Trancafiados em uma confortável sala cujo ar condicionado os torna imunes ao calor carioca, executivos da emissora que detém os direitos de transmissão do futebol brasileiro vasculham a tabela do Campeonato Brasileiro. O objetivo é claro: dificultar a vida dos pobres torcedores que, teimosos, insistem em freqüentar estádios de futebol.
Executivo A: Esses torcedores são muito chatos. Já fizemos de tudo para as pessoas ficarem em casa, mas tem um monte de vagabundo que não desiste de ir aos jogos.
Executivo B: Precisamos dificultar as coisas.
Executivo C: Eu podia jurar que eles desistiriam depois de termos inventado o horário das 22h...
Executivo B: Que nada! A maioria cede fácil, mas tem uns sujeitos capazes de suportar tudo. Lembra quando a gente colocou os jogos às 21h45 de sábado? Ou às 19h de domingo? Mesmo assim, tinha gente que não desistia...
Executivo A: Acho que precisamos começar a irritá-los com transferências repentinas. Porque eles vêem a tabela com jogos às 18h10 de sábado ou domingo e já se preparam muito antes. E se a gente começar a mudar os jogos de uma hora pra outra?
Executivo C: Como?
Executivo A: Que tal pegarmos este Palmeiras x Corinthians, tirarmos do domingo e colocarmos numa quarta-feira à noite?
Executivo B: Gostei.
Executivo A: Melhor ainda. Como o jogo é no Morumbi, nada melhor que colocarmos às 22h. Com TV ao vivo...
Executivo C: Puxa, você é muito engenhoso mesmo. 10 da noite, com TV, no Morumbi... perfeito!
Executivo B: Mas qual vai ser a alegação?
Executivo A: Vamos dizer que é por causa das eleições...
Executivo B: Se fosse só por isso, deveria ser no sábado.
Executivo A: Então a gente esculacha de vez e assume que foi para atender aos interesses da emissora de TV.
Executivo C: É verdade. Eles ficam putos com isso.
Executivo A: Acho que a gente podia atacar uma torcida específica. Se a gente quer afastar os torcedores do estádio, por que não fazer várias mudanças na tabela de um time só? Aí vamos matando aos poucos, torcida por torcida...
Executivo B: Hum, palmeirenses e corintianos estão entre os mais chatos. A gente já tentou de tudo e eles não somem.
Executivo C: Eu tava vendo aqui... Podemos pegar este Vasco x Palmeiras do dia 22, domingo, e jogar para a quarta-feira anterior. Às 22h, pra complicar a vida das duas torcidas.
Executivo B: Bem pensado. Eles se dão bem, mas a maioria dos palmeirenses não poderá viajar para cá para encontrar os vascaínos. Tem muito vagabundo mesmo, mas alguns trabalham...
Executivo C: Isso. Como vai ser em cima da hora, eles vão chiar...
Executivo A: E a gente consegue preencher a nossa grade sem precisar colocar um filme repetido depois da novela.
Executivo B: Mais uma coisinha. O que vocês acham de pegarmos o jogo seguinte do Palmeiras, que é numa quarta à noite, e anteciparmos de 20h30 para 19h30?
Executivo A: Hum, é uma quarta véspera de feriado...
Executivo C: Belo horário este...
Executivo A: Se eles não desistirem, a gente pega um outro jogo durante a semana e coloca às 11h da manhã pra competir com os desenhos do SBT. Aí eu quero ver se eles vão...
***
E assim, amigos, teremos o seguinte:
30ª rodadaVasco x Palmeiras, São Januário
Antes: 22/10, domingo, 16h
Depois: 18/10, quarta, 22h
31ª rodada
SCCP x Palmeiras, Morumbi
Antes: 29/10, domingo, 16h
Ok, tem eleição. A lógica seria: 28/10, sábado, 16h
Mas ficou: 25/10, quarta, 22h
32ª rodada
Palmeiras x Goiás, Palestra
Antes: 1º/11, quarta, 20h30
Depois: 1º/11, quarta, 19h30
Tudo o que eu disser além disso é desnecessário.

