30 novembro 2007

Fala o palmeirense

Do blag do Mauro Beting:

Fala o palmeirense
(O jornalista Mauro Beting cede o espaço para palmeirense Mauro Beting escrever).
ESCREVE MAURO ALEXANDRE ZIONI BETING

O Palmeiras bola promoção bacana com a grama do Palestra Itália vendida à torcida, mais um CD do hino do clube com as vozes de Marcos, Edmundo e Valdívia e a produção do grande guitarrista Marcos Kleine, e ainda um pôster verde.

Outros clubes já fizeram algo parecido, não igual, e não com tantos presentes.

Mas parte da imprensa detona pelo não "ineditismo" da iniciativa.

Faz parte. Sobretudo na reta de mais uma decisão no Palestra.

Quando todas as asas negras de Arapiraca são lembradas, e nenhuma Libertadores-99 é rememorada.

Quando a pauta da quinta-feira fala do desmanche do elenco em 2008 em vez de falar da montagem da equipe para o duro jogo contra o Atlético Mineiro.

(E o jornal não é de Belo Horizonte. É de São Paulo. Mas, por favor, não é do São Paulo. Não é isso, não exageremos).

Parte da imprensa continua tratando alguns clubes como se os setoristas trabalhassem nas assessorias de imprensa dos rivais. Ou vestissem a camisa da oposição da pior espécie que o Palmeiras já teve. O que não causa estranheza.

A atual oposição palmeirense foi a pior situação da história recente do clube. A que deixou o time naquela situação.

A mustafiosa administração que levou o Palmeiras ao inferno da segundona não quer ver o Palmeiras em mais uma Libertadores.

Até porque tradicionalmente ela não quer ver o time do Palmeiras. Prefere ver as piscinas aquecidas e outras coisas frias a assistir ao esporte que fez o Palmeiras campeão.

Fosse apenas detonar uma simpática iniciativa da diretoria que este palmeirense apóia como cidadão e amante do futebol, ainda vai.

Se aqui escrevo com o coração, também tem gente que escreve com o cotovelo ou com o fígado.

Mas também tem o jornalismo tático, aquele que a diretoria são-paulina, como não poderia deixar de ser, atenta a tudo e a todos, competente como nenhuma outra, imune a críticas como nenhum clube, aproveita para lembrar das tantas vitórias tricolores no Palestra que será desgramado.

Nem adianta lembrar que todos os outros clubes não se metem na vida são-paulina como o Tricolor se mete na vida e nos negócios alheios.

Mas também faz parte do jogo e das jogadas.

Ao vencedor, as batatas. As palmas. Os louros. As isenções de todas as espécies. Intocável no gramado, intocável fora dele.

Crises e questões pessoais são tratadas com o respeito devido e necessário nos clubes campeões em campo e na benevolência da imprensa.

Respeito que ficamos devendo na imprensa quando os alvos são fáceis por serem tão difíceis como pessoas.

Ou por vestirem outras camisas menos blindadas e, nos últimos tempos, menos campeãs.

O Palmeiras não precisa vencer apenas os rivais no Palestra. Não precisa apenas vencer histórias de fantasmas do passado.

O Palmeiras precisa vencer manchetes e pautas tão ou mais parciais e passionais que estas linhas que o palmeirense-jornalista acaba de publicar.

Mas ao menos assume que está torcendo.

Ao menos a favor de alguém.

ESCREVEU MAURO ALEXANDRE ZIONI BETING,
com a autorização do titular do blag.

***

Parabéns, Mauro!

Tenho orgulho hoje, e a cada dia mais, por tê-lo tido como um dos profissionais que avaliou meu livro-reportagem na Faculdade Cásper Líbero. Muito deve-se a esta sua
isenção, e à capacidade de não se calar diante de toda a sujeira que temos visto nesta imprensa esportiva a cada dia mais capenga.

Obrigado por não nos deixar sem voz na grande mídia.

E é por isso, por lutar contra tudo e contra todos, que eu sou a cada dia mais palmeirense. Contra árbitros, bandeirinhas, tribunais, promotores, procuradores, o escambau. E contra a parte suja da imprensa.

