14 outubro 2013

Só mais 9 jogos...

















Não há muito o que se possa dizer sobre a magra e modorrenta vitória diante do Guaratinguetá Americana Guaratinguetá em Londrina/PR. Apenas que foi uma boa oportunidade para conhecer mais um estádio e que estamos cada vez mais perto de encerrar o martírio da Série B. Parece mesmo que tudo vai se encaminhando para um desfecho em casa, diante de um Pacaembu tomado, e é melhor mesmo que seja assim.

Sobre esta breve temporada no norte do Paraná, eu sinceramente esperava mais gente nos dois jogos: a julgar pelas quase duas décadas sem o Palmeiras por lá e pelo clima que tomou conta da cidade, não seria exagero pensar em públicos superiores a 20 mil pessoas. No entanto, deixando um pouco de lado os números, o time conseguiu se beneficiar do ambiente favorável que se criou.

Por fim, vocês bem sabem que costumo fazer análises detalhadas dos novos estádios que conheço, mas vou ficar devendo dessa vez. Se tivesse de fazer um breve resumo sobre o Estádio do Café, seria meio que isso aqui: é mais um campo – a exemplo de muitos que temos no interior de SP – que segue a fórmula de arquibancada escorada em um vale; guarda semelhanças com o Santa Cruz de Ribeirão Preto (seria ainda mais parecido se tivesse o anel completo) e com o Prudentão (pela altura da arquibancada).

Foi boa a opção e tudo mais, mas agora eu espero que os responsáveis por esta punição estúpida não voltem a complicar a vida de toda a torcida - e do clube.



10 outubro 2013

Redskins Nation

Não, eu não acompanho futebol americano. Mas, mesmo sem ter muita noção das regras do esporte e sem nunca ter visto um jogo inteiro da NFL, conheço, ao menos pelo nome, a maior parte dos times locais. Uns mais, outros menos, e o fator determinante para que um clube (dá pra chamar assim?) seja mais ou menos conhecido é o mascote – sim, porque os times por lá seguem sempre uma lógica: nome da cidade + mascote/símbolo. Vale para o basquete/NBA (Boston Celtics, Chicago Bulls, Phoenix Suns, Charlotte Hornets etc.), para o futebol americano/NFL (Miami Dolphins, Buffallo Bills, Atlanta Falcons, Chicago Bears etc.) e para as demais ligas (beisebol, hóquei e assim por diante).

De todos os 32 times que disputam a NFL, poucos são tão conhecidos quanto o Washington Redskins. Não pela cidade em si ou por seus feitos esportivos (que eu sinceramente desconheço), mas pelo simpático mascote: um índio pele vermelha.


















A essa altura, já consigo ouvir as vozes: “Barneschi, mas que cazzo isso tem a ver com o blog?”. Bom, tem muito a ver.

Pois vejam os senhores que há nos Estados Unidos uma pressão midiática para que o time mude de nome – e de mascote.

Por quê?

Porque há quem diga que Redskins (ou peles vermelhas, nomenclatura consagrada para definir os nativos do continente) carrega uma conotação pejorativa e ofensiva aos índios.

Eu não vou entrar no mérito da discussão, de verdade. Muito por não ter paciência, mas essencialmente porque me falta repertório para tanto - é uma questão que diz muito respeito a uma realidade histórica norte-americana (estão aí os bons e velhos faroestes que não me deixam mentir) e eu não quero enveredar por esse caminho.

Para quem tiver interesse, recomendo alguns links (todos em inglês):

Esta matéria da Sports Illustrated, principal publicação esportiva dos EUA, é um bom ponto de partida para entender o que se passa. A mesma revista registra que os torcedores do Redskins defendem a manutenção do nome.

O Huffington Post faz quase um panfletaço para tentar convencer a opinião pública sobre a necessidade de mudança do nome. Há uma série de vozes se levantando a favor da proposta. Não tenho muito como avaliar a representatividade dessas pessoas ou mesmo a ligação que elas têm com o esporte, mas suspeito que seja algo muito similar à realidade que temos aqui no Brasil.

Matéria do britânico The Guardian foca o debate na importância, para os torcedores do Redskins, de manter o nome e preservar uma história de 81 anos. O The Guardian também aponta, mostrando o quanto se trata de uma batalha midiática, que alguns jornalistas que cobrem a NFL têm se recusado a citar o nome Redskins. Ao que parece, o nome do time adquiriu subitamente, depois de oito décadas de existência, uma conotação racista.

O Washington Post tem uma extensa cobertura sobre o caso, mas merecem destaque a palavra de um importante articulista e mais as opiniões de internautas nesta página de pesquisa.

O NY Times mostra que até o presidente Obama resolveu palpitar.

Há até um verbete sobre a polêmica na Wikipedia - e aí dá para consultar outras fontes de informação.

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Pois bem, senhores, o que eu tenho a dizer é simples:

Se há de um lado uma campanha midiática (suportada por algumas ONGs) e de outro uma torcida, não há muito o que pensar sobre que lado escolher. Se existe um embate entre o politicamente correto e uma história que remonta aos anos 1930, a decisão é ainda mais fácil. Sei que isso parece fazer ainda mais sentido para uma torcida que, como a nossa, se deparou com uma suja campanha midiática que mudou o nome do nosso clube há 70 anos, mas é inegável que qualquer torcedor (de qualquer esporte) vai se sentir diretamente atingido por essa batalha contra o Redskins.

E então, para fechar, vale ler com muita atenção a carta publicada no site oficial do Redskins por Daniel Snyder, proprietário da franquia (sim, é essa a denominação por lá). Por pior que pareça o termo "owner", trata-se de um notório e apaixonado torcedor do Redskins. Não por acaso, seu texto defendendo a manutenção do nome é de uma louvável capacidade retórica, além de extremamente sofisticado do ponto de vista da estratégia: no lugar de eventualmente propor qualquer confronto com os supostamente ofendidos, ele busca mostrar que o nome é uma homenagem aos nativos americanos. Brilhante!

Se me permitem, vou extrair de lá algumas frases:

"Our past isn´t just where we came from - it´s who we are"

"On that inaugural Redskins team, four players and our head coach were Native Americans. The name was never a label. It was, and continues to be, a badge of honor."

"Washington Redskins is more than a name we have called our football team for over eight decades. It is a symbol of everything we stand for: strength, courage, pride, and respect – the same values we know guide Native Americans and which are embedded throughout their rich history as the original Americans."

