31 julho 2006

Um novo Palmeiras

Lançamento forte, bola perdida. Não para Edmundo, que corre e se atira para evitar a linha de fundo. De carrinho, deixa com Francis a missão de arrumar o escanteio. O gol vem no lance seguinte.

O novo alviverde imponente encontra tradução no malabarismo de Edmundo. Também na vibração de um Paulo Baier que se empolga com cada desarme. E em um Marcinho que faz valer o codinome Guerreiro a cada bola dividida.

Um Palestra de garra e de união. De uma molecada promissora, que só precisava ser lançada no momento adequado. Talvez agora.

O grupo mostrou força mais uma vez.

Uma noite especial.

Vitória incontestável, maiúscula.

Contra um adversário bem armado e perigoso.

Um Palmeiras que soube impor seu ritmo para abrir 2 a 0. E que reagiu ao roubo do pilantra disfarçado de juiz de futebol. Foi às redes mais duas vezes para garantir; mostrou quem era o grande em campo.

Nove pontos nos separam agora da Libertadores-2007.

Dá para sonhar.

Mas é válido, se o sonho não virar realidade até dezembro, o registro de cada bom momento do nosso ressurgimento.

O gol do Alceu, por exemplo.

Eis aí um daqueles lances para se orgulhar de ser torcedor de estádio; só quem está lá tem a dimensão do que significa acompanhar a viagem da bola do pé do jogador à rede. Uma sensação única. Indescritível.

Para mim, no entanto, mais bonito foi o segundo gol.

De gênio.

De um ídolo palestrino.

Que encerrará em casa uma carreira gloriosa.

A bola, que parte da linha de fundo, o procura.

Em progresssão, ele quase recua um passo. Arremate certeiro.

Nesse meio tempo, Edmundo, genial que é, descobre frações de segundo para dirigir o olhar em direção à arquibancada. É o bastante para mandar um “Chupa Luigi” antes de desferir o chute.

Golaço!

É um novo Palmeiras!

***

As malditas bolachas

Vale ainda tudo o que eu havia dito no ano passado: a promoção da Nestlé só é boa para os cambistas, que lucram até 500% na venda de cada ingresso. De resto, é ruim para os torcedores, para os clubes e para a própria multinacional suíça.

Já foram dois, mas ainda teremos mais três destes jogos:

10/09: Palmeiras x São Caetano/SP
15/10: Palmeiras x CAP/PR
12/11: Palmeiras x Botafogo/RJ

E mais: o Botafogo/RJ x Palmeiras do próximo dia 13 também é jogo Nescau. Espero que alguém reserve os nossos ingressos na bilheteria.

21 julho 2006

Pesos e medidas

O Santos já perdeu a conta de quantas punições sofreu devido à indisciplina de seus torcedores. Virou mania, de dois anos para cá, obrigar o time da Vila a disputar seus jogos com portões fechados.

O mesmo aconteceu com o SCCP, três vezes se não me engano. E com outros grandes clubes. O Palmeiras, inclusive. No Brasileirão-2005, jogamos contra o Atlético/PR diante de um Pacaembu vazio.

Por que fomos punidos?

Simples. Porque dois tipos resolveram invadir o campo - só para aparecer - durante um clássico contra o SCCP.

Dois, e não dezenas.

Dois que nada fizeram.

E fomos punidos.

Mas punição é algo que nem se cogita para invasões em massa.

Nem em Mogi nem no Morumbi.

Ah, se fosse o Santos...

Seriam 18 jogos com portões fechados.

Não em São Caetano ou Santo André....

... mas em Macapá, provavelmente.

16 julho 2006

Pra lavar a alma

1 a 0!

Não existe placar mais bonito no futebol.

Foi assim que lavamos a alma contra o SCCP.

Deu gosto, hoje como quarta, ver o Palmeiras jogar.

Obrigado, Copa do Mundo.

Temos agora um time guerreiro.

Que luta. E que vibra.


Falta brilhantismo, mas sobra raça.

Mais transpiração que inspiração.

É o que importa.

É só o que queremos.

É assim que gostamos de torcer!

VAMOS PALMEIRAS!

115

***

Maioria. De novo!

Maioria verde no clássico do Paulistão (18.989). E também no clássico do Brasileiro (15.048). Já são dois jogos seguidos. Ah, o nosso rival estava mal lá e cá? E nós não? Afinal, quem estava em pior situação antes do 1 a 0 desta tarde?


***

A culpa era do Palio?
Não sou um cara supersticioso. Mas acabei me deixando convencer pela teoria do Luiz, que exigiu que fôssemos ao Morumbi com o carro dele, e não com o meu. Alegação: se o Uno (2000-2003) foi o veículo de muitas alegrias nas idas e vindas daquele estádio maldito, o Palio (2003-?) só trouxe decepções.