Abraços

Vamos fazer o nosso

Chega de pensar nos caras. Domingo é dia de decisão pra gente. A torcida precisa entrar com o espírito de final, de Libertadores. E com a cabeça no Palmeiras, apenas isso. Por mais que pareça difícil acreditar que o Galo dê a vaga para o seu maior rival, temos de fazer o nosso. Sem brincadeiras e sem pensar no que acontece em Porto Alegre ou Goiânia; o que vale é o resultado do Palestra. Nada de desconcentrar agora. Assim que tudo der certo na nossa casa, é justo olharmos para outros estádios. E se houver um mínimo de dignidade por parte de um certo time de vermelho, a pé voltaremos para casa.

***

EDMUNDO, A DESPEDIDA?

A final de domingo pode ser o último jogo de Edmundo com a nossa camisa 7. É uma pena. O jeito é aproveitar; lembrar de tudo o que ele fez em quase seis anos de Palestra e confiar no que ainda pode fazer. Uma coisa é certa: os que hoje defendem a sua saída hoje vão lamentar mais adiante.

26 novembro 2007

Não é curioso...

... que o novo julgamento do Valdivia só tenha entrado agora na pauta do STJD, um dia depois de o time queridinho da Globo e da CBF ter assegurado uma vaga na Libertadores?

25 novembro 2007

Eles não vão conseguir...

Por mais que árbitros e auxiliares estejam se esforçando muito para deixar o Palmeiras fora da Copa Libertadores de 2008 (contando os de hoje, ao menos oito pontos já nos foram surrupiados desde o início do Brasileirão), parece que não vão conseguir...

Deixo aqui agradecimentos a San Gennaro (sempre!) e ao Sport Clube do Recife, do amigo Anderson lá do PE.

Agora é só vencer o Galo!

Domingo tem decisão!

17 novembro 2007

Jorge, Gennaro e o menino sem alma

Desde a várzea paulistana, o berço de tudo, Jorge e Gennaro foram criados no preceito mais puro da desportividade: a disputa em nome do manto.

Jorge, pouco mais velho, veio de família operária. Mas sua turma contava com profissionais de uma gama variada de setores, de carvoeiros, cocheiros de tílburi, alfaiates e barbeiros a advogados e professores.

Gennaro descende de imigrantes italianos. Camponeses, artesãos, agricultores, gente de poucas posses, todos impelidos a buscar na ‘Merica uma nova vida.

Vida que só faz sentido com um ideal à frente.


Jorge e Gennaro nunca foram amigos. Eram, pelo contrário, rivais. Desde a mais tenra idade, sempre houve disputa entre os dois. Rivalidade sadia, pois respeitosa. E necessária, pois verdadeira e incondicional. Poderia mesmo ser chamada de “a maior do mundo”.

Jorge foi o primeiro a trazer seus amigos operários para o futebol “grande”, aquele que se supunha de “gentlemen”, diferenciação que existia só pela graça de trazer demérito ao adjetivo “várzea” (cheio de alma, por sinal).

Jorge pleiteou e conquistou o direito de disputar com os “gentlemen”. O povo entrava em campo.

A abertura de espaço possibilitou à turma de Gennaro, após anos de amadorismo, ser considerada maioria em Piratininga, cidade que falava, não por acaso, com o típico sotaque de uma vila siciliana ou calabresa.


Não demorou muito para tomarem o lugar dos que antes eram tidos como senhores do esporte bretão nesta Piratininga. Os “gentlemen” viam Gennaro e Jorge superá-los não só dentro de campo, mas também em estrutura.

Por trás de ambos estava o povo, a razão maior do esporte bretão.

Senhores feudais em um século que não o deles, os “gentlemen” gostavam de manter o futebol no amadorismo como maneira de esconder as gratificações que tornavam possível aliciar atletas de agremiações adversárias.


Isso não afetava os times de Jorge e Gennaro. Desde os campos de várzea a norte e a oeste da Vila de Piratininga, prevalecia o amor ao manto. Muitos eram os admiradores, logo alçados à nobre condição de torcedores.

Foi assim, com a força de seus povos, que sobreviveram os dois moleques da várzea paulistana. Mais até: cresceram, ganharam títulos e logo deixaram para trás os que pensavam ser nobres.


Eis que surgiu, anos depois, um menino mimado, de linhagem rica, quatrocentona e tradicional, mas com trajetória marcada por separações, brigas e conflitos. Uma família decadente, que sempre tentou esconder seus problemas por trás de uma fachada prepotente.

Assim, o rapazote não tinha seguidores, senão os que foram abandonados pelos clubes de chá-das-cinco, os mesmos que tinham em mente a derrocada de Jorge e Gennaro. O menino mimado era a última chance de tentarem ser algo.

