30 setembro 2009

Arena: impressões da coletiva

Palmeiras, WTorre e Traffic assinaram hoje o acordo para comercialização dos espaços da Arena Palestra Itália (e como se falou em naming rights, não deve ser este o nome do estádio). Com base no que foi dito pelas partes e extraindo um pouco da entrevista coletiva, eis aqui o que interessa para este blog:

1. Foram evasivas as respostas sobre os setores populares. Traffic e WTorre não parecem se interessar muito pelo assunto (nem dava pra esperar algo diferente...), e é então que vamos fazer a nossa parte para não deixar o assunto morrer.

2. Foi dito apenas que todos os setores vão atender ao tal padrão Fifa (esta submissão me irrita demais!) e que haverá espaços "menos nobres", sem tanto conforto.

3. Aliás, demonstraram mais preocupação com o número de banheiros e espaços comerciais do que com os lugares para o povão.


4. Ainda sobre o tema, J. Hawilla disse que o estádio vai primar pelo conforto, "quase como se fosse um teatro". Essa doeu!


5. Na base da politicagem, o dono da Traffic fez média com Del Nero, também presente ao evento. Disse que o presidente da FPF é o grande responsável pelo enriquecimento (?) do futebol paulista e que hoje temos estádios-modelo em Araraquara, Jaguariúna (alguém sabe disso?) e, pasmem, Presidente Prudente. Essa também doeu!


6. Ficou sem resposta outra questão pertinente: onde o Palmeiras vai mandar seus jogos quando começar a reforma? Convocado pelo presidente Belluzzo, Cippulo respondeu sem dizer nada. Disse que isso será estudado mais adiante e que pode ser que o Palmeiras não escolha um único estádio.


7. Ou seja: tudo indica que teremos uma caravana itinerante pelo interior.


8. Qual é o problema em trocar o Palestra pelo Pacaembu? Por que não se define isso de uma vez por todas?


9. As obras devem começar apenas em junho/2010.


***


Ontem foi a vez de o Leco falar em esquema de arbitragem para beneficiar o Palmeiras. Chega a ser risível.
Aí hoje vem Ricardo Gomes e dispara isto aqui:

"O Palmeiras hoje está na liderança também porque não tinha a Libertadores e no início do Brasileiro foi melhor do que o São Paulo. Hoje não há muita diferença entre os primeiros colocados, todos estão no mesmo nível de qualidade e praticam um bom futebol. O início realmente ajudou e o Palmeiras tem essa diferença para os demais por isso".

Ah é? Vejamos então:

O Palmeiras foi eliminado em 17 de junho, uma quarta-feira, depois de um empate sem gols em Montevideo. Caiu fora depois de disputar 12 jogos (dois pela fase preliminar, seis pela fase de grupos, dois pelas oitavas e dois pelas quartas). Enfrentou o céu de Potosí, duas guerras em Recife e mais uma aos pés da Cordilheira. Perdeu, é verdade, mas só depois de ter lutado muito.

 O SPFC, por sua vez, foi eliminado um dia depois, em 18 de junho, uma quinta-feira. Jogou apenas oito vezes, pois fugiu de campo nas oitavas.

O resumo disso tudo está aqui: Homens e ratos

Eu só não sei o que é pior: se o técnico que fala uma besteira dessas ou se a repórter, que não se preocupou em checar a informação antes. 

29 setembro 2009

Ah, esses publicitários...

Ao menos por um dia, deixemos de lado os jornalistas para falar dos publicitários. Eis que temos abaixo um anúncio dos mais infelizes, publicado em página dupla na Placar de outubro. A peça é assinada pela Giovanni+Draftfcb para divulgar o PPV da SKY.



Direto aos pontos:

1. O único texto do anúncio é "Torcedor mesmo assiste ao Brasileirão 2009 na SKY". Errado! "Torcedor mesmo" assiste aos jogos no estádio. O resto é sofá ou simpatizante! E pro inferno com o PPV!