Pois bem, o 1 a 0 de hoje à tarde seria suficiente para comprovar a teoria. Mas os números são ainda mais fortes. Entre 2003 e agora, o Palmeiras jogou 16 vezes no Morumbi. Foram 10 derrotas, cinco empates e apenas uma vitória (4 a 0 no SCCP em 2004).


Muitas lamentações. O retorno para casa foi quase sempre uma tortura. E bastou o Palio ficar longe para as coisas mudarem. Enfim, eu me rendo. Vamos sempre com o carro do Luiz. E eu nem me importo se tiver de agüentar as barbeiragens do nosso amigo ou os discursos do Maníaco. Tudo pelo Palmeiras!

12 julho 2006

A boa e velha rotina

As coisas começam a voltar ao normal. O futebol deixa de ser desrespeitado por bárbaros aproveitadores e retorna integralmente àqueles que o amam (e o entendem). Os oportunistas não deixam de existir, é claro, mas têm agora menos força do que no insuportável mês da Copa.

Até 2010, quando reaparecerão os mesmos oportunistas de sempre.

Vamos ao que interessa: o Campeonato Brasileiro.

40 e poucos dias de saudade. Voltamos a campo amanhã à noite. Sem contratações de peso, mas com esperanças renovadas. Primeiro porque não é possível piorar. Mas especialmente porque sobrou tempo para treinar (e entrar em forma). E porque temos agora Marcos, Nen, Juninho e Marcinho. Além dos tímidos reforços para compor o elenco.

Dá para acreditar em uma trajetória menos acidentada.

VAMOS PALMEIRAS!

***

Amanhã, 19h30, no lugar de sempre.

Domingo, 14h30, no Morumbi.

09 julho 2006

CAMPIONI DEL MONDO!


Falou mais alto o sangue italiano.

Sangue quente.

De 23 jogadores que atuam em casa.

Que cantam o hino.

E que honram a camisa.

Falou mais alto o sangue dos italianos.

Não só dos jogadores, mas do povo, único que é.

A Copa do Mundo é de quem a merece.

24 anos depois.

Uma bela decisão de Copa.

Pois final não combina com jogo bonito.

É mais vontade do que técnica.

Mais transpiração do que inspiração.

Mais raça do que habilidade.

E assim veio o tetra.

Sem estrelas.

Mas com alma.

Com garra.

Com sangue.

Com paixão.

Com amor à camisa!

Isso é futebol!

AZZURRA!
1934 – 1938 – 1982 – 2006

***

AVANTI PALESTRA!


Que o tetra em gramados alemães sirva de exemplo para que o nosso amado Palestra consiga renascer agora, quando tudo volta ao normal. Pois Itália é sinônimo de Palmeiras. Impossível dissociar uma coisa da outra. E o Palmeiras volta à rotina um pouco mais campeão.

07 julho 2006

Mania de conspiração




















Nada escrevi até agora sobre a Squadra Azzurra. Dois foram os motivos: falta de inspiração e respeito ao próximo adversário. Aguardemos, pois, a final de domingo.

Ficam a torcida e a constatação de que, com ou sem título, a vitória sobre a Alemanha é por demais grandiosa. Apoteótica. Daquelas que deveriam merecer uma sala especial em um museu do futebol. E só mesmo ele, o futebol, é capaz de algo tão grande.

A propósito: quem é parasita?

***

MANIA DE CONSPIRAÇÃO(é este o texto que dá título ao post. Deveria estar no alto, mas questões operacionais determinam a inversão)


Brasileiro adora uma teoria conspiratória. Tanto quanto não reconhecer as próprias deficiências e os méritos alheios. É aí que surgem absurdos que ferem os tímpanos (ou os olhos) das pessoas de bom senso. De certa forma, a atuação magistral de Zidane no último sábado deveria servir para o povo calar a boca. A França destruiu. Mereceu o resultado com sobras. E ponto.

Longe disso. O povo adora conspirar. E eis que, Zizou à parte, tem gente disposta a ressuscitar a pior de todas as teorias conspiratórias, a da final da Copa de 98. Teriam Zagallo e seus comandados sucumbido ao talento de Zidane? Ou foi tudo uma armação entre Nike, CBF e Fifa, com a conivência de algumas dezenas de pessoas, incluindo o Velho Lobo e alguns atletas honrados?

Só gente muito ignorante para propagar tal absurdo. São as mesmas pessoas que agora, frustradas com a derrota da 'imbatível' seleção de 2006, ousam estabelecer uma ligação entre a derrota no Stade de France e a provável Copa de 2014 no Brasil.

