27 junho 2010

Soy Argentina (y Uruguay)!

Tem um monte de nego por aí que torce contra a Argentina "só por ser contra a Argentina". Não há argumento lógico, não há um histórico a justificar isso, não há coerência alguma entre o que se diz e o que se faz. O que existe, além de desinformação do povão, é uma rivalidade artificial, alimentada por setores retrógrados, engraçadinhos ou puramente preguiçosos da nossa mídia esportiva. Isso se reflete, por exemplo, em certas propagandas televisivas, muitas das quais apenas utilizam o reconhecido apreço do brasileiro pelo humor simplório para fazer piadinhas nada esforçadas.

Os hermanos, pelo contrário, apostam na exaltação do amor pelo pátria e pela seleção, qualquer que seja o momento. Nas vitórias ou nas derrotas, nas comemorações ou nos momentos de tristeza. Os outros países aparecem apenas como coadjuvantes, pois o que importa é o amor próprio, a certeza de que se está fazendo de tudo para que o seu país seja o vencedor.

No Brasil, as vitórias são tratadas com doses de arrogância injustificada ou como mera ocasião para festejos fora de época. Já as derrotas são vistas como oportunidade para fazer piadas, destruir ídolos ou mesmo criar teorias conspiratórias que sobrevivem ao passar dos anos. O brasileiro não hesita em se autodestruir, em derrubar aquilo tudo que foi construído, só para fazer graça. Aí joga-se tudo na conta do “bom humor brasileiro”. Ah tá. Eu sou mais um tango mesmo, um drama que convém mais ao espírito do futebol.

A própria mídia esportiva de cada país é um reflexo da sua população. É por isso que uma campanha que exalta o espírito guerreiro (sim, estou falando da Brahma) é prontamente rechaçada pelos nossos valorosos e indignados jornalistas, que chegam a estabelecer um vínculo entre o "ser guerreiro" e a violência nos estádios. Balela! Coisa de gente hipócrita, de falsos moralistas, dos juquinhas dos nossos jornalões ultrapassados.

Na Argentina, por sua vez, os comerciais já são concebidos para traduzir o sentimento do argentino pela sua seleção (e, acima disso, pelo país). Deixo-os com alguns exemplos, os mais óbvios, só para começar a comparação:









E aí? Entenderam agora o porquê de eu torcer pela Argentina?

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"Soy Argentina", mas não só. "Soy Uruguay" também. Os motivos são bem parecidos com os que me levam a torcer pela Argentina, mas eis que o grande Flavio Gomes, no último sábado, conseguiu resumir tudo em um único (e brilhante) post. Aqui vai, na íntegra:

SONHO CELESTE
*Por Flavio Gomes

Não se pode ter medo de vencer. Essa é a lição que nossos hermanitos uruguaios devem absorver depois da vitória sobre o samsungs agora há pouco na encharcada Porto Elisabeth. Fizemos 1 a 0, recuamos, e acabamos cedendo à correria desembestada da Hyundai de Baixo. Aí aprumamo-nos e pimba.

Foi um pouco do retrato do que são esses dois países. A Coreia aceleradíssima, com seus néons, suas TVs de 3D, seus Tucsons e Souls, sua economia emergente, exuberante, alucinada. O Uruguai em marcha lenta, que para para tomar chimarrão, que contempla o rio da Prata, que não tem pressa, que deixa o tempo passar porque, afinal, ele vai passar de qualquer jeito, ninguém consegue ser mais rápido que ele.

Ah, Uruguai… Dos pequenos quiosques, da Patricia, de Gardel, do Peñarol, de Punta, do Buquebus, dos antiquários, das feirinhas nas ruas, do Mercado do Porto, dos carrinhos velhos rodando valentes, dos domingos preguiçosos, dos táxis pretos com capota amarela, da bola que rola orgulhosa no Centenário… Não, não dá para torcer contra um país que tem duas Copas, dois ouros olímpicos, que fez o primeiro Mundial lá longe, em 1930, mesmo diante dos esforçadíssimos olhinhos puxados que correm feito loucos e têm nomes de calça lee e sobrenomes com hífens.

A Coreia do Sul nem vai perceber que saiu da Copa. Amanhã suas fábricas despejarão no mundo milhões de carros, TVs e aparelhos de som, países como esse não param e não se dobram a uma derrota no futebol. O Uruguai, não. Nosotros precisamos dessas coisas.
Aguante!

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E as cervezas do Uruguay também mandam bem na hora de mostrar o amor do povo pelo país. Isso sim é patriotismo:





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Vocês entendem agora a vergonha que eu sinto a cada vez que ouço um grupo de brasileiros cantar "Eu sou brasileiro/ Com muito orgulho/ Com muito amor"? V-E-R-G-O-N-H-A! O Brasil não tem torcida em eventos assim; o que o Brasil tem é um agrupamento de pessoas patéticas fazendo um país inteiro passar vergonha.

24 junho 2010

Dunga, a Globo e a Copa de 94

A Folha de S.Paulo de hoje oferece bons subsídios para um novo post na mesma linha do anterior. Vejamos, ponto a ponto: 

O jornal, que nunca escondeu o seu ressentimento com as atitudes e declarações do técnico da seleção brasileira, estampa na capa do caderno de esportes o seguinte enunciado: “Com seu estilo truculento, suas convicções e manias, Dunga doutrina a seleção sem ser contestado por jogadores e comissão técnica”. Isso, na visão da FSP, tem até nome: dunguismo. Aí o jornal procura justificar essa premissa, e é até bem-sucedido. Ok; o ranço dos jornalistas da Folha contra Dunga é notório e eu sinceramente não vou contestar o direito deles de manifestarem isso e criarem suas próprias teorias. 

Na mesma página, o jornal publica os “Dez Mandamentos do dunguismo”. Como o conteúdo é fechado e considerando que essa tabela nem apareceu na versão online, publico logo abaixo para apreciação dos leitores.

 

Meu veredicto: exceção feita ao 6, aí colocado com indisfarçável dose de ironia e maldade, eu concordo com todos os demais mandamentos. Destaques para o 2 (“Nada de privilégios à Rede Globo”), ao 5 (“A imprensa é sempre inimiga”) e ao 10 (“Mais importante é ganhar, não jogar bonito”). 

Vejamos que, na mesma página D3 em que foi publicada a tabela, a Folha traz uma outra matéria, com o título “Técnico testa Júlio Batista e Daniel Alves”. Um breve trecho é o que importa: “A Folha acompanhou parte do treinamento secreto do alto de um prédio próximo à faculdade Saint Stithians, em Johannesburgo.” Malandrinhos os enviados especiais, não? Entenderam o “mandamento 5”? 

Mais importante, no entanto, é o mandamento 10. Na mesma página D3, Paulo Vinicius Coelho manda bem (ou quase) na sua coluna de hoje. O título? “Não era Dunga”. O colunista procura desmistificar a imagem de Dunga como um jogador tosco e repara uma incorreção histórica ao dizer que “A opinião pública não questionava sua presença, em 1990. Dunga merecia ser titular. Quando seu relógio marcar 13h36, portanto, uma injustiça histórica completará 20 anos. Nessas duas décadas, Dunga se livrou do rótulo colado em sua testa no Mundial da Itália. Os livros de história não revelam um brucutu. Neles está a imagem do capitão do tetra, levantando a taça, como líder da seleção brasileira.” 

É bem por aí: nego passou esse tempo todo falando mal do cara, criou uma era supostamente negativa com o seu nome e agora vem se sentir injustiçado com os maus tratos e com a falta de educação dele? Quer dizer que nego pode avacalhar, xingar, estigmatizar e depois não aceita a postura combativa (e essencialmente pragmática) do treinador da seleção? É realmente de foder! 

Do bom texto de PVC, me permito extrair um parágrafo extremamente significativo: “Difícil dizer se o ressentimento de Dunga tem mais a ver com o fato de ter virado símbolo da derrota de 90 ou com o Brasil jamais ter aceitado a vitória de 1994. Se tem a ver com a inócua discussão sobre a preferência nacional ser por vitórias como a de 1994 ou derrotas como a de 1982.” 

