24 novembro 2006

Causa ou conseqüência?

Comentarista esportivo ruim é o que mais tem por aí. Na falta de algo melhor para dizer, a maioria apela para discursos vazios ou clichês estúpidos. É o que temos, por exemplo, no uso já abusivo do adjetivo "Lamentável...", assim mesmo, com reticências, sempre que aparecem imagens de brigas de jogadores ou torcedores ou qualquer outro tipo de confusão nos estádios de futebol. Ninguém se preocupa em entender o que aconteceu; é mais fácil lançar mão deste recurso babaca.

Há, no entanto, uma outra babaquice que tem me irritado. Li em alguns lugares coisas parecidas com isto aqui: "Os seis líderes do Campeonato Brasileiro não trocaram o treinador. Em compensação, os quatro últimos trocaram de técnico pelo menos três vezes. Logo, o segredo do sucesso está na manutenção dos profissionais etc. e tal".

Pois bem, não contesto a necessidade de planejamento e de manutenção do grupo de trabalho. Mas este argumento repetido à exaustão pela nossa imprensa está errado desde o princípio, pois credita como conseqüência o que é na verdade a causa.

Afinal, os times que estão na rabeira tiveram mais treinadores exatamente porque estão mal das pernas - e não o contrário. Em contrapartida, os que estão lá no alto não precisaram trocar ninguém.

Não faz mais sentido assim?

Um comentário:

Filipe disse...

Com toda certeza faz. Questão de lógica; Pra esse caso futebol tem lógica, sim. Por isso é que o campeão só tem lógica. Mas não tem Alma, o maldito...