Por favor, não me peçam para reproduzir a história. Ela está rolando por aí, no mar de atrocidades que é a internet. E tem gente burra ao ponto de acreditar e até ampliar tamanha estupidez.

Não seria mais decente reconhecer que Zidane é um gênio?

Que o Brasil pode ser derrotado?

Que o adversário, qualquer que seja, pode ser superior?

Que o futebol, como a vida, é assim, cheio de altos e baixos?

De vitórias e derrotas?

Seria, é fato.


Mas o brasileiro não merece seus ídolos.

Nem os seus carrascos.

26 junho 2006

Scolari, o libertador da Europa

Luiz Felipe Scolari, Felipão para nós, ganhou o mundo. Bem ao seu estilo. Pouco importa se parar diante da Inglaterra. Pois o grande mérito de Big Phill não será levar Portugal às quartas, à semi ou mesmo à final da Copa. Isso é detalhe; o que conta é ser Felipão.

É comemorar cada gol como se fosse um título.

Catimbar, jogar a bola no campo, dar sumiço nos gândulas.


Invadir o campo, xingar, esbravejar, blasfemar.

Agir como torcedor. Profissional, é verdade, mas torcedor.

Ser latino e brasileiro.

Deixar o sangue ferver.


Felipão, ao contrário de outros tantos, não toma para si ares europeizados. Tampouco adota a fleuma típica de certos treinadores.

Em Nurenberg ou no interior paulista, ele é Felipão.

O mesmo que nos trouxe uma Libertadores.

E que levou a Libertadores à Europa.

Mais até, à Copa do Mundo.


Valeu!

***

*Até aqui, tudo bem nas oitavas. Passaram os grandes. Só faltam o Brasil e a Espanha (pelo bem do futebol, a França tem de ficar fora).

FORZA AZZURRA!

14 junho 2006

O lado ruim da Copa

Pessoas me encontram e querem saber o que eu achei da vitória do Brasil, qual é a minha opinião sobre os jogos da Copa, quem são os favoritos ao título. Fazem isso como se eu estivesse agora em êxtase, empolgado com o torneio que é sem dúvida o que existe de mais importante no mundo dos esportes.

Até estou. Mas não consigo colocar isso para fora. E a culpa é dos oportunistas de plantão, daqueles que “só gostam de futebol durante a Copa”. Gente assim impede que eu consiga manifestar todo o meu apreço por cada um dos 64 jogos (sim, até Arábia Saudita x Tunísia) do Mundial. E aí eu acabo represando o que sinto.

Faço essa introdução em respeito àqueles que ficaram assustados quando respondi onde iria ver a estréia da seleção brasileira: “No meu quarto”, disse. Ao que ouvi: “Mas sozinho?”. “Sim, sozinho”, encerrei.

Pois bem, é fato que eu não estou acostumado a torcer pela televisão. Meu lugar é no estádio, na arquibancada. Sou um torcedor na acepção do termo e não apenas um espectador. Não me sinto à vontade, portanto, para torcer à distância. Logo, não torço.

Se não torço, assisto ao jogo. Admiro, avalio, estudo. E tais ações são inconcebíveis ao lado de certas pessoas. Por quê?

Porque pessoas falam. E falam muito. Merda sobre merda. Palpites estúpidos, comentários inoportunos, análises idiotas.

Sou incapaz de manter a calma quando o futebol é vítima de quem não o compreende. De quem, sem saber porra nenhuma, julga ter direito a emitir opiniões. Pior: de quem não o quer bem, mas abre exceção durante um mês. É impossível a convivência entre estes seres e eu.

E é aí que chegamos ao meu quarto. Ele tem muitas qualidades. Tantas que eu seria incapaz de enumerá-las aqui. Mas uma se sobressai: ele me permite ficar distante das besteiras que são ditas contra o futebol.

***

O mundo não está perdido

Não estou só. Aliás, não estamos, pois sei que muitos leitores deste blog compartilham desta minha linha de pensamento. Deixo-os, por fim, com dois textos que complementam tudo o que escrevi acima.

1. Folha de S. Paulo (08/06/2006)
Coluna de José Geraldo Couto


Abaixo os ETs
Aproveitadores de plantão e torcida de última hora irritam amantes do futebol

O poeta e cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, católico e comunista, escreveu certa vez que na época do Natal desejava fugir da Itália e ir a um país não-cristão, para escapar do massacre da propaganda e do "espírito natalino" que, segundo ele, pervertiam o sentido religioso da data.

É mais ou menos isso o que sente o amante do futebol em tempo de Copa do Mundo. A overdose de imagens dos craques, a proliferação de bandeiras, a insistência monotemática da mídia e da publicidade, o patriotismo compulsório - tudo isso, que irrita quem não gosta de futebol, incomoda também quem gosta muito.