A esta altura, no entanto, ambos já haviam transcendido a armadilha imposta pelos artífices do amadorismo e engatinhavam no profissionalismo vigente.

O menino mimado das elites veio ao mundo sem berço, sem amor e sem alma. De sua gente que virou casaca, herdou os genes oportunistas e nada mais.

Ainda pequeno, de tudo fez para se estabelecer. Estratégias as mais sórdidas, politicagens baratas e muita arrogância serviam apenas para angariar rejeição, inclusive entre os seus.

O moleque tentava se firmar em seu caráter capenga às custas de quem fosse. De nada adiantou; criança ainda, foi à falência.


Sem família ou amigos, foi salvo exatamente por Jorge e Gennaro, que se uniram para ajudar o pobre coitado.

Triste episódio.

Mal sabia Gennaro que aquele fedelho, um dia reabilitado, seria o artífice de uma campanha difamatória contra suas origens.

O objetivo era um só: tomar a casa construída com o suor de Gennaro e do povo que o fazia grande. É irônico que tal atitude tenha partido de alguém desprovido de berço.

Ter o sangue do sul da Itália, no entanto, nunca foi coisa pouca. Gennaro resistiu e triunfou diante de um pirralho que, derrotado, abandonou o nobre campo de batalha municipal, à época ainda com o nome purificado.

Tal fato se deu na mesma época em que os comparsas do menino mimado forçaram Jorge a ter como comandante um burocrata golpista, alguém que nem de suas fileiras era. O filhote dos senhores feudais deixava aflorar o seu caráter oportunista.

Anos se passaram, e o moleque seguiu seu caminho desprezível.

Até que, ainda jovem e com padrinhos no poder, ganhou uma enorme casa, custeada com o dinheiro de Jorge, Gennaro e de toda a coletividade.

Manuel, diga-se de passagem, outro boleiro destas paragens, também entrou na lista dos vitimados por politicagens baratas e maracutaias.

O rapaz sem alma foi ganhar corpo décadas depois. Em posses, nunca em caráter. Suas conquistas eram vazias, pois sem o doce sabor da superação.

O menino ganhou o mundo, mero instrumento para a lavagem cerebral que visava ganhar apoio de cidadãos desprovidos de alma e de qualquer senso de julgamento moral.

Dele se aproximaram as figuras mais desprezíveis.

Aproximação não por amor, mas por interesse.

Não aquele financeiro, típico das nossas oligarquias mais putrefatas, mas por status. Pela enganosa possibilidade de desfrutar do que a vida oferece de mais prazeroso. Sem esforço, é óbvio.

É uma grande moleza, não?

Os seguidores do menino mimado agem como ele. Pensam que o dinheiro pode comprar tudo e vêem a ética como um atributo pouco relevante, quase indesejável.

Não é à toa. Ao longo de toda a história, acostumaram-se a ver todo tipo de favorecimento vindo dos canalhas de amarelo, de toga e de ternos bem cortados.

Tampouco conhecem a própria história. Mais fácil (sempre a mesma lógica!) acreditar nas invencionices tacanhas de quem empunha um microfone ou uma caneta sem dignidade para tanto.

Afinal, trata-se do filhinho daqueles que tomavam o chá-das-cinco no começo do século, pensando em como afastar o povo do esporte que começava a ganhar força no imaginário popular.

Os que seguem hoje o garotinho mimado o fazem por esta necessidade de ter status, de esnobar, de mostrar o que têm e o que não têm.

Como se preza a todo novo rico, é bom cultivar esta imagem.

“Ter é mais importante que ser”. É como pensam os oportunistas. É como cresceu o menininho mimado, sempre cercado de bajuladores e de pessoas que se adulam nas posses e em nada mais.

Ao ver que Jorge e Gennaro tinham o que ele não tinha, tratou de correr atrás. E o fez não como os guerreiros da várzea paulistana, mas como se preza a alguém sem história para contar.

Como é vazio o menino mimado, tudo é adorno. Que atrai nada mais senão a soberba medrosa da necessidade de reafirmação. São badulaques que se penduraram no vazio. Um prato cheio para oportunistas.

E os oportunistas se enfeitam, mas só enquanto for moda.

Porque na vida há coisas que superam, e muito, a imagem.

Os dois pioneiros do esporte bretão já viveram o ocaso, assim como as maiores glórias. Fácil nunca foi. Ficou a lição: as maiores vitórias são aquelas que acontecem após a tempestade.


Cair, levantar e dar a volta por cima: eis a virtude dos guerreiros.

