07 abril 2011

O fim dos clássicos

SPFW e SCCP jogaram recentemente em Barueri: 1.300 gambás puderam ir ao estádio. SFC e Palmeiras jogaram ainda mais agora no amontoado de laje: não mais do que 700 palmeirenses pudemos descer a serra para ver o clássico. Estes dois exemplos são sintomáticos de um fenômeno que parece irreversível no futebol paulista: a perda de identidade dos clássicos estaduais.

Curioso notar que dois dos maiores culpados pelo esvaziamento dos clássicos paulistas são exatamente os dois mandantes dos clássicos mais recentes: SFC e SPFW. Mais este, porque aquele, historicamente, já mandava na Vila Belmiro boa parte dos clássicos, no que era retribuído pelos outros grandes aqui no planalto.

Acontece que os clássicos antes disputados na Vila eram antes um pouco menos desiguais, pois as torcidas visitantes tinham direito a 10% dos ingressos, exatamente o que é estipulado pela lei. Mas então veio Marcelo Teixeira, botou uma grade no 'nosso' setor e deixou a parte menor para os visitantes: os 2.000 ingressos antes destinados às torcidas da capital viraram 700 – ou até menos. Ficou por isso mesmo: os clubes não reagiram, a FPF deixou rolar e o promotor até incentivou a redução na carga.

E, a bem da verdade, vivíamos esta situação desigual em apenas um dos seis clássicos possíveis. Em todos os outros, prevalecia um cenário de competitividade e de expectativa pelo encontro das torcidas. Sim, o encontro das torcidas... vamos tratar disso:

Ir a um clássico no Jd. Leonor até o final da década passada era sinônimo de imaginar como estaria a nossa torcida e, especialmente, se seríamos maioria contra leonores ou gambás. Isso era mais evidente até os anos 1990, com o Jd. Leonor ainda sem setores coloridos: rolava a disputa por gomos de arquibancada, e a torcida maior empurrava a menor. Tudo na base da corda dos PMs. Bons tempos...

Mesmo a divisão por setores não foi suficiente para a perda de identidade dos clássicos. Seguíamos para o Jd. Leonor fazendo previsões sobre o total de público e sobre o peso de cada torcida na arquibancada.

Uma vez nas imediações do estádio, a praça Roberto Gomes Pedrosa era o primeiro termômetro: ficavámos naquela parte mais elevada, entre barraquinhas de pernil e cerveja à vontade, a observar a movimentação dos inimigos lá pra baixo. Eles chegavam pela Saad ou pela Giovanni e já era possível comparar os nossos lá para cima e os inimigos do outro lado. Estimativas, suposições, expectativa, a tensão do clássico que se aproximava.

Havia dezenas de opções de barraquinha por ali. Pernil, calabresa, hot dog, pernil e calabresa misturados. E cerveja. E os amigos. A praça era uma área a ser conquistada, quase como que para demarcar o nosso espaço. Como acontece em toda guerra, era preciso conquistar e manter um território.

De quando em quando, a avenida que dividia as duas torcidas, em uma espécie de linha imaginária, deixava de existir. Ao menor vacilo das coxinhas, um grupo nosso descia em direção aos caras ou vice-versa. Porrada daqui e dali, pedras voando, correria, carros atingidos. Voltavam os coxinhas, os cavalos saltando sem direção, as torcidas recuavam. Por vezes, os bravos e valorosos homens do 2º BP Choque disparavam balas de borracha ou atiravam à distância as insuportáveis bombas de efeito moral.

Fazia parte do clássico.

Vieram então a infeliz decisão bambi de destinar 10% (ou 5%) para a torcida do outro grande (com a devida retribuição) e também o promotor, ainda mais nocivo do que o sujeitinho que, hoje deputado, pensou ter proibido as organizadas em 1995. Mais ainda: como parte do movimento que esvaziou os clássicos paulistas, a bicha que se diz prefeito de SP proibiu as barracas de comida nas imediações das canchas e enviou os vagabundos da GCM para apertar o cerco na fiscalização à venda de cerveja.

Vamos aos clássicos hoje já sabendo como será a divisão das torcidas (90% de um lado e 10% do outro - ou 75% x 25% quando se trata de Palmeiras x SCCP). Não temos mais a festa na arquibancada, não temos o encontro com os rivais do lado de fora, não temos a briga por espaço na arquibancada, não temos o que comer e beber antes dos jogos. Um tédio.