"So when I consider the Washington Redskins name, I think of what it stands for. I think of the Washington Redskins traditions and pride I want to share with my three children, just as my father shared with me – and just as you have shared with your family and friends.

"After 81 years, the team name "Redskins" continues to hold the memories and meaning of where we came from, who we are, and who we want to be in the years to come."

"We are Redskins Nation... and we owe it to our fans and coaches and players, past and present, to preserve that heritage."

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Tomei conhecimento do assunto ouvindo a BandNews FM ("coluna" diária de Luiz Megale, correspondente em NY).

08 outubro 2013

"Veneno Remédio"

Não é por nada, meus caros, mas falta tempo para escrever no blog e também para reler alguns dos muitos livros que eu preciso indicar aqui. É o caso deste “Veneno Remédio”, de José Miguel Wisnik. Li há muito tempo, gostei bastante, mas já não poderia agora, sem uma releitura, fazer uma análise detalhada. Para não deixar de fazer a indicação, copio a sinopse da própria Companhia das Letras (a partir de link que possibilita também a compra do livro).




"Os estudos de grande abrangência sobre o futebol, ao abordar as questões políticas, sociais, econômicas e comportamentais em torno do esporte, costumam deixar de lado o essencial: o jogo em si, aquilo que faz dele uma atividade capaz de apaixonar bilhões de pessoas dos mais remotos cantos do mundo. 

O futebol, tal como foi incorporado e praticamente reinventado no Brasil, tem muito a dizer, com sua linguagem não-verbal, sobre algumas de nossas forças e fraquezas mais profundas, ajudando a ver sob outra luz questões centrais da nossa formação e identidade. 


Temas recorrentes na melhor ensaística brasileira, como a "democracia racial", o "homem cordial" e a deglutição antropofágica do influxo cultural estrangeiro, encontram aqui um viés inesperado e original como um corta-luz, um drible de corpo, um lançamento com efeito ou uma folha-seca - jogadas que os craques brasileiros inventaram ou desenvolveram, encontrando novos caminhos para chegar ao gol e à vitória. Lançando mão de um sofisticado instrumental crítico que bebe na filosofia, na sociologia, na psicanálise e na crítica estética, José Miguel Wisnik desce às minúcias do jogo da bola e de sua evolução ao longo das décadas. Nas páginas deste ensaio, craques como Domingos da Guia, Pelé, Garrincha e Romário põem à prova, com sua linguagem não-verbal, idéias sobre o país de escritores como Machado de Assis, Mário e Oswald de Andrade, sociólogos como Gilberto Freyre, historiadores como Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior. 


O futebol, em Veneno remédio, não é mero "reflexo" da sociedade, mas tampouco se desenvolve à margem dela. É, como mostra Wisnik, uma instância em que as linhas de força e de fuga do embate social e da construção do imaginário se apresentam de modo ao mesmo tempo claro e cifrado, como costuma acontecer com as expressões artísticas."


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O horário das 19h30 matou qualquer possibilidade de viagem para Londrina/PR hoje. Em sendo assim, só vai dar mesmo para ir ao estádio do Café na próxima sexta-feira, contra o Guaratinguetá. Por ora, deixo-os com a programação do Palmeiras nas próximas semanas (considerando apenas as rodadas já desmembradas pela CBF/Globo, com dias e horários definidos):

08/10, 3ª, 19h30 - Palmeiras x Figueirense/SC - Londrina/PR (28)
11/10, 6ª, 21h50 - Palmeiras x Guaratinguetá/SP - Londrina/PR (29)
15/10, 3ª, 21h50 - Icasa/CE x Palmeiras - Juazeiro do Norte/CE (30)
19/10, sab, 16h20 - Bragantino/SP x Palmeiras - Marcelo Stéfani (31)
25/10, 6ª, 19h30 - Palmeiras x São Caetano/SP - Pacaembu (32)

05 outubro 2013

O inimigo está dentro de casa (3)

Há ditos palmeirenses por aí que, seja lá por quais interesses, se colocam contra o próprio Palmeiras para defender um sujeito que, além de torcer pelo rival, tem graves falhas de conduta.

Não se pode esmorecer diante da absurda situação enfrentada durante esta semana e não podemos, os que defendemos o Palmeiras, desistir de uma luta que não permite concessões. Portanto, é dever de todo e qualquer palestrino se colocar contra essa figura débil que se infiltrou em nossas fileiras.

Deixo-os com o posicionamento oficial do Dissidenti sobre o caso:

























Vejam, pois, o impasse:

Permitiu a diretoria atual que um torcedor rival se infiltrasse na gestão do clube. Não se trata de um qualquer, mas sim de um reconhecido militante das causas de nosso inimigo. É um rival que já prestou inúmeros desserviços à Sociedade Esportiva Palmeiras (na época em que estava à frente do Painel FC, da Folha de S.Paulo) e que, entre outras coisas, foi durante um bom tempo assessor de comunicação da MSI (lembram disso?).

Pois este sujeito se dirigiu a palmeirenses (e sócios do clube) de maneira pouco respeitosa e ganhou, vejam vocês, o apoio de uma série de alienados, cretinos e acéfalos que se dizem palmeirenses. Sobre estas criaturas, elas se encaixam obrigatoriamente em um dos seguintes grupos: há ali alguns que notoriamente deveriam estar presos há tempos; há os torcedores de ocasião, aqueles que têm pouca familiaridade com a arquibancada; há os projetos (bem toscos) de futuros políticos do clube; há os que não sabem bem porque estão ali; há os meramente mal intencionados; e há os que chafurdam vergonhosamente na própria ignorância.

Quanto à diretoria da Sociedade Esportiva Palmeiras, não se tem notícia sequer de um pronunciamento oficial. Nada, absolutamente nada. Apenas silêncio. É bastante sintomático.

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O clube sobreviverá sempre e existirá sempre apesar de um ou outro desvio em sua trajetória. Mas não se sustenta sem os alicerces sobre os quais fomos forjados. Pois o futuro mostrará quem, em um momento crítico, jamais renegou sua própria origem. 

Ou se está contra o Palmeiras ou se está com o Palmeiras. Ou se está ao lado de um mentiroso ou se está ao lado do Palmeiras. 

Cada um faz a sua opção. O tempo haverá de carregar o lixo para bem longe da rua Turiassu, 1840.

02 outubro 2013

O inimigo está dentro de casa (2)

A gestão ora à frente da Sociedade Esportiva Palmeiras entendeu por bem trocar, no início deste ano, toda a equipe de comunicação a serviço do clube. Em princípio, não há nada de errado. É possível, isto sim, apresentar questionamentos e críticas à medida, mas a mudança em si é uma prerrogativa que cabe a todo e qualquer gestor que assume um clube, uma empresa ou seja lá o que for. À época, escrevi aqui sobre a alteração – e reitero cada palavra.

