04 março 2011

1992, Evair, 1-0

Peço atenção dos senhores para o vídeo abaixo, recomendado pelo Eduardo, em comentário no post do jogo contra os bichas. Tão grande foi a emoção que eu me permito escrever um texto agora só sobre este vídeo.

O que temos é um Palmeiras x SCCP pelo quadrangular final do Campeonato Paulista de 1992. O grupo tinha ainda Guarani e Mogi Mirim - o primeiro colocado iria à final. Jogamos contra os gambás logo na abertura da fase. Domingo à tarde, 8 de novembro, Jd. Leonor. Mando do SCCP. Lembro ainda que estávamos então há 16 anos sem título, no auge da fila.

Choveu como poucas vezes na história do clássico – arrisco dizer que só aquele duelo do Brasileiro/1998 teve mais chuva. Ainda assim, foram a campo 78.684 torcedores, um público comum para a época e inimaginável nos dias atuais. A arbitragem ficou a cargo de José Roberto Wright.

Jogo tenso, disputado, como convém à história do clássico. Caminhava para a igualdade sem gols. 32 minutos, 2º tempo. Chovia ainda. Falta para o Palmeiras na entrada da área. Evair e Zinho na bola. Ao desfecho:



É dos gols mais emocionantes já narrados por José Silvério, que, como eu já disse algumas vezes, merece uma estátua na frente de todos os estádios brasileiros. Nenhum outro narrador é tão preciso. O "Pai do Gol" (crédito para Milton Neves) consegue imprimir às narrações a emoção exata do lance, sem bordões, sem afetações, sem piadinhas. Silvério é tecnicamente perfeito, e foi na voz dele que eu aprendi a amar um pouco mais o futebol.

Quase duas décadas depois, o reencontro com este gol faz a narração de Silvério parecer ainda melhor. É preciso ainda fazer justiça: a sincronia entre imagem e som acaba sendo prejudicial a ele, uma vez que o internauta menos atento pode julgar – erroneamente – que o “Gol!” do Silvério acontece já com a bola lambendo a rede. Que nada! Concentrem-se apenas no som: percebam que o grito seco acontece alguns milésimos de segundo antes do barulho da torcida. Sim, Silvério vê o gol antes. Gênio!

A cobrança de Evair descreve uma curva precisa, milimétrica, suficiente para passar além dos braços de Ronaldo e morrer na lateral da rede, pouco abaixo do ângulo esquerdo. Chamo atenção para a trajetória, mas especialmente para o momento em que a bola encontra a rede. Confiram no replay: a bola toca a rede e faz espirrar a água da chuva para todos os lados.

Ainda muito novo, não pude ir àquele jogo. Lamento por isso. Mas os mais de 50 clássicos entre Palmeiras e SCCP no estádio que vi depois daquele me permitem sentir a emoção de quem esteve no Jd. Leonor naquela tarde. É como se agora, 20 anos depois, fosse mais um daqueles palestrinos que, com o gol de Evair, lavaram a alma já tão molhada pela chuva que não parava de cair.

Um instante como esse, do encontro da bola com a rede e da água espirrando, faz o futebol ser o que é. E a emoção que eu sinto revendo este gol me permite ter um desprezo ainda maior por todas as pessoas que não vivem o futebol e que não entendem o tamanho disso tudo.

Obrigado, Evair! Obrigado, Silvério!

***

Hoje eu desfilo pela Mancha, amanhã tomo o rumo da cancha municipal novamente e, na sequência, já viajo, porque todos merecemos um descanso. Portanto, este blog vai ficar sem post sobre o jogo contra o Santo André. Volto na terça, mas o próximo post, a edição 5 da série “O país do futebol?”, deve vir só na próxima quarta-feira. Até lá e bom feriado a todos!

26 comentários:

Anônimo disse...

Falar do Evair me faz chrorar. Ver gols antigos na narração do Silvério me faz chorar também. Eu fui na final deste campeonato com meu finado e amado Avô e meu pai. Perdemos para as bixas por 2 x 1. Tinha penas 10 anos. Me tornei mais Palestrino ainda.

