13 novembro 2006

Deixa chover, deixa molhar...

Falta um pouco ainda. Cinco pontos na matemática fria, talvez três na realidade do futebol. Mas a vitória de ontem, sofrida, suada e molhada, trouxe um alívio momentâneo. Se a rodada não ajudou, pelo menos fizemos a lição de casa. Debaixo de chuva, para alegria de uns e sofrimento de outros.

"Deixa chover, deixa molhar...
É no molhado que o Palmeiras vai ganhar!"


***

Edmundo, 136

Parabéns, Animal!

Acima dele, só Dinamite e Romário.

09 novembro 2006

O poder é nosso

Fosse qual fosse o resultado de ontem - ainda bem que vieram os três pontos -, minha opinião não mudaria: foi acertadíssima a atitude da Mancha na terça-feira à tarde. E oportuna, diga-se de passagem.

O Vitor, por exemplo, entende que o momento foi ruim, às vésperas de um jogo decisivo, o que poderia conturbar o ambiente entre os jogadores. Pois eu penso exatamente o contrário. Acredito que precisava acontecer alguma coisa. Não dava mais para viver naquela letargia filha da puta.

Aliás, o jogo não tinha nada de decisivo. Vocês vão me desculpar, mas não podemos dar todo esse crédito ao Fortaleza. Decisiva é a partida do próximo domingo. A vitória de ontem não significa nada a não ser metade de um objetivo; o que realmente importa é fazer os seis pontos em casa. Domingo, portanto, é o que vale.

Não acredito que os 3 a 0 de ontem tenham qualquer relação com a invasão da Mancha, visto que ela teve um único alvo: os incompetentes que estão à frente do Palmeiras e que nos levaram a essa situação.

Era preciso dar um significado mais amplo à indignação que toma conta de todos os palmeirenses. Foi o que aconteceu; eis o mérito da Mancha nessa história toda. Em vez da omissão característica daquelas múmias, um pouco de ação.

Se vai adiantar alguma coisa? Talvez não de imediato. Mas a simples repercussão do fato, o medo explícito de alguns daqueles velhos gagás e as reações já verificadas - para o bem e para o mal - já representam um avanço.

A Mancha fez o seu papel.

Ao contrário do que apregoam certos representantes babacas da nossa imprensa, lugar de torcedor não é só na arquibancada. É essencialmente lá. Mas não só.

Um clube de futebol pertence ao seu torcedor.

Nada mais justo que, ainda que simbolicamente, tomar o poder.

08 novembro 2006

O Galo, de volta ao seu lugar

A matemática, ao menos neste caso, é burra. O Galo já subiu e isso pôde ser comprovado na comovente festa de ontem no Mineirão. Vibram a torcida do grande Clube Atlético Mineiro e o futebol brasileiro, que tem de volta à elite um de seus representantes mais ilustres.

Parabéns, Galo, por voltar ao seu lugar de direito!

***


Sobre Palmeiras: só depois do jogo de hoje.

Devo chegar às 19h40 no Palestra.

06 novembro 2006

Vale o quanto pesa?

Pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, neste meio de semana, são mandantes de seus jogos dois times paulistanos que amam se odiar. A distância que os separa na tabela de classificação é nada mais que reflexo da postura de uma e de outra diretoria.

Um deles já é campeão prolongado há longos, extenuantes e desagradáveis dois meses. Para mais uma provável noite de festa, seus simpatizantes terão de pagar R$ 10 por uma arquibancada.

O outro, motivo de piada, se arrasta desde a primeira rodada e acumula quatro derrotas seguidas. Para outra provável noite de tortura, seus torcedores teremos de pagar R$ 20 por uma arquibancada.

03 novembro 2006

A falta que um Eurico faz

Eurico Miranda, atual presidente do Vasco, é um mal para o futebol. No entanto, tem lá seus méritos. O principal: ama e defende o seu clube de coração contra tudo e contra todos. Até contra o próprio Vasco. Mas se o faz, é por ação, nunca por omissão.

Não se pode acusá-lo de ser um banana. Bem ao contrário dos homens (?) que comandam o Palmeiras há anos. Omissão tem sido uma regra, quase um pré-requisito, para os que decidem o futuro do Campeão do Século XX. E, convenhamos, isso em nada combina com a nossa origem italiana.

Falta sangue italiano a esta corja.

