28 fevereiro 2011

A modernidade leonor

Daqui a cinco, 10 ou 20 anos, durante qualquer jogo antecedido ou ocorrido em meio a tempestades como a de ontem, um de nós haverá de comentar: “Mas aquela tarde contra o SPFC no Jd. Leonor foi ainda pior...”. Sim, porque todos os que estivemos por lá na tarde do último domingo participamos de um acontecimento que pode se equiparar a outras tardes memoráveis do torrencial verão paulista. De imediato, consigo me lembrar do Palmeiras 3-1 SCCP de 1998, do Palmeiras 2-1 Fluminense de 1999, do São Caetano 1-2 Palmeiras de 2007... e peço ajuda aos senhores para lembrar de outros.

São jogos que serão sempre associados a grandes tempestades. A maioria pode nem se lembrar dos gols ou dos resultado, mas todos terão lembranças da chuva. A de ontem, por exemplo, teve lá suas particularidades. Bem antes da partida, por volta das 14h, a chuva pareceu descer a Giovanni Gronchi em nossa direção. Não deve ser impressão minha, e os amigos que por ali estavam podem me corrigir, mas a água pareceu descer a avenida, permitindo ainda que alguns corressem em direção ao estádio para escapar dela. De nada adiantou, uma vez que os bravos e valorosos homens do 2º BP Choque não permitiram o acesso à arquibancada.

Lá fora ficamos, alguns abrigados perto da bilheteria do visitante (aquela merda ainda funciona?), outros no ponto de ônibus, alguns tomando chuva mesmo. A coisa só melhorou quando, abertos os portões, pudemos ficar embaixo da arquibancada, esperando que aquela água toda parasse de cair em algum momento qualquer. Conversa daqui, conversa dali, e nada de a chuva parar.

Quando entrei na arquibancada, 10 minutos antes das 16h, só o que consegui ver foi o gramado alagado e o meu lugar habitual, o primeiro degrau perto do muro lá de baixo, completamente submerso, com direito a neguinho com água pelos joelhos e outros até nadando naquele aguaceiro podre. Até desci um pouco para me certificar do ocorrido, e percebi então que o SPFC é um time tão à frente de seu tempo que já pensou em fazer uma piscina na arquibancada para alegrar o público. É a vanguarda leonor...

Chovia, chovia e chovia. E ficamos ali, embaixo da arquibancada, entre informações desencontradas e conversas sobre outros jogos disputados sob chuvas torrenciais. E meu medo, confesso, era que o jogo fosse adiado, sei lá, para a segunda-feira à tarde. Era a informação que corria, e então eu já comecei a pensar no malabarismo que teria de fazer para deixar o trabalho no meio da tarde de segunda para ir pra guerra. Meia hora de espera... e depois mais meia hora. Conversávamos sobre a possibilidade de adiar o jogo para outro dia, mas parecia mesmo não haver data disponível.

A chuva, que não parou um minuto sequer durante todo o dia, cessou em determinado momento e então a vanguarda leonor se fez notar mais uma vez. Em meio àquele cenário que um dia foi estádio de futebol, entraram em ação os modernos rodos do Jd. Leonor. Eram dezenas de sujeitos empurrando a água para as laterais do gramado, e eu só não sei dizer como foi que conseguiram fazer a drenagem dos bancos de reservas e dos vestiários – porque, segundo informações vindas pelo rádio, estavam eles também todos alagados.

De volta à arquibancada, notei então que meu lugar na arquibancada tinha reaparecido. Esvaziaram a piscina! Vejam só como são arrojados, pioneiros e diferenciados esses dirigentes do nosso inimigo: a piscina enche e esvazia muito rapidamente. É a modernidade, senhores. Aí, já com a água da piscina escoada para os setores inferiores (piscina com cachoeira, vejam que moderno...), pudemos descer e lá fiquei eu, um pé no primeiro degrau da arquibancada e outro apoiado no muro.

A visão dali é privilegiada, com o gol logo abaixo, os alienados um pouco à direita e todo o campo à esquerda. Isso, é claro, sem falar em todos os outros diferenciais do antro leonor: o buffet infantil seguia firme e forte, com seu moderno trenzinho entrando e saindo do campo; lá do outro lado, a academia parecia um ponto de encontro de gente mais preocupada em confraternizar do que com o jogo que aparentemente acontecia ali no gramado.

Ao jogo, portanto. Começo por dizer que houve respeito a todos os doentes que pagaram pelo menos R$ 40 para tomar toda aquela chuva e que por ali ficaram em meio à indefinição entre dirigentes, árbitros (agora tem mais dois para palpitar) e demais interessados. Se houve pressão da emissora que transmitia de TV, não faz muita diferença. Importante é que os torcedores de verdade, aqueles que enfrentaram todos os obstáculos para ir a campo, puderam assistir a um clássico à altura da história.

Palmeiras e SPFC foram a campo, cada qual exibindo o que podia. O SPFC abusou da velocidade de seus atacantes. Ao Palmeiras, couberam o esforço coletivo e as ilhas de talento tentando se sobressair para igualar o duelo. O empate, ao final, me pareceu ser o resultado mais justo, e o Palmeiras não poderia mesmo deixar o Jd. Leonor com uma derrota, tantas foram as chances criadas e tamanho foi o empenho de seus dois principais jogadores, Kléber e Valdívia, ambos lutando contra a falta de qualidade do restante do grupo.