Para matar a questão de uma vez por todas: eu não sei vocês ou o resto dos brasileiros, mas eu aceito sem qualquer ressalva a vitória de 1994. Foi uma vitória belíssima, de uma seleção exemplar, que protagonizou algumas partidas notáveis (a vitória sobre os EUA, na casa deles e com um a menos, os 3 a 2 sobre a Holanda, o sofrido 1 a 0 contra a Suécia, mesmo os 3 a 0 sobre Camarões). Foi uma grande Copa, uma grande seleção, um grande momento do futebol brasileiro. 

Foi uma seleção que, depois de duas décadas de derrotas, fez o que precisava fazer. Foi em busca de um objetivo, entendeu que o futebol não é essa viadagem idealizada por Armandos Nogueiras da vida, mostrou fidelidade a uma concepção tática, alcançou as vitórias que precisava passo a passo. Fez sete jogos, ganhou cinco, empatou contra uma complicada Suécia (1 a 1, belo gol de Romário) e depois na final contra a Italia. Marcou 11 gols e tomou apenas 3. 

(A própria Copa de 94 é uma injustiçada. Foi uma Copa com final disputada por dois gigantes. Teve uma decisão de tricampeões. Foi uma Copa de jogos memoráveis, de grandes feitos, de alguns times brilhantes. Uma Copa de uma Bulgária em fase unicamente brilhante, de uma Romênia de Hagi, de uma Suécia consistente e com um folclórico Ravelli no gol. Uma Copa de um Maradona injustiçado, de gols notáveis, de estádios enormes e lotados, de um país que precisava ser conquistado pelo futebol. Foi a Copa de Romário, o maior craque daquela década.) 

Podem chamar de “Futebol pragmático”, “Futebol de resultados” ou como bem entenderem. Eu chamo de “Futebol vencedor”. Ao contrário de outras decantadas seleções de Copas anteriores, a de 1994 venceu. E convenceu. Fez o que dela se esperava, e o futebol é acima de tudo uma competição que adquire um caráter bélico a depender da visão de cada um. Querem espetáculo? Pois que façam bom proveito do circo, do teatro ou de qualquer dessas artes. O futebol não é nada disso. 

Assim, ao contrário do que afirma PVC, eu aceito a seleção de 1994. Aceito a vitória (de um tempo onde eu ainda torcia pelo Brasil), o time, Dunga, Romário, Parreira, até o Bebeto. Aceito aquela conquista, cada gol, cada jogo, cada vitória, cada passo rumo a um título que as poéticas seleções anteriores deixaram escapar em meio às aspirações fantasiosas de um futebol como espetáculo. 

Se Dunga é um símbolo da vitória de 1994, eu estou com ele. Mesmo sem torcer por esta seleção atual, me coloco ao lado do treinador da seleção nessa batalha contra a Globo e contra toda a ala reacionária e hipócrita da nossa imprensa esportiva. Porrada neles, Dunga!

15 junho 2010

Deixem a Copa em paz!

Republicando hoje um post de quatro anos atrás:

Post original (14.06.2006)

O lado ruim da Copa

Pessoas me encontram e querem saber o que eu achei da vitória do Brasil, qual é a minha opinião sobre os jogos da Copa, quem são os favoritos ao título. Fazem isso como se eu estivesse agora em êxtase, empolgado com o torneio que é sem dúvida o que existe de mais importante no mundo dos esportes.

Até estou. Mas não consigo colocar isso para fora. E a culpa é dos oportunistas de plantão, daqueles que “só gostam de futebol durante a Copa”. Gente assim impede que eu consiga manifestar todo o meu apreço por cada um dos 64 jogos (sim, até Arábia Saudita x Tunísia) do Mundial. E aí eu acabo represando o que sinto.

Faço essa introdução em respeito àqueles que ficaram assustados quando respondi onde iria ver a estréia da seleção brasileira: “No meu quarto”, disse. Ao que ouvi: “Mas sozinho?”. “Sim, sozinho”, encerrei.

Pois bem, é fato que eu não estou acostumado a torcer pela televisão. Meu lugar é no estádio, na arquibancada. Sou um torcedor na acepção do termo e não apenas um espectador. Não me sinto à vontade, portanto, para torcer à distância. Logo, não torço.

Se não torço, assisto ao jogo. Admiro, avalio, estudo. E tais ações são inconcebíveis ao lado de certas pessoas. Por quê?

Porque pessoas falam. E falam muito. Merda sobre merda. Palpites estúpidos, comentários inoportunos, análises idiotas.

Sou incapaz de manter a calma quando o futebol é vítima de quem não o compreende. De quem, sem saber porra nenhuma, julga ter direito a emitir opiniões. Pior: de quem não o quer bem, mas abre exceção durante um mês. É impossível a convivência entre estes seres e eu.

E é aí que chegamos ao meu quarto. Ele tem muitas qualidades. Tantas que eu seria incapaz de enumerá-las aqui. Mas uma se sobressai: ele me permite ficar distante das pessoas que não deixam o futebol em paz.

***

O mundo não está perdido

Não estou só. Aliás, não estamos, pois sei que muitos leitores deste blog compartilham desta minha linha de pensamento. Deixo-os, por fim, com dois textos que complementam tudo o que escrevi acima.

1. Folha de S. Paulo (08/06/2006)
Coluna de José Geraldo Couto


Abaixo os ETs
Aproveitadores de plantão e torcida de última hora irritam amantes do futebol

O poeta e cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, católico e comunista, escreveu certa vez que na época do Natal desejava fugir da Itália e ir a um país não-cristão, para escapar do massacre da propaganda e do "espírito natalino" que, segundo ele, pervertiam o sentido religioso da data.

É mais ou menos isso o que sente o amante do futebol em tempo de Copa do Mundo. A overdose de imagens dos craques, a proliferação de bandeiras, a insistência monotemática da mídia e da publicidade, o patriotismo compulsório - tudo isso, que irrita quem não gosta de futebol, incomoda também quem gosta muito.

Nada desagrada mais ao torcedor aficionado do que ouvir de alguém a frase: "Eu não ligo para futebol, exceto na época da Copa". Invasores. Alienígenas. Gente que não conhece nem as cores dos principais times do país.

Em tempo de Copa do Mundo, o verdadeiro amante do futebol se sente acuado por uma massa de ruidosos diletantes, de amadores ineptos que caem de pára-quedas à beira das quatro linhas.

Quando o torneio finalmente começa, depois de semanas de oba-oba da mídia, temos pelo menos o consolo dos jogos propriamente ditos. Alguns são muito bons, outros são emocionantes e há até os divertidos, sobretudo na primeira fase, com tanto time ruim.

Mas o verde-amarelismo onipresente, a estridência dos locutores, a idiotice dos comerciais, o oportunismo dos políticos - tudo isso só consegue revoltar e causar engulhos em quem realmente aprecia essa arte performática.

Que não me entendam mal. Presenciar uma Copa do Mundo é uma experiência incomparável. Não estou, daqui do meu canto, dizendo que essas uvas estão verdes.

O problema é ver o futebol ser conspurcado, manipulado, inflado e saturado no chamado país do futebol. A bem da verdade, pouco me importa se o Brasil será campeão ou cairá fora na primeira fase. Só quero ver, se possível, no meio de tanto marketing e tanta politicagem, um pouco de bom futebol


2. Placar (Junho/2006)
O homem mais irado da cidade,
por José Enrique Aznar


A Copa é a maior invenção da humanidade. Sem ela, a vida não faz sentido. Até quem odeia futebol, em tempo de Copa, se envolve com o assunto. E é isso que me irrita. É um monte de Zé Mané palpitando, achando que entende alguma coisa...

Outro dia fui ao banco e uma senhora roliça pegou uma tabelinha que a mulher do caixa ofereceu:
-Ai, que dia o Brasil joga?
-Dia 13 estréia.
-Ai, é terça, que chato... E o outro?
-Não sei, tá aí na tabela.
-Ai, é dia 18. É domingo, dá pra fazer um churrascão... Porque com esse time é claro que vai ganhar, né? Ronaldo, o Kaká tão lindinho...
-Eu gosto do Raí. Ele vai?