Um pouco do jeito Eurico Miranda de ser não faria mal, acreditem.

E aqui cabe o aparte que me levou a escrever isso:

O Botafogo acaba de ser derrotado em casa pelo Internacional. O gol da vitória, vocês poderão ver, saiu em decorrência de um pênalti anotado pelo sr. Wilson de Souza Mendonça aos 45' da etapa final.

O nome lhes é familiar?

Pois bem, antes de tudo, é bom dizer: eu daria pênalti.

Outros viram como eu; os cariocas, não.

Eis então que o Maracanã foi palco de um verdadeiro linchamento moral. O cidadão de amarelo ficou lá no gramado por alguns bons minutos. Cercado pela polícia, quase apanhou de jogadores, dirigentes e aspones alivnegros.

As reclamações foram muito além de protocolares entrevistas.

Carlos Augusto Montenegro, esbaforido e vitimado por uma sudorese aguda, pareceu ter se esquecido que ganhou em 17/12/1995 o direito a 20 anos sem abrir a boca para reclamar das arbitragens. Foi pra cima do juiz, disposto até a sair na porrada. Só conseguiu disparar frases desconexas. Prestes a enfartar, seguiu quase carregado para os vestiários.

Um diretor qualquer invadiu o campo para acusar o árbitro de estar mal intencionado (o mundo dá voltas, não?). Ao ser questionado pela imprensa se temia ter seu nome na súmula, saiu-se com esta: “E daí? O problema é se forem punidos o Cuca ou algum jogador. Eu posso ser punido. Não vivo do Botafogo. Estou aqui por amor ao clube”.

Tudo isso em virtude de um lance que, além de gerar dúvidas, significou um mísero ponto perdido para um time que não pode almejar porra nenhuma no atual certame.

A revolta pouco justificada dos que invadiram o gramado pode ser analisada por uma perspectiva positiva: todos estavam ali por amor a um clube, a uma camisa, a uma torcida.

Pergunto, pois: quantas vezes vocês viram algum dirigente supostamente palmeirense invadir o Jardim Suspenso em um dos tantos roubos de que fomos vítimas? Finais de Mercoscul, semifinais de Libertadores, outros tantos jogos importantes...


Resposta: nunca!

Voltemos agora ao sr. Wilson de Souza Mendonça, moralmente linchado no Maracanã por um suposto e pouco grave erro. É ele também o antagonista do que se segue:


Morumbi, 3 de maio último. Palmeiras e SPFC disputam uma vaga nas quartas-de-final da Copa Libertadores da América.

O Palestra, com um time destroçado, sem técnico e em total desvantagem, segura um empate heróico até os 40 minutos do segundo tempo. Com isso, iríamos aos pênaltis.

Eis que o sujeito desarma um ataque do Palmeiras. E arma o dos time da casa. Bola nos pés do lateral adversário. Que avança após o passe de juiz. Invade a área e tromba com um jogador nosso.

Trombada. Jogada normal. E após um passe de juiz.

Mas lá vem o árbitro. Para aparecer do jeito que ele gosta, pensa, nada melhor que armar o contra-ataque e inventar o pênalti que vai decidir o classificado nos minutos finais.

É o que ele faz. Muda o resultado do jogo, elimina um time que chegara até onde não se poderia imaginar e faz desmoronar o sonho de milhões em todo o Brasil e dos poucos milhares que nos matamos para estar naquelas malditas cadeiras amarelas, bem atrás do lance capital.

Pergunto de novo: o que aconteceu?

Algum diretor invadiu o campo?

Alguém pressionou o árbitro?

Houve linchamento moral?

Houve sequer alguma reclamação formal?

Entrevistas?


Qualquer coisa, enfim?

Nada, nada, nada!

Omissão total!

A mesma que tem nos vitimado desde que o velhote gagá fez o que fez sem qualquer conseqüência. Temos um presidente bunda-mole e toda uma sorte de gente incompetente e omissa à frente daquele que é o Campeão do Século XX, simplesmente o clube mais vencedor da história do futebol brasileiro.

E aí os fracassos se sucedem.

É fato, amigos: falta-nos um Eurico Miranda!

Alguém que tenha vergonha na cara e que tome a atitude que tomou o presidente vascaíno em um Vasco 1 x 1 Paraná do Brasileirão-1997.