Acabaram com os clássicos. Parabéns aos envolvidos.

***

Seguinte: alguém aí tem boas fotos de torcidas nos clássicos no Jd. Leonor? O interesse maior é por encontros das torcidas na praça lá embaixo ou da divisão com cordas lá na arquibancada. Alguém aí?

Mandem, por favor, para o email forza.palestra@yahoo.com.br

28 comentários:

Binóculo Verde disse...

Gostei da narrativa!

Não fui em nenhum clássico na capital paulista, mas na sua narrativa, consegui imaginar como era tudo.

Assisti lá nos sardinhas um 1 a 1 pelo brasileirão, na época do Caio Júnior, com direito a gol olímpico do caio.

Tava numa parte atrás do gol que comportava as duas torcidas. Muito bom chegar nas beiradas e ficar falando merda pra equipe da casa. Muito bom!

Estão transformando não só os clássicos, mas outras partidas comuns num grande tédio!

Leonardo disse...

Lamentável.

Pude ir a poucos clássicos com estádio dividido, mas jamais me esquecerei da satisfação em cantar mais alto que os gambás, com as duas torcidas do mesmo tamanho.

Pelo menos o maior clássico do estado ainda tem uma torcida visitante significativa, mas não se compara a um Morumbi dividido.

Um clássico que permanece firme na minha memória é o Palmeiras 4 x 1 São Paulo em Ribeirão Preto, pelo Paulistão de 2008. Estádio compleamente lotado e dividido.

Paulinho disse...
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Lampião disse...

Estava nesse jogo também em Ribeirão Preto, mas tenho na minha memória um jogo no Morumbi, se não me engane em 2007, no paulista, onde perdemos. Mesmo perdendo, eu tive a oportunidade de ver o estádio lotado, não dividido igualmente, mas uma boa parte pro Palmeiras.

Sempre havia sonhado em ver o morumbi cheio, o canto das torcidas, as bandeiras (hoje proibidas). E aquele dia, mesmo perdendo, me emocionou bastante!!!

Luan disse...

Belo texto! Infelizmente estão acabando com o que tinha de melhor nos clássicos. Mas o que nunca acaba é nossa paixão pelo Palmeiras e pelo futebol! Isso nenhum vagabundo irá tirar de nós!

AVANTI PALESTRA!

Luan disse...

A CBF divulgou hoje os dias e horários dos confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil.

O Verdão fará a primeira partida contra o Santo André, em Santo André, na próxima quarta-feira (13/04) às 21h50. O jogo de volta, que passa a ser obrigatório a partir das oitavas, será em 21/04 (quinta-feira - feriado), às 16h no Pacaembu.

Barneschi, o que você achou do segundo jogo no feriado as 16 horas no Pacaembu?

Rafael da Silva disse...

Ih rapaz. Esse Paulinho aí deve ser irmão do Clóvis (dos comentários no post anterior).
Futebol é uma das coisas mais importantes dentre as MAIS importantes. SEMPRE!

O clássico em Ribeirão foi bom...estádio cheio e talz...o foda é que os caipiras não tem o sentimento de rivalidade que nós temos...lá foi tudo festa, brincadeira, encontro de amigos...tinham ônibus vindos de cidades vizinhas com as duas torcidas juntas...AONDE JÁ SE VIU ISSO EM DIA DE CLÁSSICO???

Em tempo, fui à Vila Belmiro em 2007 como torcedor visitante de outro clube, de outro estado...o tratamento é totalmente diferente...facilidade para compra de ingresso, para entrar, e todo o espaço atrás do gol...tinham uns 3.000 torcedores...

Ou seja, o pequeno provinciano praiano gosta de arranjar encrenca em clássico só...time ridículo!

Abs

Da Silva

Néspoli disse...

Bons tempos que não voltam mais. Quem viveu, viveu... quem não vivenciou fiquem com as belas narrativas.

Vou ver se acho umas fotos em casa.

Forza Palestra disse...

Luan,

Não gostei.

Mas isso nos obriga a jogar no domingo pelas quartas do Paulistão, e aí eu quero ver como esses filhos da puta vão fazer, já que o SCCP terá de jogar no sábado.

Abraços

Nicola disse...

"Chega de violencia no estádio. Futebol é a coisa mais importante entre as menos importantes."

Pra você, que é um viadinho de merda.

Juca disse...
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Regi disse...