Tive vontade de vomitar. Paguei a conta e fui pra casa. No caminho, vi um monte de gente com camiseta verde-amarela. Aposto que ficam dando palpite nos esquemas, mas a maioria não sabe do que tá falando. Nessa Copa vou me trancafiar e ver todos os jogos e mesas-redondas sozinho. E não vou botar o nariz na rua, porque meu ouvido não é penico, caçarola!

13 junho 2010

Felipão, 10 anos depois...


21 de junho de 2000, Morumbi. Nos pênaltis, depois de um 0 a 0 no tempo normal, o Palmeiras perde o bicampeonato da Libertadores da América para o Boca Juniors. Felipão, já com sua saída quase acertada, conduziu ali o alviverde em sua última decisão efetivamente importante em 10 anos. Felipão foi embora, correu (e conquistou) o mundo, ficou distante por uma década perdida

Sem ele, o Palmeiras perdeu força: colecionou derrotas inacreditáveis, viu recordes e marcas históricas caírem ano após ano, deu vexames antes inimagináveis, desperdiçou títulos ganhos, perdeu muito de sua identificação com a vitória. 

A impressão é que, ainda hoje, pagamos caro por aqueles anos todos, por cada noite histórica sob o comando de Felipão, pela vitória sobre o SCCP em 2000, por tantas glórias acumuladas. 

Mas o Palmeiras, enfim, parece reencontrar o seu caminho: Felipão voltou. Voltou não apenas para ser o técnico de um time que não se encontra há tempos, mas para restituir o Palmeiras ao seu lugar de direito. Felipão está de volta não só para ser o nosso comandante, mas para colocar novamente do mesmo lado jogadores, diretores e torcedores. Voltou o homem que nos ensinou a ver o futebol de um modo diferente. Com ele, volta também o Palmeiras que conhecemos.

*** 

O título do post foi pensado ainda cedo, por uma dessas confusões com as datas (elas eram antes tão mais precisas para mim...). O caso é que o Palmeiras foi eliminado pelo Boca da Libertadores também na véspera de um Corpus Christi e aí sim em um 13 de junho (como hoje), mas isso foi em 2001 e não em 2000 (este foi mesmo em 21 de junho). Daí então eu passei a acreditar que a volta se daria exatamente uma década depois daquela perda. Veio o título do post, que, mesmo sem a data precisa (fui perceber isso agora), faz sentido. Foi aí que me dei conta de outro detalhe, mas aí precisamos voltar 17 anos no tempo: 13 de junho de 1993, um domingo como este de agora. Ainda moleque, acordei cedo e fui à banca de jornal perto de casa para comprar todos os jornais do dia. A manchete principal da Folha de S.Paulo daquele domingo ficou para sempre na minha memória: "Morumbi, 17 anos depois...". Neste domingo, passados outros 17 anos, o palmeirense bem poderia ser recebido com uma outra manchete: "Felipão, 10 anos depois..."

10 junho 2010

O ídolo, a casa, o povo


Tomo a liberdade de emprestar as fotos publicadas originalmente pelo Seo Cruz lá no necessariamente polêmico Cruz de Savóia. Elas trazem também um pouco do brilho que tem faltado a este blog e, mais que isso, ao torcedor palestrino e ao próprio Palmeiras. Tivemos ontem uma tarde histórica no Palestra Italia. Não pude ir, é evidente, mas estive bem representado pelos amigos vagabundos e pelo irmão idem. Nem mesmo uma tarde de trabalho impediu que cinco mil dos nossos tomassem aquele que foi o nosso lugar por muitas décadas. Nada de cartão de crédito, de setor mercantilizado, de oportunistas de fase final ou de cadeirinha numerada; ao menos por ontem, a arquibancada central foi nossa uma vez mais. Bastou que um ídolo voltasse para que a multidão corresse de volta para sua casa. Para a nossa casa. Sim, ontem o Palestra foi a nossa casa como há muito tempo não era. Sem Castilho, sem Capez, sem a corja fardada, sem os crápulas que nos querem tomar o futebol. O Palestra foi a casa de cada palestrino. Como lembrado pelo grande Galuppo (e aqui eu empresto também mais um pouco do que foi publicado pelo Seo Cruz), as bandeiras foram desfraldadas novamente dentro da nossa casa 15 anos depois. Bandeiras, fumaça, festa, o povo em liberdade. O verdadeiro futebol voltou à nossa casa. O Palmeiras é nosso. Temos um ídolo de volta; Kleber é um dos nossos.



Quer mais fotos e também o relato de quem esteve lá no Palestra? Pois corram para o Cruz de Savóia.

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Palestra, começo dos anos 1990:

Palestra, 09.06.2010:

09 junho 2010

Olê, olê, olê, olê, Kleber, Kleber!


O trabalho me impede de ir ao evento que marcou o retorno de Kleber ao Palestra, mas lá estive muito bem representado por muitos dos meus amigos vagabundos e pelo meu irmão, outro vagabundo que deu as caras no Palestra em plena tarde de trabalho. Foram cinco mil nessa condição, e eu os deixo com a foto primorosa do Seo Cruz. Ao menos por uma tarde, a Mancha voltou ao seu lugar de origem – um retorno simbólico, diga-se. O meio da arquibancada foi novamente ocupado pelos nossos. Foi como se eu estivesse lá! Seja bem-vindo de volta, Gladiador!

07 junho 2010

O Palestra em -10 jogos

Tivemos lá atrás o post sobre os (meus) 20 jogos do Palestra, como se fosse possível resumir em duas dezenas de partidas as alegrias que tivemos na nossa casa. Acontece que um torcedor de verdade é forjado não nas grandes conquistas, mas essencialmente nas derrotas acachapantes, nas noites de vergonha, nas tardes que contradizem toda a nossa grandeza. Um torcedor de verdade se constrói não nos títulos, alguns dos quais se prestam à ostentação oportunista, mas nas derrotas inesperadas. Dessa forma, sinto-me impelido a escrever o post de agora, com os 10 jogos mais tristes, decepcionantes ou trágicos da história recente do nosso estádio.

O critério é o mesmo do ranking anterior: valem apenas os jogos com a minha presença (ou seja, todos menos quatro da última década). Uma coisa é certa: eu não perdi nenhum que seja significativo (para o bem ou para o mal). Aí vai a lista:

10. Palmeiras 1 x 1 Nacional/URU
Copa Libertadores/2009 (28.05.2009) - 24.700

Pode parecer estranho abrir a série com esse jogo, mas é que nunca um técnico foi tão responsável por um mau resultado do time. Depois de todo o esforço feito para chegarmos às quartas da Libertadores, o Madureira conseguiu levar o Nacional ao empate no Palestra. Na volta, até viajamos a Montevideo para buscar a vaga, mas não dava para compensar os erros do jogo da ida.

9. Palmeiras 2 x 6 Fluminense/RJ
Campeonato Brasileiro/2001 (07.11.2001) - 6.289
Pelo placar, sintomático da derrocada que tivemos naquele ano. Querem mais? O jogo foi disputado numa quarta-feira à tarde.

  8. Palmeiras 4 x 4 Santo André/SP
Copa do Brasil/2004 (20.05.2004) - 14.983
A Copa do Brasil daquele ano estava nas nossas mãos. Aí fomos ao ABC e arrancamos um empate em três gols. Na volta, a eliminação só viria com uma derrota ou com um improvável empate em quatro gols. Abrimos 4 a 2, mas conseguimos tomar dois gols, o segundo aos 44 minutos da etapa final. Uma eliminação como só o Palmeiras poderia conseguir no seu estádio.

7. Palmeiras 2 x 3 SPFC/SP
Copa do Brasil/2000 (27.06.2000) - 13.730
Não foi tanto pela eliminação, pois a anterior, seis dias antes, pela Libertadores, tinha sido muito mais dilacerante. O que doeu aqui foi receber oSPFC na nossa casa e ter que aceitar a presença de Evair, o nosso ídolo eterno, com a camisa tricolor.

