24 janeiro 2013

Libertadores, 1960-2013

O futebol brasileiro começou a morrer à medida que, um pouco por influência de certos canalhas da imprensa esportiva, ganhou força esse antro que atende pela alcunha de Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Não vou entrar em detalhes.

Corta para isso aqui"Com seu STDJ, Conmebol inicia era da disciplina para civilizar torneios"

C-i-v-i-l-i-z-a-r. Bonito verbo, não?

Consigo imaginar canalhas do porte de Flavio Prado a exaltar a notícia. Com suas barrigas protuberantes e suas bundas gordas enfurnadas no sofá, à frente da TV, bem longe de qualquer estádio, vibram com mais uma vitória dos que se esforçam, dia após dia, para reduzir o futebol a um espetáculo moldado a esses tempos tão hipócritas.

E isso tudo, senhores, me fez lembrar de um texto de 2006, de autoria desconhecida, sobre o que já era interpretado à época como tentativa de domesticar a Copa Libertadores da América. O que chamam os falsos-moralistas-que-não-vão-aos-estádios de "civilizar" pode bem ser substituído por outro verbo: "castrar".

O texto, torno a dizer, é de autoria desconhecida - infelizmente. Foi publicado originalmente pelo (ótimo) site gremista Ducker e agora sequer é possível encontrar o link original. Dias depois, eu publiquei a íntegra aqui no blog. E agora, mais de seis anos passados, me permito republicar o texto, desta feita fazendo alterações pontuais e algumas atualizações que me parecem necessárias. Se o autor quiser se manifestar e mesmo se eventualmente não concordar com as mudanças, o espaço está aberto.

Torno a repetir: o texto não é meu - ainda que eu me sinta muito bem representado pelo que aí está. A autoria é desconhecida, e tudo o que eu faço abaixo é republicá-lo com alguns adequações. Aí vai:

A Libertadores foi castrada

A Libertadores da América foi castrada. Teve sua masculinidade arrancada pelos defensores do politicamente correto, pelos Galvões, Leiferts, Kfouris e por aqueles que esperam o fim da novela para ver o futebol. A Libertadores virou um enlatado de fácil digestão pelos estômagos fracos e pelos fãs de “pedaladas” e “amigos da Rede Globo”. De animal feroz, a Libertadores se transformou em um bichinho mimoso e colorido, tão inofensiva quanto “Malhação”. Nem o adolescente rebelde Ferris Bueller, o maior astro da “Sessão da Tarde”, foi tão enquadrado.

Que saudade das antigas Libertadores. Dos tempos em que a Rede Globo ainda não tinha transformado “La Copa” nesse programa de freiras. Que saudade dos estádios argentinos lotados, dos "Calderones del Diablo”, de La Plata e de Avellaneda. Que saudade do Defensores del Chaco fervendo. Que saudade do Centenário enfumaçado, gelado e enlameado. De Victorino e De Leon, de Morena e Spencer. Qualquer time que hoje tivesse Billardo, Dinho ou Simeone seria preso em campo. Aliás, na Libertadores se chegou ao cúmulo de se prender um jogador em campo, porque ele não foi “politicamente correto”. É tão rídiculo que não é nem engraçado. É triste. 

Vivemos uma era de Neymares, de pagodeiros, funkeiros, pseudo-surfistas de correntes de ouro. São ídolos descartáveis, codornas com pernas de cristal, escravos de empresários vigaristas, desesperados por um contrato na Europa, para depois reclamarem do frio e voltarem correndo para o Brasil. Vivemos uma era de dancinhas idiotas, de uma geração alienada, de um jornalismo esportivo que se transformou em circo. 

Atacantes como Burrochaga, Fernando Morena, Victorino, Enzo Francescoli ou Renato Portaluppi, o pai de todos os malandros, que não era bunda-mole nem fugia do pau, hoje estariam relegados diante de qualquer desses moleques vagabundos que aparecem jogando videogame na hora do almoço global. 

Saudosos tempos em que a Libertadores era uma guerra. Os platinos consideravam uma "verguenza" perder para um time do Brasil, país que não tinha nenhum libertador da América, nenhum San Martin, nenhum Artigas, nenhum Bolívar.