Valdívia, Kléber e dali para Adriano. O gol do empate, suado, sofrido e molhado, premiou o esforço do time e a vibração dos nossos 3.600 guerreiros. Depois de tantos gols que deixaram de existir, o chute de Adriano, cruzado, rasteiro e seco, foi o chute que todos nós, molhados até a alma, gostaríamos de desferir contra aquele mau-caráter que personifica toda a sujeira do adversário. GOL, PORRA! Só sabe o que é essa felicidade quem vai a estádios e toma toda essa chuva à espera de um momento que pode ser único – como foi.

Do outro lado, a massa de alienados bambis ficou calada durante a maior parte do jogo, um pouco mais nos minutos finais, quando os visitantes tentávamos empurrar o time à vitória. E ela bem poderia ter vindo, para acabar de uma vez por todas com esse tabu que, admito, já incomoda há muito tempo, por mais que seja sustentado, todos sabemos, por muitos e clamorosos "erros" de arbitragem.

Se não veio a vitória, resta a certeza de que estaremos lá no Jd. Leonor em todas as próximas vezes, sempre prontos a defender o Palmeiras e a lutar contra o inimigo mortal. Foi assim em todas as últimas, e será assim sempre.

Com o passar dos anos, o clássico será lembrado por cada um de nós por todo o ambiente que o cercou: o início da chuva, ainda do lado de fora; a espera embaixo da arquibancada; as conversas com os amigos; as informações desencontradas; o temor de um jogo remarcado para segunda à tarde; a frustração por não poder encarar de frente o inimigo; os torcedores que não conseguiam chegar ao campo; a piscina no nosso lugar; o frio que veio em decorrência da chuva; o ódio sempre presente; a dificuldade para chegar à área adversária; o gol que trouxe alívio para o nosso lado; o clássico, enfim. E sempre haverá algum para acrescentar um detalhe aqui e ali.

Para encerrar, deixo um recado para os leonores: entendo que vocês, modernos, arrojados e visionários que são, queiram ampliar as opções daquilo que já foi um grande monumento ao uso particular do dinheiro público, mas já foram além da conta. Tudo bem que queiram construir dentro do estádio (?) bar, academia, livraria e até buffet infantil, mas o meu lugar na arquibancada eu ainda prefiro que seja só um pedaço de cimento e não uma piscina.

***

-O empate acabou sendo satisfatório em termos de pontuação, mas fica a sensação de que poderíamos ter ido além;

-O que tivemos depois do jogo foi mais um pouco do modus operandi do adversário: zagueiro analfabeto vindo a público inventar história, dirigentes apelando para ironias, pressão sobre a arbitragem já buscando vantagens no futuro etc. Logo eles, tão beneficiadas pela arbitragem e pelos fatores extracampo;

-A chuva mudou a prioridade, mas, antes do jogo, a ideia era escrever sobre o processo que destruiu a identidade dos clássicos paulistas. Fica para um próximo post;

-Os coxinhas estão cada vez mais restritivos, e agora o contato visual entre as duas torcidas antes do jogo não existe mais, com uma divisória que ocupa toda a Giovanni. Isso ao menos serviu para interromper o tráfego de veículos pesados na avenida que dá acesso ao nosso setor.

26 fevereiro 2011

O Clássico do Ódio

Domingo é dia de guerra! É dia de Clássico do Ódio! É dia de encarar o inimigo mortal! É dia de ser mais Palmeiras! É dia de acabar com esse incômodo tabu! É dia de foco total e absoluto no duelo com a escória! Concentração desde agora. Nossos 3.600 guerreiros seguram no grito toda a multidão de alienados do outro lado. Pra cima, Palestra! É guerra!

***

13h30 lá no lugar de sempre. Concentração total.

24 fevereiro 2011

A bandidagem institucionalizada

Gostaria de ter o tempo disponível para escrever um texto decente e concatenado sobre toda a putaria em que se envolveram os grandes clubes brasileiros. Na ausência de tal recurso, deixo-os com comentários soltos sobre a balbúrdia:

-Qualquer iniciativa no sentido de romper o monopólio da maldita Rede Globo deve ser considerada. Qualquer. Venha o dinheiro de onde vier. Inclusive porque o dinheiro advindo do dízimo é tão sujo quanto aquele ganho com programas alienantes e com toda uma história de desserviços prestados ao país;

-O que mais me impressiona nessa história toda é que a manipulação orquestrada pela Rede Globo e pela CBF acontece na cara dura, sem qualquer tentativa de mascarar as intenções por trás de cada ato. A “compra” dos clubes dissidentes acontece à luz do dia, sem qualquer receio, como se ninguém mais estivesse preocupado com a história;

-A postura da Globo deve ser investigada pelo CADE, uma vez que o que está em curso é uma descarada tentativa de reserva de mercado. Vejam: uma empresa quer investir no futebol, mas não consegue porque uma outra, mais poderosa, impede que a primeira sequer faça a sua oferta;

-Os dirigentes que já debandaram são todos bandidos (ou bandida, no caso daquela que preside o Flamengo). Bandidos! Sem meias palavras. São canalhas que, em vez de buscarem a vantagem financeira para todos os clubes, querem mais é fazer a politicagem barata (e terrorista) de Ricardo Teixeira;

-Tomemos a liberdade de encarar a transmissão televisiva dos jogos como um produto. Em sendo assim, é natural que os clubes queiram buscar a melhor condição financeira (quem paga mais?) e as melhores condições operacionais (horários dos jogos, visibilidade para as marcas de patrocinadores etc.). Portanto, a tentativa de impedir que as propostas sejam comparadas constitui uma afronta aos interesses de cada clube. E seus dirigentes deveriam explicar o que provoca a debandada;

