca. Isso tudo por um público irrisório, que serve apenas para desmontar o frágil discurso - visto em alguns comentários recentes neste mesmo blog - de que o povo do interior gosta de ir ao estádio etc. e tal.

19.161 pagantes? Pois o público do Pacaembu seria muito maior. Muito. Para uma renda ainda mais elevada. Sem prejuízo técnico. Sem o absurdo de dar ao adversário metade dos ingressos. Sem uma viagem desgastante. Sem o sol criminoso daquele fim de mundo. Sem a necessidade de usar o segundo uniforme. Sem correr riscos. Sem obrigar o palmeirense que se fez presente em todas as tranqueiras de quarta às 22h a enfrentar pelo menos 20 horas de estrada para defender o time na hora que mais importa.

Antes que apareça o primeiro idiota para dizer que Prudente fica em território paulista, eis aqui uma breve simulação do que representa o percurso SP-PP-SP:

A distância (560km) assusta, certo? Aí você cogita pegar um voo e vai conferir as opções. Para o pequeno aeroporto local, há dois ou três voos diários, saindo de CGH ou VCP. O problema começa com os horários desfavoráveis, que não permitem ao sujeito deixar SP na manhã do domingo e voltar na noite do mesmo dia. Como se não se bastasse isso, a pouca oferta faz com que as tarifas sejam proibitivas. Vai por mim: chega a ser mais barato voar para Recife ou Natal. Se for o caso de adquirir as passagens com milhas, a exigência é a mesma para Prudente ou para as praias do Nordeste.

Isso posto, você pode pensar nos ônibus de linha. Afinal, dizem que esta cidade fica em SP e, portanto, não deveria ser tão complicado ir no esquema rodoviária, certo? Bom, o preço já se coloca como problema: R$ 115 a ida e mais R$ 115 a volta. São R$ 230 em ônibus convencional, não muito confortável. Que tal de pegar um ônibus leito então? Bom, aí pode considerar o dobro do valor: quase R$ 500 para ir e voltar.

Muito ruim? Pois eu digo que a coisa vai piorar. Ainda que você insista com o ônibus convencional, é preciso dizer que o primeiro veículo a deixar a rodoviária da Barra Funda em direção a Prudente/MS faz isso às 7h45 para só chegar ao destino às 17h! Como o jogo começa às 16h, isso significa que é impossível sair da capital de manhã cedo e chegar a tempo de ver o jogo. Se quiser contar com o transporte público, você é obrigado a pegar o último ônibus de sábado à noite e passar a madrugada na estrada para então desfrutar no domingo das maravilhosas atrações turísticas de Prudente. Para voltar, o ônibus sai às 20h e você estará de volta à capital às 5h de segunda-feira.

Resumindo: se for de ônibus, o tempo mínimo exigido para o percurso SP-Prudente-SP gira em torno de 31 horas.

Claro que sempre existe a opção de pegar o carro e encarar a estrada por conta própria. Ao fazer isso, considere ao menos 15 horas dirigindo, além de um valor bastante relevante em combustível, pedágios etc.

É pouco provável que exista um lugar pior dentro do estado de São Paulo. Você desembolsa menos dinheiro e gasta menos tempo para chegar a qualquer capital das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas Tirone e Frizzo insistem em foder a vida do palmeirense em troca de migalhas, fazendo o time mandar os seus melhores e mais importantes jogos em lugar tão ermo. E a viagem de volta para a cidade onde o Palmeiras tem sede nunca foi tão longa e cansativa. O ódio é proporcional.

Espero, Tirone e Frizzo, que um dia, cedo ou tarde, vocês paguem por tudo o que estão fazendo contra o palmeirense e contra o Palmeiras.

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Belluzzo antes e agora Tirone e Frizzo já obrigaram o palmeirense a seguir rumo a Prudente cinco vezes nos últimos três anos. Se somarmos o clássico com mando do Santos FC no começo do mês, são seis jogos neste período. Vocês podem me chamar de louco e tal, mas a verdade é que eu fui até lá todas essas vezes (quatro contra o SCCP, uma contra o SPFC e outra contra o Santos). No meu caso, não chega a ser uma opção, que fique claro. Em uma conta bem conservadora, quase R$ 1.500 se perderam nessa brincadeira. O dinheiro foi para o Governo do Estado (há dezenas de pedágios na ida e na volta), para a Ipiranga (a viagem pede dois tanques cheios), para o Graal ou para o Frango Assado, para empresas de locação de vans e, lá atrás, para as companhias aéreas Gol e Pantanal. Eu preferia que o dinheiro fosse para o Palmeiras.