Nada desagrada mais ao torcedor aficionado do que ouvir de alguém a frase: "Eu não ligo para futebol, exceto na época da Copa". Invasores. Alienígenas. Gente que não conhece nem as cores dos principais times do país.

Em tempo de Copa do Mundo, o verdadeiro amante do futebol se sente acuado por uma massa de ruidosos diletantes, de amadores ineptos que caem de pára-quedas à beira das quatro linhas.

Quando o torneio finalmente começa, depois de semanas de oba-oba da mídia, temos pelo menos o consolo dos jogos propriamente ditos. Alguns são muito bons, outros são emocionantes e há até os divertidos, sobretudo na primeira fase, com tanto time ruim.

Mas o verde-amarelismo onipresente, a estridência dos locutores, a idiotice dos comerciais, o oportunismo dos políticos - tudo isso só consegue revoltar e causar engulhos em quem realmente aprecia essa arte performática.

Que não me entendam mal. Presenciar uma Copa do Mundo é uma experiência incomparável. Não estou, daqui do meu canto, dizendo que essas uvas estão verdes.

O problema é ver o futebol ser conspurcado, manipulado, inflado e saturado no chamado país do futebol. A bem da verdade, pouco me importa se o Brasil será campeão ou cairá fora na primeira fase. Só quero ver, se possível, no meio de tanto marketing e tanta politicagem, um pouco de bom futebol


2. Placar (Junho/2006)
O homem mais irado da cidade,
por José Enrique Aznar


A Copa é a maior invenção da humanidade. Sem ela, a vida não faz sentido. Até quem odeia futebol, em tempo de Copa, se envolve com o assunto. E é isso que me irrita. É um monte de Zé Mané palpitando, achando que entende alguma coisa...

Outro dia fui ao banco e uma senhora roliça pegou uma tabelinha que a mulher do caixa ofereceu:
-Ai, que dia o Brasil joga?
-Dia 13 estréia.
-Ai, é terça, que chato... E o outro?
-Não sei, tá aí na tabela.
-Ai, é dia 18. É domingo, dá pra fazer um churrascão... Porque com esse time é claro que vai ganhar, né? Ronaldo, o Kaká tão lindinho...
-Eu gosto do Raí. Ele vai?

Tive vontade de vomitar. Paguei a conta e fui pra casa. No caminho, vi um monte de gente com camiseta verde-amarela. Aposto que ficam dando palpite nos esquemas, mas a maioria não sabe do que tá falando. Nessa Copa vou me trancafiar e ver todos os jogos e mesas-redondas sozinho. E não vou botar o nariz na rua, porque meu ouvido não é penico, caçarola!

12 junho 2006

12/06/1993: o amor é verde!

Certas datas não podem passar em branco. É o caso do 12 de junho, inesquecível para a nação palestrina. Demorei a escrever porque estava sem boas idéias. E, como não queria reciclar textos antigos, terceirizo a função, que fica a cargo do nosso amigo corneteiro Luigi Pacifico, o primeiro a protestar contra o suposto atraso deste blog. É dele o texto abaixo.


Treze anos se passaram. Mas, se um título sempre é inesquecível, o que dizer do primeiro para muitos torcedores? Torcedores que, como eu, passaram a infância e a adolescência sofrendo, sendo humilhados pelos adversários, mas que ao contrário de muitos outros, que acharam mais fácil mudar de time e torcer por um clube sem alma, sem passado somente por aquele era o time da moda, sabiam que o momento ia chegar, que o amor por um clube não é baseado em títulos, mas sim na sua história, na sua dignidade, na sua honra.

E o dia chegou...
12 de junho, dia dos namorados.

Para nós, nada é maior do que o nosso amor pelo PALMEIRAS. E nesse dia estávamos ali, comemorando mais um ano de amor pelo nosso clube. Amor que por 17 anos de sofrimento carregou dentro do peito um coração destroçado pela dor, mas sempre apaixonado, cada vez mais...

E qual dia seria melhor para que o nosso coração PALMEIRENSE expulsasse aquela dor do peito? Dia dos Namorados.

Depois de uma semana cheia de provocações... (é o que melhor eles sabem fazer... falar antes...), veio o grande dia...

Morumbi lotado, 104.401 torcedores.

E eles tinham vencido o primeiro jogo da final com um gol de Viola, que comemorou imitando um porco. Pagaria um preço muito caro pelo gesto...

Falar do jogo é a coisa mais fácil. Nunca houve tamanha pressão de um time sobre o outro numa final, foi do começo ao fim, poderíamos ter feito um gol com apenas um minuto de jogo, mas aí seria muita humilhação...