Como sabido e alardeado, a empresa que hoje responde pela comunicação do Campeão do Século XX tem como interface principal um jornalista que é, vejam os senhores, torcedor fanático do SCCP. A bem da verdade, o sujeito se apresentava, até hoje mesmo, como "diretor de comunicação da Sociedade Espotiva Palmeiras".






Tal referência foi suprimida de sua apresentação, mas era assim que ele, um ativo militante de causas diametralmente opostas às nossas, se autoproclamava. E era assim apenas e tão somente porque permitido pelo nobre mandatário da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Ou, se preferirem, temos a denominação um tanto mais empolada - como convém à gestão atual:





Eu bem disse, e repito, que o fato de o jornalista rival se dispor a assumir uma função estratégica no maior inimigo tem implicações claras do ponto de vista da análise que se queira fazer de seu caráter e/ou de sua índole. Meu pensamento seria idêntico se a situação fosse exatamente a contrária, com um palmeirense se colocando como porta-voz do rival da zona leste.

Cabe aqui um aparte: problema algum haveria se uma empresa presidida por um torcedor de outro time assumisse a comunicação do alviverde. Inclusive porque a discussão essencial diz respeito à capacidade de zelar pela imagem do cliente, no caso a S.E. Palmeiras. O problema é que o referido assessor se posiciona quase como um porta-voz da gestão, como se dela fizesse parte.

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Eis então que um perfil supostamente atribuído ao sujeito apareceu no Twitter em 28 de setembro último, sábado. Ao todo, foram cinco dias de agressões gratuitas - tão inadequadas quanto ignorantes - a palmeirenses que têm de arquibancada e de abnegada militância pelo clube mais tempo que o referido elemento deve ter de profissão.

Repito: foram cinco dias com o perfil no ar, período em que qualquer pessoa minimamente inteirada dos assuntos do Palmeiras acabou tomando conhecimento do assunto e das discussões decorrentes. Transcorrido todo esse tempo, o perfil foi excluído de maneira intempestiva, ao mesmo tempo em que subiu uma nota, aí sim assumidamente publicada pelo elemento em questão, dizendo se tratar de um fake. Os ataques deste mesmo personagem contra palmeirenses, no entanto, continuam no ar.

Atentem para o seguinte: foram cinco dias com o perfil no ar, com direito até a fotos do elemento (com agasalho do Palmeiras) na companhia do presidente e do CEO e, durante todo esse tempo, o sujeito não se pronunciou sobre o assunto! Foi preciso esperar esse intervalo todo para que o perfil no Twitter fosse excluído ao mesmo tempo em que subiu a tal nota no Facebook.

Uma discussão agora sobre se era ou não o sujeito esbarraria na falta de uma prova formal, de uma evidência irrefutável, de uma confissão do próprio. Ao final, cada um deixaria a contenda do mesmo modo como entrou. Questão de caráter. Da minha parte, bastaria a palavra que foi empenhada. Não posso dizer o mesmo do referido cidadão e, em sendo assim, não vou enveredar por esse caminho.

Vou, isto sim, fazer algumas considerações que dizem mais respeito a certa parcela de nossa torcida e menos ao tal sujeito.

Via de regra, foram atacados palmeirenses que têm feito algo que é considerado um crime pelo exército da austeridade: críticas à gestão. E, no caso específico do citado assessor, contestações ao fato de ele ocupar uma função para a qual não está habilitado - inclusive pelo evidente conflito de interesses. Nada que este blog já não tenha feito inúmeras vezes. Nada que não tenhamos feito todas as pessoas que vivemos o Palmeiras de verdade - e sem quaisquer interesses escusos. Nada que todos os palmeirenses vivos não tenham feito agora ou em tempos idos contra dirigentes os mais diversos.

Em não havendo como comprovar que os ataques partiram do referido assessor (ou ele pretende honrar a palavra empenhada?), a reflexão que se deve fazer é a seguinte:

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Estava no ar, para quem quisesse ver, um perfil que poderia ou não pertencer a alguém que, notório torcedor do SCCP, se intitulava diretor de comunicação da Sociedade Esportiva Palmeiras. Este perfil, fake ou não, partiu para o ataque contra palmeirenses da mais alta estirpe, eles todos sócios do clube, eles todos jornalistas, eles todos figuras de certa proeminência.

Hipoteticamente, tínhamos a seguinte situação: entrincheirado no Palmeiras, um rival atacava palmeirenses.

Daí que chegamos ao seguinte: há, neste antro de ignóbeis que é o Twitter (peço que confiram este post), toda uma corja de inaptos, acéfalos e indigentes mentais que se puseram a defender o tal sujeito contra figuras de inabalável palestrinidade. Não entrarei nos exemplos, porque eles acabam por se resumir a uma parcela elitista, reacionária e higienista que infesta a coletividade alviverde e também porque a defesa interesseira que fizeram do referido perfil diz muito sobre o caráter e o procedimento dos envolvidos.

Digo apenas que uma rápida pesquisa por alguns dos nomes que referendam a conduta do tal perfil (que se acreditava real) vai trazer como resultado uma corja que se encerra nela mesmo: há ali alguns que notoriamente deveriam estar presos há tempos; há os torcedores de ocasião, aqueles que têm pouca familiaridade com a arquibancada; há os projetos (bem toscos) de futuros políticos do clube; há os que não sabem bem porque estão ali; há os meramente mal intencionados; e há os que chafurdam vergonhosamente na própria ignorância. Em resumo, é um ambiente onde imperam a pobreza de espírito, a covardia e a indigência mental.

Dos nomes que foram atacados (pelo tal canal no Twitter e por gente que se diz palmeirense), conheço o caráter, a idoneidade e a abnegação. Do tal assessor (com ou sem perfil no Twitter), digo apenas que não se pode confiar em alguém que torce (e muito!) por um clube e se propõe a, sabe-se lá porquê, trabalhar logo no seu maior inimigo.

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Não há meio termo nessa história. Não há como se manter indiferente. Ou se está com o Palmeiras ou se está contra o Palmeiras. Ou se está ao lado de uma gente elitista, racista e deslumbrada ou se está ao lado de quem é e faz a arquibancada. Ou se está ao lado de um rival ou se está ao lado do Palmeiras.

Cada um faz a sua opção. O tempo haverá de carregar o lixo para bem longe da rua Turiassu, 1840.