-Se tomar o mesmo rumo o senhor Arnaldo Tirone, será ainda mais bandido que os outros todos;

-O Flamengo é (e sempre foi) o único campeão brasileiro de 1987. Contestações a isso eram ou oportunistas (caso dos bichas) ou desesperadas (caso do pequeno Ixpót). Não há, portanto, qualquer razão para levar a sério a decisão da CBF, uma vez que ela própria contestou a verdade durante mais de duas décadas;

-O fato de usar essa oficialização como moeda de troca para comprar a cretina que preside o Flamengo ilustra o real tratamento concedido pela CBF à história do futebol brasileiro;

-O Ixpót é um time de merda e jamais poderá sonhar em um dia ser campeão brasileiro de fato. Time de merda, torcida de merda!;

-O SPFC não tem nada de santo – e nunca poderia ter! –, ainda que fique sozinho na briga. A postura dos leonores na imbecil discussão sobre a taça das bolinhas é sintomática disso. Mas coloco em jogo também os interesses do marqueteiro do mal, o senhor Julio Casares: além de diretor de marketing do SPFC, o sujeito é também diretor da Rede Record. Interesse pessoal, percebem? Não dá pra levar a sério;

-Minha opinião final: os direitos de transmissão deveriam ser estatizados, a exemplo do que aconteceu na Argentina há cerca de três anos, com a implementação do programa Fútbol para todos;

-Se, por algum motivo, este racha inviabilizar a transmissão dos jogos de futebol a partir de 2012 (é uma hipótese mínima), perderão os clubes, mas não o torcedor. Porque torcedor é aquele que vai a estádios e, portanto, a televisão pouco importa para ele.

23 fevereiro 2011

O post número 1.000

Chegamos ao post 1.000 deste blog! Se tivesse disponível o tempo necessário, a ideia era levantar um TOP 10 com os melhores posts de toda a história do blog ou então fazer uma retrospectiva de tudo de melhor que já consegui escrever neste espaço. Infelizmente isso não será possível, mas eu gostaria de ao menos fazer um breve registro destes 1.000 posts.

É uma marca notável, e eu confesso a todos vocês que não é nada fácil manter uma página dessas na ativa depois de tanto tempo, com os mesmos princípios, com o mesmo fôlego e com o mesmo ritmo de atualização. São cerca de 200 posts por ano, e os leitores mais antigos devem se lembrar que esse projeto tem na verdade mais de oito anos, pois o blog que eu mantive no BliG, com os mesmos ideais, teve lá seus três anos de duração (de janeiro de 2003 a abril de 2006), para então ceder espaço a este novo blog. Em verdade, os dois blogs são um mesmo projeto; só o que mudou foram a plataforma e o endereço.

A maior satisfação que tenho com este “Forza Palestra” é que ele se consolida como um espaço de resistência ao tal futebol moderno. É uma página rebelde o tanto quanto pode ser, totalmente pessoal, com a minha cara, com as minhas opiniões, com as minhas brigas, sem concessões. Radicalismo, extremismo, paixão e ódio, a emoção à frente da razão. Alma! Não há pretensões comerciais, não há interesses profissionais, não há sequer o intuito de ser uma página de cunho jornalístico (por mais jornalista que eu seja, bem ao contrário de uns e outros por aí). O que temos aqui não é um blog de notícias ou de informações que não levam ninguém a lugar algum; é um blog da arquibancada. É um blog que prega o futebol com alma. É um blog que respeita o futebol como ele é: como guerra e como manifestação popular por definição. E a maior vitória que eu posso ter é saber que há outras pessoas que pensam como eu e que efetivamente levam o futebol a sério.

De maneira simples e direta, gostaria então de agradecer a cada um de vocês pela audiência, paciência e participação desses últimos cinco anos de blog – e, aos mais antigos, pelos oito anos desde que eu comecei com essa loucura de blogs. Sempre que penso em dar um tempo ou quando me questiono sobre a validade de seguir dedicando tanto tempo e empenho a este projeto, logo aparecem comentários ou emails (normalmente de pessoas que eu sequer tive o prazer de conhecer) e eu percebo que isso tudo tem uma razão de ser.

Obrigado a todos!

21 fevereiro 2011

O país do futebol? (3)

A terceira edição (confiram aqui a primeira e a segunda) da série "O país do futebol?" traz vídeos da Turquia, da Inglaterra e da Croácia.

Vídeo 1: Istambul: taí uma cidade que eu preciso conhecer o quanto antes. Porque poucos povos são tão dedicados ao futebol quanto os turcos. Adianto que todos os principais times de lá terão espaço por aqui, mas hoje ficaremos só com o Fenerbahçe. Começando por um embate contra o Chelsea, o símbolo supremo deste maldito futebol moderno. Vale pelo clima criado pela torcida e até pelo hino da Champions League (ao fundo).


Vídeo 2: Eis o que diferencia os brasileiros dos torcedores de outros países: se aqui a organizada canta sozinha, diante da apatia do resto do estádio, lá fora o incentivo é amplo, geral e irrestrito. Confiram:


Vídeo 3: Não poderia faltar algo relacionado ao clássico Fenerbahçe x Galatasaray. A festa da torcida da casa é algo sem igual - e jamais seria possível em um país como o Brasil, vitimado por uma imprensa reacionária e por figuras como Fernando Capez e Paulo Castilho. O vídeo é um pouco extenso, mas vale acompanhar até o fim. Além da festa toda e do incidente que remete ao vídeo do Chacarita, vale atentar à vibração e ao barulho do público nos dois gols.