Zinho, Evair, Edílson... 3x0 no tempo normal, mas não era suficiente.

Faltava a prorrogação. Nos 30 minutos finais, segundo o regulamento, a vantagem do empate era nossa. Isso é coisa de time pequeno...

Depois de 17 anos, o empat
e na prorrogação era pouco, muito pouco...

9 minutos: Edmundo é derrubado na área... Pênalti!

Milhões de corações num pé direito...
Pé direito que nunca nos decepcionou, nem dessa vez...

“Gol, gol, gol...
gol do Evair!
PALMEIRAS campeão,
Vai cair o morumbi...”

Milhares de pessoas desconhecidas se abraçando como se fossem irmãos, pais e filhos chorando por poder comemorar um título juntos, jogadores que incorporaram o espírito palestrino...

Foi lindo, especial, como nenhum outro clube consegue ser...

Naquele 12 de junho de 1993, o Morumbi viveu a sua maior noite de amor entre um time e a sua torcida. Passaram-se 13 anos daquele inesquecível título, e ainda continuamos do mesmo jeito, apaixonados.

E hoje, 12 de junho de 2006, Dia dos Namorados, temos somente uma coisa a dizer, uma coisa que sai da alma, do fundo do nosso coração:

PALMEIRAS, eu te amo!!!


06 junho 2006

06/06/06: o 6° aniversário















A última grande alegria dos palmeirenses veio em um 6 de junho. Seis anos atrás. Como hoje, era terça-feira. 

Mal sabíamos o que viria depois. Estaríamos pagando desde então o preço daquela vitória? Se sim, vale a pena. Não é justo, mas vale a pena. 

Pois a alegria que senti ao ver o chute de Marcelinho parar nas mãos de Marcos vale por anos de sofrimento. Talvez por todos os últimos cinco. Eventualmente pelos próximos. 

Esta, a defesa de São Marcos, foi a derradeira. Mas não a única felicidade daquela noite. Houve o gol de Euller. Esquisito, com chute para o chão. Bola desce, bola sobe. É gol! Também a força que tiramos sabe-se lá de onde para empurrar um time que, inferior e perdendo por 2 a 1, precisava de dois gols para levar a decisão para os pênaltis. Das gargantas de uma minoria saiu o grito que empurrou à vitória 15 guerreiros verdes. 

Poucos acreditavam. Só nós. 

Houve Alex, preciso e magistral. E Galeano. Um gol impossível. 

Se sobrevivi à tamanha tensão nas arquibancadas nada acolhedoras do Morumbi, não morro mais deste mal. Pois os minutos que separaram o apito final de Edílson Pereira de Carvalho (sim, ele comandou os dois jogos) e a cobrança de Marcelo Ramos, a primeira, foram criminosos. Mais do que os do título de um ano antes. Mais do que os da final que se seguiu após o 6 de junho. Mais do que qualquer outro. 

E os pênaltis... Nove. Cobranças e gols. 5 x 4. O que veio depois é história. É orgulho. Para contar aos filhos, netos e bisnetos. Para encher o peito e proclamar: “Eu estava lá. Eu vi. Eu venci!” Um momento único. Seis anos... 

***

 A maior vitória

Não foi o 12/06/1993. Tampouco o 12/05/1999. Nem o 22/12/1974. Nossa maior vitória sobre eles foi esta de 2000. Não pelo que significou em termos práticos. Nem pela nossa alegria. Mas pela dor que eles sentem até hoje. 

***

Dá pra acreditar? 

Marcos; Rogério, Argel, Roque Júnior e Júnior; Sampaio (Tiago Silva), Galeano, Alex e Pena (Luís Cláudio); Euller (Asprilla) e Marcelo Ramos. Luiz Felipe Scolari. E nós ainda achávamos que esse time era fraco... 

04 junho 2006

Bendita Copa do Mundo

Sérgio;
Amaral, Daniel, Thiago Gomes e Márcio Careca;
Alceu, Roger Bernardo (Reinaldo), Wendel e Michael (Roger);
Alex Afonso e Enílton (William).

Eis o provável pior conjunto de jogadores entre todos os que já defenderam o Palmeiras em um jogo oficial.

Mesmo com tanta ruindade, o catadão aí de cima não merecia perder. Pois pressionou o Atlético/PR. Fez por merecer não apenas um, mas talvez dois gols. Teve contra si um goleiro em tarde inspirada, que pegou tanto as boas quanto as (muitas) más finalizações.

Mas teve, acima de tudo, azar.

Virou rotina, é fato. Mas não a ponto de levarmos um gol de queixo. Menos ainda em decorrência de uma falta que não existiu.

Tudo conspira contra.