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Despeço-me, por fim, cedendo a palavra a outro grande palestrino, o meu também amigo e guerreiro de arquibancada Felipe Giocondo:

"Não sou eu quem vou julgar as posições de um ou outro, muito menos prestar-me ao papelão de ficar aqui, gratuitamente, panfletando para profissional remunerado. Pouco me importa se o sujeito é ou não palmeirense, mas não posso achar correto que pessoas se coloquem contra os próprios apenas para ratificar pontos de vista os quais arvoram. Não é apenas deselegante, é a prova de que a vontade de estabelecer-se forçadamente como um "personagem" do Palmeiras sobrepõe o bom senso e - por que não dizer? - o próprio senso de ridículo. Colocar-se contra palmeirenses da estirpe de Galuppo é colocar-se contra o clube. Pois todos nós sabemos quem serão aqueles que enfrentarão o futuro do clube (por que torcemos sempre, independentemente de posição política), seja ele bom ou não. Todos nós sabemos quem está apenas de passagem, e não por não ser palmeirense - fato aliás, que condeno profundamente - mas por tratar o clube como, talvez, uma forma de desamarrar-se da rotina e angariar um pouco de status, quem sabe. O clube sobreviverá sempre e existirá sempre apesar de um ou outro desvio em sua trajetória, seja ela pelos mandatários ou pelos nomes que conduzem o dia a dia da instituição. Mas não se sustenta sem os alicerces sobre os quais fomos forjados, sem a dedicação e abnegação de muita gente que hoje se vê por aí, contestada por qualquer um. Pois eu digo a vocês, a cada um que usou este espaço gratuitamente para destilar um pouco da ociosidade do dia de vocês, pautados por quem sequer conhecem, que o futuro mostrará a todos nós quem, em um momento crítico, jamais renegou sua própria origem. E lamento já ter divido o mesmo espaço com vocês, seja aqui, em fóruns como esse, ou em minha casa."

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Sujeitinho: imagino que você tenha aí o que eu escrevi para você anteriormente. Cada palavra é aplicável. Cada uma delas.

O inimigo está dentro de casa

Uma análise pormenorizada está por vir - tudo a seu tempo, bem ao contrário da verborragia acéfala, canalha e indigente da corja que vem atentando contra tudo o que representa o Palmeiras. Por ora, deixo-os com a palavra do grande amigo Jefferson "Aragonez" Camacho. É um texto que já está pronto faz tempos (mais de mês), mas vem a calhar hoje. Aí vai:

“Mais um ano perdido. Em que pesem as mudanças pontuais, ouso dizer que a única coisa que mudou para valer – e MUITO – foi a nossa união. Nesse quesito, a gestão atual foi cirúrgica, e obteve gigantesco sucesso. Como diria Maquiavel, “dividir para governar”. 

Lembro do tempo que estávamos unidos num só pensamento contra a "corja", contra a maldita "velharada". Uma só voz pelas diretas e contra os mesmos nomes, as mesmas forças, as mesmas famílias, enfim, uma época que parecia ser possível realmente mudar alguma coisa na carcomida estrutura viciada do Palmeiras.

Hoje a luta mudou, está focada no “time dos pró” versus o “time dos contra”. A luta principal da torcida, que era mudar as estruturas medievais (e respectivos sobrenomes), foi abandonada. Não existe mais união entre os torcedores. Muito pelo contrário: divididos, eles se digladiam de todas as formas e em todos os canais, causando fissuras que só favorecem aqueles que sempre estiveram no poder, e que não querem que nada mude. 

A verdade é que tenho saudades dos tempos em que pelo menos nós, torcedores, estávamos unidos (megafone, passeata etc.). Bater de frente e quebrar o pau com as velhas forças era, por vezes, até instigante. No entanto, ter o tempo todo que bater de frente com outros torcedores como você, gente com quem inclusive dividimos a arquibancada (para dizer o mínimo), é triste, chato e termina por trazer o inevitável sentimento de cansaço. 

Parabéns à gestão atual e ao seu núcleo central de estrategistas: é forçoso reconhecer que, no quesito divisão, eles obtiveram enorme sucesso. Estamos cansados e divididos. As velhas forças estão mais vivas do que nunca.”

Jefferson “Aragonez” Camacho

01 outubro 2013

Londrina/PR

















Está de parabéns a diretoria do Palmeiras. Pode ter demorado, mas ela enfim tomou uma atitude pensando no torcedor.

Londrina/PR é, ao menos na opinião deste blog, uma decisão acertada. É uma grande cidade (mais de 500 mil habitantes), é o epicentro de uma região com enorme concentração de palmeirenses e, o mais importante, não recebe qualquer jogo do alviverde há 17 anos. Transformou-se, enfim, o problema em uma oportunidade.

Do ponto de vista pessoal (e um tanto egoísta, admito), eu bem preferia que os dois jogos fossem realizados em Campinas, em Itu, em Sorocaba ou em qualquer outra cidade a pouco mais de uma hora da capital. Porque aí daria para sair de SP e voltar logo depois de ver o jogo sem grandes transtornos.

Do ponto de vista do Palmeiras (e de seu torcedor), no entanto, esta é uma opção muito mais rentável e benéfica (em curto e em longo prazo). Porque, além de uma boa renda (o jogo de 1996 foi visto por mais de 23 mil torcedores), é justo considerar o benefício decorrente da aproximação com um contingente da torcida que hoje tem muito pouco contato com o clube.

Acima de tudo, faço questão de elogiar a diretoria porque a decisão parece ter levado em conta não as migalhas que costumam ser oferecidas pela Prefeitura de Prudente, mas sim a grande torcida que temos no norte do Paraná - e, para isso, nada melhor do que escolher a maior e mais importante cidade da região.

O Estádio do Café tem tudo para ficar lotado duas vezes em uma mesma semana. Infelizmente, calhou de os jogos acontecerem em dias úteis à noite - o que dificulta a viagem de torcedores das cidades vizinhas. Ainda assim, fica a expectativa de grandes públicos e de um ambiente todo favorável ao Palmeiras.

 

Para que o resultado seja o melhor possível (em termos de engajamento e de receitas), vale pensar em ações complementares. Nada muito elaborado - o tempo urge -, mas deixo algumas ideias:

_Ingressos a preços acessíveis: não adianta querer explorar o torcedor local - em especial porque serão dois jogos em horários pouco convidativos.

_"Venda casada": nem sei se é possível, mas talvez fosse o caso de oferecer algum desconto para o torcedor que comprar ingressos para as duas partidas na sequência.