2. Os criativos (nomenclatura idiota dos publicitários) quiseram fazer graça e foram enfiando aí todos os mascotes de 40 clubes. Ficou uma besteira só, mas eu não tenho nada a ver com isso. Acontece, e os senhores vão perceber isso bem no centro da imagem, que os filhos da puta colocaram um porco no colo do mascote do seu maior inimigo. É de uma imbecilidade sem tamanho.

A tabela no lixo

Virgílio Elísio é o diretor de competições da CBF. Isso significa que ele é o sujeito responsável pelas tabelas dos campeonatos organizados pela nossa estimada confederação. É a ele, portanto, que se poderiam atribuir alguns dos absurdos nas datas e horários em jogos da Copa do Brasil ou do Brasileirão. Poderiam, vejam só. Acontece que o problema todo é a inteferência sem limites concedida à emissora de TV que detém os direitos de transmissão de qualquer torneio disputado neste país. E é então que o trabalho de Virgílio Elísio - e de qualquer um do seu departamento - deixa de fazer sentido.

Sim, porque a tabela aqui no Brasil é divulgada até com certa antecedência, mais do que acontece em qualquer uma das modernas e exemplares ligas do Velho Continente. Via de regra, a tabela já é conhecida pelo menos dois meses antes de ter início a disputa seguinte. E assim, já em março, é possível saber, por exemplo, que o Palmeiras vai enfrentar o Grêmio em Porto Alegre no final de semana de 21 e 22 de novembro.

Em tese.

Porque agora, sem nenhum time paulista na Copa Sul-Americana, a emissora de TV ficou com um buraco na grade de programação. E aí resolveu que vai sempre puxar um jogo do final de semana seguinte (ou anterior) para as madrugadas de quarta-feira.


Tem sido assim há mais de mês, e Palmeiras, SCCP e agora o SPFC já tiveram seus jogos alterados poucos dias antes. Contestação parece ter havido só do nosso lado, porque o time teria pouco tempo para treinar entre uma quarta de madrugada e um sábado, mas ninguém parece muito preocupado com o torcedor, em especial com aquele que costuma programar sua agenda em função do time.


Eu, por exemplo, tenho o costume de viajar por aí para acompanhar o Palmeiras. Vou de carro quando o jogo é em SP, no RJ ou em Curitiba e corro atrás de promoções para comprar passagens aéreas com antecedência para jogos que acontecem em Minas, no Nordeste ou no Sul do país.


E aí pergunto: de que vale a tabela feita pelo senhor Virgilio Elisio e divulgada com enorme antecedência se tudo pode mudar nos dias que antecedem o jogo ao sabor dos interesses de uma meia dúzia de diretores da emissora de TV?

De que adianta, por exemplo, eu já ter garantido há meses as passagens para Porto Alegre, onde o Palmeiras pega o Grêmio pela 36ª rodada? De que adianta se tudo isso pode mudar na semana anterior? E quem se preocupa com isso?

A tabela foi para o lixo. Virgílio Elísio poderia muito bem ser substituído por qualquer diretor de programação da Rede Globo. Seria mais honesto. E aí o torcedor não precisaria se esforçar tanto para estudar a tabela, programar suas folgas e nem perder horas nos sites de companhias aéreas para ir atrás do seu time.

Já que está assim, melhor voltar ao caos dos anos 80 e 90.

***

Posts aleatórios sobre o mesmo assunto:

As invencionices do sr. Del Nero
(20.12.2007)


Tabela mutante
(23.01.2008)


E o torcedor, como fica?
(02.02.2008)


Nada pelo torcedor
(19.02.2008)

O povo dá o recado
(10.05.2009)


Tabela mutante
(03.08.2009)


Domingo, o dia do futebol?
(03.09.2009)

06 setembro 2009

Férias

Depois da bela vitória de ontem no Palestra - jogamos mal e ainda assim levamos os três pontos -, dá até para começar as férias com mais tranqüilidade. É então que devo informar aos amigos e aos leitores deste blog que estarei ausente pelos próximos 20 dias, período em que esta página ficará sem atualizações. É uma parada estratégica e bem programada, já que vou perder apenas os jogos fora de casa contra Vitória/BA e Cruzeiro/MG. Volto exatamente no dia de Palmeiras x Atlético/PR, de tal forma que mantenho a invencibilidade em casa (mais um ano!) e recupero as energias para encarar uma seqüência final que promete 13 jogos decisivos, incluindo viagens para Rio de Janeiro (2 vezes), interior de SP, Porto Alegre e talvez Recife. Até a volta!