Pode sair impune um árbitro que não marca um pênalti claro e expulsa três jogadores de um grande que joga em casa contra um pequeno?

É
claro que não. O homem em questão é Paulo César de Oliveira, que já fizera a mesma coisa – e até pior – em um Palmeiras 2 x 1 Rio Branco do mesmo ano.

Ao contrário do jogo no Palestra, o de São Januário não terminou. Porque Eurico não deixou. Barriga à mostra, invadiu o campo e decretou o fim de jogo. “Chega de palhaçada”, decretou. Com toda a razão do mundo.

Falta isso ao Palmeiras de hoje.

Tanto quanto
planejamento, competência, boa vontade, seriedade e decência. E mentes arejadas.

Mas já poderíamos tentar sair do buraco se houvesse um pouco de amor ao Palmeiras e respeito às
suas história e torcida.

***

Picerni é o nome?

Jair Picerni está longe de ser o nome ideal para treinar o Palmeiras. Mas, afinal, quem poderia ser neste momento? E é fato: nada pode ser pior do que a manutenção do pobre Marcelo Vilar no cargo. Ademais, os seus números à frente do Verdão jogam bastante a favor:

82 jogos
45 vitórias
23 empates
14 derrotas
189 gols pró
108 gols contra

Que ele faça o que dele se espera.

A nós, cabe apoiar.


***
E agora?

Além dos 90 minutos de tortura debaixo de chuva, a derrota para o Goiás serviu para nos deixar ainda mais preocupados. E agora vamos a Curitiba buscar um alívio dos mais improváveis.

01 novembro 2006

Pobre Lusa

A Portuguesa, coitada, não tem para onde correr. Deve mesmo cair para a Terceira Divisão, no que pode ser o prenúncio de um futuro ainda mais alarmante.

Fui ao Canindé ontem para uma noite lastimável.

Dentro de campo, era até de se esperar um jogo ruim - e foi de doer.

O problema maior, no entanto, está fora das quatro linhas.

O clube parece ainda mais abandonado do que em anos anteriores.

Até aí, no news.

O grande problema reside na torcida que, se já era pequena, agora sumiu de vez. Basta notar que dos 2.700 torcedores presentes ao Canindé, menos de mil torciam pelo time da casa. Sim, havia duas vezes mais atleticanos. E olha que a Galoucura nem veio.

Pobre Lusa...

31 outubro 2006

Seja bem-vindo, Paulistão!

Comparado à Libertadores ou mesmo ao Brasileiro, o Paulistão vale muito pouco hoje em dia. Tem a seu favor o peso de um século de história, das rivalidades regionais e das viagens ao interior. E a edição de 2007 vem, após dois anos de marasmo, com um bônus: mata-mata após os 19 jogos da fase de classificação.

É um verdadeiro alívio para quem tem sofrido com a praga dos pontos corridos. Seja bem-vindo, Paulistão/2007.

A tabela do Palmeiras, divulgada ontem pela FPF, é esta:

Campeonato Paulista/2007
18/01 qui. 20h30 Palmeiras x Paulista – Palestra
21/01 dom. 18h10 Rio Branco x Palmeiras – Décio Vitta
25/01 qui. 17h Palmeiras x Santo André – Palestra
28/01 dom. 16h Palmeiras x Grêmio Barueri – Palestra
31/01 qua. 21h45 Ponte Preta x Palmeiras – Moisés Lucarelli
04/02 dom. 18h10 Palmeiras x Santos – Palestra
07/02 qua. 21h45 Ituano x Palmeiras – Novelli Júnior
10/02 sáb. 18h10 Palmeiras x Bragantino – Palestra
17/02 sáb. 16h Palmeiras x Rio Claro – Palestra
25/02 dom. 16h São Caetano x Palmeiras - Anacleto
03/03 ou 04/03 sáb./dom.* SCCP x Palmeiras – Morumbi
07/03 ou 08/03 qua./qui.* Palmeiras x Noroeste - Palestra
10/03 ou 11/03 sáb./dom.* Palmeiras x Juventus – Palestra
17/03 ou 18/03 sáb./dom.* Sertãozinho x Palmeiras – F. Dalmazo
24/03 ou 25/03 sáb./dom.* Palmeiras x Marília – Palestra
28/03 ou 29/03 qua./qui.* América x Palmeiras - Teixeirão
31/03 ou 01/04 sáb./dom.* SPFC x Palmeiras – Morumbi
07/04 ou 08/04 sáb./dom.* Palmeiras x Guaratinguetá – Palestra
11/04 qua.* São Bento x Palmeiras – Humberto Reale

15/04 dom. Semifinal, jogo 1
22/04 dom. Semifinal, jogo 2
29/04 dom. Final, jogo 1
06/05 dom. Final, jogo 2


*A FPF não definiu ainda dias e horários dos jogos entre a 11ª e a 19ª rodadas. Isso deve ocorrer em tempo hábil, de acordo com os sempre interesses das emissoras de TV.