Jorge, por exemplo, passou anos e anos sem ganhar nada. Quase na miséria, os amigos só faziam crescer, mais e mais. Tanto cresceram que protagonizaram o momento maior de sua vida. O significado disso que viveu revigorou sua alma.

Uma nação que cresce na adversidade tem muito a contar, pois viveu intensamente. O povo confortou Jorge ao longo de décadas de sofrimento com o mesmo amor de uma mãe.

Assim foi também com Gennaro, que, no momento mais complicado de sua caminhada, teve por perto todos os seus. Foi ao fundo do poço para então retornar nos braços de quem, por amor, o amparou.

Para Jorge e Gennaro, sofrer faz parte das maiores conquistas.

E o povo estará sempre por perto, seja qual for a situação.

Ao moleque mimado, sabe-se lá o que aconteceria se chegasse ao fundo do poço.

Dirão os oportunistas de plantão, com a empáfia que lhes é peculiar:

"Jamais cairemos do nosso pedestal".

Só o tempo pode dizer.

O que se pode ter desde agora é a certeza de que de nada vale ser sustentado por quem está ao seu lado por interesse.

Interesse de ostentar o produto que é o mais vendido no momento, aquele que é o mais badalado, a modinha que está pegando.

Quem vai atrás da turminha só o faz para evitar que o ponto fraco do caráter seja desmascarado por qualquer “tirador de sarro” por aí.

Fácil é se proclamar vencedor sem enfrentar as dificuldades.

Fácil é se afastar na hora das batalhas para só aparecer na hora da festa, proclamando algo que nunca foi e nunca será.

Vencer é para poucos; é para quem luta.

Especialmente na adversidade.

Não dá para esperar isso dos acompanhantes do menino mimado, que somem ao primeiro revés.

Quem se declara vencedor depois de estar longe por toda a batalha é, na verdade, um fraco.

Bajular na hora da conquista é fácil; e não exige alma. A hipocrisia está em moda, infelizmente.

Só quem luta e está presente na vitória e na derrota sabe mensurar o que é uma conquista e o que é mera propaganda.

Só a alma detém a verdade.

Ser parte de uma geração vitrine, que vive de ostentar aquilo que veio sem suor, é cômodo.

Tão cômodo quanto vazio.

E está impregnado à genética oportunista dos que não têm alma.

Amar é sofrer.

Amar é se doar.

Amar é se dedicar, mais ainda nos momentos difíceis.

Jorge e Gennaro sempre souberam disso.

Assim foram criados.

Esta é a lição que passaram para suas torcidas...

***

Co-autoria de Rodrigo Barneschi e Filipe Gonçalves, que explica em seu blog um pouco desta criação conjunta.

15 novembro 2007

Noite de Libertadores

Palmeiras e Fluminense pareciam jogar ontem não pelo Campeonato Brasileiro/2007, mas por uma prévia do que será a Libertadores/2008. Pois, se ainda não está garantido, o alviverde deu um enorme passo ao derrotar o time carioca em uma jornada de caráter épico.

O clima, pelo jogo ou pela expectativa criada, já era de Libertadores. Casa quase cheia, noite tempestuosa, juiz contra e um adversário de qualidade, que vendeu caro a derrota. E havia ainda o clima nada favorável de uma véspera de feriado, trauma destes anos 00.

Mas havia Edmundo, como antes. O bom e velho Edmundo. Genial, cerebral, preciso. Ainda capaz de belos dribles e de passes como o do único gol do jogo. É o suficiente.

Somados os problemas todos, a chuva que não deu trégua do início ao fim, os dois pênaltis acintosamente não marcados a nosso favor e as muitas defesas do goleiro deles, o 1 a 0 parece pouco. Mas foi muito.


Placar típico de Libertadores, no limite, com raça, com alma.

A decisão é em Porto Alegre; nem poderia ser diferente.

***

O TAL SETOR VISA

A chuva veio bem a calhar. Logo de cara, na estréia, o elitista Setor Visa submeteu seus freqüentadores a tomar chuva por duas horas ininterruptas. Ou seja, o sujeito paga R$ 49,50 pelo ingresso e ainda fica debaixo da tempestade paulistana...

Não posso fazer quaisquer comentários sobre os bastidores do novo espaço, pois não fui até lá, mas deixo-os com os relatos do Maurício Rito, do Fanáticos por Futebol, e do Vicente Criscio, do TVV.