03 setembro 2009

Domingo, o dia do futebol?

O Palmeiras, os senhores devem ter notado, parece condenado a nunca mais entrar em campo no seu estádio às 16h e menos ainda aos domingos. Em parte porque só joga agora aos sábados – e isso deve continuar por mais um tempo – e outro tanto porque CBF e emissora de TV resolveram extinguir o horário de sábado às 16h. Sendo assim, é bom nos acostumarmos: ao menos para nós, domingo não é mais o dia do futebol e nossos jogos devem acontecer sempre à noite. 

Talvez a título de consolação, apelo para estatísticas (in?)úteis, daquelas tantas que eu costumo manter em meus infindáveis arquivos de Excel. O que faço abaixo é comparar os números do Palmeiras em jogos disputados aos sábados e aos domingos. 

A comparação refere-se ‘apenas’ aos jogos com a minha presença no estádio desde o início dos anos 90. Não é pouca coisa - são algumas boas centenas -, já que estamos falando de absolutamente todos em São Paulo, Grande SP e interior e pelo menos 50% daqueles fora do Estado (algo entre 75% e 80% do total de partidas no ano). Aí vai: 

Aproveitamento de pontos 
Sábado: 71.7% 
Domingo: 63.4% 

Ataque x Defesa 
Sábado: 2.00 x 1.14 (0.85) 
Domingo: 1.80 x 1.36 (0.44) 

Público Sábado: 15.503 
Domingo: 17.359 

*** 

Na boa: será que a emissora de TV vai ficar adiando ou antecipando jogos de clubes paulistas em todas as rodadas só para preencher sua grade de transmissão? Os rivais da ZL, por exemplo, ficarão 14 dias sem ir a campo por conta disso. E daqui a pouco é a nossa vez. E o torcedor que compra passagens aéreas para ver seu time e depois precisa mudar tudo? Como fica?

02 setembro 2009

A culpa é do torcedor

Decidiram cobrar R$ 40 pela arquibancada de uma hora para a outra. Aí resolveram que os ingressos começariam a ser vendidos na quarta entre 16h e 17h (!). Foi assim pela necessidade de cumprir o tal Estatuto do Torcedor. Eis então que torcedores forem ao Palestra atrás dos ingressos, por mais absurdo que fosse o horário. Lá chegaram e começaram a formar fila. Acontece que os ingresoss não chegaram. E agora, 18h e pouco, mais de mil torcedores aguardam do lado de fora do Palestra sem saber se terão os bilhetes hoje.

É comovente a incompetência do Palmeiras quando se trata de vender ingressos... mas a culpa deve ser do torcedor, né? Afinal, por que diabos insistem em ir até lá para comprar ingressos?

Pelo dérbi no Maraca


Já que a diretoria do Palmeiras está indecisa quanto ao local do clássico contra o SCCP (bons tempos em que não havia dúvidas quanto a isso...) e considerando que há ultimamente uma estranha predileção pelas migalhas oferecidas por prefeitos populistas do interior paulista, este blog abre uma nova campanha: já que é pra fazer merda, que façam a merda direito.

Ou seja: se for para tirar o clássico da capital paulista, que o levem para o Maracanã. Afinal, é o Maracanã, seria uma inovação e as condições seriam muito mais favoráveis para o torcedor de SP.

