03 junho 2015

705

Fica aqui o registro para a posteridade: em clássico contra o SCCP, no Itaquerão, em 31/05/2015, o Palmeiras se viu representado na arquibancada por 705 de seus propalados 16 milhões de torcedores - diante de pouco mais de 29 mil rivais.

De novo: SETECENTOS E CINCO.

Da carga de 1.800 ingressos destinados à torcida visitante, mais de mil ficaram na bilheteria.

O que isso representa: nunca antes o Palmeiras levou tão pouca gente a um estádio em duelos contra seus rivais paulistanos. Nunca.

A pergunta que se faz: como isso pôde acontecer?

Bom, basicamente porque a parcela da torcida que vai a todos os cantos se viu sufocada pela precificação doentia do senhor Paulo de Almeida Nobre, ao mesmo tempo em que a claque que o bajula comprovou ser incapaz de colocar os pés em outro estádio que não o Palestra Italia.

É emblemático que este clássico tenha ocorrido exatamente em um dia 31. Se gente como Paulo Nobre desconhece o significado da expressão "fim do mês", a dificuldade de fechar as contas antes de cair o próximo salário afeta boa parte da torcida - em especial os dispostos a encarar o transtorno de um jogo em Itaquera (que consome metade de um domingo entre a ida e a volta para casa). A maior parte dos habituados a tal sacrifício se viu impossibilitada de desembolsar R$ 100 por um ingresso - ainda mais com o bolso machucado depois de tantos meses direcionando pequenas fortunas para bancar o Avanti e os bilhetes inflacionados em casa ou fora (R$ 100 na semifinal do Paulista, R$ 210 na final etc.). Daí então que saímos da Barra Funda em direção à zona leste não os 1.500 habituais, mas cerca de 400.

Quanto aos aduladores da gestão que aí está, muitos dos quais se apoiam em discursos falaciosos para avalizar práticas elitistas, não se pode esperar muita coisa. Alguns poucos, é bem verdade, até se fazem presentes lá entre os 16 do Nobre, mas essa gente dos camarotes não conta muito para efeito de apoio ao time.

(Aliás, como tem passado, zelador? Muita bajulação ao #deusnobre? Muitas vistorias a estádios que você nem imaginava conhecer antes de virar puxa-saco? Muito nepotismo?)

Como eu já venho dizendo há tempos (a começar por este post aqui, de fevereiro), é o próprio torcedor do Palmeiras que vai pagar já está pagando a conta pela insanidade de um único sujeito. Ao cobrar R$ 200 R$ 100 da torcida do SCCP no clássico do Paulista, o mandatário alviverde acaba impondo um valor mínimo a se cobrar dos palmeirenses que resolverem empurrar o time contra seu maior rival fora de casa. (E o ingresso a R$ 200 pode se concretizar no Jd. Leonor, uma vez que não houve acordo com a diretoria no SPFW no duelo em que afastou-se a torcida visitante pelo bolso).

Tem-se, pois, que todas as torcidas que forem ao Itaquerão pagarão um preço fixo igual ao cobrado dos locais (R$ 50), reservando-se apenas e tão somente aos palmeirenses um valor diferenciado (R$ 100), em represália aos preços praticados no nosso estádio.

O mesmo acontecerá no Jd. Leonor, na Vila Belmiro, no Rio, em Minas, em Porto Alegre, em Curitiba, em Florianópolis, em qualquer cancha. O torcedor palmeirense será punido em todos os estádios visitados pelo Palmeiras apenas e tão somente porque a política de precificação levada a cabo pelo senhor Paulo de Almeida Nobre é desconectada da realidade e não tem qualquer compromisso com quem avança além das fronteiras da Pompéia.

Paulo Nobre, aquele que arruinou o centenário da Sociedade Esportiva Palmeiras, passa para a história também como o responsável por fazer o alviverde imponente ser representado por apenas 705 torcedores logo no dia de nossa primeira vitória em clássicos na condição efetiva de visitante - porque na anterior, em 2002 contra o SPFW, a arquibancada ainda era dividida ao meio.

Paulo Nobre é o responsável por selecionar pelo bolso quem pode e quem não pode ir empurrar o clube como visitante - mas os seus escolhidos simplesmente não estão a fim de fazer tal sacrifício pelo Palmeiras. Por conta de sua mentalidade, foram impedidos de ver o Palmeiras disputar um clássico na cidade de São Paulo mais de mil palmeirenses que conhecem o significado da expressão "fim do mês".