Ainda é prematuro traçar as implicações de tudo isso. A princípio, mantenho minha opinião contrária, justificada pelo clima frio do povo que agora fica ali no meio, mas a tempestade de ontem é um fator que dificulta análises mais qualificadas.

A própria Mancha ainda precisa se achar. Ficamos, acredito eu, no melhor lugar possível (na curva, a exemplo do que faz a FJV em São Januário), mas nunca se sabe se vai continuar assim nos próximos jogos. Se ficarmos por ali, o prejuízo é menor.

Uma coisa é certa: a divisória de vidro (copiada de estádios europeus) é menos ofensiva do que as grades de campo de concentração.

Por sinal, diretoria, não é o caso de retirar as duas da nossa jaula?

Aguardemos.

***

24.693?

Das duas, uma: ou inventaram gente ontem ou mentiram em todos os públicos divulgados nos últimos cinco anos.

Qualquer freqüentador principiante do Parque Antártica sabe que ontem não havia tanta gente assim. Com o tal setor Visa a 40% da capacidade e espaços de sobra no Setor Família, era jogo para 20 mil, se tanto.


Para efeito de comparação, deixo uma pergunta: tinha mais gente ontem (24.693) ou em Palmeiras 2 x 1 Flamengo (23.550), Palmeiras 2 x 0 Grêmio (22.667) e Palmeiras 3 x 0 Paraná (23.739)?

14 novembro 2007

Edmundo, 3 vezes mais

Algo me diz que o Animal não vestirá nossa camisa a partir de 2008. Será um erro dos mais graves, que bem pode não se concretizar se o Edmundo dos três últimos jogos for o Edmundo de tanta história com a nossa camisa. Nos pés dele estão muitas de nossas esperanças de vaga na Libertadores. A começar por hoje, jogo dos mais complicados pelo adversário, por nossas limitações e pelo clima que se criou. Que Edmundo faça a diferença: por nós, por ele e pelo Palmeiras.

13 novembro 2007

E o Paulistão vem aí...

... com ingressos a R$ 20 (preço mínimo), decisão arbitrária, estúpida e elitista, e, felizmente, com a manutenção da fórmula que prevê semifinal e final ao final do turno único.

Bem mais atraente que este Brasileiro que definha ano após ano com a covarde fórmula de pontos corridos.

Ao Palmeiras caberá fazer 10 jogos em casa (mas provavelmente não na nossa casa) e nove fora nesta próxima edição do Paulista. Com a bonificação inédita de encararmos o Juventus fora, o que implica em um mando camuflado.

Em compensação, é de se prever a inversão de um mando nosso, pois Palmeiras x SPFC deverá, por obra da FPF, ser deslocado para o estádio do Jd. Leonor. “O mando pertence à federação”, dirá Del Nero, o filho bastardo.

Serão, portanto – e na teoria –, 12 jogos na capital, um na região metropolitana (Barueri, na rodada final) e seis no interior – sendo Marília e Rio Claro viagens inviáveis, pois no meio da semana.

A nossa tabela segue abaixo, com a ressalva de que não existe uma definição exata de dias e horários, tampouco de locais. O mesmo prevalece para o local em que mandaremos nossos jogos, visto que o Parque deve estar em reformas nos primeiros meses do ano.

Campeonato Paulista/2008

16.01 qua. Palmeiras x Sertãozinho – Palestra
20.01 dom. Santos x Palmeiras – Vila Belmiro
23.01 qua. Marília x Palmeiras – Bento de Abreu
27.01 dom. Palmeiras x Mirassol – Palestra
30.01 qua. Palmeiras x Ituano – Palestra
02.02 sáb. Noroeste x Palmeiras – Alfredo Castilho
06.02 qua. Palmeiras x Guaratinguetá – Palestra
10.02 dom. Palmeiras x Guarani – Palestra
17.02 dom. Juventus x Palmeiras – Pacaembu
20.02 qua. Rio Claro x Palmeiras – Rio Claro
24.02 dom. Palmeiras x Rio Preto – Palestra
02.03 dom. SCCP x Palmeiras – Jd. Leonor
09.03 dom. Bragantino x Palmeiras – Marcelo Stéfani
12.03 qua. Palmeiras x Ponte Preta – Palestra
16.03 dom. Palmeiras x SPFC – Jd. Leonor
23.03 dom. Paulista x Palmeiras – Jaime Cintra
26.03 qua. Palmeiras x Portuguesa – Palestra
30.03 dom. Palmeiras x São Caetano – Palestra
06.04 dom. Barueri x Palmeiras – Arena Barueri

Semifinal: 13.04 dom. e 20.04 dom.

