02 setembro 2013

On the road - Fortaleza/CE



















Nossa defesa vai muito bem, obrigado. Melhor ficou depois da generosa doação de um dos zagueiros titulares. Dada a excelência de nossa retaguarda, não vou, pois, entrar em comentários detalhados acerca da primorosa atuação dos camisas 6, 3 e 36 (eram estes os números, correto?). Vou tratar, isto sim, de temáticas às quais não estão muito afeitos os nobres correligionários da gestão ora à frente do Palmeiras: aquelas relativas à vivência em estádios de futebol. Sabem como é: ir a campo não é muito a praia dessa gente deslumbrada que vibra com o "balanço no azul".

Se vamos falar sobre estádios, comecemos pela aparência: a do novo Castelão é belíssima - em que pesem todos os senões inerentes a um local construído segundo o tal Padrão Fifa. Como eu não conheci o Castelão antes da sua reconstrução para a Copa, não tenho como muito como fazer considerações sobre o que mudou. Verdade é que o estádio é muito bem resolvido por dentro e por fora.

Isso não impede, no entanto, que eu faça a seguinte consideração: se você colocar no Castelão alguém com um nível de conhecimento de estádios que seja ao menos razoável e disser que ele está no novo Mineirão, a pessoa não terá como discordar.

Isso posto, vamos em frente:

A maior deficiência do estádio diz respeito a uma característica que é um problema mais de Fortaleza e menos da arena: mobilidade urbana. Há praticamente uma única via de acesso a partir dos bairros mais centrais - e, presumo eu, das áreas onde vive a maior parte da população (norte, leste e oeste). Não há qualquer meio de transporte de massa nas imediações (nem pensem em trem ou Metrô) e mesmo as linhas de ônibus são poucas e insuficientes (a bem da verdade, me lembro de ter visto antes do jogo apenas um coletivo por ali, perdido em meio ao monte de carros).

Se o transporte individual desponta como praticamente a única opção, já dá para se ter uma ideia do transtorno. Pois ele fica ainda pior se você considerar as obras que tomam conta da cidade e a falta de vias paralelas à avenida que conduz ao estádio. Daí então que, em pleno sábado à noite, levava-se quase uma hora para percorrer um trecho de pouco mais de quatro quilômetros. Um caos, acentuado pelo déficit de inteligência dos responsáveis pelo trânsito local.

Houve quem se atrasasse para o jogo. E a situação pareceu ser ainda pior do nosso lado, com os cerca de 6 mil palmeirenses que lá estivemos tendo de encarar um tratamento deplorável por parte do policiamento local (vestidos com fardas que pressupunham certo nível de especialização: "Segurança em eventos"). Muito em função das grades que cercam tudo por ali, tivemos os palmeirenses um tratamento animalesco, dificultando o acesso do público e colocando em risco a multidão que se empurrava para conseguir chegar até as catracas. Uma situação grotesca.

















(Após o jogo, os coxinhas locais conseguiram fazer ainda mais besteira, revelando total incompetência para escoar a torcida visitante: mesmo depois de meia hora de espera ao término da partida, as criaturas deixaram fechados os dois portões de saída, obrigando quase seis mil pessoas a se empurrarem de um lado para o outro, em um estúpido vaivém, por alguns minutos.)

Do lado de dentro, a comprovação do que já se insinuava lá fora: com ingressos a preços razoáveis, a torcida local era a torcida de sempre: o povão, as organizadas, uma massa habituada aos estádios. Ou seja: o estado do Ceará se antecipou ao movimento que deve se repetir em breve em todo o país (com as práticas elitistas sucumbindo aos estádios sendo ocupado pelo povo).

Exceção feita às cadeiras retráteis (que conferem bom espaço para permanecer em pé), a todo aquele ambiente com cara de novo e a um ou outro elemento decorativo, não havia ali qualquer sinal de Padrão Fifa: a festa foi bonita, o barulho, muito alto (a acústica amplia o volume, mas dificulta a compreensão do que é cantado), não havia lugares numerados nem instrutores idiotas e TODOS assistiram ao jogo em pé. Não houve qualquer tipo de restrição, ninguém criou caso e o futebol prevaleceu. Ao menos do nosso lado.