Romário de Souza Faria é o maior atacante que este país já viu. É também o maior craque que o mundo reverenciou desde Maradona. Perto dele, Ronaldinho, este de que tanto falam a esmo, é um aprendiz. Ronaldo, por sua vez, seria um bom suplente.
O Baixinho é gênio, mas não só da grande área.
É um gênio da bola.
E também das palavras, autor que foi de algumas das mais folclóricas declarações do nosso futebol.
Sim, Romário é um semideus. Mas isso não dá a ele o direito de se autodepreciar como agora.
Seus fãs merecem respeito. Mais do que nós, ele próprio.
Na busca desvairada pelo milésimo gol, o Baixinho não leva em conta os prejuízos às suas imagem e história.
Cada vez menos afeitas a conhecer o passado, as novas gerações poderão ficar com a imagem nada justa de um Romário que se arrasta em campo. De um ex-jogador em atividade que vai atrás de qualquer milhão de reais para chegar aos tais mil gols.
Romário é muito mais que isso.
É o homem que sozinho ganhou uma Copa.
O craque de gols mágicos, de dribles curtos e finalizações implacáveis.
É o cara!
Mil gols?
Pra quê?
Duas décadas de genialidade valem muito mais.
Pára, Romário!
***
Romário
Compositores: Teixeira, Marruda e Imperatore
Pega a bola, chuta
Marca em cima, faz um gol
Vai que eu quero ver você fazer
Romário, anjo torto, demônio do futebol
Dribla, seduz, entorta de prazer
Príncipe de Eindhoven, Barcelona
Barreira do Vasco
Romário em campo é um bolaço
Mago das massas, mais querido
Odiado dos zagueiros
Romário é rei, romário é o máximo
Ele é o cão
É gol, e a galera delirava
É gol, esse garoto tá danado
É gol, e a galera delirava
É gol, esse caboclo é o diabo
Do Arena FC:
Locutor é demitido após conversa com organizadaPor Fábio Finelli
Locutor do estádio Palestra Itália desde meados de 2004, o radialista Clóvis Sachetti Jr. foi demitido pela diretoria palmeirense por um ato inusitado: estava conversando com integrantes da torcida organizada Acadêmicos da Savóia após a partida contra o São Caetano, realizada dia 9 de setembro, no Parque Antarctica.
"Resolvi comer um lanche fora do estádio logo após o jogo, e na volta, encontrei alguns amigos da Savóia, que na ocasião protestavam contra a diretoria. Cumprimentei alguns deles, pois sou uma pessoa respeitosa e que tenho carinho por todos àqueles que apreciam o meu trabalho. Esse ato foi visto pelo diretor administrativo Roberto Frizzo, que provavelmente não gostou do que viu", explicou Clóvis, que imediatamente foi afastado do cargo.
"Eu fui proibído de entrar nas dependências do estádio e afastado da locução de forma humilhante e sem aviso prévio. Não tiveram a menor consideração por tudo o que eu fiz pelo Palmeiras", esclareceu o locutor, que ainda fez uma revelação. "Nunca ganhei dinheiro de ninguém. Trabalhava de graça por amor ao clube", destacou.
A represália dos dirigentes alviverdes contra Clóvis Sachetti explica-se, já que a torcida Acadêmicos da Savóia vem sendo a única dentre as organizadas a protestar após às partidas contra parte da diretoria de futebol, entre eles, Salvador Hugo Palaia, Ílton José da Costa e Mustafá Contursi.
O ArenaFC entrou em contato na manhã desta terça-feira com o diretor Roberto Frizzo, mas o celular do dirigente encontrava-se na caixa postal.
Pois é, e aí arrumaram no lugar dele um sujeito que, além de não ter voz para a função, não sabe sequer fechar o microfone.
E eu achava que essas atitudes mesquinhas eram exclusividade da turminha do Mustafá...
2006 está longe de ser um grande ano para a torcida palmeirense. Poucos foram os momentos efetivamente bons, mas a maior parte certamente tem a ver com o privilégio de acompanhar mais um ano de Edmundo com a camisa alviverde.