Ou se muda a política de precificação para as torcidas visitantes na nossa casa ou o torcedor palmeirense seguirá pagando muito caro pela insanidade de uma única pessoa.

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Consta, no borderô da partida, que cada um dos 705 visitantes pagou R$ 100 pelo bilhete, totalizando R$ 70.500. Não foi bem assim.

Muitos efetivamente pagaram R$ 100. Eu, por exemplo. Fui até a bilheteria do Pacaembu e comprei lá o meu ingresso:
















Para conselheiros do clube, no entanto, os mesmos ingressos estavam disponíveis por módicos R$ 25:

















Como explicar isso?

Qual é a justificativa para a venda a R$ 25 (1/4 do valor cobrado do torcedor que foi à bilheteria) de ingressos que tiveram a "Sociedade Esportiva Palmeiras" como cliente?

Se R$ 70.500 entraram nos cofres do SCCP, quem pagou por essa diferença entre o valor arrecadado pelo nosso rival e o que foi cobrado dos conselheiros da SEP?

Com a palavra, Nobre e seus aduladores.

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Mais dois posts altamente necessários sobre a insanidade financista que tomou conta do Palmeiras e que vai custar muito caro para as próximas gerações:

Não falta competência. Falta é bom senso

Avanti cobra ingresso de Maria Eduarda. Ela tem seis meses

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Sobre a maiúscula vitória obtida em território inimigo, creio ser o caso de apenas reproduzir o post escrito após a semifinal do Paulista. Aqui, sim. De novo.

16 comentários:

Matheus Pacaterra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Matheus Pacaterra disse...

Parabens pelo texto, é exatamente isso.
Pude começar a frequentar arquibancada com frequencia apenas em 2014 (questão financeira e etária) e já é difícil pagar R$ 110 + transporte (sou de Guarulhos), comida etc. em todos os jogos em casa. Mesmo assim, não perco nenhum jogo em casa desde setembro de 2014 (no ultimo ano perdi apenas 4). Com isso, se torna muito difícil ir de visitante, nem que fosse apenas aqui em SP (sobra disposição mas falta $). Mas antes, pelo menos, sabia que teria alguém no meu lugar representando o Palmeiras. Agora, nem isso. Paulo Nobre, além de afastar parte da nossa torcida em casa, agora afasta quem quer ir de visitante. É ridículo, extorsivo e vai contra toda a historia centenária de um clube que possui origem operária.

Antimancha disse...

É MANCHA, PAROU DE GANHAR INGRESSO E BENEFÍCIOS FICOU DIFÍCIL NÉ

Zoinho disse...

Não sou Mancha. E 100 conto ficou difícil pra mim . Pra vc foi tranquilo ??

arlindo disse...

quer voltar para 2012, 13 e 14 ? aquela época tava melhor ?

Renato Moreira disse...

Excelente Barneschi. Dessa vez, fui vencido pelo Bolso... isso dói tanto para quem vive de Palmeiras que é revoltante afirmar e aceitar.

Todavia, gostaria de aproveitar para comentar o post de um babaca ali em cima... Benefícios para a Torcida Organizada... qual o problema afinal de contas? Repetir o que sai na grande mídia é fácil demais... Alimentar esse ódio fascista que tomou conta de nossa sociedade é interessante para eles sobre vários aspectos, sejam políticos ou financeiros (temos até eleitos com esse discursinho fácil).

Há de se discutir outras coisas meu caro, afinal de contas, logo seremos literalmente expulsos de nossos domínios, tal qual estamos sendo expulsos de defender nossa história em domínios adversários.

É um absurdo aceitar isso. É vergonhoso aceitar que essa discussão não é pauta "por que a receita não entra em nosso caixa".

É vergonhoso que a conta da receita dos ingressos seja pensada sempre na questão do maior lucro e menor custo em detrimento da torcida. CHEGAMOS AO ABSURDO DE FECHAR METADE DA ARENA PELOS CUSTOS QUE IRIAM GERAR MAIS TORCIDA COM UM INGRESSO DE MENOR CUSTO...

Repito: Maior público > com preço menor de ingresso e > custo maior de manutenção = renda X; Menor público > com preço maior de ingresso e custo menor de manutenção = renda X (mesma renda nos 02 casos)

Para a mesma renda eles preferem um público menor, mas, com ingressos mais caros!

Não sei se estou louco, mas na escola na época de jogos escolares as torcidas tinham "privilégios", na faculdade a torcida e fanfarra das atléticas tinham "privilégios", na comunidade a torcida da várzea tinha "privilégios"... NA IGREJA, REPITO IGREJA, os grupos organizados tem seus "privilégios" nas caravanas e eventos mil.

