02 fevereiro 2010

A dupla O.O.

Dia após dia, a diretoria de futebol do Palmeiras acumula fracassos, chapéus e bolas nas costas no que diz respeito à contratação de atacantes. As desculpas, esfarrapadas tanto quanto é possível, são recicladas e as trapalhadas se avolumam a ponto de ultrapassar a barreira do constrangedor. A dimensão exata do problema pôde ser observada no último domingo, quando o Palmeiras dispôs de um único atacante de ofício (de qualidade bem questionável) para enfrentar o seu maior rival.
Dadas as condições, é inevitável a lembrança de alguns nomes que há bem pouco tempo fizeram as vezes de homens de frente do nosso Palestra. É então que este post abre uma exceção para falar individualmente de dois atletas: Ortigoza e Obina.

Começando pelo paraguaio.

A pergunta: por que o deixaram sair se hoje ele seria tranquilamente o titular deste ataque capenga de 2010? Notem que eu condiciono a sua titularidade à falta de opções melhores, mas o ponto central é que Ortigoza, que assumiu a camisa 30 do Gladiador, nunca decepcionou o torcedor palmeirense.

Longe de ser um craque, mostrou-se um atacante voluntarioso, esforçado e batalhador, que nunca desistia das jogadas – é o que queremos de nossos atletas, não? Ortigoza foi certamente um dos jogadores mais úteis do Palmeiras nos últimos anos. Não se machucou, não teve problemas disciplinares, nunca se incomodou com a condição de reserva, se empenhou em todos os momentos. Agradou à torcida, parecia ter bom ambiente com o grupo e, a não ser que provem o contrário, não representaria um investimento assim tão alto.

A dispensa do paraguaio, portanto, é inexplicável. E domingo, se estivese em campo, ouso dizer que alcançaríamos ao menos o empate diante da gambazada.

Vamos agora de Obina, sobre quem venho ensaiando escrever há tempos. O que vem a seguir, peço que me entendam, cumpre o papel de mea-culpa, um tanto atrasada, é verdade, mas justa.

Deixo de lado qualquer julgamento sobre o episódio que desencadeou a saída de Obina. Não seria justo agora criticar a diretoria porque ali, no auge dos acontecimentos, pareceu a decisão correta.

A verdade é que Obina chegou ao Palmeiras, em maio de 2009, não como reforço, mas como piada pronta. Eu mesmo cheguei a dizer que a contratação era uma afronta à torcida, e foi assim mesmo que encarei toda aquela onda do Madureira, que logo o colocou para jogar contra o Nacional-URU, no Palestra, no fatídico jogo em que ele, o Madureira, nos enterrou na Libertadores.

Obina estreou, não fez feio e começou a construir no Palestra Itália uma trajetória surpreendente. E eu, que esperava algumas contusões, episódios folclóricos, e dois ou três gols em pouco mais de uma dezena de jogos, tive logo de assumir o meu erro.

Obina, vejam os senhores, fez gol logo na segunda partida, em Barueri. Depois desencantou a colecionar episódios notáveis com a nossa camisa. Foi dele, por exemplo, o toque de cabeça que, já aos 40 e tantos minutos no Centenario de Montevideo, passou a centímetros da trave esquerda do Nacional/URU, selando a nossa eliminação.

Foram de Obina os três gols na vitória sobre o SCCP lá no MS. Mais três vezes ele foi à rede na memorável vitória sobre o Goiás (4 a 1), quando o Palmeiras ensaiou uma redenção que ficou só mesmo na aparência. E, por fim, foi dele o gol de cabeça grosseiramente roubado no Maracanã em 2009.

A passagem de Obina pelo Palestra Itália foi tudo, menos apática. E este blog precisava abrir uma exceção para reconhecer isso tudo. Não adianta muito, eu sei, mas é o que eu posso fazer.

Agora, pensem em um ataque Ortigoza e Obina. Não é a dupla dos sonhos, longe disso. Mas eles poderiam ter mudado a história do clássico de domingo. E, acima disso, seriam bastante úteis para a sequência da temporada. Vale o registro.

***

"Febre de bola", página 133:

"... em casa, esperamos derrotar quase todo mundo, e não interessa como isso seja feito. Esse compromisso com os resultados significa, inevitavelmente, que os torcedores e os jornalistas tendem a ver os jogos de maneiras profundamente diferentes. Em 1969 vi George Best jogar, e marcar, pelo Mancheter United em Highbury. Tal experiência deve ter sido profunda, como ver Nijinsky dançar ou Maria Callas cantar, e embora às vezes eu realmente fale sobre isso dessa maneira, para torcedores mais jovens ou para aqueles que não viram Best jogar por ouras razões, meu relato afetuoso é, em sua essência, falso: detestei aquela tarde. Toda vez que ele pegava a bola eu me assustava, e desejava na hora, como suponho que deseje hoje em dia, que ele estivesse contundido."

13 comentários:

Nicola disse...

Concordo plenamente! Fosse esse o nosso ataque no domingo, poderíamos ter vencido... Porra, dispensaram os dois pra jogar com Robert e Lovinho? Diretoria de merda mesmo, puta que pariu! E o Robert, se escondeu o jogo inteiro, fez dois gols de cabeça contra times ridículos e ainda quer criticar os moleques da base, vai tomar no cu esse mala do caralho!

Anônimo disse...