Vejamos:


-O
Rio é muito mais perto do que Prudente e é acessível por ônibus (centenas por dias), avião (dezenas de vôos diários, conectando cinco aeroportos distintos), carro (por uma estrada muito mais decente) e o que mais vocês quiserem;

-Isso posto, gasta-se muito menos no deslocamento daqui até lá;

-O Rio é mais perto que Prudente e só um pouco mais distante que SJRP ou Ribeirão;

-O Rio é o Rio;

-As condições de hospedagem são muito melhores (para os elencos e para as torcidas);

-Se é para o torcedor ser punido (no bolso e no tempo livre) com mais uma transferência desse tipo, que pelo menos tenhamos a contrapartida de um ou dois dias na praia e de uma noite na Lapa;

-O Maraca é o Maraca;

-Sem a patrulha do promotor desocupado e sem as demonstrações de incompetência do 2º BPChoque, é de se esperar um belíssimo espetáculo das duas torcidas, com bandeiras, faixas e toda sorte de adereços.

Chega de Prudente!
Chega de Rio Preto!
Chega de Ribeirão Preto!
Chega de interior!

Se é pra fazer merda, que façam direito.
E que o dérbi seja disputado no Maracanã!


***

*A idéia, que já fora levantada por ocasião do dérbi em Presidente Prudente, no Mato Grosso do Sul, ganhou força novamente nos comentários do último post. Obra do vascaíno João Medeiros.

*Sob o ponto de vista prático: a rodada de 31/10 e 01/11 registra apenas um jogo no Rio de Janeiro, entre Flamengo e Santos. Como a tabela não foi desmembrada, é o caso de definir um jogo para o sábado e outro para o domingo. Sem segredos.

*Que fique bem claro: vale a primeira defesa feita por este blog, de que o dérbi deve ser disputado SEMPRE em São Paulo. Repito: SEMPRE! Mas como se insinua uma nova afronta aos direitos das duas grandes torcidas do Estado, eu tomo a liberdade de chutar o balde. Que seja então no Maracanã!

01 setembro 2009

Pelo dérbi na capital

Gilberto Cipullo veio a público, por meio de nota oficial, desmentir a informação de que Palmeiras e SCCP se enfrentariam pela terceira vez seguida longe da capital paulista, desta vez em São José do Rio Preto. E o fez sem apresentar qualquer informação adicional, de tal forma que o clássico continua sem local e horário definidos. Só o que sabe é que aparentemente os dois rivais não jogarão no dia 01/11, domingo, mas sim no dia 31/10, sábado, por um desses caprichos inexplicáveis de dona CBF e da emissora de TV.

Já que é assim - e como supostamente paira uma indefinição no ar -, este blog pede à diretoria do Palmeiras, o mandante no returno, que seja respeitado o clássico Palmeiras x Corinthians, o mais importante deste país. Não é pedir demais; é simples até. Basta que o duelo seja realizado na cidade de São Paulo, logo aquela que é a sede dos dois clubes.

Simples. E respeitoso. As torcidas de Palmeiras e SCCP não merecem ficar sem o clássico na capital por dois anos seguidos, como está sendo ameaçado. Palmeiras x Corinthians tem de ser em São Paulo, e quem quiser que venha até aqui para assistir.

Não que seja o caso de este blog propor uma solução para os dirigentes, mas fato é que vale qualquer coisa. Pacaembu, Palestra, Canindé, Ibirapuera, Nicolau Alayon, Rua Javari, o que for. Só não dá mais é pra aceitar
Rio Preto, Prudente/MS, Ribeirão ou qualquer outra cidade do interior. Chega! Por uma questão de respeito.

***

Por falar em clássico...

Talvez influenciados pelo promotor público Paulo Castilho, alguns homens do 2º BP Choque têm extrapolado na hora de zelar pela segurança nos estádios. A foto abaixo, tirada durante o clássico de domingo, mostra o aparelhamento dos homens da lei:


Ingressos mais caros

Notem que o título é factual, sem juízo de valor. É assim porque eu estou disposto agora a não agir como das outras vezes e já condenar a elevação no preço dos ingressos no Palestra Itália. É o impulso inicial, admito, mas é fato também que eu já esperava que logo viesse a conta pela manutenção do elenco e pela contratação de Vágner Love. No entanto, o que proponho aqui é mais uma discussão do que qualquer outra coisa. Vejamos: 