_Ações de marketing: dá para aproveitar muito bem a recém-inaugurada loja do Palmeiras no Shopping Catuaí para realizar ações com ex-jogadores, por exemplo. É algo que poderia garantir uma adesão ainda mais expressiva por parte do torcedor local - isso sem falar nas vendas de produtos.

_Ainda sobre os ingressos, é importante que a venda para os sócios Avanti tenha início o quanto antes. Porque aí dá para abrir a comercialização dos bilhetes na cidade já neste final de semana.

_Como os dois jogos serão realizados à noite, uma boa forma de vender os bilhetes antecipadamente para torcedores de cidades próximas seria por meio de pontos de venda itinerantes. Se falta tempo para uma programação mais consistente, podem ser priorizadas as praças mais populosas: Maringá/PR (385 mil habitantes) desponta como a mais importante nesse sentido.

_Algum tipo de parceria com a Prefeitura da cidade, buscando uma divulgação mais ampla dos dois jogos - imagino que isso já tenha sido discutido desde o início das conversas.

_Vale considerar algum estímulo especial para as crianças que forem ao jogo. Pensem no efeito, em longo prazo, de um moleque de 10 anos que vai ter a oportunidade de entrar em campo com o time na sua cidade. Estamos falando de um torcedor para a vida toda. São situações como esta que reforçam o relacionamento entre clube e torcida.

Enfim, são só ideias...

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Eu já havia defendido muito tempo atrás a opção por Londrina/PR e um sujeito veio me perguntar que diferença existiria entre a cidade paranaense e Presidente Prudente/MS. Em quatro pontos:

-Logística
Saindo de SP em direção ao oeste paulista, chega-se a Londrina/PR após 530 km e a Presidente Prudente/MS após 560 km. Essa diferença de 30 km é enganosa, uma vez que as rotas se separam em Ourinhos/SP e então há uma distância de 160 km entre uma e outra. De carro, o tempo de percurso da capital até qualquer das duas é equivalente. Mas experimente fazer o mesmo trajeto de ônibus: a única viação que leva até Prudente/MS tem pouquíssimas opções de horário e você perde quase o dia todo na estrada; para Londrina, há ao menos três empresas e as alternativas são muito mais razoáveis. Por fim, a parte aérea: Prudente/MS é servida por três voos diários da Gol e outros três da Azul (a partir de Campinas) - havia antes um da finada Pantanal, mas a TAM eliminou de sua malha. Em Londrina, por outro lado, três companhias operam voos regulares: são nove rotas diárias da Gol (saindo de CGH ou de GRU), três da TAM (a partir de CGH ou de GRU) e mais três da Azul (de VCP).

-Tradição
De um lado, Londrina tem um time (agora em recuperação) que já disputou o Brasileirão algumas vezes e que tem certa relevância no cenário local. Tanto é assim que o Estádio do Café responde pelo maior público dos últimos cinco anos em jogos do Campeonato Paranaense (29.116 pagantes para Londrina x Coritiba, com direito a briga entre as torcidas). Do outro lado, a cidade de Presidente Prudente/MS vive mendigando a presença dos grandes clubes por lá e, sem história no esporte, vive situações como esta aqui.

-Estrutura
Prudente/MS, 218 mil habitantes, tem um enorme estádio perdido em um canto qualquer. Não há atrativo além da cancha em si e isso se traduz na falta de estrutura da cidade (notadamente em termos de hotelaria) para receber gente de fora. Londrina, por sua vez, é a segunda maior cidade do Paraná e epicentro de uma importante região do estado. Sua população, 537 mil habitantes, fica no meio do caminho entre as paulistas Ribeirão Preto, 649 mil, e São José do Rio Preto, 434 mil.

-Novidade
Ninguém mais aguentava ouvir falar em jogos do Palmeiras na maldita Presidente Prudente. Foram mais de dez nos últimos anos e os públicos eram menores a cada nova presepada de nossos dirigentes (tudo começou com Belluzzo, mas a gestão anterior deu sequência e a atual arrematou com mais uma partida). Da mesma forma, Ribeirão Preto ou Rio Preto não seriam novidade - o Palmeiras as visita quase todo ano. O mesmo se aplicaria a Itu, Jundiaí, Mogi Mirim ou qualquer outra das cidades com times na Série A. Era o momento de buscar novas opções, e, entre todas as que se apresentaram, Londrina acaba sendo a mais acertada.

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Como não vai dar para ver o jogo da terça-feira às 19h30, o jeito foi garantir lugar ao menos na segunda partida por lá, na sexta-feira. As passagens aéreas já foram compradas.

29 setembro 2013

Longe de casa

Não há muito o que dizer sobre o modorrento empate sem gols contra o América/RN. O time foi muito mal, o treinador, ainda pior, e o resultado acabou sendo o mais adequado para a fria tarde de sábado em São Paulo. Ao menos, se é que serve de alento, não fomos derrotados - algo que poderia ter ocorrido se não tivéssemos um bom goleiro. Por fim, seguimos na mesma toada, com amplas vantagens sobre o vice-líder e sobre o quinto colocado. Tudo como antes.

Mais importante que isso, no entanto, é observar o prejuízo que teremos com a perda absurda de dois mandos de campo e com o consequente acúmulo de seis jogos seguidos longe de São Paulo.

O camisa 10 escolheu bem os termos ao definir a decisão do STJD, este antro de vagabundos desqualificados, como "palhaçada". É isso aí mesmo. Porque o tribunal repete decisões equivocadas, desmedidas e desproporcionais em nome de um conceito torpe de justiça e não leva em conta que tais punições não têm qualquer efeito prático, porque não atuam diretamente sobre a causa dos supostos incidentes que estão sendo julgados.

Mas não é momento de entrar nesse debate. Quero me concentrar nos efeitos técnicos da decisão. Afinal, a campanha alviverde em sua casa provisória, o Pacaembu, neste 2013 é a melhor que o clube já ostentou como mandante desde o longínquo e inesquecível 1999.

Vejam abaixo os dados, que consideram os mandos de campo no Palestra entre 1999 e 2010 (até maio) e no Pacaembu entre 2010 (a partir de maio) e 2013:













Notem os senhores que uma vitória no último sábado teria colocado a campanha 'caseira' em 2013 como superior até mesmo à obtida em 1999 - e então seria necessário buscar o comparativo com uma trajetória ainda melhor, a de 1996.