Final: 27.04 dom. e 04.05 dom.

08 novembro 2007

O SPFC e o aliciamento de menores

O SPFC já não tem mais pudor em assumir a genética oportunista em tudo o que faz. Como se não bastasse toda a propaganda ideológica feita por paus-mandados da imprensa, os caras agora escancaram a política de angariar gente sem alma para compor a massa alienada.

Vejamos a notícia publicada na edição de hoje do jornal Agora SP:


São Paulo lança o projeto torcedor vira-casaca
CRIANÇAS QUE TORCEM PARA CLUBES RIVAIS ASSINAM CONTRATO E NÃO PRECISAM PAGAR A TAXA DE R$ 120 PARA REALIZAR O BATISMO TRICOLOR
A diretoria do São Paulo está adotando nova medida para que o clube consiga ter a maior torcida do Brasil nos próximos anos. O Tricolor vai lançar o projeto Dia da Conversão, no qual dará a oportunidade para torcedores de times rivais virarem a casaca e se tornarem são-paulinos.
O incentivo para isso é financeiro e faz parte de uma ação já existente no clube, o Batismo Tricolor. Corintianos, palmeirenses e santistas são muito bem-vindos no Morumbi para participar do projeto e trocar o time do coração. Qualquer pessoa, geralmente criança, que torça para outra equipe não precisa pagar a taxa de R$ 120 para ser batizada pelo São Paulo.
"Muitas crianças que torciam para Corinthians, Palmeiras e Santos, por exemplo, já participaram do Batismo. Então, surgiu a idéia de criar esse novo projeto para aumentarmos ainda mais essa mudança de time", explicou Julio Casares, diretor de marketing do Tricolor.
Além de as crianças participarem de um evento que ficará marcado na vida de cada um, outro estímulo para esses torcedores mirins trocarem de clube são as recentes conquistas do São Paulo. Essa é uma aposta dos dirigentes.Para não ser alvo de gozação entre os amigos, o torcedor que virar a casaca não terá a sua identidade revelada.
"Quem mudar de time vai assinar um termo, como se fosse um contrato, dizendo que se tornou um legítimo são-paulino. Com isso, também haverá um compromisso nosso de sigilo absoluto nisso", afirmou Casares.
Na cerimônia do Batismo Tricolor, que dura 30 minutos e é realizada dentro do estádio, o torcedor recebe um certificado, uma camiseta do projeto, um vaso com grama do Morumbi, duas fotos, um DVD e uma vela.
As crianças são o grande instrumento para que a torcida são-paulina tenha a possibilidade de superar as de Flamengo e Corinthians, as duas maiores atualmente. A meta da diretoria é que isso aconteça em no máximo dez anos.
Outros projetos também fazem parte desse plano. No Torcedor do Futuro, por exemplo, crianças de escolas públicas são levadas para conhecer o Morumbi. "Vamos conseguir ser a maior torcida do Brasil. As recentes pesquisas apontam um crescimento muito grande do São Paulo", finalizou Casares.



Fato: a imprensa vai vender essa história como mais um grande exemplo de planejamento, organização e modernidade. Para os que caem neste papo furado, o clube do Jd. Leonor passa a representar mais um pouco a vanguarda do futebol brasileiro.

É uma pena que nosso país esteja tão deteriorado a ponto de uma notícia como essa ganhar contornos positivos.

Pois o que temos aqui é um caso explícito de aliciamento de criancinhas (algo já abordado, com esse mesmo termo e muito mais propriedade, pelo pessoal do Observatório Verde).


O que fazem os dirigentes leonores é reafirmar tudo aquilo que sempre foi motivo de gozação: que eles foram desvirtuados no meio do caminho, que passaram a torcer por um time apenas porque ele foi campeão em determinado momento, que não tem a devida identificação com o clube.

A questão toda é que os ‘visionários’ dirigentes do clube do Jd. Leonor extrapolaram qualquer limite agora. Não contentes em esperar que a lavagem cerebral se dê a partir do que a imprensa noticia ou do que acontece no círculo social (e virtual) da molecada, eles partem atrás de crianças que mal conseguem elaborar um raciocínio lógico.

Mais fácil de aliciar, claro.

Futuros torcedores sem alma para uma multidão alienada, que funciona como massa de manobra para objetivos espúrios.

Pior: o mercantilismo é tamanho que eles chegam ao ponto de envolver “vantagens financeiras”, assinatura de contrato, sigilo e outras barbaridades. Com crianças, vejam só!!!