Arquibancada: R$ 30 para R$ 40 (aumento de 33,3%) 
Numerada descoberta: R$ 60 para R$ 80 (aumento de 33,3%) 
Numerada coberta: R$ 120 para R$ 140 (aumento de 16,6%) 
Visa: R$ 88 para R$ 110 (aumento de 25%) 

O aumento percentual mais expressivo se deu na arquibancada. Vamos de R$ 40 já no jogo diante do Barueri. Parece natural ultrapassarmos o SCCP como o clube com maior ticket médio entre todos os 20 que disputam o Brasileirão – com um valor que é quase o dobro do cobrado, por exemplo, pelo SPFC. 

Não estou à frente das finanças do clube, não sou responsável pela geração de receitas, não preciso fechar o caixa no final do mês. Escrevo, portanto, sem o compromisso com o que entra e o que sai nos cofres do clube, mas aqui tudo acontece em defesa do torcedor de arquibancada, o que torna válido o debate. 

Um palmeirense que, como eu, vai a todos os jogos do clube terá de desembolsar o equivalente a R$ 320 para ter presença constante durante todo o returno no Palestra. O valor pode cair para R$ 160 no caso de um estudante, mas é pouco provável que ele consiga os bilhetes com desconto daqui até o fim da temporada. Pior: não há garantia nenhuma de presença a todos os jogos, já que o programa de sócio-torcedor não está pronto e os oportunistas costumam surgir nas horas mais agudas. 

A quantia despendida, que fique claro, aumenta substancialmente se considerarmos que venderam um mando de campo nosso (o do clássico) para a longínqua São José do Rio Preto. 

Dirão alguns que é imperativo alavancar receitas, que todos precisam se sacrificar etc. e tal. Ok, mas aí eu tomo a liberdade de pegar o exemplo do nosso inimigo, que lançou um pacote que garante aos seus torcedores a presença em todos os 10 jogos do SPFC no returno do Brasileirão.
Confiram aqui:  

Viram só? 

Sócio-torcedor paga R$ 96 por 10 jogos (mais um amistoso). São R$ 9,60 por partida (e esse é o valor da inteira!) para ficar na arquibancada. O palmeirense, por sua vez, terá de pagar R$ 40 por um único jogo – com os 'adicionais' de não ter o lugar garantido e de precisar se submeter aos horários de venda para vagabundos. 

Sim, eu sei que o programa de sócio-torcedor está para ser lançado. É de se esperar que venha para reconhecer (e privilegiar) os torcedores que estão sempre ao lado do clube. Mas um custo um pouco mais acessível seria também de bom tom. 

Para o palmeirense, é tudo mais difícil. E mais caro...

31 agosto 2009

Um clássico e nada mais

Eu não esperava um jogo bonito ontem à tarde no Morumbi. Eu nunca espero, registre-se. Tampouco dou valor a isso, pois o que importa para mim é o resultado e, em igual medida, a entrega dos jogadores que defendem o Palestra. Só; o resto é decoração e talvez sirva aos comentaristas que resolveram que é possível falar sobre futebol sem dar as caras no estádio. São os cronistas de estúdio, e este blog dedica a todos eles um enorme desprezo.

Assim sendo, é no mínimo questionável que O Estado de S. Paulo finalize o seu texto principal sobre o clássico com a seguinte frase: "No fim deu-se bem mesmo o torcedor que ficou em casa."

Não, não é verdade. Pois os que ficaram em casa tiveram exatamente o mesmo que os comentaristas de estúdio: um espetáculo que pode não ter sido muito agradável sob o ponto de vista dos que queriam um, na falta de palavra melhor, espetáculo. Até porque o futebol não é isso mesmo, e estão no lugar errado os que esperam malabarismos, peraltices e gracejos idiotas.

O 0 a 0 não foi o melhor dos mundos, é verdade, e a falta de gols espelha isso, mas só viveram de verdade o clássico os que lá estivemos. Seja pelas provocações na arquibancada, pelos cânticos de lado a lado, pelo ódio onipresente, pelo sol das 16h, pela boa presença de público, pelo temor constante de sofrer um gol e ouvir o estrondo do outro lado - é, isso não tem preço...

