A gestão ora à frente da Sociedade Esportiva Palmeiras entendeu por bem trocar, no início deste ano, toda a equipe de comunicação a serviço do clube. Em princípio, não há nada de errado. É possível, isto sim, apresentar questionamentos e críticas à medida, mas a mudança em si é uma prerrogativa que cabe a todo e qualquer gestor que assume um clube, uma empresa ou seja lá o que for. À época, escrevi
aqui sobre a alteração – e reitero cada palavra.
Como sabido e alardeado, a empresa que hoje responde pela comunicação do Campeão do Século XX tem como interface principal um jornalista que é, vejam os senhores, torcedor fanático do SCCP. A bem da verdade, o sujeito se apresentava, até hoje mesmo, como
"diretor de comunicação da Sociedade Espotiva Palmeiras".
Tal referência foi suprimida de sua apresentação, mas era assim que ele, um ativo militante de causas diametralmente opostas às nossas, se autoproclamava. E era assim apenas e tão somente porque permitido pelo nobre mandatário da Sociedade Esportiva Palmeiras.
Ou, se preferirem, temos a denominação um tanto mais empolada - como convém à gestão atual:
Eu bem disse, e repito, que o fato de o jornalista rival se dispor a assumir uma função estratégica no maior inimigo tem implicações claras do ponto de vista da análise que se queira fazer de seu caráter e/ou de sua índole. Meu pensamento seria idêntico se a situação fosse exatamente a contrária, com um palmeirense se colocando como porta-voz do rival da zona leste.
Cabe aqui um aparte: problema algum haveria se uma empresa presidida por um torcedor de outro time assumisse a comunicação do alviverde. Inclusive porque a discussão essencial diz respeito à capacidade de zelar pela imagem do cliente, no caso a S.E. Palmeiras. O problema é que o referido assessor se posiciona quase como um porta-voz da gestão, como se dela fizesse parte.
---
Eis então que um perfil supostamente atribuído ao sujeito apareceu no Twitter em 28 de setembro último, sábado. Ao todo, foram cinco dias de agressões gratuitas - tão inadequadas quanto ignorantes - a palmeirenses que têm de arquibancada e de abnegada militância pelo clube mais tempo que o referido elemento deve ter de profissão.
Repito: foram cinco dias com o perfil no ar, período em que qualquer pessoa minimamente inteirada dos assuntos do Palmeiras acabou tomando conhecimento do assunto e das discussões decorrentes. Transcorrido todo esse tempo, o perfil foi excluído de maneira intempestiva, ao mesmo tempo em que subiu uma nota, aí sim assumidamente publicada pelo elemento em questão, dizendo se tratar de um
fake. Os ataques deste mesmo personagem contra palmeirenses, no entanto, continuam no ar.
Atentem para o seguinte: foram cinco dias com o perfil no ar, com direito até a fotos do elemento (com agasalho do Palmeiras) na companhia do presidente e do CEO e, durante todo esse tempo, o sujeito não se pronunciou sobre o assunto! Foi preciso esperar esse intervalo todo para que o perfil no Twitter fosse excluído ao mesmo tempo em que subiu a tal nota no Facebook.
Uma discussão agora sobre se era ou não o sujeito esbarraria na falta de uma prova formal, de uma evidência irrefutável, de uma confissão do próprio. Ao final, cada um deixaria a contenda do mesmo modo como entrou. Questão de caráter. Da minha parte, bastaria a palavra que foi empenhada. Não posso dizer o mesmo do referido cidadão e, em sendo assim, não vou enveredar por esse caminho.
Vou, isto sim, fazer algumas considerações que dizem mais respeito a certa parcela de nossa torcida e menos ao tal sujeito.
Via de regra, foram atacados palmeirenses que têm feito algo que é considerado um crime pelo
exército da austeridade: críticas à gestão. E, no caso específico do citado assessor, contestações ao fato de ele ocupar uma função para a qual não está habilitado - inclusive pelo evidente conflito de interesses. Nada que este blog já não tenha feito inúmeras vezes. Nada que não tenhamos feito todas as pessoas que vivemos o Palmeiras de verdade - e sem quaisquer interesses escusos. Nada que todos os palmeirenses vivos não tenham feito agora ou em tempos idos contra dirigentes os mais diversos.