6. Palmeiras 1 x 1 Flamengo/RJ
Campeonato Brasileiro/2002 (13.11.2002) - 29.478

O Palmeiras pressionou, lutou, batalhou, tentou o segundo gol de todas as formas. Mas o time não tinha qualidade e ficou no 1 a 1. Deixamos o Palestra naquela noite com uma quase certeza: o empate poderia custar caro. De minha parte, era certeza mesmo: tínhamos caído para a Série B ali mesmo, em casa, confrontados com a nossa própria incompetência.

  5. Palmeiras 2 x 3 Cruzeiro/MG
Campeonato Brasileiro/1998 (26.11.1998) - 29.950

Conquistamis dois títulos contra o Cruzeiro naquele mesmo ano (a Copa do Brasil, em maio, e a Mercosul, em dezembro). No meio disso, no entanto, essa derrota dolorida. Depois de uma grande campanha na fase classificatória, perdemos o primeiro jogo no Mineirão (1 a 2). Aqui, no segundo jogo, um domingo à tarde, vitória pelo mesmo placar. Dois resultados iguais, melhor campanha na primeira fase, classificação à semifinal, certo? Errado; o estúpido regulamento previa mais um jogo, dando sobrevida ao time de pior campanha. Noite de quinta-feira no Palestra: o Cruzeiro abre 2 a 0, duas vezes Marcelo Ramos (sempre ele!). O Palmeiras, valente, busca o empate na raça: 2 a 2, gols de Almir e Paulo Nunes. A vaga foi nossa até os 43 minutos do segundo tempo: aí Müller avançou pela direita e cruzou para a área. Fábio Jr., outro dos nossos carrascos, deu um tapa na bola: 2 a 3. Uma derrota que doeu fundo na alma.

  4. Palmeiras 2 x 7 Vitória/BA
Copa do Brasil/2003 (23.04.2003) - 8.722
Os números dizem tudo. Como se não bastasse, estávamos prestes a encarar a Série B. Parte da torcida abandonou o estádio no intervalo, em procissão fúnebre. Eu fiquei por lá até o final. Não por nada, mas por que faltou força para sair antes.

  3. Palmeiras 1 x 2 Cruzeiro/MG
Copa do Brasil/1996 (19.06.1996) – 29.139
O time dos 102 gols, das goleadas sem a viadagem do atual time do Santos, das 27 vitórias em 30 jogos, do ímpeto ofensivo sem firula, do Madureira no auge. Isso tudo não resistiu à saída de um único jogador. Müller se foi, o time dormiu naquela noite fria, Amaral falhou, depois Velloso, Marcelo Ramos aprontou pela primeira vez na nossa casa e sofremos uma derrota inexplicável.

2. Palmeiras 3 x 4 Vasco/RJ
Copa Mercosul/2000 (20.12.2000) - 31.700

Esta é provavelmente a virada mais impressionante já vista entre grandes clubes brasileiros. Do jogo, me lembro da euforia do intervalo e da incredulidade após cada gol cruzmaltino. Depois do jogo, o mais difícil era consolar cada um dos palestrinos que deixavam o estádio e chegavam, já desolados e destruídos, ao bom e velho ponto de ônibus da rua Venâncio Aires. Voltamos todos em um silêncio sem precedentes. Ainda hoje, quase 10 anos depois, lembro de cada curva da volta para casa: não veio nem o 875H nem o 874T; tivemos de voltar de 407M, encarando todo o caminho pelo centro da cidade. Foi uma noite muito longa...

 1. Palmeiras 2 (3) x 2 (4) Boca Juniors/ARG
Copa Libertadores/2001 (13.06.2001) - 32.000

Fomos roubados de maneira descarada em Buenos Aires, no jogo de ida. Um crime qualificado, reconhecido por todos. Ainda assim, conseguimos um empate em 2 a 2 na Bombonera. Na volta, um Palestra lotado, festa, time empolgado. Mas Riquelme, em noite inspirada, leva o Boca a um 2 a 0 ainda na primeira etapa. A torcida vê o time perdido em campo e volta a incentivar. Pouco depois, Fábio Jr. completa um cruzamento de Arce. GOL! Mas vem o bandeirinha, um safado, e anula o gol. O time continua na luta e chega, ainda no primeiro tempo, ao 1 a 2: Fábio Jr.. Mas persistia a indignação do torcedor: dois deles invadem o campo, um deles (o Zeca) acerta uma bela voadora no safado e o jogo é interrompido. No retorno, ficamos com um a menos: Alexandre é expulso e deixou o Palestra envolto naquele clima inebriante de uma derrota quase certa: o silêncio cortante, gente se jogando no chão, os músculos paralisados, o vento frio cortando as poucas esperanças, o terror de se ver eliminado antes da hora. Vendo que as coisas estavam perdidas, a torcida faz do Palestra um caldeirão no segundo tempo. Com um a menos, o Palmeiras pressiona. Córdoba pega tudo, de todos os jeitos imagináveis. O empate vem aos 21 minutos da etapa final: escanteio batido por Arce, desvio de Bermudéz, GOL! 2 a 2, de novo. Vamos aos pênaltis, de novo. Caímos, de novo. Contra o mesmo rival do ano anterior, nas mesmas circunstâncias, na véspera do mesmo feriado, em outra noite fria de junho. Caímos. A dor fica para sempre, não é? Se serve de consolo, deixo aqui uma reflexão: imaginem só o que doeu no SCCP as eliminações que impusemos a eles em 1999 e 2000?

***

Depois disso tudo - e essas foram apenas as derrotas mais contudentes, quase sempre resultando em eliminações ou perda de títulos -, pergunto: que outra torcida resistiria a tanta tragédia em tão pouco tempo? E para vocês, leitores, quais seriam os 10 jogos?

04 junho 2010

A volta do Gladiador


Kleber, o Gladiador, está de volta! Se é mesmo verdade (isso pressupõe acreditar no comunicado oficial da nossa diretoria), significa que ele vai reencontrar a torcida alviverde na noite de quinta-feira, 15 de julho, em um clássico no Pacaembu contra os moleques mimados do Santos FC. Vê-lo com a camisa 30 em campo não será o bastante; a volta só estará consumada quando for desferida a primeira cotovelada, talvez naquele moleque imbecil que veste a 7 dos SFC. É um bom presságio, diga-se.

A volta do Gladiador ao lugar de onde nunca deveria ter saído (só a Traffic não pensava assim) recoloca muita coisa no devido lugar. É um presente para o palmeirense, tão sofrido e tão carente de ídolos. É também um reconhecimento à identidade que se criou muito rapidamente entre jogador, clube e torcida. Aliás, considerando o fato de este blog, ao contrário de outros, nunca ficar na mesmice, eis aqui uma leitura particular dos fatos:

Kléber chegou ao Palmeiras como um ilustre desconhecido, como um achado da nossa diretoria (é justo reconhecer). Ficou no Palmeiras só nove meses, mas a identificação foi imediata, como poucas vezes antes. Kléber virou ídolo um pouco pela carência do torcedor, um outro tanto devido às boas atuações a ao título conquistado naquele ano, mas essencialmente pelo perfil guerreiro, batalhador, lutador. Era o ‘bandido’ que todo time de bem precisa ter em suas fileiras.

Os números não dão conta de explicar a idolatria instantânea. Em nove meses, foram 47 jogos, 12 gols, muitos cartões amarelos, algumas expulsões, um cotovelo na cara de um zagueiro adversário e mais alguns de brinde para outros rivais e inimigos.

Vejam os senhores que foram “apenas” 12 gols em 47 jogos, média de um a cada quatro jogos. É pouco, dirão as estatísticas, mas o que elas encobrem é a importância dos gols. Porque, ao contrário de certos atacantes firuleiros, Kléber não é do tipo que acumula gols inexpressivos contra rivais menores para então sumir nas decisões contra os grandes: o Gladiador é autor de gols grandiosos e quase sempre decisivos.

Kléber começou a fazer seus gols logo na estréia, em uma virada emocionante contra a Ponte Preta no Palestra: 2 a 1, dois dele. Foi virar ídolo ainda em março, em outra virada, desta vez no clássico contra o SPFC em Ribeirão Preto: veio dele o gol do empate para a construção dos 4 a 1. Além disso, mandou uma bela cotovelada na cara de André Dias. O Gladiador deixou sua marca em outros duelos importantes: o 1 a 0 da primeira final do Paulista, em Campinas, e mais um no 2 a 2 contra o SPFC, já pelo Brasileiro, no Palestra, só para ficarmos em exemplos mais contundentes.