***

Vale conferir o texto do nosso amigo Maurício Rito.

30 outubro 2006

Os palmeirenses de verdade

"Agora, contra o Goiás, eu quero ver quem são os verdadeiros palmeirenses", vomitou o velhote esclerosado, logo após a derrota da última semana, na madrugada de quarta para quinta.

Bravata escrota e sem sentido, no pior momento possível.

Afinal, quem seriam os verdadeiros palmeirenses?


Seriam aqueles que apequenaram o grande Palestra?
Ou os que o fazemos grande mesmo agora?


Seriam aqueles que nos desafiam e depois fogem?
Ou os que não fugimos à luta?

Seriam aqueles que querem nos manter longe?
Ou os que pagamos R$ 20 por um time que não vale R$ 5?

Seriam aqueles que permitem um Palmeiras x SCCP na madruga?

Ou os que superamos isso - e muito mais - para acompanhá-lo?

Se me mantive quieto até agora, foi por ingenuidade. Pois acreditei que haveria um pouco de bom senso depois da bravata daquele pobre diabo que não aprendeu a respeitar seus cabelos brancos.

Sim, fui ingênuo.

Esperei por bom senso, ao menos uma vez.

Que nada!

Os ingressos estão à venda. A R$ 20/ R$ 10.

A comparação é inevitável: o SPFC, campeões prolongados deste torneio, podem ir ao estádio por R$ 10/ R$ 5. Mesmo na iminência do título, paga-se metade. Não cabe discutir a falta de alma daquela gente, mas sim a capacidade da diretoria deles quando se trata de promover a ida do público aos estádios.

Não à toa, ficamos para trás.

Assim será enquanto houver gente como o velhote esclerosado.

26 outubro 2006

...

Desde o momento em que descemos a rampa do Morumbi, já na madrugada, muitas coisas passaram pela minha cabeça. Nenhuma delas terá este blog como destino.

Talvez porque eu tenha cometido uma matança de neurônios ao assistir, no canal 38, a quase 80 minutos da tortura a que fôramos submetidos ao vivo horas antes. Talvez por falta de forças, sei lá.

O fato é: vocês vão ter que me desculpar, mas pouco tenho a acrescentar. Minha revolta é a mesma de vocês e já pudemos compartilhar todas as lamentações na saída daquele maldito campo de batalhas. Não há mais o que escrever.

Só sei que é foda chegar em casa e ligar o computador só para saber quais são os próximos jogos da Ponte Preta...

25 outubro 2006

Ingenuidade e oportunismo

Pipocam por aí notícias de que as torcidas de Palmeiras e SCCP teriam marcado brigas pela internet em virtude do clássico de hoje. O papo furado vem desde o começo do mês, quando um inescrupuloso aprendiz de Capez resolveu levar ao conhecimento da emissora de TV o fruto de horas e mais horas perdidas na rede de computadores. 

Oportunista, o promotor ganhou o seu espaço. E que espaço! 

Aproveitou a ingenuidade de algum jornalista idiota para propagar a notícia de que Mancha e Gaviões teriam agendado "violentos confrontos" para a tarde do dia 28 (agora noite do dia 25). 

E não parou neste único inocente jornalista global. 

A notícia se espalhou de tal forma que até a PM entrou na onda. Veio primeiro com a expectativa insana de 50 mil pessoas no Morumbi. E depois com um esquema de final para evitar confusões pela cidade. 

Se teremos brigas por aí? 

Sim, é inevitável. Mas nada previamente agendado. 

Babacas de internet não vão ao estádio, nem saem na porrada. 

Até quando vão acreditar nessa balela de orkut?

24 outubro 2006

Depredação de patrimônio público

Palmeiras e SCCP fazem o principal clássico deste país, seja lá qual for o parâmetro utilizado para comparação.

