26 dezembro 2007

O Palmeiras no BR/08

A CBF divulgou hoje a tabela do Campeonato Brasileiro/2008. Ainda não há definição sobre dias, horários e locais, mas as rodadas estão todas aí, com jogos aos sábados ou domingos e quartas ou quintas. Não há segredos, a não ser eventuais jogos às sextas (deve ter relação com as Eliminatórias). A tabela do Palmeiras segue abaixo.

As boas notícias:

1. Nossos quatro jogos no Rio serão no final de semana, um deles (contra o Flu) provavelmente no sábado. Já podemos programar as viagens desde agora;

2. O mesmo vale para o jogo em Floripa, talvez em um sábado;

3. Fechamos nossa campanha em casa novamente. Com gramado e técnico novos, a história deve ser diferente;

4. Procurei bastante, mas até agora não encontrei os dois clássicos contra o SCCP/SP. Dizem por aí que eles estréiam contra o CRB/AL;

5. Este é o último post do ano. Até 2008!


CAMPEONATO BRASILEIRO/2008

10.05/ 11.05 sáb./ dom. Coritiba/PR x Palmeiras – Couto Pereira
17.05/ 18.05 sáb./ dom. Palmeiras x Internacional/RS – Palestra
24.05/ 25.05 sáb./ dom. Portuguesa/SP x Palmeiras – Canindé
31.05/ 01.06 sáb./ dom. Palmeiras x Atlético/PR – Palestra
07.06/ 08.06 sáb./ dom. Sport Recife/PE x Palmeiras – Ilha do Retiro
13.06/ 14.06 6ª f./ sáb. Palmeiras x Cruzeiro/MG – Palestra
21.06/ 22.06 sáb./ dom. Vasco/RJ x Palmeiras – São Januário
28.06/ 29.06 sáb./ dom. Palmeiras x Náutico/PE – Palestra
05.07/ 06.07 sáb./ dom. Atlético/MG x Palmeiras – Mineirão
09.07/ 10.07 4ª f./ 5ª f. Palmeiras x Figueirense/SC – Palestra
12.07/ 13.07 sáb./ dom. Bambis/SP x Palmeiras – Jd. Leonor
16.07/ 17.07 4ª f./ 5ª f. Palmeiras x Fluminense/RJ – Palestra
19.07/ 20.07 sáb./ dom. Goiás/GO x Palmeiras – Serra Dourada
23.07/ 24.07 4ª f./ 5ª f. Palmeiras x Santos/SP - Palestra
26.07/ 27.07 sáb./ dom. Grêmio/RS x Palmeiras – Olímpico
30.07/ 31.07 4ª f./ 5ª f. Palmeiras x Flamengo/RJ – Palestra
02.08/ 03.08 sáb./ dom. Ipatinga/MG x Palmeiras – Ipatingão
06.08/ 07.08 4ª f./ 5ª f. Palmeiras x Vitória/BA – Palestra
09.08/ 10.08 sáb./ dom. Botafogo/RJ x Palmeiras – Engenhão

16.08/ 17.08 sáb./ dom. Palmeiras x Coritiba/PR – Palestra
20.08/ 21.08 4ª f./ 5ª f. Internacional/RS x Palmeiras – Beira-Rio
23.08/ 24.08 sáb./ dom. Palmeiras x Portuguesa/SP – Palestra
30.08/ 31.08 sáb./ dom. Atlético/PR x Palmeiras – Arena da Baixada
05.09/ 06.09 6ª f./ sáb. Palmeiras x Sport Recife/PE – Palestra
13.09/ 14.09 sáb./ dom. Cruzeiro/MG x Palmeiras – Mineirão
20.09/ 21.09 sáb./ dom. Palmeiras x Vasco/ RJ – Palestra
27.09/ 28.09 sáb./ dom. Náutico/PE x Palmeiras – Aflitos
03.10/ 04.10 sáb./ dom. Palmeiras x Atlético/MG – Palestra
10.10/ 11.10 6ª f./ sáb. Figueirense/SC x Palmeiras – Orlando Scarpelli
18.10/ 19.10 sáb./ dom. Palmeiras x Bambis/SP – Pacaembu?
24.10/ 25.10 6ª f./ sáb. Fluminense/RJ x Palmeiras – Maracanã
29.10/ 30.10 4ª f./ 5ª f. Palmeiras x Goiás/GO – Palestra
01.11/ 02.11 sáb./ dom. Santos/SP x Palmeiras – Vila Belmiro
08.11/ 09.11 sáb./ dom. Palmeiras x Grêmio/RS – Palestra
15.11/ 16.11 sáb./ dom. Flamengo/RJ x Palmeiras – Maracanã
22.11/ 23.11 sáb./ dom. Palmeiras x Ipatinga/MG – Palestra
29.11/ 30.11 sáb./ dom. Vitória/BA x Palmeiras – Barradão
06.12/ 07.12 sáb./ dom. Palmeiras x Botafogo/RJ - Palestra

20 dezembro 2007

As invencionices do sr. Del Nero

Del Nero, o filho, continua a sujar o nome do pai, o grande Del Nero, ídolo do Palestra na década de 40. Não contente com tudo o que já fez para prejudicar o Palmeiras, Marco Polo não mede esforços para manter a pose de grande inimigo do torcedor. A última invencionice veio nesta semana, com a divulgação da tabela completa, com dias e horários até a 16ª rodada, do Paulistão-2008.

Como se não bastassem as cretinices do Sportv e do PPV, temos agora uma miscelânea sem tamanho na grade de horários.

A falta de respeito para com o torcedor é tão acintosa que eu tomo a liberdade de simular a conversa entre Marco Polo Del Nero e um suposto responsável técnico da FPF. Seria o Virgílio Elisio de SP.

Cenário: após tomar conhecimento da tabela preliminar, o presidente chama o responsável técnico em sua espaçosa sala no opulento prédio da Federação Paulista de Futebol. O objetivo é claro: sugerir alterações de acordo com seus interesses.

Esparramado em sua confortável poltrona acolchoada, Del Nero (DN) dá início à conversa com o responsável técnico (RT):

DN: Meu caro, gostaria de propor algumas mudanças...

RT: De que ordem?

DN: Especialmente de horário.

RT: Vamos lá...

DN: Sinto que devemos caprichar um pouco mais. A tabela está boa, mas muito careta, com horários convencionais. Desse jeito, meu caro, você acaba facilitando a vida do torcedor.

RT: Mas... mas não é esse o objetivo?

DN: Entenda que lugar de torcedor é no sofá, e não na arquibancada. Com jogos no domingo às 16h e na quarta às 20h30, você dá motivos para o sujeito sair da sua casa e seguir para o estádio. Isso não está certo. Devemos incentivar a venda dos pacotes de pay-per-view. Precisamos facilitar a vida de quem fica em casa...

RT: Ok. E como fazemos isso?

DN: Bom, o segredo é dificultar ao máximo a vida dos times grandes, que naturalmente levam mais torcida aqui na capital.

RT: ...

DN: Por exemplo, o São Paulo joga no Morumbi. É complicado chegar lá no final de tarde durante a semana, certo?

RT: Aham.

DN: Então é simples: vamos marcar alguns jogos deles para 19h30 no Morumbi. Quero ver o povo se aventurar até lá nesse horário...

RT: Isso é fácil. E os demais?

DN: No caso do Corinthians, a situação se inverte. Como o Pacaembu é bem localizado e tem Metrô, vamos marcar as partidas para depois da novela da Globo. Aí o cara tem que trabalhar cedo no dia seguinte e acaba desistindo...

RT: Bem pensado, presidente.

DN: Hum, se temos partidas às 19h30 e às 21h50, bem que poderíamos colocar um jogo às 17h30. Aí a TV pode transmitir seis horas seguidas de futebol... é bom para quem fica em casa.

RT: Mas... durante a semana, presidente?

DN: E por que não?

RT: As pessoas trabalham nesse horário...

DN: Hum, tem gente que não perde essa mania.

RT: ...

DN: Ok. Vamos pensar em outra coisa. Que tal falarmos do Palmeiras?

RT: Ah, você sempre dá um jeito de complicar mais a vida deles...

DN: Então, estava pensando aqui...

RT: ...

DN: Ahhh! Já sei! Você sabe que o Palmeiras vai fazer os quatro primeiros jogos em Barueri?

RT: Sim, porque o Parque Antár...

DN: Exato! E são três no meio de semana.

RT: E chegar em Barueri, com o trânsito de Alphaville, não é fácil.

DN: Pois é, então a estréia será às 19h30, um bom horário.

RT: Que maldade...

DN: E o segundo jogo será às 21h50. Lá não tem ônibus nem Metrô. Quero ver quem consegue chegar e depois voltar...

RT: Ok, presidente. Vou fazer as mudanças.

DN: Calma. Tem mais. Está vendo este jogo contra o Ituano, na quarta, dia 30 de janeiro?

RT: Sim.

DN: Vamos marcar para 17h30.

RT: 17h30 em Barueri? Numa quarta-feira?

DN: Exatamente. Não é perfeito para deixar o povo longe do estádio?

RT: É...

DN: E o melhor de tudo é que ainda conseguimos fazer uma rodada tripla para a TV: 17h30, 19h30 e 21h50.

RT: Tudo bem. Mas, presidente, o Palmeiras vai jogar três jogos em Barueri durante a semana e nenhum deles será no horário tradicional, das 20h30? Não vai ficar suspeito?

DN: Ah, já pensei nisso. O horário das 20h30 não será esquecido. Tem ainda um Palmeiras x Mirassol na quarta rodada, viu aqui?

RT: Mas é um sábado!

DN: Então, sábado, 20h30, em Barueri. Não é genial?

RT: Desculpe dizer isso, presidente, mas as pessoas têm razão: o senhor odeia mesmo o seu time.

DN: Intrigas da oposição, meu caro. O problema todo é que a torcida do Palmeiras é muito teimosa. Precisamos de um esforço maior para afastá-los...

RT: Bom, o senhor manda.

DN: Aproveite e coloque mais alguns jogos do Palmeiras no sábado às 20h30. Gosto muito dessa idéia.

RT: Farei isso, presidente. E em relação aos clássicos da capital? Devemos criar horários novos?

DN: Bem que eu gostaria, mas a Globo quer transmitir ao vivo para SP. No fundo, é até mais fácil para as pessoas ficarem em casa...

RT: Não deixa de ser...


DN: Por enquanto, é isso. Depois pensamos em outras coisas.

RT: OK. Vou fazer as alterações.

DN: Ah, mais uma coisa...

RT: Diga.

DN: Pegue alguns jogos isolados aos domingos e reinvente aquele horário das 11h...

RT: 11h da manhã?