A ida para BH foi daqueles episódios difíceis de assimilar: Kléber não queria ir, o Palmeiras não tinha dinheiro para segurá-lo, a Traffic não quis investir, e os ucranianos fizeram então a besteira de mandar Kléber como moeda de troca para a contratação de um zé-ninguém do time mineiro. Ele foi a contragosto, e deixou isso bem claro, tanto quanto o desejo de voltar para o Palmeiras.

Durante o ano e meio a serviço do Cruzeiro, Kléber apresentou números muito mais expressivos: 38 gols em 58 jogos, com direito a duas participações na Libertadores. Isso tudo, no entanto, não se traduziu em idolatria, em identificação ou seja lá o nome que vocês quiserem dar. Não deu liga.

Seja bem-vindo, Gladiador. Aqui é a sua casa!


03 junho 2010

Bendita Copa do Mundo

Não, eu não estou louco, e o título acima não representa uma mudança brusca de opinião. O que acontece é que a Copa do Mundo chega em ótima hora para o Palmeiras. Difícil acreditar que as coisas possam piorar além do nível atual, e os 40 dias sem jogos podem servir para que algo de bom aconteça para o nosso lado.

Precisamos de técnico (as substituições do senhor Parraga contra o Flamengo foram absurdas), precisamos de atacantes (só o Kléber não resolve), precisamos de meias (o senhor Cleiton Xavier parou de jogar), precisamos de um lateral-esquerdo (o tal do Eduardo é uma fraude), precisamos de dirigentes (isso não se resolve agora), precisamos de sorte (são poucas as chances criadas, mas, quando elas vêm, tudo dá errado). Precisamos de quase tudo; só o que temos é um santo no gol, a boa vontade de uns e outros e o torcedor palmeirense na arquibancada.

A derrota sofrida nesta fria madrugada de quarta-feira ofuscou o clima propício da nossa nova casa, o Pacaembu. O público foi pequeno, é bem verdade, mas era nítido entre os torcedores que lá estivemos a disposição de empurrar o Palmeiras, mesmo com o cenário adverso. Mas a bola não quis entrar no primeiro tempo, o jogo se arrastou, o nosso técnico deixou o time sem meias e, num contra-ataque, aconteceu o pior, pelo pior pé possível.

O clima de funeral depois do gol dos mulambos é reflexo do Palmeiras atual. Frio na metrópole, madrugada, véspera de um feriado quase sempre indigesto, mais uma derrota em casa, três jogos sem marcar gol, um time acéfalo em campo. O lado bom? Não choveu.

Dirão alguns que, para piorar, temos o Internacional/RS na próxima rodada, lá no Beira-Rio. Eu discordo. É melhor pegar o Inter agora. Porque esse é o tipo de jogo em que podemos contabilizar uma derrota, esteja o Palmeiras bem ou mal. Em sendo assim, melhor encarar a derrota agora, com o time mal, para buscar um novo caminho depois da Copa. Aliás, bendita Copa do Mundo.

***

Quanto a Kléber, vou repetir os dois comentários quase unânimes entre os palestrinos presentes ao Pacaembu:

1. Se o Perrela falou, podemos começar a levar a sério o eventual retorno do Gladiador. Porque os nossos dirigentes não têm mais crédito; até o Perrela é mais confiável.

2. Só acredito na volta do Kléber quando ele entrar em campo com a nossa camisa e meter uma bela de uma cotovelada em algum adversário. Em outras palavras: só acredito no retorno dele quando vier a primeira expulsão.

***

Como é bom estar no Pacaembu... Será a melhor casa possível na ausência da nossa casa. Mas vamos lamentar por muito tempo a falta dos bares nas redondezas e mais uma série de coisas que serão tratadas no próximo post. Até lá.

30 maio 2010

Terra de ninguém

A Arena Barueri é um estádio bonitinho e todo metido a moderno no meio do nada. Disso já sabemos há mais de dois anos, mas a coisa toda passa a incomodar mais um pouco a partir do momento em que se obriga o torcedor palmeirense a deixar a sua cidade e pegar a estrada para ver um dos tantos jogos desimportantes neste maldito campeonato de pontos corridos.

Barueri é quase uma terra de ninguém, ao menos na região onde fica o estádio, cercada por favelas e grandes galpões industriais e sem qualquer estrutura adequada à capacidade de público. Barueri é tão terra de ninguém que mesmo o ex-time da cidade, o antigo Grêmio Barueri, meteu-lhe um pé na bunda e preferiu seguir para aquela maldita cidade de Mato Grosso do Sul.

Eis então que o Palmeiras voltou a jogar ontem nesta terra de ninguém. Foi até lá, vejam só que irônico!, para enfrentar o Prudente/MS, esta aberração que nos lembra dia após dia de como agem os canalhas oportunistas que tentam destruir o futebol. Pior: foi uma escolha de nossos dirigentes, que fizeram o alviverde jogar para míseros 4.016 torcedores (a renda não chegou a R$ 80 mil).

Eu gostaria que nossos dirigentes respondessem o seguinte: o que justifica fazer o palmeirense pegar a estrada, pagar pedágio, perder tempo e ainda correr o risco de ficar sem o seu carro, estacionado em meio a uma vizinhança não muito convidativa? Será que existe alguma resposta decente? Ou será que eles estão pouco se importando com o torcedor? (esta última pergunta é retórica pura)

No caso de "onde parar o carro", é bem possível que alguém venha dizer que a Arena Barueri é um dos poucos estádios com estacionamento bem ao lado (e também abaixo). Certo? Sim, é até verdade. Mas aí é preciso destacar o seguinte: no ano passado, o valor cobrado para deixar o carro em segurança era R$ 10. Ontem, os administradores da Arena Barueri vieram com um novo preço: R$ 30 (o triplo do que eu paguei pelo meu ingresso). 200% de aumento? Carro na rua, é evidente.

Por que isso, porra? Estão satisfeitos com o público de 4.016 pagantes? Ou com o estacionamento a R$ 30? Ou com a cobrança de pedágio na ida e na volta?

É PACAEMBU, PORRA!

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O título "Terra de ninguém" refere-se à tal Arena Barueri, pelos motivos expostos acima, mas poderia se aplicar também à S.E. Palmeiras, avacalhada a cada dia por dirigentes incompetentes, inaptos e desavergonhados. O episódio Candinho é sintomático:

1. O simples fato de pensar na contratação dele já seria um erro enorme (como puderam ressuscitar o cara?);
2. O anúncio da contratação foi o erro consumado;
3. Voltar atrás e dizer que clube e profissional não chegaram a um acordo financeiro demonstra todo o amadorismo (no mau sentido do termo) do senhor Cipullo e dos imbecis que o cercam;
4. A vergonha fica para todos nós.

Ontem, voltando da Arena Barueri, ouvi a entrevista do Candinho na Eldorado/ESPN. O cara falou um monte de besteira, mas, a julgar pelo tom, já estava com tudo assinado. Aí vem hoje a nota oficial da assessoria de imprensa para desmentir o acordo. Inacreditável!

***

Sobre o empate com a aberração do MS: dentro do esperado, uma vez mais. Enquanto não tivermos ataque, vai ser isso aí...

***

Como os senhores devem ter percebido, acabaram os trechos selecionados do livro "Febre de bola". Foram 70 posts (e 70 trechos diferentes) desde o original, em janeiro, e eles contribuíram para tirar um pouco do espírito amargo que vem tomando conta deste blog. A bem da verdade, falta ainda um trecho, mas ele será utilizado no momento apropriado.

27 maio 2010

Dentro do esperado

A vitória de sábado foi um oásis (de gols e de bom futebol) em meio ao deserto que é o Palmeiras hoje. E veio em boa hora, na despedida da nossa casa. Portanto, o resultado que (não) alcançamos na noite desta quarta-feira no Morumbi já era esperado. Aqui entre nós: com o time que temos hoje, já dava para considerar uma derrota no planejamento de início de temporada.