Em que pesem a qualidade dos adversários ora enfrentados e mesmo o fato de já termos perdido seis mandos de campo neste ano, é de observar a ascensão no Pacaembu desde que teve início a reforma do Palestra (algo que eu já havia observado em abril deste ano).

Depois de um primeiro semestre de 2010 titubeante (mas com grande média de público, devida à Copa Sul-Americana e ao "efeito Felipão") na cancha municipal, o Palmeiras sofreu no biênio 2011/2012 com a constante indecisão da dupla de imbecis Tirone/Frizzo, dispersando seus mandos de campo entre Pacaembu, Canindé e Arena Barueri - daí o baixo número de jogos no Paulo Machado de Carvalho.

2013, no entanto, foi o ano da consolidação de uma única casa (mérito da nova gestão, conforme eu já registrei anteriormente) e então o Palmeiras disparou para um aproveitamento de quase 80% dos pontos no estádio municipal - as duas derrotas aconteceram em um tropeço inconsequente contra o Penapolense e depois contra o Tijuana. De resto, foram 18 vitórias em 25 jogos.

Agora partimos para um período de quase um mês longe de São Paulo, e a diretoria poderia levar em conta esta situação, o iminente retorno à Série A e também os muitos deslocamentos pelo país ao buscar uma solução adequada para definir o local destes dois jogos de punição que teremos de cumprir.

Se o prejuízo técnico parece incontestável, é de se esperar ao menos que a escolha de nossos dirigentes possa minimizar este impacto e permitir ao torcedor da capital o direito de poder viajar para ver o time em campo em pelo menos um desses dois duelos.

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_Para os que defendem austeridade sem colocar os pés na arquibancada, jogar em São Paulo ou em qualquer lugar do interior é a mesma coisa. Para quem vai a todos os jogos, no entanto, essa indefinição sobre o local é quase uma tortura. Porque disso depende boa parte da nossa programação de vida: viagens, passagens aéreas, pedidos de folga, deslocamentos intermináveis, horários ruins.

27 setembro 2013

Sobre vagabundos em geral

O Palmeiras foi punido com a perda de dois mandos de campo na Série B. O motivo? Uma briga bastante localizada entre dois pequenos grupos de torcedores - porque é necessário relativizar o ocorrido, não o equiparando ao que seria uma briga entre organizadas. Tal incidente se deu antes de Guaratinguetá/SP 1-1 Palmeiras, o primeiro julgamento se efetivou com a absolvição do clube, mas um certo vagabundo do STJD resolveu recorrer até conseguir, como agora, que o clube fosse punido.

Breves considerações sobre:

1. O STJD segue tomando decisões arbitrárias e desproporcionais - e estão de parabéns os jornalistas que tanto se esforçaram para conferir poder desmedido a este órgão tão nocivo ao futebol.

2. Igualmente arbitrárias e desproporcionais foram as duas punições recentemente aplicadas ao SCCP - totalizando seis jogos longe de casa. Ou seja: não se trata de perseguição a este ou àquele clube, mas sim de um cenário em que o tribunal perdeu todo e qualquer parâmetro e então passa a distribuir punições descabidas sem o menor critério. Tem-se uma política repressora sem que isso atinja da maneira correta os verdadeiros culpados.

3. São bastante conhecidos os responsáveis pela briga em Guaratinguetá - um deles, em particular. Em que pese o descompasso na decisão do STJD, é necessário apontar isso. Já não é a primeira vez que um pequeno grupo de vagabundos prejudica o Palmeiras.

4. Como a decisão do tribunal é irrecorrível, o Palmeiras vai completar seis jogos na Série B (de um total de 19) sem poder exercer o mando na capital paulista. Ou seja: um terço da trajetória fora de casa. Em outros termos: 13 jogos em SP e 25 jogos fora de SP. De novo: é necessário fazer algo contra os responsáveis.

5. Para piorar, as punições serão 'pagas' justamente em duas partidas noturnas, em uma mesma semana (terça ou sexta). Ou seja: fica ainda mais difícil sair de SP em direção ao interior para ver o Palmeiras. A depender do local escolhido, fica impossível mesmo.

6. Por favor, não repitam o mesmo erro de sempre.

25 setembro 2013

"A burrice agora é pública"

"A burrice era privada, mas agora é pública"
Bernardo Carvalho, escritor

Jornalista que sou, mantenho o costume diário de ler ao menos dois jornais, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, ambos na versão impressa (faço questão de esfregar o papel na cara dos deslumbrados que vivem de apregoar o seu fim). Assino estes dois jornais e mais cinco revistas mensais (igualmente impressas) - e vejo outros e outras tantas esporadicamente. Daí então que tenho o hábito de ler não apenas o noticiário esportivo (aos quais dedico cada vez menos tempo), mas todas as outras editorias. Não é à toa que, de tempos em tempos, aproveito aqui no blog algumas matérias e notas que não estão no radar da maioria.

Ainda assim, os senhores haverão de pensar que a frase que abre o post está deslocada, fora de contexto, talvez fruto de um engano ou algo do tipo. Longe disso. A frase em questão, publicada na Ilustrada (caderno cultural da Folha) do último sábado, é apenas a mais inspirada da entrevista concedida pelo escritor Bernardo Carvalho por ocasião do lançamento de seu mais recente livro, "Reprodução".

"Do que trata este livro?", os senhores haverão de perguntar.

Sugiro que leiam a entrevista que contém a frase e, para completar, uma breve crítica de "Reprodução". Para os menos pacientes, deixo-os com um elucidativo trecho retirado da orelha do livro: "...parece encarnar um típico (e problemático) personagem da nossa época: leitor de revistas semanais, comentarista de blogs (onde vitupera em caps lock contra as minorias), com um saber supostamente enciclopédico (graças à Wikipedia) e um éthos reacionário, encarna um tipo anti-intelectual que iria ganhar força em virtude do espaço relativamente livre da internet".

É como eu sempre digo: o espaço de comentários em portais de notícia é um antro de imbecis. Os de esporte, em especial. Os de política, de maneira mais nociva. Mesmo aqui, neste humilde blog, há os ignóbeis que eu preciso eliminar de tempos em tempos. Não é um fenômeno exclusivo deste século; o problema todo é resumido naquela única frase: "A burrice era privada, mas agora é pública".

Está aí o Twitter que não nos deixa mentir.

A essa altura, você deve estar se questionando o porquê de toda essa explanação em um blog de futebol. Pois é, boa pergunta.