Vídeo 4: Quando eu vejo algum moleque com a camisa do Chelsea pelas ruas de SP, eu sinto o futebol perdendo mais um pouco da sua alma. Porque o Chelsea, não custa repetir, sintetiza toda a escória em torno do futebol. E o esporte (notem que só existe um esporte, o que me permite usar a palavra sem qualquer aposto) sobrevive lá no Reino Unido não nestes grandes clubes com apoio midiático, mas nos (muito) pequenos. O vídeo abaixo nem é assim tão bom, mas é necessário para registrar a presença de 9.000 torcedores do pequeno Crawley no Old Trafford, em Manchester, para jogo válido pela FA Cup. Foi sábado agora, e o Crawley (que disputa a quinta divisão inglesa) perdeu por 1 a 0. O que importa, no entanto, é a ida de toda essa multidão do sul ao norte do país (em termos de distância e de tamanho das cidades, seria como se toda essa gente seguisse de Jundiaí até o Rio de Janeiro). Vale o registro.


Vídeo 5: Por mais que o objetivo aqui seja a divulgação de imagens feitas por torcedores, não dá para ignorar este vídeo oficial sobre o centenário do Hajduk Split, da cidade de Split, na Croácia. Por oficial que seja, não se trata de uma peça institucional: não há dirigentes, não há jogadores, não há nenhum tipo de pilantra aparecendo; temos só torcedores. E o envolvimento da cidade em torno do centenário do time é digno de admiração. Croácia, senhores!


***

*Agradecimentos desta semana: Gabriel Manetta Marquezin (é dele a indicação para o vídeo do Hadjuk Split), Marcel Druziani e Marcel Romanovas. E, acreditem, à Folha de S.Paulo, que trouxe na edição de sábado uma matéria sobre o Crawley.

*Considerando que o jogo Manchester United 1-0 Crawley aconteceu agora no sábado e que outros vídeos podem subir nos próximos dias, agradeço se alguém puder me enviar algum melhor.

*Podem continuar mandando sugestões. Tem muita coisa acumulada, mas é sempre bom ter novas opções para escolher.

20 fevereiro 2011

Ganância e burrice

O que motiva, mas não justifica, a cobrança de R$ 60 por uma arquibancada no jogo disputado hoje à tarde em Mogi Mirim é a presença da torcida do Palmeiras, uma vez que o time da casa, sozinho, é incapaz de levar mais de 2 mil pagantes ao estádio.

Em sendo assim, eu gostaria que alguém me explicasse (talvez o dono do Mogi Mirim, aquele ex-jogador que um dia já vestiu a nossa camisa) qual é a lógica de cobrar R$ 60 se você deixa a torcida visitante confinada a um espaço reduzido e deixa vazio todo o restante do (bom) estádio?

O ingresso a R$ 60 é fruto de ganância do pequeno time de Mogi. Só isso. Mas aí a ganância deixa de fazer sentido a partir do momento em que você dificulta a vida da torcida visitante e consegue deixar gente para fora. Pois é, nego estava disposto a pagar R$ 60 pelo ingresso de um jogo menor e aí a porra do time pequeno ainda deixa ele pra fora? Aí vira burrice!

Vejam como estava o espaço da torcida mandante hoje à tarde:

Havia uma meia dúzia ali no meio, no trecho novo de arquibancada, e mais um pouco do outro lado, já perto da numerada (incluindo um grupo de crianças, algumas das quais comemoraram o anúncio do gol do SCCP). De resto, tudo vazio.

Agora, vejam a imagem abaixo:

Não havia espaço para mais ninguém, tanto que a PM solicitou à Mancha que retirasse a sua faixa do alambrado. Por quê? Porque era preciso que os torcedores, já sem espaço na arquibancada, conseguissem ao menos ver o jogo. Só isso. Por R$ 60!

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A grua da Globo foi ainda mais nociva ao torcedor na tarde de hoje. Mais do que em qualquer outro jogo, já que encobria parte essencial da visão que tínhamos lá da outra grande área:


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*Quanto ao time, creio que nem seja preciso falar sobre os tantos gols perdidos. Preciso apenas ressaltar que a escalação de Rivaldo e Márcio Araújo representam uma afronta ao torcedor palmeirense.

*Quando fui ao estádio de Mogi pela primeira vez, ele se chamava Wilson Fernandes de Barros. Depois, na segunda, ele se chamava Papa João Paulo II. E agora, a terceira vez, a porra do campo já tem outro nome, no caso o do pai do ex-jogador que um dia vestiu a nossa camisa. Qual será o próximo?

19 fevereiro 2011

C13, TVs e o torcedor


Juca Kfouri, os senhores bem sabem, não é figura bem vista por aqui. Mas é necessário, no entanto, reproduzir texto publicado por ele hoje em seu blog (e em matéria da FSP, com conteúdo bastante semelhante) para que os senhores todos tomem conhecimento do que está acontecendo nos bastidores dessa negociação pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

Leram?

Pois tenho alguns comentários a fazer, tomando por bases trechos extraídos do blog do Juquinha (que, por desprezível que seja, tem lá suas fontes, particularmente quando se trata de negociatas entre dirigentes):

"E que o Flamengo venha junto porque a Traffic, que quer vender o patrocínio de Ronaldinho Gaúcho, não tem dúvida de que a exposição na Globo vale mais que em qualquer outra emissora neste momento em que a Record aparece como candidata ao Brasileirão."

