13 fevereiro 2015

Sobre números, jornalistas e argumentos

-Jornalista, estes são os números.

-Números, este é o jornalista. 


Apresente números a um jornalista e ele tremerá.

Não à toa, aquele sujeitinho da Pluri Consultoria vive publicando suas pesquisas falaciosas em veículos de grande circulação - ninguém apura nada e toma-se por verdade o que não é. Também por isso, números absurdos vão parar nas manchetes de grandes jornais e dos principais portais do país todos os dias. É que jornalista, um pouco por preguiça e outro tanto por medo, não sabe bem como checar as informações que chegam embaladas em algarismos e percentuais.

Paulo Nobre não é jornalista. E deveria, tomando por base sua ocupação (?), entender de números. Não apenas dos cifrões que vê em todo e qualquer lugar, mas também de números que se utilizam para contar coisas. Cadeiras, por exemplo.

Mas Nobre, a julgar pelos dados desencontrados que andou divulgando nos últimos dias, ou não entende deles ou mentiu descaradamente. Vejamos, pois:

A pedido da PM, não puderam ser vendidos para o clássico do último domingo os lugares do espaço que fica bem acima do setor visitante. Foram assentos "perdidos".

Nobre, ao longo da semana anterior, disparou versões desencontradas para o "prejuízo" que teria o Palmeiras com essa medida. Falou, inicialmente, que 4 mil ingressos não poderiam ser vendidos. Depois, em reiteradas entrevistas, apontou que seriam 6 mil (e fez uma conta esquizofrênica para chegar a uma renda potencial de R$ 1,2 milhão); foram estes os números que chegaram até o Painel FC nem bem havia esfriado o cadáver do futebol. Para Gobbi, Nobre levou versão ainda mais drástica: seriam 12 mil os ingressos "perdidos" - e o presidente do SCCP repetiu isso inúmeras vezes em sua entrevista.

Pois bem, vamos agora desmontar toda a farsa:

- Ainda que fossem "perdidos" 12 mil ingressos, não há argumento que se sustente. O estádio deve receber a torcida visitante em qualquer situação e não é o espaço eventualmente isolado não configura um empecilho para isso. Que se ajuste o estádio às necessidades.

- Ao que consta, o número 'oficial' de Nobre parece ser de 6 mil ingressos. A partir disso, há duas hipóteses: (1) ele está mentindo; ou (2) ele não sabe bem lidar com os números.

Vejamos, pois, que, em função da presença da torcida gambá, foram isolados apenas e tão somente quatro "gomos" (e mais alguns assentos) do setor superior. E só eles, uma vez que os cordões de isolamento dos setores Sul e Leste foram rigorosamente os habituais, não havendo ali qualquer distinção em relação a uma partida comum.

A foto mostra o espaço isolado (no superior) e evidencia que não houve perda de lugares nos setores Sul e Leste:




















No domingo mesmo, tomei a liberdade de fazer uma contagem superficial do número de assentos "perdidos". É fácil, vejam só:

-Cada gomo tem 15 fileiras.
-Cada fileira tem 30 assentos.
-15 vezes 30 é igual a 450.
-Se há quatro gomos, é o caso de multiplicar o número de assentos existentes em cada "gomo" por 4:
-450 vezes 4 é igual a 1.800.

Portanto, senhores, foram "perdidos" algo em torno de 2.000 lugares.

Isso fica mais evidente quando se compara o borderô do clássico com o do jogo anterior, contra a Ponte Preta. Vejamos, pois, quantos ingressos do setor superior foram vendidos em cada uma das partidas:

Borderô de Palmeiras x Ponte Preta (05/02): 13.473
Borderô de Palmeiras x SCCP (08/02): 11.296

Estão aí, portanto, os tais 2.000 lugares apontados na imagem e na minhas contas.

Para além de toda a canalhice de usar o argumento da violência para encobrir suas pretensões financeiras, Nobre precisa se decidir: ou ele mentiu descaradamente sobre os valores ou ele não sabe bem como lidar com números. Seja lá qual for a explicação, é muito grave.

No mais, Nobre precisa entender que os ingressos que deixaram de ser vendidos são exatamente aqueles que ficaram encalhados na bilheteria em função de sua precificação doentia, insana e desconectada da realidade. Estamos falando aí de cerca de 10 mil bilhetes (dos setores Leste e Oeste) que foram colocados à venda por obscenos R$ 350.

8 comentários:

André disse...

Além disso existe um outro fator preponderante:

O que é perder 2, 4 ou 6 mil lugares acima da torcida adversária, quando continuamos perdendo muito mais que isso no centro do campo, por conta dos preçøs exagerados do setor? Qual prejuizo é maior? Alias, prejuízo?

Qual o melhor custo beneficio? Vender 3 lugares a R$150 ou 10 a R$15?

Fica a questão a nosso nobre presidente?

Ptks disse...

Ajustes são necessários no Palestra, principalmente na questão dos preços. Isso é algo que me preocupa profundamente.

Não fosse a incompetência das autoridades e os desmandos do MP, poderia ser proposto uma reforma para que em grandes jogos a torcida visitante pudesse ficar com o setor superior também.

Como você bem diz, o Paulo Nobre acha que o estádio é um bem particular dele. Percebo esse sentimento em alguns torcedores também. Espero que seja algo passageiro.

O jogo contra o Rio Claro foi meu quarto jogo no Palestra, e tirando o resulta, o gol do Zé Roberto e a "homenagem" ao São Marcos no intervalo, foi um dos piores jogos que eu já fui. Time morno, torcida completamente apagada (fora as organizadas), eu quase me cansei e cometi o pecado de assistir o final do jogo sentado. Está difícil...

Marco disse...

Poderia vender a parte de cima para os gambás e reduziria significativamente esse problema de perder lugares. Mas a gestão dessas "arenas" tem sido desastrosa não só no Palmeiras como em todo o Brasil. Minha esperança é que, passado o entusiasmo com a novidade, esses "jênios" da precificação logo caiam na real e os estádios voltem a ser acessíveis a todos.

Anônimo disse...

boa. assim como alguns outros posts, acredito que este também poderia ser inserido lá no 3vv, que tem uma audiência mais diversificada entre os torcedores.

nosso lado está perdendo feio a guerra da propaganda. quanto mais gente ler esse texto melhor.

parabéns pela resistência.
abraço.

Rafael disse...

Quando ouvi os primeiros números, soube de imediato que era uma mentira absurda - a não ser que o isolamento fosse muito maior. Obrigado por "fazer a contagem" e demonstrar isso incontestavelmente.
E não, não é um problema com números, o único problema é o de caráter, como você já bem disse.

Abraço!

Patryck Leal Gandra disse...
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Anônimo disse...

Acho que esta havendo uma parceria de diretoria do palmeiras com os gambas e assm cobra os preços alto

Anônimo disse...

Só tolo não vê que o sr. Paulo Nobre vai tentar de todas as formas elitizar o público no Allianz Parque. A ideia é: afasta-se as organizadas, a classe baixa, e tras o empresário, o classe média alta, o burguês, etc...
Há de se convir, que uma parcela muito alta da torcida do Palmeiras é da elite, "filhos de papai".
O Nobre presidente não é ingenuo ou burro como alguns pensam, ele está armando direitinho, e está ganhando as batalhas, e logo ganhará a guerra.
Não vai demorar muito, o Allianz será palco de pessoas de poder aquisitivo considerado, pois expurgado os "baderneiros e violentos"a classe elitizada ingressará nas arenas, pagará caro, consumirá muito, se tornarão donos do lugar,estabeleceram suas regras e ficarão.