Se tivessem estes cidadãos a oportunidade de envergar a gloriosa camisa verde por um dia inteiro na Arena, certamente voltariam para São Paulo sem terem levado a bola à rede. Teriam sido desperdiçadas as 237 situações de gol possivelmente criadas. Do outro lado, Sérgio teria oferecido pelo menos 40 rebotes para o meio da área.

A Copa do Mundo vem em boa hora.

Pois não é possível piorar.

Resta saber se haverá competência para melhorar.

***

O coveiro Tite

O treinador 1-0-4 enterrou o time novamente. Com o mesmo erro. Se o de quarta foi substituir Edmundo, o de agora foi afastar aquele que é um oásis de lucidez em uma equipe acéfala.

Um atentado ao futebol.

A se confirmarem boatos descabidos, cabeças haverão de rolar.

***

Perguntas sem resposta

*Por que Washington é afastado por deficiência técnica e Enílton não?

*Por que ressuscitar Alex Afonso?

*Será que o Ricardinho é assim tão ruim nos treinamentos?


***

Por fim, fica a recomendação para que todos conheçam a nova sede da Mancha, inaugurada ontem.

29 maio 2006

Torcida ao pé do ouvido

Adianta falar sobre o que vimos ontem à noite no Palestra?

Evitarei perder meu tempo atrás de respostas. Poupo assim os olhos dos que ainda têm coragem de entrar aqui em busca de lamentações e indignações agora bissemanais. No lugar de desabafos rancorosos, desesperados e repetitivos, deixo-os com um texto publicado na Revista da Folha de ontem, que abriu espaço nobre para memórias de aficionados por futebol. No caso (que dá título ao post), de um torcedor da Associação Portuguesa de Desportos.

A conclusão fica por conta de cada um.


Torcida ao pé do ouvido
por Jorge Caldeira

As arquibancadas do Canindé são, cada vez mais, parte de um universo paralelo, algo baço e irreal que sobrevive numa dobra do tempo, num ponto do espaço que todos sabem onde fica mas ninguém consegue chegar. Falo delas por experiência, garanto que existem; e no entanto tenho a impressão de estar sendo lido como se tudo fosse a mais pura ficção. Mas não. São fatos, e vamos a eles: estive lá na última terça-feira, dia de frio e chuva.

Tenho poucas testemunhas, é verdade: meu filho Júlio e seu amigo são-paulino, o Banzo. Em tempos usuais, poderia ter mais. Meu pai, Jorge Alberto, não foi desta vez (mas vai sempre de terno e gravata, pois em jogos de meio de semana sai direto de seu consultório de oculista, levando guarda-chuva e galocha em sua pasta de couro) porque estava viajando. A ausência importa para a história. Em sua companhia vamos sempre para as cativas, inapelavelmente vazias.

As arquibancadas do Canindé, creiam, são freqüentadas. Alguma coisa em torno de umas 200 pessoas nessa noite. Todos de pé, para evitar o cimento molhado. E, para evitar o pior, a solidão, a trupe se junta atrás do gol onde a Portuguesa ataca. Aqui se entra em outra dobra. Ao contrário das arquibancadas normais, onde a presença se alonga no tempo e se comprime no espaço das pessoas grudadas, ver um jogo da Lusa é uma experiência peripatética: andar de um lado para o outro durante o jogo faz parte do programa.

Outra característica própria das arquibancadas do Canindé é a relação sentimental que liga os torcedores ao time. Com o perdão da expressão de inveja, qualquer imbecil pode torcer para um time grande. Mas é preciso um laço de outra espécie para estar na arquibancada de um time que mais perde que ganha, onde as horas amargas são inevitáveis. Faz parte do ritual de caminhadas do Canindé que, sentindo a derrota, metade da torcida parta em longas excursões até o outro lado do estádio, para xingar a diretoria.

Felizmente não foi o caso desta terça, onde apenas se ouviram alguns "senãos" depois que o Marília empatou. Ao contrário do usual, havia até uma certa confiança no time. Como se trata do Canindé, tal confiança se traduzia em silêncio, pois a gritaria de estádios comuns fica reservada para as horas piores. Tamanho era o silêncio que o são-paulino Banzo não suportou: passou a berrar para incentivar o time, como se estivesse no Morumbi. Conheceu outra faceta das arquibancadas do Canindé: seus gritos eram ouvidos pelos jogadores, assim como os gritos dos jogadores são ouvidos pelos torcedores.

Tudo no Canindé é comunicação pessoal, algo inteiramente desconhecido em estádios triviais. Mas isso é algo íntimo, que talvez não consiga explicar nem com recurso à imagem da televisão. Em tempos de globalização, o jogo foi gravado, e talvez até a torcida. O problema é que a imagem engana. Visto pela televisão, um jogo no Canindé se parece com outro no Maracanã ou no Camp Nou. A tela não mostra o que se passa de fato. Sei o que estão pensando: talvez a arquibancada do Canindé não exista. Ali, vida é sonho.