Edmundo é o toque diferenciado em um time que empolga e decepciona com igual intensidade. O Animal de hoje não tem mais aquela capacidade inigualável de garantir as vitórias como há 10, 12 anos... mas, quando o faz, é com classe.
Ontem, por exemplo.
Ele não jogava bem.
Assim foi até 20 e poucos minutos da etapa final.
Da arquibancada, um cidadão sem limites reclamava do técnico: "Por que não tirou o Edmundo? O cara tá machucado, não tá correndo..."
Eis que, de repente, a bola viaja pelo alto após cobrança de escanteio.
Edmundo lembrou-se então do primeiro gol de Romário na Copa de 94.
Como já havia feito anteriormente nesta temporada, o Animal dirige o olhar à grade central da arquibancada. Manda um "Chupa, Luigi" para o cidadão sem limites e estica o pé para balançar as redes pela 81ª vez com o manto sagrado.
Pouco depois, jogada típica do triênio 93/95. E gol!
***
PM, incompetência sem limites
Incompetência 1: Bilheterias da Turiassu fechadas.
O pobre torcedor precisa dar a volta para comprar ingresso do outro lado, na Matarazzo.
Incompetência 2: O portão da Matarazzo, onde ocorre a venda de ingressos, é subitamente fechado. E eis que o torcedor, exausto depois de quase uma hora na fila, precisa dar uma nova volta para entrar no estádio pelo portão principal.
Em todos esses anos de estádio, nunca vi coisa parecida. Não à toa, metade do público só entrou no estádio com o jogo em andamento.
Ao incompetente 2º Batalhão de Choque cabe responder:
1. Por que fechar as bilheterias da Turiassu?
2. Por que fechar o portão da Matarazzo?
3. Por que vocês não vão tomar no cu?
E nós ainda reclamávamos do major Marinho...
***
Amor incondicional
Isso deve ser acrescido ao post da última quinta-feira:
15º, sem grandes aspirações no Brasileiro e sem qualquer tipo de promoção de ingressos, o Palmeiras levou ao estádio mais de 17 mil torcedores ontem à tarde. Outros tantos devem ter desistido de entrar devido ao caos que se formou no lado externo do Palestra Itália.
Fato é que não precisamos de incentivo para ir ao estádio. Nem de motivações. Basta que o Palmeiras jogue. Isso se chama torcer.
Não preciso rememorar 2001, 2002, 2004 ou 2005. O ano agora é 2006. Acabou a palhaçada. Vitória, nada mais do que isso. Vitórias, aliás. Seis nos seis jogos que acontecerão na nossa casa. A saber:
08/10: Flamengo/RJ
15/10: Atlético/PR
01/11: Goiás/GO
08/11: Fortaleza/CE
11/11: Botafogo/RJ
26/11: Internacional/RS
Seis jogos em casa. Cinco contra times que estão na zona intermediária (ou lá pra baixo). São 15 pontos. Os outros três virão contra o Inter. "Ah, mas é um dos melhores times do Brasil", dirão. Sim, é verdade. Mas já fez o que tinha de fazer e não terá o menor interesse neste jogo, às vésperas do Mundial.
Portanto, são 18 pontos.
Temos ainda um jogo em campo neutro (SCCP) e quatro fora (Vasco, Paraná, Juventude e Fluminense). A se manter o péssimo desempenho como visitante, conseguiremos míseros cinco pontos longe do Parque.
Se o Palmeiras não fosse perito em desperdiçar pontos estúpidos na sua própria casa, a matemática apontaria:
18 em casa + 5 fora = 23
33 atuais + 23 que poderiam vir = 56
Daria pra ficar entre os 8 melhores.
Nenhuma disputa tem um nome tão bonito: Copa Libertadores da América. E eis que eu transcrevo abaixo, na íntegra e sem qualquer alteração, um belíssimo texto, infelizmente de autor desconhecido, sobre o assunto. Foi extraído do site www.ducker.com.br. Deixo claro que o fato de não concordar com parte dos argumentos em nada diminui a admiração pelo ideal.