Juca, meu pai me levava no estadio nos anos 80. Quando o pau quebrava, ele me colocava debaixo das pernas dele para eu nao tomar garrafada (sim, naquela epoca meu pai tomava cerveja de garrafa no Pacaembu, isso mesmo, o estadio onde o PALMEIRAS mandava todos os seus jogos ateh meados dos anos 90) na cabeca. A paixao pela arquibancada comecou ali.
Em relacao ao classicos, contra os bambis ateh 95, agente era maioria sempre, e contra os gambas dividia de vez em quando. Me lembro na primeira final do Paulista de 93 quando fomos maioria contra os gambas, era uma puta vitoria nas arquibancadas. Outra disputa que rolava era a quantidade de bandeiras, a Mancha era sempre a mais bonita... rsrsrs
Rodrigo Regi

Anônimo disse...

O que eu mais curtia era a guerra de catárro na divisória.....Bons tempos.....

Casselli o Carcamano....Dove Napoli...Avanti Palestra

F. Prado disse...
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Fabiano 1914 - Jundiaí disse...

Bons tempos, ainda mais distante e não menos importante os tempos das bandeiras, a torcida era mais viva, mais organica. O futebol sem gramça tá proibindo tudo, se tirar a camisa é expulso, se encosta é falta, se grita toma cartão, mas as dancinhas onde jogadores que deviam se comportar como gladiadores ficam rebolando isso pode, porque qto mais frouxo e fresco for o futebol melhor pras agência de publicidade que conseguem justificar qualquer investimento no esporte que está virando passarela, onde homens suados brigavam por espaço no campo agora está cheio de rapagotes com gel e cortes mirabolantes de cabelo, loucos pra viravem atores de tv.... Nâo ao futebol moderno..... A.C.A.B....


Palmeiras Siamo noi...

Forza Verde disse...
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Forza Verde disse...

Inacreditável a falta do que fazer de mta gente. Pqp! Como esse país tá cheio de vagabundo.

O cara de se ao trabalho de criar várias contas, inventar nomes diferentes só pra entrar em um blog de uma torcida adversária e vomitar suas merdas como se alguém fosse se preocupar com isso.

O que não fazem pra tentar chamar a atenção hein?! Inacreditável!

Avanti Palmeiras! Forza Inter!

Luan disse...

É verdade Barneschi, e ainda tem os bichas pra jogarem também, e pelo jeito teremos dois grandes da capital jogando no mesmo dia na cidade pelas quartas do Paulista. Vamo ve o que q vira.

E esses bambis ou sei la o que q aparecem aqui só para descordar e encher o saco e ainda chamam o blog de fascista deviam é sumir daqui, já que não estão de acordo com a sua ideologia, não percam tempo aqui.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
boa seu Casselli! Nunca passei por isso na arquibancada mas deve ser bao dimais manda catárro na venta da gambazada!! hahahahaha...

AVANTI PALESTRA!

Pópis disse...
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Forza Palestra disse...

Comentários infantis foram devidamente excluídos.

mina do restart disse...

eu acho uma puta falta de sacanagem do dono do blog excluir os comentários.

Anônimo disse...

Só mais uma prova q a imprensa odeia o Palmeiras.

Nós ganhamos de 2x0, somos líderes e o cara diz que o destaque foi a discussão em campo Valdívia-Luan?????

http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais/2011/noticias/0,,OI5064450-EI17147,00-Valdivia+e+Luan+se+xingam+e+irritam+Felipao+atacante+minimiza.html

Anônimo disse...

Repórter: "O Palmeiras se incomoda com o que a imprensa diz?" Deola: "Nem vejo o que vocês falam"

Anônimo disse...

Forza Verde é o caralho. É Forza Napoli. Chupa ForzaVerde

Forza Verde disse...
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Forza Verde disse...

O anônimo ai acima mostra que torce pro time certo, o anônimo do sul, ninguém sabe quem é a nao ser eles mesmos.

Meglio essere Internazionale che un napoletano maiale!

Obs.: Pelo visto nao é so na torcida alienada que tem covarde bunda mole.

Napoli padroni dell Tunisia!

Anônimo disse...

Alguém sabe algum site no qual eu possa ver o jogo de ontem (Palmeiras 2 x 0 Gremio Prudente 09/04/11)????

Obrigada!

Ju'83 MV UN (Giovanni) disse...

A frase "Meglio essere Internazionale che un napoletano maiale!" é engraçada demais!!!

Maiale, em italiano, é Porco ne?!?!

Forza Napoli!
...KITAMUORT!...