Rivalidade, história (e histórias), grandes jogos e decisões, torcidas, representatividade, estatísticas... clássico maior não há.


Boca-River, Barça-Real, Milan-Inter.

Cada país tem o seu grande duelo.

O Brasil tem Palmeiras-SCCP.


O dérbi é um patrimônio nacional.

Como um monumento a ser preservado sempre em uma tarde de domingo, 16h, com casa cheia.

Não merece a depredação de que é vítima quando resolvem atirá-lo para a madrugada de uma quarta-feira.

Não merece ser visto por testemunhas.

O torcedor, pobre torcedor, chora aos seus pés.


E os vândalos se divertem...

***

De uma só tacada, vejam vocês, foram desrespeitados os dois maiores clássicos do país. Enquanto Palmeiras e SCCP se vêem obrigados a lutar na madrugada de uma quarta-feira, destino pouco menos desfavorável é outorgado ao Vasco-Flamengo da mesma rodada, desalojado que foi do sábado à tarde para uma infeliz quinta-feira, 20h30. E o pior: sem qualquer motivo aparente. Só pode ser má vontade...

***

Devo chegar ao Morumbi lá pelas 20h.

20 outubro 2006

Às trincheiras!

Temos uma guerra, irmãos!

E a única opção é vencer!

Como nos foi confiscado o sagrado futebol do fim de semana, resta-nos entrar em concentração mais cedo para a batalha de quarta-feira, 22h da madrugada, no Morumbi.

Os ingressos, é bom que todos saibam, já estão à venda.

Valem os postos da Ingresso Fácil (fácil? pra quem?), no vagabundo horário das 11h às 17h.

O mando é dos caras.

Vamos de amarela e vermelha, a razoavelmente honestos R$ 15.


Olê, dá-lhe, dá-lhe, olê!
Olê, dá-lhe, dá-lhe, olê!
Olê, dá-lhe, dá-lhe, Palmeiras!
LUTAR, VENCER OU MORRER!

19 outubro 2006

Edmundo, o pênalti e o Vasco

Edmundo é vascaíno. E palmeirense. Disse o Animal em sua reestréia com a camisa verde, em janeiro, contra o São Bento, Palestra cheio por causa dele: "Pelo Vasco, eu sinto um amor de mãe, porque fui criado lá. Mas aqui no Palmeiras é amor de mulher, pois é o clube que eu conheci quando adulto"

Depois da Copa, de novo no Palestra. Palmeiras 4 x 2 Vasco. Dois gols dele, que compara o amor que sente pelos dois clubes: "Aqui dentro do Palmeiras, nunca me decepcionei, e apesar de ter aprendido a gostar deste clube depois, acho que hoje gosto mais"

É possível amar dois times? 

Sim, é. De maneiras diferentes. 

Vejamos o caso do nosso rebelde amigo Luigi, que ama o Palmeiras e o Napoli sabe-se lá em quais proporções. 

Luigi tem todo o direito de idolatrar duas camisas, não é? 

Por que diabos Edmundo não poderia amar Palmeiras e Vasco? Uma combinação, aliás, que em nada ofende determinada parcela da nossa torcida - da qual eu faço parte. 

E eu também tenho esse direito, certo? 

Vejam que não sou apenas partidário da união Mancha Verde/ Força Jovem/ Galoucura. Mais do que isso, sou vascaíno no Rio. 

Tenho lá meus motivos para gostar do clube cruzmaltino. 

Se vocês precisam gostar? 

Não. Só não me venham com argumentos que façam referência a Eurico Miranda. Ele é muito pequeno - e vai passar. O Vasco, eterno, continuará grande. Se Eurico Miranda é motivo para deixar de gostar do Vasco, Mustafá e Dualib também o são. Logo, Palmeiras e SCCP não mereceriam ser amados por ninguém. 

Isso em nada abala o que eu sinto pelo Palestra e eu não preciso aqui demonstrar qual é o tamanho deste amor. 

Voltemos à discussão inicial. 

Edmundo esteve longe do Palestra por 10 anos. De 1995 a 2005. Quando voltou à nossa casa, foi com outra camisa, a do Figureirense. A torcida, saudosa, o venerou. Gritou seu nome, pediu sua volta. Ele se emocionou, tal qual ontem em São Januário. 