Mais até do que ver mais um pênalti perdido por nossos jogadores, o que perturba é a constatação de que só poderíamos chegar ao empate em um lance fortuito, de preferência em um pênalti encontrado ao acaso. O time do Palmeiras é infértil do meio para a frente; a esperança é a zaga. Mas aí, quando um zagueiro falha grotescamente como neste clássico, acontece o pior.

O lado bom: vem aí a Copa do Mundo, um descanso que chega em boa hora. Melhor que isso? Ah, faltam SÓ 34 rodadas para chegar ao fim o maldito campeonato de pontos corridos.

***

*Seria Cleiton Xavier o novo Pedrinho? Na boa: jogador nenhum tem direito de se machucar tanto assim.

*Por que chove em todos os nossos jogos?

*Dá pra levar a sério um time que constrói um buffet infantil e uma academia no lugar antes ocupado pela geral?

*Os bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque continuam não sabendo como lidar com multidões (ou nem tanto, caso deste clássico). Voltaram a aprontar.

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"Febre de bola", páginas 183 e 184:

"Ao final do jogo os torcedores visitantes até conseguiram manifestar gratidão discreta e respeitosa para com o time, um reconhecimento de suas conquistas recentes; mas fora uma tarde melancólica, uma espécie de tributo devido, de trabalhos forçados, absolutamente nada além disso. No entanto, enquanto esperávamos a hora de sair (outra coisa a respeito do Chelsea: você fica retido por uma boa meia hora enquanto as ameaças são varridas das ruas lá fora), o horror daquilo tudo se aprofundou e a experiência adquiriu uma espécie de glória perversa, fazendo com que nós que estávamos ali ganhássemos o direito de nos conceder uma medalha de campanha."

26 maio 2010

Esclarecimento

Foi divulgado em alguns blogs e sites um certo manifesto popular pela Arena Palestra Itália. Consta um tal Forza Palestra como signatário do movimento. Esclareço não se tratar do meu blog. Isso não se deve tanto à minha discordância em relação ao que é proposto, mas sim à necessidade de deixar as coisas claras. Este blog já está no ar há quatro anos com o nome de Forza Palestra, nenhum interesse financeiro, uma linha editorial definida por um ideal que não se presta a concessões e, em respeito aos seus leitores, é preciso fazer o esclarecimento. Confesso que às vezes me sinto bem disposto a entrar em certos atritos, mas prefiro sinceramente concentrar meus esforços em outras guerras, como esta que iremos disputar hoje à noite na casa do nosso maior inimigo. À batalha, portanto!

23 maio 2010

Imortalidade


O olhar que percorria cada canto da arquibancada por vezes parecia se perder, absorto, sem saber para onde ir ou quando voltar. Parecia. Se era mesmo assim, certo é que não estava preso a lugar algum, mas sim a um dia outro que não o que vivemos ontem. O que se percebia no semblante dos palestrinos que cruzamos os portões do Palestra Itália neste sábado, 22 de maio de 2010, era a resignação de quem não pode fazer nada mais, a não ser dizer adeus.

Em meio a abraços apertados, olhos cheios de lágrimas e palavras um tanto desoladas e apocalípticas, tudo era saudosismo. Como se precisássemos nos apegar ao que construímos juntos para não sucumbir antes da hora. Como se tentássemos adiar o adeus, por vezes esperando mesmo que não fosse a última vez.

Tantas são as lembranças e os significados que a nossa reação não poderia mesmo ser outra. Porque, cada um do seu jeito, todos pensávamos no que seria perdido ao apagar dos refletores: a ansiedade dos dias, das horas e dos minutos que nos separavam de cada jogo, a caminhada até o Palestra, o encontro com os amigos, a concentração lá fora, as Brahmas sendo derrubadas, os sanduíches de pernil, as conversas, a expectativa crescendo, a rua que se enche aos poucos, a multidão que se forma, a fila na bilheteria, a hora que se aproxima, os cumprimentos de boa sorte antes de seguir para o estádio, mais fila, a euforia, a passagem pela catraca, a entrada triunfal, a caminhada que nos permitia vislumbrar o Jardim Suspenso pouco acima, os banheiros alagados, o barulho, a cantoria, o acesso escolhido para subir os dois lances de escada e logo ganhar o cimento da arquibancada, o olhar que se perdia no encontro com a massa, com o campo de jogo, com a nossa história se materializando.

Isso tudo, é inevitável, há de se perder. Seja lá o que vier das mentes doentias e deslumbradas de nossos dirigentes e parceiros (?), muito de nossa história ficará para trás. Virá um outro Palestra Itália, mais moderno, mais europeu, mais limpo, mas também sem a alma do estádio que aprendemos a amar.

O que esperar desses novos dias? Entre os muitos cenários, o que mais perturbava era a certeza de que farão o possível para deixar de fora da reabertura mais da metade do público presente à despedida. Em uma palavra: elitização.

Mas foi então, em meio a tantos desencontros recentes, que o futebol resolveu nos presentear com uma despedida à altura. Pelo sim, pelo não, a chuva apareceu; afinal, ela passou as últimas décadas tendo uma predileção especial por lavar a alma de todos nós em jogos no Palestra. Dessa vez, no entanto, ela não veio só: vieram também os gols e, com eles, uma vitória convincente, porque foi a isso que nos acostumamos ao longo da história. Ao menos por uma noite, a da despedida, o palmeirense teve motivos para vibrar.

Foi bem aí, no êxtase após o terceiro gol, ao percorrer com o olhar toda a multidão que tomava a arquibancada do imortal Palestra Itália, que eu percebi que não existe nenhum planejamento elitista que possa retirar do nosso estádio o verdadeiro torcedor palmeirense. Porque a alma palestrina há de ser mais forte e porque a resistência está no nosso sangue.

Podem até fabricar cadeirinhas numeradas e impor um padrão de conforto que se preze a pensamentos elitistas, mas jamais serão capazes de criar um novo público para o futebol. Porque o futebol não é de nenhum imbecil disposto a pagar R$ 300 por um lugar confortável, mas sim do torcedor que vibrou ontem com a improvável vitória de um time que não merecia tanta gente no estádio. O futebol é do povo, e sempre será.

Por mais que queiram encher o nosso espaço com o plástico das cadeirinhas numeradas, o cimento da arquibancada haverá de prevalecer. O Palestra Itália é imortal.

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Entre árvores e chaminés

A espetacular imagem que abre este post é um presente do Cleber Cilli, leitor deste blog. Não tenho o prazer de conhecê-lo, mas tive a honra de receber a foto no final da semana passada, por email. Veio em boa hora. A foto, conta o Cleber, é da final do Campeonato Paulista de 2008, a última grande festa que tivemos na nossa casa. Fica aí para a posteridade.

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*O Palmeiras nunca foi tão mal dirigido. Porque os dirigentes que aí estão fizeram tanta besteira que conseguiram transformar a despedida do imortal Palestra Itália em um enorme ponto de interrogação. "Será o último jogo?" E aí o que deveria ser encarado como a notícia do mês virou nada mais do que suposição. O adeus à nossa casa virou quase nota de rodapé nos jornais. A história foi desrespeitada como nunca antes.

*Não resisto a um comentário menor: nos últimos oito jogos no Palestra sob o comando do treinador anterior, comemoramos míseros sete gols. Ontem, em um único jogo e com menos opções no elenco, foram quatro.

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"Febre de bola", páginas 181 e 182:

"Fico constrangido ao confessar que um baixo-astral com uma década de duração se desfez porque o Arsenal ganhou do Tottenham na taça Littlewoods (ficaria um pouco menos constrangido se fosse uma vitória na taça da Liga, mas a Littlewoods!), e já tentei diversas vezes descobrir por que as coisas aconteceram assim. A vitória significava muito para todos os torcedores do Arsenal, é claro: nosso time não chegava perto de ganhar nem uma semifinal havia sete anos, e nossa decadência já começara a parecer terminal. E talvez houvesse até uma explicação médica. Pode ser que a monstruosa injeção de adrenalna liberada por uma vitória no último minuto em Tottenham, numa semifinal que você estava perdendo por um gol faltando sete minutos, com todas as esperanças perdidas... talvez essa injeção corrija algum tipo de desequilíbrio químico no cérebro, alguma coisa assim."

