20 março 2015

20 de março

20 de março de 2015. Abertura da venda de ingressos para o jogo de despedida do meia Alex. Valores: entre R$ 60 e R$ 150.

20 de março de 2002. Este mesmo Alex marcou, no Jd. Leonor, o gol mais bonito de sua carreira. Lá se vão 13 anos. Desde então, o Palmeiras nunca mais venceu seu inimigo fora de casa. São 21 jogos - e eu, que estive em absolutamente todos estes, não consigo conviver em paz com isso. Pagamos, os palmeirenses que lá estivemos naquela noite de quarta-feira, R$ 10 pelo acesso à arquibancada. 10 reais.

20 de março de 2015. Estão à venda, também, os ingressos para Palmeiras x SPFW, o segundo clássico do redivivo estádio Palestra Italia, também em uma quarta-feira. Pelo acesso à arquibancada, o torcedor visitante pagará R$ 200. 200 reais. 20 vezes mais!

Corrigido para 2015, o valor cobrado pela arquibancada naquele clássico de 2002 se aproximaria dos R$ 25 (R$ 25,98, pelo IGP-M; R$ 22,75 pelo IPC-A; menos até se levarmos em conta outros índices).

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Paulo win-win Nobre, é mais do que necessário lembrar, estragou o primeiro clássico disputado no novo Palestra Italia, também o primeiro dérbi em 40 anos na nossa casa. Fazendo as vezes de capacho do Ministério Público, foi ele o artífice da tentativa de impedir a vinda da torcida visitante. Foi ele, por fim, o cúmplice do massacre de que foi vítima nossa torcida ali bem na rua da nossa casa. Mais de um mês se passou e Nobre não se manifestou sobre.

Antes mesmo de concretizada a emboscada de 8 de fevereiro, eu já questionava um ponto: o ingresso a R$ 200 para a torcida visitante. Como destacado bem lá atrás, a conta, ao final, será paga pela própria torcida palmeirense, por ocasião da represália que certamente virá quando formos enfrentar nossos adversários fora de casa.

Ocorre, no entanto, que, em sua política de precificação doentia e desconectada da realidade, Nobre só enxerga cifrões. Ele vê o palmeirense não como torcedor, mas como um mero consumidor. Daí então que o sujeito tem valor no momento em que é extorquido para deixar R$ 200 nos cofres do clube para pisar no setor atrás do gol "Sul", mas não tem assim tanta valia quando vai aos estádios de seus rivais para empurrar o Palmeiras às vitórias que tanto escassearam nos últimos anos.

Não à toa, Nobre declarou, bem recentemente, não fazer questão de solicitar aos outros clubes a cota de ingressos a que teria direito o Palmeiras nas partidas como visitante. Agora fica fácil entender o porquê: o palmeirense que vai representar o clube no Jd. Leonor, no Itaquerão ou em qualquer outra cancha Brasil afora não contribui para o clube como consumidor, mas sim como torcedor. E isso não interessa à sanha financista do senhor Paulo win-win Nobre.

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É bem provável que o público presente ao segundo clássico do novo Palestra fique bem abaixo do que poder-se-ia esperar de tal duelo. Para além do preço obsceno, aponto três agravantes: o horário das 22h, complicando o retorno de muitos que dependem de transporte público; a transmissão ao vivo em TV aberta; e a proximidade do fim do mês, que deixa o orçamento bem apertado. Mas Nobre, este ser que vive recluso em seu mundinho apartado da realidade, parece desconhecer o significado de termos como ônibus, Metrô e salário.

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Ainda que seja pequeno o público, o que vale para esta corja elitista é a arrecadação. Se a pressão do público for menor, tampouco importa. Se tivermos uma torcida menos atuante nos jogos como visitante, não haverá de ser nada. Ganhe ou perca o time dentro de campo, sempre haverá os deslumbrados a enaltecer a renda de R$ 2 milhões, o reforço 103.000 do Avanti, a camisa mais valiosa etc. Afinal, dirá Paulo Nobre, o importante é a "parceria win-win".

6 comentários:

Anônimo disse...
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Matheus Pacaterra disse...

R$200 por um jogo no setor visitante de um clássico as 22h, válido pela primeira fase do Campeonato Paulista. Para os que diziam que PN era torcedor de arquibancada, acho que suas atitudes provam o contrário. Ser tratado como consumidor na nossa própria casa, lamentável. Quem perde é a SEP.

Emilio R. Leite disse...

Barneschi,
Na outra postagem você comentou que existem pessoas capacitadas e preparadas que pensam como você (verdadeiramente no bem da torcida/povão palmeirense).
Existe a possibilidade de já na próxima eleição essas pessoas chegarem à posição de poder e decisões do clube?
Porque acredito que se isso demorar muito será irreversível a mudança de perfil do torcedor do nosso amado Palestra.
Digo isso porque sou um frequentador de estádio que hoje estou mais afastado devido aos preços.

Abraços
Emilio Leite

sergio marangão disse...

Rodrigo. vc ta cheio de razão. Em trinta anos ,com essa mentalidade,Nossa torcida com ajuda da RGT ja estaremos atras de santos e Lusa !!!

Leonardo disse...

E o pior é que uma parcela muito grande da torcida do Palmeiras apoia tudo isso. O processo que estamos sofrendo será irreversível.

Leonardo Nakamura

Frederico disse...

Quando uma pessoa não tem interesse de vender o carro dela, ela pede um valor alto, se alguém estiver disposto a pagar terá feito um bom negócio, mas a verdade é que a atitude da pessoa mostra que ela não está a fim de vender.

Sendo assim, o preço de R$ 200,00 para um visitante conhecer nossa casa mostra que não há o menor interesse da diretoria do Palmeiras em receber visitantes na Arena.

E é claro que ele (Paulo Nobre) sabe que haverá retaliações e é exatamente isso que ele quer que aconteça, que acabe os clássicos com duas torcidas.