DN: É, jogos do Sertãozinho lá no interior, do Juventus, do Paulista de Jundiaí, coisas assim...

RT: Mas por quê?

DN: Só pra inovar, mas sem comprometer.

RT: Que maldade, presidente!

***

O resultado da conversa é este:

17.01 5ª f. 19h30 Palmeiras x Sertãozinho – Arena Barueri
20.01 dom. 16h Santos x Palmeiras - Vila Belmiro
23.01 4ª f. 19h30 Marília x Palmeiras - Bento de Abreu
26.01 sáb. 20h30 Palmeiras x Mirassol - Arena Barueri
30.01 4ª f. 17h30 Palmeiras x Ituano - Arena Barueri
02.02 sáb. 18h10 Noroeste x Palmeiras - Alfredo de Castilho
06.02 4ª f. 21h50 Palmeiras x Guaratinguetá - Arena Barueri
09.02 sáb. 20h30 Palmeiras x Guarani - Palestra
16.02 sáb. 18h10 Juventus x Palmeiras - Pacaembu
20.02 4ª f. 21h50 Rio Claro x Palmeiras - Augusto Schimdt Filho
23.02 sáb. 20h30 Palmeiras x Rio Preto - Palestra
02.03 dom. 16h SCCP x Palmeiras - Jd. Leonor
09.03 dom. 16h Bragantino x Palmeiras - Marcelo Stéfani
12.03 4ª f. 21h50 Palmeiras x Ponte Preta - Palestra
16.03 dom. 16h Palmeiras x SPFC - a definir
23.03 dom. 16h10 Paulista x Palmeiras - Jaime Cintra
26.03 4ª f. 20h30 Palmeiras x Portuguesa - Palestra*
30.03 dom. 16h Palmeiras x São Caetano - Palestra*
06.04 dom. 16h Grêmio Barueri x Palmeiras - Arena Barueri

Semifinal: 13.04 dom.* e 20.04 dom.*

Final: 27.04 dom.* e 04.05 dom.*

*Ainda sem definição.

Futuro cada vez mais promissor

Na seqüência de boas notícias para a nação palestrina, temos hoje o anúncio do novo patrocinador, a Fiat. Além de rendimentos na casa dos R$ 20 milhões anuais (tudo fica mais claro aqui), poderemos ter, para alegria de Luydy, o piemontês, a visita da Juventus de Torino por aqui.

19 dezembro 2007

Edmundo, ídolo eterno



Ao longo de toda a vida útil de um torcedor de futebol, poucos são os ídolos de verdade. Dá para contar nos dedos. Os meus são cinco. Pode até ser que outros mais apareçam, mas não parece ser fácil. Edmundo é um deles, já há longos 14 anos. Ídolo eterno, como todos os demais.

É de se lamentar, portanto, que deixe o Palmeiras por conta de uma "filosofia de trabalho".

O genial Edmundo, de 223 jogos, 99 gols e seis títulos com a camisa alviverde, bem deveria encerrar a carreira no Palestra Itália. É pena, mas não será assim.

Por sinal, incomoda saber que alguns torcedores, que disseram besteiras enormes ao longo do ano, eram contra a sua permanência. A ingratidão é um defeito dos mais graves...

Resta guardar na memória cada uma das boas lembranças. Da primeira passagem, pelos meus 12 ou 13 anos, quando ainda não podia ir a todos os jogos em qualquer lugar. E desta segunda passagem, quando tive o privilégio de comemorar no estádio quase todos os 35 gols do Animal.

35 gols em 2 anos!

Não é pouca coisa, ainda mais considerando o cenário que tínhamos.

Como não tenho agora a inspiração necessária para escrever tudo o que gostaria, deixo isso para o amigo Márcio Trevisan, que já o fez, de maneira competente e emotiva, no site da Ponto Verde:


Deus o abençoe por toda a alegria que nos proporcionou, Edmundo.

A confirmação da saída do atacante do Palmeiras, dada ontem à noite pelo vice-presidente de futebol do Verdão, Gilberto Cipullo, não surpreendeu a ninguém. Afinal, já eram muito fortes os boatos dando conta de que o craque não teria renovado seu vínculo, que terminará no próximo dia 31. Porém, a todos nós, que tivemos a sorte de vê-lo em campo com a nossa camisa, fica impossível disfarçar a tristeza e a sensação de orfandade a que fomos relegados.

Este jornalista, claro, respeita a decisão da diretoria e sabe que seria mesmo impossível a permanência do jogador devido à contratação do técnico Wanderley Luxemburgo, que ao que tudo indica será anunciado ainda hoje ou, no máximo, amanhã. Afinal, o atacante move contra o treinador um processo na Justiça Comum no qual o acusa de não ter pago uma antiga dívida que, hoje, superaria a casa dos R$ 600 mil.

O que fica um pouco complicado de entender é o motivo alegado pelo dirigente do Verdão. "Reconheço a importância que o Edmundo teve para o Palmeiras e, claro, não discuto a qualidade técnica que ele ainda possui. Só que à filosofia de trabalho que iremos implantar a partir de 2008 ele não mais se encaixa", disse Cipullo.

Pois bem: dizem que os números não mentem. Então, vamos a eles.

Desde que retornou ao Palmeiras, em janeiro de 2006, Edmundo esteve presente em 89 das 127 partidas que o time disputou - ou exatos 70% dos jogos, porcentagem no mínimo considerável levando-se em conta de que se trata de um atleta com mais de 35 anos. Além disso, com ele em campo o time venceu 40 destas 89 partidas, ou aproximadamente 45% (outro dado inegavelmente positivo).

No que diz respeito a gols, Edmundo marcou exatos 35 deles nesta sua volta ao Palestra Itália. Pode até parecer pouco, talvez de fato o seja, mas vale lembrar que em ambas as temporadas ele terminou como principal artilheiro do time (19 gols em 2006 e 16 em 2007) e que nenhum outro jogador sequer chegou nem perto desta marca: Paulo Baier fez 14, Enílton e Marcinho marcaram 13 cada, Washington anotou 12 vezes, Caio balançou as redes em 10 oportunidades. E estes foram os melhores...

Mas é claro que há o outro lado destes números. Se no ano passado Edmundo terminou como o segundo atleta que mais vezes jogou, com 55 atuações, neste as várias contusões e o longo tempo que teve de ficar de fora o relegaram apenas à 9ª colocação (34 jogos). Para piorar, o erro que cometeu na disputa de pênaltis com o Ipatinga/MG - bateu pra fora o penal que classificaria a equipe à Terceira Fase do torneio - gerou inúmeras críticas por parte daqueles que já não mais o queriam entre nós. Isso sem falar, claro, nos altos salários que recebia e, também, em algumas declarações infelizes que seu gênio ainda levemente intempestivo o fez dar.

Porém, no fundo mais nada disso interessa. E nem mesmo lembrar que, ao todo, ele vestiu nossa camisa 223 vezes, faturou cinco títulos importantes (dois Paulistas, dois Brasileiros e um Rio-São Paulo) e fez 99 gols, quantidade que o coloca entre os 19 atletas que mais vezes marcaram em toda a história do nosso clube. Mas o fato é que, a partir de hoje, Edmundo está autorizado a procurar outro clube ou, então, a encerrar sua carreira, como chegou a pensar seriamente neste ano.

Muito obrigado por tudo, fera. Para nós, os palmeirenses, fica apenas a enorme saudade. Já para ti fica a certeza de que, para nós, serás sempre o nosso único e inesquecível "Animal".


Deixo também o meu agradecimento.

E aos ingratos que pediram a sua saída, logo virá a saudade das invertidas de jogo, dos lançamentos no meio da zaga, dos passes precisos, dos toques mágicos, dos tantos e tantos gols.

E, acima de tudo, de ter um ídolo dentro de campo.

Obrigado, Edmundo!

18 dezembro 2007

A volta do Madureira

Sete anos sem títulos fazem qualquer ser humano engolir o orgulho. Depois de um inexperiente Caio Jr. jogar no lixo três conquistas factíveis em 2007, é bom contar com um Luxemburgo no comando. Ok, o cara é mau-caráter. Mas é tão competente quanto canalha. E, se for para nos levar de volta ao caminho das vitórias, não vejo nenhum problema em esquecer 2002...

***

Luxa no Palestra (93 e 94; 95 e 96; 2002): 97;80-12-5

17 dezembro 2007

Filhotes de Laudo e Adhemar

A genética oportunista sempre dá as caras.

A notícia é: "São Paulo recebe verba equivalente à metade da do COB"

O lide é: "O São Paulo conseguiu do Ministério dos Esportes, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, uma verba para três obras no Centro de Treinamento de Cotia equivalente a mais de 50% do que foi destinado ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para o Projeto Pequim. Para a preparação brasileira à Olimpíada de 2008 o valor é de R$ 26.988.196,95, e a verba do clube paulista é de R$ 13.868.493,51."

Segue a pouca vergonha: "Enquanto o dinheiro destinado ao COB para o Projeto Pequim, que visa preparar as delegações brasileiras para a Olimpíada, será dividido entre 27 modalidades, o São Paulo Futebol Clube tem apenas três destinos para o investimento. Todos eles no Centro de Formação de Atletas Laudo Natel, em Cotia."

Laudo Natel?

Ah, o nome é bem apropriado.

Décadas depois, a escória não muda de tática.

Mas, porra, quase R$ 14 milhões de uma só vez?

Adhemar de Barros e Laudo Natel devem estar orgulhosos...

História? Pra quê?

O tal Casares foi ontem ao programa esportivo de um canal concorrente (lembro que o cara acumula cargos no Jd. Leonor e em uma importante emissora de TV paulistana) e disparou asneiras, uma atrás da outra. Depois de pregar suas idéias marqueteiras e mostrar bichinhos de pelúcia bambis, foi confrontado a respeito do tal projeto de conversão bambi. Saiu-se com mais um daqueles discursos vazios, de falar não em história ou tradição, mas sim em marca, valor de mercado e que tais. Chegou a usar explicitamente o termo "grife" para referir-se ao clube que defende. E deixou bem claro que não medirá esforços para cooptar mais alienados. Para ele, o que não importa não é o coração, mas o bolso. Coisa das mais baixas, que combina bem com o fato de o dia 16 de dezembro ter passado em brancas nuvens para esta escória que desconhece a própria história.

14 dezembro 2007

E o Ibirapuera?

Ainda sobre o caso Barueri:

Ao que parece, o Pacaembu estará em reformas durante a troca do gramado do Palestra. Seria uma opção a menos para a nossa casa provisória. Haveria ainda o Canindé, sabe-se lá em que condições, mas a questão que eu levanto aqui diz respeito ao estádio do Ibirapuera.