Não tinha “jogo”, mas sim uma luta campal pela bola. Não precisava muito para carrinhos, cotoveladas, socos, pedras, pedaços de pau e garrafas tomarem conta de tudo. Era preciso ser mais que jogador, era preciso ser homem. A fumaça invadia o campo, o frio gelava até os ossos, os alambrados balançavam, nem sempre (ou quase nunca) ganhava o melhor. Ganhava o mais forte.

Hoje, a Libertadores virou um espetáculo midiático. 
 Qualquer desses "inhos"de luzes nos cabelos pode levar o título e depois comemorar no "Bem Amigos". Mas eles nunca terão a glória de ter travado batalhas em campo, de ter erguido a taça não com papel laminado voando em volta, mas com sangue escorrendo pela testa. A taça, alguns têm; a glória, poucos. Pouquíssimos.

28 comentários:

Raoni Machado disse...

Ótimo texto!
Me lembrei quando mais novo do primeiro jogo da final em 99, acompanhando apenas pela TV, porém sentindo todo este espírito de libertadores.

Carlos disse...

com todo respeito: foi so o Corinthians ganhar a Libertadores pra vvc querer desmerecer o campeonato? por que não aceitar a vitoria do rival?

Barneschi disse...

É cada imbecil que me aparece...

Já começou uma nova edição da Libertadores e o babaca vem querer reviver o que aconteceu um ano atrás.

E aí, além de o motivo para esse texto estar bastante explícito, seria bom que o otário aí destacasse aqui algum texto meu onde eu desmereço a conquista do SCCP no ano passado.

Anônimo disse...

Nota, ele falou que o texto é de 2006, e até então essa Gambazada mais formada por políticos e graxosos, nada tinha nesta época.

ultranacional disse...

O Palmeiras para os brasileiros

e nao só para os paulistanos

se voces, torcedores palmeirenses paulistanos, querem ver o Palmeiras na PQP, se esforce e vai ver porra

O Palmeiras para os brasileiros

diversidade de estadios já!!!!

para ver o verdao

nao é só em sp

é no Brasil

Robson disse...

Civilizar torneio só se for pros outros times, porque o bambi continua tendo carta branca pra fazer qualquer coisa no seu estádio, até botar segurança pra espancar o time adversário, e não receber nenhuma punição.

Anônimo disse...

O TEXTO È DE 2006...CHUPA ...ODIO AO FUTEBOL MODERNO

Artur disse...

O epsódio de um jogador ser preso que se refere no texto é o Desabato?

Romer Cash disse...

Gambazada tem uma mania de perseguição psicótica.

luiz souza disse...

Sobre o episódio do zagueiro Desabato achei que houve um grande exagero da imprensa brasileira , que trata argentinos como lixo e brasileiros como santinhos , e sua prisão foi totalmente errada.Não sou racista , mas existe uma diferença muito grande em você ser racista no dia-a-dia do que provocar alguém em um jogo de libertadores da américa ou até mesmo quando nós jogamos futebol , o futebol é uma disputa além de física também psicológica e quem já jogou futebol sabe que quando a bola rola os nervos ficam a flor da pele e as provocações rolam soltas , acho que provocações racistas não deveriam ser levadas tão a sério no futebol , pois são apenas uma das várias formas de irritar o adversário , além disso é uma grande chance de fazer com que o jogador provocado de um cala boca .

Tomás Rosolino disse...

Perfeito o texto. Infelizmente, tenho que ver o time que torço ser vendido a babacas que gostam de um chinês, milhões de otários que compartilham a tal locospirose, e têm orgulho disso...
Desculpe se não é o lugar mais correto para desabafar, mas encaro este blog como um dos poucos refúgios onde o futebol ainda vive.

Um abraço, Barneschi!

Luiz Fernando Sanchez disse...

Muito bom texto,o último time copeiro q eu me lembro foi o Peñarol de 2011 q perdeu para os pé-de-areia na final,estamos pagando pela merda da copa do mundo não só no Brasil,mas,em todo o continente,pelo menos até 2014 isso é irreversível.

Anônimo disse...

qto idiotice num topico só....

um cara ai fala que o texto é de 2006 né...ai então eu questiono...

"Vivemos uma era de Neymares, de pagodeiros, funkeiros, pseudo-surfistas de correntes de ouro."

que eu saiba o neymar começou a aparecer no futebol em 2009...e nem em 2009 era esse oba oba em cima do moleque...começou mais em 2010 isso...ou seja...como o texto é de 2006???

mta incoerencia nos posts...mas ja era de se esperar...afinal é oq mais se ve por aqui....