Jorge Caldeira, 50, é sociólogo, paulistano e torcedor da Portuguesa. Autor de, entre outros, "Mauá, Empresário do Império" (ed. Companhia das Letras) e "Ronaldo - Glória e Drama no Futebol" (ed. Editora 34).

***

Exterminadores de tabus

Perdemos para o Grêmio na nossa casa.
Fato inédito em quase 70 anos.

Era o último grande sem vitória no Palestra Itália.

Mais um tabu que é exterminado sem dó.

Menos um.

Qual vai sobrar?

18 maio 2006

Ah, o mata-mata...


















Enquanto o Brasileiro segue em seu marasmo pré-Mundial, os torneios eliminatórios empolgam. Não preciso nem apelar para a grandiosidade por trás uma final de Champions League; fico com a nossa Copa do Brasil mesmo. Clássico estadual, Maracanã (ainda capenga, mas sempre Maraca), dois grandes jogos, rivalidade. Nada pode ser melhor.

Os 180 minutos de Vasco x Fluminense valem mais do que todos os 380 jogos necessários para definir um campeão em pontos corridos. Por que então disputar 38 intermináveis rodadas se o que interessa mesmo é o confronto direto? Por que tanta enrolação?

Dá-lhe Vasco!
Foi bonito!

***

Se der a lógica, teremos a primeira final decente de Copa do Brasil desde 2003. E tem tudo para ser a melhor da história. Não só por colocar em jogo 10 títulos nacionais, mas por ser a primeira vez que o campeão sairá de um clássico estadual.

Vou me programar para ir ao Maracanã no segundo jogo!

***

À espera de um milagre

Legal, temos um treinador. Dentro do possível, Tite era o melhor nome. Mas será que ele está pronto para fazer milagres?

Ainda sobre o Palmeiras:
Não admito o fato de negociar com rival. Mesmo se for para mandar uma bomba do tamanho do Lúcio para o outro lado do muro. Nem assim. Até porque, do jeito que eles têm sorte, é capaz de ele jogar bem...

04 maio 2006

A dignidade que faz mal

Sim, caímos de pé.
Com dignidade.
Em combate.
Lutando até o fim.

Mas caímos. E a dignidade que nos serve de alento é a mesma que amplia a dor. Que causa um estrago ainda maior. Pois a disparidade técnica entre as duas equipes não se fez assim tão clamorosa. Houve certo equilíbrio. Que trouxe esperança a um clássico de detalhes.

Sim, porque o nosso gol foi tão detalhe quanto o do adversário. Já fora assim no Parque. E os detalhes - malditos sejam - determinaram todo o jogo.

O definitivo veio dos pés de quem não poderia interferir. Um desarme de juiz. Um juiz armador. De confusões, mas também de jogadas. O desarme virou passe. Contra-ataque. Arrancada. E invasão da área.

Se foi pênalti? Eu daria. Vi só uma vez, mas estava de frente para o lance, atrás daquele gol. Na base do impressionismo, foi. Mas a mente já estava distorcida. Mais ainda a visão. Quem viu sem o olhar passional, é enfático: não foi pênalti. E quem sou eu, cego torcedor de arquibancada (ou cadeira ontem), para discordar?

Faltou discernimento a quem mais precisava.

Pênalti ou não, fato é que tudo começou errado. Dos pés de quem deveria ser neutro. Interferência maior não pode haver.

A esperança desabou por um mero detalhe. Centímetros. Um toque na bola e a história se repetiu. Como farsa ou tragédia, tanto fez. Não faltaram os requintes de crueldade. Restou a dignidade.

Mas, afinal, vale a pena perder com tamanha decência? Não seria melhor uma derrota contundente, sem margens para contestação? Sem honra, não seria menor o abalo psicológico?

Certeza, apenas uma: os deuses do futebol não existem - eu me enganei esse tempo todo. Se existissem, não teriam permitido tamanha injustiça. Tampouco a onipresença da sorte do nosso adversário.

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Quanta incompetência!
O 2º Batalhão de Choque é realmente incapaz de organizar qualquer tipo de evento. Segurança? Ah, pra quê? Os torcedores? Que cheguem atrasados. Que fiquem confinados no estádio até 1h15 da manhã. Que não tenham como sair pela rampa do amarelo. Que sejam obrigados a pular pelo placar - e que ainda apanhem por isso. Que sejam tratados como bandidos.