Notem os senhores que a Traffic de J. Hawilla está sempre contra o torcedor de futebol neste país. Sempre. E aqui, como de costume, age apenas em nome de seu interesse financeiro imediato.

"Porque de fato a audiência do futebol cai depois da novela e do Faustão, às quartas-feiras e domingos. Alegam que se eventualmente a Record vencer e puser os jogos às 20h, não só a exposição de seus patrocinadores perderá em relação à Globo como, por outro lado, perderá em audiência para a programação global, seja com o Jornal Nacional, seja com a novela."

País do futebol, é? Está mais para país da novela, do BBB e de todas essas aberrações alienantes.

O futebol não pode ficar subordinado à grade de programação de uma emissora de TV.

A verdade, meus caros, é que a Globo, suja que é, fará todo tipo de pressão nos bastidores para continuar submetendo o verdadeiro torcedor de futebol aos horários pornográficos e às constantes manipulações da tabela. Vale tudo, e o apoio de Flamengo/Traffic e SCCP é um trunfo dos mais fortes.

O torcedor, aquele que vai a estádio, fica só esperando o resultado dessas negociatas podres. Pouco podemos fazer agora, a não ser aguardar que os outros clubes todos, aqueles que se posicionaram contra Ricardo Teixeira, contra a Traffic e contra a própria Rede Globo (o Palmeiras incluso), tenham um mínimo de caráter para fazer valer agora não o jogo de interesses de empresários safados, mas sim os benefícios para os clubes (mais dinheiro e a liberalidade de se falar o nome de patrocinadores nas transmissões) e para o torcedor (horários decentes e o fim das manipulações da tabela).

18 fevereiro 2011

No al calcio moderno

A imagem da semana, por Gennaro Gattuso:


"Bastardo italiano" é o caralho, seu inglês de merda!!!

A reação de Gattuso foi mais uma contra o maldito futebol moderno. Pouco importa a decisão da Uefa! A imagem acima vale mais.

NO AL CALCIO MODERNO!

15 fevereiro 2011

O país do futebol? (2)

É o segundo capítulo desta nova (e única, a bem da verdade) seção do blog. Dando sequência ao que teve início aqui, seguimos com mais vídeos que se propõem a mostrar que o Brasil pode ser o país de muitas coisas, mas o futebol certamente não está entre elas.

Começando pela Argentina, onde vive o futebol:

Vídeo 1: San Lorenzo e Huracán fazem um dos grandes clássicos de Buenos Aires. A rivalidade é enorme e o vídeo que os senhores veem abaixo mostra simplesmente a barra do Huracán entrando no estádio com uma faixa tomada da hinchada rival. Não contentes com a vitória fora de campo, os caras levam para o clássico o trapo dos inimigos e cantam isso para todo mundo ouvir - mais especificamente para a Buteler, a barra do San Lorenzo. Imaginem, senhores, a Mancha entrando no Pacaembu com uma faixa tomada das Gaviões. Conseguem visualizar uma cena dessas no restritivo, reacionário e censor futebol brasileiro? À Argentina, pois.
Isso me lembra do seguinte: 2005, Libertadores, SPFW-River Plate. Lá estava eu na geral do Jd. Leonor em meio àquele clima de guerra entre os hinchas do River e os coxinhas. Lá pelas tantas, os caras exibem uma faixa com as cores azul e amarela, do Boca, nesse mesmo esquema da barra do Huracán. No dia seguinte, um comentarista me solta o seguinte: "Na Argentina a rivalidade é diferente... Todo mundo torce pelo time do país na Libertadores. Até a torcida do Boca tinha faixa na torcida do River".

Mais um detalhe: o melhor vídeo sobre o ocorrido acima está aqui, mas o cara que postou não permite a incorporação.

Vídeo 2: Continuamos no mesmo jogo. Eis que a hinchada do San Lorenzo, em minoria, não gostou nada da situação e tentou partir pra porrada. Parou na polícia, mas representou bem...


Vídeo 3:
Aqui é San Lorenzo e é preciso virar o jogo. Deixo-os com a festa da hinchada do Ciclón, neste mesmo clássico na cancha do Huracán. "Que te pasa quemero... Que no aguanta cuando ven a San Lorenzo". Aí vai o revide.


Vídeo 4: Nueva Chicago. Você conhece? Pois vamos lá... No ano passado, como parte da minha maratona em Buenos Aires, escolhi ver um jogo da 3ª divisão só por causa da torcida do time de Mataderos. E valeu muito a pena! Mataderos, é bom que se diga, fica na zona oeste de Buenos Aires, já quase fora da Capital Federal. Não se chega até lá de Metrô, só de ônibus. O Nueva Chicago é mais um desses pequenos grandes clubes de bairro da capital argentina e, como tal, tem uma torcida das mais apaixonadas - e violenta. Em 2004, com o time já rebaixado para a segunda divisão, 6 ou 7 mil torcedores percorreram o equivalente a 25 quilômetros (de Mataderos a Avellaneda) só para se despedirem da equipe na última rodada em uma noite fria. Só pra isso...



Vídeo 5: De Buenos para Rosario, com a "hinchada que nunca abandona". Aí vai a gente do Newell´s Old Boys. Atenção para os trapos tomados da barra do Rosario Central ali atrás do gol.