Suadades do finado meu Avô, do matador no comando de Ataque, e da voz do Silvério....

Casselli o Carcamano....AVANTI PALESTRA, fino alla morte.

Anônimo disse...

Falar do Evair me faz chrorar. Ver gols antigos na narração do Silvério me faz chorar também. Eu fui na final deste campeonato com meu finado e amado Avô e meu pai. Perdemos para as bixas por 2 x 1. Tinha penas 10 anos. Me tornei mais Palestrino ainda.

Suadades do finado meu Avô, do matador no comando de Ataque, e da voz do Silvério....

Casselli o Carcamano....AVANTI PALESTRA, fino alla morte.

Luan disse...

Casselli o senhor é um grande Palestrino! Quisera eu poder assistir a um jogo do Palmeiras com meu avô, mas não foi possível, pois ele faleceu e eu ainda não havia nem nascido. E ele era um grande palestrino também.

Também me emociono somente de lembrar do Evair, aí ver um gol dele e na voz de Silvério é choro na certa. Silvério é o maior narrador que o mundo já teve!
Barneschi tem razão, todos os estádios deveriam ter uma estátua dele em frente!

E José Silvério é palmeirense!!!!

Um grande sonho que quero conquistar em minha vida é poder conhecer Evair o Matador e dar um abraço nele o agradecendo por tudo que fez por nosso Palestra!

AVANTI PALESTRA!

Luan disse...

E essa é para nós que não gostamos da maldita rede globo.
Os palhaços do globo esporte foram entrevistar o Adriano MJ e ficaram fazendo gracinha com ele, até o nosso atacante mandar em alto e bom som um grande "CARAAAAAAAAAAAII! ao vivo e em rede nacional na emissora câncer!!
Valeu Adriano!!

Luan disse...

Me esqueci de deixar o link:

http://www.verdazzo.com.br/humor/adriano-michael-jackson-mito

Cardeal disse...

Grande Barneschi,

por motivos que você conhece, nada falarei sobre o gol.

Mas venho compartilhar aqui as saudades de frequentar um estádio com 80.000 pessoas e com as torcidas dos dois times presentes.

Acabaram com isso! Hoje o estádio é frequentado por 15, 20 mil no máximo. Desses, metade ficam com pulseirinhas ridículas em camarotes, comendo, bebendo e espiando o jogo, enquanto a outra metade, na verdade, queria lá estar.

Lamentável.

Espero que as coisas voltem a ser como sempre foram. O quanto antes.

Abraço,

Bruno Cassiolato (Cardeal)

ps) Silverio é cruzeirense, mas acho que isso pouco importa. Narra os jogos com precisão e emoção. Sempre.

Anônimo disse...

Eu estava nesse jogo!!! Foi um dos momentos mais emocionantes e intensos que presenciei em um estádio de futebol!!

Lembro que alguns minutos antes desse gol foi quando começou realmente a chover absurdos! E momentos antes dessa falta foi quando passamos daquela etapa em que ainda tentávamos cobrir um pouco o corpo para proteger da chuva e quando a gente percebe que não dá mais...

Aí veio a falta, o campo já estava completamente encharcado... Lembro como se fosse hoje, o Ronaldo bandido se posicionou erradamente, pois havia uma baita poça exatamente no lugar ideal para ele ficar, e o que se viu foi o Evair cobrar perfeitamente, e o goleiro-bandido estava fora de posição... e mesmo se estivesse bem colocado não chegaria....

Uma tarde perfeita de domingo...

Anônimo disse...

"Silvério é tecnicamente perfeito, e foi na voz dele que eu aprendi a amar um pouco mais o futebol". [2]

A 1ª vez que ouvi um jogo narrado pelo José Silvério foi em 1978, Palmeiras x guarani, primeiro jogo da final do Brasileiro de 78. Tinha 10 anos,depois disso ficou impossível não ouvir suas narrações.
Ele realmente é o "Pai do Gol".
Qto ao público por vc citado, naquela época era extremamente normal. Hoje 20.000 pagantes é considerado pela imprensa e dirigentes um "excelente público", para nós uma verdadeira merreca humana.
Parabéns pelo texto.