Em não havendo como comprovar que os ataques partiram do referido assessor (
ou ele pretende honrar a palavra empenhada?), a reflexão que se deve fazer é a seguinte:
---
Estava no ar, para quem quisesse ver, um perfil que poderia ou não pertencer a alguém que, notório torcedor do SCCP, se intitulava diretor de comunicação da Sociedade Esportiva Palmeiras. Este perfil,
fake ou não, partiu para o ataque contra palmeirenses da mais alta estirpe, eles todos sócios do clube, eles todos jornalistas, eles todos figuras de certa proeminência.
Hipoteticamente, tínhamos a seguinte situação: entrincheirado no Palmeiras, um rival atacava palmeirenses.
Daí que chegamos ao seguinte: há, neste antro de ignóbeis que é o Twitter (peço que confiram
este post), toda uma corja de inaptos, acéfalos e indigentes mentais que se puseram a defender o tal sujeito contra figuras de inabalável palestrinidade. Não entrarei nos exemplos, porque eles acabam por se resumir a uma parcela elitista, reacionária e higienista que infesta a coletividade alviverde e também porque a defesa interesseira que fizeram do referido perfil diz muito sobre o caráter e o procedimento dos envolvidos.
Digo apenas que uma
rápida pesquisa por alguns dos nomes que referendam a conduta do tal perfil (que se acreditava real) vai trazer como resultado uma corja que se encerra nela mesmo: há ali alguns que notoriamente deveriam estar presos há tempos; há os torcedores de ocasião, aqueles que têm pouca familiaridade com a arquibancada; há os projetos (bem toscos) de futuros políticos do clube; há os que não sabem bem porque estão ali; há os meramente mal intencionados; e há os que chafurdam vergonhosamente na própria ignorância. Em resumo, é um ambiente onde imperam a pobreza de espírito, a covardia e a indigência mental.
Dos nomes que foram atacados (pelo tal canal no Twitter e por gente que se diz palmeirense), conheço o caráter, a idoneidade e a abnegação. Do tal assessor (com ou sem perfil no Twitter), digo apenas que não se pode confiar em alguém que torce (e muito!) por um clube e se propõe a, sabe-se lá porquê, trabalhar logo no seu maior inimigo.
---
Não há meio termo nessa história. Não há como se manter indiferente. Ou se está com o Palmeiras ou se está contra o Palmeiras. Ou se está ao lado de uma gente elitista, racista e deslumbrada ou se está ao lado de quem é e faz a arquibancada. Ou se está ao lado de um rival ou se está ao lado do Palmeiras.
Cada um faz a sua opção. O tempo haverá de carregar o lixo para bem longe da rua Turiassu, 1840.
---
Despeço-me, por fim, cedendo a palavra a outro grande palestrino, o meu também amigo e guerreiro de arquibancada Felipe Giocondo:
"Não sou eu quem vou julgar as posições de um ou outro, muito menos prestar-me ao papelão de ficar aqui, gratuitamente, panfletando para profissional remunerado. Pouco me importa se o sujeito é ou não palmeirense, mas não posso achar correto que pessoas se coloquem contra os próprios apenas para ratificar pontos de vista os quais arvoram. Não é apenas deselegante, é a prova de que a vontade de estabelecer-se forçadamente como um "personagem" do Palmeiras sobrepõe o bom senso e - por que não dizer? - o próprio senso de ridículo. Colocar-se contra palmeirenses da estirpe de Galuppo é colocar-se contra o clube. Pois todos nós sabemos quem serão aqueles que enfrentarão o futuro do clube (por que torcemos sempre, independentemente de posição política), seja ele bom ou não. Todos nós sabemos quem está apenas de passagem, e não por não ser palmeirense - fato aliás, que condeno profundamente - mas por tratar o clube como, talvez, uma forma de desamarrar-se da rotina e angariar um pouco de status, quem sabe. O clube sobreviverá sempre e existirá sempre apesar de um ou outro desvio em sua trajetória, seja ela pelos mandatários ou pelos nomes que conduzem o dia a dia da instituição. Mas não se sustenta sem os alicerces sobre os quais fomos forjados, sem a dedicação e abnegação de muita gente que hoje se vê por aí, contestada por qualquer um. Pois eu digo a vocês, a cada um que usou este espaço gratuitamente para destilar um pouco da ociosidade do dia de vocês, pautados por quem sequer conhecem, que o futuro mostrará a todos nós quem, em um momento crítico, jamais renegou sua própria origem. E lamento já ter divido o mesmo espaço com vocês, seja aqui, em fóruns como esse, ou em minha casa."
###
Sujeitinho: imagino que você tenha aí o que eu escrevi para você anteriormente. Cada palavra é aplicável. Cada uma delas.