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Sobre o jogo:

_Sinto informar aos supersticiosos de plantão que o Palmeiras perdeu sua invencibilidade em clássicos jogados em Prudente. O 3-3 não foi um empate, mas uma derrota. Derrota esta que suplantou uma atuação acima da média de boa parte do time e que se deve especialmente à infantilidade grotesca e imperdoável do camisa 2.

_Quanto ao camisa 22: precisamos levar em conta que Marcos parou. Não diria que o goleiro atual falhou neste domingo, mas é evidente que um goleiro diferenciado poderia fazer aquelas defesas. Se fosse Marcos, provavelmente teríamos levado apenas dois gols (ou talvez só o de pênalti). Marcos foi um monstro debaixo das traves. O camisa 22 é um jogador comum. Não esperem nada além do que temos visto.

_Por outro lado, finalmente temos um camisa 9 (ou melhor, 29) de respeito. Atuação monstruosa do argentino. Classe, categoria, força, oportunismo, entrega, tudo de uma só vez. Há esperança.

_Podem reparar: o Palmeiras dominou todos os clássicos do último ano. Vou depois trazer todos os números, mas a verdade é que o time todo tem se portado muito bem nesse tipo de partida. Temos agora um atacante digno e dá para esperar algo de mais promissor na fase final do Paulistão.

_Assim como na Libertadores/2006, também contra o SPFC, a Savóia se sacrificou pela Mancha. A lógica determina que vem punição pela frente. Entendo eu que era melhor esperar uma situação mais aguda para fazer o sacrifício.

_A Mancha continua proibida sem motivo, mas ao menos permitiram neste domingo a entrada da faixa "São Marcos Eterno".

_Sei que o setor amarelo é o do time mandante e tal, mas a gente se acostumou a ficar do outro lado, no azul. Tem mais a nossa cara.

_O desespero da Prefeitura de Prudente (ou do "Governo de Prudente", como descrito em enorme placa no estádio) é digno de registro. Os caras resolveram aproveitar o público de um Palmeiras-SPFC para divulgar, via sistema de som, o programa de sócio-torcedor do Grêmio Prudente! Mas, porra, esse time não terminou? Não voltou para Barueri?

24 fevereiro 2012

“Basta con el fair play”

Vamos de Alfio Basile, técnico do grande Racing Club de Avellaneda:

"Antes había uno muerto en la cancha y seguíamos. (…) Antes había códigos, el que se tiraba era un marica, le decían ‘levantate puto’"

"Basta con el fair play. Que los réferis paren la jugada si hay uno caído. Si se cae uno que siga el juego salvo que sea algo importante"

E é isso. Não preciso acrescentar nada além. A íntegra e todo o contexto podem ser encontrados aqui. O que mais importa é a notícia em si: "El Coco Basile se quejó por la cantidad de veces que los jugadores de Godoy Cruz se tiraron lesionados al piso, y avisó que sus dirigidos no mandarán más la pelota afuera."

A dica me foi passada pelo grande amigo Junior Cabreirão.

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A série "O país do futebol?" já acabou, eu sei, mas é necessário compartilhar com os senhores uma espetacular história da Polônia, um país que vive o futebol com toda a intensidade. Vejam aqui.

23 fevereiro 2012

O primeiro tropeço

Empates em casa costumam acabar com o meu humor. Não foi bem o que aconteceu neste 1-1 com o Oeste. O resultado foi ruim nem tanto pela perda da liderança, mas pelo que representa não conseguir vencer um adversário tão insignificante em casa. O estranho é que deixei o Pacaembu sem a habitual revolta que acompanha resultados assim. A sensação era de ter visto um tropeço daqueles que acontecem com qualquer time grande, seja em uma campanha vitoriosa ou não. Time algum fica imune a empates assim, e este Palmeiras não poderia ser diferente.