Os que fomos ao Morumbi vimos tudo o que se espera de um clássico. Ficaram insatisfeitos os que preferem acreditar no que é dito pelo Estadão, pelo Flavio Prado ou por qualquer destes babacas que se põem a comentar futebol a partir da imagem pasteurizada da emissora de TV. E a cada vez que leio esse tipo de comentário fico mais satisfeito por ser um torcedor de arquibancada. Porque só vive um clássico quem faz parte dele.

***

O PRIMEIRO MUNDO TRICOLOR
Com a colaboração do amigo Teo, o homem do Estatuto, eis aqui uma imagem que espelha a falta de estrutura daquele estádio que a imprensa diz ser um modelo:



Sim, R$ 40 para estacionar o carro por algumas poucas horas! É apenas reflexo do fim de mundo e da falta de estrutura que marcam o lugar que os nossos inimigos querem tanto colocar na Copa-2014.

Em situações como essa, fico até com inveja dos que são visitantes no Palestra e podem deixar o carro no shopping e ainda ficam em uma região tão central da cidade...


***

Seja bem-vindo, Vagner Love!

Aliás, sobre este assunto, tomo emprestadas as palavras de PVC, em sua coluna na FSP de ontem:

Em 2004, Mustafá Contursi vendeu Vágner Love para o CSKA na semana em que o centroavante fez dois gols contra o São Paulo, numa vitória palmeirense por 2 a 1. O Palmeiras era terceiro colocado do Brasileirão, dois pontos abaixo do Figueirense, um ponto atrás da Ponte Preta. Parecia candidato à taça, desde que cumprisse requisito básico: segurar Vágner Love.

Luiz Gonzaga Belluzzo contratou Vágner Love de volta dois dias antes de um clássico contra o São Paulo. O Palmeiras era líder na sexta, com dois pontos de vantagem sobre o Goiás. Já era candidato ao título, mas com a ponta de desconfiança.

A diferença entre o Palmeiras que vendeu e o que comprou o centroavante tem nome: ambição.


***

Do Painel FC de hoje:
Raiva. O promotor Paulo Castilho vai mandar ofício hoje à CBF reclamando da decisão do São Paulo de destinar mais ingressos aos torcedores do Palmeiras do que o recomendado pela polícia.

Na boa e apenas a título de curiosidade:

Qual é o problema do Castilho? O que mais ele quer da vida? E qual é a razão deste protesto? Alguém entendeu essa?

26 agosto 2009

East London, onde vive o futebol


O Reino Unido é tido pelos hipócritas da crônica esportiva como o berço do futebol moderno, este em que confortáveis cadeiras roubaram o lugar do cimento e em que se valoriza mais o bizines do que a batalha dentro de campo. Basta aparecer uma imagem de briga (ainda que recreativa) em estádios brasileiros para logo se levantar alguma voz decrépita entre os nossos jornalistas de estúdio (aqueles vagabundos que não pisam em estádios): “É um absurdo! Temos que fazer como na Inglaterra e banir estes vândalos e marginais”.
"Bla bla bla whiskas sache...", diria o Seo Cruz.

É, o futebol foi censurado em terras britânicas. Tanto fizeram que acabaram com os alambrados e os fossos, expulsaram o povão e criaram ambientes higienistas que, na maior parte dos casos, se assemelham mais a um teatro do que a um estádio.

Mas o futebol resiste. Resiste às perseguições, às tentativas de elitização, a todas as barbáries cometidas contra ele. E o torcedor, por mais que seja marginalizado, também resiste. E aí, quando surge uma oportunidade, temos uma ocorrência como esta que envolveu a torcida do West Ham no clássico contra o Millwall:



Que beleza, meus caros! O futebol também vive em East London...

***

Ah, você não sabe o que aconteceu?

Pois então confira aqui, aqui e
aqui.

Parabéns, Palmeiras!