Das coisas que impressionam no Castelão, a iluminação merece destaque. Alguém me falou durante o jogo: "Parece que é dia...". Cara, é mais do que isso: é mais claro do que o sol do meio-dia. Não há sombras, e eu confesso que, por puro saudosismo, vou sentir saudade dos tempos em que prevalecia em nossos estádios a iluminação de boate. 

Acabei ficando no setor inferior, mais perto do campo. A visão é privilegiada do gol à nossa frente, mas não do outro lado. E tenho a impressão de que seria melhor a panorâmica a partir do setor superior, onde se posicionou a Mancha.

Por falar em Mancha, presente em grande número, é de se lamentar a restrição imposta à colocação de faixas das organizadas nos muros da arquibancada. Foi assim do nosso lado e também do outro - a Cearamor não pôde exibir a sua faixa também.

Já depois do jogo, em meio à batalha para conseguir voltar para "casa", o Castelão deixa uma última imagem para os visitantes: barracas e mais barracas de comida e bebidas com cadeiras para os interessados. Todas repletas de torcedores do time cearense. Tudo muito informal, honesto e típico.

Ao final, o balanço do Castelão é positivo. O público lá presente era o verdadeiro público do futebol, afetações parecem não ter espaço entre os locais e os pequenos poréns aqui e ali parecem facilmente contornáveis: o tempo e a sequência de jogos vão se encarregar de fazer o Castelão se adaptar à cultura do futebol - e não o contrário.


















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Quem viaja para ver o seu time em outros estados sabe muito bem que há aqueles jogos em que você volta para casa satisfeito por arrancar um empate. A Série B, vejam vocês, nos tomou esse direito. Porque você vai encarar um jogo desses bem longe de casa, com estádio tomado pela torcida rival, e, mesmo assim, não consegue se contentar com o empate. Na Série B, a vitória é obrigatória sempre, mesmo diante de um rival empurrado por quase 40 mil pessoas.

Faltam só 20 rodadas para terminar este inferno...

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Esses "XXX" no lugar de supostos números de fila, assento e subsetor mostram bem o quanto o futebol resiste em Fortaleza...

15 comentários:

Anônimo disse...

Sou colorado e estou sempre acompanhando o blog, gostaria de fazer uma pergunta a todos os palmeirenses que comentam aqui: como está o desempenho do camisa 3 na série b? muitos torcedores do inter pedem a contratação dele, mas, pelos textos, parece que ele não ta agradando muito.

Bruno Ancona disse...

Pois é ... Sou de São Paulo e também fui a Fortaleza ver o jogo. O tratamento por parte da polícia de fortaleza foi simplesmente uma vergonha. Além do descaso na entrada e durante o jogo, com tratamento e linguagem absurdas (o que isso já estamos acostumados em qualquer lugar do Brasil né) também ficamos presos por quase 1 hora após o término da partida. A mobilização por perto do estádio também é MUITO fraca para um estádio que vai receber uma copa do mundo em menos de um ano.
Mas o estádio é muito bonito, digno de uma arena e como o blog informou, com um público digno de Brasil. Sem aquela elitização escrota ...
É isso ai, que termine logo esse inferno de série B

Frederico disse...

Barneschi, é muito legal essa abordagem que você faz relatando a visita a um determinado estádio. Cara, depois a gente conta isso pras pessoas, até parece que é a gente que foi ao estadio assistir o jogo, porque voce faz o relato de tão maneira tão simples e ao mesmo tempo tão detalhista, que eu lendo consigo até imaginar no meu pensamento como foi estar lá.

Cara, parabéns mesmo pelo seu trabalho!!!!

Zoinho disse...

É Rudnei ( belo nome !!) continue cheirando o dedo,que imagino onde vc vive colocando e suma daqui, BICHARADA !!

Raul Martins Dias disse...

Até pensei em viajar para ver esse jogo, mas foram justamente as dificuldades para chegar ao estádio me fizeram desistir. Agora vou armar um esquema de guerra para arrumar ingresso e ir para Itumbiara e ver o jogo com o CAG.

