21 novembro 2011

2011 ainda não acabou



"Poucos sentimentos na vida são tão bons quanto participar ativamente de uma vitória fora de casa. Só entende isso quem já foi visitante contra um estádio lotado, quem já encarou uma multidão na base do grito e do amor pelo clube. Só entende quem deixou a sua cidade e seguiu até a cancha do adversário para arrancar a vitória e trazer três pontos para casa.

Ser visitante é dos maiores prazeres que eu tenho como torcedor. É se reconhecer como minoria e ter de cantar por todos os que não podem estar junto. É ser a voz de milhões de torcedores em um pedaço de cimento isolado por grades e cercado por inimigos. É estar ao lado do time não porque você acredita na vitória, mas porque sabe que precisa estar ao lado dele quando a derrota parece ser o mais provável. É representar uma nação, é ser a massa em tão poucos, é empurrar o time contra tudo e contra todos. É sofrer com a polícia de outro estado, com o cenário adverso, com as pressões e agressões que vêm de todos os lados.

É, em minoria absoluta, calar todo um estádio. Poucas coisas na vida podem ser tão boas quanto silenciar a maioria adversária.

A vitória, quando vem, toma uma proporção enorme, capaz de curar as mágoas de partidas anteriores e de criar ilusões que, por mais que possam cair no jogo seguinte, se sustentam ao menos até a próxima rodada. A volta para casa é repleta de satisfação. É o sentimento de um guerreiro que vai para uma batalha distante e retorna para casa com o inimigo a seus pés. Ninguém pode tirar isso do coração. É ir, vencer, representar todos os amigos e os guerreiros de arquibancada e voltar sabendo que será recebido como um vencedor."

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São tantos os assuntos depois da viagem a Salvador que eu nem sei por onde começar. E o tempo escasso, aliado ao cansaço depois de chegar a SP no meio da madrugada, provavelmente vai me impedir de fazer isso da maneira adequada. Em sendo assim, é o caso de reproduzir o texto acima (originalmente publicado em 16.09.2010), até porque ele assumiu um caráter definitivo, capaz que é de ilustrar todas essas grandes vitórias em jornadas bem longe de casa.

A de ontem teve um pouco de tudo que está lá no alto: estádio lotado, caldeirão, torcida inflamada, um ambiente hostil para o time - ainda que tranquilo para a torcida, dentro e fora do estádio. Parecia improvável acreditar em um triunfo, mas ele veio. E a sensação de voltar para casa trazendo os três pontos é indescritível, por mais que eu tente fazer isso.

Ao final do jogo, um alívio enorme. Terminou o pesadelo. Passou o sufoco. E os três pontos parecem não caber na bagagem.

2011 pode ter acabado em termos de aspiração, mas ainda nos apresenta o desafio de encararmos de frente nossos dois inimigos, ambos buscando algo que precisará ser arrancado de nós à força. É o que esperamos do elenco que aí está: que honrem a camisa e lutem sem parar. Agora, já livres de qualquer ameaça, temos um compromisso inadiável com a nossa história. Temos duas guerras pela frente! 2011 ainda não acabou!

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_Vitória maiúscula em Salvador. Um time aplicado, voluntarioso e disposto a, enfim, acabar com o risco que nos atormentava. Foi exatamente o que faltou em quase todo o segundo turno.

_O Pituaçu é um grande estádio! Virá um outro post só sobre isso.

_E a torcida palmeirense em Salvador foi um espetáculo à parte. Fomos pelo menos três mil no setor visitante, que ficou completamente tomado. Muita gente, muita empolgação... nem parecia que estamos vivendo um momento terrível.

_O segundo turno foi uma tragédia completa e, mesmo depois de tantos tropeços seguidos, o Palmeiras tem hoje o mesmo número de vitórias e derrotas (10). Foram 16 empates, o que explica a pontuação baixa. Temos ainda saldo de três gols positivos e a terceira melhor defesa do campeonato (atrás apenas do líder e do vice-líder). Um olhar panorâmico permite concluir que é uma campanha bem regular - bem diferente de uma trajetória como a do Fluminense, com 2 empates e 14 derrotas.

16 comentários:

Lucio disse...

Pois é Barneschi, não nos encontramos lá né? Mas seria algo muito dificl de acontecer, muita gente, revista incábivel na entrada, por mais q eu dissesse aos PMs, "as torcidas são, por asim dizer, "amigas", não há necessidade disso"... a resposta, "ordens são ordens"...então, já chegamos meio atrasados...bom, vc pode até ter me visto, estava ao lado da bateria da mancha...mas valeu..até mais.

Luan disse...

Grande vitória! O medo de rebaixamento já era! Alívio! Parabéns por ter ido lá nos representar e trazido a vitória! é dia 04/12, é guerra!!! AVANTI PALESTRA!

Geraldo Batista disse...

...É ser a voz de milhões de torcedores em um pedaço de cimento isolado por grades e cercado por inimigos...

Muito obrigado a todos q foram la pra Bahia arrancar os 3 pontos juntos do time e representaram a torcedores como eu q tem o mesmo sentimentos q vcs e por alguns motivos nao foram a viajem...pq o sentimento e algo q nao muda de forma alguma...