R. Portillo

gabriel disse...

o evair é um monstro. além de tudo, muito humilde. tive o privilégio de frequentar a chácara dele por um bom tempo lá na cidade onde nasceu em mg.sempre rolava um futebol com tudo mundo e ver ele jogando no meio da velharada e da molecada era ainda mais incrivel. me lembro muito bem ele nos contando quando acertou com o goias e falando "ainda bem que é um time verde"

abraço!

Fábio disse...

Barneschi, qdo li o título me arrepiei, pois na mesma hora me veio na memória o lance do gol.
Numa época em que ser palmeirense parecia um sofrimento sem fim, torcer pra um time sem nunca te-lo visto ganhar um título, mas sempre com esperança de que uma hora isto mudaria (e mudou, pouco tempo depois), principalmente em jogos como este. Infelizmente hoje, parece que esta esperança já não é mesma em nossa torcida, msm assim, obrigado pela recordação deste momento espetacular de nossa história...

Conrado disse...

barneschi, note o volume do grito de gol da nossa torcida. é algo que eu nunca vou esquecer, alem do outro detalhe que voce citou tao bem: a agoa espirrando quando a bola bateu na rede. isso NUNCA vai sair da minha memoria.

que delicia era ir naqueles classicos, quando se podia tomar cerveja dentro do estadio, daí entrava-se bem cedo e curtia-se muito a disputa entre as torcidas, cada metro conquistado, quando a PM empurrava a corda de separacao em direcao ao lado oposto.

menos de 60 mil era considerado vexame de publico.

e veio o futebol moderno e estragou tudo. agora ja era. quem viveu, viveu.

Rafael Scalize disse...

Eu fui nesse jogo. Tinha 14 anos, e meu pai não gostava de arquibancada, portanto ficávamos na numerada inferior. Também foi o primeiro jogo de meu irmão, na época com 5 anos.

Esse gol ainda está claro em minha memória, a bola batendo na rede espirrando a água bem à minha frente. Foi maravilhoso.

Detalhe que o time do Palmeiras era fraco, mas honrava a camisa. A zaga era composta por Toninho e Alexandre Rosa. Seria inaceitável pelos corneteiros atuais. Na meia, Jean Carlo e Carlinhos, idem. Mas todos esses jogadores comiam grama se necessário, para alegria dos 80.000 presentes sob chuva torrencial.

Belos tempos.

Luan disse...

Barneschi você "paralisou" o blog para o feriado de carnaval com chave de ouro! Com um bom post e um ótimo vídeo. E a cada vez que leio novos comentários da vontade de rever mais uma vez o vídeo do gol do Evair.

É mesmo Cardeal, pesquisei aqui e você tem razão, Silverio é cruzeirense, é que vi fala uma vez não lembro onde que Silverio era palmeirense. Mas valeu pela informação.

Barneschi bom feriado pra você também.

AVANTI PALESTRA!

Forza Verde disse...

Eu estava com meu pai nesse jogo, então com meus 16 anos (acompanhando a fila que vinha desde 76 lado a lado). Esse gol é simplesmente inesquecível! A explosão no estádio foi inesquecível! Assim como é inesquecível tbm lembrar de voltar pra casa, molhado, gelado, mas ouvindo sem parar a narração do gol pelo Silvério no rádio do carro (rádio 'tape' ainda, tbm inesquecível!)

Yee disse...

Barneschi muito obrigado por nos trazer tão doce lembrança que ao rever esse gol me deixou extremamente emocionado de recordar a minha cruzada pra chegar ao jogo até a chegada de madrugada em casa.Com 22 anos, o Palmeiras já estava quase 16 anos sem ganhar nada mas de uma coisa eu posso te dizer que nem naqueles tempos colecionamos tantos vexames e nunca o clube foi tão largado como hoje esta.

Forza Palestra disse...

Obrigado a todos! É bom saber que esta imagem emociona ainda mais gente. Um gol inesquecível!

Bruno
Cara, me manda um email pra gente se falar? Pode ser pro forza.palestra@yahoo.com.br
Abraços

Bom carnaval a todos!