Sim, é até surpresa para alguns, mas existe um estádio do Ibirapuera. Fica bem ao lado do ginásio, com acesso principal pela rua Abílio Soares. Já foi utilizado em jogos da Copa SP de Futebol Júnior e de categorias inferiores, e recebeu até mesmo jogos menores de SCCP e SPFC lá pela metade da década de 90. Mas foi só.

Hoje em dia, o estádio Ícaro de Castro Mello está relegado a competições e treinos de atlestimo, além de atividades menos cotadas.

Não sei se existe algum veto da Prefeitura ou mesmo dos responsáveis pelo Complexo Constâncio Vaz Guimarães, mas o fato é que o Ibirapuera, com capacidade para cerca de 15 mil torcedores e localização única, bem poderia ser utilizado para partidas menores, caso destas que abrem a nossa caminhada no Paulistão.

Aí eu deixo a pergunta: ninguém pensou nisso ou existe alguma deliberação em contrário?

No primeiro caso, a falta de visão é dos nossos dirigentes.

No segundo, a falta de visão é de seus mantenedores.

Seja como for, é lamentável que o Ibirapuera seja apenas e tão somente um estádio de atletismo. Seria uma ótima opção para a nossa sede provisória - e mesmo para jogos pequenos.

13 dezembro 2007

10 anos depois...

Com a divulgação da tabela completa da Copa do Brasil (os jogos da primeira fase e o diagrama das fases seguintes), já podemos ter uma idéia dos desafios da Copa do Brasil/2008, 10 anos depois do nosso título. Considerando a projeção de vitórias dos grandes contra os pequenos, eis os possíveis adversários:

1ª fase (27/02 e 05/03)
CENE-MS

2ª fase (19/03, 02/04 e 09/04)
Remo-PA ou Central-PE

Oitavas-de-final (16/04, 23/04 e 30/04)
Sport-PE ou Brasiliense-DF

Quartas-de-final (07/05 e 14/05)
Internacional-RS

Semifinal (21/05 e 28/05)
Vasco-RJ ou Brisa-PR

Final (04/06 e 11/06)
Atlético-MG, Botafogo-RJ, Grêmio-RS ou SCCP-SP

Destino provisório: Barueri

A diretoria do Palmeiras confirma a Arena Barueri, estádio da Prefeitura local, como a casa do Verdão entre janeiro e o começo de fevereiro de 2008. Neste período, serão quatro jogos com mando nosso (16/01 x Sertãozinho; 27/01 x Mirassol; 30/01 x Ituano; e 06/02 x Guaratinguetá).

Já era sabido que a troca do gramado nos obrigaria a jogar fora do Palestra neste início de temporada. Até aí ok. O que eu gostaria de entender é porque a diretoria atual do Palmeiras trata o Pacaembu com tamanho descaso.

Vejamos: o estádio municipal é a praça esportiva mais querida pelos paulistanos. Oferece a melhor visibilidade, tem o acesso mais privilegiado (bem perto da nossa casa, com duas linhas de Metrô, ônibus, grandes avenidas, trem etc.) e é o mais confortável de todos. Para completar, nenhum outro time foi tão bem-sucedido por lá quanto o Palestra/Palmeiras, em especial entre os anos 40 e 70.

A decisão lógica, portanto, seria mandar os jogos por lá. Se isso não aconteceu, só existe uma justificativa plausível: o Pacaembu pode também estar em obras até o início de fevereiro.

Se não for essa a resposta, fica constatado o desapego dessa atual diretoria, que preferiu levar quatro jogos nossos para a periférica Barueri, cidade sustentada por condomínios de luxo e sem qualquer opção de transporte público.

A pergunta é: como chegar a Barueri, um destino sem ônibus, sem Metrô, com uma estrada pedagiada e sufocada pelo brutal trânsito dos Civics e Corollas que vêm e voltam para Alphaville todo dia? E o estádio ainda fica numa tremenda bocada, lá pelo km 32 da Castello.

Pra piorar, três dos quatro jogos acontecem no meio de semana, provavelmente às 20h30 de quartas ou quintas-feiras. Provavelmente, vejam bem. Não duvido nada que a FPF resolva praticar uma atrocidade sem limite: jogo em Barueri numa quarta às 19h30.

Como chegar lá nessas condições?

E quem paga minha gasolina, o pedágio e o estacionamento?

Obrigado por mais este presente, diretoria!

***

*Fotos da Arena Barueri aqui.


*A questão pertinente é: será que pretendem fazer de Barueri a nossa casa pelos próximos dois anos, durante a reforma do Palestra?

12 dezembro 2007

A Arena Palestra



Agora parece ser definitiva a parceria com a WTorre, que prevê transformar o estádio Palestra Itália em uma moderna arena multiuso nos próximos dois anos. Sobre este tema, gostaria de fazer breves considerações:

1. Já que a remodelação do nosso estádio parece inevitável, que seja agora, de modo pioneiro e com suporte integral da iniciativa privada;

2. É de se esperar que se pense no torcedor comum, aquele que enche o Palestra Itália de modo incondicional. Portanto, é bom planejar espaços populares, sem cadeiras, com preços menos ofensivos. Só assim para o torcedor de arquibancada continuar fazendo sua parte;

3. Mesmo em praças desenvolvidas da Europa (tomo a Itália como grande exemplo), os torcedores organizados têm seu espaço preservado, as curvas, com valores acessíveis. Fica em 14 euros, por exemplo, a entrada para uma das curvas do Stadio Olimpico. É possível, portanto, modernizar sem elitizar;

4. É bastante discutível a proposta de construir um shopping dentro da arena. Além de não haver espaço hábil, a não ser nas dependências sociais, ainda é bom levar em conta que já existem dois enormes centros de compra nas cercanias do estádio: o popular West Plaza, em breve Pátio West Plaza, e o elitizado Bourbon Pompéia, com inauguração prevista para o primeiro semestre do próximo ano. Dá até para pensar em eventuais parcerias com esses caras, inclusive para estacionamento e praça de alimentação;

5. Falar em Copa-2014 é besteira. Basta levar em conta o relacionamento espúrio entre CBF e dirigentes do Jd. Leonor;

6. Certas características do estádio devem ser mantidas. A começar pelo Jardim Suspenso;

7. O nome é ARENA PALESTRA! Nada de Arena Santander ou aberrações do tipo! Espero poder levar meus filhos para ver o Palmeiras na Arena Palestra, sem atentados à nossa história!

8. Pergunta sem resposta: onde iremos jogar durante a reforma?



As imagens são do TVV.

11 dezembro 2007

A grama do Palestra



A pedido do Galuppo, abrimos um espaço publicitário para divulgar a campanha "Orgulho de ser Palmeirense". Se você ainda não comprou o seu kit, ainda dá tempo.

Site oficial da campanha:
www.gramadopalestra.com.br

Outras opções:
www.palmeiras.com.br e www.pontoverde.com.br.

***

P.S.: Galuppo, o banner não abre aqui. Você tem o html?

10 dezembro 2007

O marketing purpurina

Temos aqui mais uma análise que dá continuidade ao que eu já havia escrito neste outro texto.

Escreve Luciano Pasqualini, em texto extraído do Parmerista!:

O marketing purpurina
por Luciano Pasqualini

Sim, o São Paulo F.C. vive um bom momento e possui uma boa administração, mas como sabemos a mídia exagera nesta "rasgação de seda". A última cena é a do "batismo tricolor" evocando o "vira-casaca" de torcedores rivais, que a mídia divulga como se fosse uma cartada magistral de marketing, sem qualquer avaliação mais crítica. Ainda bem que a mídia está mudando de mãos, e hoje o torcedor se informa mais pelos blogs e e-mails que por jornais. Vamos aos fatos:

O Fracasso
O SPFC criou este projeto em 26/08/2006 [a data lembra algo ?]. O projeto informa [ainda hoje] que o batismo é realizado aos sábados, com no máximo 20 crianças. Pois bem, em 70 semanas desde seu lançamento, 60 delas não houve a cerimônica por falta de quórum ... e houveram apenas 10 cerimônias, uma delas num brinde aos associados, ou seja, menos de 200 Pais sãopaulinos se dispuseram a pagar os R$ 120,00 propostos pelo Marketing tricolor.

O Tiro no Pé
Para salvar o projeto, o diretor de marketing veio com esta bravata, de que se um torcedor assinar um documento dizendo que era torcedor rival e virou sãopaulino, poderá fazer o batizado de graça, ou seja, receberá o kit composto por uma camisa + 2 fotos + 1 DVD do batismo + 1 botom + 1 vaso com grama do morumbi [outro fracasso, com os restos distribuídos neste pacote].

Resultado previsível
Torcedores sãopaulinos que não tinham recursos para participar, ou achavam caro demais, poderão assinar este documento [é prometido o sigilo das informações], e assim receberá de graça o kit. Em semanas vão divulgar grande procura [ponto positivo], mas não terão nenhum resultado prático de conversão [ponto negativo], terão prejuízo com todo mundo querendo kit de graça [ponto negativo] e vão acabar de enterrar o projeto [ponto negativo].

Virou uma vez...
Ainda que tivesse algum sucesso [o que não acredito], quem vira-casaca uma vez, vira novamente no futuro, ou seja, estariam montando uma base de torcedores fiéis ao momento.

Ética e Caráter
O clube ajuda a vender e incentivar um conceito de ética e caráter que o define, ou seja, se o momento for ruim, "abandone o barco". Esta é a mensagem subliminar da ação proposta pela sua direção de marketing, totalmente deturpada para a formação de caráter e moral de seus seguidores.

Simpatizantes
O clube amplia a fama de torcida que só aparece na boa. Se nos anos 40 a torcida sãopaulina lotava o Pacaembu, nos anos 60 o público sumiu !! Quando disputou a segunda divisão do Paulista de 1991, o Morumbi ficou às moscas ... Esta diferença entre eles e as torcidas do Corinthians e Palmeiras, que se aproximam ainda mais do clube nos momentos ruins, se tornam ainda mais apaixonadas, o marketing deles que trabalha com números, não consegue entender ... ou melhor, entende mas não consegue reverter. Palestrino e corinthiano é formado em casa, na paixão dos Pais, como identificação familiar de gerações. Resta a alternativa de cooptar os que querem sair do armário.

Vergonha da Segundona ou de ser Bambi?
Um dos motes da campanha é a declaração do diretor de marketing, Julio Casares, de que a criança é politicamente incorreta, se sente vulnerável com o time indo mal nas tabelas [segunda divisão no caso do Corinthians], e então prefere associar sua imagem com o vencedor. Há uma verdade nisso, que talvez explique a dificuldade deles em ir além deste ponto, afinal que criança aceita ser chamada de bambi o tempo todo. Tem que ter certa afinidade pra não se sentir ofendida, envergonhada, e resolver mudar de clube...