Ali ganhou força o retorno ao Palestra. Que se concretizou em um jogo beneficente. O Animal voltou. Quebrou o protocolo ao vestir a camisa antes de ser apresentado. Estava também com saudades. 

Pergunto, pois: 

Quem não se emocionaria ao voltar ao lugar em que foi criado e ser festejado pelas pessoas que lá ficaram? Não é algo mais ou menos natural? Humano? Digno? Bonito até? 

Vocês não se emocionariam? 

Não? 

Então, meus amigos, vocês estão no esporte errado. O tênis e o golfe estão aí pra isso mesmo... 

*** 

Por fim, cabem algumas considerações:

1. Edmundo é reconhecidamente um mau batedor de pênaltis. Tanto quanto Shaquille O´Neal é ruim nos FTs.

2. Edmundo não é o cobrador oficial do Palmeiras. Este é Paulo Baier. Se o Animal se prontificou a bater, é sinal de que não se importaria em marcar um gol contra o time que o revelou.

3. Quer dizer então que ele errou de propósito? Então isso só comprova o quanto ele é foda. Pois ele teria
mirado e acertado na trave, o que é imensamente mais complicado do que acertar os 17,8 m² gol ou todo o infinito que existe além da baliza.

4. Por que diabos brasileiro adora tanto uma teoria conspiratória?

***

26 de outubro de 2005. Palmeiras 2 x 2 Figueirense/SC. O post abaixo vem do blog antigo. Faço questão de republicá-lo:

A NOITE DE EDMUNDO

10 anos. Da saída conturbada ao retorno triunfal. Edmundo voltou para casa. Por apenas uma noite, é verdade. Mas voltou. Para um passeio. Edmundo foi o próprio jogo. O melhor em campo. Jogadas magistrais. Dois gols. Pequenos e insignificantes detalhes diante do que realmente fica na memória da nação alviverde.

O reencontro com um ídolo eterno, 10 anos depois. O Animal. Sim, o Edmundo que nos abandonou em 1995. E que viria a cometer a maior de todas as traições no ano seguinte. Mas também o Edmundo que, com a sabedoria que só o tempo pode trazer, reconheceu o grande erro de sua carreira. “Se arrependimento matasse, eu estava morto. Queria nunca ter saído daqui, como fez o Marcos”, disse, emocionado.

O Edmundo de tantos serviços prestados ao Palmeiras. De tantas alegrias para a nação alviverde. De 133 jogos e 65 gols. De cinco títulos. De tardes e noites inesquecíveis. Dos dribles mágicos. Da irreverência. Mas também o Edmundo polêmico. Das provocações. Das brigas, expulsões e confusões. Da relação de amor e ódio com a torcida. O único capaz de rivalizar com o eterno matador Evair.

Foi um breve reencontro. Pena. Ele, Edmundo, quer voltar. Sempre quis. “O amor pelo Palmeiras é como amor de casamento. A gente cresce, vira adulto e ama alguém. Ama porque escolhe”. Mas não o querem de volta. Preferem Gioino. Warley. Washington. Não sabem perdoar. Sofremos os torcedores. Sofre o Palmeiras. Como agora.

Quem nunca na vida foi imaturo, errou e se arrependeu, para então pedir perdão? Como quem pisa na bola com um grande amor e depois percebe o deslize, Edmundo pediu desculpas. Algumas vezes já. Está perdoado; o torcedor é sábio e o amor é maior que a traição. Era, aos 24 anos, um Edmundo sem a cabeça de hoje. Moleque ainda. Humilde, mas deslumbrado. Foi infeliz. Mas fez por merecer o perdão. Jamais deixamos de vê-lo como ídolo. 10 anos. Tempo demais para quem sente saudades.

O Animal esteve longe por todo esse tempo. Encontramo-nos algumas vezes por aí. Mas nunca na casa em que fomos tão felizes. 10 anos depois, Edmundo voltou ao sagrado Jardim Suspenso. Foi às redes duas vezes. Porque é craque. Profissional, fez sua parte. Com dignidade. Respeitoso, não comemorou. “Não poderia fazer isso. Tenho uma relação muito especial com essa torcida”. Apenas cumprimentou Marcos, a quem admira pela fidelidade.