A verdade, senhores, é que o lançamento do livro veio em bom momento, assim como a entrevista publicada na Folha de S.Paulo. Porque foi ainda na última semana que nos deparamos com alguns correligionários do exército da austeridade vomitando na rede os mais degradantes preconceitos. Coisa grotesca mesmo, nascida a partir de um pensamento reducionista, atrasado e, por que não dizer?, criminoso.

Daí que, contrariando resoluções que eu acabara de tomar, me flagrei perdendo preciosos minutos da minha vida para desmontar o sujeito - como se ele próprio já não tivesse se encarregado disso.

Estava com o texto quase pronto e desisti de publicar. E desisti porque simplesmente você vai lá e arranca a cabeça do sujeito para na sequência surgir outro igual a ele. Sim, o tipo em questão era cúmplice, por exemplo, daquele tipo reacionário, racista e elitista que foi devidamente dissecado aqui.

A indigência mental não tem limites, senhores. Bem ao contrário da minha paciência.

E se a burrice agora é pública, o mesmo se aplica à covardia. Os tipos em questão não passavam de covardes incógnitos antes; agora, no entanto, têm uma interface digital para tornar públicas a burrice, a indigência mental e a covardia.

Para finalizar, deixo-os com o posicionamento do Dissidenti, grupo ao qual eu pertenço, por ocasião das asneiras proferidas na semana passada por essa corja racista, elitista e reacionária. É tão atemporal quanto necessário:





















23 setembro 2013

Palmeiras 2-1 Sport

Em meio ao marasmo sem fim representado por esta maldita Série B, é preciso buscar algum tipo de motivação extra. Se a vitória sobre o Sport em um Pacaembu tomado havia sido um dos alentos da catastrófica campanha no Brasileiro do ano passado, eis que coube novamente a este adversário a tarefa de nos proporcionar uma vitória um pouco mais satisfatória.

Cumprimos a missão da tarde de sábado: afundamos o Sport e fizemos a nossa parte para sua permanência na Série B por mais um ano. Porque o roubo de que fomos vítimas no jogo do turno não poderia ficar impune.

Além da vitória, da larga vantagem e da proximidade do fim deste martírio, foi particularmente reconfortante neste sábado observar o pobre atacante reserva do Sport se aquecendo ali à nossa frente durante boa parte do segundo tempo. Bem perto da grade que foi quase arrombada em 2003, ouviu toda sorte de impropérios e acabou nem entrando em campo. Bem poderia ser a última vez que precisamos encontrar esse sujeito.

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_O camisa 11 fez dois gols. Se dependesse de alguns dos nobres e novos dirigentes à frente do Palmeiras, ele teria sido doado há questão de dois meses.

_Chegamos à 17ª vitória em 24 jogos, mas é forçoso insistir no seguinte ponto: nossa defesa sofreu mais um gol idiota, mas poderia ter sofrido outros dois ou três. Se o treinador não consegue resolver isso, é o caso de repensar o treinador, não?

18 setembro 2013

-15

Passamos por cima do Avaí com uma contundência ofensiva que destoa da fragilidade defensiva (até quando vamos aguentar essa zaga desprotegida pela falta de um bom primeiro volante?). Mas é forçoso observar o fato de um clube grande como o Palmeiras terminar o jogo com três pênaltis não marcados (dois deles acintosos) e com um impedimento que, se não anotado - como não deveria -, poderia resultar em gol. Portanto, o Palmeiras massacrou o seu adversário em Florianópolis, mas a vitória poderia não ter vindo em função dos erros grotescos de uma arbitragem temerária, de duas falhas (uma delas constrangedora) de um de nossos zagueiros e do fato de a zaga seguir constantemente desprotegida.

Ao menos neste último caso, a responsabilidade é toda do nosso treinador. Quanto às falhas dos homens da retaguarda, cabe registrar ainda que o empate de sábado em Belo Horizonte deve ser creditado ao camisa 3 - um zagueiro não pode nunca entrar em uma dividida com o pé mole. Por fim, os erros da arbitragem verificados nesta terça-feira são tão graves quanto a conivência dessas mesmas criaturas com as agressões de que foram vítimas nossos atletas (no sábado e na terça). Mas aí é evidente que a emissora de TV não terá nenhum comentarista de plantão para ligar desesperado para os vagabundos do STJD...

Faltam 15!

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Por falar em vagabundos, os da CBF enfim anunciaram o desmembramento das rodadas 25 a 29 da Série B. Eis, portanto, a nossa programação já conhecida:

28/09, sábado, 16h20: Palmeiras x América/RN - Pacaembu
01/10, terça, 21h50: Oeste/SP x Palmeiras - São José do Rio Preto
05/10, sábado, 16h20: ABC/RN x Palmeiras - Natal
08/10, terça, 19h30: Palmeiras x Figueirense/SC - Pacaembu
11/10, sexta, 21h50: Palmeiras x Guaratinguetá/SP - Pacaembu

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A notícia é:





















Pois bem, o que teria a dizer sobre isso o blogueiro que defende os clubes de empresa como se fossem a solução para todos os problemas? O que teria a dizer ele, com quem já discuti tantas e tantas vezes, para defender a existência dessas aberrações que se prestam apenas a satisfazer interesses empresariais momentâneos? E, dando sequência a isso, como defender o trabalho profissional do nosso nobre CEO agora que o seu grande projeto recente chega ao fim de maneira assim tão vexatória?

16 setembro 2013

Turiassu, 1840 (20)











Qual é a melhor pizza de SP?

A pergunta é difícil - há dezenas, talvez centenas, de respostas possíveis -, mas eu vou cravar a minha: Papa Genovese.

Não que eu seja especialista no assunto, mas é que nenhuma outra boa pizzaria desta metrópole poderia me proporcionar tantas e tão boas lembranças quanto aquela que outrora ocupava a esquina da Turiassu com a Cayowaá.

Porque foi ali, entre rodadas de chope que eu quase nunca pude aproveitar (a idade não permitia), carpaccios e infindáveis sabores de pizza, que eu senti o gosto de vitórias grandiosas e me dei conta de fracassos até hoje não digeridos.

Ali, minutos depois do jogo, tomava-se contato - por meio das então modernas telas planas de 29" - com as imagens pasteurizadas do que acabáramos de viver em toda a sua plenitude na arquibancada. Os nossos gols - e os dos adversários -, as falhas individuais, as grandes defesas, os muitos gols perdidos, o apoio da massa, os tantos roubos de que fomos vítimas dentro de casa...