Julio Cesar Casares
Endeusado por muitos jornalistas, o que poucos sabem sobre o diretor de marketing do SPFC, é que ele é empregador de muitos jornalistas, já foi de outros tantos, e deve ter uma fila de curriculuns ajoelhados pedindo uma oportunidade.
Em 1992, aos 30 anos, ele trabalhava no SBT e se candidatou à vice-prefeito na chapa do chefe, Silvio Santos, pelo PFL [atual DEM], numa aventura que durou alguns dias ... Ficou no SBT até 2004, dizendo que chegariam ao primeiro lugar em alguns anos [como diz hoje no SPFC]. Fracassou, e teria sido demitido em maio de 2004. O SBT quase faliu e hoje luta para se recuperar financeiramente.
De lá foi para a TV Record, na função de Diretor de Planejamento Estratégico, onde hoje divide as funções com o marketing do SPFC.

07 dezembro 2007

Sobre as copas sul-americanas

1. A Copa Sul-americana é tão desprezível que o seu mais recente campeão é o obscuro Arsenal de Sarandi, da Argentina. Seria uma espécie de São Caetano de lá. O problema maior nem é esse, mas sim o fato de a final ter uma divulgação inferior até à do título do Juventus na Copa FPF.

2. Com base nisso, alguém aí realmente acredita que o Palmeiras "se classificou para a Copa Sul-americana"?

3. Não aceito essas incorporações de nomes de empresas ao dos torneios: é Copa Sul-americana e não Copa Nissan Sul-americana. Até porque isso pode mudar a qualquer momento. É o caso da Copa Libertadores da América, que trocou a Toyota pelo Santander. Sim, agora a Conmebol fala em Copa Santander Libertadores.

06 dezembro 2007

Obrigado e boa sorte

Como dito no post anterior, antes de qualquer definição oficial, Caio Jr. é bom sujeito, trabalhador, honesto e tudo mais. Mas não mais seria possível a sua continuidade no cargo. A torcida (organizada) fez a parte que lhe cabia, com a pressão que deve ser exercida sobre um profissional que fracassou – de maneira vergonhosa, diga-se – nas três decisões que enfrentou. Cabe à diretoria decidir quem vem para o seu lugar; que ao menos seja alguém que dê ao time um mínimo de força dentro da nossa casa.

Caio Jr. sai pela porta da frente, numa boa, sem ressentimentos. E pode voltar dia desses, mais maduro, mais técnico, mais à altura do cargo. Por enquanto, que tenha boa sorte para onde for.

Chega de insistir

Caio Jr. é um sujeito muito bem intencionado, honesto e esforçado. Pode vir a ser um bom técnico, muito bom até. Mas não é hoje. Ainda mais notáveis que a dedicação para fazer um bom trabalho são os maus resultados colhidos neste ano. Tomo emprestado um post do Terceira Via Verdão para acrescentar números substanciais ao debate:



Além de toda a análise feita pelo Vicente Criscio, acrescento uma constatação minha: em 28 jogos no Palestra Itália, Caio Jr. perdeu mais vezes (7) do que Luxemburgo (5) em 97. Uma derrota a cada quatro jogos? Só 50% de vitórias em casa?

Pra que insistir no erro?

FORA CAIO JR.!

05 dezembro 2007

A hora da vingança

Personalidades mais reacionárias da parcela gambá (hoje minoria) da imprensa vieram com o seguinte argumento nas horas seguintes ao rebaixamento do SCCP: "Palmeirense não pode comemorar nada hoje; tem mais é que lamentar a derrota do seu time". Chegaram ao ponto de criticar o carnaval que viveu a rua Turiassu após as 18h20. Como se os nossos rivais não tivessem feito coisa parecida em 2002, né?

Fato é que o palmeirense tem todo o direito (não seria dever?) de tripudiar sobre o seu mais tradicional adversário. Não se trata apenas de uma tiração de sarro babaca entre torcedores otários, mas sim de uma vingança pelo ocorrido nos últimos cinco anos.

Notem que não foi por um único ano, o da Série B, mas por cinco. "Segunda Divisão é coisa do Palmeiras"? E agora, como fica isso? Não é justo, cinco anos depois, ensaiar um "Vamos festejar! Segunda Divisão é coisa de gambá!"?

Justo, muito justo. Por tudo o que sofremos.

Agora - e ainda custa acreditar que eles realmente caíram - chegou a hora de eles enfrentarem todo esse martírio. A divulgação da tabela da Série B, a estréia, a sensação de não pertencer àquele lugar, as batalhas, vitórias e derrotas, o retorno da Série A...

Um roteiro pelo qual já passamos e que muito nos ensinou. É de se esperar que nossos rivais aprendam alguma coisa. Que ao menos tragam de lá um pouco mais de humildade.

"Time grande não cai?" Ah, cai. Como caíram Palmeiras, Grêmio, Atlético-MG, Fluminense, Botafogo...

... e agora eles.

Temos muito a comemorar.

Mas só nós.

Bambis e lambaris deveriam mais é calar a boca, pois seus times de merda fizeram todo o esforço possível e impossível para salvar os caras. O do Santos chegou a ser comovente, seja pelos pontos entregues ao SCCP ou por TODOS os pontos roubados dos times que estavam na briga direta. Dos bambis, então, melhor nem falar.

Já o Palmeiras fez a sua parte com louvor. Dois jogos, duas vitórias, nenhum gol sofrido. E derrotas para Goiás e Paraná.

Cinco anos depois, temos todo o direito de festejar!

***

*Minha alegria é muito mais pelo que sofremos (e pelo que eles fizeram) do que pelo fato em si. É claramente uma vingança. O que incomoda um pouco é a permanência destas merdas como o Goiás na Série A. Pois eu duvido que algum palmeirense não pegue a tabela do Campeonato Brasileiro, lá pela metade de janeiro, e não procure logo de cara as datas dos dois jogos entre Palmeiras e SCCP. Desta vez não será possível; no lugar dos caras estará o Goiás.

*De resto, Paraná e Juventude já vão tarde.

04 dezembro 2007

E a mística do Palestra?

Com a vaga perdida, cogitei atualizar a relação de todos os pontos que nos foram roubados pela arbitragem neste BR-07. Pensei também em falar sobre as artimanhas do STJD ou sobre quaisquer outros fatores que possam explicar mais este fracasso. Faltou coragem pra isso. Pois nada justifica as tantas derrotas em casa, mais ainda uma como a de domingo, vexatória como todas as demais nestes anos 00.

Difícil encontrar a origem de tudo. Bem poderia ser a histórica virada sofrida diante do Vasco, na final da Mercosul-2000. Não sei; poderíamos até retornar um pouco, na eliminação da JH (dois jogos no PA contra um incipiente São Caetano). Ou a 1999, também final de Mercosul, diante de um frágil Flamengo. Ou a 1998, quando Müller e Marcelo Ramos, já nos descontos, acabaram com a mística da nossa casa. Ou, por fim, à mais surpreendente de todas, quando entregamos para os bambis mineiros uma Copa do Brasil que já era nossa.

Seja como for, depois vieram ASA, Santo André, Vitória, Ipatinga, Flamengo, Boca, bambis, Guaratinguetá, Guarani, Atlético-MG...

A mística acabou. O Palmeiras não sabe mais fazer valer o seu mando de campo. A força da torcida e do estádio se perderam diante de um 'fantasma' que a imprensa só pode alimentar com ajuda do próprio Verdão. E como ele se esforça para ajudar...

Por obra do destino, todas as decisões acontecem em casa.

De nada vale.

Jogo após jogo, ano após ano, o medo prevalece.

Os fracassos se sucedem, um após o outro.

É de se esperar que a maldição se perca na
história, junto com o gramado que se vai, tantos e tantos anos depois.

***

FORA CAIO JR.

Não dá mais! O cara teve a capacidade de perder cinco jogos em casa em uma única edição do BR. Cinco! E ganhou quatro míseros pontos nos 18 últimos em disputa. Provou ser um técnico que fraqueja na hora de decidir. Que o digam Guaratinguetá e Ipatinga, lá no primeiro semestre. E o Galo agora. Fato é que ainda se deu ao direito de fazer merda na jornada final, com uma inexplicável mudança, que se revelou equivocada desde os primeiros minutos. E aí o estrago estava feito.

Três eliminações vexatórias em um ano? É o suficiente...

Ok, aí vão perguntar: e quem vem agora?

Sei lá. Foda-se. Tem um monte de nego por aí sem emprego. Só não dá para continuar com um cara que faz tanta besteira e que demonstrou ser um fraco na hora de decidir...

03 dezembro 2007

Que papelão, Galo!

Mais um vexame no Palestra. Não há novidade. Este post serve falar sobre outro papelão, o do Galo, que bateu um Palmeiras que não foi a campo ontem. Talvez contagiado pelo clima da arquibancada, mais preocupada com Goiânia e Porto Alegre do que com o próprio Parque Antártica - e eu havia feito esse alerta.

Fato é que não houve tática, não houve técnica, nem qualquer sinal de organização. Caio Jr. errou desde o início e o time, reflexo dos erros de seu comandante e da própria torcida, viveu uma tarde cinzenta em meio ao sol escaldante, quase um simulacro das tantas noites de derrota nestes anos 00.

Papelão maior, no entanto, fez o Galo mineiro.

Não que deveriam entregar o jogo, pois isso não é coisa das mais simples, mas os caras tinham ao menos a obrigação de não jogar tudo o que jogaram. Sem muita explicação, a Ponte Preta de Minas (de quem é o crédito?) simplesmente fez a sua melhor partida no BR-2007.

E de que serviu isso tudo? Simples: apenas e tão somente para classificar o seu grande inimigo, o Cruzeiro, para a Copa Libertadores da América do ano seguinte.

Difícil acreditar que um time possa fazer tanta força para classificar justamente o seu maior rival. Mas o Galo fez. Jogou como nunca. Venceu como quis. E a torcida, presente em muito bom número, comemorou como se a conquista fosse de seu próprio time. Que nada! Era justamente do inimigo.

Logo a torcida do Galo, a quem sempre respeitei.

Comemoraram a vitória do inimigo? Deve ser por isso que têm apenas um título expressivo em 99 anos de vida.

***

*Detalhe: o texto acima é um desabafo, e nada mais. Eu jamais me propus a fazer análises frias por aqui. É tudo pelo ópica do torcedor, e eu duvido, por exemplo, que algum palmeirense pudesse aceitar uma vitória do Palmeiras para classificar logo os gambás ou os bambis. Jamais; é questão de dignidade. Certos estão os argentinos do Gimnasia de La Plata, que exigiram a derrota de seu time para prejudicar o rival Estudiantes. O Galo fica ainda um pouco menor depois da tarde de ontem...

