02 julho 2013

Que volte o futebol

Daí então que as pessoas vêm querer saber a minha opinião sobre tudo isso que se passou no fim de semana (e nos últimos 15 dias, no sentido mais amplo) e eu não sei bem o que dizer - ou sei até além da conta, mas prefiro ficar na minha.

Se é para fazer algum pronunciamento, seria algo assim:

À exceção dos jogos da Italia, eu vi muito pouco, quase nada, dessa tal Copa das Confederações. Do time de amarelo, ainda menos. Não por nada, senhores, mas apenas e tão somente porque nutro pela seleção um desprezo que me impede de a ela dedicar qualquer tipo de atenção. Sequer vi a final. Em sendo assim, não tenho muito a dizer além dos fatores extracampo e, em um sentido ainda mais amplo, me permito resumir tudo em uma frase que venho repetindo desde 2007: a Copa do Mundo de 2014 é o atestado de óbito do futebol brasileiro.

Se era para travar algum contato, por mínimo que fosse, com essa tal seleção brasileira, decidi fazer isso do pior jeito possível: o Jornal Nacional. Sim, assisti ontem ao telejornal da emissora câncer. Estático. Impassível. Sem esboçar qualquer reação. Apenas para absorver tudo aquilo que vomitaram algumas das figuras mais abjetas que hoje povoam o nosso jornalismo.

Sinto-me incapaz de transpor para cá tudo o que vi. Aliás, a maior parte já se esvaiu por completo, ficando na minha memória alguns fragmentos soltos. Por exemplo: comprovando aquilo que eu escrevi aqui, parece que os velhos malditos da Fifa reclamaram da limpeza dos banheiros. Era evidente. Como parece também, a julgar pelas imagens a que tive acesso, que não havia qualquer sinal de populares na estrutura onde antes existia o Maracanã. Como não havia torcida propriamente dita, com toda uma massa disforme e acéfala preocupada apenas e tão somente em aparecer no telão ou em fazer boas fotos para depois entulhar as redes sociais.

Depois, apareceu Galvão Bueno (um monstro inigualável do ponto de vista técnico, um completo imbecil sob todos os outros pontos de vista) declamando um texto todo torto sobre reencontro entre time (a seleção) e torcida (o povo?) – não consegui absorver nada daquilo, me desculpem. Lembro apenas que faltou uma trilha sonora na linha “com muito orgulho, com muito amor”. Seguiu-se todo aquele carnaval global, querendo imprimir ao torneio um tom épico que, me desculpem novamente, não se justifica.

Mas a coisa toda precisava ter um desfecho à altura. E foi então que a Rede Globo mandou ver um clipe de imagens bonitinhas (torcedores sorrindo, todos em seus lugares numerados, papel laminado voando para lá e para cá) em HD para ilustrar um texto - que vocês podem conferir aqui - defendendo que o estádio permanece o mesmo, apenas mais moderno. O texto, vejam os senhores, tem a desfaçatez de falar em "alma". Pois foi exatamente isso o que tomaram do bom e velho Maracanã - e a Rede Globo, cabe dizer, é não apenas cúmplice, mas também co-autora do assassinato.

E depois tem nego que ainda vem me perguntar porque eu não compactuo com isso tudo que aí está...

Que volte agora o futebol de verdade. Porque os putos que se fazem passar por torcedores só vão aparecer de novo daqui a um ano.

10 comentários:

Rodrigo disse...

Li um comentário do sempre espetacular @impedimento :
"Nada substitui o torcedor comemorando gol no Maracanã com seu velho radinho de pilha correndo pela geral."
Acho que resume bem a morte da essência do futebol por aqui.

Luan disse...

"mas apenas e tão somente porque nutro pela seleção um desprezo que me impede de a ela dedicar qualquer tipo de atenção."

tirou as palavras da minha boca! e além disso torço contra ainda, torço pra perder mesmo, porque me da uma raiva e um nojo danado disso tudo que vem acontecendo nos últimos anos em torno dessa seleção de corruptos

Luiz Fernando Sanchez disse...

Barneschi,ainda que seja contra essa porra que está aí,gostei dessa copa das confederações,a torcida,por mais "esbranquiçada" que fosse participou bastante e proporcionou momentos legais sobretudo no hino nacional,isso não quer dizer que a elitização precise ser uma tendência,o povo não pode ser expulso dos estádios,mas essa torcida e essa copa não foram tão toscas quanto eu havia imaginado.

Rodrigo Queluz disse...

Apesar de algumas aberrações, como reclamações do banheiro e do, pasmem, preço do cachorro quente!! Quem vai no estádio para comer cachorro quente!!