Foi aplaudido antes, durante e depois. Bem depois. Quem esperou teve o privilégio de vê-lo novamente com a nossa camisa. A 7. Um beijo no escudo alviverde. Sincero. Edmundo se emocionou. A torcida também. Amargo regresso. Estávamos juntos, mas sabedores de que seguiremos caminhos distintos. Como duas pessoas que se amam, mas não podem ficar juntas. Pena. Permanece o sentimento. Valeu...

***

Prova de amor ao Palmeiras

Tem muita gente na torcida que não perdoa o Edmundo. Eu até entendo o rancor – mesmo a de um cidadão exaltado, que ficou o tempo todo esbravejando –, mas digo que a torcida do Palmeiras deu um exemplo de amor ao clube quando homenageou Edmundo e Cléber, dois ídolos eternos. Muitos dos que estavam no Palestra sequer viram o Animal defender nossas cores ao vivo, mas sabem de sua importância. Não há idade para o amor, para o reconhecimento e para a gratidão. Ídolo é ídolo. Sempre.

Obrigado, Edmundo!

18 outubro 2006

Desabafo necessário

De uma só tacada, a emissora que detém os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro conseguiu cancelar o meu fim de semana no Rio e me impediu de estar presente ao jogo de futebol que, por motivos óbvios, mais me agrada.

16 outubro 2006

Pela raça, até que valeu!

Empate em casa nunca é bom negócio.

Há agravantes e atenuantes no de ontem.

Agravantes:

1. Enfrentamos um time pequeno;

2. Continuamos nesta zona nebulosa que não leva a lugar algum.

Atenuantes:

1. Ok, o time perdeu muitos gols. Bem mais que o aceitável. O lado bom da coisa é: se perdeu tantos gols assim, é sinal de que as oportunidades foram criadas. Faltou um 9. Sobraram azar aos nossos atacantes e competência ao goleiro adversário;

2. Raça não faltou. Se o 0 a 2 sinalizava uma tremenda injustiça no Palestra, o time, empurrado pela torcida, b
uscou a reação. O Atlético/PR, por sua vez, fez o que pode. Na pressão, vieram os dois gols. Faltou o terceiro. Ah, Edmundo...

No fim das contas, o espírito de luta prevaleceu.

Valeu a pena!

***

Vejam como é a vida:

Marcinho Guerreiro foi, não se acertou e voltou. Deu prejuízo ao Palmeiras. E, pior, voltou mal. Comprometeu. Perdeu todo o crédito que havia ganho com as boas atuações (leia-se raça e espírito de luta) que o 'consagraram' (menos, menos!) em 2005.

Guerreiro, ex-xodó, ficou marginalizado. Era comum ouvir pelas alamedas do Parque Antártica coisas como "Por que esse filho da puta voltou?" ou "Quando a gente achou que tinha se livrado, ele volta...".

E eis que ele vivia ontem mais uma tarde nada brilhante. Enquanto o time perdia gols em profusão, ele apenas assistia lá de trás, quase como terceiro zagueiro. Fez até um bom, mas inútil, desarme no lance do segundo gol do Atlético/PR. Era pouco.

No entanto, bastou o time chegar ao empate para as coisas mudarem.

Vieram então três ou quatro carrinhos com desarmes limpos, na bola e sem falta. Guerreiro saiu jogando. Armou contra-ataques. Evitou a aproximação dos atacantes do Atlético/PR. Dividiu todas. Lutou. Bateu com discrição. Foi um verdadeiro guerreiro.

Surgiram aplausos entusiasmados.

O Palmeiras perdia, mas Marcinho Guerreiro era ovacionado. Daí para gritarem o seu nome bastou mais um desarme preciso.

"Marcinhooo Guerreeeirooooo"

Quem diria...

***

Curtas

*Quando é que vão perceber que esta ridícula camisa cor de nada é sinônimo de azar? Pois só esta maldita criação pode explicar as três bolas na trave e os inúmeros erros de finalização. Isso, é claro, para não falar no gol à la Vampeta que abriu o placar para o Atlético/PR.

*A nova locutora do Palestra pode não ter a melhor voz do mundo, mas pelo menos sabe pronunciar o nome do nosso lateral-esquerdo.

***

E o Galo segue a passos largos rumo ao seu lugar de direito. Valeu a nossa torcida no sábado lá no ABC.

"Ô, ôôô, ôôô, vampracima deles, Galôôôô!!!"

"União sinistra, que ninguém segura! Mancha Verde e Galoucura!"