*E mais: o desabafo seria quase o mesmo ainda que não fosse nossa a vaga perdida ontem. Pois o que está em jogo não é a nossa classificação, mas sim a rivalidade entre Galo e bambis mineiros.

*Sobre mais este fracasso em casa,
escrevo amanhã.

30 novembro 2007

Fala o palmeirense

Do blag do Mauro Beting:

Fala o palmeirense
(O jornalista Mauro Beting cede o espaço para palmeirense Mauro Beting escrever).
ESCREVE MAURO ALEXANDRE ZIONI BETING

O Palmeiras bola promoção bacana com a grama do Palestra Itália vendida à torcida, mais um CD do hino do clube com as vozes de Marcos, Edmundo e Valdívia e a produção do grande guitarrista Marcos Kleine, e ainda um pôster verde.

Outros clubes já fizeram algo parecido, não igual, e não com tantos presentes.

Mas parte da imprensa detona pelo não "ineditismo" da iniciativa.

Faz parte. Sobretudo na reta de mais uma decisão no Palestra.

Quando todas as asas negras de Arapiraca são lembradas, e nenhuma Libertadores-99 é rememorada.

Quando a pauta da quinta-feira fala do desmanche do elenco em 2008 em vez de falar da montagem da equipe para o duro jogo contra o Atlético Mineiro.

(E o jornal não é de Belo Horizonte. É de São Paulo. Mas, por favor, não é do São Paulo. Não é isso, não exageremos).

Parte da imprensa continua tratando alguns clubes como se os setoristas trabalhassem nas assessorias de imprensa dos rivais. Ou vestissem a camisa da oposição da pior espécie que o Palmeiras já teve. O que não causa estranheza.

A atual oposição palmeirense foi a pior situação da história recente do clube. A que deixou o time naquela situação.

A mustafiosa administração que levou o Palmeiras ao inferno da segundona não quer ver o Palmeiras em mais uma Libertadores.

Até porque tradicionalmente ela não quer ver o time do Palmeiras. Prefere ver as piscinas aquecidas e outras coisas frias a assistir ao esporte que fez o Palmeiras campeão.

Fosse apenas detonar uma simpática iniciativa da diretoria que este palmeirense apóia como cidadão e amante do futebol, ainda vai.

Se aqui escrevo com o coração, também tem gente que escreve com o cotovelo ou com o fígado.

Mas também tem o jornalismo tático, aquele que a diretoria são-paulina, como não poderia deixar de ser, atenta a tudo e a todos, competente como nenhuma outra, imune a críticas como nenhum clube, aproveita para lembrar das tantas vitórias tricolores no Palestra que será desgramado.

Nem adianta lembrar que todos os outros clubes não se metem na vida são-paulina como o Tricolor se mete na vida e nos negócios alheios.

Mas também faz parte do jogo e das jogadas.

Ao vencedor, as batatas. As palmas. Os louros. As isenções de todas as espécies. Intocável no gramado, intocável fora dele.

Crises e questões pessoais são tratadas com o respeito devido e necessário nos clubes campeões em campo e na benevolência da imprensa.

Respeito que ficamos devendo na imprensa quando os alvos são fáceis por serem tão difíceis como pessoas.

Ou por vestirem outras camisas menos blindadas e, nos últimos tempos, menos campeãs.

O Palmeiras não precisa vencer apenas os rivais no Palestra. Não precisa apenas vencer histórias de fantasmas do passado.

O Palmeiras precisa vencer manchetes e pautas tão ou mais parciais e passionais que estas linhas que o palmeirense-jornalista acaba de publicar.

Mas ao menos assume que está torcendo.

Ao menos a favor de alguém.

ESCREVEU MAURO ALEXANDRE ZIONI BETING,
com a autorização do titular do blag.

***

Parabéns, Mauro!

Tenho orgulho hoje, e a cada dia mais, por tê-lo tido como um dos profissionais que avaliou meu livro-reportagem na Faculdade Cásper Líbero. Muito deve-se a esta sua
isenção, e à capacidade de não se calar diante de toda a sujeira que temos visto nesta imprensa esportiva a cada dia mais capenga.

Obrigado por não nos deixar sem voz na grande mídia.

E é por isso, por lutar contra tudo e contra todos, que eu sou a cada dia mais palmeirense. Contra árbitros, bandeirinhas, tribunais, promotores, procuradores, o escambau. E contra a parte suja da imprensa.

Abraços

Vamos fazer o nosso

Chega de pensar nos caras. Domingo é dia de decisão pra gente. A torcida precisa entrar com o espírito de final, de Libertadores. E com a cabeça no Palmeiras, apenas isso. Por mais que pareça difícil acreditar que o Galo dê a vaga para o seu maior rival, temos de fazer o nosso. Sem brincadeiras e sem pensar no que acontece em Porto Alegre ou Goiânia; o que vale é o resultado do Palestra. Nada de desconcentrar agora. Assim que tudo der certo na nossa casa, é justo olharmos para outros estádios. E se houver um mínimo de dignidade por parte de um certo time de vermelho, a pé voltaremos para casa.

***

EDMUNDO, A DESPEDIDA?

A final de domingo pode ser o último jogo de Edmundo com a nossa camisa 7. É uma pena. O jeito é aproveitar; lembrar de tudo o que ele fez em quase seis anos de Palestra e confiar no que ainda pode fazer. Uma coisa é certa: os que hoje defendem a sua saída hoje vão lamentar mais adiante.

26 novembro 2007

Não é curioso...

... que o novo julgamento do Valdivia só tenha entrado agora na pauta do STJD, um dia depois de o time queridinho da Globo e da CBF ter assegurado uma vaga na Libertadores?

25 novembro 2007

Eles não vão conseguir...

Por mais que árbitros e auxiliares estejam se esforçando muito para deixar o Palmeiras fora da Copa Libertadores de 2008 (contando os de hoje, ao menos oito pontos já nos foram surrupiados desde o início do Brasileirão), parece que não vão conseguir...

Deixo aqui agradecimentos a San Gennaro (sempre!) e ao Sport Clube do Recife, do amigo Anderson lá do PE.

Agora é só vencer o Galo!

Domingo tem decisão!

17 novembro 2007

Jorge, Gennaro e o menino sem alma

Desde a várzea paulistana, o berço de tudo, Jorge e Gennaro foram criados no preceito mais puro da desportividade: a disputa em nome do manto.

Jorge, pouco mais velho, veio de família operária. Mas sua turma contava com profissionais de uma gama variada de setores, de carvoeiros, cocheiros de tílburi, alfaiates e barbeiros a advogados e professores.

Gennaro descende de imigrantes italianos. Camponeses, artesãos, agricultores, gente de poucas posses, todos impelidos a buscar na ‘Merica uma nova vida.

Vida que só faz sentido com um ideal à frente.


Jorge e Gennaro nunca foram amigos. Eram, pelo contrário, rivais. Desde a mais tenra idade, sempre houve disputa entre os dois. Rivalidade sadia, pois respeitosa. E necessária, pois verdadeira e incondicional. Poderia mesmo ser chamada de “a maior do mundo”.

Jorge foi o primeiro a trazer seus amigos operários para o futebol “grande”, aquele que se supunha de “gentlemen”, diferenciação que existia só pela graça de trazer demérito ao adjetivo “várzea” (cheio de alma, por sinal).

Jorge pleiteou e conquistou o direito de disputar com os “gentlemen”. O povo entrava em campo.

A abertura de espaço possibilitou à turma de Gennaro, após anos de amadorismo, ser considerada maioria em Piratininga, cidade que falava, não por acaso, com o típico sotaque de uma vila siciliana ou calabresa.


Não demorou muito para tomarem o lugar dos que antes eram tidos como senhores do esporte bretão nesta Piratininga. Os “gentlemen” viam Gennaro e Jorge superá-los não só dentro de campo, mas também em estrutura.

Por trás de ambos estava o povo, a razão maior do esporte bretão.

Senhores feudais em um século que não o deles, os “gentlemen” gostavam de manter o futebol no amadorismo como maneira de esconder as gratificações que tornavam possível aliciar atletas de agremiações adversárias.


Isso não afetava os times de Jorge e Gennaro. Desde os campos de várzea a norte e a oeste da Vila de Piratininga, prevalecia o amor ao manto. Muitos eram os admiradores, logo alçados à nobre condição de torcedores.

Foi assim, com a força de seus povos, que sobreviveram os dois moleques da várzea paulistana. Mais até: cresceram, ganharam títulos e logo deixaram para trás os que pensavam ser nobres.


Eis que surgiu, anos depois, um menino mimado, de linhagem rica, quatrocentona e tradicional, mas com trajetória marcada por separações, brigas e conflitos. Uma família decadente, que sempre tentou esconder seus problemas por trás de uma fachada prepotente.

Assim, o rapazote não tinha seguidores, senão os que foram abandonados pelos clubes de chá-das-cinco, os mesmos que tinham em mente a derrocada de Jorge e Gennaro. O menino mimado era a última chance de tentarem ser algo.

A esta altura, no entanto, ambos já haviam transcendido a armadilha imposta pelos artífices do amadorismo e engatinhavam no profissionalismo vigente.

O menino mimado das elites veio ao mundo sem berço, sem amor e sem alma. De sua gente que virou casaca, herdou os genes oportunistas e nada mais.

Ainda pequeno, de tudo fez para se estabelecer. Estratégias as mais sórdidas, politicagens baratas e muita arrogância serviam apenas para angariar rejeição, inclusive entre os seus.

O moleque tentava se firmar em seu caráter capenga às custas de quem fosse. De nada adiantou; criança ainda, foi à falência.


Sem família ou amigos, foi salvo exatamente por Jorge e Gennaro, que se uniram para ajudar o pobre coitado.

Triste episódio.

Mal sabia Gennaro que aquele fedelho, um dia reabilitado, seria o artífice de uma campanha difamatória contra suas origens.

O objetivo era um só: tomar a casa construída com o suor de Gennaro e do povo que o fazia grande. É irônico que tal atitude tenha partido de alguém desprovido de berço.

Ter o sangue do sul da Itália, no entanto, nunca foi coisa pouca. Gennaro resistiu e triunfou diante de um pirralho que, derrotado, abandonou o nobre campo de batalha municipal, à época ainda com o nome purificado.

Tal fato se deu na mesma época em que os comparsas do menino mimado forçaram Jorge a ter como comandante um burocrata golpista, alguém que nem de suas fileiras era. O filhote dos senhores feudais deixava aflorar o seu caráter oportunista.

Anos se passaram, e o moleque seguiu seu caminho desprezível.