Creio haver muito mais com o que nos preocuparmos, a começar pelo duelo do próximo domingo. Posso estar calejado depois do sofrimento de tantos e tantos anos, mas é o que sinto no momento. O empate em casa é péssimo e a atuação do time foi ainda pior, mas seguimos com uma boa campanha no ano e com um time que vai se ajustando aos poucos. Claro que há problemas enormes e alguns deles parecem não ter solução, mas é isso o que temos.

Não é muito a deste blog fazer análises sobre jogadores e sobre o jogo em si, mas me permito destacar ao menos dois aspectos positivos que se tornam a cada dia mais evidentes: refiro-me aos camisas 7 e 29, que parecem adquirir entrosamento a cada jogo. No caso específico do centro-avante, é justo reconhecer sua capacidade de lutar pela bola, a qualidade como pivô e especialmente a determinação de sempre buscar espaço para a finalização.

De ruim, a zaga. Insegura nos últimos jogos, ficou ainda pior sem o camisa 3. E desta vez sou obrigado a concordar com o comentário feito pelo amigo Junior "Aqui é Palestra" Cabreirão já durante o jogo:
"E o grande treinador terminou o jogo sem meias. Se ele sabia que o Carvalho ia cansar, por que tirar o Patrik e não relacionar o Carmona?" Outra coisa: por onde anda o camisa 10?

Por fim, os 14 jogos sem derrota são a melhor demonstração de que o time que aí está tem uma qualidade que já se fazia notar desde o ano passado: é difícil de ser batido.

Seguimos em frente. Domingo tem guerra. É o que vale. Lá vou eu enfrentar mais estrada até a Presidente Prudente/MS.

A pequena Lusa e o horário das 22h

É o seguinte:

1. A pequena Portuguesa (time que se presta a inverter o mando de campo merece ser tratado como tal) mandou o jogo contra o SCCP no Pacaembu, o estádio onde o time alvinegro recebe os seus adversários. Inversão de mando descarada. Motivo? Seus ainda menores dirigentes esperavam uma arrecadação maior. Resultados alcançados: R$ 188.070 e 6.177 pagantes - isso para não falar na derrota dentro de campo. Vou depois conferir o borderô para fazer apontamentos mais precisos, mas há ao menos duas observações certeiras: (1) o aluguel do Pacaembu consome grande parte da já pequena arrecadação - algo que não ocorreria se o clube tivesse a decência de jogar em casa; (2) por se tratar de um estádio mais próximo da zona leste e em se considerando o horário obsceno, não seria exagero esperar um público maior no Canindé.

2. Post de duas semanas atrás ("É o horário, seus putos!") traçava uma relação entre o abjeto horário das 22h de quarta-feira e os pequenos públicos do Palmeiras no Pacaembu em três partidas seguidas sob essas condições. Eis que o SCCP levou hoje ainda menos gente à cancha municipal do que o Palmeiras em dois desses jogos. O público desta última noite é possivelmente o menor do SCCP em casa em muitos anos. Sim, é o horário, seus putos! - isso vale especialmente para os otários que vieram com comentários estúpidos naquele post. E, apesar de todos os pesares, a média alviverde nos jogos das 22h (6.298 pagantes) foi ainda maior que o total alcançado pelo seu rival nesta última noite.

Números. Apenas e tão somente isso.

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Uma torcida tem dois de seus integrantes baleados pelos bravos, valorosos e destemidos homens da PM antes de um jogo e sofre uma punição aparentemente eterna por conta disso. Outra, aquela que conta sempre com a complacência do poder público e da imprensa, depreda o patrimônio público, bota fogo em carro alegórico, parte para o vandalismo indiscriminado e fica tudo por isso mesmo...

Viva o populismo de fachada! E dá-lhe sofrimento, dor e superação!

21 fevereiro 2012

Burrice itinerante

Já disse inúmeras vezes que ajusto minha agenda pessoal aos compromissos do Palmeiras, certo? Pois fiz isso novamente na ida para o Carnaval, parando em Guaratinguetá na sexta à noite antes de seguir viagem para o Rio de Janeiro. Ao menos desta vez, a tabela me favoreceu. Foram cinco horas de viagem, tempo que, em situações normais, me permitiria ir até Rio Preto. Enfim, cheguei, veio a vitória, a liderança etc. Mas quero aqui tratar de outros temas relacionados ao jogo em questão:

Antes de tudo, preciso dizer que é bom ter no Paulistão um representante do interior para além dos eixos Anhanguera/Bandeirantes e Raposo/Castello – e as opções mais recentes foram o São José (a última vez, se não me engano, em 1997) e este tal Guaratinguetá. Aliás, não por culpa da cidade (mas talvez do poder público local), o nome correto do time hoje deveria ser Guaratinguetá de Americana de Guaratinguetá.