Vídeo 6: O futebol da Grécia vai aparecer aqui algumas vezes. Tem torcidas fortíssimas, rivalidades acirradas, brigas homéricas (com o perdão do trocadilho que saiu meio sem querer e acabou ficando). Vamos começar com a do Panathinaikos.


Vídeo 7: Se você é torcedor, já foi ao estádio de trem, certo? Então deve saber bem qual é a postura dos urubus do Metrô e como funciona a vigilância durante nossas viagens na ida ou na volta do estádio. Então veja como funcionam as coisas na, como vamos chamar?, moderna Alemanha.

***

Fica aqui o agradecimento a todos os leitores que colaboraram enviando sugestões de vídeo. A ideia é aproveitar cinco ou seis por seção, e todos serão avaliadas para entrar aos poucos. Alguns dos vídeos acima foram indicados pelos palestrinos Luiz Romani, Rafael, Nicola e Gabriel Manetta. Valeu!

13 fevereiro 2011

De 1-0 em 1-0

Palavras como "falhas", "sufoco" e "limitado" e expressões como "time do 1 a 0" e "ataque fraco" dão o tom do noticiário deste domingo, dia seguinte à vitória do Palmeiras sobre o Americana de Guaratinguetá por, vejam os senhores, 1 a 0. Nota-se a clara intenção de menosprezar a campanha do líder do Paulistão, do time que perdeu o seu único jogo por acidente, da equipe que sofreu apenas 3 gols em 8 partidas.

Fosse o time do Jd. Leonor na mesma situação, e os senhores já podem imaginar quais seriam as manchetes, não?

O importante, caro palestrino, é ignorar tudo o que vem da imprensa esportiva. Não precisamos de nada que seja publicado em jornais e sites de notícias. O Palmeiras é maior que tudo! Nós crescemos apesar desta corja oportunista, nós seguimos em frente a despeito da vontade de quem defende os interesses leonores.

E não existe nada mais bonito que uma vitória por 1 a 0...

***

*O Americana de Guaratinguetá não tinha torcida no Pacaembu. Havia lá do outro uma meia dúzia de vagabundos, provavelmente empresários canalhas e familiares dos que estavam dentro de campo. Nada além disso. Mas quem deveria estar ali, a bem da verdade, era o senhor Marco Polo Del Nero, o responsável por mais essa aberração que abandonou uma cidade e seguiu para outra por dinheiro.

*Os sobrenomes de muitos dos conselheiros eleitos ontem mostra que a podridão é enorme também entre os sócios do Palmeiras.

*Aliás, tem que ser muito vagabundo para marcar eleição em dia de jogo do time principal. Já foi assim em 2009, e o objetivo é um só: desmobilizar quem é da arquibancada. Não vão conseguir!

10 fevereiro 2011

O país do futebol? (1)

Um post diferente, só com vídeos de torcidas, para provar que a expressão "Brasil, o país do futebol" só pode ser uma piada de muito mau gosto. A ideia é fazer disso uma seção fixa do blog, trazendo sempre quatro ou cinco vídeos a cada edição. Começando agora...


Vídeo 1: Torcedores do Napoli invadem o Roma Termini (imaginem uma estação Sé de Roma, com o adicional de ser o ponto de chegada de trens de toda a Itália) antes de um jogo contra a Roma. Prestem atenção aos xingamentos contra os romanos:


Vídeo 2: O Chacarita Juniors é um time pequeno de Buenos Aires (de uma cidade vizinha, San Martín, para ser mais preciso). Mais um dos pequenos portenhos com uma hinchada que humilha quase todas as torcidas dos grandes brasileiros. O jogo, contra o Estudiantes, aconteceu no estádio do Argentinos Juniors, prática comum por lá. O restante é autoexplicativo:


Vídeo 3: É um jogo sub-12 (sim, sub-12!) na Polônia: Lech Poznań-Tottenham. O que mais me impressiona é que os moleques do Tottenham conseguiram sair de Poznań com a vitória.


Vídeo 4: Mais uma dos poloneses, desta vez em um jogo contra o Manchester City, fora de casa. Distância de Poznań a Manchester: mais de 1.300km, alguns países e um mar no meio.


O Brasil é o país do futebol? Ah, só pode ser piada...

***

Se quiserem sugerir vídeos para os próximos posts, podem deixar aí nos comentários mesmo. Eu tenho mais algumas dezenas para compartilhar, mas é sempre bom ter novas opções.

07 fevereiro 2011

A violência contra o torcedor

Vagabundos da imprensa esportiva adoram criticar aquilo que chamam de atos de violência dos torcedores de futebol. “Lamentável...”, costumam dizer. “Essas imagens mancham a reputação do futebol brasileiro no exterior”, vomitam outros. “E ainda queremos sediar uma Copa do Mundo aqui?”, questionam, indignados, coléricos e inconformados, a bunda colada em uma cadeira qualquer em seus confortáveis estúdios. Apelam para esses clichês todos e finalizam o discurso com um inevitável "esses marginais não são torcedores de futebol...".

Pouco se fala, no entanto, sobre a violência contra o torcedor. Uma violência que normalmente não é física (a não ser quando praticada pelos bravos e valorosos homens do 2º BP Choque), mas que é até pior do que se fosse. É a violência da repressão, do encurralamento, das autoridades incompetentes. É a violência dos horários obscenos, das mudanças inoportunas na tabela do campeonato, das manipulações que melhor atendam ao interesse da emissora de TV. É a violência dos estádios que são interditados para, ao custo de milhões, atenderem aos mandos e desmandos dos velhos caquéticos da Fifa. É a violência da elitização, do marketing predatório e dos empresários canalhas. É a violência dos promotores e procuradores safados, preocupados unicamente com o futuro na política. É, em resumo, a violência do tal “futebol moderno”.