21 maio 2010

Fim da linha


Fim da linha é isso tudo que está acontecendo com o Palmeiras. Os mandos e desmandos dos inaptos e incompetentes que dirigem nosso clube, as especulações furadas, a profusão de canalhas que só sabem apequenar o gigante Palmeiras, os pobres diabos que só fazem encher as páginas de jornais de tudo, menos de notícias. Tanto que eu não tenho a menor vontade de ler o noticiário sobre o meu clube; melhor preservar a minha sanidade. É o fim da linha da decência.

É tão fim da linha que chegamos à véspera deste Palmeiras x Grêmio do dia 22 de maio sem ter direito a uma informação essencial: afinal, será este o último do estádio Palestra Itália? Será a despedida? Será o momento de dizer adeus? O que foi dito por essa corja lá atrás continua valendo hoje? Dá pra acreditar em algo que é dito por eles? Vejam o absurdo: até o direito a esta informação nos foi sonegado. Não sabemos nada de nada, e esta gente que se apossou do nosso clube poderá muito bem nos privar da nossa casa sem aviso prévio.

Vamos ao Palestra amanhã sem saber se efetivamente será a última vez. Pelo sim, pelo não, eu vou encarar como se fosse. Eu tinha na cabeça todo um texto preparado para a despedida; tantas ideias, um saudosismo sem fim e homenagens que deveriam ter partido da direção do clube. A omissão de nossos dirigentes é tão grande e tão estupidamente cretina que me impediu de colocar em prática tudo o que eu havia pensado. É um desrespeito sem tamanho: contra a torcida, contra o Palmeiras, contra a nossa casa.

É o fim da linha. Em todos os sentidos. Queria poder sair do Palestra amanhã e dizer “até logo”. Pelo visto, é melhor dizer “adeus” mesmo. Não quero correr o risco de saber mais tarde que o jogo de amanhã foi o último. Farei a despedida do meu jeito. Ao lado dos amigos que o Palestra me permitiu fazer. Aquilo tudo só existe por nossa causa – e a despeito desses crápulas. Aguardo os amigos lá em casa. É com a gente, como sempre foi.

A arquibancada do Palestra é imortal!

***

Eu às vezes me questiono sobre a validade de tudo isso que eu faço pelo Palmeiras. Mas aí chegam os emails, comentários, recados no Twitter e mensagens de apoio por conta dos últimos textos publicados no blog e eu percebo que vale a pena. Obrigado a todos.

***

“Febre de bola”, página 164:

"... e do meu ponto de vista aquela manifestação foi estranhamente reconfortante, pois a garota que tivera de aturar o meu ressentimento pôde ver que eu não era o único; havia toda uma comunidade que ligava mais para o que acontecia com o Arsenal do que para qualquer outra coisa. As coisas que com frequência tento explicar às pessoas sobre o futebol - que não se trata de escapismo, nem de uma forma de espetáculo, e sim de uma versão diferente do mundo - ficaram claras para ela ali; e de certa forma, me senti quase vingado."

19 maio 2010

O Palestra em 20 jogos

Sob o efeito da saudade que nos irá corroer a partir da noite do próximo sábado, este blog persiste na série de homenagens ao imortal estádio Palestra Italia. Desta feita, resolvi eleger os 20 jogos mais memoráveis dos quais eu participei no Jardim Suspenso. "Por que 20?", alguém haverá de perguntar. Sei que o usual seriam 10, número mais compatível com esse tipo de ranking, mas eu comecei a compilar os duelos inesquecíveis e percebi ser incapaz de fechar uma relação tão pequena. Foi aí que tomei a liberdade de ampliar para 20 jogos, o que me daria mais liberdade.

A lista contempla apenas jogos dos quais eu participei, como não poderia deixar de ser em se tratando deste blog. Mas, visto que não estive presente em apenas quatro jogos do Palmeiras em seu estádio nos últimos 10 anos (nenhum deles relevante), não há prejuízo. Sei também que vou me arrepender de algumas escolhas assim que publicar a lista e que vou lembrar depois de jogos que não poderiam ficar de fora, mas aí não tem volta.

E pra você, quais são os 20 jogos da história do imortal estádio Palestra Itália? Ou 10? Ou cinco? Aí vai os meus:

20. Palmeiras 1 x 0 Internacional/RS
Campeonato Brasileiro/1994 (11.09.1994) – 22.340
Da série "motivos pessoais para guardar um jogo na memória". Domingo, 16h, casa cheia. Jogo tenso, duro, como são todos contra o Inter/RS. O placar teima em não sair do zero. Flávio Conceição recebe a bola no meio e avança com ela. O petardo vem de longe, lá pro gol da piscina. No ângulo direito. A rede era aquela mais 'quadrada', sem curvas. A bola bate no ferro do fundo e morre lá dentro. A escalação: Velloso, Claudio, Antônio Carlos (Tonhão), Cléber e Wagner (Alex Alves); Flávio Conceição, Amaral, Paulo Isidoro e Rivaldo; Edmundo e Evair.

19. Palmeiras 1 x 0 Paraná/PR
Campeonato Brasileiro/1994 (08.10.1994) – 19.362
É mais pela coincidência: no sábado anterior, o Sport segurou um empate sem gols com o Palmeiras até os 44 minutos do segundo tempo. Aí a bola foi erguida para a área e, no meio de um bate-rebate, três zagueiros do Sport mandam a bola pra dentro. Uma semana depois, também um sábado, o Paraná segurava o 0 a 0 até os 44 minutos do segundo tempo. A bola chega para Antônio Carlos na intermediária. Ele recolhe, avança um pouco e dispara o chute de longe. Gol. De novo pro lado do placar. De novo no último minuto. As duas vitórias foram essenciais para a classificação alviverde. O time seria campeão poucos meses depois com uma campanha brilhante (31-20-6-5). Aqueles dois gols fizeram toda a diferença.

18. Palmeiras 6 x 2 Fluminense/RJ
Torneio Rio-São Paulo/2001 (30.01.2000) – 9.320
Tarde épica, bem ao estilo Felipão: do 0 a 2 no intervalo, com o previsível protesto da torcida, para o 6 a 2 no final. E aquele time, desacreditado no início do ano, arrancava para um título arrasador no Rio-SP.

17. Palmeiras 2 x 0 Guarani/SP
Campeonato Brasileiro/2000 (19.11.2000) – 22.221
Era um time desacreditado. Começou muito mal a tal Copa João Havelange, chegou a ocupar as últimas posições, só foi reagir nas rodadas finais. A arrancada foi coroada com esta vitória sobre o Guarani, um domingo à tarde com clima de redenção. Gols de Magrão e Tuta. Para mim, as melhores lembranças são anteriores ao jogo, com o Lapa H mais lotado do que nunca, e gente pendurada nas portas e nas janelas por toda a avenida Paulista e de lá até o estádio. O time daquela tarde: Sérgio, Arce, Paulo Turra, Galeano e Tiago Silva; Magrão, Fernando, Taddei e Flávio; Basílio (Juliano) e Tuta. Dá pra acreditar que o Marco Aurélio levou esta tranqueirada de quatro volantes e nenhum meia, à final da Mercosul e a uma classificação heróica diante do SPFC (1 a 1 no Pacaembu e 2 a 1 no Morumbi)? Pois foi assim que aconteceu.

16. Palmeiras 1 x 1 Santos/SP
Campeonato Brasileiro/1992 (06.04.1992) – 18.170
Só porque foi o primeiro entre mais de 400. Segunda à noite, Evair afastado pelo Nelsinho, gol de Alexandre Rosa. Um começo bem emblemático.

15. Palmeiras 1 x 0 Fluminense/RJ
Campeonato Brasileiro/2007 (14.11.2007) - 24.693
Não valeu de nada, mas foi provavelmente a última grande partida da carreira de Edmundo. Quarta à noite, tempestade em São Paulo, clima de decisão, quase de Libertadores. Vitória suada, gol de Rodrigão (!), torcida pronta para a guerra, juiz nos roubando em casa, o goleiro dos caras pegando tudo, enfim, o cenário ao qual nos acostumamos.