Prezado,
Você está absolutamente correto! Também acredito que a dupla O.O. não nos decepcionaria. Mas,o que está me parecendo é que essa diretoria (quem é Toninho Cecílio para "mandar" no futebol do Verdão?) além de incompentente, o que já é um grande problema, é também mau caráter, o que é gravíssimo, pois jamais assume a sua parcela de erros em todos esses vexames que temos passado. Até quando teremos que aguentar Toninho Cecílio? Acorda, Belluzzo!!!

Camila R disse...

O maior problema da nossa diretoria é tratar as coisas com pesos e medidas diferentes em horas inoportunas... Foi desembolsado tudo e mais um pouco para trazerem Vágner Love de novo. Para muitos, inclusive para mim, um grande pivô da vexatória do ano passado... A regra, que não é clara, se faz bem simples: quem ganha mais, trabalha mais (ou pelo menos se espera, deveria...). Na sua empresa é assim, no seu escritório, na vendinha da esquina...
Agora, sem tantas opções palpáveis, se dão ao luxo de não renovar com Ortigoza e adotar um moralismo incabível com Obina. Desonra por desonra, maior do que a palhaçada que estão fazendo, acho difícil alguém superar...

Rafael disse...

porra
o Ortigoza, como vc disse, assumiu a #30 e continuou com o trabalho do Gladiador.

embora não tenha todas as qualidades do K30, Ortigol era, no mínimo um réplica paraguaia das boas....daquelas que nao quebra, nao da defeito, e funciona melhor do que agente esperava...
mas os nossos visionários dirigentes né?

ouvi dizer que qdo ele veio pro Palestra no inicio de 2009, o passe dele estava avaliado em 600.000 doletas...dinheiro de cachaça que o toninho cecilio deve gastar no bar ingles...

como disse o 3vv hj, é muita falta de ambição desses putos!

abs caro amigo pilantra

Luigi SEP 1914 disse...

Sem falar que o cidadão que jogou no ataque domingo era companheiro do favelado carioca nas baladas e voltava tão bêbado quanto o S***O carioca.
E quem frequenta o clube e sabe como são as coisas por lá, sabe que o Mauricio sempre foi folgado e se achava pra caralho enquanto o Obina nunca teve problema com ninguém, nem no time sem estádio da capital mundial das favelas.

Vai PALMEIRAS, sempre com VOCÊ!

Marcelo Leal - PhatalVerde disse...

Pois é, e se não me engano aquele cruzamento da cabeçada do Obina, q quase nos mantém na libertadores, foi do Ortigoza, ele não era um K30, mas se comparado a Robert começa a ser, tivesse ele a oportunidade de começar de titular contra os gambás, e teria dado o sangue, como gostamos de ver.
O Obina até entendo, naquele momento, com outras opções, e tendo que segurar a onda...
Mas, o Ortigoza... Apesar da explicação do Conrado, acho ainda que devia ter negociado melhor...
Meu filho domingo, perguntou e o Ortigoza papai, aí eu lembrei, putz, deve ter sido a reação de Muricy, principalmente ao ficar com um a mais e olhar para o banco...

Gustavo disse...

Posso estar exagerando, mas com a energia,raça e determinação que o Ortigoza mostrava em campo ele dentro de não muito tempo viraria IDOLO aqui.
Sempre gostei do seu futebol. Fazia uns golzinhos,e tambem ajudava seus companheiros, voltando pra marcar e tudo.

Mas os senhores do futebol da S.E.P acharam melhor o Daniel Lovinho
Cambada de filhos da puta.

Luiz disse...

Sei que estou sumido e nem me sinto muito a vontade para argumentar alguma coisa, mas penso diferente:

1 - Obina e Ortigoza, foram bem, não decepcionaram, mas são passado e devem ficar por lá. Não podemos ficar chorando o leite derramado, vamos olhar pra frente;

2 - Prefiro ficar com Robert e Daniel em campo do que ter que assistir o tal de Ewerton gambá imundo;

3 - Esse é o tipo de coisa que a diretoria não pode fazer, temos que trazer gente com cara de Palmeiras, não adianta trazer sem-teto pra jogar aqui;

4 - E outra, se estamos sem um atacante de respeito, a culpa não é da diretoria.

Barneschi, desculpe o tom do comentário.

Abraço!

Claudio Yida Jr disse...

E o senhor não vai tecer nenhum comentário sobre o Horário Luydy da FPF, nova denominação para as 17h do meio de semana?

Forza Palestra disse...

Ah, mas o Luydy gosta mesmo é de assistir a sorteio de arbitragem no mio da tarde. Não tem nada mais vagabundo que isso!

Mario disse...

Concordo 100% com o assunto Ortigoza. Não dá p/ entender.

Quanto a Obina, não tinha como passar em branco. O cara vacilou.

E o Robert ein? Para ter direito de criticar a molecada na saída do gramado tinha que jogar 10 vezes mais o que tá jogando. É o atacante chuchu. Põe um cone lá que de vez em quando a bola bate e entra.

Rafael disse...

começaram cedo esse ano heim!?
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/Campeonato_Paulista/0,,MUL1474856-9839,00-CLEITON+XAVIER+PODE+SER+SUSPENSO+POR+ATE+SEIS+PARTIDAS+APOS+RECLAMACAO.html

é de foder o pagode viu?
e estamos na 6a. rodada apenas...

Pedro disse...

Obina foi um grande jogador por aqui!..
se tivessemos ele ainda o jogo contra os gambás seria outro!!

Torço pra q um dia ele volte ao Palestra!!

vamo palmeiras!!