Tudo às claras, sem vergonha de assumir o oportunismo, pois tudo já foi devidamente endossado pela mídia.

Um crime que vai ficar impune!

***

Afinal, 'fanático' leonor de hoje em dia:

Para quem você torcia antes de 1992?

E você já aprendeu a cantar o hino até o final?

E a data da fundação do seu 'amado' clube?

07 novembro 2007

Presente para a torcida

A torcida do Palmeiras levou ao Palestra Itália mais de 16 mil pagantes por jogo nesta temporada. É a maior marca da década, digna dos tempos áureos de 1993/1994, ainda mais se considerarmos o fato de não termos tido sequer uma decisão de peso ao longo de 2007.

Sem jogos anabolizantes, com ingresso a R$ 20 (ou até R$ 30!) e à custa de sucessivas decepções, a torcida sempre fez sua parte.

E o que ganhamos de presente?

Resposta: a completa descaracterização da nossa casa.

A atual diretoria da S.E. Palmeiras precisou de apenas seis meses para destruir o estádio mais agradável de São Paulo. O lugar mais nobre, aquele antes ocupado por nós, será agora destinado a almofadinhas que pagarão R$ 49,50 por uma cadeira numerada com todos os confortos que não queremos.

O lugar em que antes havia pressão será ocupado por gente pouco afeita a incentivar. O time ficará cercado por corneteiros de um e de outro lado.

Mais do que apenas dar início a um escroto processo de elitização do público, a diretoria do Palmeiras joga contra o próprio clube, ao desmobilizar um pouco mais a força da torcida na sua própria casa.

Prometo escrever mais depois do jogo contra o Fluminense, a estréia de toda essa palhaçada. Por enquanto, deixo-os com imagens do que já é uma triste realidade:


1.


2.


3.



4.



5.


6.


Arte: Maurício Rito

06 novembro 2007

O oportunismo da vez

O senhor Juvenal Juvêncio, hoje presidente do clube do Jd. Leonor, ocupava este mesmo cargo no biênio 1988/89. À época, foi um dos signatários de um documento do Clube dos 13, que oficializou o Flamengo como legítimo campeão brasileiro de 1987.

Diz o texto, datado de 24 de junho de 1988:

“... À vista de todo o exposto, confirmar, de forma maiúscula, que efetivamente o Flamengo e o Internacional são os legítimos campeão e vice brasileiro de 1987, qualquer que venha a ser, no futuro, próximo ou remoto, a decisão final que a respeito vier a ser tomada.”


Não há dúvidas de que o clube carioca é o campeão de fato em 1987.

Como tal, tem cinco títulos, feito obtido antes do clube do Jd. Leonor.

Os clubes grandes, todos, ratificaram isso.

Juvenal Juvêncio e Carlos Miguel Aidar assinaram o documento na época, bem como todos os outros dirigentes dos clubes grandes, ratificando um título que até mesmo o Vasco reconhece.

Agora, 20 anos depois, os dois cardeais deixam aflorar a genética oportunista do clube do Jd. Leonor.

Não dava para esperar coisa diferente...

***


Mais aqui, aqui, aqui e aqui.


***

Em tempo: nego está brigando pela honra de ser pentacampeão? Pois um certo clube já ostenta oito conquistas nacionais em sua sala de troféus: 1960, 1967, 1967, 1969, 1972, 1973, 1993 e 1994.

05 novembro 2007

A vaga no lixo

O Palmeiras fez aquilo que é sua especialidade nesta década: jogou no lixo algo que já estava assegurado. Pois todo mundo ajudou, menos o próprio alviverde. E a vaga na Libertadores, antes tão próxima, agora é livre devaneio para os sonhadores de plantão.

A classificação para a Sul-americana (que eufemismo!) veio não necessariamente ontem, mas sim na quinta-fera, na inaceitável derrota sofrida diante do finado Juventude.

E também nos dois pontos perdidos em Natal, assim como nos seis pontos que conseguimos perder para Brisa do Paraná e Sport.

Aliás, este elenco demonstra uma incompetência tão grande nesta reta final que nem sobra vontade para falar sobre a arbitragem.

É bem verdade que o primeiro gol dos caras teve origem em um lance questionável, de interpretação – a maioria não teria marcado –, mas o árbitro ao menos teve a coragem de desafiar a norma vigente, que proíbe a marcação de pênaltis a nosso favor.