14. Palmeiras 3 x 0 San Lorenzo/ARG
Copa Mercosul/1999 (07.12.1999) – 26.197
Uma semana antes, a derrota em Tóquio. O time voltou ao Brasil para o segundo jogo da semifinal da Copa Mercosul - depois de derrota por 0 a 1 em Buenos Aires na ida. Em SP, casa cheia, apoio incondicional e uma vitória contundente: dois gols de Arce e um de Júnior Baiano. Estávamos em mais uma final.

13. Palmeiras 3 x 2 Fluminense/RJ
Campeonato Brasileiro/2005 (04.12.2005) – 26.996
Uma das poucas vezes na década em que o Palmeiras conseguiu se impor em uma decisão na sua casa. Em disputa, uma vaga na Copa Libertadores do ano seguinte. Jogo tenso, repleto de reviravoltas, que terminou com a bola de Correa cruzando toda a área para morrer no fundo do gol adversário. A vaga era nossa.

12. Palmeiras 1 x 1 SPFC/SP
Copa Libertadores/2006 (26.04.2006) – 18.621
Um empate que levou a uma eliminação pode entrar nessa lista? Sim, pode. Pois chegamos a este jogo com um time destroçado e sem técnico e todos davam como certa uma vitória do SPFC. Houve até, do lado de lá, quem falasse em invasão, tamanha era a confiança. Mostramos, no entanto, que alma não se compra. Encurralamos os visitantes, cantamos o jogo todo e, mesmo com o empate em casa, deixamos o estádio fazendo festa. Deste duelo, o que fica é a lembrança da nossa torcida cantando lá do outro lado, já com as luzes apagadas, e os visitantes calados lá do outro lado. Na volta, se não fosse a influência do pobre diabo que inventou um pênalti descarado nos minutos finais, a vaga teria sido nossa.

11. Palmeiras 5 x 0 Ponte Preta/SP
Campeonato Paulista/2008 (04.05.2008) – 27.927
O último título conquistado em casa. Pena que os bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque, a pedido do promotor, estragaram a festa na arquibancada.

10. Palmeiras 6 x 1 Boca Juniors/ARG
Copa Libertadores/1994 (09.03.1994) – 18.875
Dizem alguns que pagamos até hoje pela vitória sobre o SCCP na semifinal da Libertadores/2000. Se é o preço a se pagar, até considero justo (ainda e apesar de tudo). Mas o que não é justo é se tivemos de pagar por esse 6 a 1 de 1994 com as duas eliminações seguidas para o Boca (2000 e 2001, com quatro empates). Por maior que tenha sido a goleada de 1994, não vale o preço exigido.

9. Palmeiras 3 (3) x 1 (2) Peñarol/URU
Copa Libertadores/2000 (11.05.2000) – 30.857
Das tantas noites felipônicas, uma que não é tão lembrada. Mas deveria. Jogo das oitavas, derrota em Montevideo por 0 a 2. Viemos decidir a vaga em casa. Abrimos 3 a 0 (dois de Marcelo Ramos e um de Nenem) e tomamos um gol. Aí Euller perdeu um pênalti - e outro nas cobranças decisivas. Marcos pegou dois e garantiu a vaga.

8. Palmeiras 2 x 0 Marília/SP
Campeonato Brasileiro Série B/2003 (15.11.2003) – 28.436
Sábado à noite, casa cheia, festa sem igual, torcida em perfeita sintonia com o time. Resultado: até Lúcio vagabundo, um incapacitado, mandou uma pancada lá da lateral que foi parar no ângulo do goleiro adversário. O gigante estava de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

7. Palmeiras 1 (5) x 0 (3) São Caetano/SP
Copa Libertadores/2001 (16.05.2001) – 29.284
Eliminado pelo Azulinho no Brasileiro/2000, o Palmeiras encarava novamente o time do ABC, desta vez na Libertadores do ano seguinte. Depois da derrota no Anacleto (0 a 1), o gol da vitória no Palestra parecia que não sairia nunca. Aí entrou Muñoz. Aos 37 minutos da etapa final, entra pelo meio da zaga, numa jogada improvável, e bate cruzado para levar a decisão para os pênaltis. Avançamos de novo.

6. Palmeiras 7 x 3 Cruzeiro/MG
Copa Mercosul/1999 (22.10.1999) – 8.293
Sexta à noite. Era o Cruzeiro do outro lado. Evair, El Matador, teve uma de suas grandes atuações com a camisa alviverde: os três gols foram até pouco. Fomos terminar a noite na delegacia, depois de muita comemoração no ônibus que, abarrotado, nos conduzia pela avenida Paulista. Bons tempos aqueles...

5. Palmeiras 3 x 0 River Plate/ARG
Copa Libertadores/1999 (26.05.1999) – 32.000
Este bem poderia ficar como o jogo do título. Derrota em Buenos Aires na ida, tensão na volta, um grande adversário. Alex teve uma atuação magistral. Fez dois golaços, Roque Jr. fez mais um, o Palmeiras alcançou uma vitória maiúscula. Estávamos na final.

4. Palmeiras 1 x 0 Cruzeiro/MG
Copa Mercosul/1998 (30.12.1998) – 29.540
Era o Cruzeiro do outro lado. Conquistamos contra eles a Copa do Brasil daquele ano, em maio, mas fomos eliminados por eles do Brasileirão, pouco mais de um mês antes deste jogo. Final da Mercosul: 1 a 2 em BH e 3 a 1 aqui para o Palmeiras. No desempate, numa terça-feira à noite, quase na virada do ano, Júnior Baiano dispara o chute de longe, o goleiro espalma e Arce, bem colocado, bota pra dentro. Campeão! Era o prenúncio do que viria em 99.

3. Palmeiras 2 x 0 SPFC/SP
Campeonato Paulista/2008 (20.04.2008) – 27.680
Dirão os canalhas da imprensa esportiva que este foi o "Jogo do gás". Diremos nós que foi o "Jogo da farsa". Tensão, clima de guerra, ódio. Vencemos. Vencemos na bola, na torcida, na alma. Mais do que passar à final do Paulista, superamos toda a pressão da imprensa contra o nosso estádio. Foi, mais do que nunca, uma vitória pelo Palestra.

2. Palmeiras 4 x 2 Flamengo/RJ
Copa do Brasil/1999 (21.04.1999) – 30.000
Os dois gols de Euller nos minutos finais bastam para explicar a inclusão deste jogo. Foi aqui que arrancamos para o título da Libertadores.

1. Palmeiras 2 (4) x 1 (3) Deportivo Cali/COL
Copa Libertadores/1999 (16.06.1999) – 32.000
O título da Libertadores; isso já bastaria. As lembranças desta noite fria não são tão claras, porque eu parecia entorpecido pelo significado daquela decisão. Lembro mais de abraçar meu irmão na hora dos pênaltis, com os joelhos postados no cimento da arquibancada, depois de todo o sufoco dos 90 minutos. E lembro muito, com precisão cinematográfica, de tudo o que sofri para conseguir os ingressos: a noite sem dormir, a invasão da Papa Genovese na madrugada, a manhã que chegava com a expectativa pelos ingressos, o empurra-empurra, a confusão que fechou o Turiassu na hora do almoço, o alívio com os ingressos na mão.

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Esta deveria ser uma semana dedicada ao último jogo do histórico imortal Palestra Itália. Homenagens, comemorações bem pensadas, matérias em jornais, a história sendo revista e eternizada para as próximas gerações, coisas assim. Deveria. Mas o nosso Palmeiras está tomado por almas pequenas, por pobres coitados, por uma infinidade de criaturas desprezíveis. Foi assim que conseguiram tirar o foco do que era a notícia mais importante dos últimos meses. Eles conseguiram. Não sei como, mas conseguiram.

A minha parte está sendo feita aqui. É pouco, eu sei, mas é o que está ao meu alcance. Obrigado a todos os palestrinos de verdade.

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“Febre de bola”, página 117:

“Esta litania terrível me fez perceber como a nossa vida é pavorosa durante nove meses, e que quando tudo termina tenho vontade de viver cada dia das curtas 12 semanas que sobram como se fosse um ser humano."