LIBERTADORES(autor desconhecido)
A Libertadores da América foi castrada. Teve sua masculinidade arrancada pelos defensores de “Lei Peles”, pelos “Galvões”, “Falcões”, “Arnaldos” e por aqueles que esperam o fim da novela para ver o futebol. A Libertadores virou um enlatado de fácil digestão pelos estômagos fracos e pelos fãs de “pedaladas” e “amigos da Rede Globo”. De animal feroz, a Libertadores se transformou em um bichinho mimoso e colorido, tão inofensiva quanto “Malhação” ou a “Sessão da Tarde”. Nem o adolescente rebelde Ferris Bueller, o maior astro da “Sessão da Tarde”, foi tão enquadrado.
Que saudade das antigas Libertadores. Quando a Rede Globo ainda não tinha transformado “La Copa” nesse programa de freiras. Que saudade dos estádios argentinos lotados, dos “Calderones del Diablo”, de La Plata e de Avellaneda. Que saudade do Centenário enfumaçado, gelado e enlameado. De Victorino e De Leon, de Morena e Spencer. Qualquer time que hoje tivesse Billardo, Dinho ou Simeone seria preso em campo. Aliás, na Libertadores se chegou ao cúmulo de se prender um jogador em campo, porque ele não foi “politicamente correto”, o tal caso Grafite/Desabato. É tão rídiculo que não é nem engraçado. É triste.
Vivemos numa era de pagodeiros, funkeiros, pseudo-surfistas de correntes de ouro e brincos de diamante que de malandros não tem nada. São um bando de frouxos, de codornas com pernas de cristal, e escravos de empresários vigaristas, desesperados por um contrato na Europa, para depois reclamar do frio, da “violência” européia e voltar correndo para o Brasil, e assim ganharem porcentagens nas duas transações. Comemoram gols beijando a aliança da maria-chuteira que fisgaram eles, e depois dos jogos vão aos melhores prostíbulos da cidade, ou as piores quadras de escola de samba. Ou imitam os gestos ridículos do Ronaldo de Assis Moreira, que nem ele, nem seus colegas sabem o que significa. Atacantes como Burrochaga, Fernando Morena, Victorino, Enzo Francescoli ou Renato Portaluppi, o pai de todos os malandros, que não era bunda-mole nem fugia do pau, hoje estariam relegados em nomes dos “Robinhos”, “Sobinhos” e outros “inhos” de luzes nos cabelos, adorados pelos fãs do “Bem Amigos”.
Saudosos tempos em que a Libertadores era uma guerra. Os platinos consideravam perder para um brasileiro, que para eles não tinha nenhum Libertador da América, nenhum San Martin, nenhum Artigas, uma deLibsonra, una verguenza. Não tinha “jogo”, tinha uma luta campal pela bola. E não precisava muito para os carrinhos, cotoveladas, socos, pedras, pedaços de pau e garrafas começarem a voar. Era preciso ser mais que jogador, era preciso ser homem. A fumaça invadia o campo, o frio gelava até os ossos, os alambrados balançavam, os juízes davam cartão até antes de começar o jogo, e não ganhava o melhor. Ganhava o mais forte.
Hoje, a Libertadores virou um espetáculo midiático, tão insosso quando a novela das 6. Até o Once Caldas e o Inter, ou a Inter, já ganharam o enlatado.
Mas eles nunca terão a glória. A glória de ter travado batalhas em campo, de ter erguido a taça, não com papel laminado voando em volta, mas com sangue escorrendo pela testa. A taça alguns tem, a glória, poucos. Pouquíssimos.
Qualquer decisão que não a sumária demissão de Salvador Hugo Palaia constitui uma vergonha inominável para a Sociedade Esportiva Palmeiras. Mais do que isso: prova que a diretoria atual é incompetente como a anterior, de tão péssimas lembranças.
Com nada resolvido até agora, não duvido que o cidadão continue no cargo, aprontando mais e mais. Afinal, se deu certo uma vez, por que não vendermos o nosso mando de campo novamente? Por que não Campo Grande? Ou alguma cidade qualquer do norte do Paraná?