Anônimo disse...

nota: 2 anonimos lunaticos dizendo que o texto é de 2006....

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

César SEP disse...

Concordo, a Libertadores já não é a mesma faz tempo. É só olhar as últimas edições e notar que o nivel técnico caiu muito!
Em 2012 o Gambá só jogou contra adversários de peso e tradição a partir das Quartas de final, que foi contra o Vasco. Em 2010 o SFC ganhou a Libertadores com um time ruim (Edu Dracena, Pará, Zé Love, Durval...) encarando na final o Peñarol que tinha um time horrivel. Aquele tal de Martinuccio (onde q ele está jogando?!) era o principal jogador pra vc ter uma ideia.
A última participação do Palmeiras em 2009 mostrou que a competição caiu muito, pois o nosso time era uma merda (Fabinho Capixaba, Wendel, Jumar, Sandro Silva, Keirrison, Lenny, Marcão etc) e quase conseguiu chegar à semi-final do torneio, empatou o jogo contra o Nacional no Uruguay.
Barneschi, se nossa diretoria fosse um pouquinha mais esperta e demonstrasse mais amor pelo clube, poderia montar um elenco competitivo e teríamos grandes chances de levantar a Copa.

Abs

Anônimo disse...

Quanta merda em forma de texto, o cara chora falando que não vai ter mais um Centenário cheio de fumaça, Defensores Del Chaco um caldeirão... isso tudo não foi proibido, o que se tenta com esse STJD é disciplinar o futebol latino americano, evitar absurdos que aconteceram por décadas e nada nunca foi feito a respeito...
O que não pode morrer é a festa na arquibancada, a elitização é um mal ao futebol... agora dentro de campo tem que se ter regras e disciplina, temos que seguir o exemplo do Rugby, onde se joga duro, porém com lealdade!
Agora só me falta o panaca que escreveu o texto dizer que não quer mais cartões amarelos e vermelhos, e que o futebol seja jogado como a 60 anos atrás quando nem substituição tinha...

IVAN disse...


Futebol é guerra e assim deve ser.

Leonardo disse...

Texto excelente!

Se a Libertadores já está neste nível, que poderemos dizer do Paulista e do Brasileiro? Maldito futebol moderno!

Barneschi disse...

Eu até pensei em vir aqui e, como de costume, pisar na cabeça desse bando de otário anônimo. Melhor não. Porque a estupidez propagada por essas pobres criaturas já resolve a questão.

Porque eu leio coisas como "temos que seguir o exemplo do Rugby, onde se joga duro, porém com lealdade!" e vejo que é melhor deixar que os tipos se encarreguem de resolver a parada.

Anônimo disse...

E o pior de tudo é que além dos imbecis que "comandam" o futebol tentarem tornar La Copa uma versão sulamericana da Champions League, o povo acaba comprando essas ideias. Por exemplo, não sei se mais alguém percebeu, as pessoas agora estão vendo a Libertadores como um simples torneio que dá uma vaga para o Mundial Interclubes... Lamentável.

Lucas

Raul Martins Dias disse...

Lucas, nesse caso, eu já tenho visto o contrário. Quando ganhamos a Libertadores em 1999, cansei de ouvir imbecis dizendo que "se não ganhar o mundial, não vai valer nada". Os mesmos imbecis que, agora, dizem que aquilo não era mundial. Hoje em dia, acho que aumentou pelo menos um pouco a percepção da Libertadores como um título em si, e não como um classificatório para o mundial. Claro que existe o processo de bambização da Libertadores, bem destacado nesse texto, mas são duas coisas diferentes.

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Pretty bom post. Eu só tropeçou em seu blog e queria dizer que eu realmente gostei de visitar seu blog. Em todo o caso eu vou estar assinando seu feed e eu espero que você escreva novamente em breve!

Luiz Fernando Sanchez disse...

Pretty bom?

Anônimo disse...

O texto provavelmente é do Jorge Bettiol. O cara escreve bem.

Saudações da torcida do Grêmio.

Cristiano.

Anônimo disse...
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Anônimo disse...
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Barneschi disse...

Respeitem o futebol, por favor. É só isso que eu peço.