Enfim, tirando esta falta de alma nas arquibancadas durantes os jogos, acho que foi extremamente válido o torneio, pois vimos um renascimento da Seleção. Jogadores com garra, honrando a camisa.

Concordo que tem MUITA coisa errada que vem matando o futebol, mas se nem Tirone, Frizzo, Mustafá tiraram meu amor pelo Palmeiras, não vão ser Marin, Teixeira, Blatter e Valcke que vão tirar da amarelinha!

Achei a final emblemática, onde o time da moda se deparou com um trator e foi atropelado, colocando um pouco das coisas no lugar certo!!

Anônimo disse...

velho maracana...bla bla bla...

era um monte de concreto caindo aos pedaços td podre aquilo lá...só deram uma reformada pq tava feia a situação daquilo.....

Anônimo disse...

Grande Barneshi..nao vamos confundir alhos com bugalhos...concorda em partes contigo que acabaram com os estadios, a Rede Globo é uma merda e os "torcedores" que acompanharam essa Copa das Confederaçao são na maioria torcedores de sofá....mas quem entra em campo é a SELEÇÃO BRASILEIRA!!!
Você é brasileiro ou italiano?
Antes de mais nada tenho simpatia pela Italia(por razões obvias) assim como pelo Japão(pela descedencia)

Abs!
Guilherme

Felipe Teodoro da Silva disse...

Rogrigo Queluz,

Cara o preço do cachorro quente é o melhor exemplo para essa merda que fizeram, vi uma foto de um dos "dogs" vendidos por lá. Cara, é pão com salsicha literalmente por R$8,00.


Barneschi,

por mais que eu concorde com você, eu não consigo torcer contra(todo ano eu falo que voce ser contra!) a amarelinha. Está no nosso hino "... Quem sabe ser brasileiro..."


Mais uma coisa, nunca senti tanta falta do Palestra quanto sinto hoje. Dia após dia, e eu não vejo evolução (Acho que pela saudade!) nas obras do Palestra.

Frederico disse...

Ganhamos uma copa que não vale nada. Provamos que podemos vencer a Espanha. Em qual condições? Será que jogaram tudo que podiam?

Ensinamos um lição para eles, e os europeus são mestres em aprender lições, ensinamos eles a jogar contra a gente na Copa do Mundo ano que vem.

Será que foi bom negócio pra gente? Jogamos a melhor carta na primeira rodada, será que não entregamos o jogo?

E quanto a torcida, o que antes colocava o radinho de pilha no ombro hoje é o que está com a caixa de isopor no lugar do rádio. O resto, são os bacanas que a Fifa chamou pra festa. Não há lugar pra pobre nessa festa. Quero mais é que cobrem R$ 8,00 por essa merda de cachorrão, acho até que por ter salsicha ainda está barato! Isso ai é pro torcedor passar longe mesmo, e dar lugar para os "babacas de plantão".

Então, dona Fifa, fique sabendo, você não pega nem com picanha!

Daniel disse...

Vejam você esse caso emblemático: moro em Curitiba e tenho um amigo bambi e o desgraçado foi em todos os jogos da Seleção nessa Copa das Confederações. E hoje não vai na final da Recopa.

Isso é algo que não consigo entender e acho que nem o fdp consegue explicar.

No mais, sobre a Copa das Confederações: vi alguns jogos, mas só por gostar de futebol. Não tive emoção alguma em nenhum gol feito e em nenhuma bola tirada em cima da linha. Pra mim, quem se emociona mais com jogos da seleção do que com os jogos do próprio time (se é que tem time, tá cheio de nego que só torce de 4 em 4 anos..) tem que morrer no inferno.

Dia 20 to em Floripa.

Marco disse...

Texto bastante oportuno sobre tudo o que é discutido aqui:

Começou o Brasileirão do Eike http://andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/2013/07/03/comecou-o-brasileirao-do-eike/

No meio disso tudo, precisou um estrangeiro – o lateral Arbeloa, da seleção espanhola – dizer a frase mais certeira e bonita sobre o “novo” Maracanã. Perguntado sobre suas impressões da “arena”, Arbeloa disse: “Tenho que dizer que quando estivemos no Maracanã não tive a sensação de jogar em um estádio com tanta história. Você chega e vê um estádio moderno, novo, cheio de cores, então não é capaz de te transmitir a história, dos jogadores que passaram aqui. Tem vestiários confortáveis, modernos e amplos. Não é como quando vamos a Anfield, La Bombonera, ao Monumental, que você sente o tempo, te transmite a história. Eu gostaria de ter jogado antes da reforma.”