Nada mais justo que prestigiar os palmeirenses do interior, certo? Mesmo se eles não forem apoiar o time na única chance em anos.
AQUI É PALMEIRAS!
Como se não bastassem os inimigos de fora, o Palmeiras coleciona os seus próprios. Um, mais do que todos. Justo aquele que não merecia a brilhante vitória de ontem à tarde. Exatamente aquele que tanto fez contra seu próprio clube. Que levou para longe de nossa casa a batalha contra nosso inimigo. E que - de maneira estúpida - nos tirou o comandante na véspera do confronto.
Mas ele é por demais insignificante. Tanto quanto outras figuras desprezíveis que habitam o futebol brasileiro.
Contra tudo e contra todos, o Palmeiras é mais forte!
***
Questão de caráter
Não pude comentar no sábado ou ontem, mas o faço agora.
Tite saiu fortalecido de toda essa palhaçada. Nosso ex-treinador mostrou honra e caráter. Fez a única coisa que poder-se-ia esperar de um profissional com vergonha na cara. Saiu de cabeça erguida, pela porta da frente. Enfrentou a multidão. E foi injustamente atacado. Confesso aqui minha discordância em relação a alguns amigos. Os protestos deveriam ser endereçados ao culpado, nunca à vítima.
Se o Palmeiras enfrentar o seu maior inimigo com este uniforme ridículo, alguém terá de pagar por tal heresia.
Aproveito para fazer uma pesquisa:
Na votação da adidas, havia três modelos, dois que faziam justiça às nossas tradições e um que nada tinha a ver com nossa história. Quem diabos votou na excrescência que aí está? Ou, como já foi comentado nas alamedas do Palestra, não houve votação? Fomos todos enganados?
Algum dos visitantes deste blog votou na versão prateada?
Pode haver algo mais glorioso do que nascer campeão?
Não por acaso, assim nasceu o Campeão do Século XX.
A oficial pode até ser 14 de setembro, mas é inegável que o 20 de setembro de 1942 é a data que representa mais do que nenhuma outra o nascimento da Sociedade Esportiva Palmeiras.
20 de setembro. 1942-2006. 64 anos.
Pacaembu.
O Palestra, perseguido, é mais forte.
E vem a campo, das trincheiras, para ser campeão.
Bandeira do Brasil à frente. Surge o Palmeiras.
Para lutar contra o maior inimigo.
Aquele que tentou roubar a nossa casa. Que tomou a do Germânia e ainda lucrou ao vender o terreno para a Portuguesa.
O embate que se seguiu foi emblemático.
3 a 1. E pênalti para o alviverde imponente.
Eis então que eles fugiram.
FUGIRAM!
Envergonhados, talvez por fracassarem na tentativa vil de acabar com um adversário tradicional e inabalável. Mais ainda: por presenciarem o seu (re)nascimento glorioso no campo de batalha.
Mais forte do que antes.
Para ser o Campeão do Século!
Obrigado, Palestra!
Obrigado, Palmeiras!
Todos aqui sabem o quanto eu sou crítico à atuação da Rede Globo. Mas eis que, ao menos uma vez na vida, sou obrigado a falar bem da dita cuja. Mais até: deixo registrado aqui um breve, mas sincero, agradecimento.
Vejam vocês que coube à Globo Esportes, braço esportivo da emissora, o pontapé inicial no processo de moralização do Campeonato Paulista. Refiro-me aqui ao fato de a edição 2007 do Paulistão retomar a tradicional e inestimável fase decisiva, com quatro clubes se classificando para a disputa de semifinais e final.
Serão 23 datas, sendo 19 para a fase de classificação, todos contra todos em turno único, e mais quatro para o que realmente interessa.
O Paulistão está livre dos pontos corridos.
Só falta agora o Brasileiro.
"O Palmeiras queria o Palestra, mas houve demora da PM para dar o ofício pedido pela CBF. Não vimos motivos para o jogo ser no Pacaembu e, por isso, resolvemos mandar para Presidente Prudente”.