Até que, ainda jovem e com padrinhos no poder, ganhou uma enorme casa, custeada com o dinheiro de Jorge, Gennaro e de toda a coletividade.

Manuel, diga-se de passagem, outro boleiro destas paragens, também entrou na lista dos vitimados por politicagens baratas e maracutaias.

O rapaz sem alma foi ganhar corpo décadas depois. Em posses, nunca em caráter. Suas conquistas eram vazias, pois sem o doce sabor da superação.

O menino ganhou o mundo, mero instrumento para a lavagem cerebral que visava ganhar apoio de cidadãos desprovidos de alma e de qualquer senso de julgamento moral.

Dele se aproximaram as figuras mais desprezíveis.

Aproximação não por amor, mas por interesse.

Não aquele financeiro, típico das nossas oligarquias mais putrefatas, mas por status. Pela enganosa possibilidade de desfrutar do que a vida oferece de mais prazeroso. Sem esforço, é óbvio.

É uma grande moleza, não?

Os seguidores do menino mimado agem como ele. Pensam que o dinheiro pode comprar tudo e vêem a ética como um atributo pouco relevante, quase indesejável.

Não é à toa. Ao longo de toda a história, acostumaram-se a ver todo tipo de favorecimento vindo dos canalhas de amarelo, de toga e de ternos bem cortados.

Tampouco conhecem a própria história. Mais fácil (sempre a mesma lógica!) acreditar nas invencionices tacanhas de quem empunha um microfone ou uma caneta sem dignidade para tanto.

Afinal, trata-se do filhinho daqueles que tomavam o chá-das-cinco no começo do século, pensando em como afastar o povo do esporte que começava a ganhar força no imaginário popular.

Os que seguem hoje o garotinho mimado o fazem por esta necessidade de ter status, de esnobar, de mostrar o que têm e o que não têm.

Como se preza a todo novo rico, é bom cultivar esta imagem.

“Ter é mais importante que ser”. É como pensam os oportunistas. É como cresceu o menininho mimado, sempre cercado de bajuladores e de pessoas que se adulam nas posses e em nada mais.

Ao ver que Jorge e Gennaro tinham o que ele não tinha, tratou de correr atrás. E o fez não como os guerreiros da várzea paulistana, mas como se preza a alguém sem história para contar.

Como é vazio o menino mimado, tudo é adorno. Que atrai nada mais senão a soberba medrosa da necessidade de reafirmação. São badulaques que se penduraram no vazio. Um prato cheio para oportunistas.

E os oportunistas se enfeitam, mas só enquanto for moda.

Porque na vida há coisas que superam, e muito, a imagem.

Os dois pioneiros do esporte bretão já viveram o ocaso, assim como as maiores glórias. Fácil nunca foi. Ficou a lição: as maiores vitórias são aquelas que acontecem após a tempestade.


Cair, levantar e dar a volta por cima: eis a virtude dos guerreiros.

Jorge, por exemplo, passou anos e anos sem ganhar nada. Quase na miséria, os amigos só faziam crescer, mais e mais. Tanto cresceram que protagonizaram o momento maior de sua vida. O significado disso que viveu revigorou sua alma.

Uma nação que cresce na adversidade tem muito a contar, pois viveu intensamente. O povo confortou Jorge ao longo de décadas de sofrimento com o mesmo amor de uma mãe.

Assim foi também com Gennaro, que, no momento mais complicado de sua caminhada, teve por perto todos os seus. Foi ao fundo do poço para então retornar nos braços de quem, por amor, o amparou.

Para Jorge e Gennaro, sofrer faz parte das maiores conquistas.

E o povo estará sempre por perto, seja qual for a situação.

Ao moleque mimado, sabe-se lá o que aconteceria se chegasse ao fundo do poço.

Dirão os oportunistas de plantão, com a empáfia que lhes é peculiar:

"Jamais cairemos do nosso pedestal".

Só o tempo pode dizer.

O que se pode ter desde agora é a certeza de que de nada vale ser sustentado por quem está ao seu lado por interesse.

Interesse de ostentar o produto que é o mais vendido no momento, aquele que é o mais badalado, a modinha que está pegando.

Quem vai atrás da turminha só o faz para evitar que o ponto fraco do caráter seja desmascarado por qualquer “tirador de sarro” por aí.

Fácil é se proclamar vencedor sem enfrentar as dificuldades.

Fácil é se afastar na hora das batalhas para só aparecer na hora da festa, proclamando algo que nunca foi e nunca será.

Vencer é para poucos; é para quem luta.

Especialmente na adversidade.

Não dá para esperar isso dos acompanhantes do menino mimado, que somem ao primeiro revés.

Quem se declara vencedor depois de estar longe por toda a batalha é, na verdade, um fraco.

Bajular na hora da conquista é fácil; e não exige alma. A hipocrisia está em moda, infelizmente.

Só quem luta e está presente na vitória e na derrota sabe mensurar o que é uma conquista e o que é mera propaganda.

Só a alma detém a verdade.

Ser parte de uma geração vitrine, que vive de ostentar aquilo que veio sem suor, é cômodo.

Tão cômodo quanto vazio.

E está impregnado à genética oportunista dos que não têm alma.

Amar é sofrer.

Amar é se doar.

Amar é se dedicar, mais ainda nos momentos difíceis.

Jorge e Gennaro sempre souberam disso.

Assim foram criados.

Esta é a lição que passaram para suas torcidas...

***

Co-autoria de Rodrigo Barneschi e Filipe Gonçalves, que explica em seu blog um pouco desta criação conjunta.

15 novembro 2007

Noite de Libertadores

Palmeiras e Fluminense pareciam jogar ontem não pelo Campeonato Brasileiro/2007, mas por uma prévia do que será a Libertadores/2008. Pois, se ainda não está garantido, o alviverde deu um enorme passo ao derrotar o time carioca em uma jornada de caráter épico.

O clima, pelo jogo ou pela expectativa criada, já era de Libertadores. Casa quase cheia, noite tempestuosa, juiz contra e um adversário de qualidade, que vendeu caro a derrota. E havia ainda o clima nada favorável de uma véspera de feriado, trauma destes anos 00.

Mas havia Edmundo, como antes. O bom e velho Edmundo. Genial, cerebral, preciso. Ainda capaz de belos dribles e de passes como o do único gol do jogo. É o suficiente.

Somados os problemas todos, a chuva que não deu trégua do início ao fim, os dois pênaltis acintosamente não marcados a nosso favor e as muitas defesas do goleiro deles, o 1 a 0 parece pouco. Mas foi muito.


Placar típico de Libertadores, no limite, com raça, com alma.

A decisão é em Porto Alegre; nem poderia ser diferente.

***

O TAL SETOR VISA

A chuva veio bem a calhar. Logo de cara, na estréia, o elitista Setor Visa submeteu seus freqüentadores a tomar chuva por duas horas ininterruptas. Ou seja, o sujeito paga R$ 49,50 pelo ingresso e ainda fica debaixo da tempestade paulistana...

Não posso fazer quaisquer comentários sobre os bastidores do novo espaço, pois não fui até lá, mas deixo-os com os relatos do Maurício Rito, do Fanáticos por Futebol, e do Vicente Criscio, do TVV.

Ainda é prematuro traçar as implicações de tudo isso. A princípio, mantenho minha opinião contrária, justificada pelo clima frio do povo que agora fica ali no meio, mas a tempestade de ontem é um fator que dificulta análises mais qualificadas.

A própria Mancha ainda precisa se achar. Ficamos, acredito eu, no melhor lugar possível (na curva, a exemplo do que faz a FJV em São Januário), mas nunca se sabe se vai continuar assim nos próximos jogos. Se ficarmos por ali, o prejuízo é menor.

Uma coisa é certa: a divisória de vidro (copiada de estádios europeus) é menos ofensiva do que as grades de campo de concentração.

Por sinal, diretoria, não é o caso de retirar as duas da nossa jaula?

Aguardemos.

***

24.693?

Das duas, uma: ou inventaram gente ontem ou mentiram em todos os públicos divulgados nos últimos cinco anos.

Qualquer freqüentador principiante do Parque Antártica sabe que ontem não havia tanta gente assim. Com o tal setor Visa a 40% da capacidade e espaços de sobra no Setor Família, era jogo para 20 mil, se tanto.


Para efeito de comparação, deixo uma pergunta: tinha mais gente ontem (24.693) ou em Palmeiras 2 x 1 Flamengo (23.550), Palmeiras 2 x 0 Grêmio (22.667) e Palmeiras 3 x 0 Paraná (23.739)?

14 novembro 2007

Edmundo, 3 vezes mais

Algo me diz que o Animal não vestirá nossa camisa a partir de 2008. Será um erro dos mais graves, que bem pode não se concretizar se o Edmundo dos três últimos jogos for o Edmundo de tanta história com a nossa camisa. Nos pés dele estão muitas de nossas esperanças de vaga na Libertadores. A começar por hoje, jogo dos mais complicados pelo adversário, por nossas limitações e pelo clima que se criou. Que Edmundo faça a diferença: por nós, por ele e pelo Palmeiras.

13 novembro 2007

E o Paulistão vem aí...

... com ingressos a R$ 20 (preço mínimo), decisão arbitrária, estúpida e elitista, e, felizmente, com a manutenção da fórmula que prevê semifinal e final ao final do turno único.

Bem mais atraente que este Brasileiro que definha ano após ano com a covarde fórmula de pontos corridos.

Ao Palmeiras caberá fazer 10 jogos em casa (mas provavelmente não na nossa casa) e nove fora nesta próxima edição do Paulista. Com a bonificação inédita de encararmos o Juventus fora, o que implica em um mando camuflado.

Em compensação, é de se prever a inversão de um mando nosso, pois Palmeiras x SPFC deverá, por obra da FPF, ser deslocado para o estádio do Jd. Leonor. “O mando pertence à federação”, dirá Del Nero, o filho bastardo.

Serão, portanto – e na teoria –, 12 jogos na capital, um na região metropolitana (Barueri, na rodada final) e seis no interior – sendo Marília e Rio Claro viagens inviáveis, pois no meio da semana.

A nossa tabela segue abaixo, com a ressalva de que não existe uma definição exata de dias e horários, tampouco de locais. O mesmo prevalece para o local em que mandaremos nossos jogos, visto que o Parque deve estar em reformas nos primeiros meses do ano.