Permito-me destacar mais três breves exemplos, todos eles do clássico de domingo:

1.
 O promotor Paulo Castilho resolveu aparecer mais uma vez. Sem ter o que dizer já há muito tempo e evidentemente sem ter nada mais o que fazer da vida, decidiu que era chegado o momento novamente de questionar o acordo entre as diretorias de Palmeiras e SCCP. E ocupou espaço no sempre conivente Painel FC, da FSP, no domingo e na segunda:

Painel FC, 06.02.2011

Reação

A liberação de cerca de 12 mil ingressos para os corintianos no clássico com o Palmeiras desagradou ao Ministério Público, que, por meio do Programa de Atuação Integrada, estudará meios para impedir que isso se repita. Para os promotores, a carga de ingressos deve se limitar a 5%, cerca de 2.000, especialmente em um jogo de risco, em que os ânimos estão exaltados pela queda do Corinthians na Libertadores.

Gerenciável. O argumento do promotor Paulo Castilho é que facilita a tarefa da polícia o fato de haver menos torcedores visitantes, pois a chance de torcidas adversárias se cruzarem dentro e fora da arena diminui.

Histórico. O promotor lembra que da última vez em que foi aberta exceção, no Brasileiro passado, para outro Corinthians x Palmeiras, torcedores se enfrentaram.

Segunda, 07.02.2011

DIVIDIDA

"Irresponsabilidades como permitir essa carga de ingressos ainda acarretará morte"


PAULO CASTILHO
promotor, sobre número de ingressos para o visitante Corinthians no clássico


Bem que alguém aí podia arrumar algo para ocupar a mente do promotor, não?


2.
Vejam a foto abaixo:

Pois é, nego coloca essa garrafa nojenta bem diante de nossos olhos e não percebe a incoerência contida no fato de fazerem propaganda de um produto que não pode ser vendido no estádio! 

3. Mais uma iniciativa patética do senhor Marco Polo Del Nero, o inimigo do torcedor:
Como se fosse possível e como se algum torcedor, qualquer que seja, estivesse efetivamente disposto a fazer isso. É a velha questão: ninguém pergunta ao torcedor o que ele quer e vagabundo vai impondo logo uma medida que é contrária à cultura do futebol.

06 fevereiro 2011

Não muda nada



Futebol é coisa séria. Futebol não é piada, futebol não é diversão, futebol não é brincadeira. Como os senhores leitores bem sabem, este blog não é lugar de fazer graça e o futebol por aqui é tratado como deve ser: guerra!

Feita a introdução necessária, é o caso de dizer que muita gente do nosso lado esqueceu que havia um clássico para disputar na tarde deste domingo. Não foi o caso do time, mas sim de boa parte da torcida - a minoria no estádio, é bom que se diga. Acontece que, mesmo entre os que foram ao estádio municipal, havia claramente aqueles que foram para fazer piada, deixando de lado o fato de estarmos enfrentando o nosso maior rival.

Quem vive o espírito do clássico entende que tínhamos uma guerra pela frente e que era preciso encarar assim. Como eu bem disse antes do jogo, a lógica de Palmeiras x SCCP diz que o time em pior condição costuma levar a vitória. Considerando isso e também o fato de o Palmeiras dos últimos anos já ter cansado de ressuscitar defuntos e protagonizar derrotas quando elas menos são esperadas, um resultado adverso hoje era algo bem possível.

E, acima de tudo, era um clássico. O clássico.

Pra mim, o resultado muda muito pouco. Porque o time demonstrou vontade, partiu para cima, criou grandes chances e só deixou escapar a vitória por incompetência de seus atacantes (e mais do zagueiro, a bem da verdade) e pela tarde inspirada do goleiro dos caras. Coisas do futebol, coisas que acontecem em um clássico, coisas que não mudam o cenário todo (o nosso e o deles).

O ponto é: não é esta derrota que deve mudar tudo o que pensávamos depois das cinco vitórias que se seguiram antes do clássico. O time está evoluindo, temos ainda dois retornos importantes para o meio e continuamos com Felipão no banco e com ídolos em campo. Nada deve mudar, a não ser o fato de não podermos mais aceitar a presença no time de figuras como Marcio Araújo e Rivaldo. Vejamos: nosso rival teve duas chances claras de gol (uma em cada tempo). As duas foram idênticas: tabelas na intermediária e um jogador adversário invade a área às costas do nosso lateral-esquerdo. A primeira, Marcos pegou; a segunda resultou no único gol do jogo.

Aliás, acredito que o ódio maior do palmeirense na noite deste domingo está relacionado ao imbecil que fez o gol dos caras. É apenas mais um desses tantos coitados que vão passar pelo futebol sem que seu nome seja lembrado. O vagabundo passou pelo Palmeiras, saiu pela porta dos fundos e agora vem fazer graça? Depois não vale reclamar de violência. Porque não se provoca uma torcida como a nossa impunemente.

Seguimos em frente, Palestra! O ano só está começando.

***

Mais sobre o clássico:

*Mesmo nas nossas piores crises, nunca ficamos em desvantagem de 1 para 5 na arquibancada.