Ontem quem viu o jogo pela TV conseguiu sentir algo diferente na torcida tava muito linda ate meu prima gamba falou q tava sinistra...vamos com td rumo a nao sei o q mas vamos juntos do Palmeiras...

Esse domingo teve um jogo q foi uma vitoria da tradição contra o maldito futebol moderno...Liverpool ganhou do maldito Chelsea por 2x1 no estadio deles e com uma goll aos 43 do segundo tempo, mostrando q dinheiro nenhum compra o pesa de uma camisa de trdição no futebol mundial.

@batista_mv

Ulisses disse...

Parabéns Barneschi, agora a última missão!

Anderson Ugiette disse...

Barneschi, você foi a pituaçu,então?
estive lá também.pena que estou sem internet, ou teriamarcado denos encontrarmos! realmente foi lindo ver a torcida lá na Bahia... fiquei perto da faixa "Palestra-Recife". você ficou proximo de algum "ponto de referencia"?

abraços!

ps: conseguiu entrar tranquilo no estadio? tive um pouco de dificuldade, 30 minutos de PM's verificando a autenticidade do meu ingresso. ¬¬'
ps²: moro em PE e quase não consigo chegar em casa. malditas estradas sergipanas!

Anônimo disse...

A torcida tava em festa pq os palmeirenses da Bahia estavam empolgados de ver o time jogar depois de um tempinho. QUem vive longe do time fica enlouquecido quando ve o time jogar na cancha. Se a torcida estivesse foda assim, contra o Vasco teríamos lotado o Pacaembu.

E outra tirar o título dos gambás só vai nos dar a falsa sensação de estar tudo bem. Não quero um Palmeiras assim, quero o Palmeiras disputando títulos.

Anderson Ugiette disse...

"(...)tirar o título dos gambás só vai nos dar a falsa sensação de estar tudo bem. Não quero um Palmeiras assim, quero o Palmeiras disputando títulos."

sem mais.

abraços!

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Dúvida: este estádio fica em Salvador mesmo ou em alguma outra cidade da região metropolitana?
Marcos

bandeira disse...

Obrigado por terem ido buscar mais essa vitoria! abs
Michel

Forza Verde disse...

Tirone ontem, qdo questionado se pagaria bicho extra por vitória contra a favela sem teto no ultimo jogo, respondeu:

“Vou pagar muito. Se precisar, dou até do meu bolso. Qual o problema?”

“Eles estão falando já que eles vão ser campeões e que nós vamos entregar a faixa. Primeiro eles sejam campeões depois a gente pode ver isso de colocar a faixa. Porque o Palmeiras não é timinho para ficar preocupado se o Corinthians vai ser campeão ou não”, completou. (em entrevista concedida à Radio Band)

Finalmente uma atitude e um pronunciamento de homem.

Sandro - Salvador/BA disse...

Barneschi,

O time do Palmeiras conseguiu fazer com que a (vibrante) torcida do Bahia ficasse atônita, ontem em Pituaço. Ao que aparenta, a conversa com os vagabundos funcionou.

Em seu futuro post sobre Pituaço, por favor, destaque a venda de cervejas dentro (graças a uma liminar) e nos arredores do estádio. Quem sabe esses bostas do ministério público de SP leiam e se convençam de que venda a cerveja não está correlacionada com violência ou brigas.

Abraço e até domingo aí em SP (chances de ir ao jogo aumentando..),

Sandro

debora disse...

# Que fique beemmm claro que nos não somos time de entregar faixa p/ time nenhum muito menos p/ esse povo sem noção, vamos lutar ate o fim c/ muita garra, vão ter que ter muita coragem p/ continuar dizendo que vão ser campeões.quem viver vera.

Gabriel Manetta Marquezin disse...

toda a assessoria de imprensa será demitida, ou seja, nomes como Galuppo e Finelli, não farão mais parte do Palmeiras.

mais do que nunca vale a frase que o Barneschi tanto diz: "só uma chacina salva o Palmeiras".

Valter Jr disse...

Lembro do depoimento do Galuppo naquele especial da Petrobras sobre os times do Brasil. Ele falava como se fosse um filho dele, sempre com muita emoção!

Forza Palestra disse...

Lucio
Eu fiquei mais para o alto, bem acima da Mancha. Tive uma visão mais panorâmica. E entrei no estádio com certa antecedência, sem contratempos.

Geraldo Batista
Havia um clima diferente na nossa torcida mesmo. Foi uma noite especial.

Anderson
Pois é, devia ter me avisado. Eu tinha dito aqui no blog mesmo que iria para Salvador. Cheguei cedo ao estádio e entrei um bom tempo antes. Sem dificuldades.

Marcos
Fica em Salvador mesmo, mas um pouco distante da região litorânea. Fica às margens da Paralela, a avenida que liga o centro da cidade ao litoral norte (e também ao aeroporto). Dá uns 15km do centro e de algumas praias da zona sul. Mas é dentro de Salvador ainda.

Sandro
Valeu, meu caro! Conte comigo quando vier para SP.