Peço desculpas aos amigos e leitores, mas as intempéries da vida corporativa não permitiram (e não permitirão) que eu escreva o texto que gostaria hoje, com a dedicação que seria esperada em um dia tão especial quanto este. Assim sendo, deixo aqui o meu parabéns e faço efusivas recomendações para os textos do Seo Cruz, do Ademir e do Beto Bovino, três amigos que souberam traduzir muito bem este sentimento enorme que temos pelo Palmeiras.

Lembrem-se: hoje tem festa!

PARABÉNS, PALMEIRAS!

24 agosto 2009

Palmeiras, 95: a festa

A festa é aberta a todos os palestrinos, mas o local estará fechado para nós. E vai até tarde...
Confirmações para o email palmeiras95anos@yahoo.com.br

***

DE NOVO O CALENDÁRIO 

Não tem a ver com o tema acima, mas recomendo a leitura da seção Tendências/Debates da Folha de S.Paulo do último sábado, que dialoga com o post deste blog sobre a possível adaptação (ou submissão?) do calendário brasileiro ao europeu. Pergunta a FSP: “O Brasil deve adaptar o calendário do futebol nacional ao calendário do futebol europeu?”. São duas visões diferentes: SIM, por Delair Dumbrosck, presidente em exercício do Flamengo, e NÃO, por Marcelo Campos Pinto, diretor-executivo da Globo Esportes, o braço esportivo da emissora de TV. Vale pelo debate. Cada um que tire suas próprias conclusões.

23 agosto 2009

Guerreiros do Palestra


Foi só uma vitória, e nada garante que será tão decisiva como parece ter sido aos olhos de todos os que fomos ao estádio Palestra Itália neste sábado à noite. Mas é inevitável imaginar que pode ter sido esta a noite em que o Palmeiras reencontrou o caminho vencedor que vinha sendo traçado até algumas rodadas atrás.

Assim parece porque batemos um adversário duro, seja pela história, pela qualidade técnica atual ou por ser um concorrente direto. Porque acabamos com um jejum que já se mostrava incômodo. Porque time e torcida mostraram a sintonia que se espera quando jogamos em casa. Porque Diego Souza voltou a ser o monstro que todos conhecemos.

Mais do que tudo, parece ser assim porque esses fatores todos se apresentaram no momento exato em que se evoca algo que é por demais caro a todo palmeirense: a nossa história.

Às vésperas do aniversário de 95 anos do clube, adidas e Samsung, duas patrocinadoras oficiais do Verdão, lançam uma campanha que explica um pouco porque somos o grande Palmeiras e porque algumas agremiações vivem ou de glórias efêmeras, ou de devaneios de uma grandeza que inexiste ou de uma ostentação vazia e oportunista.

Fato é que aqui se comemora o aniversário de fundação do clube. Aqui conhecemos a nossa história e a enaltecemos, porque ela muito nos orgulha e porque defendemos com honra tudo o que se relaciona às nossas origens. Aqui temos alma. E somos guerreiros, como guerreiros foram os jogadores que defenderam as nossas cores nesta primeira batalha decisiva pelo título.

Inspirado por esse clima histórico, o Palmeiras, de azul e tendo a Cruz de Savóia como escudo, entrou em campo para o que se insinuou como uma noite especial desde antes de a bola rolar. Foi assim desde os primeiros minutos e nem mesmo a saída de Cleiton Xavier, lesionado logo aos oito minutos, quebrou o ritmo de um time que se impôs para alcançar uma vitória significativa.

O Palestra Itália foi palco então um grande jogo, por qualquer que seja a ótica, mesmo a de alguém como eu, que pouca importância dá à qualidade do que se passa no gramado. O time demonstrou a intensidade de jogos anteriores, chances foram criadas, a finalização ainda precisa melhorar, mas saíram os dois gols e a vitória ficou com quem de fato mais batalhou por ela.

É tudo uma questão de alma, como sempre.
Nossos atletas foram guerreiros dentro de campo. Honraram a Cruz de Savóia estampada no peito e fizeram acender dentro de cada palestrino a certeza de que estamos todos juntos para a próxima batalha.