(Eu não consigo aceitar uma situação como a permitida - ou incentivada? - por Marco Polo Del Nero e por sua corja. Não posso conviver com a rotina de times itinerantes. Não é natural, não é honesto, não é decente. Mas é a face mais visível da gestão desta criatura que envergonha o nome da família Del Nero.)

Fato é que o Guaratinguetá voltou recentemente à cidade de origem em uma movimentação que só não foi mais obscura que a anterior, que levou o time do Vale do Paraíba para a Americana que já tinha (e continua tendo) o tradicional Rio Branco. A parada é tão bizarra que você entra no site da FPF para conferir o motivo informado para a mudança do jogo de Americana (pois seria este o participante inicial) para Guaratinguetá e se depara com isto aqui:


"Motivo: Ajuste de Tabela"? É um eufemismo para justificar a mudança de um time da cidade X para a Y e depois da Y para a X de novo? A que ponto chegamos, senhores?

Pois bem, aí então eu cheguei ao Dario Rodrigues Leite já com a partida em andamento e as bilheterias estavam todas fechadas. Explicação: ingressos esgotados. Havia muita gente do lado de fora sem ingresso, querendo entrar no estádio. Gente que veio de outras cidades e acabou tendo de voltar para casa sem poder ver o jogo. A incoerência? É que havia muitos lugares vazios lá dentro; da alegada capacidade (15.000), o público tomou menos da metade (7.002 pagantes).

Dois prejuízos aqui: (1) torcedores se deslocaram até Guaratinguetá e ficaram sem ingressos para ver o jogo; e (2) o pequeno clube itinerante perdeu uma receita garantida. Ou, já pedindo desculpas aos leitores do blog, vou usar a linguagem que essa gente gosta de usar: estavam lá os "consumidores" e também o "produto"; por falha ou má vontade de alguém, não se consumou a negociação, ficando o "produto" ficou encalhado e o "consumidor" não foi atendido.

Alegaram que os ingressos estavam esgotados e deixaram muita gente do lado de fora, é isso? Pois vejam só o que diz o borderô de Guaratinguetá 2-3 Palmeiras no site da FPF:



Atenção: 4.932 ingressos devolvidos. E gente do lado de fora!!!

É um absurdo completo que tal situação ocorra, e revela a burrice dos cretinos que proporcionam aberrações como o Guaratinguetá de Americana de Guaratinguetá. Que a cidade me desculpe, mas aí está mais um clube que deve acabar.

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Fotos mostrando a situação dentro do Dario Rodrigues Leite. Atenção para os enormes espaços vazios:

Confinada à cabeceira atrás do gol, a torcida do Palmeiras acabou ocupando todos os outros setores do estádio. Os "torcedores" (como alguém pode torcer por um time itinerante?) da casa não deviam ser nem 20% do público presente.

E os espaços vazios nas duas imagens seguintes:


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Já vi muitas faixas cretinas nesses anos todos de estádio, mas nenhuma me pareceu tão sem noção quanto a desta "torcida organizada" do Guaratinguetá:


Algum palpite aí sobre o que seria "nação especialista"?

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Grande vitória do Napoli sobre o Chelsea no San Paolo! Vitória do futebol com alma sobre o maldito futebol moderno! Vitória da tradição sobre o dinheiro sujo! Vitória do futebol sobre o marketing! Um 3-1 que ficou até barato para o artificial time londrino. Forza, Napoli!

16 fevereiro 2012

Um busto para Barcos






É lógico que trata-se de um exagero, mas o título do post se faz necessário para demonstrar o tamanho da atitude de Hernán Barcos. O camisa 29 provavelmente nem sabe disso, mas o "Hijo de puta" que ele soltou na coletiva é a resposta que todos nós gostaríamos de dar a este circo que a Rede Globo ousa chamar de jornalismo esportivo.