Quanto ao público, sempre falo isso: quem faz o clima do estádio é o público, não o Padrão Fifa. Quando o público do futebol está no estádio, quem ganha é o futebol.

Anônimo disse...

Barneschi, vc irá no Itaquerão? Abs!

Barneschi disse...

Colorado
O desempenho do camisa 3 na Série B é grotesco. O cara está numa má fase eterna. Consegue errar em todos os aspectos: no posicionamento, na saída de bola, na cobertura, no desarme, no que você imaginar.

Frederico
Valeu!

Anônimo
Sim, sempre que o Palmeiras tiver de jogar lá.

claudio longo disse...

Boa noite a todos, a estrutura que o padrão elitista FIFA, esta tentando estabelecer nos estádios do Brasil, sera apenas um tópico de perfumaria, pois a latrina da ``zona leste´´, que tem um ex-presidente ladrão como mentor ``intelectual´´, retirara todas as cadeiras dos quatro cantos da latrina fétida, para ter uma capacidade de 55.000 gambas em jogos na área que é desprovida de qualidade e conforto ate aos moradores mais antigos.
Desta forma no caso do ALLIAZ PARQUE, esta diretoria de palermas deve exigir que o mesmo seja feito , para que tenhamos só no anel inferior o conforto e segurança para termos um total de 57.000 Palmeirenses, já que a capacidade com os obstáculos inúteis de cadeiras fixas, não é superior aos 45.900 acentos.

Anônimo disse...

Nunca vi um time que não procura ganhar dinheiro conseguir contratar um time campeão, essa é a regra do futebol de hoje: "Quanto mais dinheiro seu clube tem, mais chances de montar um bom time, com isso, mais chances de ser campeão".Isto esta claro na liga europeia e em qualquer campeonato do mundo que hoje os clubes tem que se comportar como empresas, ou seja, aumentar sempre seu poder de compra, diminuir gastos, expandir fronteiras, só um tonto não ve isso.

Bruno Fares disse...

Fala Barneschi,

Eu estou projetando uma viagem para a Argentina exclusivamente para ir em jogos de futebol nas "populares". Ficar 1 semana lá e ir em máximo de jogos possível.

Como acompanho o blog sei que você já fez essa maratona.

Você tem algum email/facebook/icq/etc pra eu fazer umas perguntas e trocar uma ideia sobre ingressos, estadios, jogos, etc?

abraços!

Anônimo disse...

Saudosa Fortaleza.... Estive no Castelão em 95, acho que era uma CB, e ganhamos de 5 a 1, de virada. Morava relativamente próximo, bairro Serrinha, e essa região da cidade é o início de uma das "periferias", conectando se com municípios vizinhos da Grande Fortaleza. Tem gente demais vivendo nesses lados.

Mobilidade urbana é piada em Fortaleza, e como em qualquer outra grande cidade com mais carros do que ruas,salva se quem conhece os atalhos. Nem os próprios fortalezemses conhecem a região, até porque a quebrada pede cautela e conhecimento.



cristiano disse...

É galera, o Palmeiras ta se organizando, ta crescendo, e agora vamos ver quem é torcedores de verdade, se não for no estádio ver os jogos agora, vai perder a prioridade de ir no jogos na abertura do Allianz Parque, e nos grandes jogos quando houver. Pois agora cada vez que você rolar a catraca ganha pontos no "Rating" e quem tiver mais ponto, mais prioridade nas compras de ingresso.

Raul Martins Dias disse...

E a diretoria cagueana até agora não liberou as informações sobre ingressos para CAG x Palmeiras. Normalmente eles soltam na véspera do jogo... só que dessa vez vai ser em um estádio menor e com muito mais gente querendo ir.

Barneschi disse...

Bruno Fares
Me manda um e-mail: forza.palestra@yahoo.com.br
Abraços

Anônimo disse...

Aí Barneschi... aki contra em Goiás contra o ACG, tem uma lei patetica que proibe qualquer faixa ou adereços de torcidas organizadas... nem a camisa da mancha não poderemos usar no sabado que vem... aí é foda..
Pena que não vem... mas iremos representar bem a mancha aki...
Abraços.
Jean