Ilton José da Costa, sobre a polêmica envolvendo o clássico contra o SPFC em Presidente Prudente. Muita coisa a discutir:
1. Demora da PM para dar o ofício? Como isso? A mudança de local aconteceu há mais de um mês. Não haveria tempo hábil para o tal ofício? Por que a pressa em transferir o clássico?
2. Repito o que já disse inúmeras vezes: o Palestra Itália é o estádio mais seguro de São Paulo. Mais que o Pacaembu e muito mais que o Morumbi. Pois é o único que garante à torcida visitante um acesso isolado. Vejamos: Palmeiras e SPFC, cujas torcidas adoram se matar, fizeram jogos decisivos da Copa Libertadores no Parque Antártica em 2005 e em 2006. Antes disso, no Brasileiro de 1996 e na Copa do Brasil de 2000. E nunca aconteceu nada! Nada! O mesmo vale para os santistas, figuras mais presentes à nossa casa, e para tantos outros visitantes. Ao contrário de outras praças esportivas, o nosso estádio jamais registrou incidentes graves. Por que a necessidade de ofício? Por que a perseguição da PM?
3. Como podem abrir a boca para falar do Parque Antártica as mesmas pessoas que permitem clássicos na Vila Belmiro?
4. À Polícia Militar do Estado de São Paulo devem ser creditadas as eventuais mortes e/ou incidentes nos 1.130 km do trecho SP-Prudente-SP. Abriram mão de um estádio seguro para largar em campo minado duas torcidas que se odeiam historicamente? Pois que paguem o preço de uma eventual tragédia.
5. "Não vimos motivos para o jogo ser no Pacaembu?" Como não? Fique sabendo que o Palmeiras costuma mandar o clássico contra o SPFC pelo Brasileiro no Paulo Machado de Carvalho. Exemplos: 2 a 1 em 2005; 2 a 1 em 2004; 1 a 1 em 2002; 1 a 1 em 2000; 2 a 1 em 1998 etc. Por que agora não interessa?
6. De novo: por que Prudente? Por que no MS? Por que não em cidades menos distantes, como Ribeirão Preto ou mesmo SJRP?
***
Prudente: como chegar lá
Como tenho muita coisa a perder e levando em conta que pretendo realmente assistir ao jogo (sem os contratempos que nos impediram de pegar a estrada em 2001), pergunto:
Conseguimos juntar 15 pessoas para alugar uma van?
Custo: aproximadamente R$ 85 por pessoa.
Busão de linha: aproximadamente R$ 150 (ida e volta).
Os recibos deverão ser encaminhadas aos srs. Afonso Della Monica, Ilton José da Costa, Salvador Hugo Palaia, à Polícia Militar e ao prefeito de Presidente Prudente.
1993. Paulistão. Domingo à tarde, Pacaembu.
Em tarde de gala, Edmundo, Evair, Edílson e Zinho massacram a pobre Portuguesa. 4 a 0, um gol de cada. Festa? Sim, mas não só. Nos vestiários, depois do jogo, Edmundo e Evair se desentendem. Ao quase saírem na porrada, racham o elenco que libertaria a nação alviverde menos de quatro meses depois.
Pulamos para 2006. Campeonato Brasileiro.
“Não fiz o segundo gol porque a inveja não permitiu”.
Assim, com uma frase das mais enigmáticas, Edmundo deixou o gramado após contribuir para o contundente 3 a 1 que o Palmeiras aplicou no São Caetano.
Atitude desnecessária, que não combinou em nada com mais uma bela atuação daquele que está a três gols de se tornar o terceiro maior artilheiro da história dos Campeonatos Brasileiros.
Mais do que isso, de um Edmundo 13 anos mais maduro.
A declaração surpreende.
E não tem lógica.
Pois se foi – e sempre é – claro o descontentamento de Edmundo com alguns erros de seus companheiros, é inconcebível atribuí-los à inveja ou a qualquer outro sentimento negativo.