"Filho da puta! Não estamos aqui para brincadeira"

Porque futebol, Rede Globo, não é brincadeira. Futebol é coisa séria. E jornalismo também. Não há espaço para piadas estúpidas, não há espaço para jornalistas que se portam como palhaços, não há espaço para criaturas como Tiago Leifert, que escreveu isto aqui em seu Twitter hoje:


Vocês bem sabem qual é a minha opinião sobre o cidadão que comanda o programa de esportes da Rede Globo. E vocês sabem o que eu penso da emissora em questão. Mas o que penso desse caso todo pode ser assim resumido:



Barcos pode não ter tido a intenção de fazer isso, mas foi a voz de todos os que desprezam este pretenso jornalismo que a Rede Globo quer impor como padrão. E a minha gratidão é maior que a de muitos de vocês, porque as palavras que ele dirigiu ao repórter filhote de Tiago Leifert têm validade na condição de torcedor e de jornalista.

À merda com o circo disfarçado de jornalismo. Foi preciso que um argentino, aí sim um "país do futebol", viesse até aqui para ser a voz dos torcedores (e dos jornalistas) que fazem do futebol o que ele é de verdade.

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Alguns poucos posts sobre esse imbecil e sobre a emissora de TV:





Que respeito é esse? (02.03.2011)



O futebol no Projac (04.06.2008)

15 fevereiro 2012

Até as Malvinas, Fifa?



A última da Fifa:

A AFA decidiu nomear o Clausura/2012, que teve início no último final de semana, como Torneo Crucero General Belgrano, homenagem ao navio afundado pelos ingleses durante a Guerra das Malvinas (que completa agora 30 anos). Também por ocasião disso, a Copa da Argentina foi rebatizada como Copa Gaucho Rivero, referência a um soldado que liderou a resistência à ocupação da ilha pelos ingleses.

Eis então que a Fifa, esta entidade decrépita dirigida por uma corja de velhos sujos, emitiu um estúpido comunicado que diz mais ou menos o seguinte:
"A Fifa pediu que a AFA forneça mais informações sobre este assunto, e lembrou à AFA do artigo 3 dos estatutos da Fifa que proíbe quaisquer tipos de discriminação contra um país, pessoa privada ou grupo de pessoas por conta de origem étnica, gênero, idioma, religião, política ou qualquer outra razão. Uma potencial mudança de nome da Liga de Primera División claramente infringiria o artivo acima mencionado e pode sofrer sanções de acordo com os estatutos da Fifa."

Eu não quero me debruçar sobre a história por trás das Malvinas e mesmo sobre tudo o que levou à situação de guerra entre os dois países. Não é o caso. Mas o ponto todo é que um país como a Argentina, sabidamente zeloso de sua história, tem todo o direito de nomear o seus campeonatos nacionais da maneira que bem entender. E é belíssimo o nome de Crucero General Belgrano, porque, acima de qualquer confronto com outra nação, faz referência a um episódio histórico importante para um povo e para as mais de 300 vítimas do naufrágio. Assim como Gaucho Rivero, um nome que consegue, por si só, traduzir o espírito de resistência e luta do argentino.

Mas a Fifa, este órgão censor e destruidor do futebol, resolveu criar polêmica sobre a questão. Vejam que absurdo: ninguém reclama de campeonatos com nome de empresas, mas a Argentina não pode homenagear a sua história no nome do campeonato nacional? Naming rights? Ah, isso ok. Homenagens históricas? Aí os velhos malditos resolvem intervir.

Querem mesmo acabar com o futebol...

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A foto que abre o post é do Estadio Islas Malvinas, no bairro Floresta, em Buenos Aires. É a casa do pequeno grande All Boys.

A Mancha e as autoridades



Vou me ater aos fatos, procurando, na medida do possível, deixar de lado tudo o que penso sobre as autoridades envolvidas:

28 de agosto de 2011, Palmeiras 2-1 SCCP, Presidente Prudente. Os bravos, valorosos e destemidos homens do Choque não conseguem separar as torcidas rivais no lado externo de Prudentão. Elas quase entram em confronto na parte baixa do estádio. Sem preparo algum para lidar com a situação, os PMs disparam contra a multidão. Balas de borracha? Não. Arma de fogo mesmo. Tiros pra valer. Dois palmeirenses são baleados. Um deles fica quatro meses no hospital.