Campeonato Paulista/2008

16.01 qua. Palmeiras x Sertãozinho – Palestra
20.01 dom. Santos x Palmeiras – Vila Belmiro
23.01 qua. Marília x Palmeiras – Bento de Abreu
27.01 dom. Palmeiras x Mirassol – Palestra
30.01 qua. Palmeiras x Ituano – Palestra
02.02 sáb. Noroeste x Palmeiras – Alfredo Castilho
06.02 qua. Palmeiras x Guaratinguetá – Palestra
10.02 dom. Palmeiras x Guarani – Palestra
17.02 dom. Juventus x Palmeiras – Pacaembu
20.02 qua. Rio Claro x Palmeiras – Rio Claro
24.02 dom. Palmeiras x Rio Preto – Palestra
02.03 dom. SCCP x Palmeiras – Jd. Leonor
09.03 dom. Bragantino x Palmeiras – Marcelo Stéfani
12.03 qua. Palmeiras x Ponte Preta – Palestra
16.03 dom. Palmeiras x SPFC – Jd. Leonor
23.03 dom. Paulista x Palmeiras – Jaime Cintra
26.03 qua. Palmeiras x Portuguesa – Palestra
30.03 dom. Palmeiras x São Caetano – Palestra
06.04 dom. Barueri x Palmeiras – Arena Barueri

Semifinal: 13.04 dom. e 20.04 dom.

Final: 27.04 dom. e 04.05 dom.

08 novembro 2007

O SPFC e o aliciamento de menores

O SPFC já não tem mais pudor em assumir a genética oportunista em tudo o que faz. Como se não bastasse toda a propaganda ideológica feita por paus-mandados da imprensa, os caras agora escancaram a política de angariar gente sem alma para compor a massa alienada.

Vejamos a notícia publicada na edição de hoje do jornal Agora SP:


São Paulo lança o projeto torcedor vira-casaca
CRIANÇAS QUE TORCEM PARA CLUBES RIVAIS ASSINAM CONTRATO E NÃO PRECISAM PAGAR A TAXA DE R$ 120 PARA REALIZAR O BATISMO TRICOLOR
A diretoria do São Paulo está adotando nova medida para que o clube consiga ter a maior torcida do Brasil nos próximos anos. O Tricolor vai lançar o projeto Dia da Conversão, no qual dará a oportunidade para torcedores de times rivais virarem a casaca e se tornarem são-paulinos.
O incentivo para isso é financeiro e faz parte de uma ação já existente no clube, o Batismo Tricolor. Corintianos, palmeirenses e santistas são muito bem-vindos no Morumbi para participar do projeto e trocar o time do coração. Qualquer pessoa, geralmente criança, que torça para outra equipe não precisa pagar a taxa de R$ 120 para ser batizada pelo São Paulo.
"Muitas crianças que torciam para Corinthians, Palmeiras e Santos, por exemplo, já participaram do Batismo. Então, surgiu a idéia de criar esse novo projeto para aumentarmos ainda mais essa mudança de time", explicou Julio Casares, diretor de marketing do Tricolor.
Além de as crianças participarem de um evento que ficará marcado na vida de cada um, outro estímulo para esses torcedores mirins trocarem de clube são as recentes conquistas do São Paulo. Essa é uma aposta dos dirigentes.Para não ser alvo de gozação entre os amigos, o torcedor que virar a casaca não terá a sua identidade revelada.
"Quem mudar de time vai assinar um termo, como se fosse um contrato, dizendo que se tornou um legítimo são-paulino. Com isso, também haverá um compromisso nosso de sigilo absoluto nisso", afirmou Casares.
Na cerimônia do Batismo Tricolor, que dura 30 minutos e é realizada dentro do estádio, o torcedor recebe um certificado, uma camiseta do projeto, um vaso com grama do Morumbi, duas fotos, um DVD e uma vela.
As crianças são o grande instrumento para que a torcida são-paulina tenha a possibilidade de superar as de Flamengo e Corinthians, as duas maiores atualmente. A meta da diretoria é que isso aconteça em no máximo dez anos.
Outros projetos também fazem parte desse plano. No Torcedor do Futuro, por exemplo, crianças de escolas públicas são levadas para conhecer o Morumbi. "Vamos conseguir ser a maior torcida do Brasil. As recentes pesquisas apontam um crescimento muito grande do São Paulo", finalizou Casares.



Fato: a imprensa vai vender essa história como mais um grande exemplo de planejamento, organização e modernidade. Para os que caem neste papo furado, o clube do Jd. Leonor passa a representar mais um pouco a vanguarda do futebol brasileiro.

É uma pena que nosso país esteja tão deteriorado a ponto de uma notícia como essa ganhar contornos positivos.

Pois o que temos aqui é um caso explícito de aliciamento de criancinhas (algo já abordado, com esse mesmo termo e muito mais propriedade, pelo pessoal do Observatório Verde).


O que fazem os dirigentes leonores é reafirmar tudo aquilo que sempre foi motivo de gozação: que eles foram desvirtuados no meio do caminho, que passaram a torcer por um time apenas porque ele foi campeão em determinado momento, que não tem a devida identificação com o clube.

A questão toda é que os ‘visionários’ dirigentes do clube do Jd. Leonor extrapolaram qualquer limite agora. Não contentes em esperar que a lavagem cerebral se dê a partir do que a imprensa noticia ou do que acontece no círculo social (e virtual) da molecada, eles partem atrás de crianças que mal conseguem elaborar um raciocínio lógico.

Mais fácil de aliciar, claro.

Futuros torcedores sem alma para uma multidão alienada, que funciona como massa de manobra para objetivos espúrios.

Pior: o mercantilismo é tamanho que eles chegam ao ponto de envolver “vantagens financeiras”, assinatura de contrato, sigilo e outras barbaridades. Com crianças, vejam só!!!

Tudo às claras, sem vergonha de assumir o oportunismo, pois tudo já foi devidamente endossado pela mídia.

Um crime que vai ficar impune!

***

Afinal, 'fanático' leonor de hoje em dia:

Para quem você torcia antes de 1992?

E você já aprendeu a cantar o hino até o final?

E a data da fundação do seu 'amado' clube?

07 novembro 2007

Presente para a torcida

A torcida do Palmeiras levou ao Palestra Itália mais de 16 mil pagantes por jogo nesta temporada. É a maior marca da década, digna dos tempos áureos de 1993/1994, ainda mais se considerarmos o fato de não termos tido sequer uma decisão de peso ao longo de 2007.

Sem jogos anabolizantes, com ingresso a R$ 20 (ou até R$ 30!) e à custa de sucessivas decepções, a torcida sempre fez sua parte.

E o que ganhamos de presente?

Resposta: a completa descaracterização da nossa casa.

A atual diretoria da S.E. Palmeiras precisou de apenas seis meses para destruir o estádio mais agradável de São Paulo. O lugar mais nobre, aquele antes ocupado por nós, será agora destinado a almofadinhas que pagarão R$ 49,50 por uma cadeira numerada com todos os confortos que não queremos.

O lugar em que antes havia pressão será ocupado por gente pouco afeita a incentivar. O time ficará cercado por corneteiros de um e de outro lado.

Mais do que apenas dar início a um escroto processo de elitização do público, a diretoria do Palmeiras joga contra o próprio clube, ao desmobilizar um pouco mais a força da torcida na sua própria casa.

Prometo escrever mais depois do jogo contra o Fluminense, a estréia de toda essa palhaçada. Por enquanto, deixo-os com imagens do que já é uma triste realidade:


1.


2.


3.



4.



5.


6.


Arte: Maurício Rito

06 novembro 2007

O oportunismo da vez

O senhor Juvenal Juvêncio, hoje presidente do clube do Jd. Leonor, ocupava este mesmo cargo no biênio 1988/89. À época, foi um dos signatários de um documento do Clube dos 13, que oficializou o Flamengo como legítimo campeão brasileiro de 1987.

Diz o texto, datado de 24 de junho de 1988:

“... À vista de todo o exposto, confirmar, de forma maiúscula, que efetivamente o Flamengo e o Internacional são os legítimos campeão e vice brasileiro de 1987, qualquer que venha a ser, no futuro, próximo ou remoto, a decisão final que a respeito vier a ser tomada.”


Não há dúvidas de que o clube carioca é o campeão de fato em 1987.

Como tal, tem cinco títulos, feito obtido antes do clube do Jd. Leonor.

Os clubes grandes, todos, ratificaram isso.

Juvenal Juvêncio e Carlos Miguel Aidar assinaram o documento na época, bem como todos os outros dirigentes dos clubes grandes, ratificando um título que até mesmo o Vasco reconhece.

Agora, 20 anos depois, os dois cardeais deixam aflorar a genética oportunista do clube do Jd. Leonor.

Não dava para esperar coisa diferente...

***


Mais aqui, aqui, aqui e aqui.


***

Em tempo: nego está brigando pela honra de ser pentacampeão? Pois um certo clube já ostenta oito conquistas nacionais em sua sala de troféus: 1960, 1967, 1967, 1969, 1972, 1973, 1993 e 1994.

05 novembro 2007

A vaga no lixo

O Palmeiras fez aquilo que é sua especialidade nesta década: jogou no lixo algo que já estava assegurado. Pois todo mundo ajudou, menos o próprio alviverde. E a vaga na Libertadores, antes tão próxima, agora é livre devaneio para os sonhadores de plantão.

A classificação para a Sul-americana (que eufemismo!) veio não necessariamente ontem, mas sim na quinta-fera, na inaceitável derrota sofrida diante do finado Juventude.

E também nos dois pontos perdidos em Natal, assim como nos seis pontos que conseguimos perder para Brisa do Paraná e Sport.

Aliás, este elenco demonstra uma incompetência tão grande nesta reta final que nem sobra vontade para falar sobre a arbitragem.

É bem verdade que o primeiro gol dos caras teve origem em um lance questionável, de interpretação – a maioria não teria marcado –, mas o árbitro ao menos teve a coragem de desafiar a norma vigente, que proíbe a marcação de pênaltis a nosso favor.

Ontem, 37 jogos depois, fomos para a cal novamente. E poderíamos ter ido ainda uma outra vez na etapa inicial, mas nada foi marcado, como de costume.

Ah, mas um time que toma dois gols daquele sujeitinho lá tem mais é que ficar quieto...

***

A realidade

Basta observar a tabela com mais cautela para deixar de lado qualquer ilusão patética. Vejamos:

Nos três jogos que faltam, o Palmeiras pode fazer seis pontos.

Digamos que consiga tal feito.

Neste caso, o Flamengo teria de fazer no máximo seis, e o desempate se daria no saldo de gols (o pior dos mundos para nós, ainda mais depois do terceiro gol de ontem). É fácil supor que o rubro-negro marque mais do que isso, pois joga em casa duas vezes e pega o Náutico, já sem aspirações, na última rodada. Sete pontos é o mínimo.