Ontem, 37 jogos depois, fomos para a cal novamente. E poderíamos ter ido ainda uma outra vez na etapa inicial, mas nada foi marcado, como de costume.

Ah, mas um time que toma dois gols daquele sujeitinho lá tem mais é que ficar quieto...

***

A realidade

Basta observar a tabela com mais cautela para deixar de lado qualquer ilusão patética. Vejamos:

Nos três jogos que faltam, o Palmeiras pode fazer seis pontos.

Digamos que consiga tal feito.

Neste caso, o Flamengo teria de fazer no máximo seis, e o desempate se daria no saldo de gols (o pior dos mundos para nós, ainda mais depois do terceiro gol de ontem). É fácil supor que o rubro-negro marque mais do que isso, pois joga em casa duas vezes e pega o Náutico, já sem aspirações, na última rodada. Sete pontos é o mínimo.

Sobraria então o Cruzeiro, morto até ontem. Aos bambis mineiros, considerando os prováveis - mas não certos - seis pontos alviverdes, quatro bastariam. Três já estão certos, na última rodada, diante do América/RN no Mineirão. Contra Inter e Sport (vejam a coincidência), um empate resolveria tudo.

Vem aí a Copa do Brasil/2008.

E pior: a Sul-americana.

***

E a torcida do Santos, o virtual vice-campeão, continua dando vexame. Ontem, dia de promoções na Vila, míseros sete mil pagantes deram as caras. Eles não merecem a vaga.

03 novembro 2007

O fim



Amigos,

A foto que vocês vêem aí no alto é de 2003, quando ajudamos o Palmeiras a retornar ao seu devido lugar. Pertence a um passado relativamente próximo, mas já distante em nossos pensamentos.

Mais distante, no entanto, pois impossível agora, é toda essa festa.

A nossa casa deixou de existir oficialmente no decorrer desta semana, depois que a diretoria (o Mustafá, com todos os seus defeitos, ao menos não mexia em nada disso) resolveu implantar um setor VIP (que sigla mais nojenta!) exatamente no lugar mostrado na foto, não à toa o mais privilegiado da arquibancada do Palestra Itália.

A derrota de quinta-feira foi, portanto, a nossa despedida.

O estádio que teremos a partir do próximo jogo – e mais claramente em 2008 – será outro, um mero simulacro do que foi o Palestra Itália nos últimos 70 e poucos anos.

Do nosso lugar, pela última vez, só conseguia pensar nisso.

Implacável, a chuva só fez ampliar o lado sombrio da noite de quinta-feira, véspera de Finados.


A derrota doeu, mas nem foi o pior.

Mesmo com toda a repercussão de ordem imediata, ela pouco significou diante do que está por vir.

Em campo, não poderia ser outro o resultado. Contra um time já rebaixado, perdemos uma dezena de gols. Bolas na trave, goleiro operando milagres, chutes sem direção...

Sem padrão de jogo e desprovido de qualquer dose de sorte, o Palmeiras poderia jogar por mais algumas horas sem conseguir chegar pelo menos ao empate.

Diante de tudo isso, no entanto, só dava para pensar no tal projeto inovador. Cadeiras numeradas, acesso exclusivo, cartões de crédito que valem como ingresso, serviço de bar, torcedores VIP, segregação na arquibancada, formação de castas, grades e mais grades...


É o início da elitização.

Enquanto for possível, seguiremos em frente, mesmo em uma casa dilacerada pela ganância de poucos.

Se vamos ou não para a Libertadores?

Eu já não sei; e, sinceramente, pouco importa.
Só me resta manter a tola ilusão de que as coisas tomarão um rumo tal que permitirá a meus filhos conhecer um Palestra Itália como o nosso...

***

Peço desculpas pelo tom rancoroso e pessimista do texto, mas não é possível reagir de outra maneira.

É triste ver o rumo tomado por essa nova diretoria, que cede a equivocados apelos de marketing sem sequer pensar na história do clube e do estádio mais tradicional da cidade.

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Já vai tarde...


Perdemos em casa para o Juventude pela primeira vez. Menos um tabu para ser ostentado. Mas fica o consolo de que este time de merda ao menos não mais ficará na Série A a partir de 2008.

01 novembro 2007

O direito de ser campeão (2)

A genética do oportunismo se faz presente uma vez mais. Por enquanto, apenas deixo a recomendação para a leitura de um post do ano passado. Com as devidas atualizações, o raciocínio é o mesmo:

O direito de ser campeão