Fica aqui uma sugestão aos responsáveis pela escolta de ontem: basta um mapa de ruas para qualquer um saber que o caminho que vocês fizeram é simplesmente estúpido. Além de ser uma pilantragem com a gente, é claro. Tomem como exemplo o que aconteceu no ano passado, quando chegamos e saímos sem qualquer problema. Custava repetir o mesmo esquema?


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Recesso
Este é o último post do mês de maio. Entro em recesso, pois não quero permitir que tanta desgraça afete ainda mais a minha vida. Cumprirei a obrigação de comparecer a todos os jogos e incentivar o Palmeiras seja qual for o momento. Mas só isso. Não quero saber de imprensa babaca, indefinições sobre o novo técnico ou besteiras da diretoria. Tampouco de declarações infelizes, defuntos que escapam do túmulo ou coisas do gênero.

Preciso de distância. Vou apenas e tão somente a todos jogos - por mera obrigação. Sem comentários, debates ou discussões.

Estarei domingo em São Caetano. Também no Parque contra Cruzeiro, Santa Cruz e Grêmio. No meio, o SPFC de novo. Mas não escreverei uma linha sequer. Para o meu próprio bem.

03 maio 2006

LUTAR E HONRAR A CAMISA! ATÉ O FIM!

Pelo menos uma vitória é certa no dia que agora se inicia. E ela caberá aos destemidos guerreiros que acreditam no improvável. Que confiam não nos homens que ora nos representam, mas na camisa alviverde, de força inabalável.

A vitória caberá aos guerreiros que se mostram dispostos a empenhar a própria vida por um ideal. Que dedicam tudo o que têm por um amor, por uma bandeira, por um símbolo. Que se apegam à história para superar as mazelas de um presente pouco glorioso.

Lá estarão os guerreiros alviverdes. Muitos. Ou poucos. Mas lá estarão. Dispostos a tudo. Cantar. Pular. Vibrar. Chorar. Enfrentar a multidão do outro lado. Defender o manto alviverde.

Dentro de campo, pode até não vir a vitória. Pois ela não depende só de nós. Se dependesse, seria até covardia.

Peço desculpas se me forço agora a copiar as palavras de um post anterior, mas o fato é que o sentimento que me move é o mesmo de uma semana atrás. E eu sinceramente não seria capaz de escrever coisa melhor. Fica a mensagem final para mais este clássico decisivo:

Não é hora de esmorecer.
O momento é de união. De fé.

A fé que tiramos sabe-se lá de onde. Que vem repleta de irracionalidade, mas essencialmente de amor. Do mais puro amor. Do sentimento mais belo que pode existir por um clube, por um símbolo, por um ideal. A fé que nos leva a acreditar no inacreditável. Que nos leva a considerar possível o que não é. Que nos leva a sonhar com o irreal.

Sim, podemos morrer.
E é o mais provável.
Mas morreremos juntos.
Lutando.
Com dignidade.

Morreremos no campo de batalha.
Contra o pior inimigo.
De pé.
Amando.
E odiando.

Mas podemos também renascer...

O futebol nos permite sonhar.
Mais do que ele, o Palmeiras.

O Campeão do Século.
O maior entre os maiores.
O grande Palestra Itália.

Aquele que nunca fugiu à luta!
E que nunca o fará!

Será - se tiver de ser - um renascimento tão belo quanto a história que emoldura nossas poucas, mas sinceras, esperanças.

Difícil acreditar, mas faremos a parte que nos cabe.

Perservar!
Lutar!
Não desistir!
Resistir!

Porque nós somos Palmeiras!

E enquanto houver Palmeiras, haverá esperança!

À BATALHA, GUERREIROS!

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Caravana da Mancha
Saída da Turiassu: 19h
/ R$ 10

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Olê, Olê...
Oleeeeeee, olê, olê
Eu canto
Eu sou Palmeiras até morrer!!!

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Aos que fogem à luta,

Deixar de ir à batalha de hoje é se acovardar. Pode parecer exagerado, eu reconheço, mas fica aqui um breve diálogo bélico extraído de Braveheart (1995). Na batalha de Stirling, algumas centenas de escoceses devem entrar em combate com milhares de ingleses. Com as devidas adaptações, vale a reflexão:

Guerreiro 1: We didn't come here to fight for them.

Guerreiro 2: Go home, the English are too many!

William Wallace: You´ve come to fight as free men, and free man you are. What will you do without freedom? Will you fight?

Guerreiro 1: Against that? No, we'll run, and we'll live.

William Wallace: Aye, fight and you may die! Run, and you will live. At least for a while. And dying in your beds many, many years from now, would you be willing to trade all the days, from this day to that, for one chance, just one chance, to come back here and tell our enemies that they may take our lives, but they'll never take our freedom!