Sobraria então o Cruzeiro, morto até ontem. Aos bambis mineiros, considerando os prováveis - mas não certos - seis pontos alviverdes, quatro bastariam. Três já estão certos, na última rodada, diante do América/RN no Mineirão. Contra Inter e Sport (vejam a coincidência), um empate resolveria tudo.

Vem aí a Copa do Brasil/2008.

E pior: a Sul-americana.

***

E a torcida do Santos, o virtual vice-campeão, continua dando vexame. Ontem, dia de promoções na Vila, míseros sete mil pagantes deram as caras. Eles não merecem a vaga.

03 novembro 2007

O fim



Amigos,

A foto que vocês vêem aí no alto é de 2003, quando ajudamos o Palmeiras a retornar ao seu devido lugar. Pertence a um passado relativamente próximo, mas já distante em nossos pensamentos.

Mais distante, no entanto, pois impossível agora, é toda essa festa.

A nossa casa deixou de existir oficialmente no decorrer desta semana, depois que a diretoria (o Mustafá, com todos os seus defeitos, ao menos não mexia em nada disso) resolveu implantar um setor VIP (que sigla mais nojenta!) exatamente no lugar mostrado na foto, não à toa o mais privilegiado da arquibancada do Palestra Itália.

A derrota de quinta-feira foi, portanto, a nossa despedida.

O estádio que teremos a partir do próximo jogo – e mais claramente em 2008 – será outro, um mero simulacro do que foi o Palestra Itália nos últimos 70 e poucos anos.

Do nosso lugar, pela última vez, só conseguia pensar nisso.

Implacável, a chuva só fez ampliar o lado sombrio da noite de quinta-feira, véspera de Finados.


A derrota doeu, mas nem foi o pior.

Mesmo com toda a repercussão de ordem imediata, ela pouco significou diante do que está por vir.

Em campo, não poderia ser outro o resultado. Contra um time já rebaixado, perdemos uma dezena de gols. Bolas na trave, goleiro operando milagres, chutes sem direção...

Sem padrão de jogo e desprovido de qualquer dose de sorte, o Palmeiras poderia jogar por mais algumas horas sem conseguir chegar pelo menos ao empate.

Diante de tudo isso, no entanto, só dava para pensar no tal projeto inovador. Cadeiras numeradas, acesso exclusivo, cartões de crédito que valem como ingresso, serviço de bar, torcedores VIP, segregação na arquibancada, formação de castas, grades e mais grades...


É o início da elitização.

Enquanto for possível, seguiremos em frente, mesmo em uma casa dilacerada pela ganância de poucos.

Se vamos ou não para a Libertadores?

Eu já não sei; e, sinceramente, pouco importa.
Só me resta manter a tola ilusão de que as coisas tomarão um rumo tal que permitirá a meus filhos conhecer um Palestra Itália como o nosso...

***

Peço desculpas pelo tom rancoroso e pessimista do texto, mas não é possível reagir de outra maneira.

É triste ver o rumo tomado por essa nova diretoria, que cede a equivocados apelos de marketing sem sequer pensar na história do clube e do estádio mais tradicional da cidade.

***

Já vai tarde...


Perdemos em casa para o Juventude pela primeira vez. Menos um tabu para ser ostentado. Mas fica o consolo de que este time de merda ao menos não mais ficará na Série A a partir de 2008.

01 novembro 2007

O direito de ser campeão (2)

A genética do oportunismo se faz presente uma vez mais. Por enquanto, apenas deixo a recomendação para a leitura de um post do ano passado. Com as devidas atualizações, o raciocínio é o mesmo:

O direito de ser campeão

31 outubro 2007

Que final é essa?

Virá hoje, sem expectativa, o título brasileiro do clube do Jd. Leonor.

Conquista anabolizada pela enorme complacência das arbitragens, mas justa, é bom que se diga, pelos escrotos critérios técnicos (uma parcial campanha 22-7-5 é notável).

O problema todo é que os bambis disputam o título contra ninguém.

O que temos é o título de um clube só.

Sem briga, sem sofrimento, sem superação, sem emoção.

Sem reviravoltas, sem viradas, sem polêmicas, sem batalhas campais.

Sem confrontos épicos, sem clássicos, sem ódios mortais.

Sem a essência do futebol.

Final entre o líder, campeão há meses, e o lanterna, que entrou por engano na Série A?


Com promoção de ingressos no Jd. Leonor?

Com foco na luta de um outro grande contra o rebaixamento?

Não poderia ser mais desprezível.

Os pontos corridos estão conseguindo acabar com o futebol...

30 outubro 2007

LUTO

Não teve jeito: a Copa-2014 será aqui.

Em solidariedade ao torcedor brasileiro, que, alienado, não sabe o que está por vir, este blog está de luto.

O futebol brasileiro começa a morrer hoje...

Balanço de tudo


É sempre bom se sentir em casa na casa dos outros...

Como a cansativa viagem ao Rio me deixou sem tempo para escrever antes, fiquemos agora com breves comentários:

1. Mais deplorável que a postura do Grêmio só mesmo a ameaça do tal procurador do STJD, o mesmo que denunciou o Edmundo. Pedir uma inédita suspensão preventiva para o nosso atleta é de uma canalhice extrema, comprovando a nítida má vontade do tribunal para conosco;

2. Por sinal, vi hoje pela TV as tais ‘agressões’. Deixando de lado a infantilidade do senhor Valdivia, a repercussão está sendo maior que o fato. Vale tudo para desestabilizar o Palmeiras;

3. Muito do ocorrido no final do jogo em São Januário deve ficar na conta do árbitro, que deixou o jogo correr de maneira preocupante. Sem exageros, ele deve ter marcado menos de metade das faltas;

4. De resto, a igualdade ficou de bom tamanho;

5. Pelas minhas contas, dá para garantir a vaga apenas com as três vitórias em casa. O problema é se acontecer algum daqueles tropeços;

6. Fica aqui o agradecimento para os irmãos da FJV. Mais uma tarde de irmandade em São Januário, lugar sempre agradável para nós;

7. E o Maracanã não se cansa de ficar mais e mais bonito. Sábado foi dia de reencontrá-lo uma vez mais, ao lado dos também irmãos da Galoucura. Pena que a Copa-2014 vem aí para estragar tudo.

26 outubro 2007

Clima de mata-mata

Não fosse a excrescência representada pelos pontos corridos, o Palmeiras já estaria garantido na fase final do Campeonato Brasileiro, na luta apenas para assegurar o direito de mandar o segundo jogo em casa até a semifinal. E, a julgar pela completa inaptidão dos bambis, o título não estaria tão distante.

Como não podemos contar com a decência da fórmula de disputa (que não prevê confronto direto entre os melhores colocados) nem com a idoneidade dos juízes (que ajudaram, com 12 pontos de presente, a construir toda essa vantagem atual), o que resta é curtir um ilusório clima de mata-mata dos últimos seis jogos.

A começar por domingo, em São Januário. É com esse espírito que vamos, hoje mesmo, para o Rio - de quebra, ainda podemos assistir a Fluminense x Galo, sábado, no Maraca.

U
ma vitória (somada às outras três que devem vir em casa) já seria o bastante para chegarmos à Libertadores. Se não der, no entanto, voltamos para SP na pegada dos jogos de volta (três aqui e dois fora). É pensar assim para não sucumbir a este escroto sistema de disputa.

***

Por sinal, vejam só o que pode acontecer:

Cruzeiro e Santos jogam no sábado.

Suponhamos que ambos não vençam.

Os bambis jogam no domingo, às 16h.

Suponhamos que vençam - o que é factível.

No mesmo horário, entra em campo o Grêmio, em casa.

Pode também, a exemplo dos dois de sábado, não somar três pontos.

Nessa hipotética situação, o título dos bambis ficaria pendente, à espera do resultado de Vasco x Palmeiras, às 18h10.

Ou seja, os alienados só saberiam do desfecho de tudo duas horas depois, em uma partida que nem conta com a participação deles.

Emocionante, não?

Seria um belo presente para todos os defensores dos pontos corridos.

***

Hoje, em um hipotético mata-mata, teríamos os seguintes confrontos:

Bambis x Figueirense
Palmeiras x Fluminense
Cruzeiro x Flamengo
Santos x Grêmio

Se fossem dois quadrangulares, teríamos:

Grupo A: Bambis, Santos, Grêmio e Figueirense
Grupo B: Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo e Fluminense

23 outubro 2007

Casa cheia?

Passou despercebido, mas o jogo de sábado registrou o maior público do ano no Palestra Itália: 23.739 pagantes. Era jogo Nestlé e nunca se sabe o que é gente e o que é ingresso que morreu na mão de cambista vagabundo. Mas alguns comentários são pertinentes:

1. Mesmo com duas recentes ampliações (tomando por base os anos 90), a marca de 30 mil torcedores no Palestra parece coisa do passado. E o será ainda mais, a julgar pelas obras previstas para 2008;


2. Ainda que a carga de ingressos habitual seja de 27 mil, algo de inusitado impede que todos esses bilhetes tenham os torcedores como destino. Alguns três ou quatro mil costumam se perder pelas alamedas do Palestra Itália. Neste contexto, 24 mil é casa cheia.;

3. Na atual temporada, o recorde anterior pertencia a Palmeiras 2 x 1 Flamengo, com 23.550 pagantes. Mas havia muito, muito mais, naquela ocasião. Como também havia uma aglomeração maior no Palmeiras 2 x 0 Grêmio (22.667). Neste último caso, por sinal, é de se estranhar o fato de os ingressos de arquibancada estarem esgotados horas antes do jogo. Onde foram parar?

4. Estes públicos recentes (acima de 20 mil) não são exceção, como acontece com outro clube grande desta capital, aquele da zona sul. Basta dizer que a média de público do Palmeiras neste ano, considerando apenas os jogos na sua casa, supera a casa dos 16 mil (16.017, em 25 jogos, sem clássicos ou anabolizantes). Média! Neste universo de 25 jogos, somente três registraram público abaixo de 10 mil torcedores; nenhum ficou abaixo de 5 mil.

22 outubro 2007

G4: o que ainda falta

33
Vasco x Palmeiras
Cruzeiro x Atlético/PR
Grêmio x Náutico
Santos x Goiás

34
Palmeiras x Juventude
Botafogo x Cruzeiro
Atlético/PR x Grêmio
Náutico x Santos

35
Sport x Palmeiras
Cruzeiro x Flamengo
Grêmio x Figueirense
Santos x Atlético/MG

36
Palmeiras x Fluminense
Internacional x Cruzeiro
São Paulo x Grêmio
Flamengo x Santos

37
Internacional x Palmeiras
Sport x Cruzeiro
América/RN x Grêmio
Paraná x Santos

38
Palmeiras x Atlético/MG
Grêmio x Corinthians
Cruzeiro x América/RN
Santos x Fluminense