Resultado até o momento:
-A polícia local já prorrogou o inquérito por quatro vezes. Quer evitar a condenação dos comandantes da operação - e repito: os caras atiraram contra uma multidão e quase mataram um torcedor.
-À Mancha foi imposta mais uma entre as tantas punições contra a torcida, desta feita por tempo indeterminado.
-A organizada adversária, que, a rigor, ultrapassou o que seria a fronteira imaginária entre as torcidas, sequer foi incomodada.

Lá se vão quase seis meses do ocorrido, senhores. Seis meses. Os policiais que atiraram contra centenas de torcedores seguem praticando atrocidades por aí (é provável que tenham feito o policiamento no último clássico contra o Santos e é ainda mais provável que estejam no próximo, contra o SPFC). A organizada do SCCP segue sem ser incomodada, podendo fazer o que bem entender sem qualquer represália. E a Mancha continua punida. Sem qualquer explicação adicional. Está afastada dos estádios desde aquele jogo. Sem faixa, sem bandeira, sem bateria, sem camisas. Como nos maus e velhos tempos de 1995 a 2003.

A última notícia? Bom, o promotor responsável pelo caso (ofereço uma recompensa para quem me apresentar um único promotor público que esteja interessado no bem público) prometeu analisar a situação em abril (!). E até lá a Mancha continua banida dos estádios pela FPF e pelos nobres homens da lei.

Com um detalhe importante: a partir do início deste ano, a Mancha passou a levar aos estádios uma enorme faixa com a inscrição "São Marcos Eterno". Ela foi aceita nos primeiros jogos do ano, mas também está proibida. Por quê? Não há o que justifique.

Enquanto isso, as outras torcidas brigam entre si, atiram objetos no gramado e fazem o escambau sem que nada aconteça.

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Parabéns aos senhores Arnaldo Tirone e Roberto Frizzo. Se pensarmos que eles foram os responsáveis por todos os últimos jogos em Prudente, é deles também a culpa por estarmos já há quase seis meses sem a principal torcida organizada do clube na arquibancada.

14 fevereiro 2012

Turiassu, 1840 (6)



874T/10. O Lapa T era quase certeza de enquadro. Ainda mais na volta (já como Ipiranga) e à noite. Mas era tão grande a multidão ali espremida no quarteirão final da Venancio Aires que não restava opção: se despontava o Ipiranga dois quarteirões adiante, em meio à escuridão, sabíamos que seria aquele o nosso transporte de volta. Turiassu, Marechal Deodoro, Angélica, Paulista, Paraíso, Vila Mariana, Lins, Cambuci, Dom Pedro, Museu. Isso tudo, é evidente, se não fôssemos todos parar na delegacia em algum ponto entre a Angélica e o Metrô Vila Mariana. Seguíamos 30, 40, 50 vagabundos em uma viagem que, muitas vezes, era melhor até que o próprio jogo. Era uma parte considerável da Mancha Centro-Sul. Era a CIA (Cambuci, Ipiranga e Aclimação). E sim, só eu podia ficar no último banco do lado direito, e, admito, não poucas vezes tive de apelar para certa truculência em nome disso. Mas é que aquele sempre foi o melhor lugar para puxar os gritos e enxergar tudo o que se passava no ônibus, além do que vinha pela frente – viaturas da polícia, emboscadas, aglomerações etc. Cabeça e metade do tronco para fora, o vento na cara, o grito ecoando alto na noite paulistana. (Por sinal, a SPTrans destruiu parte disso quando mudou a janela dos coletivos mais novos.) Tantos foram os amigos daqueles seis ou sete anos, e a melhor parte é perceber que muitos continuam na ativa até hoje. Não mais de ônibus, mas ainda mais na ativa do que naqueles anos. Galuppo, Johnson, Zoinho, Luiz, Passarinho, Amaury, Lopes, Maníaco... E, em meio às tantas dificuldades de se viajar de ônibus em uma multidão por vezes incontrolável, aqueles anos fortaleceram a nossa relação com o Palmeiras para toda a vida.