*A organizada dos caras mudou de ideia no meio do jogo, é? Ou faz protesto ou não faz. Ou entra ou não entra. Ou bota a faixa ou não.

*Mais uma coisa que eu nunca consegui entender do lado de lá: o que cazzo o Senna tem a ver com futebol? E que vantagem pode existir em ter um torcedor famoso que, quando vivo, passava mais tempo fora do país do que aqui?

*Tem que acabar com essa palhaçada de camisa comemorativa para jogador que completa qualquer meia dúzia de jogos vestindo a camisa do clube. Porra, 100 jogos? Isso aí dá pra completar em uma temporada e meia. Não é motivo para festa!

*Atualizando:
Palmeiras x SCCP
336 jogos
120 vitórias do Palmeiras (492 gols)
100 empates
116 vitórias do SCCP (450 gols)

03 fevereiro 2011

É domingo!

Entre os tantos vexames que passamos na última década perdida, certo mesmo é que dois rivais nossos já livraram o Palmeiras de um dia protagonizar façanhas inéditas: não seremos o primeiro time brasileiro a perder uma semifinal de Mundial para um time africano e não seremos o primeiro time brasileiro eliminado em uma pré-Libertadores. É o que eu tenho a dizer por aqui. Todo o restante fica para domingo, porque temos um confrontro e é lá, no estádio municipal, frente a frente, que tudo acontece.

A lógica deste clássico diz que a vitória fica com o time que está em pior situação. É a lógica mais ilógica possível, mas é assim que as coisas são na história de Palmeiras x SCCP. No entanto, a situação dos caras é tão pior e tão aparentemente incontrolável que fica difícil acreditar nisso.

Eis aqui o mais importante: sem festa - porque futebol não é festa! É guerra! Vamos pra cima! É domingo!

***

Registro aqui o que já tinha feito pelo Twitter: parabéns à nossa diretoria por manter em R$ 30 o preço da arquibancada para o clássico!

02 fevereiro 2011

"Foto Torcida"

O que mais me interessa em uma partida de futebol não são os jogadores em campo; o que me mais interessa é a torcida do lado de fora. Mais importante que vencer o jogo pode ser a postura da torcida na arquibancada. Porque vitórias são passageiras, mas a grandeza de um clube se mede pela torcida que o sustenta (favor não confundir "torcida" com "massa acéfala e oportunista que espera ver o time vencer em vez de levá-lo à vitória"). E aqui o verbo em inglês ("to support") é muito mais eficiente que o nosso "torcer".

Para mim, quando se trata de buscar informações sobre partidas envolvendo outros times, o placar do jogo nem sempre é tão essencial quanto o público que marcou presença no estádio.

Nossa imprensa esportiva, débil em sua maioria, costuma ignora o fator "torcida". Há jornalistas que se prendem a estéreis discussões táticas, outros são mais fofoqueiros que cronistas, e há ainda aqueles muitos que preferem reproduzir declarações vazias de cabeças-de-bagre a relatar o que se passa na arquibancada. Pior até: grande parte de nossa crônica esportiva é composta por comentaristas de estúdio, canalhas que não pisam no cimento de uma arquibancada há décadas. Alguns chegam ao cúmulo de fazer campanha para o torcedor não ir ao estádio. Sim, refiro-me aqui ao boçal Flávio Prado, aquele para quem "torcedores são vagabundos".

Feita a introdução, meus caros, chego finalmente ao que efetivamente motivou este post. Afinal, o objetivo aqui era um só: indicar um dos blogs mais necessários para quem tem o espírito de arquibancada. Refiro-me ao Foto Torcida, mantido já há quase dois anos pelo Gabriel Uchida. Em linhas gerais, dá pra definir assim: o cara vai a estádios (especialmente aqui em SP) para fazer a cobertura do jogo com base nas torcidas dos dois times. Fotos, fotos e mais fotos, sempre com algum texto para mostrar qual é o cenário e o que ele encontrou em cada cancha. Convenhamos: é muito melhor que qualquer desses textos que nada dizem e dessas fotos de jogadores que a gente vê nas páginas de jornais.

Recomendo que você entre no Foto Torcida e vá acompanhando mês a mês e jogo a jogo todo o material que o Gabriel já produziu. Tem fotos muito boas, e eu recomendaria, é evidente, todas aquelas partidas com o Palmeiras e especialmente este post aqui, envolvendo os dois times que contam com a minha torcida lá na Argentina: Racing e San Lorenzo. Faço questão também de publicar algumas poucas fotos no final, todas ilustrativas da qualidade deste blog.

Antes disso, no entanto, deixo-os com um exemplo prático de como esta página me foi útil. Cheguei em casa do Canindé no domingo e fui procurar os melhores momentos de Santos x SPFW lá em Barueri (não pelos lances em si, mas para descobrir, nas margens, como se deu a divisão das torcidas no estádio). E aí, atrás do gol onde fica a torcida mandante, vi a Torcida Jovem do SFC toda espremida, como que se estivesse cheio o tobogã. Muito improvável, eu pensei, uma vez que aquele espaço nunca teve lotação máxima. Daí fui até o blog do Uchida e vi qual era a real situação:

Enfim, nada diferente do cenário habitual lá em Barueri.

Antes de encerrar com as fotos de Racing-San Lorenzo, recomendo também o perfil do Foto Torcida no Twitter. E, caso você ainda não siga, o deste blog também.

Fotos de Racing-San Lorenzo:

















ISTO É FUTEBOL, PORRA!!!