***

MUITAS NOTAS

A HORA DOS GUERREIROS


Sumiram os oportunistas que marcaram presença contra Grêmio e Botafogo. O público – 22.101 – foi um pouco menor, mas é melhor mesmo que seja assim. Foram, como conclamado por este blog e pelo presidente Belluzzo, apenas os guerreiros. Aos oportunistas, covardes e turistas, fica o apelo: por favor, continuem em casa!

DIEGO SOUZA, O MONSTRO


Não custa repetir: Diego Souza foi um monstro neste sábado. Sofreu o pênalti, armou todo o lance que rendeu o rebote para o segundo gol, fez duas belas jogadas que não terminaram em gol por pouco, aplicou chapéu em dose dupla nos adversários, brincou com a bola, respondeu com precisão às falácias do adversário. Como bem descrito pelos amigos Seo Cruz e Ademir, chega a lembrar o genial e inesquecível Edmundo, o ídolo anterior da camisa 7.

DIEGO SOUZA, O MONSTRO (2)


Sendo o clássico contra o SPFC o jogo seguinte, era de se esperar que o árbitro viria encomendado para tirar Diego Souza de campo - como já virou rotina. Eis então que, para nossa surpresa, após uma confusão provocada por algum atleta colorado, o árbitro apenas contemporizou. Justo. Mas eu não duvido nada que Paulo Schmitt, aquele do STJD, volte a nos infernizar.

MAIS UM...

De modo geral, gostei do estilo do (desconhecido) árbitro, que marcou poucas faltas e não deixou espaço para firulas. Mas é necessário ressaltar que o Palmeiras teve um pênalti a seu favor não anotado pela arbitragem. De novo. Poderia ter custado mais dois pontos.

VASCÃO

Foi bonito ver o Maracanã cheio daquele jeito para mais uma vitória do Vasco. Por sinal, cabe aqui registrar o parabéns atrasado pelo 111º aniversário (comemorado na sexta) do glorioso clube da Cruz de Malta.

20 agosto 2009

A hora dos guerreiros

Creio que os leitores deste blog tenham imaginado encontrar aqui mais um desabafo/protesto contra a arbitragem. Não nego que isso atrapalhou o meu sono, mas confesso estar exaurido de tantos 'erros' contra o Palmeiras e de tanta passividade por parte de nossos dirigentes. Como eu não posso dar conta do trabalho que deveria ser de outras pessoas, serei pragmático ao extremo, e isso inclui o total e completo esquecimento do jogo disputado na noite de ontem. Passemos ao que vem pela frente:

Considerando todos os outros 11 grandes clubes brasileiros, o Palmeiras leva vantagem no confronto direto diante de nove (os quatro cariocas, os dois de Minas, dois dos paulistas e mais o Grêmio). É expressivo e, embora sem o retrospecto de todos os demais confrontos, ouso dizer que nenhum outro grande clube deste país chega perto de uma campanha 9 x 2.

Acontece que os dois times contra os quais o Palmeiras está em desvantagem histórica são exatamente os nossos próximos adversários na seqüência do Campeonato Brasileiro. São também os dois concorrentes que mais ameaçam as nossas chances de título em 2009. E são as agremiações, convenhamos, contra as quais enfrentamos mais dificuldades ao longo dos tempos.

Dito isso, poderão os pessimistas evocar a catástrofe que está por tomar conta do Palestra Itália. Eu não vejo assim; para mim, o que temos agora é a oportunidade de suplantar os nossos dois concorrentes diretos e fazer as coisas seguirem o rumo que foi interrompido pelos últimos insucessos.

Temos duas finais pela frente e isso é tudo o que poderíamos querer nesses tempos em que impera a lógica dos pontos roubados.

Aos derrotistas, peço encarecidamente que fiquem em casa. Se possível, evitem até destilar o pessimismo gratuito por aí. Porque temos duas batalhas pela frente, contra Inter em casa e contra o SPFC fora e o Palmeiras precisa do nosso apoio. É hora dos guerreiros!

"Tem que jogar com a alma e o coração..."