Chega a ser infantil.
E pode conturbar o ambiente positivo que o próprio Edmundo, em fase zen, ajudou a criar.
Mas, afinal, quem seria o tal ‘invejoso’?
Citaram o Juninho, talvez porque o próprio camisa 10 tenha deixado o campo reclamando sabe-se lá do quê.
Não acredito.
No sábado mesmo, com a privilegiada visão que temos a partir da grade, deu para perceber duas ou três reclamações do Animal após erros de passe do Marcinho.
Já no segundo tempo, vi uma discussão áspera entre eles depois de uma conclusão (mais uma!) equivocada do nosso amigo da chuteira fluorescente.
Considerando que os dois já têm um histórico anterior de desentendimento e que é ótimo o relacionamento entre Edmundo e Juninho, o tal invejoso só pode ser o Marcinho.
Além de incabível, é injusto.
Menos, Edmundo, menos.
Que seja apenas uma recaída.
Saiu no Painel FC de hoje:
Marcados. Para as torcidas organizadas voltarem a levar faixas aos estádios, seus membros terão de fazer cartões magnéticos, segundo a FPF. Eles só comprarão ingressos e passarão pelas catracas com essa identificação. A proibição do material das uniformizadas foi prorrogada por mais 30 dias para a federação preparar as medidas.
***
PM,
Não vou nem questionar a perseguição contra as torcidas organizadas. É outra a pergunta que tenho: por que não podemos enfrentar o SPFC no Palestra ou no Pacaembu se o Santos pode mandar clássicos na Vila? O que explica isso?
O script do primeiro tempo seguiu aquilo a que já estamos acostumados. O Palmeiras jogou bem, equilibrou o jogo e perdeu boas chances. O Santos, com a sorte que o acompanha em clássicos na Vila, encontrou dois gols de zagueiro. 2 a 1.
Aí vem um cara de branco e empurra o Daniel dentro da área. Pênalti. Escandaloso. Acintoso. Grosseiro. O Gaciba viu, estou certo disso. Bem à nossa frente, no gol de fundo e com a visão livre. Braços estendidos e o empurrão ostensivo. O nosso zagueiro foi ao chão. Se nós vimos lá do alto, o que dizer do juiz? Logo ele, que estava tão perto da jogada...
Bom, ele não apitou. E teve a complacência do bandeirinha. O jogo teve sua história modificada naquele lance.
Pois aí bastou um passe errado para tudo desmoronar. 3 a 1 é bem diferente de 3 a 2. O time perdeu o controle. Foi 5 e poderia ter sido mais. Mas o pênalti do primeiro tempo poderia ter produzido outros rumos para a partida. Talvez um 3 a 2. Ou um empate, quem sabe?
O problema não é perder para o Santos na Vila.
Nem mesmo se for para um time feio como este.
O que pesa é a goleada.
E ela só existiu por culpa do árbitro.
***
A Vila, de novo
*Toda vez que vou à Vila, renovo a pergunta: como podem permitir que o Santos mande clássicos estaduais naquele lugar? E como podem abrir a boca para contestar o que quer que seja no Palestra Itália? Na condição de visitante, eu gostaria sempre de aproveitar condições como as que são oferecidas pelo nosso estádio. Acesso exclusivo, facilidade para comprar ingressos, opções para se alimentar, boa visão do campo, segurança reforçada. Um conforto só...
*Marcelo Teixeira é um bom presidente para o Santos. E uma de suas boas idéias é o camarote - que eu vi ontem pela primeira vez - à beira do campo. Mas bem que ele poderia se preocupar com algo mais do que apenas garantir a mordomia de poucos. Que tal proporcionar condições dignas à torcida visitante? Que tal vender ingressos de maneira decente e oferecer um espaço menos pior às torcidas dos outros grandes paulistas? Até quando vamos ser tratados como gado?
*A Vila é provavelmente o único estádio do mundo em que o torcedor que fica atrás do gol de fundo enxerga melhor a meta que está do outro lado do que a que fica logo abaixo de seus olhos. Uma proeza da engenharia...