Não é questão de ser melhor ou pior que o torcedor, mas é questão de PROTEGER UM PATRIMÔNIO DO CLUBE, O MAIOR DELES.

É ESTRATÉGICO SER FORTE E SE MOSTRAR FORTE!

É HONESTO DEFENDER OS NOSSOS EM TODOS OS PRÉLIOS, CRIANDO CONDIÇÕES PARA QUE O TIME POSSA CONTAR COM ESSA FORÇA!

Por fim, seu babaca anonimo, costumo SEMPRE comentar como minha esposa: "TERIA VERGONHA DE SER UMA TORCIDA VISITANTE COMO AQUELES ALI..."

Isso foi forjado na luta em diversas canchas, pela qual nunca tive privilégio nenhum, nem benefício, nem porra nenhuma. Mas certamente, SE PRESIDENTE FOSSE, EU CRIARIA MECANISMOS DE SEMPRE TER UMA TORCIDA FORTE, UMA TORCIDA GUERREIRA, UMA TORCIDA QUE EMPURRE O TIME, SEJA EM CASA, SEJA NA GUERRA FORA DE CASA!


Anônimo disse...

Renato Moreira,

Belo texto. Concordo com cada palavra.

Leonardo Nakamura

Bruno Ricardo disse...

Rodrigo, não fui ao jogo justamente pelo lado financeiro. Aqui em casa são 3 Avantis ( meu, da minha esposa e da minha filha de um ano e 4 meses)

Sobre a Maria Eduarda, também nome da minha filha, segue o texto da reinauguração do Palestra. As palavras, duras, pelo jeito fazem parte do treinamento dos contratado para atender os torcedores...

http://brunoricardojr.wix.com/serpaimeirense#!Jogo-1-Um-dos-dias-mais-felizes-da-vida/c1a1n/55661b850cf23d0164c5483a

Leandro Parra disse...

Cada nova medida da gestão Paulo Nobre deixa cada vez mais claro suas reais intenções, quais sejam, elitizar um clube de origens populares e gerir o futebol de maneira empresarial, como se a SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS fosse pura e simplesmente uma empresa qualquer pertencente a este senhor, de mentalidade ultra conservadora, que trata o PALMEIRENSE única e exclusivamente como um consumidor e não como um torcedor, que canta e vibra e vive dizendo PALMEIRAS MINHA VIDA É VOCÊ. O potencial de "nosso" clube e de nossa apaixonada torcida é extraordinário, um programa de sócio torcedor de caráter popular, que desse direito a voto e a elegibilidade, e que poderia também contemplar o acesso ao clube seria transformador e poderia nós colocar num patamar diferenciado e realmente inovador no futebol brasileiro; mas somente uma administração de mentalidade arejada e aberta a ideias condizentes com nossas origens populares e que abraçasse de vez o torcedor poderia levar adiante as mudanças de que precisamos, entre elas, que o futebol seja tratado como coisa pública e não como um negócio privado qualquer... AVANTE VERDES! VAMOS VERDES! PALMEIRAS MINHA VIDA É VOCÊ! FORA PAULO NOBRE!

gregory disse...

Segundo clássico seguido que eu perco, primeira vez na vida que isso acontece. Porém como um dos apoiadores do Nobre falou pra mim:

"Fundamental é comida, água e luz o resto é luxo. Se preocupe com o que realmente interfere na sua vida".

As vezes realmente a vontade é essa, mandar tudo pro inferno e ter uma vida normal. Já que o Palmeiras não me quer mais no estádio com ele.

Desculpa se esse tipo de desabafo pode ofender alguém, mas é frustrante demais tudo isso.

valdo disse...

que pena

César SEP disse...

Aquele frase "a copa do mundo é o atestado de óbito do futebol brasileiro" está fazendo sentido. Você já previu isso há mais de um ano.

Luan disse...

até que enfim o assessor de imprensa gamba do paulo nobre saiu do Palmeiras parar ir pra cbf. Alívio!

Pedro Victor Galdino disse...

Boa tarde,

Sei que não gosta de falar de jogadores, mas poderia falar sobre o fim de Valdivia no Palmeiras? Percebo que não gosta do jogador, mas poderia analisar de forma neutra a passagem do Mago? O jogador que foi decisivo nos únicos título que tivemos em 15 anos? Obrigado.

Anônimo disse...
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Anônimo disse...
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