Nas vitórias, a pizzaria parecia pular a cada gol, a cada lance de perigo, a cada lembrança boa que acabava de se consolidar em nossas mentes. Nas derrotas, lamentava-se os erros, os roubos, as más atuações. Entre margheritas, sicilianas e tantos queijos, cada momento voltava a ser vivido com a nitidez que nem sempre (ou quase nunca) existe no campo.

O curioso é que lembro com mais clareza dos insucessos e tropeços na Papa Genovese do que propriamente das vitórias. Não sei dizer o motivo, mas talvez seja o fato de as derrotas terem de ser digeridas, e então já se fazia tudo de uma vez, ali mesmo. Mas a coisa toda parecia mais propícia a um tom de lamentação tão particular do palmeirense: reclamar da substituição feita pelo técnico, maldizer o atacante que perdera um gol feito, já traçar o prognóstico para a rodada seguinte, acompanhar os minutos finais de um jogo de algum rival que começara mais tarde... tudo acompanhado por uma belíssima pizza, claro.

Tanto é assim que me recordo do comentário que meu avô fez em algum momento da madrugada de 17 de junho de 1999: "Você está tão quieto... nem parece que fomos campeões". Eu não soube explicar; mas é que lutamos tanto e foi tão difícil chegar àquele momento que eu troquei a felicidade por um alívio sem tamanho. O tamanho daquela vitória eu só viria a entender bem depois...

A partir da Papa Genovese, em especial daquela varanda lateral, era possível acompanhar a Turiassu se esvaziando devagar, a iluminação do Palestra persistindo por algum tempo, torcedores comendo os seus sanduíches de pernil, outros esperando o ônibus, o trânsito se dispersando lentamente, a madrugada tomando conta da metrópole, alguns bêbados isolados aqui e ali, o silêncio se fazendo notar... o gigante estádio Palestra Italia adormecendo pouco a pouco.

Até que um dia resolveram derrubar aquele lugar para construir uma loja de móveis. Errado, muito errado...

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Agradecimentos especiais ao meu tio, que sempre me levava para jantar lá depois dos jogos (foi quando eu aprendi a gostar de carpaccio e da pizza romana), e ao meu avô, pela companhia nas poucas e boas vezes em que vinha do interior para ver o Palmeiras.

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A imagem que abre o post evidentemente não é a ideal, mas parece não existir na rede nenhuma foto da fachada da Papa Genovese. Nenhuma. Em sendo assim, tive de apelar para a única imagem disponível, um informe que o grande mestre Ezequiel foi encontrar em um antigo tabloide do Palmeiras.

Se alguma boa alma tiver uma foto daquela tão saudosa fachada, peço que me envie, por favor.

12 setembro 2013

Em pé

A notícia, caso ainda não tenham visto, é: “Palmeiras sugere setor popular no Allianz Parque [sic], mas WTorre não deve acatar”

Eu poderia fazer uma longa explanação sobre o direito de ver um jogo de futebol em pé. Poderia, mas isso já foi feito por gente muito boa lá do Impedimento. Poderia ainda escrever um tratado sobre a cultura da arquibancada ou sobre os hábitos do torcedor de futebol. Poderia, por fim, fazer um post daqueles contundentes para colocar no devido lugar os responsáveis pelo crime que está para ser cometido. Poderia, mas não tenho mais paciência para gente obtusa.

Serei breve:

-É absurdo que o Palmeiras seja obrigado, dentro de casa, a se submeter a interesses nefastos. Mas o contrato, fica aqui a ressalva, foi assinado por outra gestão, e compete aos signatários o dever de explicar: (1) por que se permitiu tal submissão?; e (2) por que não se tomou, desde o início, a decisão de ter um setor sem cadeiras?

-Em tendo partido da gestão atual a reivindicação para um setor popular (e, portanto, sem cadeiras), registro aqui o meu reconhecimento: obrigado pela tentativa.

-Ao senhor Walter Torre (porque se ele dá nome à empresa, recai sobre ele a responsabilidade), tenho a dizer o seguinte:
Seja inteligente. Com ou sem cadeiras, ficaremos em pé. Quer você queira, quer você não queira. E aí, se você insistir na canalhice, sabe-se lá o que vai ser das cadeiras. Seja inteligente.

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Tomando emprestada a frase do Mauricio Brum lá no Impedimento:

"Quanto aos outros estádios, que desgraçadamente não têm arquibancadas previstas, talvez só nos reste dizer: vida longa aos construtores de Arenas, para que possam ver sentados o dia em que voltaremos a torcer em pé."

11 setembro 2013

Marasmo

Nem adianta esperar algo diferente: até o final de novembro, não vamos ter nada além do que vivemos na noite de ontem na cancha municipal. Refiro-me não só ao marasmo dentro de campo (nem mesmo um pênalti perdido com 0-0 no placar chega a incomodar), mas ao que tivemos do lado de fora também. Porque, ao contrário de 2003, não há agora o efeito "vamos levar o Palmeiras de volta". Porque, com os modorrentos pontos corridos e com quatro vagas em disputa, o Palmeiras já estava de volta antes mesmo de começar o campeonato. E aí, meus caros, o desinteresse dos historicamente menos presentes é inevitável, não faz muito sentido pagar R$ 40 para um jogo da Série B, os horários não ajudam... e um público de 9 mil pagantes é mais ou menos o que se pode esperar.

Alguém poderá dizer: "mas o Avanti agora tem um ranking para privilegiar os torcedores mais assíduos e isso estimula a presença em todas as partidas". Menos, menos... porque os que vamos a todos os jogos somos os mesmos de sempre. Já nos reconhecemos de longe e tal situação só pode mudar se tivermos um time bom e que esteja disputando decisões atrás de decisões. Mas...

Mas o Palmeiras/2013 abdicou de tudo o que poderia disputar e, com isso, já comprometeu mesmo o ano seguinte. Enquanto se comportar a gestão atual como se fosse a direção de um banco e enquanto pensarem os nobres dirigentes que vitórias e títulos pertencem ao terreno do "imponderável", nada disso vai mudar.

Acostumem-se, portanto, nos oito jogos que nos restam como mandantes até o fim do ano, a chegar ao Pacaembu meio que para cumprir obrigação e às vezes sem nem saber o nome do adversário (que diferença faz?). Preparem-se para ver um time que vai lá cometer seus erros e que talvez nem jogue bem, mas que invariavelmente vai chegar à vitória (foram 15 em 21 jogos no total, 7 em 8 no Pacaembu). Aí uma meia dúzia vai gritar o nome de chileno vagabundo daqui, a Mancha vai xingar uns e outros dali, e, bem ou mal, sobreviveremos todos a esse marasmo insuportável.

Faltam 17.