Anônimo disse...

Forza, quando vc pede e-mail ao Bruno refere-se a mim?

Quanto meu Avô Luan, foi graças a ele que me tornei Palestrino. O véio me botou em campo com o Veloso nas quartas de final do Brasileiro de 1990. era Palmeiras e Grêmio e foi 1 x 0 Palmeiras gol de penalti do Careca Bianchesi aos 43 do 2.tempo.

No mais, AVANTI PALESTRA, fino alla morte.

Forza Palestra disse...

Opa, não foi não, cara. É com o Bruno Cassiolato (estudamos juntos no colegial).
Abraços

pedro disse...

Gramde Silvério.

E o Conrado lembrou bem: a guerra pelos gomos era uma coisa sensacional nos clássicos. Não havia pre determinação de ingressos, chegávamos cedo e íamos conquistando os espaços...

Anônimo disse...

Caro Forza.
Boa noite.
Depois deste empate horroroso com o Santo André, li esse post, tenho 40 anos, na época tinha 21, lembro-me de ter ido em todos os jogos dessa fase semifinal de 1992, até na derrota de 2 a 1 para as galinhas pretas, derrota que nos levou à final, já que o Mogi eliminou o Guarani. Era um tempo fantástico, tínhamos o Cuca faixa, o Carlinhos categoria, o monstro Sampaio, o correto e falível Toninho mas, tínhamos usa coisa, que desapareceu, nossa torcida, no auge da fila, nunca um Pacaembú ou o Palestra ou o Panetone, tínhamos menos de 14,15 mil. Hoje é vergonhoso, jogamos para três mil na quarta, seis hoje.
Depois reclamam do time, mas como você sempre diz, são torcedores de sofá, vagabundos influenciados pela mídia....
Precisamos fazer algo, senão poderemos acabar como o Independiente, Aston Villa, Torino, e outros tantos gigantes do mundo que tem história, mas não ganham nada de relevante.
E mais uma coisa, o Silvério sempre foi cruzeirense e em São Paulo, é óbivo, palmeirense.
Abraços - Auricchio

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Loco1 disse...

Realmente foi um jogo emocionante, jogo às 17:00, cheguei na gaiola faltando 10 min. e só consegui geral.Estava ali mesmo na diagonal do gol, deu pra ver as gotas de água direitinho quando a bola bateu na rede.É um derby que sempre me vem a memória.Genial este post!

Luigi SEP 1914 disse...

CHUPA galinhada!
Desde 2005, ano que subimos, 2 rebaixamentos e nunca ficaram na nossa frente!

Freguês até no carnaval!
Gambazada filha da puta!

Vai PALMEIRAS!

Cesar disse...

Senssacional esse vídeo!!

Que saudades dos bons tempos...

Anônimo disse...

Eu estava nesse jogo, era jovem tinha uns 15 anos de idade. Cheguei no estádio ao 12:00 e o jogo começava as 17:00, desde o momento em que cheguei e o fim do jogo choveu e fazia frio. Jogo morno, as equipes sem forçar muito até que a falta acontece na entrada da área. Era um jogo certo para um 0 x 0, e como sempre o Palmeiras humilhou esse clube. O morumbi tremeuuuuuuu...tremeu no gol do palmeiras....

Unknown disse...

Eu também estava nesse jogo... o segundo tempo inteiro foi pressão dos gambás para cima da gente e abaixo de muita chuva (mas muita chuva mesmo...) Evair que estava no banco entrou e em pouco tempo mudou a história do jogo com este golaço de falta levantando a nação Palmeirense que estava calada durante a festa dos Gaivotas... e mais.. logo em seguida quase fez quase fez o segundo desviando de cabeça e enganando Ronaldo no gol... Foi um jogo sofrido, acho que por isso nunca mais esqueci... tem pessoas da época que reencontro nos estádios ou pela vida q estavam comigo nesse dia que ainda comentam... só quem estava lá pra saber.. este foi o jogo em que foi criado o bordão : " Ero.. ero.. ero... É FESTA NO CHIQUEIRO!! "

PALMEIRAS ATÉ A MORTE!!!